{"id":61312,"date":"2020-08-07T13:10:30","date_gmt":"2020-08-07T15:10:30","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61312"},"modified":"2020-08-07T13:10:30","modified_gmt":"2020-08-07T15:10:30","slug":"sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/08\/07\/sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia\/","title":{"rendered":"Sobre o debate em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria da pornografia"},"content":{"rendered":"<p><em>Nos \u00faltimos dias, um dos assuntos mais discutidos nas redes sociais, especialmente no Twitter, est\u00e1 sendo o tema da ind\u00fastria da pornografia. O tema ganhou repercuss\u00e3o devido \u00e0 pol\u00eamica em torno da hist\u00f3ria de Mia Khalifa, ex-atriz porn\u00f4, conhecida especialmente pelo filme em que aparece fazendo sexo usando hijab (v\u00e9u usado pelas mulheres isl\u00e2micas para cobrir a cabe\u00e7a) \u2013 o que a levou a receber amea\u00e7as de morte pelo Estado Isl\u00e2mico \u2013 e hoje luta para ter o dom\u00ednio de seu nome na Internet, para evitar, por exemplo, que a empresa volte a usar seus v\u00eddeos. Mia declarou nas suas redes sociais\u00a0que \u201cest\u00e1 lutando sozinha contra a empresa bilion\u00e1ria\u201d.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Marina Cintra e \u00c9rika Andreassy<br \/>\nEntretanto, os debates logo se tornaram muito maiores. Nas discuss\u00f5es, por um lado, muitas pessoas questionam a rela\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria com a explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as e mulheres ou com o tr\u00e1fico de pessoas. De outro, muitos argumentando se a pornografia, quando feita com consentimento e seguran\u00e7a, n\u00e3o poderia ser considerada leg\u00edtima. Nesse artigo buscaremos discutir um pouco o que \u00e9 a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica e o que representa para as mulheres.<br \/>\n<strong>Um grande neg\u00f3cio<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil encontrar fontes confi\u00e1veis que avaliem os lucros e o tamanho real da ind\u00fastria pornogr\u00e1fica, mas sabe-se que \u00e9 respons\u00e1vel pela movimenta\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de d\u00f3lares todos os anos. Estima-se que globalmente a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica vale cerca de 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares<a name=\"_ednref1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia\/#_edn1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[i]<\/a>\u00a0e gere milhares de empregos diretos e indiretos.<br \/>\nA quantidade de material e de acessos que os sites porn\u00f4 concentram tamb\u00e9m s\u00e3o impressionantes. Existem cerca de\u00a025 milh\u00f5es de sites porn\u00f4s, o que representa\u00a012%\u00a0de todos os sites da internet e mais de\u00a030%\u00a0de todo o tr\u00e1fego\u00a0online.<a name=\"_ednref2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia\/#_edn2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[ii]<\/a>\u00a0Os maiores como\u00a0LiveJasmin,\u00a0Tube8\u00a0e\u00a0YouPorn,\u00a0por exemplo, t\u00eam n\u00fameros\u00a0de visitantes\u00a0compar\u00e1veis ao Google e ao Facebook. S\u00f3 a\u00a0XVideos, tem uma m\u00e9dia de 4,4 bilh\u00f5es de visitas por m\u00eas, o triplo do que um grande site de not\u00edcias, como a CNN, consegue no mesmo per\u00edodo.<a name=\"_ednref3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia\/#_edn3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iii]<\/a>\u00a0Segundo levantamento de Gail Dines, pesquisadora da \u00e1rea, a pornografia \u00e9 mais acessada que a Netflix, Amazon e o Twitter juntos.<a name=\"_ednref4\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia\/#_edn4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iv]<\/a><br \/>\nSe a internet deu um grande impulso \u00e0 ind\u00fastria da pornografia, pode-se dizer que com a pandemia o mercado disparou. Dados de\u00a0mar\u00e7o de 2020, disponibilizados pelas grandes produtoras, apontaram que sites e canais com conte\u00fado pornogr\u00e1fico apresentaram um\u00a0aumento de 50%\u00a0no consumo. O\u00a0Porn Hub, um dos in\u00fameros sites com essa tem\u00e1tica nas redes e que tem cerca de 100 milh\u00f5es de acessos por dia, teve no Brasil, um crescimento de 13,1% no tr\u00e1fego di\u00e1rio at\u00e9 o dia 17 de mar\u00e7o. J\u00e1 o site nacional\u00a0Brasileirinhas\u00a0tamb\u00e9m apresentou um crescimento substancial, dobrando as assinaturas di\u00e1rias de 300 para\u00a0600 por dia, somente no m\u00eas de mar\u00e7o.<br \/>\nOs Estados Unidos \u00e9 o principal produtor de pornografia, sendo que somente na Calif\u00f3rnia, s\u00e3o produzidos, todos os anos, cerca de\u00a011.000 filmes de porn\u00f4\u00a0hardcore, o que nos d\u00e1 um pouco mais de no\u00e7\u00e3o deste mercado, que al\u00e9m de gerar muito lucro tem um espa\u00e7o gigantesco para crescimento e consumo, pois \u00e9 facilmente acessado por uma parcela grande das pessoas, inclusive porque a maior parte de seus conte\u00fados s\u00e3o gratuitos.\u00a0 Mas, existem problemas por detr\u00e1s disso? O que pensamos sobre esse tema?<br \/>\n<strong>Por tr\u00e1s das c\u00e2meras<\/strong><br \/>\nEm 2014 foi divulgado um v\u00eddeo no canal do Youtube da USP que retrata um pouco a situa\u00e7\u00e3o das atrizes porn\u00f4. Os relatos mostram que nos bastidores da ind\u00fastria pornogr\u00e1fica o que prevalece \u00e9 o machismo e a viol\u00eancia. N\u00e3o raro as mulheres s\u00e3o obrigadas a participar de cenas que n\u00e3o querem ou s\u00e3o coagidas a usar drogas, em caso de abuso tampouco tem a quem recorrer, al\u00e9m da extrema vulnerabilidade para adquirir doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis.<br \/>\nSegundo dados da\u00a0Pink Cross Fundation\u00a0(institui\u00e7\u00e3o fundada pela ex-atriz americana, Shellen Lubben), a expectativa m\u00e9dia de vida de uma atriz porn\u00f4 \u00e9 de 36 anos, 70% dos diagn\u00f3sticos de Doen\u00e7as Sexualmente Transmiss\u00edveis (DSTs) nesse meio atingem mulheres; das cenas pornogr\u00e1ficas mais acessadas 88% cont\u00e9m agress\u00e3o f\u00edsica \u2013principalmente tapas e bofetadas\u2013 e em 49% havia agress\u00e3o verbal, sendo que em 70% s\u00e3o cometidos por homens e em 94% das ocasi\u00f5es, as v\u00edtimas s\u00e3o mulheres. De cerca de 2.000 atrizes porn\u00f4 que estavam em atividade no Vale de San Fernando, na Calif\u00f3rnia (EUA), entre 2003 e 2014, 206 morreram de Aids, suic\u00eddio, homic\u00eddio e abuso de drogas.\u00a0 Essa estat\u00edstica \u00e9 representativa porque a regi\u00e3o concentra 85% da produ\u00e7\u00e3o mundial de filmes pornogr\u00e1ficos.<br \/>\nEm 2018, a morte de 5 atrizes em menos de 3 meses, a maioria por suic\u00eddio e overdose, estremeceu a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica e levantou questionamentos sobre o tratamento dado \u00e0s mulheres que atuam no meio bem como o preconceito e o estigma que as cercam. \u00a0Ao contr\u00e1rio do imagin\u00e1rio popular, o mundo porn\u00f4 tem muito pouco de glamour, mas est\u00e1 repleto de hist\u00f3ricos de transtornos emocionais, viol\u00eancia f\u00edsica e emocional, drogas e tend\u00eancias suicidas.<br \/>\nUm caso emblem\u00e1tico e que ajuda a dar um panorama da viol\u00eancia e machismo que cerca a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica \u00e9 a hist\u00f3ria de Linda Lovelace, protagonista de Garganta Profunda, filme da d\u00e9cada de 70 que faturou milh\u00f5es de d\u00f3lares na \u00e9poca (estima-se em 600 milh\u00f5es, embora haja controv\u00e9rsias) sendo que naquele momento, a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica estava apenas come\u00e7ando e ainda n\u00e3o tinha a internet como forma de acesso. Linda, que anos depois se tornou ativista contra a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica relata em sua biografia que gravava muitos dos seus filmes com uma arma apontada na cabe\u00e7a, muito tempo ap\u00f3s \u201cestrelar\u201d Garganta Profunda, afirmou que \u201cSe voc\u00ea v\u00ea \u2018Garganta Profunda\u2019 est\u00e1 me vendo ser estuprada\u201d, j\u00e1 que teria sido coagida pelo ex-marido para fazer o filme.<br \/>\nOu seja, por detr\u00e1s das c\u00e2meras, na maioria das vezes, o que se v\u00ea s\u00e3o mulheres que est\u00e3o sendo exploradas sexualmente e expostas \u00e0 viol\u00eancia extrema.<br \/>\nE o problema n\u00e3o para por a\u00ed, tamb\u00e9m \u00e9 muito comum sites porn\u00f4 que disponibilizam v\u00eddeo com crian\u00e7as e\/ou adolescentes. Categorias como \u201cteens\u201d ou \u201cnovinhas com velhos\u201d est\u00e3o entre os mais acessados e est\u00e3o l\u00e1 dispon\u00edveis para quem quiser ver. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pedofilia,\u00a0segundo o National Center for Missing and Exploited Children\u00a0(Centro Nacional para Crian\u00e7as Desaparecidas e Exploradas), 20% de toda a pornografia dispon\u00edvel na internet possui abuso sexual de crian\u00e7as. Se o argumento do consentimento j\u00e1 \u00e9 bastante question\u00e1vel mesmo em se tratando de mulheres adultas, como podemos ver pelos exemplos acima, nesse caso eles sequer podem ser levantados. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior na \u201cDeep Web\u201d (considerado o submundo da internet por seu acesso ser criptografado), onde a procura por pornografia infantil \u00e9 enorme.<br \/>\nOutra categoria muito acessada \u00e9 a de \u201cl\u00e9sbicas\u201d, que na verdade contribui para a fetichiza\u00e7\u00e3o das mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais, e a \u201cshemale\u201d (nome pejorativo para se referir a travestis), que \u00e9 uma das mais acessadas no Brasil. A contradi\u00e7\u00e3o de tudo isso \u00e9 que o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que mais mata LGBTs no mundo, especialmente mulheres trans, ou seja, esses dados refletem que as mulheres LBTs servem muito bem de mercadoria com objetivo de prazer sexual. Entretanto, n\u00e3o podem passar disso.<br \/>\nO racismo tamb\u00e9m \u00e9 muito presente no mercado pornogr\u00e1fico. Numa olhada r\u00e1pida em qualquer um dos principais sites porn\u00f4s, \u00e9 poss\u00edvel encontrar t\u00edtulos que promovem estere\u00f3tipos raciais ofensivos, como por exemplo alguns termos de pesquisa sugeridos aos usu\u00e1rios do PornHub\u00a0como \u201cadolescentes negras exploradas\u201d, \u201cmulheres negras\u201d e \u201cescravas negras\u201d.<br \/>\nComo se pode ver o grande problema da ind\u00fastria pornogr\u00e1fica \u00e9 que esconde muita viol\u00eancia, humilha\u00e7\u00e3o, estupro e vulnerabilidades por tr\u00e1s das c\u00e2meras e isso tudo isso para gerar bilh\u00f5es em lucros para os empres\u00e1rios desse ramo. Dessa forma, coloca novamente as mulheres numa situa\u00e7\u00e3o de mercadoria, objetifica\u00e7\u00e3o e desumaniza\u00e7\u00e3o, o que contribui para fomentar a cultura do estupro, do machismo, racismo e LGBTfobia.<br \/>\n<strong>Falsas promessas<\/strong><br \/>\nMuitos podem se perguntar se a pornografia \u00e9 t\u00e3o ruim quanto dizem, por que h\u00e1 tantas pessoas trabalhando nisso?<br \/>\nH\u00e1, evidentemente, muitas respostas para essa quest\u00e3o. Muitas jovens s\u00e3o literalmente seduzidas pela promessa de um emprego f\u00e1cil e bem remunerado ou levadas a acreditar que a ind\u00fastria porn\u00f4 seria um empreendimento\u00a0sexy\u00a0e cheio de\u00a0glamour. Segundo um ator porn\u00f4 masculino entrevistado no filme Hot Girls Wanted (dispon\u00edvel na Netflix),\u00a0\u201ch\u00e1 um afluxo de garotas que querem fazer pornografia. Muitas delas sabem que \u00e9 uma armadilha, mas o dinheiro est\u00e1 bem na sua cara. Eles aceitam e esperam pelo melhor\u201d.<br \/>\nMas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o raros os casos de mulheres que entram para esse meio por puro desespero, porque precisam de dinheiro. Uma grande parte \u2013se n\u00e3o a maioria\u2013 tem um hist\u00f3rico de abuso sexual e\/ou viol\u00eancia familiar.<br \/>\n<strong>Ind\u00fastria pornogr\u00e1fica e tr\u00e1fico humano<\/strong><br \/>\nA falta de informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e a subnotifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o direta entre o tr\u00e1fico de pessoas e a ind\u00fastria da pornografia. Entretanto, h\u00e1 enormes ind\u00edcios que a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica se alimenta do tr\u00e1fico humano, conforme revela artigo da Gazeta do Povo publicado em 2019, que aborda pesquisas publicadas no \u201cPublic Discourse\u201d, \u201cFight the New Drug\u201d e \u201cHarvard Journal of Law and Public Policy\u201d e que mostram que quase todas as crian\u00e7as que aparecem em filmes porn\u00f4s e uma parte consider\u00e1vel das mulheres na realidade s\u00e3o v\u00edtimas de tr\u00e1fico sexual. \u00a0O problema \u00e9 que existe pouca pesquisa ou dados sobre isso, que relacionam o tr\u00e1fico sexual apenas \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, mas essas duas realidades andam bastante juntas.<br \/>\n<strong>Pornografia e capitalismo<\/strong><br \/>\nO tema da pornografia, assim como o da prostitui\u00e7\u00e3o e do tr\u00e1fico de pessoas se relacionam e mostram a brutalidade da rela\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o sob o capitalismo. Se bem a pornografia surgiu como uma revolta ao puritanismo e o moralismo religioso, hoje serve para refor\u00e7ar a opress\u00e3o, seja por fortalecer determinados estere\u00f3tipos, objetificar o corpo feminino, por naturalizar a viol\u00eancia contra as mulheres ou transformar o sexo e o desejo em mercadorias. E isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel de acontecer porque o machismo, o racismo e a LGBTfobia s\u00e3o parte desse sistema.<br \/>\nO capitalismo desumaniza e aliena as pessoas e usa isso em seu pr\u00f3prio benef\u00edcio, por isso a ind\u00fastria da pornografia consegue lucros t\u00e3o altos como colocamos acima. E \u00e9 por isso tamb\u00e9m que defendemos o fim da ind\u00fastria pornogr\u00e1fica. N\u00e3o por um tema moralista, de que as pessoas n\u00e3o podem sentir prazer sexual ou sentir vontades e desejos sexuais, mas sim pelo que a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica representa e tamb\u00e9m pelo que existe por tr\u00e1s dela: o tr\u00e1fico de pessoas, vulnerabilidade, coer\u00e7\u00e3o, prostitui\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que n\u00e3o podemos aceitar. Existe muita gente lucrando com isso, cafet\u00f5es, grandes empres\u00e1rios, \u00e0s custas da opress\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o sexual de milhares de mulheres e crian\u00e7as ao redor do mundo.<br \/>\nAo contr\u00e1rio do que defendem as p\u00f3s-modernas, de que \u00e9 poss\u00edvel subverter a pornografia nos marcos do capitalismo e coloc\u00e1-la a servi\u00e7o da liberdade sexual da mulher, n\u00f3s dizemos que isso \u00e9 uma ilus\u00e3o. A pornografia n\u00e3o \u00e9 atemporal, como parte da ind\u00fastria capitalista a preocupa\u00e7\u00e3o de quem produz e vende pornografia \u00e9 \u00fanica e exclusivamente com a quantidade de lucro que pode gerar.<br \/>\nA luta pela liberdade sexual da mulher, como parte da luta contra a opress\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se travada sob uma perspectiva anticapitalista, at\u00e9 porque a opress\u00e3o n\u00e3o pode ser erradicada enquanto o sistema que o produz continuar em vigor.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o ao sexo, todo mundo tem direito de se descobrir e desenvolver sua sexualidade ao m\u00e1ximo. Sexo ainda \u00e9 um grande tabu na sociedade, exemplo disso \u00e9 que ainda n\u00e3o temos nas escolas p\u00fablicas debates e aulas sobre educa\u00e7\u00e3o sexual, sexualidade e g\u00eanero! Dessa forma, a pornografia se insere no meio da repress\u00e3o sexual. A sexualidade deve ser livre, desde que isso envolva consentimento de todos! E pornografia e prostitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos de liberdade sexual, especialmente para as mulheres.<br \/>\nTodos esses debates mostram como o capitalismo ajuda a manter o machismo, o racismo e a LGBTfobia. Ao longo das d\u00e9cadas, as mulheres trabalhadoras, com muita luta, conseguiram conquistar muitos direitos, como o direito ao div\u00f3rcio, ao voto, ao mercado de trabalho, em alguns pa\u00edses ao aborto legal. Entretanto, essas conquistas variam muito ao redor mundo e podem ser retiradas a qualquer momento. Al\u00e9m disso, vemos que mesmo assim ainda olhamos para uma situa\u00e7\u00e3o de machismo, LGBTfobia e racismo muito forte que se mostra de maneira muito brutal, o exemplo do tr\u00e1fico de mulheres \u00e9 o que melhor ilustra essa realidade e seu crescimento aconteceu principalmente no s\u00e9culo 21, assim como a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica.<br \/>\n\u00c9 por isso que nossa luta pelos direitos das mulheres trabalhadoras e dos demais setores oprimidos deve ser incans\u00e1vel! Precisamos lutar para que cada vez mais as trabalhadoras tenham cada vez mais conquistas! Entretanto, a luta deve ter um norte tamb\u00e9m contra o capitalismo, pois dentro do capitalismo nunca conseguiremos ser livres de verdade. Venha lutar com a gente!<br \/>\n<a name=\"_edn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia\/#_ednref1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[i]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nbcnews.com\/business\/business-news\/things-are-looking-americas-porn-industry-n289431\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nbcnews.com\/business\/business-news\/things-are-looking-americas-porn-industry-n289431<\/a><br \/>\n<a name=\"_edn2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia\/#_ednref2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[ii]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.businessinsider.in\/this-is-how-porn-sites-make-money\/articleshow\/48385361.cms\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.businessinsider.in\/this-is-how-porn-sites-make-money\/articleshow\/48385361.cms<\/a><br \/>\n<a name=\"_edn3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia\/#_ednref3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iii]<\/a>\u00a0<a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/Common\/0,,ERT301447-17770,00.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/Common\/0,,ERT301447-17770,00.html<\/a><br \/>\n<a name=\"_edn4\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/sobre-o-debate-em-relacao-a-industria-da-pornografia\/#_ednref4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iv]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/entry\/internet-porn-stats_n_3187682?ri18n=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/entry\/internet-porn-stats_n_3187682?ri18n=true<\/a><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, um dos assuntos mais discutidos nas redes sociais, especialmente no Twitter, est\u00e1 sendo o tema da ind\u00fastria da pornografia. 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