{"id":62024,"date":"2020-10-08T17:45:50","date_gmt":"2020-10-08T20:45:50","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62024"},"modified":"2020-10-08T17:45:50","modified_gmt":"2020-10-08T20:45:50","slug":"portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/10\/08\/portugal\/","title":{"rendered":"Portugal&#124; Para fazer frente \u00e0 crise, proibir as demiss\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em>A cada crise, sem qualquer oposi\u00e7\u00e3o dos governos, os patr\u00f5es mostram a crueldade inerente ao capitalismo, rasgam contratos e mandam para o desemprego milh\u00f5es de fam\u00edlias. Nesta crise n\u00e3o est\u00e1 a ser diferente. Apesar dos milh\u00f5es em pacotes de ajudas \u00e0s empresas, nos quais se incluem os layoffs, j\u00e1 s\u00e3o centenas de milhares os que perderam o emprego desde o in\u00edcio do ano em Portugal.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Arnaldo Cruz<br \/>\n<strong>A crise atual j\u00e1 vem de 2009<\/strong><br \/>\nDesde mar\u00e7o deste ano que o mundo ficou esmagado por um v\u00edrus que precipitou uma crise que j\u00e1 se arrastava em relativo sil\u00eancio desde a anterior. Como temos discutido j\u00e1 em v\u00e1rios artigos deste jornal, a crise econ\u00f3mica de 2008\/9 n\u00e3o ficou resolvida e v\u00e1rias t\u00eam sido as ondas de choque que se t\u00eam feito sentir em v\u00e1rios setores. No mundo autom\u00f3vel, setor industrial que pode servir de medidor do estado da economia mundial, t\u00eam continuado os indicadores de instabilidade, que significam que, do ponto de vista da burguesia do setor, dos grupos econ\u00f3micos como a Volkswagen, a GM, a Toyota, ainda n\u00e3o se recuperaram as taxas de lucro que existiam antes. \u00c9 isso que significa a busca por novos mercados que o carro el\u00e9trico reflete ou as recorrentes alian\u00e7as, mais ou menos conjunturais, que temos visto com a fus\u00e3o de grandes marcas.<br \/>\n<strong>A vacina n\u00e3o faz milagres econ\u00f4micos<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o sa\u00edmos da crise de 2009 e j\u00e1 vamos a outra queda da economia. Como diz\u00edamos, o v\u00edrus precipitou uma crise, mas esta j\u00e1 vinha de antes. Com o v\u00edrus, aceleraram-se as fragilidades que a economia acumulava. Por exemplo, em Portugal, uma economia que apresentava uma aparente sa\u00fade, ficou expl\u00edcita a falta de firmeza de um crescimento assente em trabalho prec\u00e1rio e baixos sal\u00e1rios, a que o governo da Geringon\u00e7a n\u00e3o p\u00f4s um fim. Os primeiros a sofrer com a situa\u00e7\u00e3o foram os mais desprotegidos, os trabalhadores tempor\u00e1rios e os informais, que perderam o emprego ainda em mar\u00e7o deste ano. Se o coronav\u00edrus apenas precipitou a crise atual, n\u00e3o sendo a sua origem, tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 da resolu\u00e7\u00e3o da pandemia que sair\u00e1 a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<br \/>\n<strong>Governo Costa, um \u201cRobin dos Bosques\u201d ao contr\u00e1rio<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o sa\u00edmos do per\u00edodo de ajudas do governo Costa \u00e0s empresas e j\u00e1 se percebe que a pol\u00edtica de \u201csalvar\u201d a economia usando o dinheiro do Estado para pagar os deslizes dos privados n\u00e3o resulta. De acordo com Eug\u00e9nio Rosa, economista, at\u00e9 julho, momento em que grande parte das empresas usavam e abusavam dos\u00a0layoffs, houve um aumento de mais de 150 mil desempregados, mais de 30%. Por exemplo, a Volkswagen Autoeuropa, empresa com fatura\u00e7\u00f5es mensais muito elevadas, recorreu ao layoff sem dele precisar e agora prepara-se para despedir muitos trabalhadores a termo. Passando por cima do legalismo, estamos falando de uma empresa que move milh\u00f5es, e na qual o peso dos sal\u00e1rios \u00e9 inferior a 5% da sua fatura\u00e7\u00e3o mensal, poder reduzir postos de trabalho a meio de uma crise sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica. A isto se chama crueldade, a isto se chama capitalismo.<br \/>\n<strong>A nossa vida, n\u00e3o os lucros<\/strong><br \/>\nNestes momentos de crise, as empresas apresentam estas demiss\u00f5es e\/ou cortes de direitos como inevitabilidades. N\u00e3o descurando a crise real das micro e pequenas empresas, que vivem na mentira das ajudas do Estado e que, portanto, n\u00e3o t\u00eam capacidade de sobreviver, para as grandes empresas n\u00e3o estamos falando de sobreviv\u00eancia, mas sim da tentativa de manuten\u00e7\u00e3o de lucros. Face a esta l\u00f3gica imposta, \u00e9 necess\u00e1rio levantar uma campanha pela proibi\u00e7\u00e3o das demiss\u00f5es. N\u00e3o somos respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o da economia, n\u00e3o devem ser os trabalhadores a suportar os custos da manuten\u00e7\u00e3o de lucros astron\u00f4micos das empresas. \u00c9 necess\u00e1rio lutar pela redu\u00e7\u00e3o da jornada sem perda salarial, \u00e9 necess\u00e1rio reduzir a idade da aposentadoria, \u00e9 necess\u00e1rio mirar na \u201cnormal\u201d crueldade do sistema capitalista \u2013 que para manter lucros astron\u00f4micos de uns poucos leva \u00e0 mis\u00e9ria uma grande parte \u2013 para acumular for\u00e7as para construir um mundo em que n\u00e3o seja o lucro quem manda, mas sim quem trabalha.<br \/>\nTexto originalmente publicado no\u00a0<a href=\"https:\/\/emlutadotnet.files.wordpress.com\/2020\/09\/eln23.interativo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em Luta n\u00ba. 23 (setembro 2020)<\/a><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada crise, sem qualquer oposi\u00e7\u00e3o dos governos, os patr\u00f5es mostram a crueldade inerente ao capitalismo, rasgam contratos e mandam para o desemprego milh\u00f5es de fam\u00edlias. 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