{"id":62511,"date":"2020-11-24T19:04:04","date_gmt":"2020-11-24T22:04:04","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62511"},"modified":"2020-11-24T19:04:04","modified_gmt":"2020-11-24T22:04:04","slug":"25n-o-machismo-tambem-mata-precisamos-de-um-plano-de-emergencia-socio-sanitario-para-combater-a-covid-19-e-a-violencia-machista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/11\/24\/25n-o-machismo-tambem-mata-precisamos-de-um-plano-de-emergencia-socio-sanitario-para-combater-a-covid-19-e-a-violencia-machista\/","title":{"rendered":"25N &#124; O machismo tamb\u00e9m mata. Precisamos de um plano de emerg\u00eancia s\u00f3cio-sanit\u00e1rio para combater a Covid-19 e a viol\u00eancia machista!"},"content":{"rendered":"<p><em>A viol\u00eancia machista \u00e9 um flagelo social que tem suas ra\u00edzes neste sistema capitalista de viol\u00eancia e desigualdade. A \u00faltima macro-pesquisa em nosso pa\u00eds mostra cifras escandalosas: 57,3% das mulheres (e 71% das jovens) sofreram algum tipo de viol\u00eancia. A maioria dos agressores s\u00e3o pessoas pr\u00f3ximas \u00e0 v\u00edtima.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Corriente Roja<br \/>\nOs crimes contra a liberdade sexual aumentaram 11,3% em 2019. S\u00e3o mais de mil den\u00fancias por m\u00eas e o n\u00famero de menores condenados por esses crimes aumentou 20%.<br \/>\n<strong>A pandemia aumenta a viol\u00eancia machista e piora as condi\u00e7\u00f5es para enfrent\u00e1-la<\/strong><br \/>\nO confinamento parcial durante o \u00faltimo Estado de Alarme aumentou o risco de quem sofre viol\u00eancia machista sofrer uma agress\u00e3o. As chamadas para o 016 aumentaram 44%, assim como as consultas online e por outros meios telem\u00e1ticos. Para aliviar essa viol\u00eancia, o governo implementou um plano de conting\u00eancia insuficiente que n\u00e3o garantiu acomoda\u00e7\u00e3o alternativa e segura para todas as v\u00edtimas; especialmente para mulheres imigrantes, em contexto de prostitui\u00e7\u00e3o ou do meio rural. 70% das mulheres assassinadas residiam em munic\u00edpios rurais com menos de 10.000 habitantes, onde somos particularmente afetados pela depend\u00eancia econ\u00f4mica, isolamento ou dispers\u00e3o de recursos. As quarentenas, o fechamento de parques e jardins, espa\u00e7os culturais ou de lazer e o toque de recolher noturno nesta segunda onda da pandemia, deixam muitas mulheres presas no lugar que \u00e9 mais perigoso para elas: sua pr\u00f3pria casa.<br \/>\nAs consequ\u00eancias sociais e econ\u00f4micas desta pandemia colocam as mulheres e mais ainda se elas s\u00e3o jovens, imigrantes, racializadas ou da comunidade LGTBI, em piores condi\u00e7\u00f5es materiais e com menos recursos para sair de um ambiente de viol\u00eancia sexista ou enfrentar qualquer agress\u00e3o.<br \/>\nO desemprego feminino, maioria no setor de servi\u00e7os t\u00e3o castigado desde mar\u00e7o, \u00e9 o dobro do masculino e, assim como n\u00e3o proibiram as demiss\u00f5es nesta crise da sa\u00fade, e sim ficaram mais caros, os despejos tamb\u00e9m n\u00e3o foram paralisados. As mulheres, assumindo a responsabilidade de menores, idosos e dependentes, s\u00e3o as mais afetadas por eles. Uma vulnerabilidade que se acentua se sofre viol\u00eancia machista. Embora a Lei Integral contra a Viol\u00eancia de G\u00eanero estabele\u00e7a que devem ter acesso priorit\u00e1rio \u00e0 moradia, grande parte dos pedidos s\u00e3o rejeitados.<br \/>\n<strong>A vida e a dignidade das trabalhadoras continua n\u00e3o sendo prioridade!<\/strong><br \/>\nA viol\u00eancia machista \u00e9 tamb\u00e9m o ass\u00e9dio no local de trabalho que sofremos devido \u00e0s altas taxas de desemprego e precariedade ou escravid\u00e3o sexual disfar\u00e7ada de &#8220;atividade laboral livremente escolhida&#8221; que este governo afirma querer abolir. Mas fechar bord\u00e9is n\u00e3o \u00e9 suficiente. Devem ser oferecidas alternativas reais \u00e0s mulheres. Exemplo desta falta de vontade \u00e9 o \u201cPlano Nacional de Inser\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-laboral para v\u00edtimas de tr\u00e1fico, explora\u00e7\u00e3o sexual e mulheres em contexto de prostitui\u00e7\u00e3o\u201d, que o Minist\u00e9rio da Igualdade pretende lan\u00e7ar em 2021, cujo montante chegar\u00e1 a 10 milh\u00f5es! \u00c9 assim que pretendem erradicar o tr\u00e1fico e a prostitui\u00e7\u00e3o?<br \/>\nA Renda M\u00ednima Vital n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o sexual, na economia clandestina, ou precisa romper a conviv\u00eancia com seu agressor. Por causa dos entraves burocr\u00e1ticos para receber, porque as condi\u00e7\u00f5es exigidas deixam muitos de fora e porque sua quantidade \u00e9 irris\u00f3ria. At\u00e9 setembro, as v\u00edtimas de viol\u00eancia machista respons\u00e1veis por menores \u200b\u200bn\u00e3o podiam nem mesmo solicitar o complemento de monoparentalidade porque havia outro pai, mesmo que n\u00e3o morassem juntos. O sal\u00e1rio m\u00ednimo que condiciona os nossos sal\u00e1rios e o IPREM que rege muitas ajudas que s\u00e3o pagas, principalmente pelas mulheres, \u00e9 t\u00e3o insuficiente que os aumentos simb\u00f3licos dos novos Or\u00e7amentos ser\u00e3o de pouca utilidade. E o que dizer do miser\u00e1vel subs\u00eddio para as trabalhadoras dom\u00e9sticas, que ficam sem direito ao desemprego, \u00e0 merc\u00ea de seus empregadores e a maioria delas em situa\u00e7\u00e3o irregular.<br \/>\nSaudamos o aumento do or\u00e7amento para Igualdade e contra a viol\u00eancia machista nos pr\u00f3ximos Or\u00e7amentos. Mas embora a direita tenha levantado o brado por consider\u00e1-la &#8220;um grande desperd\u00edcio&#8221;, a realidade \u00e9 que \u00e9 o terceiro Minist\u00e9rio que recebe menos recursos e n\u00e3o s\u00e3o nada, se comparado ao milion\u00e1rio resgate governamental de empresas com lucros astron\u00f4micos que triplicam o d\u00e9ficit p\u00fablico. Muitas dessas empresas &#8220;multisservi\u00e7os&#8221; continuar\u00e3o administrando servi\u00e7os previstos &#8220;para promover a igualdade&#8221;, em cima da precariedade do emprego (feminino).<br \/>\nA lei de liberdade sexual para que \u201cs\u00f3 SIM seja SIM\u201d ou de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Inf\u00e2ncia e \u00e0 Adolesc\u00eancia, n\u00e3o vai funcionar sem or\u00e7amento para implement\u00e1-la. Continuamos exigindo a depura\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes e ju\u00edzas machistas e franquistas, que aplicam e interpretam as leis! A nova Lei da Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o garante a educa\u00e7\u00e3o sexual como disciplina curricular, porque uma parte da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica continuar\u00e1 a ser arranjada e nas m\u00e3os da Igreja!<br \/>\nN\u00e3o podemos baixar a guarda! Por um plano de choque s\u00f3cio-sanit\u00e1rio para combater a Covid-19 e a viol\u00eancia sexista!<br \/>\nEste governo disse &#8220;que n\u00e3o deixaria ningu\u00e9m para tr\u00e1s&#8221; e que esta nova crise n\u00e3o poderia ser resolvida, aprofundando a desigualdade das mulheres. Infelizmente, as medidas adotadas n\u00e3o v\u00e3o nessa dire\u00e7\u00e3o. Nesta situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o basta fazer Confer\u00eancias, Semin\u00e1rios ou Campanhas nas redes sociais. Mais do que nunca, \u00e9 importante vincular a luta para exigir mais recursos para proteger as mulheres que sofrem viol\u00eancia machista \u00e0 luta pelas medidas sociais e econ\u00f4micas de que precisamos para enfrentar esta crise que continuam atingindo a classe trabalhadora.<br \/>\nPara avan\u00e7ar na igualdade e nos proteger do machismo e sua viol\u00eancia, precisamos de sal\u00e1rios e aposentadorias decentes, revoga\u00e7\u00e3o das reformas trabalhistas e da Lei de Imigra\u00e7\u00e3o e alternativas de acomoda\u00e7\u00e3o decentes, suficientes e seguras para passar as quarentenas!<br \/>\nOnde a direita governa com o apoio do partido Vox, a press\u00e3o continuar\u00e1 para ignorar os relat\u00f3rios e negar a viol\u00eancia machista, pois para eles \u201cas leis de viol\u00eancia de g\u00eanero acabam com a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e acusam os homens por s\u00ea-lo\u201d. N\u00e3o podemos permitir que o or\u00e7amento destinado a isso seja utilizado para outros fins ou para sofrer mais um corte. N\u00e3o podemos deixar as ruas a quem com seu discurso racista e machista apenas defende seus privil\u00e9gios. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos esquecer-nos deste governo, que n\u00e3o adota as medidas sanit\u00e1rias e sociais de que necessitamos, limita-se a decretar um falso confinamento e enquanto continuam as infec\u00e7\u00f5es, as regula\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias de emprego, as demiss\u00f5es ou despejos, tenta criminalizar o protesto ou impedir o direito de greve, como acontece com os\/as trabalhadoras\/es da sa\u00fade.<br \/>\n<strong>A luta contra a viol\u00eancia machista faz parte da luta de toda a classe trabalhadora<\/strong><br \/>\nO combate \u00e0 viol\u00eancia machista \u00e9 tarefa de toda a classe trabalhadora, porque com ela o capitalismo consegue nos dividir e enfraquecer. N\u00e3o h\u00e1 outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a mobiliza\u00e7\u00e3o e a luta, tomando todas as precau\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. Da Corriente Roja e da LIT, chamamos e nos juntamos a todas as mulheres, jovens, trabalhadoras\/es e organiza\u00e7\u00f5es, que continuam mantendo o compromisso de que &#8220;governe quem governe, os direitos s\u00e3o defendidos.&#8221;<br \/>\nQue est\u00e3o hoje na primeira linha organizando e lutando para exigir um plano de emerg\u00eancia social e de sa\u00fade contra a Covid-19, que nos deixa mais indefesos contra a viol\u00eancia machista que tamb\u00e9m assola o mundo e que se agravou com esta pandemia.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia machista \u00e9 um flagelo social que tem suas ra\u00edzes neste sistema capitalista de viol\u00eancia e desigualdade. 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