{"id":61658,"date":"2020-08-31T17:02:26","date_gmt":"2020-08-31T20:02:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61658"},"modified":"2020-08-31T17:02:26","modified_gmt":"2020-08-31T20:02:26","slug":"a-luta-por-visibilidade-e-direitos-dentro-e-para-alem-dos-muros-das-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/08\/31\/a-luta-por-visibilidade-e-direitos-dentro-e-para-alem-dos-muros-das-escolas\/","title":{"rendered":"A luta por visibilidade e direitos dentro e para al\u00e9m dos muros das escolas"},"content":{"rendered":"<p><em>O ensino e o debate sobre sexualidade nas escolas devem ser defendidos incansavelmente pela classe trabalhadora, pois s\u00e3o temas quase ausentes nas salas de aulas, p\u00fablicas ou privadas, por\u00e9m muito importantes para juventude e a classe oper\u00e1ria, sobretudo para l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) trabalhadoras e pobres.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor:\u00a0Danielle Bornia, pr\u00e9-candidata a prefeita de Niter\u00f3i (RJ), Dayse Oliveira, pr\u00e9-candidata a prefeita de S\u00e3o Gon\u00e7alo (RJ), Mariana Carreira (RJ) e Frida Pascio (Fernand\u00f3polis-SP)<br \/>\nParticularmente para n\u00f3s, mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais e trans, s\u00e3o discuss\u00f5es essenciais no combate \u00e0 viol\u00eancia machista, racista ou provocada em fun\u00e7\u00e3o de nossa orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero. E, por isso mesmo, devem estar na ordem do dia na defesa da visibilidade.<br \/>\nA escola deveria dar acesso ao conhecimento que a humanidade produziu e ajudar a compreender a realidade. Como tamb\u00e9m, deveria debater acerca da sexualidade e ensinar a respeitar as mulheres, negras e LGBTs. Por\u00e9m, o sistema educacional \u00e9 reprodutor das ideologias dominantes e espa\u00e7o vivo de rela\u00e7\u00f5es interpessoais que, tamb\u00e9m, refletem o que h\u00e1 de pior nela.<br \/>\nG\u00eanero e sexualidade, por exemplo, s\u00e3o tratados como\u00a0tabus\u00a0sociais e este veto ao debate favorece ainda mais as ideologias burguesas, como o machismo, o racismo e a LGBTfobia. Por isso, existe muita reprodu\u00e7\u00e3o da lesbo-bifobia e toda uma invisibiliza\u00e7\u00e3o da mulher l\u00e9sbica e bissexual no ambiente escolar.<br \/>\n<strong>A escola nos moldes capitalista dificulta o combate \u00e0 opress\u00e3o<\/strong><br \/>\nA escola \u00e9 geralmente um ambiente opressor favor\u00e1vel \u00e0s piadas entre os alunos, ao preconceito dos professores e funcion\u00e1rios, \u00e0s agress\u00f5es f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas e verbais. Os casos mais gritantes s\u00e3o os mesmos que est\u00e3o para al\u00e9m dos muros das escolas. E a transfobia, em especial, \u00e9 respons\u00e1vel pelo abandono de in\u00fameras e in\u00fameros estudantes.<br \/>\nH\u00e1 uma press\u00e3o sobre as LGBTs para \u201cficarmos dentro do arm\u00e1rio\u201d, o que fortalece a lesbofobia. Uma das consequ\u00eancias disso s\u00e3o os casos de suic\u00eddio que, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), em mat\u00e9ria publicada em 09\/09\/2019, no jornal\u00a0O Estado de S. Paulo, \u00e9 a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos.<br \/>\nDe acordo com o portal da publica\u00e7\u00e3o norte-americana\u00a0Contemporary Pediatrics\u00a0(\u201cPediatria Contempor\u00e2nea\u201d, 10\/01\/2019), em escala mundial, a juventude LGBT tem tr\u00eas vezes mais probabilidades de fazer uma tentativa de suic\u00eddio do que outros adolescentes, e a taxa \u00e9 mais alta entre os(as) adolescentes transg\u00eanero\u00a0 (seis vezes a mais do que heterossexuais).<br \/>\nA estrutura desde sempre opressiva do sistema escolar tem sido ainda mais refor\u00e7ada nos \u00faltimos anos pela a\u00e7\u00e3o dos setores conservadores de ultradireita e fundamentalistas que infectam o pa\u00eds. Desde 2004, circula pelo Congresso, o chamado Projeto Escola Sem Partido, elaborado pelo reacion\u00e1rio advogado Miguel Nagig e reapresentado, no in\u00edcio de 2019, pela deputada Bia Kicis (PSL-RJ), com o objetivo de adotar medidas eficazes para prevenir uma suposta pr\u00e1tica de\u00a0\u201cdoutrina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica\u201d\u00a0nas escolas, bem como a\u00a0\u201cusurpa\u00e7\u00e3o dos direitos dos pais a que seus filhos recebam a educa\u00e7\u00e3o moral que esteja de acordo com suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es\u201d.<br \/>\nO que, na pr\u00e1tica, quer dizer uma tentativa de censurar e destruir o debate racial, de identidade de g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual e sexualidade, em geral, nas escolas. E, embora n\u00e3o tendo sido aprovado at\u00e9 o momento, \u00e9 importante dizer que o projeto, tamb\u00e9m conhecido como \u201cEscola com Morda\u00e7a\u201d, serviu como base para a total exclus\u00e3o do tema LGBT no Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), em 2014, refletindo-se, tamb\u00e9m, nos Planos Municipais de Educa\u00e7\u00e3o (PMEs), a exemplo de Niter\u00f3i (RJ) e v\u00e1rias outras cidades pa\u00eds afora.<br \/>\n<strong>Rebeldia contra as morda\u00e7as e as opress\u00f5es<\/strong><br \/>\nNo entanto, toda essa opress\u00e3o tem sido questionada pela juventude, particularmente a pobre e perif\u00e9rica. Em 2016, os estudantes, em resposta \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o das escolas, mas, tamb\u00e9m, na luta em defesa pelos seus direitos democr\u00e1ticos e de uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade ocuparam milhares de unidades de ensino, dando li\u00e7\u00f5es de combatividade, com m\u00e9todos de auto-organiza\u00e7\u00e3o, garantindo o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es, organizando aulas livres e convidando a comunidade \u00e0 participa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE, na maioria delas, tamb\u00e9m pautaram, com centralidade, o tema do combate \u00e0s opress\u00f5es e levantaram uma onda de rebeldia contra a ofensiva da burguesia e a tentativa de derrotar seus sonhos. Quando tomavam as ruas, como diziam, \u201cn\u00e3o deram arrego\u201d aos governos at\u00e9 que muitos deles tivessem que recuar. Mas, no interior das ocupa\u00e7\u00f5es, mulheres, negros e negras e LGBTs tamb\u00e9m \u201cn\u00e3o deram arrego\u201d ao preconceito e \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o, promovendo debates, saraus, slams de hip hop e atividades diversas para levantar o debate e dar voz aos que s\u00e3o geralmente silenciados e invisibilizados.<br \/>\nE por mais que neguem os conservadores, foi esta onda rebelde (bem como os constantes protestos feitos por professores e outros setores da comunidade escolar) que come\u00e7ou a barrar os avan\u00e7os do fundamentalismo. N\u00e3o \u00e9 um acaso, por exemplo, que, j\u00e1 em 2017, o governo de Alagoas tenha sido obrigado a suspender uma lei estadual hipocritamente batizada de \u201cEscola Livre\u201d, mas cujo texto \u00e9 uma c\u00f3pia, quase palavra a palavra, da \u201cEscola sem Partido\u201d, de Nagib.<br \/>\nDa mesma forma que, diante das rea\u00e7\u00f5es, o Supremo Tribunal Federal (STF) foi obrigado a se posicionar sobre a lei alagoana e acabou definindo, em 20 de agosto passado, por nove votos contra um, que ela \u00e9 inconstitucional. O que um \u00e9 precedente contra leis do tipo que vierem a ser questionadas no Supremo.<br \/>\n<strong>Pra al\u00e9m das formalidades e \u201cleis pra ningu\u00e9m ver\u2026.\u201d<\/strong><br \/>\nSabemos, contudo,\u00a0que, nas \u201cdemocracias dos ricos\u201d, leis valem muit\u00edssimo pouco, n\u00e3o garantem praticamente nada e s\u00e3o desrespeitadas sem nenhuma cerim\u00f4nia. Algo particularmente verdadeiro na Educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA inclus\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o sexual (permitindo incluir o debate sobre as diversas orienta\u00e7\u00f5es e identidades) nos Par\u00e2metros Curriculares Nacionais (PCNs), por exemplo, foi uma conquista que come\u00e7a a ser formatada no governo FHC e se torna \u201cbandeiras\u201d dos governos petistas. Contudo, s\u00f3 foi posto parcialmente em pratica nas escolas em que os profissionais da Educa\u00e7\u00e3o se esfor\u00e7aram para garantir. J\u00e1 que nenhum governo investiu na forma\u00e7\u00e3o dos(as) professores(as) nos temas de sexualidade, ra\u00e7a, diversidade sexual, meio-ambiente, e tais temas foram inclu\u00eddos de forma \u201ctransversal\u201d e apenas \u201crecomendados\u201d nos curr\u00edculos e materiais das disciplinas.<br \/>\nE mesmo onde o tema entrou nas salas de aula, era muito raro que o sexo l\u00e9sbico fosse discutido, j\u00e1 que as propostas curriculares sequer mencionavam a afetividade e a sa\u00fade das mulheres l\u00e9sbicas. E, al\u00e9m disso, n\u00e3o d\u00e1 para esquecer que foram os pr\u00f3prios governos petistas que, gradualmente, minaram as bases do projeto que ele pretensamente defendiam, ao se comprometerem, principalmente na gest\u00e3o Dilma, com o fundamentalismo atrav\u00e9s da chamada \u201cCarta ao Povo de Deus\u201d e engavetarem medidas b\u00e1sicas, como o ultra limitado kit-anti-homofobia e a PLC 122, que criminalizaria a LGBTfobia. Ambos transformados em moedas de troca na compra de votos da Bancada da B\u00edblia.<br \/>\n<strong>O que era ruim ficou pior<\/strong><br \/>\nBolsonaro quer destruir todos os servi\u00e7os p\u00fablicos que s\u00e3o fundamentais para a classe trabalhadora e, no ritmo do passa-boiada, se aproveita da cat\u00e1strofe nacional, para retirar e atacar direitos sociais, culturais e pol\u00edticos. Seu objetivo \u00e9 avan\u00e7ar com a privatiza\u00e7\u00e3o para sobrar mais dinheiro para dar aos banqueiros, latifundi\u00e1rios e outros grandes empres\u00e1rios capitalistas.<br \/>\nNa educa\u00e7\u00e3o isso se traduz num aprofundamento do sucateamento da escola p\u00fablica e uma campanha de desmoraliza\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o, com um conjunto de ataques a autonomia dos trabalhadores sobre as unidades de ensino e o que \u00e9 feito na sala de aula. Inclusive no que se refere ao combate \u00e0s opress\u00f5es.<br \/>\nO presidente genocida h\u00e1 muito voltou suas armas contra o que ele chama de \u201cideologia de g\u00eanero\u201d, quando, na realidade, desde sempre, como j\u00e1 mencionamos, o que existe nas escolas e universidades \u00e9 a propaga\u00e7\u00e3o de ideologias opressivas. O objetivo do governo \u00e9 apenas refor\u00e7ar ainda mais isto, cerceando o ensino da educa\u00e7\u00e3o sexual e, consequentemente, fortalecendo os setores e pr\u00e1ticas LGBTf\u00f3bicos, tamb\u00e9m no ambiente escolar.<br \/>\nEsses setores conservadores e fundamentalistas aliados de Bolsonaro propagam a ideia de que sexo e sexualidade n\u00e3o devem ser discutidos em lugar nenhum, muito menos na escola. De acordo com essa vis\u00e3o, qualquer iniciativa para fazer esses debates \u00e9 considerada \u201cpornografia\u201d ou tentativas de \u201ccorromper a inoc\u00eancia das crian\u00e7as\u201d.<br \/>\nIsto \u00e9 um absurdo. A quest\u00e3o \u00e9 exatamente o oposto. Trata-se de buscar criar um ambiente mais acolhedor para as crian\u00e7as e adolescentes, combater a propaga\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e promover a sa\u00fade sexual \u2013 com materiais elaborados por profissionais e condizentes com a etapa de desenvolvimento de cada faixa et\u00e1ria.<br \/>\nSeja como for, em fun\u00e7\u00e3o destes objetivos, tanto sob o governo Bolsonaro como nos governos anteriores, de menosprezo, pura formalidade ou cumplicidade com temas que afetam as vidas das mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais, se transformou em \u00f3dio expl\u00edcito.<br \/>\nEsse projeto na Educa\u00e7\u00e3o ganhou forma num conjunto de ataques contidos na reforma de ensino e na institui\u00e7\u00e3o de uma Base Nacional Comum Curricular, em substitui\u00e7\u00e3o aos PCNs (para saber mais sobre o tema, leia o artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/e-preciso-lutar-contra-a-reforma-do-ensino-medio-e-o-bncc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201c\u00c9 preciso lutar contra a reforma do Ensino M\u00e9dio e o BNCC!<\/a>\u201d).<br \/>\nExpress\u00e3o do despreparo proposital deste governo em tudo que se refere \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a proposta do BNCC, em meio a um palavreado sem fim, pode at\u00e9 mencionar o combate \u00e0s DSTs e a discuss\u00e3o sobre a sexualidade, mas n\u00e3o tolera citar sexo entre duas mulheres jamais. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Como \u00e9 parte de um ataque mais global \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e aos direitos em geral, o(a) profissional de educa\u00e7\u00e3o que tente discutir sexualidade, respeito a homoafetividade ou identidades de g\u00eanero fica sujeito \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o ou sofre ass\u00e9dio moral.<br \/>\nResumo? \u00c9 cada vez mais raro que esses assuntos sejam levados para as salas de aula e discutidos em projetos pedag\u00f3gicos. \u00a0E como consequ\u00eancia direta e indireta disso a LGBTfobia tem aumentado na escola e na sociedade. O alto grau de evas\u00e3o por conta da LGBTfobia \u00e9 reflexo disso.<br \/>\n<strong>O ensino remoto e suas consequ\u00eancias para as LGBTs<\/strong><br \/>\nEm meio a uma pandemia que j\u00e1 matou mais de 120 mil pessoas, os governos se recusam a garantir uma quarentena para toda a classe trabalhadora. E, na Educa\u00e7\u00e3o, agora, oferece duas op\u00e7\u00f5es: nos mandar para o matadouro, com a reabertura das escolas, ou atuar com o chamado \u201censino remoto\u201d (um mascaramento da j\u00e1 lament\u00e1vel Educa\u00e7\u00e3o \u00e0 Dist\u00e2ncia);<br \/>\nParticularmente no que se refere ao ensino remoto, \u00e9 preciso destacar que ele n\u00e3o s\u00f3 tem levado \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o, mas, tamb\u00e9m, dificulta o combate \u00e0s opress\u00f5es na escola visto sua estrat\u00e9gia focada na transmiss\u00e3o de conte\u00fados (\u201co que vai cair na prova\u2026.\u201d), excludente e antidemocr\u00e1tica. \u00c9 uma pol\u00edtica que cumpre um papel chave para a acelera\u00e7\u00e3o da privatiza\u00e7\u00e3o, pois destr\u00f3i o princ\u00edpio da universaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, isto \u00e9, exclui a classe trabalhadora e seus setores oprimidos da escola.<br \/>\nEsse modelo de\u00a0\u201ceduca\u00e7\u00e3o para quem pode e n\u00e3o para quem quer\u201d\u00a0tamb\u00e9m auxilia no controle ideol\u00f3gico. Dificulta que o combate ao racismo, machismo e lgbtfobia aconte\u00e7a, pois individualiza o debate, facilitando ataques \u00e0s(os) estudantes e, tamb\u00e9m, a professoras(as), que ficam isolados, sem testemunha coletiva e a merc\u00ea da \u201cescola com morda\u00e7a\u201d. Ao mesmo tempo, muitas apostilas e modelos vindos das institui\u00e7\u00f5es privadas est\u00e3o sendo entregues aos alunos, sem a participa\u00e7\u00e3o dos professores(as), sem debates sobre opress\u00f5es ou enfoques comprovados pela ci\u00eancia.<br \/>\nPor isso mesmo, cabe ressaltar que em um momento de pandemia, a falta desse espa\u00e7o onde muitos adolescentes conseguem exercer sua orienta\u00e7\u00e3o e sua identidade de g\u00eanero vem causando in\u00fameros transtornos. O que refor\u00e7a, ainda mais, a import\u00e2ncia de que promovamos a educa\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o apenas no interior das salas de aula, mas no conjunto da comunidade escolar, incluindo os respons\u00e1veis. Ou seja, esta tamb\u00e9m \u00e9 uma luta da juventude pobre perif\u00e9rica, das mulheres, negros e negras e LGBTs, em unidade com os trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o e o conjunto da classe trabalhadora conjuntamente.<br \/>\n<strong>A educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas frente ao governo Bolsonaro e a ultradireita<\/strong><br \/>\nDiante de um quadro como este, quando discutimos a Visibilidade L\u00e9sbica e Bissexual do ponto de vista da Educa\u00e7\u00e3o, uma primeira e urgente medida e bandeira de luta \u00e9 a defesa de que n\u00e3o s\u00f3 existam projetos de educa\u00e7\u00e3o sexual em todos os n\u00edveis de ensino, mas, tamb\u00e9m, que eles sejam, de fato, implementados.<br \/>\nMuitos educadores n\u00e3o t\u00eam nenhum preparo para solucionar de maneira educativa tais conflitos. Nesse sentido, \u00e9 importante que se garanta a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o para lidar com esses temas e combater as opress\u00f5es dentro da escola ao inv\u00e9s de reproduzi-las.<br \/>\nDiante do desprezo das institui\u00e7\u00f5es do sistema diante da opress\u00e3o ou, pior, como temos visto, do uso destas mesmas institui\u00e7\u00f5es para propagar a marginaliza\u00e7\u00e3o e o preconceito, n\u00e3o h\u00e1 como assegurar a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 aluna que sofre\u00a0 lesbofobia ou bifobia.<br \/>\nPor isso, essa \u00e9 uma luta que deve ser abra\u00e7ada por todos os setores envolvidos no processo ensino-aprendizagem e, a partir deles, ser levada para as comunidades, principalmente nas periferias. Pois, por exemplo, quando o movimento estudantil debate o tema da LGBTfobia e a as pautas das mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais essas se fortalecem nas lutas da juventude.<br \/>\n<strong>Escola tamb\u00e9m \u00e9 lugar de organiza\u00e7\u00e3o e luta<\/strong><br \/>\nMesmo com toda essa pol\u00edtica reacion\u00e1ria, cada vez mais jovens utilizam o ambiente escolar como espa\u00e7o para a \u201csa\u00edda do arm\u00e1rio\u201d, pois contam com o apoio de seus pares, de muitos educadores que j\u00e1 fazem o combate \u00e0 lgbtfobia ou das entidades dos movimentos estudantis. Por isso, mesmo com todas as dificuldades e rigidez institucional, a escola tamb\u00e9m pode ser um lugar de organiza\u00e7\u00e3o e de lutas.<br \/>\nPor isso, s\u00f3 podemos saudar que estudantes venham, cada vez mais, se organizando e debatendo o combate \u00e0s ideologias burguesas, afirmando suas identidades de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00f5es sexuais e levando o debate para dentro da sala de aula. E \u00e9 preciso que professoras e professores acompanhem este processo, n\u00e3o se colocando como obst\u00e1culos e agentes opressores (como, sabemos, n\u00e3o \u00e9 raro) e, sim, ponto de apoio para o combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo temos insistido no conjunto de artigos, todas as medidas que possamos tomar para estimular a visibilidade e todas conquistas arrancadas ou mantidas s\u00e3o importantes. Contudo, nada disso pode ser distanciado de uma perspectiva global, que nos leve \u00e0 tomada do controle do Estado, respons\u00e1vel pelos rumos da educa\u00e7\u00e3o, seu conte\u00fado, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, os curr\u00edculos etc.<br \/>\nPor isso, para termos educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica gratuita e de qualidade e educa\u00e7\u00e3o sexual, com debate de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio lutar por estas coisas dentro de uma perspectiva socialista. \u00c9 necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, \u201ceducar para a Revolu\u00e7\u00e3o\u201d, pois s\u00f3 atrav\u00e9s de um governo socialista, baseado em conselhos populares que dirijam o sistema escolar, refletindo a diversidade da classe trabalhadora e da juventude, \u00e9 poss\u00edvel desenvolver escolas libert\u00e1rias e igualit\u00e1rias, onde n\u00e3o haja opress\u00e3o ou explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ensino e o debate sobre sexualidade nas escolas devem ser defendidos incansavelmente pela classe trabalhadora, pois s\u00e3o temas quase ausentes nas salas de aulas, p\u00fablicas ou privadas, por\u00e9m muito importantes para juventude e a classe oper\u00e1ria, sobretudo para l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) trabalhadoras e pobres.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":70683,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[121,3709,238],"tags":[5785,5653,5786,5787,5788,1096,5789,5790],"class_list":["post-61658","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-juventude","category-lgbt","tag-danielle-bornia","tag-dayse-oliveira","tag-escolas-e-opressao","tag-frida-pascio","tag-genero-e-sexualidade","tag-lgbtfobia","tag-mariana-carreira","tag-sexualidade-nas-escolas"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/WhatsApp-Image-2020-08-29-at-21.38.30.jpeg","categories_names":["Brasil","Juventude","LGBT"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61658"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61658\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70683"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}