{"id":62479,"date":"2020-11-21T15:19:47","date_gmt":"2020-11-21T18:19:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62479"},"modified":"2020-11-21T15:19:47","modified_gmt":"2020-11-21T18:19:47","slug":"os-varios-rostos-da-violencia-na-vida-das-mulheres-trabalhadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/11\/21\/os-varios-rostos-da-violencia-na-vida-das-mulheres-trabalhadoras\/","title":{"rendered":"Os v\u00e1rios rostos da viol\u00eancia na vida das mulheres trabalhadoras"},"content":{"rendered":"<p><em>Dia 25 de novembro assinala-se o Dia Internacional de Luta contra a Viol\u00eancia sobre a Mulher. O Em Luta foi falar com mulheres que s\u00e3o tamb\u00e9m ativistas. Falaram-nos de como veem o problema da viol\u00eancia, como ele se expressa no seu local de trabalho, mas tamb\u00e9m do que \u00e9 preciso mudar neste campo.\u00a0\u00a0<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Em Luta &#8211; Portugal<br \/>\nDafine Andrade \u00e9 motorista de Uber, negra e imigrante brasileira a viver em Portugal. Contou-nos que foi agredida por um colega de trabalho. A resposta que obteve expressa bem a impunidade: \u201cA viol\u00eancia que eu sofri por um colega de trabalho n\u00e3o deu em nada (\u2026) eu fui na esquadra, houve julgamento, e o processo foi arquivado\u201d.<br \/>\nO seu relato sublinha a falta de prepara\u00e7\u00e3o especializada das institui\u00e7\u00f5es, em particular da Pol\u00edcia: \u201cQuando foi necess\u00e1rio tirar fotos para mostrar os hematomas no corpo, o policial queria que eu ficasse nua na frente de outros dois agentes.\u201d. O caso de Dafine mostra ainda como o problema da viol\u00eancia \u00e9 agravado pelo problema do racismo e da xenofobia: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o tem direito de ser defendida ou tratada como uma cidad\u00e3 comum, embora eu contribua como cidad\u00e3 em todos os \u00e2mbitos\u201d.<br \/>\n<strong>DISCRIMINA\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>\n<strong>A viol\u00eancia da sociedade, agravada pela maternidade<\/strong><br \/>\nTodas as mulheres com quem fal\u00e1mos real\u00e7aram a import\u00e2ncia de olhar a viol\u00eancia de uma forma ampla. \u201cPodemos falar de v\u00e1rias viol\u00eancias\u201d, diz-nos Carla Melo, trabalhadora da SPDH-Groudforce no Aeroporto de Lisboa, ativista e, recentemente, candidata \u00e0 CT da sua empresa. \u201cA viol\u00eancia social \u00e9 esta desigualdade, estando a mulher destinada a determinados trabalhos, ao campo dom\u00e9stico, a diferen\u00e7a salarial e a discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho porque somos m\u00e3es&#8230;\u201d. Para Carla, o ass\u00e9dio moral \u00e9 muito mais comum sobre as mulheres, em particular as mais jovens e prec\u00e1rias. Falou-nos de como a empresa utiliza o direito das mulheres a hor\u00e1rios que permitam conciliar trabalho e fam\u00edlia (numa empresa que trabalha por turnos) para semear a divis\u00e3o entre trabalhadores, culpabilizando-as pelos maus hor\u00e1rios da empresa.<br \/>\nVanda Mendes \u00e9 trabalhadora da C\u00e2mara Municipal de Lisboa e ativista do movimento Miss\u00e3o P\u00fablica Organizada. Tamb\u00e9m ela encontra o mesmo tipo de discrimina\u00e7\u00e3o, agravada quando a mulher \u00e9 m\u00e3e: \u201cNas entrevistas de trabalho somos associadas a mais faltas por causa dos filhos e da maternidade em si, porque no decorrer da vida somos mais chamadas para a assist\u00eancia aos filhos. Isso n\u00e3o deve ser motivo de exclus\u00e3o num posto de trabalho, mas infelizmente ainda \u00e9 muito visto assim.\u201d.<br \/>\n<strong>MULHER OPER\u00c1RIA<\/strong><br \/>\n<strong>Ass\u00e9dio e desigualdade de oportunidades<\/strong><br \/>\nSusana Cruz \u00e9 a \u00fanica mulher na rec\u00e9m-eleita Comiss\u00e3o de Trabalhadores da Autoeuropa (a segunda mulher na hist\u00f3ria deste \u00f3rg\u00e3o). Referia-nos que um dos problemas da viol\u00eancia \u00e9 o facto de ser tabu e \u201co medo de serem marginalizadas s\u00f3 pelo facto de denunciarem o agressor\u201d. Al\u00e9m disso, o facto de trabalhar numa empresa maioritariamente composta por trabalhadores homens traz outras faces da viol\u00eancia: \u201cessa viol\u00eancia muitas das vezes \u00e9 exercida atrav\u00e9s do ass\u00e9dio sexual, outras por provoca\u00e7\u00f5es sexistas, que podem incluir piropos menos oportunos, mas tamb\u00e9m achar-se que o lugar das mulheres n\u00e3o \u00e9 aquele e que elas n\u00e3o t\u00eam a capacidade de exercer aquela fun\u00e7\u00e3o. Infelizmente, ainda se contam pelos dedos a quantidade de mulheres como l\u00edderes nas equipas ligadas diretamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\n<strong>ALTERNATIVAS<\/strong><br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00e3o, sensibiliza\u00e7\u00e3o e combate<\/strong><br \/>\nTodas as mulheres concordaram que informa\u00e7\u00e3o sobre os direitos e mais apoio s\u00e3o fundamentais. \u201cCombater sendo ativista\u201d, diz-nos Vanda. Mas tal como colocou Dafine, \u00e9 preciso ir mais longe e fazer exig\u00eancias ao Governo, mudando a legisla\u00e7\u00e3o de forma a penalizar fortemente este tipo de viol\u00eancia e criando institui\u00e7\u00f5es estatais especilizadas para o tratar.<br \/>\nSusana aponta um caminho tamb\u00e9m nos locais de trabalho: \u201cPassa por futuramente criar grupos de trabalho que possam identificar e combater, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 mesmo sess\u00f5es de esclarecimento para que n\u00f3s mulheres n\u00e3o nos sintamos julgadas por uma sociedade que ainda \u00e9 maioritariamente machista\u201d.<br \/>\nNos locais de trabalho e nas ruas, mudar a lei e lutar. O combate \u00e0 viol\u00eancia sobre a mulher ser\u00e1 todos os dias.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 25 de novembro assinala-se o Dia Internacional de Luta contra a Viol\u00eancia sobre a Mulher. 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