{"id":61155,"date":"2020-07-28T14:03:00","date_gmt":"2020-07-28T16:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61155"},"modified":"2020-07-28T14:03:00","modified_gmt":"2020-07-28T16:03:00","slug":"sebastian-romero-eu-estava-me-defendendo-com-um-foguete-de-venda-livre-a-policia-estava-armada-com-balas-de-borracha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/07\/28\/sebastian-romero-eu-estava-me-defendendo-com-um-foguete-de-venda-livre-a-policia-estava-armada-com-balas-de-borracha\/","title":{"rendered":"Sebasti\u00e1n Romero: \u201cEu estava me defendendo com um foguete de venda livre, a pol\u00edcia estava armada com balas de borracha\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Estive foragido no Uruguai porque quando se mobilizou contra a reforma da previd\u00eancia macrista, a ex ministra da Seguran\u00e7a Patricia Bullrich iniciou uma processo por intimida\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Na conversa com P\u00e1ginaI12 fala de tudo: do que aconteceu nesse dia, o famoso \u201cmorteiro\u201d, sua deten\u00e7\u00e3o atual; a milit\u00e2ncia e o desejo de conseguir um trabalho.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Adriana Meyer, de P\u00e1gina 12<br \/>\nSebasti\u00e1n Romero fala r\u00e1pido, como se quisesse recuperar o tempo. Perdido? A primeira coisa que diz quando atende a P\u00e1ginaI12\u00a0\u00e9 que \u201cest\u00e1 tudo bem\u201d, e em seguida ri como se pensasse tudo bem, dentro dos limites que possa estar privado de sua liberdade. Desde 25 de junho, quando veio extraditado do Uruguai onde esteve \u201cforagido\u201d quase dois anos e meio, permanece na Superintend\u00eancia de Investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal, localizada em Madariaga e General Paz, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a porque o Servi\u00e7o Penitenci\u00e1rio Federal n\u00e3o aceita novos presos por causa da pandemia.<br \/>\nIdentificado pela maioria da m\u00eddia como o \u201cGordo do Morteiro\u201d \u2013 porque na foto que foi divulgada ap\u00f3s aquele intenso dia de protesto e repress\u00e3o tinha uma esp\u00e9cie de morteiro com pirotecnia atado a um pau \u2013 o delegado da General Motors e militante do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) foi detido em 30 de maio no pa\u00eds vizinho. Estava foragido desde 18 de dezembro de 2017 por causa da intimida\u00e7\u00e3o p\u00fablica iniciada pela ex ministra Patricia Bullrich contra uma dezena de manifestantes, ap\u00f3s o massivo protesto contra a reforma do sistema de aposentadorias.<br \/>\nCom sua fam\u00edlia s\u00f3 teve contato telef\u00f4nico, mas se sentiu aliviado. \u201cMe fortalece para continuar firme na luta\u201d, disse a <strong>P\u00e1ginaI12<\/strong>\u00a0 no di\u00e1logo a partir da prefeitura de Madariaga. Romero nasceu e cresceu em Rosario, no bairro Fonavi com uma fam\u00edlia numerosa e trabalhadora e estudou em escolas p\u00fablicas. \u201cSou um menino de bairro, fiz o que a maioria faz: estudar, trabalhar, progredir mas com as travas que s\u00e3o colocadas para a classe trabalhadora\u201d. Tentou seguir a carreira de Ci\u00eancias Veterin\u00e1rias e depois Psicologia, mas teve que deix\u00e1-las e trabalhar. \u201cPassei minha juventude com meus companheiros de f\u00e1brica, na General Motors me elegeram delegado sindical e entrei no ativismo, conheci meu partido o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) e come\u00e7amos a discutir pol\u00edtica, antes era apol\u00edtico, criticava o sistema mas n\u00e3o via sa\u00edda pela pol\u00edtica, como a maioria dos de minha idade\u201d. Sebasti\u00e1n Romero tem 35 anos, \u00e9 de Boca, seus pais est\u00e3o vivos, tem 5 irm\u00e3os e 10 sobrinhos. \u00c0s vezes joga futebol para passar o tempo com amigos e companheiros de trabalho. \u201cPaix\u00f5es por fora do pol\u00edtico n\u00e3o tenho, agora estudarei psicologia social, no tempo livre leio e estudo, sou autodidata\u201d.<br \/>\n<strong>\u2013Como foram esses anos?<\/strong><br \/>\n\u2013Aos 20 anos entrei no setor de carrocerias, minha posi\u00e7\u00e3o na f\u00e1brica sempre foi muito dif\u00edcil por defender os direitos dos meus companheiros e a democracia oper\u00e1ria para que haja assembleia, fui perseguido pela empresa e pelo Smata. Sofri fraude eleitoral duas vezes. 2017 foi um ano muito dif\u00edcil, vieram demiss\u00f5es, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica piorando. Em mar\u00e7o o Smata e a empresa fizeram um acordo por suspens\u00f5es de 350 trabalhadores, eu entre eles, por seis meses recebendo a metade do sal\u00e1rio, depois viria a demiss\u00e3o. Al\u00e9m disso, no meu bairro por falta de obras caiam as escadas, dois vizinhos se feriram gravemente pelos desmoronamentos, como militante socialista estive organizado em meu bairro e no meu trabalho, em risco a moradia e o trabalho. Via de muito perto a necessidade entre minha gente, n\u00e3o era poss\u00edvel pagar o conserto da escada. Foi um golpe de consci\u00eancia massivo, em todas as f\u00e1bricas se discutia dizer n\u00e3o \u00e0 reforma trabalhista e da previd\u00eancia. Havia raiva, as pessoas queriam organizar-se porque as dire\u00e7\u00f5es reclamavam mas n\u00e3o apresentavam um plano de luta concreto. Em 17 de dezembro, depois de muitas assembleias n\u00f3s os suspensos decidimos ir a Buenos Aires.<br \/>\n<strong>\u2013O que aconteceu nesse dia?<\/strong><br \/>\n\u2013Cheguei a Buenos Aires, por volta das 10 da manh\u00e3, na pra\u00e7a procurei a coluna do meu partido junto \u00e0s demais organiza\u00e7\u00f5es, era uma mobiliza\u00e7\u00e3o gigante, n\u00e3o estava acostumado com tanta gente salvo quando t\u00ednhamos ido por Santiago Maldonado. Est\u00e1vamos cantando, tomando \u00e1gua e conversando. As pessoas recha\u00e7avam massivamente o plano econ\u00f4mico do governo de Macri que at\u00e9 hoje continuamos pagando. Nesse dia houve muita repress\u00e3o. Est\u00e1vamos junto \u00e0 FIT, sempre mobilizamos juntos.<br \/>\n<strong>\u2013Houve algum tipo de preven\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es pelo que poderia acontecer?<\/strong><br \/>\n\u2013N\u00e3o.<strong>\u00a0<\/strong><strong> O que a m\u00eddia disse de que fui o organizador n\u00e3o \u00e9 correto, nunca aconteceu. Sempre levamos bombas de estrondo nas marchas e assembleias, \u00e9 muito comum.<\/strong> Em nenhum momento pensamos que iria desatar semelhante repress\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o havia se juntado para decidir as consignas, as multisetoriais apresentavam o rep\u00fadio \u00e0 repress\u00e3o do dia 14, a outra manifesta\u00e7\u00e3o contra a reforma previdenci\u00e1ria, nesse dia o Congresso n\u00e3o teve sess\u00e3o, passaram para o dia 18. O Smata come\u00e7ou a dizer na f\u00e1brica que n\u00e3o tinham que aprovar essa reforma porque sen\u00e3o viria a trabalhista, tinha que parar e mobilizar, um setor do sindicato mobilizou, mas n\u00e3o estavam na primeira linha. Foi uma situa\u00e7\u00e3o muito tensa, corriam \u00e0 minha esquerda, alguma coisa estava acontecendo. Depois atiraram gases onde estavam nossas colunas mas n\u00e3o pod\u00edamos retroceder pela quantidade de gente que havia. A primeira linha atirava pedras, mas come\u00e7ou a crescer o n\u00famero de pessoas e gerou uma batalha campal. Devolv\u00edamos os gases, e nesse momento tinha um morteiro atado a um pau que usamos para atirar ao ar, e me tiraram uma foto e um v\u00eddeo para mostrar que era eu quem estava agredindo.<br \/>\n<strong>\u2013Um morteiro?<\/strong><br \/>\n\u2014<strong>\u00c9 de venda livre, vem com tr\u00eas tiros com um cilindro de borracha e a\u00ed se coloca o foguete para solt\u00e1-lo.\u00a0<\/strong> N\u00e3o era nada de fabrica\u00e7\u00e3o caseira, era o pau que peguei na mobiliza\u00e7\u00e3o e o atei com fita, improvisei no momento.\u00a0 <strong>Nas mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 muito comum usar pirotecnia, eu estava me defendendo com um foguete vendido livremente, a pol\u00edcia estava armada com balas de borracha<\/strong>, os gases lacrimog\u00eanios, as motos, os caminh\u00f5es lan\u00e7a \u00e1gua, a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as era muito diferente. N\u00e3o era uma quest\u00e3o de defender-se e sim de frear a repress\u00e3o porque est\u00e1vamos encurralados sem poder sair para nenhum lado. Na primeira linha a raiva era t\u00e3o grande que se defendia com o que se tinha \u00e0 m\u00e3o.<br \/>\n<strong>\u2013O que fez quando tudo terminou?<\/strong><br \/>\n\u2013Eu estava voltando para Rosario, a m\u00eddia em massa repetia minha imagem, diziam que eu era perigoso, de tudo\u2026me mataram, Bin Laden n\u00e3o era nada ao meu lado. Tinham pedido minha deten\u00e7\u00e3o, falei com meu advogado para que respondesse que eu s\u00f3 tinha lan\u00e7ado uma bomba de estrondo, n\u00e3o feri ningu\u00e9m, mas nesse momento o governo de Macri endureceu comigo, a m\u00eddia de massa reproduziu minha imagem tantas vezes que queriam me ver preso. Comecei a receber mensagens em meu telefone e pelas redes sociais, e me assustei. Imaginei que iriam me linchar, eram mensagens de \u00f3dio, amea\u00e7aram minha fam\u00edlia, eles nunca imaginaram semelhante coisa, muito angustiante.<br \/>\n<strong>\u2013Como voc\u00ea decidiu tornar-se foragido?<\/strong><br \/>\n\u2013O juiz me negava a liberta\u00e7\u00e3o. Houve buscas e deten\u00e7\u00f5es, pessoas se apresentavam e as prendiam como C\u00e9sar Arakaki e Dimas Ponce, do PO, aprovavam leis com uma manifesta\u00e7\u00e3o massiva na rua e pensei que poderiam fazer qualquer coisa.<br \/>\n<strong>\u2013O que pode nos contar desses quase dois anos e meio como foragido?<\/strong><br \/>\n\u2013N\u00e3o foi f\u00e1cil, tive que deixar de ser eu, n\u00e3o pude mais ver minha fam\u00edlia e amigos. Mas era uma maneira de demonstrar o que sofremos os trabalhadores com pol\u00edticas que os governos fazem e matam muitas pessoas, e n\u00e3o aceitei ir preso por atirar um foguete em uma marcha quando genocidas est\u00e3o em suas casas. Nos pedem aos cidad\u00e3os que sejamos corretos quando nossos direitos s\u00e3o violados. Foi dif\u00edcil por\u00e9m necess\u00e1rio.<br \/>\n<strong>\u2013Teve medo de que pudesse acontecer alguma coisa com voc\u00ea na pris\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u2013Vivo em um bairro da periferia, conhe\u00e7o muito bem como s\u00e3o os servi\u00e7os penitenci\u00e1rios e como age a pol\u00edcia, isso n\u00e3o temia. A decis\u00e3o pol\u00edtica desse momento, a pol\u00edtica das for\u00e7as repressivas de amedrontar tanto, de alentar a raiva sobre um setor, foi um agravante. Tive medo pelas amea\u00e7as, me diziam que na pris\u00e3o iria me acontecer um monte de coisas.<br \/>\n<strong>\u2013Esteve fora do pa\u00eds? De quem voc\u00ea teve ajuda?<\/strong><br \/>\n\u2013 Sim, tive que ir. A classe oper\u00e1ria \u00e9 mundial e \u00e9 solid\u00e1ria, sempre h\u00e1 solidariedade.<br \/>\n<strong>\u2013Como te encontraram?<\/strong><br \/>\n\u2013Estava voltando para a Argentina, e na alf\u00e2ndega de Chuy quando apresentei a documenta\u00e7\u00e3o apareceu meu pedido de captura e me detiveram. Tomei a decis\u00e3o de voltar porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ficar a vida toda assim. De certa maneira confiei em haver uma mudan\u00e7a de governo, e ver que muitas coisas est\u00e3o sendo feitas seriamente na pandemia. Fui perseguido pelo governo de Macri, agora est\u00e1 o governo de Fern\u00e1ndez e eu estou preso, por uma reforma que matou de fome e de tristeza muitos velhinhos. Parece que s\u00e3o n\u00fameros mas n\u00e3o, em meu bairro n\u00e3o podiam sair para comprar g\u00e1s natural.<br \/>\n<strong>\u2013Pensou que ao regressar poderia ficar em liberdade?<\/strong><br \/>\n\u2013N\u00e3o sou ing\u00eanuo, minha imagem foi crivada como algu\u00e9m mau pela m\u00eddia hegem\u00f4nica, com um governo diferente agora isto mais do que um julgamento, \u00e9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica. Me negaram a liberta\u00e7\u00e3o, o juiz Rodolfo Canicoba Corral, e continuo aqui preso. Meu companheiro Daniel Ruiz esteve preso mais de um ano e est\u00e1 em julgamento, mas em liberdade. Organiza\u00e7\u00f5es tanto de bairros como internacionais est\u00e3o pedindo minha liberdade.<br \/>\n<strong>\u2013Falou com Ruiz?<\/strong><br \/>\n\u2013Sim, lhe agradeci por ter bancado toda a situa\u00e7\u00e3o, sabemos que primeiro est\u00e1 um camarada que a gente pr\u00f3prio. Havia um milh\u00e3o de pesos de recompensa por mim, assim o atiraram na jaula dos le\u00f5es para que algu\u00e9m lhe fizesse alguma coisa em troca de informa\u00e7\u00e3o, mas seus companheiros presos o trataram muito bem. H\u00e1 dignidade, na penitenci\u00e1ria de Libertad tamb\u00e9m cuidaram de mim, me passaram mantas e sab\u00e3o. Estou orgulhoso de todos meus companheiros e da milit\u00e2ncia argentina, toda a solidariedade do arco pol\u00edtico e sindical, as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos e as M\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio. Tem que se unir para o que vir\u00e1 depois da pandemia.<br \/>\n<strong>\u2013E onde voc\u00ea est\u00e1 agora te tratam bem?<\/strong><br \/>\n\u2013Sim, sim. Nenhum problema, sempre tive um bom tratamento e di\u00e1logo. Inclusive falamos do que aconteceu nesse dia, se eles estivessem sindicalizados poderiam negar-se a reprimir.<br \/>\n<strong>\u2013Sentiu-se estigmatizado pelo apelido \u201cgordo do morteiro\u201d?<\/strong><br \/>\n\u2013<strong>-N\u00e3o me afetou que me chamem de gordo, de fato eu estava <\/strong>(ri). O problema \u00e9 quem usou isso e para qu\u00ea. \u00c9 uma sociedade sexista e discriminadora.<strong> Ridicularizar uma pessoa com excesso de peso \u00e9 para disfar\u00e7ar o fato do por que eu estava l\u00e1. <\/strong>\u00c9 me ridicularizar para que a mensagem pol\u00edtica se perca do porqu\u00ea as pessoas se mobilizaram nesse dia e estavam t\u00e3o raivosas. Ao passar tantas vezes minha imagem gerou uma opini\u00e3o, mas o tiro saiu pela culatra, porque longe de me verem como violento, me viram como algu\u00e9m protestando. As leis que votaram s\u00e3o muito mais violentas que uma pedra ou uma bomba de estrondo.<br \/>\n<strong>\u2013Como voc\u00ea se v\u00ea no futuro?<\/strong><br \/>\n\u2014<strong>Gostaria de conseguir trabalho<\/strong> o que ser\u00e1 dif\u00edcil pela exposi\u00e7\u00e3o que tive. Sair e sobreviver como sempre fiz, continuar militando e construindo meu partido e a Liga Internacional dos Trabalhadores, falar com todos os setores para fazer alguma coisa pelo pa\u00eds e pelo mundo. Est\u00e1 tudo em colapso, ver para onde vamos ter que come\u00e7ar a unidade dos trabalhadores. Tem que reapresentar tudo, o Governo tamb\u00e9m, fome nunca mais. A fome \u00e9 violenta, o desemprego tamb\u00e9m.<br \/>\nPublicado originalmente em: https:\/\/www.pagina12.com.ar\/280142-sebastian-romero-yo-me-estaba-defendiendo-con-un-cohete-de-v<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estive foragido no Uruguai porque quando se mobilizou contra a reforma da previd\u00eancia macrista, a ex ministra da Seguran\u00e7a Patricia Bullrich iniciou uma processo por intimida\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Na conversa com P\u00e1ginaI12 fala de tudo: do que aconteceu nesse dia, o famoso \u201cmorteiro\u201d, sua deten\u00e7\u00e3o atual; a milit\u00e2ncia e o desejo de conseguir um trabalho.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":61156,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[94,3739],"tags":[1295,4190,191,3740],"class_list":["post-61155","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-argentina","category-sebastian-romero","tag-pagina-12","tag-perseguicao-ao-lutadores-sociais","tag-sebastian-romero","tag-solidariedade-internacional"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sebastian-Romero-GM.jpg","categories_names":["Argentina","Sebasti\u00e1n Romero"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61155"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61155\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61156"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}