{"id":61298,"date":"2020-08-07T10:22:11","date_gmt":"2020-08-07T12:22:11","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61298"},"modified":"2020-08-07T10:22:11","modified_gmt":"2020-08-07T12:22:11","slug":"argentina-independencia-da-coroa-espanhola-dependencia-do-capital-estrangeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/08\/07\/argentina-independencia-da-coroa-espanhola-dependencia-do-capital-estrangeiro\/","title":{"rendered":"Argentina&#124; Independ\u00eancia da Coroa espanhola, depend\u00eancia do capital estrangeiro"},"content":{"rendered":"<p><em>A \u201cIndepend\u00eancia\u201d a \u201cLibera\u00e7\u00e3o Nacional\u201d, desapareceram da palavra e a\u00e7\u00e3o dos dirigentes peronistas. Que ficou da luta sem quartel de nossas e nossos patriotas? Dos sonhos da juventude que abra\u00e7ou o peronismo para lutar contra o imperialismo e pelo \u201csocialismo nacional\u201d? Em uma s\u00e9rie de artigos mostraremos o papel do capital estrangeiro e sua rela\u00e7\u00e3o com a oligarquia e a chamada \u201cburguesia nacional\u201d.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: V\u00edctor Quiroga<br \/>\n<strong>Os fazendeiros, a oligarquia comercial, o interior e a Independ\u00eancia<\/strong><br \/>\nA crise da coroa espanhola, produto da invas\u00e3o napole\u00f4nica favoreceu o processo independentista. A declara\u00e7\u00e3o de julho de 1816 foi determinante no processo de ruptura com a metr\u00f3pole. Um fato muito progressivo, que foi acompanhado pela guerra pela independ\u00eancia continental que culminou com a expuls\u00e3o do imp\u00e9rio espanhol em 1824.<br \/>\nDepois vieram crises e guerras civis, express\u00e3o de diferentes interesses entre os diferentes setores: a oligarquia fazendeira exportadora de Buenos Aires e o litoral; os importadores e o interior mais atrasado produtor de manufaturas; Buenos Aires que controlava o Porto e ligada ao mercado mundial e o interior abastecedor do mercado interno. Alguns comerciantes livres e outros protecionistas, ainda que com divis\u00f5es entre eles pelo controle da Aduana. Como express\u00e3o desta briga, entre outras, sugiram duas correntes pol\u00edticas: os \u201cUnit\u00e1rios\u201d e os \u201cFederais\u201d.<br \/>\nO imperialismo ingl\u00eas far\u00e1 sua entrada a partir do com\u00e9rcio exterior e sua rela\u00e7\u00e3o com exportadores e importadores crioulos. Por essa rela\u00e7\u00e3o a Argentina sofrer\u00e1 um processo de transforma\u00e7\u00e3o de pa\u00eds independente em dependente do capital estrangeiro e depois em uma semicol\u00f4nia.<br \/>\nDesde 1815 e 1820, a Gr\u00e3 Bretanha, al\u00e9m de controlar o comercio exterior se dedica a ser o credor do governo. Bernardino Rivadavia, se transformou em \u201ccomissionado<strong>\u201d<\/strong>, o intermedi\u00e1rio, como s\u00e3o hoje Domingo Cavallo ou Luis Caputo. Tanto \u00e9 assim que recebeu como pr\u00eamio ser nomeado presidente da River Plate Mining, uma mineradora instalada em Famatina, com um salariozinho de 1.200 libras. Al\u00e9m disso por iniciativa da col\u00f4nia inglesa desse ent\u00e3o, impulsionou a cria\u00e7\u00e3o do Banco da Prov\u00edncia de Buenos Aires e o Banco Nacional, com residentes ingleses em sua diretoria.<br \/>\nA Lei de Enfiteusis, promulgada em 1826, longe de ser uma barreira para expans\u00e3o dos latifundi\u00e1rios, significou a hipoteca de todas as terras p\u00fablicas. Tudo a favor de garantir os empr\u00e9stimos ingleses, enquanto se entregavam grandes extens\u00f5es em usufruto a fam\u00edlias amigas, como Tom\u00e1s de Anchorena, favorecendo a forma\u00e7\u00e3o da oligarquia latifundi\u00e1ria<strong>.<\/strong><br \/>\nO grau de depend\u00eancia do capital estrangeiro por parte da nascente burguesia e a oligarquia latifundi\u00e1ria se viu inclusive nos momentos do auge com o per\u00edodo 1850 a 1880, quando nosso pa\u00eds passou a ser uma pot\u00eancia no comercio mundial e a Argentina alcan\u00e7ou um desenvolvimento importante. Como diz Nahuel Moreno em sua obra M\u00e9todo de interpreta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria Argentina: \u201cO obst\u00e1culo, n\u00e3o obstante, seguia em p\u00e9. Para ser uma grande na\u00e7\u00e3o havia que acabar com a burguesia latifundi\u00e1ria\u201d.<br \/>\n<strong>Crise econ\u00f4mica mundial de 1929, o Pacto Roco-Runciman<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 entrando no s\u00e9culo XX e no meio da pavorosa crise mundial de 1929 (que alguns comparam com a atual), se assina com a Gr\u00e3 Bretanha o <strong>Pacto Roca-Runciman,<\/strong> passando-nos \u00e0 \u00f3rbita das col\u00f4nias inglesas. A Inglaterra se transformava assim na \u201cna\u00e7\u00e3o privilegiada\u201d. A Argentina lhe venderia quase exclusivamente aos ingleses, a carne abatida nos frigor\u00edficos estrangeiros como Armour, Swift e Anglo-Ciabasa, e cujos produtos brit\u00e2nicos em sua maioria deixavam de pagar impostos para a importa\u00e7\u00e3o. Se destru\u00edam a ind\u00fastria nacional e as economias regionais. A Inglaterra decidia o destino de nossas exporta\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<strong>N\u00e3o haver\u00e1 Independ\u00eancia sem romper com o imperialismo<\/strong><br \/>\nA Gr\u00e3 Bretanha saiu debilitada da Segunda Guerra Mundial. Os EUA aproveitou para entrar na Argentina. A irrup\u00e7\u00e3o do peronismo abrir\u00e1 um per\u00edodo de relativa resist\u00eancia e de independ\u00eancia, que o golpe gorila de 1955 fechar\u00e1. Desde ent\u00e3o, o imperialismo ianque ser\u00e1 o predominante nestas terras e aumentou o controle de nossa economia at\u00e9 nossos dias.<br \/>\nPara al\u00e9m dos atritos e discursos, nenhum governo rompeu com a depend\u00eancia do capital imperialista. Pelo contr\u00e1rio, a submiss\u00e3o foi aumentando. Os pactos econ\u00f4micos com o Banco Mundial, o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, al\u00e9m\u00a0 dos pactos pol\u00edticos e militares com as Na\u00e7\u00f5es Unidas, a OEA e acordos bilaterais confirmam o que se deu na hist\u00f3ria: a oligarquia latifundi\u00e1ria<strong>, <\/strong>a burguesia \u201cnacional\u201d e seus governos est\u00e3o atadas firmemente aos interesses do grande capital imperialista.<br \/>\nVer a Alberto Fernandez em um 9 de julho, Dia da Independ\u00eancia, rodeado dos \u201cRivadavia\u201d e os \u201cRoca\u201d atuais, por nomear s\u00f3 alguns, quer dizer os comissionados<strong>, <\/strong>evasores de recursos e divisas, exploradores e seus c\u00famplices de hoje, mostra porque o peronismo j\u00e1 n\u00e3o fala de \u201clibera\u00e7\u00e3o nacional e de soberania econ\u00f4mica\u201d.<br \/>\nNo pr\u00f3ximo artigo analisaremos porque apesar de que milh\u00f5es de trabalhadores apoiavam Peron, este optou por entregar o poder aos militares fuziladores em \u201855. E porque novamente em \u201870, com a simpatia dos pr\u00f3prios trabalhadores e milhares de jovens que iam \u00e0s ruas para gritar \u201c<em>que lindo que vai ser o Hospital de Crian\u00e7as no Sheraton Hotel\u201d,<\/em> o peronismo n\u00e3o tomou nenhuma medida anti-imperialista, e em troca, aplicou o \u201cPacto Social\u201d e o Plano Rodrigo, que levou o povo \u00e0 fome.<br \/>\nPor isso dizemos que ser\u00e1 obra dos trabalhadores e explorados retomar as bandeiras da Independ\u00eancia e da Liberta\u00e7\u00e3o Nacional e Social. Ser\u00e1 pela Segunda e Definitiva Independ\u00eancia.<br \/>\n16 de Julho de 2020<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Am\u00e9rica Riveros<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u201cIndepend\u00eancia\u201d a \u201cLibera\u00e7\u00e3o Nacional\u201d, desapareceram da palavra e a\u00e7\u00e3o dos dirigentes peronistas. Que ficou da luta sem quartel de nossas e nossos patriotas? 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