{"id":61381,"date":"2020-08-12T18:59:01","date_gmt":"2020-08-12T20:59:01","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61381"},"modified":"2020-08-12T18:59:01","modified_gmt":"2020-08-12T20:59:01","slug":"o-que-esta-acontecendo-no-libano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/08\/12\/o-que-esta-acontecendo-no-libano\/","title":{"rendered":"O que est\u00e1 acontecendo no L\u00edbano?"},"content":{"rendered":"<p><em>A megaexplos\u00e3o no porto de Beirute, no dia 4 de agosto, colocou a revolu\u00e7\u00e3o libanesa de novo nas ruas. Metade da cidade foi destru\u00edda. H\u00e1 176 mortos, al\u00e9m de desaparecidos, e 300 mil pessoas ficaram desabrigadas. Os hospitais est\u00e3o lotados.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: F\u00e1bio Bosco<br \/>\nA investiga\u00e7\u00e3o sobre os respons\u00e1veis n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00edda. Por\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o entende que o armazenamento de 2.750 toneladas de nitrato de am\u00f4nio no porto h\u00e1 sete anos \u00e9 de responsabilidade do regime pol\u00edtico sect\u00e1rio e de seus partidos pol\u00edticos burgueses.<br \/>\nNo s\u00e1bado, dia 8, milhares tomaram a Pra\u00e7a dos M\u00e1rtires, no centro de Beirute, para exigir a queda do regime. A pol\u00edcia e o ex\u00e9rcito impediram a tomada do parlamento a bala. Tr\u00eas minist\u00e9rios e a sede da associa\u00e7\u00e3o dos bancos foram tomadas e depois esvaziados a for\u00e7a.<br \/>\nNa segunda-feira, dia 10, o primeiro ministro Hasan Diab renunciou. Isso \u00e9 uma vit\u00f3ria, mas n\u00e3o \u00e9 a queda do regime. \u00c9 apenas uma manobra para ganhar tempo e garantir a sua manuten\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o grande objetivo da burguesia libanesa e de seus partidos pol\u00edticos sect\u00e1rios.<br \/>\nNa ter\u00e7a-feira, dia 11, as manifesta\u00e7\u00f5es continuaram e uma das palavras de ordem era \u201co povo quer a queda de Michel Aoun\u201d, o presidente do pa\u00eds, que afirmou que n\u00e3o renunciar\u00e1.<br \/>\n<strong>A pol\u00edtica do imperialismo<\/strong><br \/>\nNa quinta-feira, 6 de agosto, o presidente franc\u00eas Emmanuel Macron visitou Beirute. Ele prometeu ajuda humanit\u00e1ria e financeira, mas exigiu reformas. O imperialismo exige a redu\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos, o aumento dos pre\u00e7os da energia el\u00e9trica, a privatiza\u00e7\u00e3o de toda a economia e a normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es com o Estado de Israel. Al\u00e9m disso, quer reformas pol\u00edticas que mantenham o regime sect\u00e1rio com nova fachada, ou seja, tudo o que a classe trabalhadora e o povo liban\u00eas n\u00e3o quer.<br \/>\nFrente ao fracasso da pol\u00edtica estadunidense de \u201cpress\u00e3o m\u00e1xima\u201d para afastar o Hezbollah do poder e reatar as rela\u00e7\u00f5es com Israel, agora \u00e9 a Fran\u00e7a que cumpre o papel de ponta de lan\u00e7a dos interesses imperialistas.<br \/>\n<strong>A revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular<\/strong><br \/>\nDesde 17 de outubro, a classe trabalhadora e o povo liban\u00eas tomaram as ruas para exigir o fim do regime sect\u00e1rio. A taxa\u00e7\u00e3o sobre o envio de mensagens de WhatsApp foi a gota d\u2019\u00e1gua diante de um regime capitalista falido incapaz de fornecer \u00e1gua e energia el\u00e9trica vinte e quatro horas por dia ou at\u00e9 mesmo de organizar a coleta de lixo.<br \/>\nA juventude \u00e9 obrigada a emigrar para conseguir emprego. As fam\u00edlias burguesas remeteram US$ 21 bilh\u00f5es para fora do pa\u00eds. A moeda desvalorizou 80%. Os bancos limitam os saques. Hoje, metade da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo da linha da pobreza.<br \/>\nEssa revolu\u00e7\u00e3o apresentou uma novidade. Al\u00e9m da presen\u00e7a extraordin\u00e1ria (calcula-se dois milh\u00f5es de manifestantes num pa\u00eds de seis milh\u00f5es de habitantes, dos quais dois milh\u00f5es s\u00e3o refugiados s\u00edrios e palestinos), a popula\u00e7\u00e3o participou sem distin\u00e7\u00e3o religiosa. A pandemia do novo coronav\u00edrus levara \u00e0 suspens\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es que agora retornam.<br \/>\n<strong>Poder dual e partido revolucion\u00e1rio<\/strong><br \/>\nEntre as principais debilidades da revolu\u00e7\u00e3o libanesa est\u00e1 a falta de organismos de poder oper\u00e1rio e popular que centralizem as for\u00e7as da revolu\u00e7\u00e3o e representem um poder alternativo ao regime sect\u00e1rio burgu\u00eas.<br \/>\nA falta de um poder alternativo, como foram os sovietes (conselhos) na Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917, abre o espa\u00e7o para alternativas burguesas e pequeno-burguesas que se limitam a propor reformas de fachada como \u201cgoverno tecnocr\u00e1tico sem partidos pol\u00edticos\u201d, um juiz honesto como presidente ou novas elei\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNo entanto, para reconstruir o L\u00edbano, s\u00e3o necess\u00e1rias medidas radicais, como a expropria\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias milion\u00e1rias que remeteram US$ 21 bilh\u00f5es para fora do pa\u00eds e a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos. A classe trabalhadora \u00e9 a \u00fanica interessada em levar adiante essas medidas contra a classe capitalista.<br \/>\nOutra debilidade da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de um partido revolucion\u00e1rio. O L\u00edbano tem uma grande tradi\u00e7\u00e3o marxista representada por diversos partidos socialistas e comunistas, que ganharam for\u00e7a nos anos 1970, pela esquerda palestina e tamb\u00e9m por intelectuais como Mahdi Amel. No entanto, o principal partido de esquerda, o Partido Comunista Liban\u00eas, transformou-se em ap\u00eandice do partido burgu\u00eas Hezbollah desde o fim da guerra civil, em 1990, principalmente ap\u00f3s 2005, com a expuls\u00e3o das tropas s\u00edrias do pa\u00eds.<br \/>\nNo calor da revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio construir um novo partido revolucion\u00e1rio totalmente independente do regime sect\u00e1rio e de seus partidos burgueses, para lutar por um poder oper\u00e1rio e popular no L\u00edbano, solid\u00e1rio \u00e0 resist\u00eancia palestina e \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es no mundo \u00e1rabe.<br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>SAIBA MAIS<\/strong><\/span><br \/>\n<strong>O que \u00e9 regime sect\u00e1rio<\/strong><br \/>\nImposto pelo colonialismo franc\u00eas em 1926, o regime pol\u00edtico sect\u00e1rio \u00e9 baseado na representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a partir das 18 religi\u00f5es reconhecidas pelo Estado. O parlamento e o governo s\u00e3o formados por representantes de cada seita religiosa, da\u00ed o nome sect\u00e1rio. As principais fam\u00edlias burguesas do pa\u00eds dirigem os grandes partidos pol\u00edticos sect\u00e1rios e dividem o aparelho do Estado e as concess\u00f5es p\u00fablicas entre si.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A megaexplos\u00e3o no porto de Beirute, no dia 4 de agosto, colocou a revolu\u00e7\u00e3o libanesa de novo nas ruas. Metade da cidade foi destru\u00edda. H\u00e1 176 mortos, al\u00e9m de desaparecidos, e 300 mil pessoas ficaram desabrigadas. 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