{"id":61499,"date":"2020-08-19T12:43:06","date_gmt":"2020-08-19T14:43:06","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61499"},"modified":"2020-08-19T12:43:06","modified_gmt":"2020-08-19T14:43:06","slug":"pandemia-e-crise-economica-para-onde-vai-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/08\/19\/pandemia-e-crise-economica-para-onde-vai-o-mundo\/","title":{"rendered":"Pandemia e crise econ\u00f4mica: Para onde vai o mundo?"},"content":{"rendered":"<p><em>De acordo com as avalia\u00e7\u00f5es dos governos e da m\u00eddia burguesa, o mundo est\u00e1 vivendo uma grave crise com a pandemia e a recess\u00e3o mundial. Mas a pandemia j\u00e1 estaria acabando e com ela terminaria tamb\u00e9m a crise econ\u00f4mica.\u00a0Isso \u00e9 verdade?<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; LIT\/QI<br \/>\nN\u00e3o. Trata-se de uma ideologia a servi\u00e7o da pol\u00edtica de fim das quarentenas e da \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d da produ\u00e7\u00e3o. Serve tamb\u00e9m para preservar os governos que tiveram desgastes e crises importantes com a pandemia e a recess\u00e3o econ\u00f4mica.<br \/>\nA pandemia segue crescendo no mundo, e ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou seu pico. Existem desigualdades de pa\u00eds a pa\u00eds, mas essa \u00e9 a tend\u00eancia mundial. E a recess\u00e3o mundial est\u00e1 apenas come\u00e7ando. Como produto dessa combina\u00e7\u00e3o brutal de crises, existe uma devasta\u00e7\u00e3o no mundo que se assemelha as consequ\u00eancias de uma guerra mundial.<br \/>\nE \u00e9 poss\u00edvel que essa situa\u00e7\u00e3o objetiva leve a novos processos de ascenso e crises no mundo, como come\u00e7ou a se dar nos EUA, e j\u00e1 se reflete no L\u00edbano e Bielorussia.<br \/>\n<strong>A pandemia segue crescendo&#8230;<\/strong><br \/>\nEm termos globais a pandemia segue crescendo, batendo recordes dia ap\u00f3s dia de n\u00famero de infectados assim como de mortes.\u00a0 No momento em que escrevemos essa mat\u00e9ria, o n\u00famero oficial de infectados no mundo era de vinte milh\u00f5es com cerca de 750 mil mortos. Como todos os cientistas comprovam a subnotifica\u00e7\u00e3o dos governos, devemos estar pr\u00f3ximos de 200 milh\u00f5es de infectados e quatro milh\u00f5es de mortos. E nem sequer estamos pr\u00f3ximos do pico da pandemia no mundo.<br \/>\nA ideologia de que a pandemia j\u00e1 est\u00e1 sob controle \u00e9 uma narrativa a servi\u00e7o do fim das quarentenas, sem apoio em qualquer base cient\u00edfica ou avalia\u00e7\u00e3o num\u00e9rica.<br \/>\nA retomada do crescimento da pandemia nos EUA, com a reabertura da economia em pleno pico do coronavirus, mant\u00e9m esse pa\u00eds no epicentro da pandemia a n\u00edvel mundial h\u00e1 mais de dois meses. O pa\u00eds mais poderoso do mundo mostra a incapacidade do capitalismo em preservar a vida. A vitrine do \u201camerican way of life\u201d est\u00e1 se derretendo.<br \/>\nO Brasil vem logo em segundo em termos de infectados e mortes. Bolsonaro fez exatamente o mesmo que Trump, acabando com as quarentenas no pico da pandemia,. Em n\u00fameros oficiais, j\u00e1 se passou dos cem mil mortos, que devem ser na verdade quinhentos mil. Os governadores \u201cde oposi\u00e7\u00e3o\u201d, que no in\u00edcio se opuseram a Bolsonaro, agora o seguem com o fim das quarentenas.<br \/>\nLogo ap\u00f3s EUA e Brasil vem a \u00cdndia, que em poucas semanas pode ser o novo epicentro mundial da pandemia, pela dimens\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e explosividade da expans\u00e3o da doen\u00e7a. Recentemente foi feita uma pesquisa que indicava 25% da popula\u00e7\u00e3o de Nova Delhi infectada. Basta fazer os c\u00e1lculos: se 10% da popula\u00e7\u00e3o de 1,3 bilh\u00f5es de habitantes pegar a doen\u00e7a, os n\u00fameros mundiais dar\u00e3o um salto.<br \/>\nA R\u00fassia vem logo depois, apesar de todas as manobras descaradas de subnotifica\u00e7\u00e3o feitas por Putin. A \u00c1frica do Sul j\u00e1 \u00e9 o quinto pa\u00eds com mais infectados do mundo, sinalizando o agravamento da pandemia no continente africano.<br \/>\nEm seguida v\u00eam os demais pa\u00edses semicoloniais da Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica para onde se desloca o centro da pandemia. Provavelmente esses pa\u00edses dar\u00e3o os n\u00fameros finais dessa primeira onda da pandemia.<br \/>\nExistem desigualdades, como a queda do n\u00famero de infectados e mortos na Europa e China.\u00a0 \u00c9 preciso avaliar essas desigualdades, como parte da globalidade do crescimento mundial da pandemia. Como j\u00e1 foi comprovado que n\u00e3o existe imunidade de rebanho para o Covid em nenhum lugar, mesmo nesses pa\u00edses, existe a possibilidade de retomada da pandemia nos n\u00edveis anteriores.\u00a0 Na Europa, existe um crescimento novamente do n\u00famero de infectados e mortes.<br \/>\n<strong>A naturaliza\u00e7\u00e3o do genoc\u00eddio <\/strong><br \/>\nEm todo o mundo, a pol\u00edtica dos governos \u00e9 essencialmente a mesma com a reabertura da economia para assegurar os lucros das grandes empresas. Antes existia uma diferen\u00e7a na pol\u00edtica dos governos, com Trump e Bolsonaro, por exemplo, defendendo a reabertura e outro setor majorit\u00e1rio mantendo quarentenas limitadas.<br \/>\nAgora o recuo nas quarentenas se imp\u00f4s em todo o mundo, esteja o pa\u00eds ou n\u00e3o no pico da pandemia. Um exemplo emblem\u00e1tico \u00e9 o governo Fernandez, da Argentina. No in\u00edcio era apresentado com um exemplo pelos reformistas de todo o mundo pela quarentena aplicada. Agora, \u00e9 parte do conjunto dos governos no encerramento das quarentenas. O resultado \u00e9 o \u00a0crescimento da pandemia no pa\u00eds.<br \/>\nAs vacinas est\u00e3o sendo desenvolvidas em ritmo acelerad\u00edssimo, porque agora a pandemia afeta os lucros da burguesia. Al\u00e9m disso, o laborat\u00f3rio que conseguir produzir primeiro a vacina ter\u00e1 assegurado milh\u00f5es de d\u00f3lares de lucros. As vacinas mais avan\u00e7adas come\u00e7aram agora a chamada terceira fase, que inclui testes com seres humanos, e est\u00e3o sendo programadas at\u00e9 meados de 2021.\u00a0 Ainda assim teria uma rapidez recorde.<br \/>\nA vacina para o sarampo durou 10 anos para ser produzida, e foi uma das mais r\u00e1pidas. A vacina para hepatite levou 16 anos. Est\u00e1 comprovado o que diz\u00edamos de que seria poss\u00edvel ter uma vacina antes da pandemia, pelos surtos do Sars (h\u00e1 18 anos) e Mers (8 anos atr\u00e1s).<br \/>\nNo entanto, alguns governos est\u00e3o anunciando a possibilidade de aplicar a vacina antes de terminarem os testes e, portanto, sem seguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a seus resultados. A R\u00fassia proclamou o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o em massa em outubro. Aparentemente suprimiram a \u00faltima fase dos testes para assumir a dianteira de maneira aventureira e desastrosa, o que \u00e9 um risco gigantesco para a sa\u00fade p\u00fablica.<br \/>\nO covid ainda \u00e9 muito desconhecido. As pesquisas s\u00e3o contradit\u00f3rias. Uma delas conclui que a imunidade com anticorpos para o Covid duraria dois a tr\u00eas meses. Outra pesquisa aponta no sentido contr\u00e1rio, dizendo que a imunidade a partir das c\u00e9lulas T (n\u00e3o pelos anticorpos) poderia ter uma mem\u00f3ria que incluiria as antigas infec\u00e7\u00f5es por coronav\u00edrus (desde o SARS e Mers), de 17 anos atr\u00e1s, e abarcaria tamb\u00e9m o Covid 19. Isso teria consequ\u00eancias na possibilidade de maior imunidade nos dias atuais.<br \/>\nAs perspectivas, portanto, ainda est\u00e3o em aberto. N\u00e3o se pode prever com certeza quando e como terminar\u00e1 a pandemia, mesmo depois de seis meses de seu in\u00edcio. Mas tudo indica que o processo se arrastar\u00e1 ao menos at\u00e9 2021. E j\u00e1 se configura como a pior pandemia da hist\u00f3ria desde a gripe espanhola.<br \/>\nO que se sabe \u00e9 que a burguesia est\u00e1 se movendo para garantir seus lucros e reabrindo a economia, aplicando um genoc\u00eddio consciente.<br \/>\nExiste um grave reflexo da propaganda burguesa na consci\u00eancia das massas: a naturaliza\u00e7\u00e3o da pandemia. Pode-se notar o avan\u00e7o dessa ideologia entre as massas, com a aceita\u00e7\u00e3o do fim das quarentenas.\u00a0 Pressionados a ter de voltar ao trabalho, para poder se manter, as pessoas v\u00e3o se acostumando a conviver com a pandemia. A doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 mais uma novidade, e as pessoas se adaptam a tudo. As m\u00e1scaras n\u00e3o s\u00e3o mais apenas equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, s\u00e3o tamb\u00e9m uma legitima\u00e7\u00e3o do fim das quarentenas, como se pudessem evitar por si s\u00f3 o contagio. A pandemia vai se naturalizando pela press\u00e3o da burguesia e dos governos.<br \/>\nNo entanto, a pandemia n\u00e3o est\u00e1 terminando, como dizem os governos. Mesmo nos pa\u00edses em que existe uma queda no n\u00edvel dos cont\u00e1gios, \u00e9 poss\u00edvel uma segunda onda da doen\u00e7a, pela aus\u00eancia da imunidade de rebanho. \u00c9 poss\u00edvel que essa pandemia se aproxime dos milh\u00f5es de mortos na gripe espanhola do s\u00e9culo passado. \u00c9 a naturaliza\u00e7\u00e3o do genoc\u00eddio.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><strong>A recess\u00e3o mundial rec\u00e9m se inicia<\/strong><br \/>\nE a crise econ\u00f4mica? Os governos e a burguesia seguem anunciando uma evolu\u00e7\u00e3o em V, com um r\u00e1pido fim da pandemia e logo a seguir da crise econ\u00f4mica. A nossos ver, isso \u00e9 outra ideologia. Os n\u00fameros divulgados indicam o oposto.<br \/>\nUma recess\u00e3o mundial j\u00e1 estava se iniciando antes da pandemia e foi fortemente agravada por ela. Esta recess\u00e3o pode ser mais grave que a de 2008-09, e mesmo evoluir para uma depress\u00e3o como a de 1929.<br \/>\nOs n\u00fameros rec\u00e9m-divulgados sobre o segundo trimestre do PIB desse ano nos pa\u00edses imperialistas confirmam essa avalia\u00e7\u00e3o e desmentem a ideologia dos governos.<br \/>\nA queda do PIB dos EUA foi de 9,5% (32,9% em termos anualizados), a pior desde a depress\u00e3o de 29. Nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia caiu 11,9% (14,4% em termos anualizados), com a Alemanha caindo 10,1%, a Fran\u00e7a 13,8%, It\u00e1lia 12,4%, Portugal 14,1% e Espanha 18,5% (a maior queda desde a guerra civil).<br \/>\nEssas quedas expressam a recess\u00e3o mundial j\u00e1 iniciada e a paralisia determinada por um fator extra econ\u00f4mico, as quarentenas. As perspectivas s\u00f3 estar\u00e3o realmente definidas com a evolu\u00e7\u00e3o da economia mundial no segundo semestre.<br \/>\nA Cepal acaba de revisar suas previs\u00f5es para 2020 em toda a Am\u00e9rica Latina, na qual aponta uma queda maior que a previs\u00e3o anterior. Prev\u00ea queda de 9,1% no conjunto da Am\u00e9rica Latina, com quedas de 10,5% na Argentina, 9,2% no Brasil, 9% no M\u00e9xico, 8% em Cuba, 7,9% no Chile, 5,9% na Col\u00f4mbia, 5,5% na Costa Rica. Estes n\u00fameros s\u00e3o mais pr\u00f3ximos de uma depress\u00e3o que de uma recess\u00e3o.<br \/>\nA China apresentou um crescimento 3,2% no segundo trimestre, depois da queda de 6,8% no primeiro trimestre (a primeira desde a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo). Houve uma queda de 1,6% no conjunto do primeiro semestre.<br \/>\nIsso foi alardeado como express\u00e3o j\u00e1 de uma supera\u00e7\u00e3o da crise, mas \u00e9 cedo para definir isso. A taxa de acumula\u00e7\u00e3o na China em 2008 chegou a 50% do PIB, mais que o dobro do resto do capitalismo, pela caracter\u00edstica especial do estado burgu\u00eas chin\u00eas. Agora, o peso do investimento do estado \u00e9 semelhante. No entanto, o investimento das empresas privadas caiu 7% no primeiro semestre, enquanto das p\u00fablicas aumentou 2%. O consumo interno seguiu caindo no segundo trimestre (3,9%), assim como o desemprego aumentando. A situa\u00e7\u00e3o da economia mundial \u00e9 pior que 2008, o que deve afetar fortemente as exporta\u00e7\u00f5es chinesas.<br \/>\nPortanto, ainda seguem colocadas todas as possibilidades de evolu\u00e7\u00e3o na China, incluindo uma poss\u00edvel recess\u00e3o. Da mesma forma, existe a possibilidade de um ascenso oper\u00e1rio no pa\u00eds.<br \/>\nA evolu\u00e7\u00e3o da economia capitalista depende essencialmente do aumento ou diminui\u00e7\u00e3o da taxa de lucros das grandes empresas. Quando os lucros aumentam, essas empresas investem e existe crescimento. Quando os lucros caem, elas param de investir e v\u00eam as crises. As taxas de lucros medias das grandes empresas vem caindo em 2020, e com a instabilidade pol\u00edtica podem cair ainda mais. Essa recess\u00e3o mundial vai se estender.<br \/>\n<strong>Os de cima sobem, os de baixo descem&#8230;<\/strong><br \/>\nOutra das ideologias disseminadas pelos governos e as burguesias \u00e9 de que \u201ca crise atinge todo mundo\u201d e \u201ctodos t\u00eam de fazer sacrif\u00edcios\u201d. No entanto, no capitalismo \u00e9 a grande burguesia que manda, e esse discurso esconde a verdade de que os governos buscam preservar os lucros das grandes empresas atrav\u00e9s dos \u201cplanos de salvamento\u201d das economias.<br \/>\nOs planos dos governos imperialistas s\u00e3o in\u00e9ditos em termos hist\u00f3ricos por sua dimens\u00e3o. A Uni\u00e3o Europeia anunciou um plano de 750 bilh\u00f5es de euros, com apoio n\u00e3o s\u00f3 da grande burguesia, como tamb\u00e9m dos partidos reformistas. Os EUA lan\u00e7aram um plano de dois trilh\u00f5es de d\u00f3lares em mar\u00e7o e agora Trump anunciou outro de dimens\u00e3o semelhante. S\u00e3o os chamados planos keynesianos \u2013 distintos dos neoliberais- com inje\u00e7\u00e3o direta de dinheiro p\u00fablico nas grandes empresas. Em geral, os pa\u00edses imperialistas est\u00e3o gastando mais que o dobro aplicado na recess\u00e3o mundial de 2008, que j\u00e1 tinha sido um recorde na \u00e9poca.<br \/>\nN\u00e3o s\u00f3 a socialdemocracia, como o partido Podemos na Espanha, aplaudiram o plano da Uni\u00e3o Europeia. \u00c9 o que est\u00e1 acontecendo em todo o mundo, com a ades\u00e3o dos partidos reformistas aos planos keynesianos de resgate. Como j\u00e1 discutimos, o Bloco de Esquerda em Portugal n\u00e3o se op\u00f4s ao or\u00e7amento e planos de resgate do governo do PS, com um discurso semelhante. O PT e o PSOL no Brasil tamb\u00e9m defendem um programa keynesiano, essencialmente com medidas de est\u00edmulos a economia, sem romper com o grande capital.<br \/>\nN\u00e3o existe, ao contr\u00e1rio do que falam a burguesia e os reformistas, nada de \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o social\u201d nesses planos. O objetivo central \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o das grandes empresas. Para os trabalhadores, s\u00f3 pequenas e tempor\u00e1rias concess\u00f5es, que n\u00e3o revertem as perdas de empregos e sal\u00e1rios. Em alguns pa\u00edses, como no Brasil e talvez em outros pa\u00edses, essas pequenas concess\u00f5es ajudam a conter temporariamente os processos de luta.<br \/>\nE, no caso da Uni\u00e3o Europeia, esse \u00faltimo plano expressa a preocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 com a crise do conjunto da Uni\u00e3o, para preservar sua domina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEssas pol\u00edticas j\u00e1 est\u00e3o levando a d\u00e9ficits p\u00fablicos maiores que 10% do PIB (nos EUA, de 15,4%), tr\u00eas vezes maior que os do ano passado. Segundo Michael Roberts: \u201cos n\u00edveis de d\u00edvida do setor p\u00fablico devem exceder qualquer coisa alcan\u00e7ada nos \u00faltimos 150 anos &#8211; inclusive ap\u00f3s a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.\u201d<br \/>\nInevitavelmente, depois da pandemia, esses d\u00e9ficits e essas d\u00edvidas p\u00fablicas ser\u00e3o cobradas dos trabalhadores, com ataques ainda mais brutais ao ensino e sa\u00fade p\u00fablica, \u00e0s aposentadorias, etc. Ou seja, se salvam as grandes empresas agora, e quem pagar\u00e1 a conta ser\u00e3o os trabalhadores.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 verdade que a crise atinge todos de forma igual.\u00a0 Em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores o efeito \u00e9 brutal, com o aumento de centenas de milh\u00f5es de novos desempregados no mundo. Nos bairros pobres dos pa\u00edses semicoloniais, a combina\u00e7\u00e3o das mortes pela pandemia, desemprego e fome vai levar a elementos crescentes de barb\u00e1rie. \u00a0Isso afeta os trabalhadores dos pa\u00edses imperialistas tamb\u00e9m. Trinta milh\u00f5es de pessoas nos EUA n\u00e3o tem o que comer.<br \/>\nMas os planos bilion\u00e1rios dos governos t\u00eam bloqueado a fal\u00eancia das grandes empresas. Mais do que isso, mesmo com a queda em geral nos lucros das empresas, alguns setores est\u00e3o crescendo na crise.<br \/>\nOs grandes bancos dos EUA est\u00e3o batendo recordes em seus lucros, al\u00e9m de uma gigantesca capitaliza\u00e7\u00e3o para enfrentar as perdas que vir\u00e3o. Segundo o Economist, no segundo trimestre de 2020 \u201cas receitas do Citibank, Goldman Sachs e JPMorgan foram maiores do que em qualquer outro momento desde a crise financeira global, quase dobrando no mesmo per\u00edodo de 2019. O Goldman Sachs, um dos dois grandes bancos de investimento independentes restantes, viu as receitas aumentam 41%.\u201d<br \/>\nAl\u00e9m disso, alguns outros setores da burguesia t\u00eam crescido na crise, em particular no e-comercio e tecnologia. Jeff Bezos- dono da Amazon- aumentou sua fortuna em um \u00fanico dia desse m\u00eas de julho em mais de 12 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Houve grande aumento nos lucros da Apple e Facebook.<br \/>\nJ\u00e1 est\u00e1 se apontando uma fort\u00edssima amplia\u00e7\u00e3o da desigualdade no mundo. A polariza\u00e7\u00e3o social que j\u00e1 existia, est\u00e1 aumentando brutalmente. De um lado a monopoliza\u00e7\u00e3o das grandes empresas e aumento nos lucros dos grandes bancos e algumas empresas. De outro, a fal\u00eancia em grande escala das pequenas empresas e da mis\u00e9ria dos trabalhadores.<br \/>\n<strong>Aumentam os fatores de crise nas burguesias<\/strong><br \/>\nExiste um aumento do desequil\u00edbrio no sistema mundial de estados pela crise, em particular do conflito entre EUA- China. Isso \u00e9 muito mais profundo que apenas uma \u201cloucura de Trump\u201d. Reflete por um lado a decad\u00eancia dos EUA que, no entanto, ainda mant\u00e9m sua hegemonia mundial, as custas de um parasitismo financeira cada vez maior.<br \/>\nPor outro lado, a China tinha um papel na divis\u00e3o mundial de trabalho no in\u00edcio da globaliza\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 90 do s\u00e9culo passado, como uma \u201cfabrica do mundo\u201d. De l\u00e1 para c\u00e1, cresceu no mercado mundial, passou a investir em grande escala nos pa\u00edses semicoloniais e j\u00e1 n\u00e3o cabe mais no papel de antes. Al\u00e9m da disputa ao redor da tecnologia 5G, os atritos se ampliam nos terrenos diplom\u00e1tico, pol\u00edtico, econ\u00f4mico e at\u00e9 militar.<br \/>\nAs diferen\u00e7as interburguesas aumentam em fun\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica e tamb\u00e9m das crises pol\u00edticas. Isso se expressa a n\u00edvel internacional em atritos interimperialistas (EUA x Alemanha, etc), assim como internamente nos pa\u00edses.<br \/>\n<strong>Est\u00e3o se preparando novos processos revolucion\u00e1rios<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 existiam processos revolucion\u00e1rios em curso no mundo antes da chegada da pandemia e da recess\u00e3o mundial. Existiam ascensos no Chile, Col\u00f4mbia, Iraque, L\u00edbano e v\u00e1rios outros menores. J\u00e1 estava ocorrendo no mundo uma polariza\u00e7\u00e3o crescente entre revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA combina\u00e7\u00e3o da pandemia e crise econ\u00f4mica trouxe um agravamento brutal da situa\u00e7\u00e3o objetiva dos trabalhadores, que sofreram as mortes pela pandemia, o desemprego e a fome pela crise econ\u00f4mica.<br \/>\nJunto com isso, ocorreu uma certa paralisia dos movimentos de massas, pelo medo do contagio e pelas perdas havidas. At\u00e9 agora, o n\u00edvel dos ataques superou em muito a rea\u00e7\u00e3o do movimento de massas.<br \/>\nNo entanto, aparentemente, est\u00e1 se preparando uma nova s\u00e9rie de ascensos, com os EUA anunciando esse novo momento. Tr\u00eas semanas de um gigantesco ascenso no pa\u00eds mais poderoso do mundo inclu\u00edram os EUA na cadeia de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias de todo o mundo.<br \/>\nDepois de tr\u00eas semanas, o movimento de massas refluiu. N\u00e3o por uma derrota, mas pelo cansa\u00e7o e falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Houve uma mudan\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o da luta de classes, na rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em geral, mesmo com o refluxo conjuntural das lutas.<br \/>\nExiste uma crise no governo Trump, que perdeu apoio pol\u00edtico na popula\u00e7\u00e3o, assim como na burguesia. A crise se ampliou no regime tamb\u00e9m com descr\u00e9dito nas institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNo entanto, mesmo em crise a democracia burguesa opera. A possibilidade de derrota de Trump nas elei\u00e7\u00f5es de novembro, com Biden tomando a frente nas pesquisas ajuda a frear o movimento. No mesmo sentido aponta o encaminhamento parlamentar de reformas na pol\u00edcia pelos democratas no congresso e nos munic\u00edpios, com o apoio do movimento Black Lives Matter (BLV).<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o segue explosiva, podendo retomar o ascenso a qualquer momento. Em Austin e no Oregon, surgiram novos conflitos de import\u00e2ncia sem, no entanto, retomar o mesmo n\u00edvel do ocorrido com a morte de George Floyd.<br \/>\nAs lutas contra as opress\u00f5es comprovam mais uma vez sua centralidade, com todo o ascenso antirracista pela morte de George Floyd e as lutas das mulheres contra o machismo. Da mesma forma isso se expressa nas mobiliza\u00e7\u00f5es contra LGBTfobia e em defesa dos imigrantes. Todos esses setores s\u00e3o ainda mais afetados que os outros trabalhadores na crise econ\u00f4mica e na pandemia e s\u00e3o muitas vezes vanguarda do conjunto do movimento de massas.<br \/>\nExistem novos processos de lutas localizados na Bol\u00edvia, Ir\u00e3, Bielorussia, Arg\u00e9lia, Sud\u00e3o, Iraque, S\u00e9rvia, Venezuela, Chile, assim como em outros pa\u00edses. At\u00e9 em Israel existe um ascenso nas lutas contra o governo Netanyahu. No momento em que escrevemos esse texto, os processos mais avan\u00e7ados se expressam na Bielorussia e no L\u00edbano, depois da explos\u00e3o na zona portu\u00e1ria, que agravou a situa\u00e7\u00e3o dur\u00edssima produzida pela crise econ\u00f4mica e a pandemia.\u00a0 \u00c9 prov\u00e1vel que estejam se acumulando a bronca nas massas de outros pa\u00edses para futuras explos\u00f5es.<br \/>\nA polariza\u00e7\u00e3o crescente da luta de classes no mundo est\u00e1 dando um salto com a pandemia e a crise econ\u00f4mica. Isso se expressa no conflito crescente entre revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o, assim como no surgimento e mesmo fortalecimento de setores da ultra direita perante a crise e pobreza crescente frente \u00e0s medidas dos governos. A utiliza\u00e7\u00e3o do racismo, do machismo, da xenofobia e da LGBTfobia como forma de culpar um setor da classe pelas dificuldades de todos os trabalhadores, \u00e9 um servi\u00e7o que a extrema-direita faz aos banqueiros e grandes patr\u00f5es, enquanto procura intimidar a classe trabalhadora e derrot\u00e1-la.<br \/>\nFazemos um chamado aos trabalhadores (as) de todo o mundo a lutarem por suas vidas, por seus empregos e sal\u00e1rios. \u00c9 necess\u00e1ria a mais ampla unidade para lutar, estimular todas as formas de auto-organiza\u00e7\u00e3o pela base para superar as dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas. \u00c9 preciso lutar contra a pandemia e a crise econ\u00f4mica, enfrentando os governos e seus planos de salvar as grandes empresas. Queremos avan\u00e7ar na solidariedade internacional entre os processos de luta dos trabalhadores (as) de todo o mundo.<br \/>\nNesse processo, queremos fazer um chamado particular aos ativistas que estejam de acordo com um programa revolucion\u00e1rio a se unirem a n\u00f3s na constru\u00e7\u00e3o de partidos e de uma internacional revolucion\u00e1ria, ferramentas indispens\u00e1veis nessa situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com as avalia\u00e7\u00f5es dos governos e da m\u00eddia burguesa, o mundo est\u00e1 vivendo uma grave crise com a pandemia e a recess\u00e3o mundial. Mas a pandemia j\u00e1 estaria acabando e com ela terminaria tamb\u00e9m a crise econ\u00f4mica.\u00a0Isso \u00e9 verdade?<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":70648,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3610,32,3588,30],"tags":[3609,515,3611],"class_list":["post-61499","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-declaracao-lit-qi","category-economia","category-lit-qi-e-partidos","category-coronavirus","tag-declaracao-lit-qi","tag-especial-coronavirus","tag-lit-qi"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/1_5Suo22qkBQcYUTPIUcvUAA-1.jpeg","categories_names":["Declara\u00e7\u00f5es","Economia","Lit-QI e Partidos","Pandemia"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61499\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}