{"id":62559,"date":"2020-11-28T02:36:01","date_gmt":"2020-11-28T05:36:01","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62559"},"modified":"2020-11-28T02:36:01","modified_gmt":"2020-11-28T05:36:01","slug":"bicentenarioengels","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/11\/28\/bicentenarioengels\/","title":{"rendered":"Melodia de violinos: bicenten\u00e1rio de Friedrich Engels, o general comunista"},"content":{"rendered":"<p><em>Para considerar de maneira justa as ideias de Marx, \u00e9 indispens\u00e1vel conhecer as obras de seu mais \u00edntimo correligion\u00e1rio e colaborador, Friedrich Engels. \u00c9 imposs\u00edvel compreender o marxismo nem exp\u00f4-lo de um modo completo sem ter em conta todas as obras de Engels.<\/em><\/p>\n<ol start=\"1914\">\n<li><em> Lenin, 1914. <\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>E<em>m 1893, pouco antes da publica\u00e7\u00e3o do terceiro volume de O Capital, o antigo dirigente cartista Julian Harney escreveu a Engels: \u201cEstou feliz que sua longa viagem com O Capital de Marx esteja quase acabando [\u2026] Acredito que nunca, ao menos nos tempos modernos, um homem teve um amigo e um defensor t\u00e3o fiel, t\u00e3o dedicado como o que Marx encontrou em voc\u00ea\u201d <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Tinha raz\u00e3o.\u00a0 \u00c9 quase imposs\u00edvel encontrar na hist\u00f3ria moderna uma simbiose intelectual t\u00e3o perfeita como a dos autores do c\u00e9lebre Manifesto Comunista.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Daniel Sugasti<br \/>\nApesar disso, o nome de Engels descansa \u00e0 sombra do de Marx. A redu\u00e7\u00e3o de seu papel ao de amigo e suporte financeiro da fam\u00edlia Marx \u00e9 muito comum. Esta vis\u00e3o \u00e9 equivocada e injusta, por mais que o pr\u00f3prio Engels, em repetidas ocasi\u00f5es, tenha definido sua contribui\u00e7\u00e3o pessoal com excessiva mod\u00e9stia:<em> \u201cO que contribu\u00ed [\u2026] Marx poderia ter contribu\u00eddo mesmo sem mim. Por outro lado, eu n\u00e3o teria conseguido alcan\u00e7ar jamais o que Marx alcan\u00e7ou. Marx tinha mais grandeza, enxergava mais longe, argumentava mais e com maior rapidez que todos n\u00f3s juntos. Marx era um g\u00eanio; n\u00f3s, os demais, no m\u00e1ximo, homens de talento. Sem ele, a teoria n\u00e3o seria hoje, nem de longe, o que \u00e9. Por isso ostenta legitimamente seu nome\u201d <\/em>\u00a0<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<br \/>\nAl\u00e9m de relegada, a obra de Engels foi sistematicamente atacada por diversos intelectuais desde o s\u00e9culo XX &#8211; Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs, Jean Paul Sartre, Louis Althusser, entre outros\u2013 que, em nome de um pretenso marxismo purificado, se empenharam em separar seu pensamento do de Marx, destacando supostas diferen\u00e7as te\u00f3ricas, program\u00e1ticas e metodol\u00f3gicas entre ambos. <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><br \/>\nNovembro marca o bicenten\u00e1rio de nascimento de Friedrich Engels, incans\u00e1vel revolucion\u00e1rio e um dos intelectos mais perspicaz do s\u00e9culo XIX. O melhor modo de record\u00e1-lo \u00e9 conhecer, compreender e resgatar o verdadeiro significado de seu legado como co-fundador do socialismo cient\u00edfico.<br \/>\nSegundo nossa vis\u00e3o, reivindicar sua heran\u00e7a te\u00f3rico-pol\u00edtica n\u00e3o pode ser outra coisa que a defesa do marxismo como um todo. Concordamos com Lenin: <em>\u201cDepois de seu amigo Karl Marx, Engels foi o mais not\u00e1vel cientista e mestre do proletariado contempor\u00e2neo de todo o mundo\u201d. <\/em>Em outras palavras, o proletariado n\u00e3o possui um, mas dois mestres que, juntos, constru\u00edram a \u201cobra comum\u201d de ensinar a classe oper\u00e1ria <em>\u201c\u2026a conhecer e a tomar consci\u00eancia de si mesma, e substitu\u00edram as ilus\u00f5es pela ci\u00eancia\u201d <\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<br \/>\n<strong>Uma dupla indivis\u00edvel <\/strong><br \/>\n\u00c9 inaceit\u00e1vel separar a obra de Marx da de Engels. A influ\u00eancia de um sobre o outro, indistintamente, atuou como uma constante fonte criadora para ambos.<br \/>\nO g\u00eanio de Marx \u00e9 inquestion\u00e1vel, mas a qualidade intelectual e o atrevimento militante do \u201cgeneral\u201d, como apelidaram Engels, n\u00e3o foram menores. Foram complementares. Engels se declarou comunista antes que Marx. Tamb\u00e9m foi o primeiro que se interessou pelo estudo da economia pol\u00edtica. Seu artigo intitulado <em>Apontamentos para uma cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>, redigido em fins de 1843 e publicado nos <em>Anais franco-alem\u00e3es<\/em>, contribuiu imensamente para que Marx se interessasse pelo estudo da economia capitalista. O pr\u00f3prio Marx reconheceu este fato em 1859: <em>\u201cFriedrich Engels, com quem mantive um constante interc\u00e2mbio escrito de ideias desde a publica\u00e7\u00e3o de seu genial esbo\u00e7o sobre a cr\u00edtica das categorias econ\u00f4micas (nos <\/em>Deutsch\u2011Franz\u00f6sische Jahrb\u00fccher<em>), tinha chegado por um caminho diferente ao mesmo resultado que eu\u201d <\/em><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Isto mostra, em parte, que a participa\u00e7\u00e3o de Engels na investiga\u00e7\u00e3o que desembocaria em <em>O Capital <\/em>superou amplamente a contribui\u00e7\u00e3o material.<br \/>\nA intensa colabora\u00e7\u00e3o entre ambos alcan\u00e7ou o ponto em que \u00e9 muito dif\u00edcil discriminar quem escreveu qual parte nas obras assinadas conjuntamente. Existem textos que levam unicamente a assinatura de Marx, mas foram completados por Engels, como \u00e9 o caso dos dois \u00faltimos volumes de <em>O Capital<\/em>. Ou, como se soube muito depois, podemos mencionar os artigos publicados com o nome de Marx no jornal estadunidense <em>The New York Daily Tribune <\/em>durante a d\u00e9cada de 1850, que foram escritos inteiramente por Engels \u2013 entre outros motivos, porque dominava o ingl\u00eas \u2013 para que Marx pudesse ter acesso a alguma renda. Ou ent\u00e3o o cap\u00edtulo que Marx escreveu para a c\u00e9lebre obra de Engels, o <em>Anti-D\u00fchring <\/em>(t\u00e3o criticado por certos \u201cmarxianos\u201d) fato que talvez ningu\u00e9m tivesse notado sem a revela\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea que seu autor fez no prefacio \u00e0 segunda edi\u00e7\u00e3o de 1887<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<br \/>\nDe passagem, digamos que a import\u00e2ncia deste livro \u2013 assim como a publica\u00e7\u00e3o separada de uma de suas se\u00e7\u00f5es, que \u00e9 conhecida com o t\u00edtulo <em>\u201cDo socialismo ut\u00f3pico ao socialismo cient\u00edfico- <\/em>\u00e9 inestim\u00e1vel. Riazanov escreveu que <em>\u201cA jovem gera\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a militar por volta de 1876-1880 soube por essa obra o que \u00e9 o socialismo cient\u00edfico, quais s\u00e3o seus princ\u00edpios filos\u00f3ficos e seu m\u00e9todo. O <\/em>Anti-D\u00fchring<em> \u00e9 a melhor introdu\u00e7\u00e3o ao estudo de <\/em>O Capital<em> [\u2026] \u201c<\/em><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<br \/>\nQuando jovens, Marx e Engels escreveram <em>A Sagrada Fam\u00edlia <\/em>(1844), <em>A ideologia alem\u00e3<\/em> (1846) e o<em> Manifesto do Partido Comunista <\/em>(1848). Pouco antes desses trabalhos comuns, em 1842, Engels j\u00e1 tinha realizado os primeiros contatos pessoais com o movimento owenista e cartista e, tr\u00eas anos depois, publicou sua ic\u00f4nica <em>Situa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria na Inglaterra<\/em>, em base a um rigoroso estudo de estat\u00edsticas oficiais e, sobretudo, da observa\u00e7\u00e3o direta das terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o \u00e0s quais estava submetido o proletariado de Manchester, a cidade-f\u00e1brica.<br \/>\nA intensa atividade intelectual de ambos se combinou sempre com a pr\u00e1tica revolucion\u00e1ria. Organizaram a dura luta program\u00e1tica que transformou a ut\u00f3pica Liga dos Justos em Liga dos Comunistas. Quando come\u00e7ou a onda de revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1tico-burguesas de 1848, abandonaram a B\u00e9lgica para estabelecerem-se em Col\u00f4nia. Nesta cidade publicaram, durante quase um ano, o jornal <em>Neue Rheinische Zeitung<\/em> (Nova Gazeta Renana). Em 1849, um aguerrido Engels se alistou como volunt\u00e1rio no ex\u00e9rcito revolucion\u00e1rio de Baden-Palatinado, especificamente no destacamento sob o comando do general Willich. Nele participou na elabora\u00e7\u00e3o de planos militares e interveio pessoalmente em quatro grandes batalhas. A contrarrevolu\u00e7\u00e3o que sucedeu \u00e0 derrota da <em>Primavera dos Povos<\/em> fez com que Marx e Engels, como milhares de outros revolucion\u00e1rios, sofressem uma dura persegui\u00e7\u00e3o que obrigou ambos a emigrarem para Londres.<br \/>\n<strong>Os anos em Manchester<\/strong><br \/>\nNo final de 1850, Engels teve que se instalar em Manchester para trabalhar na firma da qual seu pai era co-propriet\u00e1rio, a <em>Ermen &amp; Engels<\/em>. A monotonia de estar sentado em um escrit\u00f3rio somando colunas e atendendo a correspond\u00eancia multil\u00edngue da empresa, al\u00e9m de terrivelmente tediosa para um homem com seus dotes intelectuais, deixava pouco tempo para a atividade pol\u00edtica pr\u00e1tica &#8211; <em>\u201csinto um t\u00e9dio mortal aqui\u201d<\/em>, escrevia a Marx &#8211; . Ainda que detestasse sua rotina de trabalho no \u201ccom\u00e9rcio imundo\u201d, compreendia que esse sacrif\u00edcio era necess\u00e1rio para ganhar o dinheiro que permitisse a Marx dedicar-se inteiramente a escrever sua obra principal.<br \/>\nA contribui\u00e7\u00e3o material de Engels nem sempre \u00e9 valorizada em sua real dimens\u00e3o. As condi\u00e7\u00f5es de vida da emigra\u00e7\u00e3o eram duras ao extremo:<em> \u201c[\u2026] se n\u00e3o fosse pela constante e abnegada ajuda econ\u00f4mica de Engels, Marx n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o teria podido acabar <\/em>O Capital<em>, como teria sucumbido inevitavelmente sob o peso da mis\u00e9ria\u201d<\/em>, explicou Lenin em 1914<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>. A esposa de Marx, Jenny von Westphalen, descreveu esses anos como de <em>\u201cgrandes dificuldades, priva\u00e7\u00f5es severas e cont\u00ednuas, mis\u00e9ria completa\u201d <\/em><a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<br \/>\nO positivo deste longo per\u00edodo \u2013 de 1850 a 1870 \u2013 \u00e9 a correspond\u00eancia quase di\u00e1ria que manteve com Marx, generosa em li\u00e7\u00f5es sobre numerosos problemas te\u00f3ricos e pol\u00edticos. Marx, que o chamava de \u201cenciclop\u00e9dia ambulante\u201d, em muitas ocasi\u00f5es pediu dados ou opini\u00f5es para <em>O Capital<\/em>. De fato, para ele n\u00e3o existia julgamento mais autorizado que o de Engels.<br \/>\nAinda que separados fisicamente, a estreita colabora\u00e7\u00e3o intelectual tamb\u00e9m oferecia momentos de profunda emo\u00e7\u00e3o que, \u00e0 sua maneira, ajudam a ilustrar os la\u00e7os de camaradagem e a humanidade entre ambos.<br \/>\nEntre outras, existe uma carta comovedora que Marx escreve para Engels para informar que tinha finalizado o primeiro tomo de <em>O Capital<\/em>: <em>\u201cPor fim<\/em> <em>este tomo est\u00e1 terminado. Devo a voc\u00ea ter conseguido conclu\u00ed-lo. Sem tua ajuda ilimitada jamais teria podido finalizar o trabalho prodigioso de tr\u00eas tomos. Te agrade\u00e7o com todo o cora\u00e7\u00e3o e te abra\u00e7o\u201d <\/em><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<br \/>\n<em>\u201cSem voc\u00ea, nunca teria podido levar o trabalho at\u00e9 o final <\/em>\u2013 escrevia Marx ao seu amigo em maio de 1867 \u2013<em>e posso assegurar que sempre pesou sobre mim como uma cruz em minha consci\u00eancia que tenhas permitido que tuas preciosas energias fossem desperdi\u00e7adas e se oxidassem no com\u00e9rcio, principalmente por minha culpa, e, para piorar, que tenha tido que compartilhar todas minhas <\/em>petites mis\u00e8res<em>\u201d <\/em><a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<br \/>\nDe fato, o sustento oferecido por Engels foi fundamental para a culmina\u00e7\u00e3o desta obra. Diante de cada necessidade de Marx, te\u00f3rica ou pessoal, Engels sempre amparou incondicionalmente. A ajuda material, al\u00e9m de uma prova de profunda amizade, sempre foi concebida por Engels como uma contribui\u00e7\u00e3o concreta a uma causa comum. Diante de cada pedido de Marx, seu principio de sempre foi:<em> \u201cestou disposto a fazer tudo aquilo que dependa de mim\u201d<\/em>. Quando <em>O Capital <\/em>veio \u00e0 luz, Engels sentiu que seus anos de sacrif\u00edcio em Manchester, afundado em um trabalho \u201cdesmoralizante\u201d, tinham sido coroados.<br \/>\nSem pausa, Engels se colocou a escrever resenhas a partir de muitos \u00e2ngulos sobre o novo livro. Com o objetivo de neutralizar a <em>\u201cconspira\u00e7\u00e3o burguesa do sil\u00eancio\u201d<\/em>, enviou seus artigos a jornais oper\u00e1rios e burgueses em v\u00e1rios pa\u00edses. A ousada campanha de divulga\u00e7\u00e3o que Engels encabe\u00e7ou contribuiu enormemente para que o marxismo se tornasse mais conhecido e, pouco a pouco, se fortalecesse no movimento oper\u00e1rio europeu.<br \/>\nOutros tr\u00eas anos se passaram at\u00e9 que Friedrich anunciasse ao seu s\u00f3cio Ermen que deixaria a companhia. Assim, em 1 de julho de 1869, um animado Engels pode escrever a Marx:<em> Viva! Hoje, acabou-se para mim o doce com\u00e9rcio e sou um homem livre \u201d<\/em><a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<br \/>\nO general estava pronto para retomar a a\u00e7\u00e3o. <em>\u201cNos \u00faltimos 18 anos, n\u00e3o pude fazer quase nada <\/em>diretamente<em> pela nossa causa, tendo que dedicar-me a atividades burguesas \u201d<\/em><a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>, explicou a Friedrich Lessner, um veterano de 1848. Em seus 49 anos, estava ansioso para reencontrar-se com Marx nas mesmas trincheiras ideol\u00f3gico-pol\u00edticas que juntos haviam cavado desde a d\u00e9cada de 1840. Marx sentiu o mesmo, que celebrou a <em>\u201cfuga do cativeiro eg\u00edpcio\u201d <\/em>de seu fiel amigo deixando-se levar pela tenta\u00e7\u00e3o de <em>\u201cbeber uma ta\u00e7a \u00e0 sua sa\u00fade\u201d <\/em><a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<br \/>\nEngels agora podia dispor de todo seu tempo, energia e qualidades para dedicar-se \u00e0 causa comunista. Transbordava vitalidade: <em>\u201cSou outro homem e me sinto dez anos mais jovem\u201d<\/em>, escreveu \u00e0 sua m\u00e3e. Sua participa\u00e7\u00e3o, indispens\u00e1vel, viria em bom momento.<br \/>\n<strong>Regent\u2019s Park Road, o quartel general <\/strong><br \/>\nEm 1870, Engels voltou a Londres. Depois de quase duas d\u00e9cadas, pode voltar a trabalhar presencialmente junto com Marx.<br \/>\nEngels ficou muito contente com a casa que terminou alugando na capital brit\u00e2nica (um im\u00f3vel no 122 da Regent\u2019s Park Road), principalmente porque <em>\u201cn\u00e3o ficava nem a 15 minutos de distancia de Marx \u201d<\/em><a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. O \u201cmouro\u201d, como o chamavam carinhosamente, residia em Maitland Park Road, para onde Engels se dirigia quase diariamente. Eleanor, a filha menor de Marx, anotou que <em>\u201c\u00e0s vezes sa\u00edam para caminhar juntos, mas era igualmente comum que ficassem no quarto de meu pai [\u2026] era frequente que caminhassem juntos daqui para ali em sil\u00eancio, um ao lado do outro. Ou, ent\u00e3o, cada um falava sobre aquilo que mais ocupava seus pensamentos at\u00e9 que ficavam de frente um para o outro e riam alto, reconhecendo que tinham estado refletindo sobre projetos contr\u00e1rios durante a \u00faltima meia hora\u201d <\/em><a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<br \/>\nO trabalho comum possu\u00eda uma divis\u00e3o de tarefas que Engels explicou: <em>\u201cComo consequ\u00eancia da divis\u00e3o do trabalho que existia entre Marx e eu, coube a mim defender nossas opini\u00f5es na imprensa jornal\u00edstica, o que, em particular, significava lutar contra as ideias opostas, a fim de que Marx tivesse tempo de acabar sua grande obra principal. Isto me levou a expor nossa concep\u00e7\u00e3o, na maioria dos casos de forma pol\u00eamica, contrapondo-a \u00e0s outras concep\u00e7\u00f5es\u201d <\/em><a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<br \/>\nAcerca desse infatig\u00e1vel \u2013 e fundamental- trabalho de polemista e divulgador, comentou David Riazanov em uma de suas confer\u00eancias de 1922: <em>\u201cEngels se serve de um artigo qualquer que o impressionou ou de um fato atual para mostrar a profunda diferen\u00e7a entre o socialismo cient\u00edfico e os outros sistemas socialistas, ou para esclarecer um problema pr\u00e1tico a partir do ponto de vista do socialismo cient\u00edfico e ensinar a maneira de aplicar o m\u00e9todo\u2026\u201d <\/em><a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>.<br \/>\nEngels, com certeza, tinha participado em 1864 do processo de funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Trabalhadores (AIT), a Primeira Internacional, mas at\u00e9 1870 n\u00e3o desempenhou um papel principal. Uma vez em Londres, Engels assumiu uma fun\u00e7\u00e3o protagonista no Conselho Geral, a condu\u00e7\u00e3o cotidiana da Internacional. Assumiu as tarefas de secret\u00e1rio respons\u00e1vel pelas rela\u00e7\u00f5es com a B\u00e9lgica, It\u00e1lia, Espanha, Portugal e Dinamarca, al\u00e9m de membro do comit\u00ea de finan\u00e7as. Participou energicamente em toda sorte de disputas program\u00e1ticas e organizativas contra a nociva influ\u00eancia dos seguidores de Giuseppe Mazzini, de Lassalle, de Pierre-Joseph Proudhon, de Louis Auguste Blanqui, dos tradeunionistas (sindicalistas ingleses) e de Mija\u00edl Bakunin. A imensa energia desdobrada por Engels aliviou o trabalho pol\u00edtico e organizativo que Marx at\u00e9 ent\u00e3o tinha levado adiante, que assim pode dedicar-se quase plenamente aos seus estudos para os pr\u00f3ximos tomos de <em>O Capital.<\/em><br \/>\nEm seu leito de morte, Engels confessaria a Kautsky que aqueles anos, de 1870 a 1872, tinham sido os mais importantes da vida p\u00fablica de Marx e da sua pr\u00f3pria.<br \/>\nDepois da morte de Marx, Engels teve que suportar todo o peso que implicava continuar a tarefa empreendida junto com seu companheiro. Passou a ocupar o primeiro plano depois de ter ocupado toda sua vida, segundo suas pr\u00f3prias palavras, o segundo.<br \/>\nAssumiu sua nova responsabilidade n\u00e3o sem preocupa\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m melhor do que ele compreendia a gravidade de ter perdido Marx. Em 1884, escreveu a Becker: <em>\u201dMeu infort\u00fanio \u00e9 que, desde que perdemos Marx, pretende-se que eu o represente. Passei uma vida (\u2026) tocando o segundo violino; e, sem d\u00favidas, creio que o fiz razoavelmente bem.(\u2026) Mas agora, de repente, espera-se que tome seu lugar\u201d<\/em> <a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>.<br \/>\nHavia muito por fazer. Engels se disp\u00f4s a ordenar o legado cient\u00edfico de Marx. Entre seus pap\u00e9is, encontrou os manuscritos inacabados de <em>O Capital. <\/em>Deixou de lado suas pr\u00f3prias obras e dedicou-se a completar o que conhecemos como o segundo e terceiro livros de <em>O Capital<\/em>, publicados em 1885 e 1894, respectivamente <a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Engels n\u00e3o teve tempo de preparar-se para a impress\u00e3o do quarto tomo, que ficou conhecido como <em>Teorias da mais valia <\/em>devido ao t\u00edtulo que Kautsky lhe deu quando o publicou em alem\u00e3o entre 1905-1910.<br \/>\nA edi\u00e7\u00e3o dos dois \u00faltimos tomos implicou um imenso trabalho. Engels teve que ordenar os pap\u00e9is e retomar o trabalho a partir de onde Marx o deixou incompleto, especialmente os materiais do terceiro tomo, que eram pouco mais que anota\u00e7\u00f5es soltas: teve que realizar novas pesquisas e aprofundar outras; ordenar manuscritos e entender notas e abrevia\u00e7\u00f5es com a caligrafia quase ileg\u00edvel de Marx; cortar; editar; verificar rigorosamente as tradu\u00e7\u00f5es (\u201c<em>tente ser mais fiel ao original!<\/em>\u201d).<em> \u201cCita\u00e7\u00f5es de fontes sem nenhum tipo de ordem, pilhas delas amontoadas, compiladas somente com vista a uma sele\u00e7\u00e3o futura. Ademais, est\u00e3o os textos manuscritos que certamente n\u00e3o podem ser decifrados por ningu\u00e9m mais que eu e, mesmo assim, com dificuldades \u201d<\/em><a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>, escreveu a Bebel um Engels aturdido diante do estado ca\u00f3tico em que se encontravam os arquivos de seu amigo.<br \/>\nAinda assim, Engels cumpriu esta \u00e1rdua tarefa com satisfa\u00e7\u00e3o: <em>\u201cposso realmente dizer que, enquanto trabalho nesta obra, estou vivendo em comunh\u00e3o com ele<\/em> [Marx]<em>\u201d <\/em><a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>.<br \/>\n<em>\u00a0<\/em>Sem Engels, a obra magna de Marx, a mais profunda an\u00e1lise cient\u00edfica sobre o funcionamento da produ\u00e7\u00e3o capitalista e da luta que sobre sua base estabelecem o burgu\u00eas e o oper\u00e1rio, teria ficado incompleta. Esta tarefa adquire peso hist\u00f3rico, j\u00e1 que n\u00e3o existia outra pessoa capaz de conclu\u00ed-la. Com justi\u00e7a, Lenin sentenciou que : <em>\u201cDe fato, esses dois tomos de <\/em>O Capital <em>s\u00e3o a obra dos dois, Marx e Engels\u201d.<\/em><br \/>\nEm meio da edi\u00e7\u00e3o das obras de Marx, Engels pode publicar importantes obras suas, como <em>A Origem da fam\u00edlia, da propriedade privada e do Estado <\/em>(1884);<em> Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia cl\u00e1ssica alem\u00e3 <\/em>(1886); os manuscritos que compuseram depois <em>Dial\u00e9tica da natureza<\/em>, al\u00e9m de escrever pref\u00e1cios \u00e0s edi\u00e7\u00f5es de textos anteriores.<br \/>\nIsto, sem contar que depois de 1883, Engels tamb\u00e9m ficou como o principal dirigente do processo de constru\u00e7\u00e3o do que seria a II Internacional, no contexto de um not\u00e1vel fortalecimento do movimento oper\u00e1rio europeu, e do marxismo entre suas fileiras, aconselhando quadros e partidos de diversos pa\u00edses sobre problemas de princ\u00edpios, de t\u00e1tica e de organiza\u00e7\u00e3o. Em sua casa reuniam-se dirigentes socialistas de diferentes pa\u00edses. At\u00e9 sua morte, a 122 da Regent\u2019s Park Road funcionou como sede do \u201cEstado maior\u201d do socialismo europeu.<br \/>\n<strong>O final<\/strong><br \/>\nO lado militante de Marx e Engels, como se sabe, \u00e9 sistematicamente minimizado \u2013 quando n\u00e3o criticado ou simplesmente omitido \u2013 por diferentes correntes de literatos e acad\u00e9micos, por mais que muitos deles se digam marxistas.<br \/>\nA academia apresenta os fundadores do socialismo cient\u00edfico como fil\u00f3sofos de gabinete. Isto \u00e9 uma falsifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Nem Marx nem Engels foram comentaristas da realidade. Todo seu esfor\u00e7o te\u00f3rico esteve a servi\u00e7o de dotar o proletariado de um programa cient\u00edfico que pudesse ser assumido pelos melhores elementos da classe oper\u00e1ria.<br \/>\nPara eles, n\u00e3o se tratava s\u00f3 de interpretar o mundo, mas de transform\u00e1-lo.<br \/>\nEngels, nesse sentido, al\u00e9m de um te\u00f3rico brilhante foi um pol\u00edtico apaixonado por problemas concretos colocados pela luta de classes de seu tempo; por problemas sindicais; por problemas de constru\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1rias; pela forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de novas gera\u00e7\u00f5es de quadros comunistas. Pouco antes de morrer, mantinha o mesmo esp\u00edrito inquieto, a mesma paix\u00e3o que inflamou sua juventude. <em>\u201dTenho que acompanhar o movimento em cinco pa\u00edses europeus grandes e muitas na\u00e7\u00f5es pequenas, e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica\u201d, <\/em>escreveu para Laura Marx Lafargue em 1894. Contava, al\u00e9m disso que sua caixa postal era <em>\u201cum po\u00e7o sem fundo de correspond\u00eancia internacional\u201d. <\/em>Diante das crescentes demandas exigidas por um movimento marxista em crescimento, todos acudiam ao velho general. Possu\u00eda not\u00e1vel habilidade para conceber t\u00e1ticas, mas sempre as subordinando aos princ\u00edpios e ao programa comunista que elaborou junto com Marx. Entre outras passagens, em 1891, alertava : <em>\u201cos oportunistas \u2018honestos\u2019 s\u00e3o os mais perigosos para a classe oper\u00e1ria\u201d <\/em><a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<br \/>\nEntre final de 1880 e in\u00edcio de 1890, o movimento oper\u00e1rio ingl\u00eas experimentou um ressurgimento esperan\u00e7oso. Em julho de 1888, a greve das oper\u00e1rias da f\u00e1brica de f\u00f3sforos <em>Bryant &amp; May<\/em> (<em>Matchgirls Strike<\/em>) em Londres envolveu mais de 3.000 trabalhadores, de uma forma ou outra. Em agosto de 1890 foi deflagrada uma poderosa greve de mais de 100.000 trabalhadores portu\u00e1rios em Londres (Great Dock Strike), que terminou com uma estrondosa vit\u00f3ria prolet\u00e1ria.<br \/>\nEm 4 de maio de 1890, uma impressionante marcha de 200.000 oper\u00e1rios em Hyde Park impactava a pol\u00edtica brit\u00e2nica. Engels, presente no ato, exclamava: <em>\u201cO que eu n\u00e3o daria para que Marx pudesse ter visto este despertar, ele que, neste mesmo solo ingl\u00eas, estava atento ao m\u00ednimo sintoma\u201d <\/em><a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria da greve nos portos londrinos, escreveu: <em>\u201cAt\u00e9 agora o <\/em>East End<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><em><strong>[25]<\/strong><\/em><\/a> <em>encontrava-se<\/em> <em>em um estado de paralisia causado pela pobreza, sendo sua marca registrada a apatia dos homens, cujo esp\u00edrito tinha sido vergado pela fome e que abandonaram toda e qualquer esperan\u00e7a [\u2026] E, ent\u00e3o, no ano passado ocorreu a greve vitoriosa das mulheres dos f\u00f3sforos. E, agora, esta greve gigantesca dos elementos mais desmoralizados do mundo, os trabalhadores dos cais\u201d <\/em><a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a><em>.<\/em><br \/>\nEntre agosto e setembro de 1888, viajou aos Estados Unidos onde presenciou um movimento oper\u00e1rio jovem que, despojado dos v\u00edcios e tradi\u00e7\u00f5es esclerosadas da pol\u00edtica europeia, mostrava um tremendo \u201cvigor americano\u201d. Em agosto de 1893, a Segunda Internacional se expandia em todo o continente europeu. Engels participou de seu congresso em Zurique. Os mais de 400 delegados ovacionaram seu discurso de encerramento. Em setembro, fez uma confer\u00eancia em Berlim diante de milhares de militantes socialdemocratas e ativistas oper\u00e1rios <a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>. O futuro se mostrava promissor. Engels repetia : <em>\u201cComo eu gostaria que Marx estivesse vivo para ver isto\u201d<\/em>.<br \/>\nAl\u00e9m de sua paix\u00e3o pela pol\u00edtica, Friedrich Engels foi um homem entusiasmado com os descobrimentos cient\u00edficos e avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos de fins do s\u00e9culo XIX, principalmente no campo da biologia, a antropologia, a matem\u00e1tica, a f\u00edsica, a qu\u00edmica\u2026A ci\u00eancia militar, por outro lado, ocupou sua mente durante muitos anos.<br \/>\nConsiderando esta apertada s\u00edntese da obra de Engels, \u00e9 dif\u00edcil admitir sua modesta autodenomina\u00e7\u00e3o de \u201csegundo violino\u201d em rela\u00e7\u00e3o a Marx. Wilhelm Liebknecht \u2013o pai de Karl\u2013 fez notar a esterilidade da discuss\u00e3o acerca do peso de ambos: <em>\u201cO que contribuiu um; o que, o outro? Uma pergunta ociosa! \u00c9 de uma pe\u00e7a, e Marx e Engels s\u00e3o uma s\u00f3 alma, t\u00e3o insepar\u00e1veis no Manifesto Comunista como continuaram sendo at\u00e9 a morte em todos seus trabalhos e planos\u201d <\/em><a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a><em>.<\/em><br \/>\nA morte impediu Engels de cumprir seu desejo <em>\u201cde poder contemplar de um buraquinho a chegada do novo s\u00e9culo\u201d.<\/em> Em janeiro de 1895, tinha come\u00e7ado a trabalhar na edi\u00e7\u00e3o das obras completas de Marx e das suas. Em abril, come\u00e7ou a preparar o que teria sido o quarto volume de <em>O Capital<\/em>.\u00a0 Planejava, por outro lado, reeditar sua obra <em>A guerra dos camponeses na Alemanha<\/em>, al\u00e9m de escrever uma biografia de Marx e uma hist\u00f3ria da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (AIT). Tudo ficou inacabado.<br \/>\nEngels padecia de um c\u00e2ncer de es\u00f4fago. O avan\u00e7o da doen\u00e7a, entretanto, fez pouca diferen\u00e7a em sua personalidade vital, alegre, penetrante. Engels, para esc\u00e2ndalo de certos meios acad\u00eamicos, que destilam puritanismo, sempre celebrou a vida. Bom anfitri\u00e3o, gostava de abrir as portas de sua casa para seus amigos e camaradas, regando as discuss\u00f5es pol\u00edticas com vinho e cervejas tipo Pilsener. As celebra\u00e7\u00f5es de seus anivers\u00e1rios, natal ou as reuni\u00f5es que seguiam \u00e0 contagem de votos para o <em>Reichstag <\/em>alem\u00e3o, costumavam estender-se at\u00e9 a madrugada. Era amante da arte, da poesia, da m\u00fasica, dos idiomas, das viagens, adorava andar a cavalo, conhecer pessoas e lugares novos. Desfrutava ao m\u00e1ximo suas f\u00e9rias nas praias de Eastbourne.<br \/>\nEm novembro de 1894 chegou uma boa soma de dinheiro ao partido alem\u00e3o aos cuidados de Beber e Singer, a quem pediu <em>\u201cbebam em minha lembran\u00e7a uma garrafa de bom vinho\u201d<\/em>. A \u00faltima carta da qual se tem conhecimento foi dirigida a Laura Marx. Lamentou a <em>\u201ccrise que se aproximava <\/em>\u201cno doloroso <em>\u201ccampo de batatas\u201d <\/em>que havia se formado na garganta. Depois a despedida: <em>\u201cN\u00e3o tenho a for\u00e7a para escrever longas cartas, ent\u00e3o adeus. Por tua sa\u00fade, um copo cheio de ponche de ovo com uma dose de conhaque \u201d<\/em><a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>.<br \/>\nMorreu em 5 de agosto de 1895 aos 74 anos. De acordo com seu \u201c\u00faltimo desejo\u201d, as cinzas foram lan\u00e7adas ao mar em Beachy Head, perto de Eastbourne.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> HUNT, Tristam. <em>Comunista de casaca<\/em>. A vida revolucion\u00e1ria de Friedrich Engels. S\u00e3o Paulo: Record, 2010, p. 338.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> ENGELS, Friedrich. <em>Ludwig Feuerbach y el fin de la filosof\u00eda cl\u00e1sica alemana <\/em>[1886]. Madrid: Fundaci\u00f3n de Estudios Socialistas Federico Engels, 2006, p. 37.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> WELMOWICKI, Jos\u00e9. As contribui\u00e7\u00f5es de Engels ao marxismo. <em>Revista Marxismo Vivo \u2013 Nueva \u00c9poca<\/em>, n.\u00ba 16, 2020, pp. 55-68.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LENIN, V. I. <em>Federico Engels<\/em>. Dispon\u00edvel em : &lt;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/lenin\/obras\/1890s\/engels.htm<\/a>&gt;.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0 MARX, Karl. <em>Pr\u00f3logo a la Contribuci\u00f3n a la Cr\u00edtica de la Econom\u00eda Pol\u00edtica<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/m-e\/1850s\/criteconpol.htm#_ftn5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/m-e\/1850s\/criteconpol.htm#_ftn5<\/a>&gt;.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Escreve Engels: \u201cQuero fazer observar incidentalmente o que segue: como o ponto de vista aqui desenvolvido foi em sua m\u00e1xima parte fundado e desenvolvido por Marx, e em sua m\u00ednima parte por mim, era \u00f3bvio entre n\u00f3s que esta exposi\u00e7\u00e3o minha n\u00e3o podia ser realizada sem coloc\u00e1-la em seu conhecimento. Li para ele o manuscrito inteiro antes de lev\u00e1-lo \u00e0 gr\u00e1fica, e o d\u00e9cimo cap\u00edtulo da se\u00e7\u00e3o sobre economia (\u201cDa Hist\u00f3ria Cr\u00edtica\u201d) foi escrito por Marx; eu n\u00e3o tive sen\u00e3o que encurt\u00e1-lo um pouco, desgra\u00e7adamente, por causa de considera\u00e7\u00f5es externas. A colabora\u00e7\u00e3o de Marx se explica porque sempre foi costume nosso ajudar-nos reciprocamente em quest\u00f5es cient\u00edficas especiais\u201d.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> RIAZANOV, David. <em>Marx y Engels<\/em>. Buenos Aires: Ediciones IPS, 2012, p. 276.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> LENIN, V. I. <em>Carlos Marx<\/em>. Breve esbo\u00e7o biogr\u00e1fico, com uma exposi\u00e7\u00e3o do marxismo [1914]. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/lenin\/obras\/1910s\/carlos_marx\/carlosmarx.htm#tactica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/lenin\/obras\/1910s\/carlos_marx\/carlosmarx.htm#tactica<\/a>&gt;.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> HUNT, Tristam. <em>Comunista de casaca<\/em>&#8230;, p. 209. Estes s\u00e3o os anos em que Marx e Jenny perderam tr\u00eas beb\u00eas devido \u00e0 sua mis\u00e9ria: Heinrich Guido, Franziska e Edgar.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Idem, p. 264.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> HUNT, Tristam. <em>Comunista de casaca<\/em>&#8230;, p. 265.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> MAYER, Gustav. <em>Friedrich Engels: una biograf\u00eda<\/em> [1934]. Madrid: FCE, 1979, p. 537.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> HUNT, Tristam. <em>Comunista de casaca<\/em>&#8230;, p. 270.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> MAYER, Gustav. <em>Friedrich Engels<\/em>\u2026, p. 537.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> HUNT, Tristam. <em>Comunista de casaca<\/em>\u2026, p. 273.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Idem, p. 175.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> ENGELS, F. <em>Contribuci\u00f3n al problema de la vivienda<\/em>. Dispon\u00edvel em : &lt; <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/m-e\/1870s\/vivienda\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/m-e\/1870s\/vivienda\/index.htm<\/a>&gt;.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> RIAZANOV, David. <em>Marx y Engels<\/em>. Buenos Aires: Ediciones IPS, 2012, p. 273.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Engels a Johann Philipp Becker, 15\/10\/1884.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> O terceiro volume foi publicado em Hamburgo, em dezembro de 1894, apenas oito meses antes da morte de Engels.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> HUNT, Tristam. <em>Comunista de casaca<\/em>&#8230;, p. 333.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Idem, p. 335.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> LENIN, V. <em>O oportunismo e a fal\u00eancia da Segunda Internacional<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1916\/01\/falencia.htm#n7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1916\/01\/falencia.htm#n7<\/a>&gt;.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> HUNT, Tristam. <em>Comunista de casaca<\/em>&#8230;, p. 356.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> <em>East End<\/em> era a \u00e1rea mais pobre e descuidada de Londres, associado com pobreza, doen\u00e7as, superlota\u00e7\u00e3o e criminalidade.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Idem, p. 368.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> MAYER, Gustav. <em>Friedrich Engels<\/em>\u2026, pp. 879-880.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> La izquierda diario. <em>El joven Engels<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/El-joven-Engels\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/El-joven-Engels<\/a>&gt;.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> HUNT, Tristam. <em>Comunista de casaca<\/em>&#8230;, p. 388.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para considerar de maneira justa as ideias de Marx, \u00e9 indispens\u00e1vel conhecer as obras de seu mais \u00edntimo correligion\u00e1rio e colaborador, Friedrich Engels. \u00c9 imposs\u00edvel compreender o marxismo nem exp\u00f4-lo de um modo completo sem ter em conta todas as obras de Engels. Lenin, 1914. 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