{"id":61295,"date":"2020-08-06T10:03:27","date_gmt":"2020-08-06T12:03:27","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61295"},"modified":"2020-08-06T10:03:27","modified_gmt":"2020-08-06T12:03:27","slug":"o-fundo-de-reconstrucao-da-ue-uma-corda-no-pescoco-do-povo-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/08\/06\/o-fundo-de-reconstrucao-da-ue-uma-corda-no-pescoco-do-povo-trabalhador\/","title":{"rendered":"O fundo de reconstru\u00e7\u00e3o da UE: uma corda no pesco\u00e7o do povo trabalhador"},"content":{"rendered":"<p><em>Os fundos da Uni\u00e3o europeia (EU) n\u00e3o s\u00e3o um presente nem uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora e para as classes populares. Ao contr\u00e1rio s\u00e3o uma corda no pesco\u00e7o para afog\u00e1-los. Os grandes benefici\u00e1rios v\u00e3o ser, como at\u00e9 agora, os bancos, as grandes empresas privadas, as grandes construtoras e as energ\u00e9ticas. Desta vez n\u00e3o ser\u00e3o necess\u00e1rios os &#8220;homens de preto&#8221; para aplicar as &#8220;recomenda\u00e7\u00f5es&#8221; da EU. Para isso j\u00e1 est\u00e3o os\/as Ministros do Governo de coaliz\u00e3o.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Corriente Roja<br \/>\nNos \u00faltimos dias, assistimos a um aut\u00eantico<strong> bombardeio \u00abinformativo\u00bb glorificando o acordo do Conselho Europeu sobre o fundo de Reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong> (\u00abFundo para a Pr\u00f3xima Gera\u00e7\u00e3o da UE\u00bb no seu jarg\u00e3o). Pedro S\u00e1nchez, recebido como um her\u00f3i por seus ministros, o apresentou como um<em> \u00abacordo hist\u00f3rico (&#8230;), uma das p\u00e1ginas mais brilhantes da hist\u00f3ria da UE\u00ab<\/em>. Diz que \u00e9 \u00abu<em>m enorme passo\u00bb, um verdadeiro \u00abPlano Marshall\u00bb<\/em> que vai permitir uma recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da economia espanhola. Estufando o peito, declarou: \u00abN\u00e3o conseguimos 100%, mas conseguimos 95%: 140 bilh\u00f5es de euros, dos quais 72 em transfer\u00eancias a serem devolvidas. Um verdadeiro neg\u00f3cio.<br \/>\nO conjunto de partidos do arco parlamentar apoiaram o acordo, incluindo Vox. A Confedera\u00e7\u00e3o Espanhola de Organiza\u00e7\u00f5es Empresariais (CEOE) est\u00e1 encantada e ansiosa para que entreguem os fundos \u00e0s empresas. A burocracia sindical compartilha a alegria patronal. Os governos aut\u00f4nomos querem sua parte, sem que nisto haja distin\u00e7\u00e3o entre os governos do PP ou PSOE ou da Generalitat Catal\u00e3.<br \/>\n<strong>A Europa do capital tornou-se a Europa social?<\/strong><br \/>\nEntre os apoiadores do acordo destaca Unidas Podemos (UP). N\u00e3o \u00e9 em v\u00e3o, que sua miss\u00e3o \u00e9 convencer os setores de esquerda escaldados do PSOE das benesses do acordo e, e de quebra, do bom que \u00e9 o Governo de coaliz\u00e3o. Tamb\u00e9m no que diz respeito \u00e0 UE, o discurso do Podemos \u00e9 exatamente o oposto do que pregaram no in\u00edcio.<br \/>\nPara o segundo vice-presidente e ministro dos Direitos Sociais e da Agenda 2030 a UE j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a Europa do capital. Pelo contr\u00e1rio, fez uma <strong>\u00ab<\/strong><em>ren\u00fancia hist\u00f3rica<\/em><strong>\u00bb <\/strong>das suas velhas posi\u00e7\u00f5es e aprendeu a Li\u00e7\u00e3o. Agora <em>\u00abtodos os democratas europeus s\u00e3o neokeynesianos\u00bb e \u00abo que at\u00e9 agora s\u00f3 defendia a esquerda \u00e9 compartilhado por atores de fam\u00edlias ideol\u00f3gicas muito diferentes\u00ab.<\/em> Segundo Iglesias, o acordo do Conselho Europeu tem um<em> \u00abalcance hist\u00f3rico e sem precedentes\u00bb <\/em>e vai<em> \u00abnuma dire\u00e7\u00e3o diametralmente oposta\u00bb <\/em>\u00e0 que a UE deu na crise de 2008\/2010<em>.<\/em><br \/>\nDito em prata, Merkel, que condenou a Gr\u00e9cia \u00e0 mis\u00e9ria e a rebaixou a condi\u00e7\u00e3o de semi col\u00f4nia e imp\u00f4s os planos de ajuste no Estado espanhol, ou Macron, o presidente dos ricos, da reforma trabalhista e da previd\u00eancia e da repress\u00e3o selvagem aos coletes amarelos s\u00e3o agora os campe\u00f5es da <em>\u00abcoes\u00e3o social e da solidariedade europeia\u00bb<\/em>. Ver para crer.<br \/>\nO vice-presidente Iglesias e o ministro Garz\u00f3n (IU-PCE) v\u00e3o ainda mais longe e declaram que o acordo <em>\u00abn\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o impedir\u00e1 que o Governo de coliga\u00e7\u00e3o continue a implementar o seu programa, mas significar\u00e1 um enorme est\u00edmulo para continuar as transforma\u00e7\u00f5es\u00bb<\/em>. \u00a0Agora j\u00e1 <em>\u00abn\u00e3o haver\u00e1 homens de preto nem cortes or\u00e7ament\u00e1rios\u00bb<\/em>, pelo contr\u00e1rio: os fundos europeus estar\u00e3o condicionados a \u00ab<em>reformas relacionadas com a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, a economia de cuidados, a luta contra a pobreza e a inclus\u00e3o social <\/em>\u00ab. Algu\u00e9m poderia dar mais?.<br \/>\n<strong>\u00c9 uma pena que este discurso oficial seja um engano descomunal, que come\u00e7a por esconder a profundidade da crise em que entramos<\/strong> e as penalidades e sofrimentos que vai acarretar para o povo trabalhador. Sofrimentos que os prometidos fundos europeus n\u00e3o v\u00e3o remediar em absoluto.<br \/>\n<strong>Um acordo alem\u00e3o para parar o golpe e comprar tempo. <\/strong><br \/>\nO acordo de Bruxelas foi for\u00e7ado pela extrema gravidade da atual crise e pelo impacto t\u00e3o desigual que est\u00e1 tendo entre os diferentes pa\u00edses da UE. O Governo alem\u00e3o tem sido, de longe, o grande campe\u00e3o dos \u00abaux\u00edlios estatais\u00bb, comprometendo 38% do seu PIB para proteger as suas grandes empresas e reduzir ao m\u00e1ximo a queda da economia. Em contraste, o pacote de aux\u00edlios do Governo italiano e, mais ainda, o do espanhol aparecem raqu\u00edticos. O retrocesso econ\u00f4mico italiano e espanhol, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 muito superior e o forte aumento de seu endividamento p\u00fablico, que j\u00e1 \u00e9 enorme, amea\u00e7a deix\u00e1-los fora de controle e levar a uma suspens\u00e3o dos pagamentos.<br \/>\nMas, ao contr\u00e1rio do que aconteceu anteriormente com a Gr\u00e9cia, <strong>se a It\u00e1lia e o Estado Espanhol declararem fal\u00eancia, o resultado inevit\u00e1vel seria a desintegra\u00e7\u00e3o da UE e a explos\u00e3o do euro.<\/strong><br \/>\nMerkel sabe o que acontecer\u00e1 se eles agirem como na crise anterior. <strong>Mas para o capitalismo alem\u00e3o, a preserva\u00e7\u00e3o da UE e do euro \u00e9 vital para manter e aumentar a sua hegemonia na Europa e tentar n\u00e3o ser esmagado no choque entre os EUA e a China<\/strong>.<br \/>\n\u00c9 por isso que, para al\u00e9m da a\u00e7\u00e3o multimilion\u00e1ria do BCE, o Conselho Europeu decidiu que a UE se endivide e destine 390 bilh\u00f5es de euros a transfer\u00eancias para os governos. Desta forma, conseguem parar o golpe inicial e, acima de tudo, comprar tempo. Alguns, como Paulo Iglesias, quiseram ver no acordo de Bruxelas uma mudan\u00e7a na natureza da UE. \u00c9 pura fantasia. N\u00e3o estamos diante de qualquer <em>\u00abfederalismo solid\u00e1rio\u00bb<\/em>, mas diante de um novo dispositivo que servir\u00e1 para acentuar a hegemonia e o controle do imperialismo alem\u00e3o sobre os outros.<br \/>\nQuando Merkel e Macron apresentaram o plano, o presidente franc\u00eas declarou que \u00e9 preciso evitar os erros da crise de 2008, quando pa\u00edses como Portugal ou a Gr\u00e9cia foram for\u00e7ados a vender ativos e infraestruturas estrat\u00e9gicas para a China, como os terminais do porto do Pireu. E depois &#8211; proclamam- \u00e9 necess\u00e1rio assegurar que <strong>esses ativos s\u00f3 possam ser adquiridos pelas grandes multinacionais europeias<\/strong>, a poder ser alem\u00e3s ou francesas, as mesmas que est\u00e3o sendo generosamente financiadas e recapitalizadas com dinheiro p\u00fablico.<br \/>\nNos venderam a reuni\u00e3o do Conselho Europeu como uma disputa entre o Norte ego\u00edsta, liderado pela Holanda, e o Sul que pedia solidariedade, com Merkel no meio, apoiando o Sul. Na realidade,<strong> tudo tem girado em torno da proposta de Merkel<\/strong> (com Macron como assistente). Concess\u00f5es conseguidas pelo mal chamados \u00abFrugales\u00bb<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> (maioria qualificada para aprovar os planos de investimento, o \u00abfreio de emerg\u00eancia\u00bb ou o reajuste entre transfer\u00eancias e cr\u00e9ditos a serem devolvidos) se encaixam perfeitamente com os interesses do governo alem\u00e3o, que \u00e9, juntamente com os \u00abfrugales\u00bb, o grande benefici\u00e1rio dos cheques-retorno. O \u00abrespeito pelo estado de direito\u00bb invocado perante os governos bonapartistas da Hungria e da Pol\u00f4nia como condi\u00e7\u00e3o para receber fundos, tamb\u00e9m se tornou, como queria Merkel, letra morta.<br \/>\n<strong>O fundo de reconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai impedir que o endividamento p\u00fablico dispare<\/strong><br \/>\nO Fundo de Reconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai servir para evitar que o endividamento p\u00fablico espanhol atinja n\u00edveis incontrol\u00e1veis. <strong>As transfer\u00eancias v\u00e3o chegar t\u00e3o tarde e em um montante relativamente baixo que n\u00e3o evitar\u00e1 o colapso econ\u00f4mico e, consequentemente, um enorme d\u00e9ficit p\u00fablico que ir\u00e1 aumentar uma d\u00edvida j\u00e1 imensa.<\/strong><br \/>\nAs previs\u00f5es de queda da economia espanhola para 2020 s\u00e3o entre 11 e 14% do PIB (entre 140 e 175 bilh\u00f5es). No entanto, as ansiosas transfer\u00eancias come\u00e7ariam a chegar no segundo semestre de 2021 e apenas at\u00e9 um montante de cerca de 18 bilh\u00f5es, dispersos em v\u00e1rias partes. O resto dos fundos (at\u00e9 os 72 bilh\u00f5es anunciados por Pedro S\u00e1nchez) seriam distribu\u00eddos em quantidades e formas semelhantes ao longo de quatro ou mais anos.<br \/>\nAl\u00e9m disso, as transfer\u00eancias n\u00e3o poder\u00e3o ser utilizadas para reduzir a d\u00edvida nem para satisfazer programas or\u00e7ament\u00e1rios destinados a fazer frente \u00e0 crise social ou a reconstruir servi\u00e7os p\u00fablicos como a Sa\u00fade. Pelo contr\u00e1rio, sob o r\u00f3tulo da \u00abtransi\u00e7\u00e3o verde e digital\u00bb, <strong>ser\u00e3o entregues aos empres\u00e1rios, em especial aos grandes, para as suas empresas privadas, e os seus efeitos no emprego e no Bem-estar social v\u00e3o ser m\u00ednimos.<\/strong><br \/>\n<strong>A d\u00edvida vai continuar aumentando, o FMI diz que chegar\u00e1 a 124% do PIB.<\/strong> E com ela os<strong> juros a pagar<\/strong>, que <strong>s\u00f3 no ano passado subiram para 30 bilh\u00f5es,<\/strong> muito mais que as transfer\u00eancias esperadas. \u00c9 uma d\u00edvida colossal que <strong>sangra a economia, deixando-a inerte diante da especula\u00e7\u00e3o financeira e em detrimento de todas as <\/strong><strong>\u00ab<\/strong><strong>recomenda\u00e7\u00f5es\u00bb da Comiss\u00e3o Europeia e do BCE.<\/strong> Uma d\u00edvida que <strong>anuncia, em definitivo, uma crise de pagamentos futura<\/strong> que o BCE n\u00e3o poder\u00e1 impedir.<br \/>\n<strong>O povo trabalhador n\u00e3o vai beneficiar dos fundos <\/strong><br \/>\nEvidentemente, os trabalhadores e as classes populares n\u00e3o ser\u00e3o favorecidos por este acordo europeu. Os grandes benefici\u00e1rios ser\u00e3o, como at\u00e9 agora, os bancos, as grandes empresas privadas, as grandes empresas de constru\u00e7\u00e3o e energia, todas ligadas ao BCE e com conselhos de administra\u00e7\u00e3o recheados de ex-ministros do PP e PSOE e, tamb\u00e9m as multinacionais estrangeiras instaladas.<br \/>\nOs projetos de investimentos favorecidos pelo Fundo de Reconstru\u00e7\u00e3o v\u00e3o se <strong>ajustar aos planos desenhados pelos grandes grupos capitalistas alem\u00e3es e franceses<\/strong>. A<strong> economia espanhola vai continuar condenada ao turismo, ao tijolo, a uma ind\u00fastria em decl\u00ednio e dominada pelas multinacionais e com uma m\u00e3o-de-obra prec\u00e1ria e mal paga.<\/strong> As empresas de energia est\u00e3o preparando com o governo Planos de investimento que constituem um verdadeiro cambalacho sem outro objetivo que n\u00e3o seja o de aumentar os seus lucros; enquanto d\u00e3o as costas \u00e0s necessidades imperiosas da emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<br \/>\nA passividade c\u00famplice do Governo PSOE-UP (e da Junta e da Generalitat) diante dos fechamentos da <strong>Alcoa e da Nissan, desnuda seus discursos e deixa em evid\u00eancia a pol\u00edtica real<\/strong>. No caso da Nissan, cuja liquida\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto da divis\u00e3o de mercados no seio da Alian\u00e7a Renault-Nissan, o Governo consente com um fechamento que arrasta 23.000 demiss\u00f5es e rasga o tecido industrial catal\u00e3o. E ao mesmo tempo lan\u00e7a um plano de apoio ao autom\u00f3vel diretamente ditado por multinacionais que, como a Renault ou a Volkswagen, reservam atividades tecnologicamente avan\u00e7adas e fabrica\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9ctricos para os seus pa\u00edses de origem, enquanto condenam as f\u00e1bricas espanholas a montar autom\u00f3veis de combust\u00e3o, com uma produ\u00e7\u00e3o e emprego em diminui\u00e7\u00e3o e deteriora\u00e7\u00e3o crescente dos sal\u00e1rios e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<br \/>\n<strong>As transfer\u00eancias ficar\u00e3o sujeitas \u00e0s \u00abrecomenda\u00e7\u00f5es\u00bb da UE.<\/strong><br \/>\nOs parceiros do governo de coaliz\u00e3o dizem que desta vez n\u00e3o haver\u00e1 \u00abhomens de preto\u00bb. Com efeito, formalmente n\u00e3o h\u00e1, pelo menos ainda. No momento, o sistema estabelecido para conceder as transfer\u00eancias e o fato de estas dependerem do cumprimento das \u00abrecomenda\u00e7\u00f5es\u00bb da Comiss\u00e3o Europeia, faz dos<strong> ministros em exerc\u00edcio um substituto perfeito dos \u00abhomens de preto\u00bb. Nadia Calvi\u00f1o \u00e9 um exemplo magn\u00edfico<\/strong>.<br \/>\nOs parceiros do Governo negam tamb\u00e9m que as transfer\u00eancias estejam condicionadas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de cortes ou reformas antissociais. Pena que o vice-presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Dombrovskis, desmente-os e lembra que haver\u00e1 \u00ab<strong><em>uma forte liga\u00e7\u00e3o entre investimentos e reformas<\/em><\/strong>\u00ab. E, naturalmente, ningu\u00e9m pode iludir-se sobre o que entendem por \u00abreformas\u00bb. No relat\u00f3rio do \u00abSemestre Europeu\u00bb do passado 27 de Fevereiro, a Comiss\u00e3o Europeia voltou a manifestar as suas \u00abrecomenda\u00e7\u00f5es\u00bb. Assinalou a sua especial preocupa\u00e7\u00e3o pela \u00absustentabilidade\u00bb das aposentadorias espanholas, repetiu que s\u00e3o \u00abelevadas demais\u00bb \u00a0e que n\u00e3o devem estar ligadas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, devendo ser reduzidas atrav\u00e9s de um \u00abfator de sustentabilidade\u00bb e que devem abrir as comportas aos sistemas privados de aposentadorias. No mesmo relat\u00f3rio se pronunciavam, mais uma vez, contra uma eventual desmonte da reforma trabalhista de Rajoy, que deu \u00abfrutos t\u00e3o positivos\u00bb e \u00a0cuja elabora\u00e7\u00e3o foi supervisionada por eles pr\u00f3prios.<br \/>\n<strong>Algu\u00e9m acredita que a manuten\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista de Rajoy e uma nova arremetida contra as aposentadorias p\u00fablicas n\u00e3o ser\u00e3o condi\u00e7\u00e3o para as transfer\u00eancias?<\/strong>\u00a0 O governo e a burocracia da CCOO-UGT, de fato, j\u00e1 renunciaram \u00e0 promessa de revog\u00e1-la, uma vez que ficou subordinada ao acordo com a grande patronal, o mal chamado \u00abdi\u00e1logo social\u00bb. Sobre as aposentadorias, o informe que o governo envia a cada ano a Comiss\u00e3o Europeia j\u00e1 fala em garantir a sustentabilidade das aposentadorias, que \u00e9 a desculpa de todos eles para atacar o sistema p\u00fablico de previd\u00eancia.<br \/>\nO informe mencionava tamb\u00e9m, sem concretizar, a necessidade de implantar a chamada \u00abmochila austr\u00edaca\u00bb \u00a0essa velha aspira\u00e7\u00e3o da patronal para acabar com as indeniza\u00e7\u00f5es por demiss\u00e3o e minar as aposentadorias p\u00fablicas. Por outro lado, o governo, apesar da postura de Iglesias, tamb\u00e9m renunciou a realizar uma reforma fiscal digna de tal nome, limitando-se a retoques de vitrine. O que \u00e9 especialmente grave quando as grandes empresas do Ibex pagam pelos seus lucros metade dos impostos que pagavam em 2007. Isso quando eles n\u00e3o s\u00e3o completamente evadidos, como o BBVA no ano passado. <strong>Com homens de preto ou sem eles, v\u00e3o voltar os velhos tempos dos cortes selvagens. <\/strong><br \/>\n\u00c9 totalmente insensato pensar que a \u00abcl\u00e1usula de escape\u00bb, atrav\u00e9s da qual a Comiss\u00e3o Europeia permite a Governos temporariamente contornar os limites do d\u00e9ficit (3% do PIB) e d\u00edvida p\u00fablica (60%), vai continuar vigente por muito tempo. O mencionado Dombrovskis j\u00e1 deixou claro: <strong>os limites voltar\u00e3o logo que a situa\u00e7\u00e3o excepcional provocada pelo coronav\u00edrus remeta<\/strong>. O ex-ministro grego Varoufakis afirma-o mais claramente: <em>\u00abno momento em que o d\u00e9ficit alem\u00e3o se aproxima de zero\u00bb.<\/em><br \/>\nEnt\u00e3o voltar\u00e3o, <strong>com homens de preto ou sem eles, os velhos tempos dos cortes selvagens<\/strong>, \u00e0s redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e aumento dos impostos que todos n\u00f3s pagamos, como o IVA ou impostos especiais de consumo (aumentos que, ali\u00e1s, j\u00e1 vem \u00abrecomendando\u00bb h\u00e1 muito tempo a Uni\u00e3o Europeia). A UE \u00e9 especialista nisto, como revela um estudo recente de Emma Clancy que regista as 300 vezes, entre 2011 e 2018, em que a Comiss\u00e3o Europeia exigiu que os governos reduzissem custos sociais, aumentassem a idade das aposentadorias e reduzissem as despesas com aposentadorias, cuidados de sa\u00fade, servi\u00e7os de sa\u00fade, seguran\u00e7a no trabalho e subs\u00eddios de desemprego, al\u00e9m de se opor a aumentos salariais.<br \/>\n<strong>Encarar a realidade cara a cara: dentro da Uni\u00e3o Europeia e do euro n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o <\/strong><br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio dissipar a fuma\u00e7a criada em torno dos acordos do Conselho Europeu e olhar para a realidade de frente. Os fundos da UE <strong>n\u00e3o s\u00e3o nenhum presente nem nenhuma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora e classes populares<\/strong>. Eles s\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, uma corda no pesco\u00e7o para enforc\u00e1-los. H\u00e1 que explicar e denunciar a <strong>natureza antioper\u00e1ria e antipopular do acordo<\/strong>. Em vez destas transfer\u00eancias e cr\u00e9ditos envenenados, <strong>\u00e9 preciso deixar de pagar uma d\u00edvida que o povo n\u00e3o gerou,<\/strong> mas que asfixia e que afunda o povo na mis\u00e9ria social. \u00c9 preciso <strong>nacionalizar os bancos e os setores e empresas estrat\u00e9gicas<\/strong> para coloc\u00e1-los sob controle oper\u00e1rio e popular e reestruturar toda a economia ao servi\u00e7o das necessidades da popula\u00e7\u00e3o e de uma reconvers\u00e3o ecol\u00f3gica geral. <strong>Reduzir a jornada de trabalho e repartir o trabalho entre todos e todas<\/strong> sem cortar os j\u00e1 limitados sal\u00e1rios. Claro,<strong> tudo isto \u00e9 absolutamente incompat\u00edvel com a perman\u00eancia na UE e no euro<\/strong>, por isso devemos romper com eles para, juntamente com a classe trabalhadora e os outros povos do continente, construir uma<strong> Europa socialista dos trabalhadores e dos povos.<\/strong><br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Pa\u00edses Bajos, Austria, Suecia y Dinamarca.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o Vitor Jambo<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os fundos da Uni\u00e3o europeia (EU) n\u00e3o s\u00e3o um presente nem uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora e para as classes populares. Ao contr\u00e1rio s\u00e3o uma corda no pesco\u00e7o para afog\u00e1-los. Os grandes benefici\u00e1rios v\u00e3o ser, como at\u00e9 agora, os bancos, as grandes empresas privadas, as grandes construtoras e as energ\u00e9ticas. Desta vez [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":61296,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3512,30],"tags":[5116,3998,229,515,5700],"class_list":["post-61295","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estado-espanhol","category-coronavirus","tag-coronavirus-espanha","tag-coronavirus-uniao-europeia","tag-corriente-roja","tag-especial-coronavirus","tag-fundo-reconstrucao-ue"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/x88889539_TOPSHOTSpains-Prime-Minister-Pedro-Sanchez-L-French-President-Emmanuel-Macron-C-and.jpg.pagespeed.ic_.4KUUYOu0qM.jpg","categories_names":["Estado Espanhol","Pandemia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61295"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61295\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61296"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}