{"id":61830,"date":"2020-10-02T17:54:03","date_gmt":"2020-10-02T20:54:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/belarus-mais-uma-vez-o-pcp-de-maos-dadas-com-ditadores\/"},"modified":"2020-10-02T17:54:03","modified_gmt":"2020-10-02T20:54:03","slug":"belarus-mais-uma-vez-o-pcp-de-maos-dadas-com-ditadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/10\/02\/belarus-mais-uma-vez-o-pcp-de-maos-dadas-com-ditadores\/","title":{"rendered":"Belarus: Mais uma vez o PCP de m\u00e3os dadas com\u00a0ditadores"},"content":{"rendered":"<p><em>Desde as elei\u00e7\u00f5es presidenciais que a Belarus est\u00e1 em polvorosa. S\u00e3o constantes as manifesta\u00e7\u00f5es por elei\u00e7\u00f5es livres. A repress\u00e3o estatal cresce e pelo mundo j\u00e1 s\u00e3o muitos os que condenam o Governo e n\u00e3o reconhecem as elei\u00e7\u00f5es. No entanto, aqui em Portugal, o PCP posiciona-se ao lado do ditador Lukashenko. Fica ent\u00e3o a pergunta: por que raz\u00e3o o PCP apoia tantos ditadores pelo mundo?<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Joana Salay<br \/>\n<strong>O que se passa na Belarus<a name=\"_ftnref1\"><\/a>[1]<\/strong><br \/>\nAs grandes manifesta\u00e7\u00f5es come\u00e7aram ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 9 de agosto, que se deram sem possibilidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o independente, sem observadores internacionais, e ocorreram num grande clima de repress\u00e3o. Ainda assim os com\u00edcios da oposi\u00e7\u00e3o reuniram milhares de pessoas pelo pa\u00eds. Contudo, o resultado eleitoral foi de 80% para Lukashenko, que j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 26 anos no poder.<br \/>\nPara al\u00e9m do questionamento ao processo eleitoral, a Belarus tamb\u00e9m \u00e9 afetada pela pandemia e a crise econ\u00f4mica mundial. Lukashenko n\u00e3o atuou perante a pandemia e afirmava que o v\u00edrus era uma psicose, ao mesmo tempo em que aumentam as demiss\u00f5es no pa\u00eds e a perda de rendimentos.<br \/>\nCom esta combina\u00e7\u00e3o entre as necessidades democr\u00e1ticas do povo e a crise social que se espalha pelo mundo, \u00e9 que as manifesta\u00e7\u00f5es e greves oper\u00e1rias passaram a serem constantes pelo pa\u00eds. Os nomes das f\u00e1bricas s\u00e3o repetidos nas manifesta\u00e7\u00f5es: MTZ, MZKT, Soligorsk, MAZ e quando as bandeiras da MTZ entram nas manifesta\u00e7\u00f5es provocam grande entusiasmo. A repress\u00e3o do Estado tamb\u00e9m \u00e9 muito forte totalizando j\u00e1 quase 10 mil presos, e h\u00e1 relatos de torturas e viola\u00e7\u00f5es sofridas pelos presos pol\u00edticos.<br \/>\n<strong>A posi\u00e7\u00e3o do PCP<\/strong><br \/>\nPodemos afirmar que, hoje, a Belarus vive um processo revolucion\u00e1rio, onde o povo e classe oper\u00e1ria se organizam e se mobilizam exigindo democracia e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, colocando em cheque o regime ditatorial.<br \/>\nPerante este processo, a posi\u00e7\u00e3o do PCP, expressa no Jornal \u201cAvante!\u201d \u00e9 de que as manifesta\u00e7\u00f5es em Minsk s\u00e3o controladas pelo estrangeiro. E reconhece as elei\u00e7\u00f5es como leg\u00edtimas, localizando a repress\u00e3o aos manifestantes como uma rea\u00e7\u00e3o das for\u00e7as repressivas \u00e0s \u201cprovoca\u00e7\u00f5es\u201d. Reivindicam inclusive as supostas manifesta\u00e7\u00f5es em apoio a Lukashenko e a participa\u00e7\u00e3o ativa do Partido Comunista da Belarus.\u00a0<a name=\"_ftnref2\"><\/a>[2]<br \/>\nO PCP tenta pintar uma imagem de Lukachenko como um resistente aos EUA e uma continua\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia sovi\u00e9tica. Como podemos ver neste relato publicado tamb\u00e9m pelo \u201cAvante!\u201d em 2006: \u201cEm tempos de trai\u00e7\u00e3o e de reescrita da hist\u00f3ria ao sabor dos interesses, guarde-se o exemplo bielorrusso. O povo e os seus dirigentes n\u00e3o se envergonham do seu passado socialista, muito pelo contr\u00e1rio. As autoridades afirmam publicamente querer manter o que de bom a experi\u00eancia sovi\u00e9tica teve.\u201d\u00a0<a name=\"_ftnref3\"><\/a>[3]<br \/>\nLukashenko n\u00e3o governa um pa\u00eds socialista, a Belarus \u00e9 um pa\u00eds completamente dependente da R\u00fassia, ref\u00e9m de um governo ditatorial, submisso e vendido. As companhias russas (em especial de g\u00e1s e petr\u00f3leo) comportam-se como donas da Belarus, a cada ano elevando os pre\u00e7os dos combust\u00edveis. E o regime de Putin compra a lealdade de Lukashenko gra\u00e7as aos superlucros do petr\u00f3leo e do g\u00e1s, exigindo deste mais e mais obedi\u00eancia.<br \/>\nComo podemos ver, mais uma vez o PCP coloca-se a apoiar ditadores, como faz com o regime angolano, chin\u00eas, da Coreia do Norte, na S\u00edria, Venezuela, entre outros. Este posicionamento n\u00e3o \u00e9 apenas um erro de c\u00e1lculo pol\u00edtico, mas antes de tudo \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica chamada estalinismo.<br \/>\n<strong>Estalinismo n\u00e3o \u00e9 socialismo<\/strong><br \/>\nA burocratiza\u00e7\u00e3o da URSS iniciada em 1924, levou a uma grande degenera\u00e7\u00e3o do que eram os objetivos da revolu\u00e7\u00e3o de 1917. O isolamento internacional, com a derrota da revolu\u00e7\u00e3o alem\u00e3, e a destrui\u00e7\u00e3o causada pela guerra civil trouxeram grandes dificuldades para o pa\u00eds. Com St\u00e1lin \u00e0 frente do regime foi iniciada a destrui\u00e7\u00e3o do legado da revolu\u00e7\u00e3o, com o assassinato e persegui\u00e7\u00e3o aos principais dirigentes bolcheviques. Dentro da URSS, a degenera\u00e7\u00e3o construiu uma enorme burocracia sovi\u00e9tica que esmagava o povo e as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO Estalinismo construiu uma s\u00e9rie de conceitos e orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que a transformaram num obst\u00e1culo \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es por todo o mundo. A teoria do socialismo num s\u00f3 pa\u00eds para justificar a pol\u00edtica externa sovi\u00e9tica; a teoria das frentes populares para justificar alian\u00e7as com a burguesia; a nega\u00e7\u00e3o das lutas democr\u00e1ticas levando a um esmagamento dos setores oprimidos; entre outras. Isto levou a trai\u00e7\u00f5es constantes do estalinismo em diversos processos revolucion\u00e1rios, como na Guerra Civil Espanhola e na pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o portuguesa.<br \/>\nPor isso, para reivindicar o verdadeiro sentido do socialismo \u00e9 preciso condenar o Estalinismo, como corrente que destruiu as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o de 1917. O PCP n\u00e3o rompe com o Estalinismo, pelo contr\u00e1rio, reproduz em Portugal todas as concep\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas que levaram a esta grande degenera\u00e7\u00e3o. Longe de ser um anacronismo, como dizem os cr\u00edticos liberais, \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Defender a classe trabalhadora na Belarus \u00e9 estar ao lado do processo revolucion\u00e1rio<\/strong><br \/>\nDefender o povo na Belarus n\u00e3o \u00e9 estar ao lado de um ditador contra uma suposta inger\u00eancia imperialista, mas sim afirmar que quem deve decidir os rumos do pa\u00eds deve ser o povo, e n\u00e3o Putin ou a Uni\u00e3o Europeia. Tampouco \u00e9 correto afirmar que h\u00e1 um campo dos manifestantes apoiado pela UE contra o outro campo progressivo, representado por Lukashenko e Putin. Tanto a UE, como Putin, querem o mesmo da Belarus: o seu controle atrav\u00e9s de um regime burgu\u00eas em detrimento da autodetermina\u00e7\u00e3o do povo.<br \/>\nPara que se possa conquistar elei\u00e7\u00f5es livres, assim como a soberania nacional, a sa\u00edda para a Belarus \u00e9 que o povo, com a classe oper\u00e1ria na vanguarda, tome o poder nas m\u00e3os e possa decidir os rumos do pa\u00eds. N\u00e3o basta acreditar que reformas no regime ou no capitalismo poder\u00e3o garantir as necessidades do povo trabalhador, \u00e9 preciso ir al\u00e9m na constru\u00e7\u00e3o de uma nova forma de sociedade que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com o povo no poder.<br \/>\n<a name=\"_ftn1\"><\/a>[1] Utilizamos o nome Belarus, reivindicado pelo povo do pa\u00eds, ao inv\u00e9s do nome Bielor\u00fassia, nome usado na R\u00fassia com o \u00f3bvio objetivo de impedir a autodetermina\u00e7\u00e3o do pa\u00eds<br \/>\n<a name=\"_ftn2\"><\/a>[2]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.avante.pt\/pt\/2438\/europa\/160398\/Bielorrssia-rejeitaingerncias-externas.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.avante.pt\/pt\/2438\/europa\/160398\/Bielorrssia-rejeita\u2013ingerncias-externas.htm<\/a><br \/>\n<a name=\"_ftn3\"><\/a>[3]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.avante.pt\/pt\/1711\/temas\/16022\/Oito-dias-na-Bielorrssiafont-color=0093dd(2)font.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.avante.pt\/pt\/1711\/temas\/16022\/Oito-dias-na-Bielorrssiafont-color=0093dd(2)font.htm<\/a><br \/>\nVers\u00e3o integral do texto originalmente publicado no jornal Em Luta, n\u00ba 23, setembro 2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde as elei\u00e7\u00f5es presidenciais que a Belarus est\u00e1 em polvorosa. 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