{"id":60932,"date":"2020-07-08T12:07:16","date_gmt":"2020-07-08T14:07:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=60932"},"modified":"2020-07-08T12:07:16","modified_gmt":"2020-07-08T14:07:16","slug":"negros-que-oprimem-negros-nao-sao-meus-irmaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/07\/08\/negros-que-oprimem-negros-nao-sao-meus-irmaos\/","title":{"rendered":"\u201cNegros que oprimem negros n\u00e3o s\u00e3o meus irm\u00e3os\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Empoderamento, racismo e ministros da Educa\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Sem d\u00favida nenhuma, o debate sobre a quest\u00e3o racial \u00e9 complexo, principalmente num pa\u00eds que se negou a fazer esse debate de forma s\u00e9ria, hist\u00f3rica e visando a emancipa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra. Para esse projeto, o movimento negro \u2013 em suas diversas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u2013 se colocou em confronto com o Estado, com as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que n\u00e3o aceitavam discutir o racismo de forma consequente e, acima de tudo, em confronto com os racistas.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: \u00a0Rosenverck Estrela Santos,<em> do<\/em> PSTU Maranh\u00e3o, Quilombo Ra\u00e7a e Classe e vocalista do grupo de Rap G\u00edria Vermelha<br \/>\nNesse projeto de confronto e por uma sociedade sem racismo, no movimento negro tivemos e temos propostas por dentro da ordem capitalista, propostas reformistas e at\u00e9 de pura adapta\u00e7\u00e3o ao sistema capitalista. E propostas que n\u00e3o negam a necessidade de conquistas no interior da ordem do capital, mas tem consci\u00eancia de que a elimina\u00e7\u00e3o do racismo s\u00f3 poder\u00e1 ocorrer com a destrui\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria sociedade capitalista, que por natureza depende da desigualdade e da racializa\u00e7\u00e3o das hierarquias entre os seres humanos.<br \/>\nDentro desse debate, atualmente, encontramos os defensores do \u201cempoderamento\u201d negro. Grosso modo,\u00a0trata-se de uma postura que pretende individualmente ou para pequenos grupos \u2013 porque em verdade para a massa da popula\u00e7\u00e3o negra na sociedade capitalista \u00e9 imposs\u00edvel \u2013 a ascens\u00e3o social dos negros e negras, no sentido de formarem uma classe m\u00e9dia negra ou uma burguesia negra. Em vista disso, \u00e9 necess\u00e1rio que os negros e negras \u2013 n\u00e3o importando sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, vis\u00e3o de mundo e projeto de sociedade \u2013 galguem espa\u00e7os na estrutura de poder, no aparelho de Estado, nas empresas e nas diversas esferas de comando pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Dessa forma, acredita-se que os negros e negras nesses espa\u00e7os de poder podem contribuir no combate ao racismo e na forma\u00e7\u00e3o de uma sociedade brasileira mais humana. Nesse aspecto, o fato de ter a pele escura \u00e9 quase como um crach\u00e1 de boa \u00edndole, de justi\u00e7a social e luta contra o racismo. H\u00e1 uma essencializa\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a, t\u00e3o d\u00e9bil quanto a que a branquitude racista construiu.<br \/>\nMas esse debate, de novo n\u00e3o tem nada. As propostas de integra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra na sociedade de classes s\u00e3o discutidas, por exemplo, desde a Frente Negra Brasileira e, em 1988, Cl\u00f3vis Moura j\u00e1 criticava o que ele chamava de classe m\u00e9dia negra por esta, inclusive, rejeitar a grande massa negra da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Dizia ele: \u201cessa grande massa negra \u2013 [\u2026] \u2013 sistematicamente barrada, atrav\u00e9s de in\u00fameros mecanismos e subterf\u00fagios estrat\u00e9gicos, colocada como o rescaldo de uma sociedade que j\u00e1 tem grandes franjas marginalizadas, \u00e9 rejeitada e estigmatizada, inclusive, por alguns grupos da classe m\u00e9dia negra que n\u00e3o entram em contato com ela\u201d\u00a0<a name=\"_ftnref1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/negros-que-oprimem-negros-nao-sao-meus-irmaos\/#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[1]<\/a>.<br \/>\nE dizia mais, que esse tipo de postura \u2013 que era pol\u00edtica e tamb\u00e9m intelectual \u2013 poderia ser considerada como sociologicamente branca, n\u00e3o no sentido da cor, mas do projeto pol\u00edtico de domina\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es. Esse tipo de racioc\u00ednio e defesa de parte da \u201cclasse m\u00e9dia negra\u201d \u2013 sociologicamente branca \u2013 fazia com que defendessem a presen\u00e7a de negros e negras nos quadros de dire\u00e7\u00e3o das multinacionais, do Estado, da Justi\u00e7a, dito de outra forma: nos aparatos institucionais de poder e explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber que tais posturas e defesas \u2013 apesar de criticarem o racismo das institui\u00e7\u00f5es republicanas \u2013 n\u00e3o pretendem acabar com elas, mas t\u00e3o somente trocar os que dirigem. Ao mesmo, tempo n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber que tais posturas e defesas n\u00e3o questionam o fato das empresas multinacionais explorarem e oprimirem pa\u00edses africanos inteiros, terem contribu\u00eddo para o holocausto negro e a massa da popula\u00e7\u00e3o negra ser explorada cotidianamente por elas, mas apenas se interessam que tenham negros nos postos de comando dessas empresas.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil tamb\u00e9m perceber que tal postura e a\u00e7\u00e3o pode ser pensada para os postos de comando na Justi\u00e7a, no Parlamento, no Estado de forma geral, como se a simples presen\u00e7a de \u201cnegros empoderados\u201d pudesse significar uma mudan\u00e7a estrutural dessas institui\u00e7\u00f5es e aparatos. Como tenho dito, esse debate n\u00e3o \u00e9 novo e nem s\u00f3 restrito ao Brasil. Na \u00c1frica do Sul, com seus milion\u00e1rios negros explorando e oprimindo milh\u00f5es de trabalhadores negros o debate \u00e9 o mesmo; e nos Estados Unidos como bem j\u00e1 destacou Cornel West, houve a forma\u00e7\u00e3o de uma elite negra que n\u00e3o questionou as estruturas de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o capitalista, mas pelo contr\u00e1rio, se adaptaram a essas estruturas e se afastaram da massa negra trabalhadora vivendo nos guetos norte-americanos atacados pelas pol\u00edticas neoliberais do empreendedorismo, do individualismo e do empoderamento individual, tudo mascarado pelo manto da auto-afirma\u00e7\u00e3o empresarial, mas que em realidade, transforma trabalhadores formais em trabalhadores precarizados e sem direitos sociais.<br \/>\nDesta forma, como tenho dito tamb\u00e9m: est\u00e1 cheio de \u201cpreto empoderado\u201d juiz, promotor, delegado de pol\u00edcia, prefeito, governador, dirigente de multinacional matando e explorando uma massa negra n\u00e3o empoderada.<br \/>\nN\u00e3o por acaso, esse debate volta \u00e0 tona com a nomea\u00e7\u00e3o e exonera\u00e7\u00e3o do Professor Carlos Alberto Decotelli. Como primeiro ministro negro do governo Bolsonaro, n\u00e3o faltaram aqueles \u2013 no interior de setores do movimento negro \u2013 que se calaram diante da nomea\u00e7\u00e3o de um negro a um governo de extrema-direita ou mesmo aqueles que em nome da cor, defendessem que menos mal era um negro que estava no poder e poderia trazer o di\u00e1logo. O portal Geled\u00e9s<a name=\"_ftnref2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/negros-que-oprimem-negros-nao-sao-meus-irmaos\/#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[2]<\/a>\u00a0logo reproduziu uma mat\u00e9ria no qual o futuro ministro da Educa\u00e7\u00e3o de um governo racista dizia ser do di\u00e1logo e do apaziguamento.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 preciso ser muito inteligente para saber que tipo de \u201cdi\u00e1logo\u201d e \u201cpaz\u201d governos autorit\u00e1rios, de extrema-direita e racistas t\u00eam para o povo negro. As covas e as celas dos pres\u00eddios s\u00e3o os exemplos concretos da paz branca da extrema-direita. Mas para alguns, o simples fato de ser negro j\u00e1 trazia esperan\u00e7a de di\u00e1logo e paz desconsiderando completamente a estrutura do Estado, da natureza do governo e de seus projetos pol\u00edticos para a popula\u00e7\u00e3o negra. Projeto pol\u00edtico que Decotelli fez campanha, defende e queria implementar.<br \/>\nDe qualquer forma, Decotelli foi for\u00e7ado a renunciar e logo reapareceu o debate supramencionado, dos negros em espa\u00e7os de poder e de como somos atacados quando estamos l\u00e1. J\u00e1 aparecem defensores de toda sorte do defensor de um governo racista. Em outras palavras: est\u00e1 sendo v\u00edtima de racismo um defensor de um governo racista. Eis que, de repente, o pr\u00f3prio Decotelli diz ser v\u00edtima de racismo, a partir de uma campanha de difama\u00e7\u00e3o contra seu curr\u00edculo.<a name=\"_ftnref3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/negros-que-oprimem-negros-nao-sao-meus-irmaos\/#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[3]<\/a><br \/>\nEstranho? Contradit\u00f3rio? O que os marxistas e o movimento negro revolucion\u00e1rio t\u00eam a dizer sobre isso?<br \/>\nA primeira constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 no m\u00ednimo constrangedor o pr\u00f3prio Decotelli fazer essa afirma\u00e7\u00e3o, por dentro de um governo que diz que o problema de ra\u00e7a n\u00e3o existe, que somos \u201ctodos povo brasileiro\u201d e que \u00e9 \u201cmimimi\u201d\u00a0o problema racial, o genoc\u00eddio ind\u00edgena, o feminic\u00eddio, o genoc\u00eddio da juventude negra, a LGBTfobia. Agora, esse pr\u00f3prio governo e seu defensor utilizam o argumento racial para se defenderem.<br \/>\nCertamente h\u00e1 racismo em muitos dos que o criticam. N\u00e3o tenho d\u00favidas!\u00a0 O racismo antinegro \u00e9 uma marca do Brasil e estando \u201cempoderado\u201d ou n\u00e3o, ele sofrer\u00e1 racismo. Mas, na an\u00e1lise marxista, n\u00e3o cabe apenas a interpreta\u00e7\u00e3o das falas, da subjetividade, dos comportamentos. Interpretamos e analisamos tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e poder, a materialidade, a condi\u00e7\u00e3o e luta de classes e os projetos pol\u00edticos. E, nesse sentido, quando verticalizamos a an\u00e1lise, quando sa\u00edmos da apar\u00eancia para a ess\u00eancia encontramos determina\u00e7\u00f5es que s\u00e3o muito mais importantes do que o aparente ou o subjetivo.<br \/>\nNesse caso, h\u00e1 um fato concreto, que n\u00e3o tem a ver com a qualidade da disserta\u00e7\u00e3o ou da tese do professor Decotelli; n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com os argumentos que ele defende, com a qualidade de sua escrita \u2013 como era o imbecil do Abraham Weintraub \u2013 ou com as imperfei\u00e7\u00f5es e problemas te\u00f3ricos de qualquer produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica; n\u00e3o tem a ver com o ataque que a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica negra sofre do\u00a0establishment\u00a0branco das universidades e centros de pesquisa. O fato concreto \u00e9 que a tese n\u00e3o existe e a disserta\u00e7\u00e3o \u00e9 pl\u00e1gio! Esse fato concreto, diz muito sobre um homem preto que adere a um governo de extrema-direita que quer eliminar \u2013 fisicamente e culturalmente \u2013 o pr\u00f3prio povo a quem ele diz pertencer.<br \/>\nO fato concreto e a fala de Decotelli comprovam mais uma vez que o problema desses negros n\u00e3o \u00e9 falta de consci\u00eancia racial, mas sua posi\u00e7\u00e3o de classe. O lado no qual escolheu da luta de classes. Esse homem \u2013 consciente de sua negritude \u2013 escolheu o lado dos brancos ricos, dos assassinos de jovens negros, dos estupradores das mulheres negras, de quem genocida os ind\u00edgenas e matam os LGBTs. Esse negro empoderado escolheu o lado da burguesia branca e de um governo de extrema-direita que retira direitos sociais e tem um projeto eug\u00eanico e de higieniza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra. Ele \u00e9 um homem negro que defende um governo que quer extinguir os pr\u00f3prios homens negros e o movimento negro.<br \/>\nO fato dele defender tudo isso, o exime de n\u00e3o sofrer racismo? Longe disso! Ele mesmo sabe que por ser negro e por estar na defesa dos ideais desse governo, ele tamb\u00e9m ser\u00e1 v\u00edtima de racismo. O que o sistem\u00e1tico ataque que ele vem sofrendo e o que a Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas fez \u2013 de forma oportunista e racista \u2013 \u00e9 uma prova do racismo brasileiro em todas as esferas da forma\u00e7\u00e3o social de nosso pa\u00eds.<br \/>\nEntretanto, assim como defendemos que todos os corruptos e corruptores sejam presos, sendo eles de \u201cesquerda\u201d ou de direita; assim como defendemos a expropria\u00e7\u00e3o da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o de todos os burgueses, sendo eles de qualquer cor de pele; defendemos tamb\u00e9m que Damares, Ricardo Salles, bem como os outros ministros de Bolsonaro e tantos criminosos que fazem parte desse governo tenham tamb\u00e9m sua vida p\u00fablica aberta \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica. Que a FGV, os seus especialistas e a m\u00eddia tamb\u00e9m investiguem as falsifica\u00e7\u00f5es em tantos curr\u00edculos e vidas profissionais e pol\u00edticas dos outros integrantes desse governo racista. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel querer que se trate Decotelli da mesma forma de Damares e Ricardo Salles, passando a m\u00e3o na cabe\u00e7a e encobrindo os crimes, mas sim que se tratem ambos da mesma forma que se tratou Decotelli.<br \/>\nMas a sua exonera\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo, \u00e9 prova de que os \u201ccapit\u00e3es do mato\u201d desse governo s\u00e3o os primeiros a serem descartados. Os (as) ministros brancos(os) s\u00e3o afundados em incompet\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o e todo tipo de bandidagem, mas se mant\u00e9m nos cargos porque tamb\u00e9m s\u00e3o brancos (os) e da classe dominante. J\u00e1 Decotelli e S\u00e9rgio Camargo s\u00e3o descart\u00e1veis para Bolsonaro e sua mil\u00edcia, porque em verdade eles s\u00f3 cabem nesse governo na medida em que podem servir como s\u00edmbolos de integra\u00e7\u00e3o racial, democracia racial e ataque por dentro dos setores oprimidos e explorados. Na hora que eles perdem essa fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem porque mant\u00ea-los no cargo como se faz com os ministros brancos da classe dominante. \u00c9 uma prova concreta de que lado n\u00f3s devemos estar!<br \/>\nMas ele opta por se defender do racismo n\u00e3o ao lado dos movimentos negros, da juventude negra, dos trabalhadores negros, dos movimentos sociais. Ele opta por se defender dos racistas, do lado daqueles que mais reproduzem e sustentam o racismo. Nesse sentido, al\u00e9m da posi\u00e7\u00e3o de classe, tem o fato de falsear a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria para poder ser \u201caceito\u201d nos meios militares e extremistas da direita e da burguesia.<br \/>\nComo j\u00e1 alertava Cl\u00f3vis Moura: \u201c[\u2026] n\u00e3o se poder\u00e1 resolver o problema do negro, a sua discrimina\u00e7\u00e3o, o preconceito contra ele, finalmente o racismo brasileiro, sem atentarmos que esse racismo n\u00e3o \u00e9 epifenom\u00eanico, mas tem causas econ\u00f4micas, sociais, hist\u00f3ricas e ideol\u00f3gicas que alimentam o seu dinamismo social. Um negro diretor de uma multinacional \u00e9 sociologicamente branco. Ter\u00e1 de conservar a discrimina\u00e7\u00e3o contra o negro na divis\u00e3o de trabalho interno da empresa, ter\u00e1 que executar suas normas racistas, e, com isto, deixar de pensar como negro explorado e discriminado e reproduzir no seu comportamento empresarial aquilo que um executivo branco faria.\u201d Dito de outra forma: Decotelli \u00e9 um homem negro empoderado individualmente, defensor da extrema-direita e, portanto, sociologicamente branco no intelecto, na postura e na conduta pol\u00edtica.<br \/>\nO que est\u00e1 por tr\u00e1s \u2013 em nossa an\u00e1lise \u2013 n\u00e3o \u00e9 o fato de ter ou n\u00e3o ter doutorado, pois uma coisa \u00e9 certa: mestrado ou doutorado n\u00e3o determina nada na compet\u00eancia, no car\u00e1ter, na intelig\u00eancia e na identidade de um ser humano. Est\u00e1 certo \u2013 como disse Wilson Hon\u00f3rio \u2013 que quem geralmente nos arrebenta s\u00e3o os diplomados! Historicamente, trata-se de uma \u201cbaboseira intelectual\u00f3ide\u201d constru\u00edda pela classe dominante para separar os que merecem deferimento e melhores condi\u00e7\u00f5es sociais, e os que devem trabalhar manualmente e, portanto, serem vistos como inferiores.<br \/>\nEvidente que em muito j\u00e1 rompemos com essas determina\u00e7\u00f5es e estamos construindo mestres e doutores comprometidos com a classe trabalhadora e a emancipa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra. S\u00e3o esses pretos diplomados que queremos em nossas fileiras. Somos n\u00f3s que defendemos esse projeto, passando pelas universidades ou n\u00e3o, tendo t\u00edtulos ou n\u00e3o, que somos essenciais na luta contra o racismo. A n\u00f3s e a todos os pretos e pretas que defendem esse projeto, eu dedico o poema de Solano Trindade:<br \/>\nNegros que escravizam<br \/>\ne vendem negros na \u00c1frica<br \/>\nn\u00e3o s\u00e3o meus irm\u00e3os<br \/>\nnegros senhores na Am\u00e9rica<br \/>\na servi\u00e7o do capital<br \/>\nn\u00e3o s\u00e3o meus irm\u00e3os<br \/>\nnegros opressores<br \/>\nem qualquer parte do mundo<br \/>\nn\u00e3o s\u00e3o meus irm\u00e3os<br \/>\nS\u00f3 os negros oprimidos<br \/>\nescravizados<br \/>\nem luta por liberdade<br \/>\ns\u00e3o meus irm\u00e3os<br \/>\nPara estes tenho um poema<br \/>\ngrande como o Nilo.<br \/>\n<a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/negros-que-oprimem-negros-nao-sao-meus-irmaos\/#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[1]<\/a>\u00a0 \u00a0MOURA, Cl\u00f3vis.\u00a0Sociologia do Negro brasileiro.\u00a0S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1988. p.9<br \/>\n<a name=\"_ftn2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/negros-que-oprimem-negros-nao-sao-meus-irmaos\/#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[2]<\/a>\u00a0 \u2018N\u00e3o tenho nem prepara\u00e7\u00e3o para fazer discuss\u00e3o ideol\u00f3gica, minha fun\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnica\u2019, diz novo ministro da Educa\u00e7\u00e3o. Conferir em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/nao-tenho-nem-preparacao-para-fazer-discussao-ideologica-minha-funcao-e-tecnica-diz-novo-ministro-da-educacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.geledes.org.br\/nao-tenho-nem-preparacao-para-fazer-discussao-ideologica-minha-funcao-e-tecnica-diz-novo-ministro-da-educacao\/<\/a><br \/>\n<a name=\"_ftn3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/negros-que-oprimem-negros-nao-sao-meus-irmaos\/#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[3]<\/a>\u00a0Decotelli: \u201cBrancos trabalham com imperfei\u00e7\u00f5es em curr\u00edculo sem incomodar\u201d. Conferir em:\u00a0<a href=\"https:\/\/educacao.uol.com.br\/noticias\/2020\/07\/01\/decotelli-brancos-trabalham-com-imperfeicoes-em-curriculo-sem-incomodar.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/educacao.uol.com.br\/noticias\/2020\/07\/01\/decotelli-brancos-trabalham-com-imperfeicoes-em-curriculo-sem-incomodar.htm<\/a><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empoderamento, racismo e ministros da Educa\u00e7\u00e3o Sem d\u00favida nenhuma, o debate sobre a quest\u00e3o racial \u00e9 complexo, principalmente num pa\u00eds que se negou a fazer esse debate de forma s\u00e9ria, hist\u00f3rica e visando a emancipa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra. 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