{"id":61509,"date":"2020-08-20T10:15:03","date_gmt":"2020-08-20T12:15:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61509"},"modified":"2023-08-21T21:06:47","modified_gmt":"2023-08-21T21:06:47","slug":"a-atualidade-do-legado-de-leon-trotsky","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/08\/20\/a-atualidade-do-legado-de-leon-trotsky\/","title":{"rendered":"A atualidade do legado de Leon Trotsky"},"content":{"rendered":"<p><em>Ao completar 83 anos de seu assassinato, a figura do revolucion\u00e1rio russo Leon Trotsky e seu legado pol\u00edtico s\u00e3o cada vez mais valorizados, especialmente sua luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o stalinista da ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS) e contra o crescimento do fascismo na Europa.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Alejandro Iturbe<br \/>\nA burocracia stalinista realizou uma verdadeira &#8220;demoniza\u00e7\u00e3o&#8221; de Trotsky para dissimular uma persegui\u00e7\u00e3o que incluiu seu ex\u00edlio e posterior assassinato no M\u00e9xico. Este foi o auge de uma persegui\u00e7\u00e3o intensiva aos trotskistas na URSS, que envolveu pris\u00e3o, trabalho for\u00e7ado nas minas da Sib\u00e9ria e muitos assassinatos. Tamb\u00e9m foi realizado contra militantes e dirigentes de outros pa\u00edses, desde a expuls\u00e3o dos partidos comunistas stalinizados, at\u00e9 as den\u00fancias \u00e0 pol\u00edcia e os assassinatos, como foi o caso do filho de Trotsky, Le\u00f3n Sedov, e de seu secret\u00e1rio Rudolf Klement. A &#8220;demoniza\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o acabou com o assassinato de Trotsky, mas continuou por v\u00e1rias d\u00e9cadas.<br \/>\nNessas condi\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis, quando a Quarta Internacional foi fundada, enquanto Trotsky ainda estava vivo, menos de 6.000 militantes foram reconhecidos (al\u00e9m de um n\u00famero n\u00e3o explicitado de &#8220;trotskistas clandestinos&#8221; na URSS), a maioria deles em pequenos grupos, com algumas exce\u00e7\u00f5es como o SWP (Socialist Workers Party, dos Estados Unidos) que contribuiu com a metade.<br \/>\nUma crise do SWP no final dos anos de 1930, o assassinato de Trotsky, a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e as persegui\u00e7\u00f5es do stalinismo e do fascismo reduziu esse n\u00famero a 4.000 para o II Congresso Mundial da IV, sem refer\u00eancias sobre os &#8220;trotskistas da URSS&#8221;, a maioria dos quais provavelmente j\u00e1 havia morrido pela persegui\u00e7\u00e3o ou na guerra.<br \/>\nDepois da Segunda Guerra Mundial, tal como Trotsky tinha previsto, houve um grande ascenso de massas e novas revolu\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m o processo n\u00e3o foi capitalizado pelo trotskismo, mas foi liderado pelo stalinismo, que apareceu aos olhos das massas como o arquiteto da derrota do nazifascismo, e pelos movimentos nacionalistas burgueses.<br \/>\nPor isso, com algumas exce\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es que alcan\u00e7aram grande influ\u00eancia, como o Partido Obrero Revolucionario (POR) na revolu\u00e7\u00e3o boliviana de 1952 e o Lanka Sama Samaja Party (Sri Lanka), a IV e o trotskismo permaneceram sendo um movimento de pequenos grupos.<br \/>\nAlgumas organiza\u00e7\u00f5es, mesmo sendo pequenas, buscaram construir-se vinculadas \u00e0 classe trabalhadora (como o Grupo Obrero Marxista (GOM) de Nahuel Moreno, na Argentina), enquanto outras se limitaram \u00e0 sua vida interna ou a debates com outras organiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEssas condi\u00e7\u00f5es se agravaram com a ruptura da Quarta Internacional em 1953, ruptura produzida pela pol\u00edtica e pela metodologia interna aplicada pela dire\u00e7\u00e3o pablista (por Michel Pablo, o dirigente grego que centralizava a organiza\u00e7\u00e3o). Desde ent\u00e3o, n\u00e3o existe uma organiza\u00e7\u00e3o internacional unificada dos trotskistas. Para aprofundar sobre esse per\u00edodo, recomendamos a leitura da s\u00e9rie dedicada \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Quarta, publicada neste site em 2018 [1].<br \/>\n<strong>Abre-se um espa\u00e7o para o trotskismo<\/strong><br \/>\nStalin morreu em 1953. Seu sucessor, Nikita Khruschov, no XX Congresso do PCUS falou dos \u201ccrimes de Stalin\u201d, criticou o \u201cculto \u00e0 personalidade\u201d e prometeu a abertura de um per\u00edodo p\u00f3s-stalinista.<br \/>\nApesar das expectativas que gerou na milit\u00e2ncia comunista, foi, na realidade, apenas uma mudan\u00e7a cosm\u00e9tica. As lutas dentro do aparato burocr\u00e1tico deixaram de ser resolvidas com pris\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es como no tempo de Stalin, mas a falta de democracia para os trabalhadores e as massas, a repress\u00e3o aos dissidentes e o controle r\u00edgido dos pa\u00edses que estavam sob a \u00f3rbita de influ\u00eancia da URSS, permaneceu intacta.<br \/>\nNo entanto, foi um dos elementos que marcou uma virada no prest\u00edgio internacional do stalinismo. Soma-se a isso a repress\u00e3o \u00e0s lutas contra a burocracia em v\u00e1rios estados oper\u00e1rios: a insurrei\u00e7\u00e3o de Berlim Oriental (1953), a revolu\u00e7\u00e3o na Hungria (1956) e a \u201cprimavera de Praga\u201d na Tchecoslov\u00e1quia (1968). Por fim, acrescenta-se o papel conservador e defensor do sistema que os partidos comunistas e os sindicatos dirigidos por Moscou desempenharam nos pa\u00edses capitalistas.<br \/>\nTudo isso se concentraria no maio franc\u00eas de 1968: um processo revolucion\u00e1rio nascido nos estudantes e posteriormente estendido aos trabalhadores das grandes ind\u00fastrias. Enquanto o PC franc\u00eas buscava desesperadamente par\u00e1-lo, ele era liderado por organiza\u00e7\u00f5es e dirigentes de outras correntes de esquerda: anarquistas, trotskistas, guevaristas, mao\u00edstas, etc.<br \/>\nNo quadro de um forte processo de ascens\u00e3o internacional, o movimento trotskista foi abrindo espa\u00e7os muito maiores na nova vanguarda que surgia. V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es deram saltos importantes em sua constru\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia. Entre eles, a LCR francesa, o WRP ingl\u00eas, o PST argentino e o SWP estadunidense. No Brasil, tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es trotskistas diferentes chegaram a centenas de militantes cada.<br \/>\n<strong>Qual \u00e9 o legado de Trotsky?<\/strong><br \/>\nAo longo de sua extensa trajet\u00f3ria, Trotsky fez numerosas contribui\u00e7\u00f5es ao marxismo, algumas das quais devem ser consideradas qualitativas.<br \/>\nEm primeiro lugar, devemos mencionar a concep\u00e7\u00e3o da <strong>revolu\u00e7\u00e3o permanente<\/strong> que come\u00e7ou a elaborar em 1905 e que desenvolveria at\u00e9 sua formula\u00e7\u00e3o nos anos 1930. Cont\u00e9m uma an\u00e1lise muito aprofundada da combina\u00e7\u00e3o de tarefas que impulsionam a luta das massas e as revolu\u00e7\u00f5es, a din\u00e2mica das classes sociais nesses processos, a necessidade da ditadura do proletariado para levar at\u00e9 o fim n\u00e3o s\u00f3 as tarefas socialistas, mas tamb\u00e9m as democr\u00e1ticas, e o car\u00e1ter internacional da revolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEmbora a formula\u00e7\u00e3o dos anos 1930 precise de algumas atualiza\u00e7\u00f5es e corre\u00e7\u00f5es, continua sendo a \u00fanica teoria-programa que responde ao desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o internacional na \u00e9poca capitalista-imperialista. A partir das Teses de Abril de 1917, escritas por Lenin, os bolcheviques adotam essa concep\u00e7\u00e3o e depois a Terceira Internacional o faz em seus primeiros quatro congressos.<br \/>\nA burocratiza\u00e7\u00e3o stalinista trouxe consigo um profundo retrocesso te\u00f3rico-pol\u00edtico e program\u00e1tico. A concep\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o permanente e seus diferentes aspectos passaram a ser atacados: a revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional foi substitu\u00edda pelo conceito de &#8220;construir o socialismo em um s\u00f3 pa\u00eds&#8221;; a luta contra a burguesia em n\u00edvel nacional deu origem ao apelo \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classes e a acordos pol\u00edticos permanentes com setores burgueses das chamadas frentes populares e, por conseguinte, \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de uma revolu\u00e7\u00e3o dividida em etapas. Desde ent\u00e3o, revolu\u00e7\u00e3o permanente \u00e9 sin\u00f4nimo de trotskismo.<br \/>\n<strong>A revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong><br \/>\nOutra contribui\u00e7\u00e3o qualitativa de Trotsky s\u00e3o as an\u00e1lises, defini\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es sobre a URSS burocratizada pelo stalinismo, contidas em seu livro A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda (1937). A URSS n\u00e3o era um estado \u201ccapitalista\u201d nem um estado \u201csocialista\u201d, mas sim uma transi\u00e7\u00e3o entre ambos, com uma profunda contradi\u00e7\u00e3o entre as bases socioecon\u00f4micas do estado oper\u00e1rio e a superestrutura estatal burocratizada. Ele argumentou que essa totalidade era altamente inst\u00e1vel e, a partir da\u00ed, elaborou seu famoso &#8220;progn\u00f3stico alternativo&#8221; sobre as poss\u00edveis din\u00e2micas: ou uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica derrubaria a burocracia ou a burocracia restauraria o capitalismo [2].<br \/>\nA conclus\u00e3o era que, para defender a URSS como um estado oper\u00e1rio, a tarefa das massas sovi\u00e9ticas era realizar uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: isto \u00e9, derrubar o aparato burocr\u00e1tico stalinista e reconstruir os organismos de democracia oper\u00e1ria, mas mantendo as novas bases socioecon\u00f4micas do estado oper\u00e1rio. Podemos dizer que \u00e9 com essa elabora\u00e7\u00e3o que o trotskismo nasceu como corrente pr\u00f3pria dentro do marxismo, com pleno direito e necessidade de sua exist\u00eancia.<br \/>\nO progn\u00f3stico alternativo de Trotsky se demonstraria como uma genialidade (embora em sua possibilidade mais negativa): v\u00e1rias d\u00e9cadas depois, a burocracia sovi\u00e9tica restaurou o capitalismo na URSS, e o processo tamb\u00e9m se repetiu na China, Cuba e demais ex-estados oper\u00e1rios.<br \/>\nHoje n\u00e3o existem mais estados oper\u00e1rios burocratizados e se poderia concluir que a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como Trotsky a formulou, n\u00e3o \u00e9 ent\u00e3o uma tarefa para o presente. Acreditamos que em seu conte\u00fado profundo n\u00e3o \u00e9 assim. Em artigo publicado em 1985, o trotskista argentino Nahuel Moreno estende essa tarefa a todas as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores que s\u00e3o parasitadas, deformadas e degeneradas pela burocracia, como os sindicatos. Com esta abordagem mais ampla (derrubar a burocracia e impor a democracia dos trabalhadores) a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 uma tarefa mais presente do que nunca e tamb\u00e9m deve ser sin\u00f4nimo de trotskismo.<br \/>\n<strong>O Programa de Transi\u00e7\u00e3o&#8230;<\/strong><br \/>\nTrotsky escreveu o Programa de Transi\u00e7\u00e3o em 1938 para ser a base da funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional. No primeiro cap\u00edtulo do documento, ele faz uma defini\u00e7\u00e3o restrita da \u00e9poca de &#8220;agonia&#8221; do capitalismo imperialista e a combina\u00e7\u00e3o de seus dois elementos centrais [3].<br \/>\nPor um lado, \u201c<em>as for\u00e7as produtivas da humanidade pararam de crescer<\/em>\u201d e, portanto, o desenvolvimento econ\u00f4mico <em>\u201ch\u00e1 muito tempo atingiu o ponto mais alto que se poderia alcan\u00e7ar sob o capitalismo<\/em>\u201d. Essa realidade n\u00e3o \u00e9 revertida por novas inven\u00e7\u00f5es e avan\u00e7os t\u00e9cnicos, que n\u00e3o levam a uma melhoria no padr\u00e3o de vida das massas. Ao mesmo tempo, \u00e9 o marco de fundo dos ciclos econ\u00f4micos e suas conjunturas. Essas s\u00e3o, para Trotsky, <em>&#8220;as premissas objetivas da revolu\u00e7\u00e3o socialista&#8221;,<\/em> que n\u00e3o apenas <em>&#8220;est\u00e3o maduras, mas come\u00e7aram a se decompor&#8221;.<\/em><br \/>\nPor outro lado, a atitude das massas (e suas lutas) \u201c<em>\u00e9 determinada, por um lado, pelas condi\u00e7\u00f5es objetivas do capitalismo decadente, e por outro, pelas pol\u00edticas de trai\u00e7\u00e3o das antigas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias. Destes dois fatores, o fator decisivo \u00e9, naturalmente, o primeiro; as leis da hist\u00f3ria s\u00e3o mais poderosas do que os aparatos burocr\u00e1ticos\u201d.<\/em><br \/>\nNo entanto, a pol\u00edtica das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas (essencialmente do stalinismo) levava as massas a derrotas constantes e nenhuma alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria surgia a estas. O capitalismo alcan\u00e7ava assim uma sobrevida cada vez mais degradada, que se expressava tanto no surgimento do fascismo quanto na crise dos regimes democr\u00e1ticos burgueses e dos governos de frente popular. A conclus\u00e3o de Trotsky \u00e9 que <em>&#8220;a crise da humanidade se reduz \u00e0 dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria&#8221;.<\/em><br \/>\n<strong>\u2026 e seu m\u00e9todo<\/strong><br \/>\nPor isso, para Trotsky, <em>\u201ca tarefa estrat\u00e9gica do pr\u00f3ximo per\u00edodo pr\u00e9-revolucion\u00e1rio de agita\u00e7\u00e3o, propaganda e organiza\u00e7\u00e3o consiste em superar a contradi\u00e7\u00e3o entre a madurez das condi\u00e7\u00f5es objetivas da revolu\u00e7\u00e3o e a falta de madurez do proletariado e de sua vanguarda\u201d.<\/em> Neste sentido, prop\u00f5e ao proletariado mundial uma s\u00e9rie de tarefas pelas quais se mobilizar e lutar; algumas s\u00e3o m\u00ednimas, outras democr\u00e1ticas e tamb\u00e9m aquelas de transi\u00e7\u00e3o para o socialismo.<br \/>\nMas para al\u00e9m da letra espec\u00edfica dessas tarefas, o Programa de Transi\u00e7\u00e3o cont\u00e9m um <strong>m\u00e9todo<\/strong> para a elabora\u00e7\u00e3o dessas consignas e sua combina\u00e7\u00e3o, e o objetivo estrat\u00e9gico a que essa luta deve conduzir. <em>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio ajudar as massas, no processo de luta, a encontrar a ponte entre suas reivindica\u00e7\u00f5es atuais e o programa da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Essa ponte deve consistir em um <strong>sistema de reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias<\/strong>, partindo das condi\u00e7\u00f5es atuais e da consci\u00eancia atual de amplas camadas da classe oper\u00e1ria para uma \u00fanica e mesma conclus\u00e3o: <strong>a conquista do poder pelo proletariado<\/strong>\u201d.<\/em><br \/>\nEm outras palavras, trotskismo \u00e9 impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das massas a partir de suas demandas concretas para que, nesse processo de mobiliza\u00e7\u00e3o, avancem em sua consci\u00eancia (v\u00e3o &#8220;cruzando a ponte&#8221;) para &#8220;<em>a conquista do poder<\/em>&#8220;. \u00c9 nesse caminho que uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria pode ser constru\u00edda e que uma organiza\u00e7\u00e3o verdadeiramente trotskista deve conquistar o direito de ser essa dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>A luta contra o fascismo<\/strong><br \/>\nDesde os anos 1920 (quando Benito Mussolini tomou o poder na It\u00e1lia) at\u00e9 os anos da funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional, o fascismo se espalhou pela Europa. Alemanha, Espanha, Portugal e outros pa\u00edses se somaram \u00e0 It\u00e1lia. Era o inimigo mais perigoso que o movimento oper\u00e1rio e de massas enfrentava, diante do qual sofria severas derrotas. Trotsky qualificou esse movimento de &#8220;<em>a \u00faltima trincheira do capitalismo antes da revolu\u00e7\u00e3o socialista&#8221;.<\/em><br \/>\nPor isso, dedicou numerosos escritos ao estudo e caracteriza\u00e7\u00e3o deste processo pol\u00edtico e, essencialmente, da pol\u00edtica e m\u00e9todos para combat\u00ea-lo. Entre eles, os materiais compilados no livro <em>A luta contra o fascismo<\/em> [4].<br \/>\nTrotsky fez uma an\u00e1lise profunda das for\u00e7as sociais por ele expressas, de sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de suas diferen\u00e7as com outras variantes do bonapartismo e de ditaduras militares. Ao longo desses escritos, ele constr\u00f3i uma defini\u00e7\u00e3o precisa:<br \/>\nEm sua ascens\u00e3o, o fascismo se apresenta como um movimento de massas \u201cantissistema\u201d e extraparlamentar. Essencialmente, das massas pequeno-burguesas desesperadas por seu decl\u00ednio na crise capitalista, e tamb\u00e9m do lumpemproletariado, que se mobiliza e se militariza em gangues armadas para atacar e destruir as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, mesmo as mais moderadas.<br \/>\nUma vez no poder, \u201c<em>o fascismo \u00e9 tudo menos um governo da pequena burguesia. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 a ditadura mais desapiedada do capital monopolista<\/em>\u201d. Agora, &#8220;sob a cobertura do Estado oficial&#8221;, continua seu trabalho contrarrevolucion\u00e1rio.<br \/>\nTrotsky tamb\u00e9m prop\u00f4s uma pol\u00edtica clara para enfrentar o fascismo, tanto em sua ascens\u00e3o quanto no poder. A primeira medida foi a forma\u00e7\u00e3o de uma frente \u00fanica entre as duas principais organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias da \u00e9poca (a socialdemocracia e os partidos comunistas) para defender suas conquistas democr\u00e1ticas (sedes, sindicatos, jornais, etc.), suas reuni\u00f5es e suas mobiliza\u00e7\u00f5es contra os ataques fascistas. Nesse contexto, era necess\u00e1rio formar organiza\u00e7\u00f5es de autodefesa: desde piquetes armados at\u00e9 mil\u00edcias oper\u00e1rias de car\u00e1cter mais permanente. A luta contra o fascismo deveria ocorrer essencialmente nas ruas [5].<br \/>\nDe forma complementar, para promover a mobiliza\u00e7\u00e3o antifascista, prop\u00f4s tamb\u00e9m a unidade de a\u00e7\u00e3o mais ampla, inclusive com setores da oposi\u00e7\u00e3o burguesa: <em>\u201cna luta contra o diabo<\/em>\u201d (fascismo) se podia e deviam fazer \u201c<em>acordos pr\u00e1ticos com a m\u00e3e do diabo<\/em>\u201d (os setores burgueses que lhe permitiram crescer, mas agora se opunham a ele) [6]. \u00c9 que o fascismo tamb\u00e9m atacava \u00e1s institui\u00e7\u00f5es do regime democr\u00e1tico burgu\u00eas (como o Parlamento) e os partidos burgueses &#8220;liberais&#8221; e &#8220;democr\u00e1ticos&#8221;.<br \/>\n<strong>As &#8220;frentes populares&#8221;<\/strong><br \/>\nAo formular essa orienta\u00e7\u00e3o, Trotsky combateu duramente duas pol\u00edticas diferentes (opostas, mas igualmente criminosas) que o stalinismo tinha e que ajudaram, de maneiras diferentes, ao triunfo do fascismo.<br \/>\nA primeira foi uma pol\u00edtica ultra esquerdista (chamada de &#8220;Terceiro Per\u00edodo&#8221;) que qualificava o fascismo e a socialdemocracia como &#8220;irm\u00e3os g\u00eameos&#8221; e igualmente inimigos. Chamava \u00e0 socialdemocracia de &#8220;social fascista&#8221; e, portanto, recusou-se a defender suas organiza\u00e7\u00f5es dos ataques que sofriam, dividindo assim as for\u00e7as oper\u00e1rias para esta luta. Na Alemanha, isso encorajou os nazistas e foi um dos fatores que contribu\u00edram para a chegada de Hitler ao poder em 1933. Trotsky considerou essa pol\u00edtica t\u00e3o grave que definiu que a Terceira Internacional [stalinizada] havia morrido como uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, rompeu com ela e come\u00e7ou o processo que levaria \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da IV Internacional.<br \/>\nA segunda pol\u00edtica surge de uma guinada profunda da Terceira a partir de 1934 e formulada pelo b\u00falgaro Georgi Dimitrov: as \u201cfrentes populares\u201d para enfrentar o fascismo. Agora, uma frente pol\u00edtica permanente foi proposta entre os partidos comunistas e a socialdemocracia, mas essas frentes tamb\u00e9m inclu\u00edam os partidos burgueses.<br \/>\nIsso significava que o programa comum da frente era o de seu componente mais de direita, ou seja, um programa burgu\u00eas, e os compromissos aceitos acabavam por travar a din\u00e2mica natural das lutas da classe trabalhadora. Nesse sentido, as frentes populares se propunham essencialmente a &#8220;combater&#8221; o fascismo com m\u00e9todos parlamentares e n\u00e3o por meio de mobiliza\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00e3o e autodefesa dos trabalhadores.<br \/>\nEssa pol\u00edtica acabaria sendo tr\u00e1gica na Espanha, onde a luta militar contra o regime de Franco acabou estrangulada por compromissos com a burguesia republicana e foi derrotada em 1939. E, anteriormente, na Fran\u00e7a, onde desviou a din\u00e2mica revolucion\u00e1ria que gerava a greve geral de 1936 e a conduziu ao beco sem sa\u00edda do parlamentarismo.<br \/>\nTrotsky tamb\u00e9m dedicou in\u00fameros escritos \u00e0 an\u00e1lise das frentes populares e as combateu arduamente, considerando-as &#8220;a pen\u00faltima trincheira do capitalismo frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o&#8221; [6]. Este combate \u00e9 parte essencial do legado de Trotsky, bem como o que deve dar-se a qualquer apoio a governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes (como os nacionalistas burgueses ou os agora chamados &#8220;progressistas&#8221;) [7].<br \/>\nAt\u00e9 o momento, tentamos fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica sobre o principal legado te\u00f3rico, program\u00e1tico e pol\u00edtico de Leon Trotsky. Outro ponto central em sua trajet\u00f3ria poderia ser acrescentado: a necessidade de construir o partido revolucion\u00e1rio de acordo com a concep\u00e7\u00e3o e o modelo que foi desenvolvido por Lenin e os bolcheviques russos. Trotsky a adotou como sua a partir de 1917 para promov\u00ea-la e defend\u00ea-la at\u00e9 sua morte.<br \/>\n<strong>A moral revolucion\u00e1ria<\/strong><br \/>\nH\u00e1 um aspecto muito presente em Trotsky que \u00e9 t\u00e3o importante quanto suas elabora\u00e7\u00f5es, e mais ainda: sua defesa incondicional da necessidade da moral revolucion\u00e1ria. Isso implica na rejei\u00e7\u00e3o das duas formas em que a moral burguesa se manifesta: primeiro, a hipocrisia de \u201cpregar\u201d certas normas aos trabalhadores enquanto para a burguesia tudo \u00e9 permitido; segundo, a premissa de que o fim justifica os meios.<br \/>\nEm seu escrito <em>Sua moral e a nossa<\/em>, Trotsky expressa que:<br \/>\n<em>\u201cA Quarta Internacional rejeita m\u00e1gicos, charlat\u00e3es e professores de moral. Em uma sociedade baseada na explora\u00e7\u00e3o, a moral suprema \u00e9 a da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Bons s\u00e3o os m\u00e9todos que elevam a consci\u00eancia de classe dos trabalhadores, a confian\u00e7a em sua for\u00e7a e seu esp\u00edrito de sacrif\u00edcio na luta. Inadmiss\u00edveis s\u00e3o os m\u00e9todos que inspiram medo e docilidade dos oprimidos contra os opressores, que sufocam o esp\u00edrito de rebeldia e protesto, ou que substituem a vontade das massas pela dos l\u00edderes, a persuas\u00e3o pela coer\u00e7\u00e3o, e an\u00e1lise da realidade por demagogia e falsifica\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><br \/>\n<em>Isso implica tamb\u00e9m a rejei\u00e7\u00e3o da metodologia de uso de ataques baseados em cal\u00fanias, mentiras e falsifica\u00e7\u00f5es em debates e disputas pol\u00edticas dentro do movimento oper\u00e1rio e de esquerda, que o stalinismo generalizou e &#8220;normalizou&#8221; desde os anos 1920 e que, infelizmente tamb\u00e9m foi adotado por algumas correntes que se dizem trotskistas. <\/em><br \/>\n<em>Por isso, em 1937 dedicou v\u00e1rios meses de sua atividade para colaborar e participar das atividades da \u201cComiss\u00e3o Dewey\u201d (composta por v\u00e1rias personalidades n\u00e3o trotskistas) que avaliou se as acusa\u00e7\u00f5es feitas contra ele \u00e0 revelia, nos Julgamentos de Moscou (sabotagem, espionagem e colabora\u00e7\u00e3o com o imperialismo contra a URSS). A Comiss\u00e3o o considerou inocente dessas acusa\u00e7\u00f5es.<\/em> [8]<br \/>\n<em>Trotsky nunca usou esse m\u00e9todo conden\u00e1vel, nem mesmo contra Stalin e o stalinismo que o perseguiam e atacavam implacavelmente. Mesmo nas pol\u00eamicas e disputas mais acirradas, seu m\u00e9todo consistia em analisar as bases te\u00f3ricas e pol\u00edticas do debate.<\/em><br \/>\n<em>Formulava sim caracteriza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e at\u00e9 psicol\u00f3gicas de seus oponentes, mas nunca apelou para mentiras e falsas acusa\u00e7\u00f5es.<\/em><br \/>\n<strong>Que \u00e9 ser trotskista?<\/strong><br \/>\nEm v\u00e1rios escritos e interven\u00e7\u00f5es, o trotskista argentino Nahuel Moreno expressou \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es por ele orientadas que se tratava de ser <em>&#8220;mais oper\u00e1rios, marxistas e internacionalistas do que nunca<\/em>&#8220;.<br \/>\nConstruir-se na classe oper\u00e1ria (embora as conjunturas de constru\u00e7\u00e3o pudessem e devessem ser aproveitadas em outros setores, mas sempre para voltar depois com essas for\u00e7as \u00e0 classe oper\u00e1ria) surgia por duas raz\u00f5es muito profundas. A primeira \u00e9 que, embora outros setores sociais pudessem ser mais din\u00e2micos e explosivos em suas lutas, a classe oper\u00e1ria era muito mais s\u00f3lida e consequente em sua luta contra o capitalismo. Por isso, o partido que criasse ra\u00edzes fortes na classe oper\u00e1ria tamb\u00e9m seria muito mais s\u00f3lido e consequente muito menos sujeito a oscila\u00e7\u00f5es conjunturais. A segunda raz\u00e3o \u00e9 profundamente estrat\u00e9gica: o modelo trotskista de revolu\u00e7\u00e3o socialista s\u00f3 pode ser levado adiante com a mobiliza\u00e7\u00e3o autodeterminada e permanente da classe oper\u00e1ria. Embora demore mais, devemos nos construir a\u00ed e impulsionar esse processo. N\u00e3o se pode enganar a hist\u00f3ria procurando atalhos e nos construindo como uma corrente camponesa ou plebeia urbana, porque isso nos levar\u00e1 inevitavelmente a desvios profundos de nossa estrat\u00e9gia.<br \/>\nSer \u201cmais marxista\u201d refere-se, por um lado, a estudar com profundidade as situa\u00e7\u00f5es do mundo e de cada pa\u00eds para, s\u00f3 a partir da\u00ed, desenvolver as pol\u00edticas e orienta\u00e7\u00f5es corretas. Moreno dizia que devemos tentar fazer uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria como age um bom m\u00e9dico, que s\u00f3 indica um tratamento depois de fazer as an\u00e1lises necess\u00e1rias e elaborar um diagn\u00f3stico cuidadoso. Caso contr\u00e1rio, seremos &#8220;curandeiros&#8221; que trabalham com base em intui\u00e7\u00f5es e golpes de vista que, inevitavelmente, est\u00e3o sujeitos a press\u00f5es e modas ou \u00e0s falsas apar\u00eancias da realidade. Em segundo lugar, significa a necessidade de estudar com profundidade, com base nas ferramentas te\u00f3ricas do marxismo, os novos fen\u00f4menos e processos que n\u00e3o se encaixavam nos antigos esquemas e, se necess\u00e1rio, corrigir essas ferramentas te\u00f3ricas para que respondam \u00e0s novas realidades.<br \/>\nIsso nos leva a uma dupla necessidade. Por um lado: \u201c<em>ser trotskista hoje n\u00e3o significa concordar com tudo o que Trotsky escreveu ou disse, mas saber critic\u00e1-lo ou super\u00e1-lo, assim como com Marx, Engels ou L\u00eanin, porque o marxismo pretende ser cient\u00edfico e a ci\u00eancia ensina que n\u00e3o existem verdades absolutas. Essa \u00e9 a primeira coisa, ser trotskista \u00e9 ser cr\u00edtico, at\u00e9 mesmo do pr\u00f3prio trotskismo<\/em> \u201d[9]. Ao contr\u00e1rio, v\u00e1rias correntes trotskistas tomam os escritos de Marx, L\u00eanin e Trotsky como um crit\u00e9rio dogm\u00e1tico, como se fosse uma B\u00edblia que n\u00e3o exige nenhuma modifica\u00e7\u00e3o ou atualiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAo mesmo tempo, essa necessidade de ser cr\u00edticos (&#8220;pensar com sua pr\u00f3pria cabe\u00e7a&#8221;, dizia Moreno) deve seguir alguns crit\u00e9rios muito n\u00edtidos. Em primeiro lugar, indicar explicitamente o que est\u00e1 sendo corrigido e por que, e n\u00e3o &#8220;passar de contrabando&#8221; essa revis\u00e3o. Em segundo lugar, reivindicar explicitamente o corpo te\u00f3rico-pol\u00edtico central que se considera atual. Ao contr\u00e1rio, v\u00e1rias correntes \u201cjogaram fora a crian\u00e7a com a \u00e1gua suja\u201d (isto \u00e9, abandonaram os principais componentes do legado de Trotsky), mas ainda se reivindicam ser \u201ctrotskistas\u201d.<br \/>\nSobre a quest\u00e3o do internacionalismo, Trotsky considerava que n\u00e3o poderia haver milit\u00e2ncia ou organiza\u00e7\u00e3o trotskista nacional que n\u00e3o se desenvolvesse como parte da constru\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o internacional. N\u00e3o se trata apenas de estudar os processos mundiais como um todo e os processos nacionais como suas refra\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Ou ser solid\u00e1rio com as lutas de outros pa\u00edses.<br \/>\nIsso \u00e9 essencial, mas n\u00e3o basta: trata-se de colocar os principais esfor\u00e7os na constru\u00e7\u00e3o dessa organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria internacional. N\u00e3o \u00e9 por acaso que ele, que foi o principal dirigente das massas de Petrogrado durante a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e comandou milh\u00f5es de combatentes no Ex\u00e9rcito Vermelho, considerasse que a funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional (reagrupando alguns milhares de militantes revolucion\u00e1rios) <em>\u201c\u00e9 o trabalho mais importante da minha vida; mais do que o de 1917, a guerra civil, ou qualquer outro<\/em>\u201d.<br \/>\n<strong>O movimento trotskista hoje<\/strong><br \/>\nDesde a divis\u00e3o em 1953, n\u00e3o existiu novamente uma organiza\u00e7\u00e3o unificada de trotskistas. Houve algumas tentativas de reagrupamento parcial, como a funda\u00e7\u00e3o do Secretariado Unificado em 1963, ou do Comit\u00ea Internacional entre o CORQI e a Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique em 1980.<br \/>\nMas a tend\u00eancia geral tem sido em um primeiro processo, a consolida\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias correntes internas: mandelismo, morenismo, lambertismo, as originadas na tend\u00eancia brit\u00e2nica The Militant, os \u201ccapitalistas de Estado\u201d, etc. Ao mesmo tempo, dentro dessas correntes novas divis\u00f5es ocorreram e continuam ocorrendo, com acalorados debates entre os setores. Seria dif\u00edcil numerar todas as organiza\u00e7\u00f5es internacionais e nacionais (de diferentes tamanhos) que se dizem &#8220;trotskistas&#8221; ou se autodenominam dessa origem.<br \/>\nEntre todas, certamente existem algumas dezenas de milhares de militantes no mundo. Por esta raz\u00e3o, muitos trabalhadores e lutadores que veem as ideias b\u00e1sicas do trotskismo com simpatia perguntam se seu reagrupamento n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio entre aqueles que reivindicam a IV e suas bases program\u00e1ticas fundamentais. Muitos acreditam, ademais, que isso n\u00e3o se produz essencialmente pelo sectarismo e pela autoproclama\u00e7\u00e3o das correntes.<br \/>\n\u00c9 verdade que existem v\u00e1rias pequenas organiza\u00e7\u00f5es ou &#8220;seitas trotskistas&#8221; maiores (nacionais ou internacionais) cuja atividade central n\u00e3o \u00e9 desenvolver sua constru\u00e7\u00e3o no movimento de massa, mas parasitar as outras correntes para conquistar alguns militantes. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que muitas organiza\u00e7\u00f5es se proclamam como &#8220;a \u00fanica IV verdadeira\u201d. Essas quest\u00f5es existem, mas, a nosso modo de ver, n\u00e3o s\u00e3o as centrais que impedem a reconstru\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional e sua exist\u00eancia como uma organiza\u00e7\u00e3o unificada.<br \/>\nO problema \u00e9 que entre as organiza\u00e7\u00f5es que reivindicam as &#8220;bases fundacionais da Quarta Internacional&#8221; existem profundas diferen\u00e7as nas elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, nas an\u00e1lises e caracteriza\u00e7\u00f5es dos processos revolucion\u00e1rios e de luta que ocorrem no mundo e, finalmente, na pol\u00edtica a ser aplicada nesses processos.<br \/>\nFora as \u201cmarcas de origem\u201d dessas organiza\u00e7\u00f5es, um dos fatores centrais que aprofundaram essas diferen\u00e7as \u00e9 o que chamamos de \u201caluvi\u00e3o oportunista\u201d que impactou a esquerda em geral (e numerosas organiza\u00e7\u00f5es trotskistas dentro dela) ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o capitalista nos ex-estados oper\u00e1rios e sua interpreta\u00e7\u00e3o do sentido desse processo. A maioria das organiza\u00e7\u00f5es direcionou seu programa e sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para a direita. Algumas o fizeram explicitamente, outras veladamente [10].<br \/>\nVamos come\u00e7ar pelo chamado SU (Secretariado Unificado), herdeiro do mandelismo. Desde os anos 1990, esta corrente abandonou explicitamente a estrat\u00e9gia da ditadura do proletariado e a luta contra a colabora\u00e7\u00e3o de classes, e as substituiu pela pol\u00edtica de &#8220;radicaliza\u00e7\u00e3o da democracia&#8221; [burguesa]. Coerente com isso, tamb\u00e9m abandonou a constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios e passou a promover a forma\u00e7\u00e3o de partidos unificados de &#8220;revolucion\u00e1rios e reformistas honestos&#8221;. Esse setor impulsiona um reagrupamento internacional, mas o faz sobre bases te\u00f3ricas, program\u00e1ticas e organizativas que nada t\u00eam a ver com o legado de Trotsky [11].<br \/>\nOutras correntes n\u00e3o deram esse passo explicitamente. Mas sua pol\u00edtica concreta tamb\u00e9m se voltou para a direita, essencialmente em dire\u00e7\u00e3o ao eleitoralismo e ao parlamentarismo como centro de sua atividade. \u00c9 o caso do FT (Fra\u00e7\u00e3o Trotskista) dirigido pelo PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas, da Argentina) que passou de um sectarismo propagand\u00edstico a um oportunismo eleitoralista cada vez mais acentuado [12].<br \/>\nPoder\u00edamos continuar com as correntes que se originaram em The Militant ou com as que chamamos de nacional-trotskistas, mas n\u00e3o queremos aborrecer os leitores; os interessados \u200b\u200bpodem ler os artigos da s\u00e9rie sobre a reconstru\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional, a que j\u00e1 nos referimos.<br \/>\nNos anos 1970, Nahuel Moreno caracterizou que existia um \u201cmovimento trotskista\u201d que, independentemente de suas diferen\u00e7as, era \u201c<em>uma corrente independente dos aparatos burocr\u00e1ticos, embora n\u00e3o tivesse uma unidade organizativa\u201d.<\/em> Como parte do aluvi\u00e3o oportunista, esse movimento n\u00e3o existe mais como tal: setores importantes \u201ccruzaram a linha\u201d e abandonaram o campo revolucion\u00e1rio, transformando-se em correias de transmiss\u00e3o (e vivendo \u00e0 custa) da democracia burguesa e parlamentar, dos fundos do Estado, ou de aparatos sindicais burocr\u00e1ticos.<br \/>\nE aqueles que n\u00e3o a atravessaram, explicitamente acompanham aos anteriores em sua pol\u00edtica. Basta assinalar, por exemplo, que a se\u00e7\u00e3o brasileira da LIT (o PSTU) foi deixada completamente sozinha na constru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio independente, enquanto quase todas as correntes que se dizem trotskistas integram um partido reformista (o PSOL). Nesse contexto, propor um poss\u00edvel reagrupamento imediato seria errado e, ao mesmo tempo, irrespons\u00e1vel.<br \/>\n<strong>Como reconstruir a IV?<\/strong><br \/>\nDesde sua pr\u00f3pria funda\u00e7\u00e3o e a vota\u00e7\u00e3o de seus estatutos em 1982, a LIT nunca se autoproclamou &#8220;a Quarta Internacional&#8221; e sempre colocou seu pr\u00f3prio desenvolvimento a servi\u00e7o da reconstru\u00e7\u00e3o da Quarta. Entre outras coisas, isso implica, \u00e9 claro, a busca permanente de reaproxima\u00e7\u00e3o e reagrupamento com outras organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, algumas das quais tiveram sucesso, mas muitas outras falharam e n\u00e3o foi por causa do sectarismo de nossa parte.<br \/>\nContinuaremos a faz\u00ea-lo com base em crit\u00e9rios expl\u00edcitos: acordos program\u00e1ticos profundos; coincid\u00eancias nas posi\u00e7\u00f5es sobre os principais fatos da luta de classes, especialmente nos processos revolucion\u00e1rios, a fim de desenvolver uma a\u00e7\u00e3o militante comum sobre eles; rela\u00e7\u00f5es leais e fraternas; e, \u00e9 l\u00f3gico, a defesa incondicional da moral revolucion\u00e1ria.<br \/>\nSem a aplica\u00e7\u00e3o destes crit\u00e9rios, qualquer tentativa de fus\u00e3o e reagrupamento revolucion\u00e1rio est\u00e1 destinada a explodir rapidamente ou a ser apenas &#8220;uma jogada para a tribuna&#8221;, como foi de fato a recente confer\u00eancia internacional aberta convocada pela FIT-U da Argentina. [13].<br \/>\nA LIT-QI tamb\u00e9m sofreu as consequ\u00eancias do \u201caluvi\u00e3o oportunista\u201d e, ap\u00f3s a morte de Nahuel Moreno, passou por uma crise profunda que quase a levou ao seu desaparecimento. Mas tentamos ser cada vez mais oper\u00e1rios, marxistas e internacionalistas; suas se\u00e7\u00f5es e militantes procuram intervir ativamente nos processos reais da luta de classes.<br \/>\nA reconstru\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional \u00e9 uma das tarefas estrat\u00e9gicas que o legado de Trotsky nos deixa. Nesse caminho, como j\u00e1 dissemos, propor um poss\u00edvel reagrupamento estrat\u00e9gico imediato com outras for\u00e7as que se dizem trotskistas seria errado e, ao mesmo tempo, irrespons\u00e1vel. Talvez no futuro a luta de classes permita essa aproxima\u00e7\u00e3o com algumas das organiza\u00e7\u00f5es que analisamos, ou com outras. Quando essa possibilidade se concretizar, vamos agir como antes: com seriedade, honestidade e lealdade, para tentar concretiz\u00e1-la. Faremos isso com os crit\u00e9rios que j\u00e1 indicamos neste mesmo artigo.<br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio superar a profunda contradi\u00e7\u00e3o que significa a constata\u00e7\u00e3o cada vez mais evidente, pelos trabalhadores e pelas massas, da degrada\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel e acelerada do capitalismo imperialista e do fato de o legado de Trotsky ter passado no teste da hist\u00f3ria, por um lado, e a profunda fraqueza de uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, por outro.<br \/>\nPor isso, a LIT-QI p\u00f5e todas as suas for\u00e7as ao servi\u00e7o desta reconstru\u00e7\u00e3o. Queremos concretizar as palavras finais de Trotsky no Programa de Transi\u00e7\u00e3o: <strong>oper\u00e1rios e oper\u00e1rias de todos os pa\u00edses, uni-vos sob a bandeira da Quarta Internacional. \u00c9 a bandeira da sua pr\u00f3xima vit\u00f3ria!<\/strong><br \/>\nNotas<br \/>\n[1]\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/?s=reconstrucci%C3%B3n+de+la+IV\">https:\/\/litci.org\/es\/?s=reconstrucci%C3%B3n+de+la+IV<\/a><br \/>\n[2]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/1985sert.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/1985sert.htm<\/a><br \/>\n[3]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1938\/prog-trans.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1938\/prog-trans.htm<\/a><br \/>\n[4] Entre outras edi\u00e7\u00f5es deste livro, ver\u00a0<a href=\"https:\/\/www.elsoca.org\/pdf\/libreria\/La%20lucha%20contra%20el%20fascismo-completo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.elsoca.org\/pdf\/libreria\/La%20lucha%20contra%20el%20fascismo-completo.pdf<\/a><br \/>\n[5] Para aprofundar sobre o tema do fascismo, recomendamos ler o artigo de Jer\u00f3nimo Castro publicado nesta p\u00e1gina:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/teoria\/o-estado-burgues-e-o-fascismo\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/teoria\/o-estado-burgues-e-o-fascismo\/<\/a><br \/>\n[6] Sobre este tema, ver os trabalhos recompilados em\u00a0\u00bfAonde vai Fran\u00e7a?\u00a0en\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1936\/1936-francia\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1936\/1936-francia\/index.htm<\/a>\u00a0y Li\u00e7\u00e3o da Espanha: \u00faltima advert\u00eancia en\u00a0<a href=\"https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/2145518\/mod_resource\/content\/1\/Lecionhes%20de%20Espa%C3%B1a.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/2145518\/mod_resource\/content\/1\/Lecionhes%20de%20Espa%C3%B1a.pdf<\/a><br \/>\n[7] Ver neste aspecto, o escrito de Nahuel Moreno\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nahuelmoreno.org\/oportunismo-y-trotskismo-ante-los-gobiernos-de-frente-popular-1982.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.nahuelmoreno.org\/oportunismo-y-trotskismo-ante-los-gobiernos-de-frente-popular-1982.html<\/a><br \/>\n[8] Sobre a Comiss\u00e3o Dewey \u00e9 interessante ver o discurso que Trotsky realizou diante dela em:\u00a0<a href=\"https:\/\/youtu.be\/DzNPXQo3_DY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/youtu.be\/DzNPXQo3_DY<\/a>\u00a0(em ingl\u00eas).<br \/>\n[9]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/1985sert.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/1985sert.htm<\/a><br \/>\n[10] Sobre o \u201cvendaval oportunista\u201d, ver os artigos de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez em:\u00a0<a href=\"https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=6771\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=6771<\/a>\u00a0y\u00a0<a href=\"https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=6797\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=6797<\/a><br \/>\n[11] Sobre o SU, ver os artigos de Jos\u00e9 Welmowicki em:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/a-luta-pela-reconstrucao-da-iv-internacional-e-o-papel-do-su-parte-i\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/a-luta-pela-reconstrucao-da-iv-internacional-e-o-papel-do-su-parte-i\/<\/a> e <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/a-luta-pela-reconstrucao-da-iv-internacional-e-o-papel-do-su-parte-ii\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/a-luta-pela-reconstrucao-da-iv-internacional-e-o-papel-do-su-parte-ii\/<\/a><br \/>\n[12] Sobre esta corrente, ver os artigos de Alejandro Iturbe em:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/fracao-trotskista-pts-do-sectarismo-propagandistico-ao-oportunismo-eleitoralista-parte-i\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/fracao-trotskista-pts-do-sectarismo-propagandistico-ao-oportunismo-eleitoralista-parte-i\/<\/a>\u00a0e <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/fracao-trotskista-pts-do-sectarismo-propagandistico-ao-oportunismo-eleitoralista-parte-ii\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/fracao-trotskista-pts-do-sectarismo-propagandistico-ao-oportunismo-eleitoralista-parte-ii\/<\/a><br \/>\n[13] Sobre o tema dos crit\u00e9rios de reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional e para aplicar nas fus\u00f5es, ver:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/el-proyecto-estrategico-de-la-lit-ci-es-reconstruir-la-iv-internacional\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/el-proyecto-estrategico-de-la-lit-ci-es-reconstruir-la-iv-internacional\/<\/a>. Sobre a recente confer\u00eancia chamada pelo FIT-U ver o artigo:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/lit-qi-e-partidos\/por-que-nao-participamos-da-conferencia-convocada-pela-fit-u\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/lit-qi-e-partidos\/por-que-nao-participamos-da-conferencia-convocada-pela-fit-u\/<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Nea Vieira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao completar 83 anos de seu assassinato, a figura do revolucion\u00e1rio russo Leon Trotsky e seu legado pol\u00edtico s\u00e3o cada vez mais valorizados, especialmente sua luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o stalinista da ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS) e contra o crescimento do fascismo na Europa.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":61512,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4200],"tags":[4677,1551,253,1104,1236,1446,5754,5755,5756,5757,4437,4087,1363,5758],"class_list":["post-61509","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-81-anos-sem-trotsky","tag-80-anos-sem-trotsky","tag-alejandro-iturbe","tag-fascismo","tag-frentes-populares","tag-internacionalismo","tag-iv-internacional","tag-legado-de-trotsky","tag-moral-revolucionaria","tag-programa-de-transicao","tag-programa-para-crise","tag-revolucao-politica","tag-stalinismo","tag-trotskismo","tag-trotskismo-hoje"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/trotsky1940.jpg","categories_names":["81 anos sem Trotsky"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61509"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61509\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77433,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61509\/revisions\/77433"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}