{"id":62458,"date":"2020-11-20T10:20:58","date_gmt":"2020-11-20T13:20:58","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62458"},"modified":"2020-11-20T10:20:58","modified_gmt":"2020-11-20T13:20:58","slug":"62458-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/11\/20\/62458-2\/","title":{"rendered":"#25N&#124; Viol\u00eancia discriminat\u00f3ria contra mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis ou trans"},"content":{"rendered":"<p><em>Hoje a situa\u00e7\u00e3o de pandemia e crise econ\u00f4mica exp\u00f5e a dura realidade em que vivem mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis e trans em nosso pa\u00eds e no mundo. E como, apesar dos discursos &#8220;progressistas&#8221; do governo e da implementa\u00e7\u00e3o de algumas medidas mais do que insuficientes, a viol\u00eancia se intensifica a cada dia. Mas, infelizmente, a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, as defici\u00eancias e a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas no setor n\u00e3o s\u00e3o novidade para n\u00f3s.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Secretaria da Mulher-PSTU &#8211; Argentina<br \/>\n<strong>O que a pandemia deixou <\/strong><br \/>\nMulheres l\u00e9sbicas ou bissexuais sofrem viol\u00eancias espec\u00edficas dentro da sociedade, uma combina\u00e7\u00e3o de machismo e homofobia que se expressa de v\u00e1rias formas, desde a dificuldade de encontrar trabalho ou rejei\u00e7\u00e3o no ambiente familiar, at\u00e9 suas formas mais cru\u00e9is, nos \u00edndices de assassinatos motivados pelo \u00f3dio.<br \/>\nA viol\u00eancia institucional contra esse grupo continua sendo lugar-comum. Lembremos que em 2017 uma jovem l\u00e9sbica foi presa pela Pol\u00edcia da Cidade Aut\u00f4noma de Buenos Aires por beijar sua companheira na rua. A justi\u00e7a machista e burguesa condenou-a em 2019 a um ano de pris\u00e3o em suspenso<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<br \/>\nApesar disso, poder\u00edamos dizer que o setor mais afetado e vulner\u00e1vel diante da pandemia s\u00e3o as mulheres trans, pois infelizmente mais de 60% ainda t\u00eam que praticar a prostitui\u00e7\u00e3o como forma de trabalho. Uma raz\u00e3o importante \u00e9 que metade n\u00e3o consegue terminar a escola, em grande parte por causa da discrimina\u00e7\u00e3o a que s\u00e3o submetidas. Isso mostra a import\u00e2ncia de aplicar e ampliar a Lei de Educa\u00e7\u00e3o Sexual Integral (ESI), n\u00e3o s\u00f3 porque a educa\u00e7\u00e3o sexual faz parte de uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade que \u00e9 um direito de todos\/as, mas porque para mulheres trans, travas, l\u00e9sbicas ou bissexuais \u00e9 vital para evitar passar a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia exclu\u00eddas.<br \/>\nAl\u00e9m disso, de acordo com relat\u00f3rio realizado em 2014, apenas 18% tiveram acesso a emprego formal e menos de 10% t\u00eam servi\u00e7o social. Situa\u00e7\u00e3o que se agravou em 2020. As companheiras que recebem renda por trabalho di\u00e1rio n\u00e3o a mant\u00eam mais e n\u00e3o t\u00eam o que comer. Milhares est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia habitacional: de acordo com a Pesquisa Nacional de Alugu\u00e9is do m\u00eas de maio, 85% n\u00e3o podiam pagar o aluguel e 57% n\u00e3o tinham renda. Por isso, muitas tiveram que voltar \u00e0s ruas ou foram for\u00e7adas a ocupar terras, sofrendo repress\u00e3o governamental e todo tipo de viol\u00eancia.<br \/>\nDe acordo com o INDEC, 83% das pessoas trans foram v\u00edtimas de atos de viol\u00eancia grave e discrimina\u00e7\u00e3o policial. O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Argentina de Travestis Transexuais Transg\u00eaneros (ATTTA) disse: <em>\u201cH\u00e1 lugares onde a pandemia tamb\u00e9m intensificou a viol\u00eancia. A pol\u00edcia saiu para nos ca\u00e7ar. Cada vez que veem uma mulher trans, pedem um documento, violentam, insultam. Sempre h\u00e1 muita amea\u00e7a de que v\u00e3o fazer tua ficha\u201d.<\/em><br \/>\nDe acordo com dados divulgados pelo Observat\u00f3rio &#8220;Mulheres, Dissid\u00eancias, Direitos&#8221; (MuMaLa), at\u00e9 o momento, em 2020, foram registrados pelo menos cem atos de viol\u00eancia contra a diversidade sexual no pa\u00eds, dos quais quatro terminaram em morte das pessoas atacadas. Entre esses atos de viol\u00eancia, contaram que cinquenta e seis foram ataques de \u00f3dio, houve quatro crimes de \u00f3dio (homic\u00eddios) e quarenta se qualificam como travesticidas sociais, ou seja, mortes prematuras e evit\u00e1veis \u200b\u200bem decorr\u00eancia de uma cadeia de exclus\u00f5es sistem\u00e1ticas (expuls\u00e3o de seus domic\u00edlios, a dificuldade de acesso ao sistema de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, trabalho, entre outros) que resultam em uma expectativa de vida de apenas 35 anos para as pessoas trans na Argentina.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas das agress\u00f5es, foram em sua maioria travestis e mulheres trans (48%), seguidas de gays (31%), l\u00e9sbicas (12%), homens trans (5%) e n\u00e3o bin\u00e1rios (2%). A maioria das mortes de pessoas trans, n\u00e3o apenas transvestic\u00eddios ou transfemic\u00eddios, s\u00e3o crimes de \u00f3dio porque s\u00e3o o resultado de uma neglig\u00eancia estrutural do Estado. N\u00e3o \u00e9 atual ou conjuntural, mas tem a ver com d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm termos de sa\u00fade, as mulheres trans est\u00e3o mais expostas aos cont\u00e1gios, muitas at\u00e9 t\u00eam HIV, ent\u00e3o s\u00e3o um grupo de risco e a maioria n\u00e3o tem casa nem sal\u00e1rio, muito menos assist\u00eancia social para ficarem isoladas, sem falar em outras doen\u00e7as que possuem devido \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<br \/>\n<strong>O papel que as dire\u00e7\u00f5es est\u00e3o cumprindo<\/strong><br \/>\nInfelizmente, muitas das dire\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es do coletivo, hoje, priorizam seu apoio ao Governo. Tamb\u00e9m integraram secretarias de Governo em algumas partes do pa\u00eds e se prop\u00f5em a realizar debates e demandas de dentro, deixando as ruas vazias, pedindo confian\u00e7a de que a solu\u00e7\u00e3o vir\u00e1 do ponto de vista democr\u00e1tico, das institui\u00e7\u00f5es. At\u00e9 a Marcha do Orgulho foi realizada virtualmente com mais de 10.000 pessoas.<br \/>\nDizemos que todos os direitos conquistados no setor foram gra\u00e7as \u00e0 luta nas ruas e temos a convic\u00e7\u00e3o de que este \u00e9 o lugar que devemos ocupar, principalmente hoje em que as mulheres vivem uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o cr\u00edtica.<br \/>\n<strong>As medidas governamentais s\u00e3o insuficientes<\/strong><br \/>\nUma medida do Governo na pandemia foi um programa que concedeu \u00e0s travestis e mulheres trans um valor de R $ 8.500 (50% do sal\u00e1rio vital e m\u00f3vel), valor inferior ao IFE, bem abaixo da linha da pobreza e que tamb\u00e9m deixou muitas fora, em muitos casos sem nenhuma renda.<br \/>\nNo que diz respeito \u00e0 crise habitacional, como dissemos anteriormente, houve muitos despejos em tempos de pandemia. O decreto nacional que suspende os despejos de inquilinos por falta de pagamento inclui hot\u00e9is e pens\u00f5es. A maioria das travestis e trans que residem nesses locais, paga diariamente e sem contrato, o que as deixa expostas a extors\u00f5es e amea\u00e7as dos propriet\u00e1rios que violam o decreto. De acordo com o relat\u00f3rio, foram registrados centenas de casos em que foram jogadas na rua por n\u00e3o poderem continuar pagando. Um dos casos mais difundidos foi no bairro de Balvanera, em Buenos Aires: o dono do Hotel Saavedra amea\u00e7ou despejar oito travestis que moravam l\u00e1. Mas n\u00e3o temos conhecimento de uma \u00fanica multa ou san\u00e7\u00e3o para os propriet\u00e1rios de hot\u00e9is e resid\u00eancias por n\u00e3o respeitarem o decreto que prev\u00ea o n\u00e3o pagamento dos alugu\u00e9is em raz\u00e3o da crise e, em muitos casos, aumentam os mesmos.<br \/>\nNo que se refere \u00e0 Cota de Trabalho Trans, o Decreto estabelece que <em>\u201cos cargos [no setor p\u00fablico] devem ser preenchidos na propor\u00e7\u00e3o n\u00e3o inferior a 1% por travestis, transexuais e transg\u00eaneros que re\u00fanam as condi\u00e7\u00f5es de habilita\u00e7\u00e3o para o cargo\u201d.<\/em> Al\u00e9m disso, acrescenta que, se os candidatos a esses empregos n\u00e3o tiverem conclu\u00eddo a escola, poder\u00e3o estudar at\u00e9 a conclus\u00e3o.<br \/>\nNo entanto, nada diz sobre como eles ter\u00e3o garantia de perman\u00eancia no trabalho ou como garantir\u00e3o a continuidade educacional ou como ter\u00e3o acesso a sa\u00fade ou moradia. Tamb\u00e9m n\u00e3o contempla a possibilidade de bolsas, treinamentos nem fazem exig\u00eancias ao setor privado, como fazem alguns projetos que tramitam no Congresso.<br \/>\nComo no caso dos decretos contra as demiss\u00f5es, o principal problema \u00e9 como fazer com que isso seja cumprido. Com que mecanismos o Governo o controla? Nenhum. Isso significa que, embora haja avan\u00e7os nas leis, as pessoas trans continuam sendo v\u00edtimas de discrimina\u00e7\u00e3o e de todas as viol\u00eancias j\u00e1 mencionadas.<br \/>\nPor isso, n\u00e3o basta uma lei, muito menos uma que regule apenas um aspecto da vida. O problema \u00e9 muito mais profundo.<br \/>\n<strong>Precisamos de solu\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas<\/strong><br \/>\nDizemos que as medidas s\u00e3o insuficientes porque s\u00e3o medidas moment\u00e2neas e n\u00e3o de fundo, n\u00e3o h\u00e1 como resolver o problema da desigualdade, exclus\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia para a comunidade LGBT se um plano de a\u00e7\u00e3o integral n\u00e3o for desenvolvido e implementado, al\u00e9m de aplicar as leis existentes.<br \/>\nSabemos que n\u00e3o se constr\u00f3i s\u00f3 com boas ideias, \u00e9 preciso ter um or\u00e7amento. Para isso, o Governo deve deixar de pagar a d\u00edvida externa, implementar o imposto sobre as grandes fortunas e megaempresas de uma vez por todas, e destinar esse dinheiro para o que os trabalhadores e o povo precisam.<br \/>\nTemos que levar essa luta entre todas\/os n\u00f3s, principalmente as centrais oper\u00e1rias, os sindicatos e as entidades estudantis. Devemos unir as lutas das mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis, trans e de todos os oprimidos por seus direitos com as demais demandas da classe trabalhadora, para lutarmos juntas por um mundo diferente, sem explora\u00e7\u00e3o ou opress\u00e3o.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Deve se apresentar quando exigido pelo tribunal, submeter-se ao controle do \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo controle das penalidades. Se tudo isso for cumprido, e o tempo estabelecido passar, a pena \u00e9 considerada cumprida (ndt.)<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje a situa\u00e7\u00e3o de pandemia e crise econ\u00f4mica exp\u00f5e a dura realidade em que vivem mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis e trans em nosso pa\u00eds e no mundo. 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