{"id":61198,"date":"2020-07-30T12:27:17","date_gmt":"2020-07-30T14:27:17","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61198"},"modified":"2020-07-30T12:27:17","modified_gmt":"2020-07-30T14:27:17","slug":"italia-o-coronavirus-e-as-duplas-opressoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/07\/30\/italia-o-coronavirus-e-as-duplas-opressoes\/","title":{"rendered":"It\u00e1lia&#124; O coronav\u00edrus e as duplas opress\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em>Perguntas frequentes<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Comiss\u00e3o do Trabalho das Mulheres &#8211; Pdac<br \/>\nA evolu\u00e7\u00e3o da pandemia nas diferentes fases identificadas pelo governo com base no n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es trouxe \u00e0 tona e exacerbou a condi\u00e7\u00e3o de mulheres e de muitos sujeitos sociais, duplamente ou triplamente oprimidos. Nunca antes desse momento ficou evidente o desinteresse total do capitalismo pela condi\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras: em nenhum momento, desde o in\u00edcio do isolamento, houve a preocupa\u00e7\u00e3o de resolver a sobrecarga de trabalho que, de repente, eliminou servi\u00e7os e rede familiar, recaindo sobre os ombros das mulheres. Como sempre, as trabalhadoras nativas ou imigrantes tiveram que sobreviver por conta pr\u00f3pria, mais uma vez desempenhando o precioso papel de apoio social gratuito, sobre o qual o Estado burgu\u00eas p\u00f4de se dar ao luxo de n\u00e3o tomar medidas, com grande economia de recursos a serem utilizados para a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. .<br \/>\n<strong>Em geral, quais foram os efeitos da pandemia e da quarentena nas mulheres?<\/strong><br \/>\nDeve-se esclarecer desde o in\u00edcio que obviamente estamos falando de mulheres prolet\u00e1rias: a pandemia e a quarentena de fato destacaram o que j\u00e1 era bastante evidente antes, a saber, que os recursos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para as mulheres burguesas permitiram-lhes, como permitiam antes, enfrentar esse per\u00edodo de maneira diferente.<br \/>\nEm vez disso, as mulheres prolet\u00e1rias, nativas ou imigrantes, tiveram poucas op\u00e7\u00f5es: ou continuar trabalhando nas chamadas &#8220;atividades essenciais&#8221;, muitas vezes sem as medidas de prote\u00e7\u00e3o individual necess\u00e1rias, com o consequente risco para elas e para as suas fam\u00edlias, ou sofrer a redu\u00e7\u00e3o ou perda de vencimentos. Lembramos de fato que, no mundo do trabalho, a grande maioria das mulheres est\u00e1 sujeita a contratos tempor\u00e1rios ou a regime parcial, e, frequentemente s\u00e3o absorvidas pelo mercado clandestino como for\u00e7a de trabalho. Al\u00e9m disso, o fechamento das escolas e a falta de uma rede de servi\u00e7os familiar descarregaram sobre seus ombros uma carga de trabalho dom\u00e9stico e de cuidados, acrescidos ao que j\u00e1 era realizado normalmente, mais um motivo de opress\u00e3o e motivo de afastamento do local de trabalho.<br \/>\n<strong>Entre os setores com preval\u00eancia de trabalhadoras, certamente existe o de servi\u00e7os. Como as mulheres empregadas nos servi\u00e7os enfrentaram essa emerg\u00eancia?<\/strong><br \/>\nA emerg\u00eancia de sa\u00fade tamb\u00e9m revelou disparidades de g\u00eanero dramaticamente evidentes neste setor, caracterizadas por sal\u00e1rios entre os mais baixos do mercado, composto em grande parte por mulheres: m\u00e9dicas, enfermeiras, <em>OSS<\/em>, assistentes sociais. Nas \u00faltimas semanas, as operadoras tiveram que enfrentar cargas de trabalho extenuantes, tamb\u00e9m para substituir colegas doentes, arriscando a sa\u00fade e, em alguns casos, a vida, devido \u00e0 falta de dispositivos de prote\u00e7\u00e3o adequados e de treinamento adequado. N\u00e3o \u00e9 por acaso, de fato, que a maior porcentagem de pessoas contagiadas entre as profissionais da sa\u00fade s\u00e3o mulheres. A estas devem ser adicionadas todas as mulheres que trabalham em servi\u00e7os auxiliares, limpeza, cantinas, lavanderias.<br \/>\nCom o fechamento de escolas e centros diurnos para doentes de Alzheimer e para pessoas com defici\u00eancia (onde as medidas de precau\u00e7\u00e3o n\u00e3o seriam poss\u00edveis), muitas profissionais ficaram desempregadas; algumas conseguiram recorrer a redes de seguro social que, no entanto, ainda n\u00e3o chegaram, enquanto os contratos com prazo determinado n\u00e3o foram renovados. Sempre que poss\u00edvel, os servi\u00e7os foram convertidos em atendimento domiciliar. Portanto, as mulheres que continuaram a trabalhar foram for\u00e7adas a entrar em contato com diferentes fam\u00edlias, aumentando exponencialmente o risco, para si e para os usu\u00e1rios.<br \/>\n<strong>Outro setor predominantemente feminino \u00e9 o da escola. Como as professoras administraram o trabalho em casa e os compromissos familiares?<\/strong><br \/>\nO fechamento das escolas teve efeitos devastadores na vida das mulheres trabalhadoras. Muitas mulheres tiveram que conciliar trabalho remoto com os cuidados dos filhos. Os professores tamb\u00e9m se enquadram nessa categoria: o ensino a dist\u00e2ncia, t\u00e3o elogiado pela ministra da Educa\u00e7\u00e3o, provou ser um desastre, tanto para os alunos (os mais pobres nem sequer conseguiram us\u00e1-lo) quanto para os professores. N\u00e3o devemos esquecer que a esmagadora maioria dos professores s\u00e3o mulheres: m\u00e3es que frequentemente cuidavam dos filhos ao mesmo em tempo que faziam as aulas \u00e0 dist\u00e2ncia.<br \/>\nO trabalho remoto \u00e9 mais alienador e pesado do que o trabalho presencial: muitos professores, como aconteceu em outros setores do trabalho, tiveram que realiz\u00e1-lo em condi\u00e7\u00f5es imposs\u00edveis. Mas um cen\u00e1rio ainda pior nos espera se n\u00e3o conseguirmos derrubar esse sistema econ\u00f4mico e social: em setembro as escolas reabrir\u00e3o sem nenhuma seguran\u00e7a real. Basta ver o que est\u00e1 acontecendo com os exames do ensino m\u00e9dio: n\u00e3o est\u00e1 prevista nenhuma higieniza\u00e7\u00e3o, fala-se apenas de atividades de limpeza confiadas aos zeladores &#8230; A It\u00e1lia, como e mais do que outros pa\u00edses, \u00e9 um contexto extremamente machista. Sup\u00f5e-se que o cuidado dos filhos deve recair sobre as mulheres. Talvez seja por isso que o governo, que representa os interesses do grande capital, n\u00e3o se importou muito com o problema do fechamento das escolas. No sistema pelo qual lutamos, o socialismo, a escola seria uma absoluta prioridade.<br \/>\n<strong>O fechamento das escolas teve consequ\u00eancias para os alunos: por que as respostas do sistema n\u00e3o foram suficientes?<\/strong><br \/>\nO fechamento das escolas levou a consequ\u00eancias dram\u00e1ticas para as categorias exploradas e oprimidas deste sistema.<br \/>\nEm primeiro lugar, evidenciou a exist\u00eancia de estudantes de s\u00e9rie A e s\u00e9rie B. Os estudantes da s\u00e9rie B s\u00e3o aqueles que t\u00eam origem prolet\u00e1ria, que n\u00e3o podem usufruir do ensino a dist\u00e2ncia porque n\u00e3o t\u00eam meios para realiz\u00e1-lo; de acordo com os dados, no in\u00edcio do fechamento das escolas, um em cada cinco alunos n\u00e3o tinha acesso a videoaulas. O governo, apenas mais de um m\u00eas ap\u00f3s o fechamento das escolas, destinou 70 milh\u00f5es de euros para permitir aos estudantes menos abastados o equipamento necess\u00e1rio para acompanhar as aulas on-line. Soma rid\u00edcula. Um pouco mais de 40 euros seriam destinados a cada aluno, o que \u00e9 insuficiente para atender \u00e0s necessidades dos alunos.<br \/>\nAl\u00e9m disso, um m\u00eas antes do t\u00e9rmino das aulas, o governo aloca 1,5 bilh\u00e3o de euros para a escola, atrav\u00e9s de Decreto que conta com 55 bilh\u00f5es de euros, que ser\u00e3o destinados para salvar as empresas. Fica ainda mais evidente que os estudantes n\u00e3o s\u00e3o uma prioridade para o governo, pois n\u00e3o s\u00e3o lucrativos.<br \/>\nA desigualdade digital n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema: de fato, alguns estudantes tiveram que procurar um trabalho para ajudar os pais que o perderam e outros para cuidar de irm\u00e3os mais novos.<br \/>\nTodo o trabalho dom\u00e9stico recaiu sobre as fam\u00edlias, especialmente as mais pobres que n\u00e3o podem pagar por trabalhadores dom\u00e9sticos e cuidadores. Em particular, recaiu sobre as mulheres que muitas vezes tiveram que desistir do trabalho para cuidar dos filhos. Devido \u00e0 disparidade salarial, as mulheres ser\u00e3o a maioria das que abandonar\u00e3o o trabalho na fam\u00edlia, o que levar\u00e1 a uma maior depend\u00eancia do marido e, portanto, maior probabilidade de sofrer viol\u00eancia dom\u00e9stica.<br \/>\n<strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica, o que foi feito e o que deveria ter sido feito?<\/strong><br \/>\nCom as medidas de isolamento social, absolutamente necess\u00e1rias para conter o avan\u00e7o do Coronav\u00edrus, muitas mulheres e crian\u00e7as se viram em situa\u00e7\u00f5es de forte vulnerabilidade porque, para muitas delas, a casa, em vez de ser um ambiente seguro, tornou-se justamente o lugar onde a viol\u00eancia se materializa. O Estado italiano, tardiamente, lan\u00e7ou campanhas de emerg\u00eancia contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica, criando aplicativos, um c\u00f3digo de den\u00fancia (m\u00e1scara), um n\u00famero de telefone: no entanto, deve-se dizer que nem todas as mulheres t\u00eam f\u00e1cil acesso \u00e0 internet e mesmo quando elas t\u00eam, a presen\u00e7a constante do agressor muitas vezes se torna um limite para a mulher acessar o servi\u00e7o.<br \/>\nUma renda m\u00ednima para mulheres que mais do que homens se encontraram sem a independ\u00eancia econ\u00f4mica necess\u00e1ria para se afastar de situa\u00e7\u00f5es desse tipo, nem sequer foi discutida at\u00e9 o momento pelos governos.<br \/>\nEm um sistema socialista, a opress\u00e3o de g\u00eanero desapareceria porque n\u00e3o seria mais sustentada pela base material desta sociedade, cairiam todos os preconceitos sexistas, demonstrando na pr\u00e1tica a igualdade entre homens e mulheres: as mulheres, economicamente independentes e aut\u00f4nomas, poderiam gozar de sua plena liberdade.<br \/>\n<strong>Por que o home office, t\u00e3o celebrado pela m\u00eddia burguesa, provou ser um fardo adicional para as mulheres?<\/strong><br \/>\nDe acordo com a legisla\u00e7\u00e3o burguesa, o home office permite que voc\u00ea trabalhe em casa em hor\u00e1rios flex\u00edveis, portanto, n\u00e3o vinculado a hor\u00e1rios de trabalho habituais e sem a obriga\u00e7\u00e3o de registro. Aqueles que t\u00eam a oportunidade de trabalhar dessa maneira podem faz\u00ea-lo nos hor\u00e1rios mais adequados \u00e0s suas necessidades pessoais. De qualquer forma, dado que a flexibilidade do hor\u00e1rio de trabalho \u00e9 concedida, as horas extras n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas, mas as horas trabalhadas al\u00e9m do hor\u00e1rio de trabalho v\u00e3o diretamente para o cofrinho do patr\u00e3o.<br \/>\nO home office adotado nesse per\u00edodo nunca saiu da fase de emerg\u00eancia: a reprodu\u00e7\u00e3o fiel do hor\u00e1rio de trabalho, \u00e0s vezes ainda mais extenso do que aquele realizado no local de trabalho, adotado emergencialmente no in\u00edcio do isolamento, nunca foi revisto para facilitar a administra\u00e7\u00e3o da sobrecarga de trabalho dom\u00e9stico que pesou sobre as mulheres com o fechamento das escolas e\/ou a elimina\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de assist\u00eancia. Isso tornou muito dif\u00edcil cuidar das necessidades do trabalho e as da fam\u00edlia, a ponto de n\u00e3o ser mais poss\u00edvel separar a esfera pessoal da esfera de trabalho. Al\u00e9m de trabalharem mais para mostrar que s\u00e3o produtivas, as mulheres acumularam ansiedade e estresse devido \u00e0s dificuldades relacionadas ao atendimento de outros aspectos da vida em casa.<br \/>\nNumericamente, as mulheres representaram, e provavelmente continuar\u00e3o a representar, a maioria da for\u00e7a de trabalho na It\u00e1lia e no mundo ao qual o home office foi designado, mas, apesar da preserva\u00e7\u00e3o do local de trabalho, eles viram um agravamento de suas condi\u00e7\u00f5es: os chefes consideravam que lhes haviam prestado um grande favor, uma vez que, durante o per\u00edodo de pandemia, elas n\u00e3o precisaram comparecer no local de trabalho, mas tiveram a &#8220;sorte&#8221; de estar em casa, em um local protegido, longe do perigo de cont\u00e1gio. E como garantia de tamanha &#8220;sorte&#8221;, eles continuaram a atribuir cada vez mais atividades porque, como \u00e9 sabido, em casa, as mulheres s\u00e3o ainda mais eficientes e r\u00e1pidas e, portanto, capazes de produzir ainda mais.<br \/>\n<strong>Por que, hoje, as mulheres querem voltar \u00e0 normalidade mais do que os outros?<\/strong><br \/>\nCom este cen\u00e1rio, \u00e9 f\u00e1cil responder. Nesse momento, as mulheres, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o de sua independ\u00eancia econ\u00f4mica ou, em muitos casos, terem perdido a possibilidade de manterem a si e a seus filhos, sofreram uma sobrecarga adicional ao trabalho dom\u00e9stico habitual. Antes do Coronav\u00edrus, de acordo com dados mundiais da ONU, as mulheres j\u00e1 dedicavam entre 1 e 3 horas a mais do que os homens \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas; entre 2 e 10 vezes mais tempo por dia para prestar assist\u00eancia (para filhos e filhas, idosos e doentes) e entre 1 e 4 horas por dia a menos para atividades sociais. Agora \u00e9 em tempo integral, devido \u00e0 emerg\u00eancia. Para muitas delas, o isolamento, como dissemos, significou tamb\u00e9m um risco para a pr\u00f3pria vida.<br \/>\nPortanto, \u00e9 compreens\u00edvel que, embora faltando as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e o risco de exposi\u00e7\u00e3o ao cont\u00e1gio ainda seja alto, elas desejem voltar \u00e1 \u201cnormalidade&#8221;, isto \u00e9, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o preexistente \u00e0 pandemia, situa\u00e7\u00e3o que, embora opressiva, hoje representa uma redu\u00e7\u00e3o da fadiga di\u00e1ria .<br \/>\n<strong>Mas n\u00e3o seria poss\u00edvel uma melhoria com pol\u00edticas adequadas de concilia\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAs pol\u00edticas de concilia\u00e7\u00e3o s\u00e3o ferramentas burguesas que s\u00e3o funcionais para demonstrar no papel que h\u00e1 aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es da opress\u00e3o feminina, mas na pr\u00e1tica elas se mostraram muito perigosas antes de tudo porque cultivam a ilus\u00e3o de que esse sistema pode ser alterado. No entanto, nessa circunst\u00e2ncia, as solu\u00e7\u00f5es adotadas pelo governo italiano, bem como as de outros pa\u00edses, passadas como atos de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o feminina, mostraram na realidade um absoluto desinteresse pela condi\u00e7\u00e3o das mulheres prolet\u00e1rias: quando chegaram, muito tarde, essas medidas eram rid\u00edculas ou provavam ser desprovidas de qualquer sentido pr\u00e1tico. O pr\u00f3prio Decreto de Relan\u00e7amento que, de acordo com as declara\u00e7\u00f5es redundantes com as quais foi anunciado, devia conter a resposta para todos os problemas, limita-se a ampliar a possibilidade de solicitar licen\u00e7a parental ou o b\u00f4nus de bab\u00e1, por exemplo, para compensar o fechamento das escolas: em resumo, pesa ainda nos bolsos e nos sal\u00e1rios das trabalhadoras, pelo menos daquelas que conseguiram manter o trabalho.<br \/>\nO perigo dessas chamadas pol\u00edticas de &#8220;boas pr\u00e1ticas&#8221; tamb\u00e9m reside no fato de que, ao abordar apenas as mulheres, elas se consolidaram ao longo do tempo no imagin\u00e1rio coletivo, que cabe \u00e0s mulheres encontrar tempo para o trabalho e o cuidado (precisamente &#8220;conciliar&#8221;). Essas pol\u00edticas s\u00e3o t\u00e3o aleat\u00f3rias que, no final, se revelaram mais prejudiciais do que \u00fateis: basta pensar em um exemplo entre muitos, no uso selvagem do trabalho em tempo parcial em todas as suas formas, um contrato que agora est\u00e1 sendo oferecido quase exclusivamente a m\u00e3es trabalhadoras com a desculpa de facilitar, mas com o objetivo de explorar a flexibilidade pagando-as menos.<br \/>\n<strong>Entre os setores oprimidos que sofreram gravemente com as consequ\u00eancias da pandemia, existem imigrantes e LGBTs: como eles enfrentaram esse per\u00edodo?<\/strong><br \/>\nO meio milh\u00e3o de imigrantes &#8220;irregulares&#8221; distribu\u00eddos nos contextos sociais mais d\u00edspares, que devido \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o clandestina vivem em condi\u00e7\u00f5es higi\u00eanico-sanit\u00e1rias inadequadas e que n\u00e3o podem se dirigir ao sistema nacional de sa\u00fade por medo de serem descobertos, enfrentaram sozinhos a pandemia.<br \/>\nAtualmente, os imigrantes que trabalham em nossos campos recuperaram a visibilidade: por terem continuado a trabalhar nos campos sem os dispositivos de prote\u00e7\u00e3o e apesar de terem sobrevivido em barracos em condi\u00e7\u00f5es higi\u00eanico-sanit\u00e1rias terr\u00edveis, hoje s\u00e3o considerados fundamentais porque s\u00e3o funcionais para a recupera\u00e7\u00e3o do setor agr\u00edcola. O governo e a m\u00eddia que fecharam os olhos todos esses anos, os reabriram magicamente e os inseriram do Decreto Relan\u00e7ar para regulariz\u00e1-los. A regulariza\u00e7\u00e3o desses imigrantes nada mais \u00e9 do que uma exig\u00eancia do governo para defender seus interesses econ\u00f4micos. Destina-se apenas \u00e0 parte dos imigrantes que trabalham nos setores mais problem\u00e1ticos para a economia italiana. Acima de tudo, diz respeito a quem trabalha no setor agr\u00edcola e pecu\u00e1rio, mas tamb\u00e9m na assist\u00eancia dos idosos e nos cuidados domiciliares: nesses dois \u00faltimos casos, obviamente falamos de mulheres, principalmente imigrantes, que, no entanto, dificilmente conseguir\u00e3o demonstrar a continuidade da presen\u00e7a no territ\u00f3rio nacional, tendo realizado um trabalho sempre fechadas dentro das paredes dom\u00e9sticas e, portanto, mais invis\u00edvel entre os invis\u00edveis.<br \/>\nO isolamento na fam\u00edlia, que muitas vezes constitui a forma mais importante de opress\u00e3o, o fechamento de servi\u00e7os de assist\u00eancia nas escolas, a interrup\u00e7\u00e3o de todas as terapias consideradas n\u00e3o essenciais, tamb\u00e9m comprometeu bastante a estabilidade ps\u00edquica e emocional de muitos membros da comunidade LGBT. Sobre esses aspectos, houve n\u00e3o apenas uma a\u00e7\u00e3o, mas nem mesmo uma palavra: n\u00e3o havendo interesse econ\u00f4mico subjacente, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de gastar tempo ou palavras.<br \/>\n<strong>Em um sistema socialista, como os setores oprimidos, mulheres, imigrantes e LGBT teriam enfrentado a pandemia?<\/strong><br \/>\nComo n\u00e3o somos infectologistas, n\u00e3o podemos contrariar aqueles que nos dizem que n\u00e3o poder\u00edamos ter evitado a pandemia, nem mesmo em um sistema socialista. Certamente, em um sistema socialista, as mulheres teriam desfrutado de uma situa\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel mesmo antes da pandemia, usufruindo de estruturas p\u00fablicas que teriam aliviado seu trabalho: cantinas p\u00fablicas, empresas p\u00fablicas para a limpeza e higiene das casas, creches e escolas p\u00fablicas em tempo integral, centros p\u00fablicos para idosos e pessoas com defici\u00eancia. Precisamos esclarecer que, quando falamos de p\u00fablico, n\u00e3o estamos pensando na escola ou no sistema de sa\u00fade na It\u00e1lia, j\u00e1 esgotados pelos cortes cont\u00ednuos e substanciais implementados ao longo dos anos, indiferentemente pelos governos de diferentes alinhamentos pol\u00edticos. Falamos de uma sociedade coletivizada, de uma economia planejada por trabalhadores para trabalhadores. A independ\u00eancia econ\u00f4mica e a participa\u00e7\u00e3o ativa na vida da comunidade as teriam tamb\u00e9m libertado da viol\u00eancia machista.<br \/>\nEm uma sociedade comunista, onde prevaleceria o princ\u00edpio do internacionalismo, as fronteiras n\u00e3o seriam mais um problema e a quest\u00e3o da &#8220;imigra\u00e7\u00e3o&#8221; seria esvaziada de significado: cada pessoa receberia o equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual e os cuidados necess\u00e1rios, independentemente de sua ra\u00e7a, g\u00eanero ou identidade sexual.<br \/>\nNesse sentido, \u00e9 \u00fatil um esclarecimento sobre o tema LGBT, independentemente do contexto do Coronav\u00edrus, uma vez que os chamados indevidamente &#8220;Estados socialistas&#8221; transmitiram uma ideia distorcida de como os comunistas abordam essa realidade. Em 1924, o Dr. Grigory Batkis termina um livreto \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Sexual na R\u00fassia\u201d, no qual descreve a situa\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o ao direito de fam\u00edlia, os direitos das mulheres e das crian\u00e7as e a nova legisla\u00e7\u00e3o relativa \u00e0s rela\u00e7\u00f5es homossexuais. Ele afirma que os atos de homossexualidade &#8220;e qualquer outra forma de prazer sexual&#8221; tinham o mesmo status legal que as rela\u00e7\u00f5es heterossexuais, acrescentando que &#8220;Todas as formas de rela\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o tratadas como uma quest\u00e3o pessoal&#8221;. O texto de Batkis destaca a abordagem dos bolcheviques no poder sobre essas quest\u00f5es. Mais tarde, ele foi enterrado e esquecido depois que o regime stalinista, na d\u00e9cada de 1930, anulou uma parte do que havia sido feito para as mulheres e homossexuais. Mas a verdade \u00e9 sempre concreta e este documento mostra que os comunistas realmente agiram muito \u00e0 frente do que os pa\u00edses capitalistas mais avan\u00e7ados estavam fazendo na \u00e9poca, tanto em termos de direitos das mulheres quanto de direitos dos homossexuais.<br \/>\nPortanto, para concluir, novas regras da vida familiar e das rela\u00e7\u00f5es sexuais seriam modeladas de acordo com as necessidades e exig\u00eancias naturais das pessoas.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Maria Teresa Albiero<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas frequentes<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":61199,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[218,238,3493,30],"tags":[514,515,3726,5663,476,5664],"class_list":["post-61198","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-italia","category-lgbt","category-mulheres","category-coronavirus","tag-coronavirus-italia","tag-especial-coronavirus","tag-mulheres-e-coronavirus","tag-mulheres-pdac","tag-pdac","tag-trabalho-domestico-e-coronavirus"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Il_coronavirus_e_le_doppie_oppressioni_.jpg","categories_names":["It\u00e1lia","LGBT","Mulheres","Pandemia"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61198\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}