{"id":62556,"date":"2020-11-28T02:35:57","date_gmt":"2020-11-28T05:35:57","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62556"},"modified":"2020-11-28T02:35:57","modified_gmt":"2020-11-28T05:35:57","slug":"engelsmaterialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/11\/28\/engelsmaterialista\/","title":{"rendered":"Engels, coautor da concep\u00e7\u00e3o materialista da Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><em>A colabora\u00e7\u00e3o entre Engels e Marx teve como ponto de partida a elabora\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria: esta foi o resultado de uma converg\u00eancia de ideias e, a partir da\u00ed, de uma parceria na elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, na milit\u00e2ncia pol\u00edtica por toda vida de ambos.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Jos\u00e9 Welmowicki<br \/>\n<strong>O marxismo contra o determinismo<\/strong><br \/>\nEm seu Pref\u00e1cio \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, Marx escreveu:<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/e\/engels.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><br \/>\n<\/em>\u201c&#8230;Friedrich Engels<\/a><em>, com quem mantive por escrito uma constante troca de ideias desde o aparecimento do seu genial esbo\u00e7o para a cr\u00edtica das categorias econ\u00f4micas (nos\u00a0Anais Franco-alem\u00e3es),\u00a0tinha chegado comigo, por uma outra via (compare-se a sua\u00a0<strong>Situa\u00e7\u00e3o da Classe Oper\u00e1ria na Inglaterra<\/strong>),\u00a0ao mesmo resultado, e quando, na Primavera de 1845, ele se radicou igualmente em Bruxelas, decidimos esclarecer em conjunto a oposi\u00e7\u00e3o da nossa maneira de ver contra a [maneira de ver] ideol\u00f3gica da filosofia alem\u00e3, de fato ajustar contas com a nossa consci\u00eancia\u00a0filos\u00f3fica anterior. Este prop\u00f3sito foi executado na forma de uma cr\u00edtica \u00e0 filosofia p\u00f3s-hegeliana. O manuscrito<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>,\u00a0dois grossos volumes em oitavo, chegara havia muito ao seu lugar de publica\u00e7\u00e3o na Vestef\u00e1lia quando recebemos a not\u00edcia de que a altera\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias n\u00e3o permitia a impress\u00e3o do livro. Abandonamos o manuscrito \u00e0 cr\u00edtica roedora dos ratos de tanto melhor vontade quanto hav\u00edamos alcan\u00e7ado o nosso objetivo principal \u2014 auto compreens\u00e3o. Dos trabalhos dispersos em que apresentamos ent\u00e3o ao p\u00fablico as nossas opini\u00f5es, focando ora um aspecto ora outro, menciono apenas o\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1848\/ManifestoDoPartidoComunista\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manifesto do Partido Comunista<\/a><em>, redigido conjuntamente por\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/e\/engels.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Engels<\/a><em>\u00a0e por mim<\/em>\u201d.<br \/>\nEssa converg\u00eancia te\u00f3rica levou os dois amigos a sistematizar as ideias que j\u00e1 tinham escrito, e que os levaram a romper com os <em>jovens hegelianos<\/em> como os irm\u00e3os Bauer, Stirner e outros. Esse grupo estava dedicado \u00e0 cr\u00edtica do sistema pol\u00edtico e jur\u00eddico da Alemanha, mas sua cr\u00edtica permanecia no terreno ideol\u00f3gico, sem relacionar a cr\u00edtica da realidade na sociedade alem\u00e3 \u00e0 de sua base material. Se limitavam ao terreno das ideias. Para criticar essa corrente que n\u00e3o sa\u00eda dos limites do idealismo de Hegel, Engels e Marx escreveram juntos, em 1845, <em>Sagrada Fam\u00edlia <\/em>(ou <em>Cr\u00edtica da Cr\u00edtica cr\u00edtica<\/em>). Nesse momento se aproximaram de Feuerbach que fazia a cr\u00edtica a Hegel de um ponto de vista materialista.<br \/>\nMas logo em seguida, chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que Feuerbach era uma supera\u00e7\u00e3o parcial e unilateral de Hegel, pois ele n\u00e3o passava de um materialismo <em>contemplativo<\/em>, ou seja, que a rela\u00e7\u00e3o homem\/natureza era vista como passiva, n\u00e3o valorizava a <strong>a\u00e7\u00e3o<\/strong> do ser humano sobre o meio ambiente e sobre a sociedade. A express\u00e3o dessa ruptura com Feuerbach se expressar\u00e1 em <em>A Ideologia Alem\u00e3<\/em>, que os dois elaboraram conjuntamente em 1845 e \u00e0 qual se refere o texto citado acima.<br \/>\nFoi nesse texto \u2013 que n\u00e3o chegou a ser impresso por v\u00e1rias dificuldades a que Marx se refere no <em>Pref\u00e1cio<\/em> acima (e cujo manuscrito foi mais tarde recuperado e publicado por Riazanov no Instituto Marx-Engels da URSS nos anos 1920) \u2013 que eles desenvolveram a nova concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria. Marx e Engels incorporaram a defesa do lado ativo do ser humano, que a a\u00e7\u00e3o humana sobre a natureza e sociedade podia transform\u00e1-las, podia ser revolucion\u00e1ria como Marx sintetizou em suas Teses sobre Feuerbach, escritas no mesmo per\u00edodo:<br \/>\n\u201c<em>[&#8230;] <\/em><em>A principal insufici\u00eancia de todo o materialismo at\u00e9 aos nossos dias &#8211; o de Feuerbach inclu\u00eddo &#8211; \u00e9 que as coisas, a realidade, o mundo sens\u00edvel s\u00e3o tomados apenas sobre a forma do objeto ou da contempla\u00e7\u00e3o; mas n\u00e3o como atividade sens\u00edvel humana, pr\u00e1xis, n\u00e3o subjetivamente. Por isso aconteceu que o lado ativo foi desenvolvido, em oposi\u00e7\u00e3o ao materialismo, pelo idealismo &#8211; mas apenas abstratamente, pois que o idealismo naturalmente n\u00e3o conhece a atividade sens\u00edvel, real, como tal<\/em>\u201d<em>.<\/em><br \/>\nEssas <em>Teses<\/em> foram publicadas por Engels em 1886 junto com seu livro <em>Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia cl\u00e1ssica alem\u00e3<\/em>. Como diz Marx no Pref\u00e1cio, o Manifesto Comunista foi baseado nesta concep\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEntre os textos sobre processos revolucion\u00e1rios que ambos escreveram naquela \u00e9poca, se destacam <em>o 18 Brum\u00e1rio de Louis Bonaparte<\/em> que Marx escreveu sobre a revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a de 1848-1851. Engels escreveu em 1850 <em>A Guerra dos camponeses da Alemanha <\/em>aplicando a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria para estudar como seu desenlace havia sido decisivo na forma\u00e7\u00e3o da Alemanha, comparada a outros pa\u00edses como a Inglaterra e Fran\u00e7a.<br \/>\nNesse texto, Engels faz uma an\u00e1lise da economia e da composi\u00e7\u00e3o de classe da Alemanha de ent\u00e3o. Em seguida, analisa o surgimento e os programas das distintas oposi\u00e7\u00f5es. Em especial, explica profundamente as diferen\u00e7as entre Lutero (o te\u00f3logo da Reforma Protestante) e M\u00fcnzer (o l\u00edder radical da guerra camponesa) e como elas influ\u00edram nas insurrei\u00e7\u00f5es camponesas do final do s\u00e9culo XV e come\u00e7o do XVI, quando estava come\u00e7ando a Reforma Protestante. Tamb\u00e9m explica as caracter\u00edsticas das revoltas dos nobres e dos lideres da nobreza, como Sickingen. A partir da\u00ed, relata os epis\u00f3dios da guerra camponesa e as causas de sua derrota final. Por fim, analisa as consequ\u00eancias dessa derrota na hist\u00f3ria da Alemanha.<br \/>\nTodo o trabalho de Engels se concentra na necessidade de uma luta de classes implac\u00e1vel contra os senhores feudais para abrir condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para uma revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. Tamb\u00e9m analisa como as correntes burguesas que surgiram s\u00e3o incapazes de lev\u00e1-la. Li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria que os levam a uma formula\u00e7\u00e3o semelhante na c\u00e9lebre Mensagem de 1850 ao Comit\u00ea Central da Liga dos Comunistas, que ele e Marx escreveram sobre a revolu\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de 1848-1850.<br \/>\nEste texto sobre a guerra camponesa da Alemanha, em que Engels analisa o processo da luta contra a nobreza no s\u00e9culo XV e XVI, \u00e9 um exemplo de como a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria permite analisar as sociedades, inclusive as n\u00e3o capitalistas e tirar conclus\u00f5es pol\u00edticas, opostas aos ide\u00f3logos e os representantes das classes dominantes.<br \/>\nEngels seguiu aplicando essa concep\u00e7\u00e3o que ambos sistematizaram na <em>Ideologia alem\u00e3<\/em>, ao longo de toda sua trajet\u00f3ria, nos combates ideol\u00f3gicos que teve que dar contra os distintos te\u00f3ricos que voltavam ao idealismo ou ao materialismo mecanicista e negavam a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria assim como aos pol\u00edticos reformistas.<br \/>\n\u00c9 curioso que haja cr\u00edticos de Engels que o atacam justamente pelos textos que escreveu para combater esse tipo de vis\u00e3o mec\u00e2nica, como o seu cl\u00e1ssico conhecido pelo nome de o <em>Anti-D\u00fchring<\/em>. Hoje j\u00e1 n\u00e3o se menciona a D\u00fchring, mas na \u00e9poca ele teve sucesso e ganhou uma influencia ampla dentro das fileiras do partido oper\u00e1rio alem\u00e3o e inclusive na sua dire\u00e7\u00e3o. O que D\u00fchring defendia em seus livros era um \u201csistema\u201d fechado com leis r\u00edgidas e tratava de atacar os textos centrais de Marx e Engels. Em seu livro, D\u00fchring investia contra a dial\u00e9tica, e para poder atacar Marx e impactar seus leitores, fazia tergiversa\u00e7\u00f5es de varias partes de <em>O Capital<\/em>, entre outros textos para lhe contrapor \u201c<em>uma teoria geral da ci\u00eancia, pretendendo encontrar nela uma conex\u00e3o interna, da natureza, da hist\u00f3ria, da sociedade, o Estado, o Direito<\/em>\u201d,<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Para poder contrapor-se <em>\u201c\u00e0 filosofia da natureza do senhor D\u00fchring\u201d<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, Engels teve que desenvolver pol\u00eamicas em todos os terrenos que D\u00fchring incursionou, como a economia pol\u00edtica, as ci\u00eancias naturais, a filosofia, etc.<br \/>\nAssim, o que Engels faz no seu texto pol\u00eamico \u00e9 defender a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria. Para realizar esse objetivo, Engels teve que <em>atacar<\/em> de maneira frontal o determinismo e o mecanicismo de D\u00fchring. No entanto, cada vez mais existem autores, inclusive alguns que se reivindicam marxistas, que criticam esse texto assim como os manuscritos publicados postumamente como <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em> por um suposto determinismo ou mecanicismo.<br \/>\nNessa pol\u00eamica, existem aqueles que opinam que o marxismo \u00e9 uma vis\u00e3o determinista da hist\u00f3ria. Outros, em maior quantidade, dizem que Engels seria a fonte dessa vis\u00e3o determinista, em oposi\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio Marx.<br \/>\nComo revela Engels no Prefacio \u00e0 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Anti D\u00fchring, ele escreveu o livro em contato permanente com Marx, que o leu e inclusive redigiu a parte sobre a historia cr\u00edtica das teorias econ\u00f4micas: \u201c<em>como o ponto de vista aqui desenvolvido foi em sua maior parte fundado e desenvolvido por Marx, y em sua m\u00ednima parte por mim, era \u00f3bvio entre n\u00f3s que esta exposi\u00e7\u00e3o minha n\u00e3o podia realizar-se sem o seu conhecimento. Li o manuscrito inteiro antes de lev\u00e1-lo \u00e0 imprenta, e o d\u00e9cimo cap\u00edtulo da se\u00e7\u00e3o sobre economia (\u00abDa Hist\u00f3ria cr\u00edtica\u00bb) foi escrito por Marx\u201d<\/em>. Para que n\u00e3o reste d\u00favidas reproduzimos uma carta de Marx em que ele recomenda a um correspondente, Moritz Kaufmann, que leia o Anti-D\u00fchring de Engels. Nela pode se comprovar que Marx n\u00e3o s\u00f3 participou da elabora\u00e7\u00e3o do Anti-D\u00fchring, mas que o considerava uma \u00f3tima exposi\u00e7\u00e3o do socialismo cientifico:<br \/>\n\u201cLondres, 3 de outubro de 1878<br \/>\nMeu estimado Senhor,<br \/>\nO Sr. Petzler me informou que o Sr. teria redigido um artigo sobre meu livro &#8220;O Capital&#8221; e sobre minha vida, artigo esse que dever\u00e1 ser impresso, juntamente com outros de sua autoria, bem como que o Sr. apreciaria que eu ou Engels corrig\u00edssemos alguns erros seus. [&#8230;]<br \/>\n<em>Por correio, enviar-lhe-ei igualmente &#8211; caso o Sr. dele j\u00e1 n\u00e3o disponha &#8211; um novo escrito de meu amigo Engels, intitulado &#8220;A Subvers\u00e3o da Ci\u00eancia do Sr. Eugen D\u00fchring&#8221;, escrito esse muito importante para a uma correta aprecia\u00e7\u00e3o do socialismo alem\u00e3o.<br \/>\n<\/em>Respeitosamente,<br \/>\nSeu Karl\u00a0Marx\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><br \/>\n<strong>Engels teria se tornado um determinista ao final de sua vida?<\/strong><br \/>\nAlguns autores afirmam que Engels em seu \u00faltimo per\u00edodo de vida teria adotado uma concep\u00e7\u00e3o determinista. Que Engels teria retrocedido ao materialismo mecanicista. A acusa\u00e7\u00e3o, como antecipamos, tenta se apoiar em textos como Anti-D\u00fchring e Dial\u00e9tica da Natureza.<br \/>\nNa verdade Engels analisa nesses textos como a evolu\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias naturais e da tecnologia foram fruto da ascens\u00e3o da burguesia, e da necessidade do capitalismo intervir sobre os processos produtivos, na ind\u00fastria (como a m\u00e1quina a vapor, mais tarde a eletricidade, etc.) e na agricultura, de acelerar a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e, portanto o transporte, (trens, navega\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida, etc.), etc. Portanto era necess\u00e1rio conhecer melhor a natureza, da\u00ed o est\u00edmulo \u00e0s ci\u00eancias naturais desse per\u00edodo em diante. Houve nesse per\u00edodo uma tend\u00eancia das ci\u00eancias naturais de encontrar uma explica\u00e7\u00e3o linear de causa e efeito e ver a pr\u00f3pria natureza como uma evolu\u00e7\u00e3o continua. Contrapunham-se nesse sentido \u00e0s explica\u00e7\u00f5es religiosas anteriores do clero crist\u00e3o e as restri\u00e7\u00f5es t\u00edpicas do per\u00edodo feudal.<br \/>\nO <em>Iluminismo<\/em> era a ideologia t\u00edpica da burguesia em ascens\u00e3o, se colocar como representante das \u2018luzes\u2019: assim como na pol\u00edtica falava em nome da igualdade entre os homens, dos direitos humanos em contraponto com a dos velhos privil\u00e9gios t\u00edpicos dos sistemas feudais com toda sua hierarquia, suas ideias e sua resist\u00eancia \u00e0 ci\u00eancia. Uma vez consolidado o poder da burguesia, esta posi\u00e7\u00e3o se altera. A vers\u00e3o para esse per\u00edodo j\u00e1 vai ser conservadora, a ordem social dever\u00e1 ser conservada e a ci\u00eancia social dever\u00e1 explicar como essa ordem \u00e9 natural, t\u00e3o natural como a geologia, a f\u00edsica ou a qu\u00edmica. Surge da\u00ed um ambiente ideol\u00f3gico de f\u00e9 no progresso oriunda do desenvolvimento econ\u00f4mico e da conserva\u00e7\u00e3o social.<br \/>\nA filosofia resultante dessa aplica\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias naturais \u00e0 sociedade est\u00e1 muito ligada \u00e0 figura de August Comte, o fundador do <em>positivismo<\/em>: uma concep\u00e7\u00e3o que estendia essa compreens\u00e3o de maneira linear \u00e0s sociedades, com pretens\u00f5es cient\u00edficas, inclusive criando uma disciplina para estudar cientificamente a sociedade: a Sociologia ou como a nomeava Comte a <strong><em>f\u00edsica<\/em><\/strong><em> <strong>social<\/strong><\/em>. Comte considerava que a sociedade tinha leis <strong><em>causais<\/em><\/strong> da mesma natureza das leis da f\u00edsica e que nela havia uma evolu\u00e7\u00e3o permanente, um progresso que era um processo como o da natureza.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Ele e outros te\u00f3ricos constru\u00edram uma vis\u00e3o determinista a partir da\u00ed em que os eventos hist\u00f3ricos est\u00e3o previamente definidos por essas leis da <em>f\u00edsica social<\/em>.<br \/>\nOs cr\u00edticos de Engels o acusam de ter sido influenciado por esse tipo de vis\u00e3o.\u00a0 No entanto, os pr\u00f3prios textos de Engels atacam exatamente esse tipo de determinismo e a vis\u00e3o mec\u00e2nica da aplica\u00e7\u00e3o de leis f\u00edsicas ou biol\u00f3gicas \u00e0 sociedade e inclusive mostram que na natureza tampouco se aplica a vis\u00e3o determinista como pensam os materialistas vulgares.<br \/>\nNo Anti-D\u00fchring, Engels escreve: \u201c<em>o sistema<\/em> <em>de <\/em><a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/h\/hegel.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hegel<\/a><em> foi um aborto gigantesco, por\u00e9m o \u00faltimo de sua esp\u00e9cie. Com efeito, sua filosofia padecia ainda de uma contradi\u00e7\u00e3o interna incur\u00e1vel, pois, se, por um lado, considerava como suposto essencial da concep\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, segundo a qual a hist\u00f3ria humana \u00e9 um processo de desenvolvimento que n\u00e3o pode, por sua pr\u00f3pria natureza, encontrar solu\u00e7\u00e3o intelectual no descobrimento disso que se chama de verdades absolutas, por outro, se nos apresenta precisamente como resumo e comp\u00eandio de uma dessas verdades absolutas, Um sistema universal e compacto, definitivamente plasmado, no qual se pretende enquadrar as ci\u00eancias da natureza e da hist\u00f3ria, \u00e9 incompat\u00edvel com as leis da dial\u00e9tica<\/em>. [&#8230;] <em>Verificamos, assim, que o socialismo tradicional era incompat\u00edvel com a nova concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria bem como a concep\u00e7\u00e3o dos materialistas franceses, sobre a natureza, n\u00e3o podia coexistir com a dial\u00e9tica moderna e com as novas ci\u00eancias naturais<\/em>.\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><br \/>\nEm sua carta a Mehring de 1893, Engels, depois de elogiar seu livro <em>A lenda de Lessing<\/em> e o ap\u00eandice escrito por Mehring sobre o Materialismo hist\u00f3rico, n\u00e3o tem rodeios em atacar a interpreta\u00e7\u00e3o que trata de faz\u00ea-los aparecer como materialistas vulgares mecanicistas e contrapor-se a esse suposto materialismo de Marx e Engels para justificar seu idealismo.<br \/>\n<strong><em>Londres, 14 de julho de 1893<\/em><\/strong><br \/>\nCaro Sr. Mehring,<br \/>\n&#8230;<br \/>\nCome\u00e7o pelo fim \u2013 i.e. com o apenso, intitulado <strong><em>\u201cAcerca do Materialismo Hist\u00f3rico\u201d<\/em><\/strong>, onde o Sr. apresenta as coisas principais magnifica e convincentemente para toda pessoa imparcial&#8230; Dito isso, falta ainda apenas mais um ponto que, por\u00e9m, nos escritos de <strong><em>Marx<\/em><\/strong> e nos meus, n\u00e3o surge, em regra, suficientemente destacado e em rela\u00e7\u00e3o ao qual somos culpados ambos, em igual medida.<br \/>\nCom efeito, ambos colocamos o peso principal, em primeiro lugar, na <strong><em>dedu\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> <strong><em>das representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, jur\u00eddicas<\/em><\/strong> e todas as outras no\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e, assim tamb\u00e9m, dos atos intermediados por essas representa\u00e7\u00f5es, a partir dos <strong><em>fatos econ\u00f4micos fundamentais<\/em><\/strong>, sendo que <strong><em>assim tivemos de fazer<\/em><\/strong>.<br \/>\nNisso, negligenciamos, ent\u00e3o, o <strong><em>lado formal<\/em><\/strong>, i.e. : o modo e a maneira segundo os quais emergem essas representa\u00e7\u00f5es etc., em favor do <strong><em>lado conteud\u00edstico&#8230;<\/em><\/strong><br \/>\n&#8230;<br \/>\nO <strong><em>ide\u00f3logo da hist\u00f3ria<\/em><\/strong> (o <strong><em>hist\u00f3rico<\/em><\/strong> deve significar aqui, de modo simplesmente resumido, o <strong><em>pol\u00edtico, <\/em><\/strong>o <strong><em>jur\u00eddico, <\/em><\/strong>o <strong><em>filos\u00f3fico, <\/em><\/strong>o <strong><em>teol\u00f3gico, <\/em><\/strong>em suma : todos os dom\u00ednios que pertencem \u00e0 <strong><em>sociedade<\/em><\/strong> \u2013 e n\u00e3o meramente \u00e0 natureza) \u2013 o <strong><em>ideol\u00f3go da hist\u00f3ria<\/em><\/strong> possui, portanto, em cada dom\u00ednio cient\u00edfico, um material que se formou autonomamente a partir do pensamento de gera\u00e7\u00f5es precedentes e percorreu uma s\u00e9rie pr\u00f3pria e aut\u00f4noma de desenvolvimento no c\u00e9rebro dessas gera\u00e7\u00f5es que se seguiram umas \u00e0s outras.<br \/>\nCertamente, fatos externos que pertencem a um dom\u00ednio peculiar ou a outros dom\u00ednios podem ter atuado, de maneira co-determinante, sobre esse desenvolvimento.<br \/>\nPor\u00e9m, esses fatos mesmos constituem, precisamente, segundo o pressuposto t\u00e1cito, novamente, apenas frutos de um processo do pensamento e, assim, permanecemos ainda no campo do mero pensamento que, por si mesmo, digeriu os fatos mais duros, com aparente satisfa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 sobretudo essa apar\u00eancia de uma hist\u00f3ria aut\u00f4noma das <strong><em>Constitui\u00e7\u00f5es do Estado<\/em><\/strong>, dos <strong><em>sistemas jur\u00eddicos<\/em><\/strong>, das <strong><em>representa\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas<\/em><\/strong>, em cada dom\u00ednio especial, que cega a maioria das pessoas.<br \/>\n&#8230;<br \/>\nNesse contexto situa-se tamb\u00e9m a seguinte est\u00fapida no\u00e7\u00e3o dos ide\u00f3logos:\u00a0 precisamente porque subtraimos \u00e0s diferentes esferas ideol\u00f3gicas, que desempenham um papel na hist\u00f3ria, um desenvolvimento hist\u00f3rico aut\u00f4nomo, estar\u00edamos subtraindo-lhes tamb\u00e9m todo e qualquer <strong><em>efeito hist\u00f3rico<\/em><\/strong>.<br \/>\n<em>Esse racioc\u00ednio \u00e9 aqui embasado com a no\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, n\u00e3o-dial\u00e9tica, de causa e efeito, concebidos enquanto p\u00f3los rigidamente opostos um ao outro, o que significa o total esquecimento da intera\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\nFreq\u00fcentemente esses senhores esquecem, quase propositadamente, que um momento hist\u00f3rico, t\u00e3o logo seja colocado no mundo, em dada ocasi\u00e3o, atrav\u00e9s de outras causas, em \u00faltima inst\u00e2ncia, causas econ\u00f4micas, acaba reagindo tamb\u00e9m sobre o seu redor, podendo reagir at\u00e9 mesmo sobre as suas pr\u00f3prias causas\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<br \/>\nE no texto <strong><em>Dial\u00e9tica da natureza<\/em><\/strong><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, Engels escreveu no <strong>cap. XII: <\/strong><strong><em>Apontamentos<\/em> <\/strong><em>Dial\u00e9tica e Ci\u00eancia&#8230;<\/em><br \/>\n\u201c<em><strong>Hist\u00f3ria<\/strong><\/em><br \/>\n&#8230;<strong>Em posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a essa opini\u00e3o, est\u00e1 o determinismo, que se transferiu do materialismo franc\u00eas para a ci\u00eancia e que procura liquidar a casualidade, desconhecendo-a. Segundo essa concep\u00e7\u00e3o, na Natureza impera apenas a necessidade simples e direta<\/strong>&#8230;<br \/>\nQue esta semente de dente de le\u00e3o tenha germinado e a outra n\u00e3o; o fato de que, esta noite, \u00e0s quatro da madrugada, uma pulga me tenha mordido e n\u00e3o \u00e0s tr\u00eas ou cinco; e justamente do lado direito do ombro e n\u00e3o da barriga da perna esquerda: todos esses s\u00e3o fatos produzidos por uma irrevog\u00e1vel concatena\u00e7\u00e3o de causa e efeito, por uma irremov\u00edvel necessidade e, certamente, de uma tal maneira que a esfera gasosa da qual se originou o sistema solar estava j\u00e1 constitu\u00edda de forma que esses fatos teriam que se verificar assim e n\u00e3o de outro modo<strong>. A verdade \u00e9 que, com essa esp\u00e9cie de necessidade, n\u00e3o nos libertamos da concep\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica da Natureza [..<\/strong>.]<br \/>\n\u201c<em>As <strong>leis eternas da Natureza<\/strong><\/em> se transformam, cada vez mais, em leis hist\u00f3ricas. O fato de que a \u00e1gua se apresente no estado l\u00edquido entre 0\u02da e 100\u00ba C \u00e9 uma lei natural eterna, mas para que seja v\u00e1lida \u00e9 necess\u00e1rio haver: 1) \u00e1gua; 2) determinada temperatura; 3) press\u00e3o normal. Na Lua n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua, no sol existem apenas seus elementos; para esses corpos celestes a lei, portanto, n\u00e3o existe\u201d.<br \/>\nNesse mesmo texto, em sua Introdu\u00e7\u00e3o, Engels deixa bem claro a rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre homens e sociedade, natureza e hist\u00f3ria:<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><br \/>\n\u201cCom os homens, entramos <em>na hist\u00f3ria. [<\/em>&#8230;] Os homens, pelo contr\u00e1rio, quanto mais se afastam do animal, em sentido restrito, tanto mais fazem eles a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria com consci\u00eancia, tanto mais diminuta se torna a influ\u00eancia de efeitos imprevistos, de for\u00e7as incontroladas, sobre esta hist\u00f3ria, tanto mais exatamente corresponde o resultado hist\u00f3rico ao objetivo previamente fixado. Se aplicarmos, por\u00e9m, esta escala \u00e0 hist\u00f3ria humana, mesmo dos povos mais desenvolvidos do presente, verificamos que aqui continua a existir uma despropor\u00e7\u00e3o colossal entre os objetivos previamente colocados e os resultados alcan\u00e7ados, que os efeitos imprevistos predominam, que as for\u00e7as incontroladas s\u00e3o, de longe, mais poderosas do que as postas planificadamente em movimento. E isto n\u00e3o pode ser de outra maneira enquanto a atividade hist\u00f3rica mais essencial dos homens \u2014 aquela que os elevou da animalidade \u00e0 humanidade, que forma a base material de todas as suas restantes atividades: a produ\u00e7\u00e3o daquilo de que necessitam para viver, isto \u00e9, hoje em dia, a produ\u00e7\u00e3o social \u2014 estiver, por maioria de raz\u00e3o, submetida ao jogo rec\u00edproco de efeitos inintencionais de for\u00e7as incontroladas e s\u00f3 realizar o objetivo querido de maneira excepcional, e de longe mais frequentemente o seu preciso contr\u00e1rio. Nos pa\u00edses industriais mais avan\u00e7ados, domamos as for\u00e7as da Natureza e compelimo-las ao servi\u00e7o dos homens; com isso, multiplicamos a produ\u00e7\u00e3o ao infinito, de tal modo que, agora, uma crian\u00e7a produz mais do que anteriormente cem adultos. E qual \u00e9 a consequ\u00eancia? Trabalho excessivo crescente e mis\u00e9ria crescente das massas e, a cada dez anos, uma grande crise\u201d.<br \/>\n<strong>A confus\u00e3o entre o pensamento de Engels e o da social democracia posterior e o stalinismo<\/strong>.<br \/>\nA maioria dos cr\u00edticos de Engels esquece um fato: durante toda a vida de Marx e Engels, houve uma batalha de ambos contra as press\u00f5es que sofria o partido social democrata alem\u00e3o e as rea\u00e7\u00f5es de sua dire\u00e7\u00e3o, nas quais ambos identificavam tend\u00eancias a recuar no programa e na teoria.<br \/>\nO Anti-D\u00fchring s\u00f3 foi escrito porque as ideias de D\u00fchring haviam causado impacto na pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o do partido. Ap\u00f3s sua morte, e combinado com um processo objetivo de aristocratiza\u00e7\u00e3o de setores da classe oper\u00e1ria alem\u00e3 (e de outros pa\u00edses imperialistas) e burocratiza\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es sindicais vinculadas ao partido, o que terminou por lev\u00e1-los ao abandono do programa comunista, \u00e0 trai\u00e7\u00e3o na Primeira Guerra em 1914, \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o da teoria marxista por um evolucionismo, ou seja, a ideia de que naturalmente a sociedade capitalista evoluiria para o socialismo sem necessidade de rupturas revolucion\u00e1rias. Kautsky, o mais importante te\u00f3rico da social democracia foi o elaborador decisivo dessa nova teoria justificativa evolucionista que dava base ao reformismo. Bernstein o havia antecedido em 1899 e combatido por Rosa Luxemburgo (e nesse momento por Kautsky) e derrotado dentro do partido. Mas, em 1914 ele e Kautsky se juntaram nessa vis\u00e3o que era o oposto de Marx e de Engels. O oposto no programa e na teoria. Era a substitui\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o materialista da Hist\u00f3ria por um materialismo vulgar e evolucionista, que mais tarde foi adotado por Stalin e a burocracia russa quando assumiram o poder na URSS.<br \/>\nUm dos textos que deu sustenta\u00e7\u00e3o a essa concep\u00e7\u00e3o mecanicista \u00e9 o <em>Tratado de Materialismo Hist\u00f3rico<\/em> de Bukarin, que tem o subt\u00edtulo de <em>Ensaio de Sociologia Popular.<\/em><br \/>\nMas como defenderam sempre Lenin contra Kautsky e depois Trotsky em seu combate contra a burocracia, essas concep\u00e7\u00f5es eram o oposto de Marx e Engels. Nos 200 anos de Engels, \u00e9 fundamental o resgate de sua contribui\u00e7\u00e3o ao marxismo e a import\u00e2ncia de sua elabora\u00e7\u00e3o em conjunto com Marx da concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria para a arma\u00e7\u00e3o program\u00e1tica da milit\u00e2ncia revolucion\u00e1ria nesse momento hist\u00f3rico em que as press\u00f5es do reformismo e do p\u00f3s modernismo que pregam que nada est\u00e1 determinado e nada pode ser comprovado, s\u00e3o utilizados a cada momento.<br \/>\nNas palavras de Trotsky, em seu texto <em>90 anos do Manifesto comunista<\/em>, de 1937:<br \/>\n\u201c[&#8230;] <strong>A concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria<\/strong>, formulada por Marx pouco tempo antes da apari\u00e7\u00e3o do texto e que nele se encontra aplicada com perfeita maestria, resistiu completamente \u00e0 prova dos acontecimentos e aos golpes da cr\u00edtica hostil. Constitui-se, atualmente, em um dos mais preciosos instrumentos do pensamento humano. Todas as outras interpreta\u00e7\u00f5es do processo hist\u00f3rico perderam todo significado cient\u00edfico. Podemos afirmar, com seguran\u00e7a, que atualmente \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o apenas ser um militante revolucion\u00e1rio, mas simplesmente um observador politicamente instru\u00eddo sem assimilar a concep\u00e7\u00e3o materialista da Hist\u00f3ria.\u201d<br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Refere-se \u00e0 Ideologia Alem\u00e3<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Carta de Engels a Marx em Londres de 28 de Maio de 1876<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u00a0Este &#8220;sistema natural de um saber, precioso por si mesmo, para o esp\u00edrito, &#8220;descobriu, com toda a certeza, sem transigir quanto \u00e0 profundidade da ideia, as formas fundamentais do Ser&#8221;, Desde a sua &#8220;plataforma verdadeiramente cr\u00edtica&#8221;, o Sr. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/d\/duhring.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">D\u00fchring<\/a> nos apresenta os elementos de uma filosofia real, projetada, portanto, sobre a realidade da natureza e da vida, ante a qual n\u00e3o se mant\u00e9m um s\u00f3 horizonte apenas aparente, mas se desenrola ante os nossos olhos surpreendidos, em suas potentes como\u00e7\u00f5es, todas as terras e os c\u00e9us da natureza exterior e interior; oferece-nos, pois, um novo m\u00e9todo especulativo e seus frutos s\u00e3o &#8220;resultados e observa\u00e7\u00f5es radicalmente novos&#8230;, ideias originais criadoras de sistema&#8230; verdades comprovadas.&#8221; Nela, temos &#8220;um trabalho que encontrar\u00e1 a raiz de sua for\u00e7a na iniciativa concentrada&#8221;&#8230; supondo-se que isso queira dizer alguma coisa; uma &#8220;investiga\u00e7\u00e3o que desce at\u00e9 as ra\u00edzes&#8230;, uma ci\u00eancia radical&#8230;, uma concep\u00e7\u00e3o rigorosamente cient\u00edfica das coisas e dos homens&#8230;, um trabalho especulativo que penetra em todos os aspectos e modalidades das coisas&#8230;, um esbo\u00e7o criador das hip\u00f3teses e consequ\u00eancias domin\u00e1veis pelo pensamento&#8230;o absolutamente fundamental.\u201d <em>Anti Dhuring<\/em>, parte II, Paz e Terra, 1979, 2\u00aa ed., pg. 25<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> In http:\/\/www.scientific-socialism.de\/FundamentosCartasMarxEngelsCapa.htm<br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> \u201cSem admirar ou maldizer os fatos pol\u00edticos, vendo\u2010os essencialmente, como em qualquer outra ci\u00eancia, como simples temas de observa\u00e7\u00f5es, a f\u00edsica social considera, portanto, cada fen\u00f4meno sob o duplo ponto de vista elementar de sua harmonia com os fen\u00f4menos coexistentes e desencadeamento como estado anterior e posterior do desenvolvimento humano\u201d citado por Michael Lowy in <em>As aventuras de Karl Marx contra o Bar\u00e3o de Munchhausen<\/em>, Cortez, S\u00e3o Paulo, 2003, 8\u00aaed., p.24<br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>Anti-D\u00fchring<\/em>, Rio, Paz e Terra, 1979, pp. 23 e 24<br \/>\n<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1893\/07\/14.htm<br \/>\n<a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Extra\u00eddo de https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1882\/dialetica\/06.htm. <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>, Parte XII<br \/>\n<a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Idem. <em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A colabora\u00e7\u00e3o entre Engels e Marx teve como ponto de partida a elabora\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria: esta foi o resultado de uma converg\u00eancia de ideias e, a partir da\u00ed, de uma parceria na elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, na milit\u00e2ncia pol\u00edtica por toda vida de ambos.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":62557,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[6,8,49],"tags":[37,1199,5987,5988],"class_list":["post-62556","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-200-anos-de-engels","category-historia","category-polemica","tag-200-anos-de-engels","tag-jose-welmowicki","tag-marx-e-engels","tag-marxismo-e-determinismo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Marx-e-Engels.jpg","categories_names":["200 anos de Engels","Hist\u00f3ria","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62556"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62556\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62557"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}