{"id":61150,"date":"2020-07-27T10:45:00","date_gmt":"2020-07-27T12:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=61150"},"modified":"2020-07-27T10:45:00","modified_gmt":"2020-07-27T12:45:00","slug":"do-rio-bravo-a-terra-do-fogo-avanca-a-colonizacao-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/07\/27\/do-rio-bravo-a-terra-do-fogo-avanca-a-colonizacao-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Do Rio Bravo \u00e0 Terra do Fogo: avan\u00e7a a coloniza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><em>Na semana passada, o presidente mexicano Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador (AMLO) visitou seu parceiro norte-americano Donald Trump como parte do in\u00edcio do T-MEC (Tratado de Livre Com\u00e9rcio entre M\u00e9xico, Estados Unidos e Canad\u00e1).<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nAlejandro Iturbe<br \/>\nO T-MEC substituiu o tratado anterior entre esses pa\u00edses, chamado NAFTA por suas siglas em ingl\u00eas, em vigor desde 1994 at\u00e9 agora. Essa mudan\u00e7a foi imposta pelo governo de Trump. Em um artigo que acaba de ser publicado nesta p\u00e1gina, a CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores, organiza\u00e7\u00e3o mexicana simpatizante da LIT) analisa extensamente o significado desta visita e do pr\u00f3prio T-MEC [1].<br \/>\nO artigo descreve o servilismo de AMLO diante de Trump e como n\u00e3o economizou em elogios e agradecimentos a este, como se fosse um \u201cbenfeitor\u201d da na\u00e7\u00e3o mexicana e seu povo.<br \/>\nAo mesmo tempo, o conte\u00fado profundo do acordo acaba sendo sintetizado em uma parte de seu discurso: <em>\u201cO M\u00e9xico, tem algo extremamente valioso para efetivar e potencializar a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e comercial da regi\u00e3o, me refiro a sua <strong>jovem, criativa e respons\u00e1vel for\u00e7a de trabalho&#8230; bons oper\u00e1rios que se destacam por sua imagina\u00e7\u00e3o, talento e m\u00edstica de trabalho&#8230;<\/strong> durante a Segunda Guerra Mundial, o M\u00e9xico ajudou a suprir a necessidade de mat\u00e9rias primas dos Estados Unidos e os apoiou com a m\u00e3o de obra dos trabalhadores migrantes que eram conhecidos como braceiros<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>, desde ent\u00e3o at\u00e9 agora&#8230;\u201d<\/em><br \/>\nEm outras palavras<em>: ofereceu manter e aumentar a superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores mexicanos de ambos os lados da fronteira e os saques dos recursos naturais mexicanos pelo imperialismo ianque.<\/em><br \/>\n<strong>Um componente essencial do regime pol\u00edtico<\/strong><br \/>\nH\u00e1 um aspecto do significado do T-MEC, analisado pelo artigo da CST, que queremos destacar.<br \/>\n<em>\u201cO T-MEC \u00e9 <strong>uma das institui\u00e7\u00f5es fundamentais do Estado semicolonial mexicano<\/strong>. \u00c9 imposs\u00edvel definir o regime pol\u00edtico do M\u00e9xico sem utilizar essa institui\u00e7\u00e3o imperialista como refer\u00eancia. Inclusive, as leis mexicanas foram reformadas para serem aceitas pelos EUA, de acordo com as cl\u00e1usulas do T-MEC. Um tratado que n\u00e3o \u00e9 de natureza meramente comercial, uma vez que regulamenta, restringe e estabelece controles e inspe\u00e7\u00f5es no M\u00e9xico por parte dos EUA. E nesse contexto de domina\u00e7\u00e3o imperialista, n\u00e3o podemos ignorar outra institui\u00e7\u00e3o vigente desde 2008: a <strong>Iniciativa M\u00e9rida<\/strong> que rege \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, policiais, migrat\u00f3rias e de comunica\u00e7\u00e3o e transporte, colocando-as sob o controle da <\/em>Administra\u00e7\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o de Drogas <em>\u00a0(DEA)\u201d<\/em>.<br \/>\nA Iniciativa M\u00e9rida (\u00e0s vezes chamada de Plano M\u00e9rida ou Plano M\u00e9xico) \u00e9 um tratado internacional de seguran\u00e7a, estabelecido entre os Estados Unidos, M\u00e9xico e os pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, com o suposto objetivo de <em>\u201ccombater o narcotr\u00e1fico e o crime organizado\u201d.<\/em> O acordo foi votado pelo Congresso dos Estados Unidos e ativado pelo ex- presidente George Bush, em 30 de junho de 2008.<br \/>\n<strong>Um processo latino-americano<\/strong><br \/>\nIsto n\u00e3o aconteceu apenas no M\u00e9xico. O dom\u00ednio semicolonial norte-americano, e imperialista em geral, sobre Am\u00e9rica Latina se expressa cada vez mais em uma s\u00e9rie de tratados, acordos e leis que adquirem uma categoria verdadeiramente constitucional e que marcam o conte\u00fado profundo desses regimes.<br \/>\nEm uma s\u00e9rie de artigos dedicada ao avan\u00e7o desse dom\u00ednio norte-americano publicada neste site, analis\u00e1vamos:<br \/>\n<em>\u201cUm aprofundamento que leva ao aparecimento de caracter\u00edsticas coloniais: presen\u00e7a militar permanente, ren\u00fancia da soberania jur\u00eddica, supervis\u00e3o r\u00edgida da pol\u00edtica econ\u00f4mica e monet\u00e1ria, etc. \u00c9 por isso que alguns autores falam de um \u201cprocesso de recoloniza\u00e7\u00e3o\u201d ou de uma situa\u00e7\u00e3o \u201cneocolonial\u201d<\/em>.<br \/>\n<em>A verdade \u00e9 que os governos e os regimes pol\u00edticos dos pa\u00edses latino-americanos j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o express\u00e3o da \u201cindepend\u00eancia pol\u00edtica nacional\u201d \u00e0 que se referia Lenin e tendem, cada vez mais, a serem institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, jur\u00eddicas e militares que expressam uma completa subordina\u00e7\u00e3o ao imperialismo. Mas, independente da categoria que denominamos essa situa\u00e7\u00e3o (e o grau de avan\u00e7o alcan\u00e7ado em cada pa\u00eds), existe uma contradi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica entre os interesses e necessidades dos trabalhadores e do povo dos pa\u00edses latino-americanos, por um lado, e esses governos e regimes (sejam autorit\u00e1rios ou eleitos pelo voto), por outro\u201d<\/em> [2].<br \/>\n<strong>O caso argentino<\/strong><br \/>\nPara defender seus interesses, o imperialismo ianque operou atrav\u00e9s de diferentes tipos de governos burgueses nos pa\u00edses latino-americanos. Alguns s\u00e3o reconhecidos, sem ambiguidades, de direita e admiradores de Trump, como o de Jair Bolsonaro no Brasil; outros passaram de uma ret\u00f3rica progressita da campanha eleitoral ao servilismo expl\u00edcito, como o de AMLO, no M\u00e9xico.<br \/>\nMas isso \u00e9 v\u00e1lido tamb\u00e9m para os governos que pretendem continuar apresentando uma imagem de \u201cprogressistas\u201d e \u201cpopulares\u201d, como o de Alberto Fern\u00e1ndez e Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner (CFK), na Argentina. Um car\u00e1ter pr\u00f3-imperialista que fica evidente na atual renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa que est\u00e1 levando a cabo com o FMI e os demais credores internacionais.<br \/>\nA d\u00edvida externa argentina deu um grande salto entre 1976 e 1982, sob a \u00faltima ditadura militar: nesse per\u00edodo, passou de 7.9 para 46 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Os benefici\u00e1rios foram cerca de 70 grandes empresas nacionais e estrangeiras que se dedicaram \u00e0 especula\u00e7\u00e3o financeira com esse dinheiro. Em novembro de 1982, a ditadura militar argentina (j\u00e1 em processo de queda) \u201cestatizou\u201d por decreto a d\u00edvida das empresas privadas (ou seja, repassou para o Estado e para toda a popula\u00e7\u00e3o). Desde ent\u00e3o, todos os governos burgueses eleitos (sejam radicais, peronistas ou de direita neoliberal) se negaram a investigar essa fraude e definiram a renegocia\u00e7\u00e3o e o pagamento dessa d\u00edvida como sua prioridade no plano econ\u00f4mico. No final de 2001, em meio a uma situa\u00e7\u00e3o de default (inadimpl\u00eancia, ndt), a moeda argentina explodiu, enquanto os bancos e as grandes empresas retiravam os d\u00f3lares do pa\u00eds em caminh\u00f5es atrav\u00e9s da fronteira, enquanto os d\u00f3lares depositados pelos pequenos poupadores eram expropriados.<br \/>\nO governo de N\u00e9stor Kirchner, como os anteriores, se negou a investigar a origem da d\u00edvida, que em 2004 chegava a cerca de 180 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Tamb\u00e9m n\u00e3o questionou a ren\u00fancia \u00e0 \u201csoberania jur\u00eddica\u201d sobre controv\u00e9rsias relacionadas \u00e0 d\u00edvida externa, estabelecidas nas renegocia\u00e7\u00f5es anteriores.<br \/>\nPagou 9.5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares da d\u00edvida remanescente com o FMI e aproveitou a situa\u00e7\u00e3o de default para abrir uma negocia\u00e7\u00e3o com os detentores privados dos t\u00edtulos da d\u00edvida externa. Naquela \u00e9poca, esses t\u00edtulos eram cotados nos mercados internacionais entre 20% e 40% de seu valor nos pap\u00e9is. Mas nessa transa\u00e7\u00e3o foram renegociados em torno de 60% (o dobro do valor de mercado!). Foi um grande neg\u00f3cio para os detentores dos t\u00edtulos, que majoritariamente aceitaram a troca, exceto um setor de \u201cfundos abutres\u201d que iniciou julgamentos e ganhou nos Tribunais de Nova York.<br \/>\nDe fato, houve uma queda nominal do valor total da d\u00edvida entre 2004 e 2005, e uma certa estabilidade at\u00e9 2010, num ambiente de reconhecimento de Cristina Kirchner, ent\u00e3o presidente do pa\u00eds, de que seus governos havia honrado o pagamento da d\u00edvida externa, num cen\u00e1rio de saldos altamente favor\u00e1veis da balan\u00e7a comercial argentina [3].<br \/>\n<strong>Uma bola de neve<\/strong><br \/>\nDe 2010 at\u00e9 agora, a d\u00edvida externa argentina continuou crescendo, inclusive sob o segundo governo de Cristina Kirchner: no final de 2015 quando terminou seu mandato, chegava a 250 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<br \/>\nA partir de 2016, o governo neoliberal de Mauricio Macri adotou uma pol\u00edtica de pedir e receber grandes \u201cajudas\u201d do FMI \u00e0 espera de uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que nunca aconteceu. Esse dinheiro foi utilizado pela grande burguesia argentina para especula\u00e7\u00e3o financeira e, essencialmente, a fuga de capitais. No final de 2019, a d\u00edvida externa j\u00e1 acumulava mais de 330 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<br \/>\nQuando o fluxo de d\u00f3lares terminou, o governo de Macri n\u00e3o conseguiu esconder o fracasso de sua pol\u00edtica nem a crise estrutural que tentava ocultar: a economia desmoronou e a moeda argentina se \u201cliquefez\u201d, caindo para quase um ter\u00e7o de sua cota\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, num contexto de um processo com din\u00e2mica hiperinflacion\u00e1ria.<br \/>\nO quadro abaixo mostra a evolu\u00e7\u00e3o dessa d\u00edvida desde 2001[4]<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/crono-de-deuda-argentina.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-61151\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/crono-de-deuda-argentina.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"879\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/crono-de-deuda-argentina.png 640w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/crono-de-deuda-argentina-218x300.png 218w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/crono-de-deuda-argentina-150x206.png 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/crono-de-deuda-argentina-300x412.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>O governo atual<\/strong><br \/>\nAlberto Fern\u00e1ndez e Cristina Kirchner receberam o governo em uma situa\u00e7\u00e3o de default de fato. Como fez o governo de N\u00e9stor Kirchner, em 2004, n\u00e3o querem mudar nenhuma regra do jogo: n\u00e3o investigam a d\u00edvida, n\u00e3o questionam a ren\u00fancia \u00e0 soberania jur\u00eddica, e est\u00e3o obcecados em pagar essa d\u00edvida.<br \/>\nSe limitam a pedir prazos maiores de pagamento, algum empr\u00e9stimo stand by<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> para \u201cir arrastando\u201d e conseguir uma redu\u00e7\u00e3o nominal, mas muito menor inclusive que a negociada por N\u00e9stor Kirchner. Mas vamos deixar que o pr\u00f3prio Alberto Fern\u00e1ndez explique: <em>\u201cFizemos uma oferta onde os credores n\u00e3o perdem, apenas ganham menos. Dos 100 que devemos pagamos 95\u201d<\/em> [5]. Isso ocorre no momento em que os t\u00edtulos argentinos s\u00e3o negociados a menos de 50% de seu valor nominal [6].<br \/>\nNesse contexto, o servilismo profundo desse governo \u00e9 expresso nos elogios de Alberto Fern\u00e1ndez ao FMI: <em>\u201cEste Fundo parece ter uma maior compreens\u00e3o. Quero ser prudente, mas parece que temos a sorte de ter um Fundo diferente ao do passado\u201d<\/em> [7]. Um Fundo Monet\u00e1rio \u201cdiferente e compreensivo\u201d! Sem palavras.<br \/>\n<strong>A pandemia do Covid-19<\/strong><br \/>\nNa conjuntura que estamos analisando, queremos incorporar alguns elementos do impacto da pandemia do coronavirus. N\u00e3o vamos aprofundar seu efeito na economia que, no caso argentino provocar\u00e1 uma queda estimada do PIB de quase 10% [8]. Ou os ataques aos trabalhadores, seus sal\u00e1rios, suas conquistas, o emprego e o n\u00edvel de vida promovidos por todos os governos, de Bolsonaro a Alberto Fern\u00e1ndez, passando por AMLO.<br \/>\nQueremos nos referir a dois aspectos. O primeiro \u00e9 que a din\u00e2mica da pandemia mostra uma clara tend\u00eancia de transferir seus epicentros dos pa\u00edses imperialistas para os pa\u00edses semicoloniais (a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 os Estados Unidos), atingindo especialmente os trabalhadores e setores populares.<br \/>\nAs tabelas elaboradas pelo site Nexo &#8211; Boletim Coronavirus, com base em dados extra\u00eddos do ECDC (<em>European Centre for Disease Prevention and Control<\/em>), mostram que as curvas de crescimento do n\u00famero de cont\u00e1gios e mortes no Brasil, M\u00e9xico e Argentina est\u00e3o entre as mais \u00edngremes do mundo no \u00faltimo m\u00eas, embora partam de n\u00fameros globais muito diferentes. O Brasil apresenta 740 cont\u00e1gios e 51 mortos por milh\u00e3o de habitantes; M\u00e9xico 264 e 26, e Argentina 128 e 7. Mas nos tr\u00eas casos o ritmo acelerou bastante [9].<br \/>\nIsso \u00e9 o resultado de muitos anos e diferentes governos que atacaram e deterioraram o sistema de sa\u00fade p\u00fablica, a fim de promover a sa\u00fade como neg\u00f3cio privado, a falta de investimentos necess\u00e1rios para travar hoje uma verdadeira guerra contra a pandemia e, finalmente, de ter cedido \u00e0s press\u00f5es do imperialismo e as burguesias nacionais para \u201cnormalizar\u201d a economia, embora isso condene milhares de trabalhadores ao cont\u00e1gio e a morte. Algo que tamb\u00e9m se expressa nos Estados Unidos j\u00e1 que a taxa de mortalidade por coronavirus na popula\u00e7\u00e3o latina \u00e9 o dobro que a dos \u201cbrancos\u201d.<br \/>\nO segundo aspecto adv\u00e9m dessa deteriora\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade p\u00fablica a que nos referimos como parte de entrega da sa\u00fade ao setor privado. Por exemplo, tanto na Argentina como no Brasil existem institui\u00e7\u00f5es estatais com uma longa tradi\u00e7\u00e3o no campo da biomedicina, desenvolvimento de vacinas, ant\u00eddotos: o Instituto Malbr\u00e1n e o Instituto Butant\u00e3, respectivamente. Inclusive cientistas argentinos de duas universidades p\u00fablicas desenvolveram um teste r\u00e1pido, atrav\u00e9s de tiras reagentes, que permitem o diagn\u00f3stico de pessoas contagiadas com ou sem sintomas, quatro vezes mais r\u00e1pido que os testes tradicionais. Eles apresentaram um plano de produ\u00e7\u00e3o de 80.000 testes por m\u00eas [10].<br \/>\nMas o Instituto Malbr\u00e1n vem sendo destru\u00eddo por d\u00e9cadas, com muitos de seus melhores cientistas deixando a institui\u00e7\u00e3o, como C\u00e9sar Milstein, Pr\u00eamio Nobel de Medicina em 1984, que emigrou para a Universidade de Cambridge, no Reino Unido [11]. Por sua vez, o Butant\u00e3 v\u00ea seu or\u00e7amento reduzido pelo governo Bolsonaro e, cada vez mais, tende a acordos com os grandes laborat\u00f3rios internacionais [12].<br \/>\nA burguesia brasileira e a argentina renunciaram assim ao desenvolvimento genu\u00edno de uma biomedicina p\u00fablica, e a sa\u00fade de sua popula\u00e7\u00e3o depende profundamente do controle e das patentes dos grandes laborat\u00f3rios dos pa\u00edses imperialistas.<br \/>\nEsta situa\u00e7\u00e3o se expressa nitidamente diante da pandemia do Covid-19. A Argentina ser\u00e1 campo de experimenta\u00e7\u00e3o da vacina desenvolvida pelo laborat\u00f3rio Pfizer, um grande laborat\u00f3rio imperialista com sede nos Estados Unidos, associado com a empresa alem\u00e3 de biotecnologia BioNTech [13]. Isso foi apresentado como um grande privil\u00e9gio pelo governo de Alberto Fern\u00e1ndez, pois, em troca receberia vantagens no processo de compra e no seu pre\u00e7o [14]. Mas nada pode esconder o fato de que, na pr\u00e1tica, seu governo aceitou que o pa\u00eds seja utilizado como \u201ccobaia\u201d dessas grandes multinacionais da biomedicina.<br \/>\nNo Brasil, seu povo tamb\u00e9m ser\u00e1 utilizado como \u201ccobaia\u201d. Nesse caso, a partir da vacina desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford e pelo conglomerado farmac\u00eautico sueco-brit\u00e2nico AstraZeneca Plc. Em suas palavras, os cientistas brit\u00e2nicos tentaram justificar esta \u201cprova exterior\u201d dizendo que <em>\u201celes precisam de um lugar com mais cont\u00e1gios, como o Brasil, para demonstrar a efic\u00e1cia do medicamento\u201d<\/em> [15]. \u00c9 importante lembrar que a Gr\u00e3-Bretanha tem quase 300.000 casos registrados (quarto lugar no mundo) e cerca de 45.000 mortos (terceiro lugar) [16].<br \/>\n<strong>Algumas conclus\u00f5es<\/strong><br \/>\nNo \u00faltimo dos artigos da s\u00e9rie j\u00e1 mencionada sobre a domina\u00e7\u00e3o imperialista, expressamos que n\u00e3o seriam as burguesias nacionais latino-americanas as que levariam a cabo a tarefa de uma segunda e definitiva independ\u00eancia em resposta a crescente domina\u00e7\u00e3o imperialista. Essas burguesias s\u00e3o \u201cparte do problema\u201d porque se tornam cada vez mais submissas a essa domina\u00e7\u00e3o e colocam seus regimes pol\u00edticos e governos a servi\u00e7o dela.<br \/>\nDissemos que s\u00f3 a classe oper\u00e1ria, liderando os setores populares e oprimidos da cidade e do campo, poderia encabe\u00e7ar e levar at\u00e9 o final essa luta, e que essa luta deveria, tamb\u00e9m, ser contra as burguesias nacionais e seus governos. Afirmamos que a luta deve ser continental, tanto pelo car\u00e1ter semelhante dos problemas que sofrem nossos povos quanto pelo poderoso inimigo comum que enfrentam [17].<br \/>\nNesse artigo, apresentamos um esbo\u00e7o de programa e tarefas para a luta por essa segunda independ\u00eancia, que acreditamos mant\u00e9m sua vig\u00eancia. O que nos parece necess\u00e1rio \u00e9 agregar a esses eixos e tarefas j\u00e1 assinaladas, um novo cap\u00edtulo sobre a verdadeira luta oper\u00e1ria e popular contra o coronav\u00edrus e como isso atinge os trabalhadores. Pela import\u00e2ncia do tema, a LIT-QI publicou um \u201cPrograma de Emerg\u00eancia contra a pandemia e a crise econ\u00f4mica\u201d [18].<br \/>\nNotas:<br \/>\n[1]\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/america-do-norte\/eua\/eua-mexico-maior-exploracao-e-pilhagem-colonial\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/america-do-norte\/eua\/eua-mexico-maior-exploracao-e-pilhagem-colonial\/<\/a><br \/>\n[2]\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/america-latina\/america-latina-o-avanco-da-dominacao-imperialista-parte-3\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/america-latina\/america-latina-o-avanco-da-dominacao-imperialista-parte-3\/<\/a><br \/>\n[3] Sobre o tema da d\u00edvida externa latino-americana, e da Argentina, em particular, consulte as respectivas partes respectivas dos artigos:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/america-do-norte\/eua\/america-latina-o-avanco-da-dominacao-imperialista-parte-1\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/america-do-norte\/eua\/america-latina-o-avanco-da-dominacao-imperialista-parte-1\/<\/a>\u00a0 e\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/america-latina\/america-latina-o-avanco-do-dominio-imperialista-parte-2\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/america-latina\/america-latina-o-avanco-do-dominio-imperialista-parte-2\/<\/a><br \/>\n[4] Tirado de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/es\/qu%C3%A9-pas%C3%B3-con-la-deuda-p%C3%BAblica-argentina-desde-el-default-de-2001\/a-53843691\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.dw.com\/es\/qu%C3%A9-pas%C3%B3-con-la-deuda-p%C3%BAblica-argentina-desde-el-default-de-2001\/a-53843691<\/a><br \/>\n[5]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/economia\/2020\/05\/12\/alberto-fernandez-sobre-la-negociacion-de-la-deuda-si-hay-una-contraoferta-que-los-bonistas-la-digan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.infobae.com\/economia\/2020\/05\/12\/alberto-fernandez-sobre-la-negociacion-de-la-deuda-si-hay-una-contraoferta-que-los-bonistas-la-digan\/<\/a><br \/>\n[6]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/economia\/2020\/03\/06\/tension-en-los-mercados-colapsan-los-bonos-argentinos-y-el-riesgo-pais-supera-los-2500-puntos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.infobae.com\/economia\/2020\/03\/06\/tension-en-los-mercados-colapsan-los-bonos-argentinos-y-el-riesgo-pais-supera-los-2500-puntos\/<\/a><br \/>\n[7] Ver nota [5].<br \/>\n[8]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/economia\/2020\/06\/24\/el-fmi-empeoro-su-pronostico-para-la-argentina-ahora-estima-que-la-economia-caera-99-en-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.infobae.com\/economia\/2020\/06\/24\/el-fmi-empeoro-su-pronostico-para-la-argentina-ahora-estima-que-la-economia-caera-99-en-2020\/<\/a><br \/>\n[9] Ver\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/boletim-coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nexojornal.com.br\/boletim-coronavirus\/<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ecdc.europa.eu\/en\/covid-19-pandemic\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ecdc.europa.eu\/en\/covid-19-pandemic<\/a><br \/>\n[10]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/salud\/2020\/06\/13\/coronavirus-cientificos-argentinos-desarrollaron-un-test-que-detecta-covid-19-hasta-cuatro-veces-mas-rapido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.infobae.com\/salud\/2020\/06\/13\/coronavirus-cientificos-argentinos-desarrollaron-un-test-que-detecta-covid-19-hasta-cuatro-veces-mas-rapido\/<\/a><br \/>\n[11] Sobre este t\u00f3pico, veja, entre outros sites:\u00a0<a href=\"http:\/\/asclepio.revistas.csic.es\/index.php\/asclepio\/article\/view\/546\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/asclepio.revistas.csic.es\/index.php\/asclepio\/article\/view\/546<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/rasp.msal.gov.ar\/rasp\/articulos\/volumen31\/43-44.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/rasp.msal.gov.ar\/rasp\/articulos\/volumen31\/43-44.pdf<\/a><\/p>\n<h6>[12] Sobre este tema, veja, entre outros sites:\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2019\/09\/orcamento-de-bolsonaro-para-2020-tira-metade-dos-recursos-do-mec-para-pesquisa.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2019\/09\/orcamento-de-bolsonaro-para-2020-tira-metade-dos-recursos-do-mec-para-pesquisa.shtml<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/butantan-se-afasta-da-saude-publica-e-mira-em-grandes-laboratorios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/butantan-se-afasta-da-saude-publica-e-mira-em-grandes-laboratorios\/<\/a><\/h6>\n<p>[13]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/es\/argentina-elegida-para-probar-vacuna-contra-covid-19\/a-54135100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.dw.com\/es\/argentina-elegida-para-probar-vacuna-contra-covid-19\/a-54135100<\/a><br \/>\n[14]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pagina12.com.ar\/277706-coronavirus-por-que-probaran-la-vacuna-en-argentina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.pagina12.com.ar\/277706-coronavirus-por-que-probaran-la-vacuna-en-argentina<\/a><br \/>\n[15]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.primicias.ec\/noticias\/sociedad\/cientificos-oxford-brasil-vacuna-coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.primicias.ec\/noticias\/sociedad\/cientificos-oxford-brasil-vacuna-coronavirus\/<\/a><br \/>\n[16]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.rtve.es\/noticias\/20200713\/mapa-mundial-del-coronavirus\/1998143.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.rtve.es\/noticias\/20200713\/mapa-mundial-del-coronavirus\/1998143.shtml<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-51718755\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-51718755<\/a><br \/>\n[17] <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/polemica-sem-categoria\/debate-como-conseguir-a-segunda-independencia-da-america-latina\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/polemica-sem-categoria\/debate-como-conseguir-a-segunda-independencia-da-america-latina\/<\/a><br \/>\n(18) <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/coronavirus\/programa-de-emergencia-contra-a-pandemia-e-a-crise-economica\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/coronavirus\/programa-de-emergencia-contra-a-pandemia-e-a-crise-economica\/<\/a><br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Programa Braceiro \u2013 acordo binacional firmado entre o M\u00e9xico e os EUA, em agosto de 1942, com cess\u00e3o de m\u00e3o de obra de trabalhadores rurais mexicanos para campos e fazendas dos EUA. Nesta \u00e9poca, um acordo entre pa\u00edses previa que os Estados Unidos reteriam 10% do sal\u00e1rio dos trabalhadores, que seriam enviados para o governo mexicano, como incentivo ao seu retorno ao pa\u00eds, ndt.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Linhas de cr\u00e9dito \u201cstand by\u201d s\u00e3o modalidades cujo programa se caracteriza por incluir propostas de reformas que o pa\u00eds receptor se compromete a adotar, ndt;<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Rosangela Botelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Na semana passada, o presidente mexicano Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador (AMLO) visitou seu parceiro norte-americano Donald Trump como parte do in\u00edcio do T-MEC (Tratado de Livre Com\u00e9rcio entre M\u00e9xico, Estados Unidos e Canad\u00e1).<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":61153,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[5620,94,3519],"tags":[452,1551,5646,5647,1239],"class_list":["post-61150","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","category-argentina","category-eua","tag-alberto-fenandez","tag-alejandro-iturbe","tag-colonizacao-america-latina","tag-iniciativa-merida","tag-t-mec"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/unnamed-2.jpg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina","Argentina","Estados Unidos"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61150\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}