{"id":60794,"date":"2020-06-29T14:08:57","date_gmt":"2020-06-29T16:08:57","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=60794"},"modified":"2020-06-29T14:08:57","modified_gmt":"2020-06-29T16:08:57","slug":"europa-como-vao-financiar-a-saida-da-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/06\/29\/europa-como-vao-financiar-a-saida-da-crise\/","title":{"rendered":"Europa&#124; Como v\u00e3o financiar a sa\u00edda da crise?"},"content":{"rendered":"<p><em>Na \u201cC\u00fapula\u201d que a CEOE (Confedera\u00e7\u00e3o Espanhola de Organiza\u00e7\u00f5es Empresariais) est\u00e1 fazendo entre os grandes empres\u00e1rios espanh\u00f3is foram tratados tr\u00eas eixos: um, na boca do representante da Inditex, \u201cn\u00e3o se toca na reforma trabalhista\u201d; dois, na boca de Bot\u00edn e outros, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, s\u00e3o cotados para baixo, tem que controlar os sal\u00e1rios e as f\u00e9rias,\u201d ter\u00e3o se puder e quem puder\u201d disse algu\u00e9m; e tr\u00eas, o representante da Ebro Foods, al\u00e9m de atacar contra a \u201cpaguita\u201d do IMV (sal\u00e1rio M\u00ednimo Vital), afirmou que\u201d os impostos n\u00e3o devem ter um car\u00e1ter distributivo\u201d e que \u201cn\u00e3o podem aumentar para os empres\u00e1rios\u201d.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Roberto Laxe-Corriente Roja<br \/>\nEste milion\u00e1rio, filho de milion\u00e1rios, que fizeram sua fortuna com centenas de presos pol\u00edticos do franquismo, colocou preto no branco como eles veem que a sa\u00edda da crise deve ser financiada: menos \u201cociosidade\u201d e que os impostos sejam pagos pelos de sempre, pelos trabalhadores e trabalhadoras.<br \/>\n<strong>A d\u00edvida que ser\u00e1 gerada<\/strong><br \/>\nA Uni\u00e3o Europeia emitir\u00e1 uma d\u00edvida no valor de 750 bilh\u00f5es de euros para financiar o \u201cPlano Marshall\u201d que est\u00e3o negociando, uma vez que possuem dados de que a queda do PIB na Uni\u00e3o ser\u00e1 de 12% e isso sup\u00f5e perdas milion\u00e1rias em todos os setores: pela primeira vez na sua hist\u00f3ria, a Inditex fechou o primeiro trimestre com mais de 200 milh\u00f5es de perdas l\u00edquidas.<br \/>\nUma emiss\u00e3o que, como imp\u00f5e o Tratado de Maastricht, servir\u00e1 para que os bancos e as entidades financeiras, fundos de investimento e demais fa\u00e7am o que quiserem, comprando-a. Tendo em conta que todas as constitui\u00e7\u00f5es europeias tem a \u201cprioridade absoluta\u201d do pagamento dos juros da d\u00edvida, est\u00e1 claro que, de novo, nesta crise \u201cganham os bancos\u201d.<br \/>\n<strong>A distribui\u00e7\u00e3o dos milh\u00f5es: os bancos ganham<\/strong><br \/>\nSe as negocia\u00e7\u00f5es entre os diferentes estados da Uni\u00e3o forem bem sucedidas, encaminhadas pelo acordo entre as duas grandes potencias europeias, Alemanha e Fran\u00e7a, e o \u201cclube dos frugais\u201d (os \u201cn\u00f3rdicos\u201d, Holanda, \u00c1ustria, Dinamarca,\u2026) n\u00e3o impedirem, ao Estado Espanhol \u201ccabe\u201d 140 bilh\u00f5es; o segundo depois da It\u00e1lia, por serem os dois lugares onde a pandemia foi mais forte.<br \/>\nDe acordo com a negocia\u00e7\u00e3o, 77 bilh\u00f5es seriam em subven\u00e7\u00f5es a fundo perdido, e os 63 restantes em forma de empr\u00e9stimos sujeitos \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de devolu\u00e7\u00e3o do artigo 135 da Constitui\u00e7\u00e3o. A parte que seria alocada a fundo perdido teria condi\u00e7\u00f5es a partir da Comiss\u00e3o Europeia: \u201cn\u00e3o revogar a reforma trabalhista e sim aprofund\u00e1-la para reduzir o trabalho tempor\u00e1rio e adotar novas medidas para garantir a sustentabilidade das aposentadorias\u201d (Invertia, 27\/05\/20), al\u00e9m da ado\u00e7\u00e3o de \u201creformas estruturais\u201d.<br \/>\nAntes de ver como v\u00e3o financiar esta d\u00edvida, propor que a reforma trabalhista n\u00e3o seja revogada \u201cmas aprofund\u00e1-la para reduzir o trabalho tempor\u00e1rio\u201d parece piada de mau gosto. A reforma trabalhista converteu o trabalho fixo em prec\u00e1rio, que \u00e9 outra forma de chamar o trabalho tempor\u00e1rio. Ou na Europa n\u00e3o sabem que uma mesma coisa pode ser dita de diferentes formas, \u201ctrabalho prec\u00e1rio=trabalho tempor\u00e1rio\u201d?<br \/>\nSobre a segunda condi\u00e7\u00e3o, \u201cgarantir a sustentabilidade\u201d das aposentadorias. Todo sabem como fazem no famoso \u201cclube dos frugais\u201d (formado por Holanda \u00c1ustria, Dinamarca e Su\u00e9cia), privatizando-as atrav\u00e9s da \u201cmochila austr\u00edaca\u201d ou qualquer outro mecanismo ligado aos fundos privados de aposentadorias e pens\u00f5es, para depois capitaliz\u00e1-los com base em investimentos na d\u00edvida dos Estados europeus.<br \/>\nVejam, que coincid\u00eancia! Encontramos aos do \u201cclube dos frugais\u201d negando que a d\u00edvida v\u00e1 para subven\u00e7\u00f5es a fundo perdido, mas para empr\u00e9stimos aos Estados que comprar\u00e3o entre outros, esses fundos privados de aposentadorias e pens\u00f5es. Este mecanismo faz com que as aposentadorias de holandeses, austr\u00edacos, suecos, etc\u2026dependam diretamente do roubo dos trabalhadores e trabalhadoras de toda a UE, de todos e todas. N\u00e3o s\u00e3o apenas os trabalhadores e trabalhadoras do sul que pagar\u00e3o os juros dessa d\u00edvida com seus impostos e os cortes nos servi\u00e7os p\u00fablicos, mas tamb\u00e9m aqueles\/as que vivem no \u201cclube dos frugais\u201d e seus chefes, Alemanha.<br \/>\nUma d\u00edvida se converte em um problema quando n\u00e3o h\u00e1 entradas para pag\u00e1-la; se uma pessoa ganha 3000 euros mensais e tem uma d\u00edvida de 1000, n\u00e3o h\u00e1 problema, tem uma liquidez de 2000 euros. Mas se os 3000 forem reduzidos para mil e se mant\u00e9m a d\u00edvida, o problema \u00e9 grande.<br \/>\nO \u201cclube dos frugais\u201d s\u00e3o os pa\u00edses mais endividados da Europa que t\u00eam que financiar, mas a Uni\u00e3o Europeia faz uma armadilha cont\u00e1bil, n\u00e3o conta a d\u00edvida privada criada ao privatizar os fundos de aposentadorias e pens\u00f5es, e sim s\u00f3 a d\u00edvida p\u00fablica; da\u00ed seu interesse em manter a press\u00e3o sobre os Estados do sul para manter a renda de seus fundos. Se estas rendas n\u00e3o continuarem entrando, toda sua estrutura cont\u00e1bil explodiria, com consequ\u00eancias terr\u00edveis sobre seus aposentados\/pensionistas, que vivem dessa capitaliza\u00e7\u00e3o dos fundos privados.<br \/>\nPor isso os dirigentes pol\u00edticos destes pa\u00edses apelam constantemente \u00e0 xenofobia, a chamar de \u201cvagabundos\u201d os do sul; t\u00eam que esconder que s\u00e3o sanguessugas que vivem da poupan\u00e7a dos \u201cvagabundos do sul\u201d. E por isso o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida \u00e9 uma medida que dinamitaria sua estabilidade social.<br \/>\nAssim, em um movimento circular, os 140 bilh\u00f5es, como o conjunto dos 750 bilh\u00f5es de d\u00edvida que a Uni\u00e3o Europeia emitir\u00e1, tem que voltar \u00e0s entidades financeiras que as compraram, acrescidas com os tipos de juros que os mercados financeiros imp\u00f5em.<br \/>\n\u00c9 o sonho de todo financista e especulador; por seguir a f\u00f3rmula que Marx utilizava para expressar a circula\u00e7\u00e3o do capital: D (dinheiro) \u2013 M (mercadoria) \u2013 D\u2019 (acr\u00e9scimo do dinheiro) ser\u00e1 substitu\u00eddo pelo D-D\u2019.\u00a0 Dinheiro produz dinheiro, sem passar pelo aparato produtivo. E depois falam da especula\u00e7\u00e3o no Estado Espanhol; pelo menos se constru\u00eda algo (aeroportos ou rodovias), ainda que n\u00e3o servissem para nada.<br \/>\nO drama \u00e9 que o dinheiro como forma monet\u00e1ria do capital, tem que gerar alguma rela\u00e7\u00e3o comercial; n\u00e3o cresce nas \u00e1rvores do nada, mas sai do trabalho humano, da produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os; e ainda que durante algum tempo possa parecer que n\u00e3o \u00e9 assim, cedo ou tarde a queda dos lucros de uma empresa ou banco (as hipotecas subprime que eram fruto da venda a cr\u00e9dito de um bem necess\u00e1rio, a moradia, as pessoas que era sabido que n\u00e3o a podiam pagar) ou um v\u00edrus como agora, desmorona todo o edif\u00edcio, e come\u00e7am os problemas.<br \/>\nMas em curto prazo e isto \u00e9 o que interessa aos capitalistas, as empresas subvencionadas, os bancos de cr\u00e9ditos e os fundos de pens\u00f5es\/investimento interessados distribuem lucros. O que pode acontecer no futuro n\u00e3o \u00e9 de sua conta: atr\u00e1s de mim, o dil\u00favio. \u201cOs bancos ganham\u201d \u00e9 o lema de todo neoliberal que se preze.<br \/>\n<strong>Outras formas de financiar a sa\u00edda da crise<\/strong><br \/>\nA partir das for\u00e7as progressistas se insiste que \u201co controle do d\u00e9ficit n\u00e3o tem que cortado e aplicado\u201d (Alberto Garz\u00f3n dixit), que resulta apenas em desmantelamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, e o que \u00e9 imposto diante destas crises \u00e9 aprender do passado \u2013 os cortes foram a causa da sobrecarga e em casos de colapso dos servi\u00e7os s\u00f3cio sanit\u00e1rios na pandemia \u2013 e \u201caumentar as entradas\u201d para custear os custos da d\u00edvida. Dito de outra forma, estabelecer uma nova pol\u00edtica fiscal.<br \/>\nAssim ressurge a \u201ctaxa Tobin\u201d aos movimentos de capital financeiros, como se fosse uma medida revolucion\u00e1ria; falam de uma taxa \u201cgoogle\u201d para as ind\u00fastrias tecnol\u00f3gicas, impostos verdes para tamb\u00e9m combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Em um renascimento das pol\u00edticas fiscais que sustentaram o estado de bem estar, s\u00e3o propostos todo tipo de impostos aparentemente progressivos, como os citados.<br \/>\nMas \u00e9 pura apar\u00eancia, pois que n\u00e3o se toca nas fibras fundamentais que foram introduzidas nos anos 80, quando a contrarrevolu\u00e7\u00e3o neoliberal derrubou todos os sistemas impositivos progressivos e liberou os fluxos financeiros: os para\u00edsos fiscais, os internos na UE (Holanda, Luxemburgo, as SICAVs no Estado Espanhol, \u2026) e os externos (Panam\u00e1, Ihas Caim\u00e3, Bermudas, etc), e o fomento da utiliza\u00e7\u00e3o dos impostos indiretos; especialmente o IVA, cujo montante arrecadat\u00f3rio cresceu exponencialmente no sentido de substituir como meio de financiamento, os impostos diretos (IRPF), ou sobre as sucess\u00f5es e o patrim\u00f4nio. Neste sentido Madri e agora Andaluzia, s\u00e3o verdadeiros para\u00edsos fiscais dentro do Estado, pois aboliram a cota aut\u00f4noma de ambos os impostos, com o que os ricos tendem a transferir seu domicilio para Madri.<br \/>\nPor isso, sem acabar com os para\u00edsos fiscais internos e externos qualquer aumento de impostos para os mais ricos e as grandes empresas, s\u00f3 ser\u00e1 uma sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 bandeira, pois com a liberaliza\u00e7\u00e3o no movimento de capitais n\u00e3o h\u00e1 forma de fazer com que esses impostos sejam pagos realmente; sempre encontrar\u00e3o um lugar livre de impostos para se assentarem.<br \/>\nEm segundo lugar, o IVA, como o resto dos impostos indiretos entra em contradi\u00e7\u00e3o flagrante com qualquer proposta de pol\u00edtica fiscal progressiva. O IVA \u00e9 um imposto sobre o consumo que a cidadania paga em \u00faltima instancia. As negocia\u00e7\u00f5es entre empresas e aut\u00f4nomos deduzem o IVA pago em cada fatura, enquanto que o consumidor final n\u00e3o pode descont\u00e1-lo para deduzi-lo.<br \/>\n\u00c9 um imposto que s\u00f3 a classe trabalhadora paga, pois \u00e9 o \u00fanico setor social que n\u00e3o tem faturas que lhe permitam deduzi-lo, mas apenas folhas de pagamento e nas folhas de pagamento n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel repercutir nenhum gasto em IVA. Por isso, qualquer pol\u00edtica fiscal progressiva passa, primeiro , pelo seu desaparecimento e de todos os impostos indiretos pagos igualmente por qualquer pessoa, tenha o n\u00edvel de renda que tiver.<br \/>\nSem estas duas pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es, o desaparecimento dos para\u00edsos fiscais e os impostos indiretos, tudo que se fa\u00e7a em quest\u00e3o fiscal \u00e9 uma sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 bandeira; se al\u00e9m disso \u00a0se prop\u00f5e, como est\u00e1 sendo proposto a partir do governo, que seriam valores impositivos tempor\u00e1rios, enquanto durar o per\u00edodo de crise para financiar o Estado, a sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 bandeira passa a ser um insulto para toda classe trabalhadora.<br \/>\nDentro do marco burgu\u00eas existem outras formas de financiar o estado a partir destas duas pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es, e \u00e9 recuperar a velha proposta de uma pol\u00edtica fiscal progressiva, \u201cque pague mais quem tiver mais\u201d, sem nenhum tipo de imposto indireto que roube desde o estado, as folhas de pagamento dos trabalhadores e trabalhadoras.<br \/>\n<strong>O car\u00e1ter retr\u00f3grado do regime de 78<\/strong><br \/>\nA pol\u00edtica fiscal no Estado Espanhol parte de uma mentalidade crist\u00e3, de que a tributa\u00e7\u00e3o s\u00f3 serve para ajudar aos \u201cmais fracos\u201d, como faz Felipe VI \u201cconvencendo\u201d seus pares de sangue azul, a \u201cnobreza\u201d, para que \u201cdividam leite e azeite\u201d entre os e as \u201cmais desfavorecidas\u2019. \u00c9 uma compara\u00e7\u00e3o caritativa da pol\u00edtica fiscal n\u00e3o muito diferente do que Amancio Ortega faz com as doa\u00e7\u00f5es ou ao colocar os avi\u00f5es da Inditex a servi\u00e7o do Estado quando este precisa, enquanto tem sua fortuna em SICAVs ou para\u00edsos fiscais. A pol\u00edtica fiscal n\u00e3o pode partir desta concep\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a expressa pelo representante da Ebro Foods na c\u00fapula da CEOE, pois se limitaria a ser \u201cassistencial\u201d, n\u00e3o de justi\u00e7a social; que \u00e9 bem diferente.<br \/>\nA pol\u00edtica fiscal ou tem um objetivo redistributivo da riqueza gerada pelo conjunto da sociedade, ou \u00e9 s\u00f3 assistencial. \u00c9 o reconhecimento de que essa riqueza n\u00e3o surge do nada ou da heran\u00e7a de sangue como o dinheiro n\u00e3o sai dos caixas eletr\u00f4nicos se uma pessoa n\u00e3o tem saldo; e sim do trabalho humano; assim foi estabelecido quando a burguesia fez sua revolu\u00e7\u00e3o. No mundo burgu\u00eas \u201cavan\u00e7ado\u201d a pol\u00edtica fiscal se baseia em que o trabalho humano, seja do capitalista ou do trabalhador, \u00e9 a fonte dessa riqueza; no mundo burgu\u00eas \u201cmedievalizado\u201d como o espanhol que n\u00e3o fez sua revolu\u00e7\u00e3o burguesa, n\u00e3o existe esta concep\u00e7\u00e3o; para eles s\u00e3o os or\u00e7amentos gerais do Estado os geradores da riqueza, porque s\u00e3o os que financiam o n\u00facleo duro do capital espanhol, o turismo e a constru\u00e7\u00e3o: Madri \u00e9 a capital onde esses or\u00e7amentos s\u00e3o aprovados, distribui o dinheiro a todos e todas habitantes do estado como se este tivesse brotado do Manzanares.<br \/>\nUma pol\u00edtica fiscal progressiva deve ter esse car\u00e1ter e sob o principio de que \u201cpaga mais quem tem mais\u201d, e n\u00e3o de uma forma tempor\u00e1ria como alguns membros do governo avan\u00e7am com o \u201cimposto do Covid-19\u201d, e sim permanente. Os ricos pagam mais porque acumulam mais riqueza fruto do trabalho humano, e ponto final. E se n\u00e3o quiserem, s\u00e3o expropriados, pois se esta crise\u00a0 demonstrou algo \u00e9 que a pandemia n\u00e3o foi freada pelos Ortegas, Florentinos, Roigs, Botines, e demais capitalistas, pequenos, m\u00e9dios ou grandes, que rapidamente aderira aos ERTEs ou \u00e0s demiss\u00f5es em massa; e sim pela classe trabalhadora, com os profissionais de sa\u00fade na lideran\u00e7a.<br \/>\nObviamente, como o regime de 78 tem como pilares justo essa concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da tributa\u00e7\u00e3o, herdeira da que o franquismo aplicou ao longo de 40 anos com base nas \u201cirm\u00e3s de caridade\u201d, agora \u201cONGs\u201d, \u00e9 que ou se rompe com o regime, ou \u00e9 imposs\u00edvel promover uma verdadeira tributa\u00e7\u00e3o progressiva e democr\u00e1tica.<br \/>\n<strong>Tributa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o socialista da sociedade<\/strong><br \/>\nO financiamento do Estado atrav\u00e9s da pol\u00edtica fiscal, inclusive a mais progressiva, se baseia na exist\u00eancia da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e financiamento; e fazer com que \u201cpague mais quem tem mais\u201d \u00e9 estirar ao m\u00e1ximo seu car\u00e1ter democr\u00e1tico que, cedo ou tarde, termina se chocando com essa propriedade privada, como acontece desde os anos 80 com o triunfo do neoliberalismo.<br \/>\nA queda da taxa de lucro que reduziu os lucros dos capitalistas est\u00e1 na base da crise dos anos 70 e para custe\u00e1-lo liberaram os fluxos financeiros; abriram as fronteiras para que o capital pudesse mover-se livremente por todo o mundo ao mesmo tempo em que modificavam a pol\u00edtica fiscal, adquirindo um car\u00e1ter mais regressivo; a arrecada\u00e7\u00e3o por impostos diretos e indiretos recai cada vez mais sobre as rendas do trabalho e n\u00e3o as rendas de capital e assim substitu\u00edram a taxa de lucro por isen\u00e7\u00e3o de impostos.<br \/>\nSem entrar na an\u00e1lise marxista de que todo o dinheiro que existe em um Estado \u00e9 fruto do trabalho oper\u00e1rio, posto que s\u00f3 o trabalho assalariado gera riqueza e portanto a classe oper\u00e1ria gera 100% da arrecada\u00e7\u00e3o, e admitindo a diferen\u00e7a entre as rendas de capital (lucros de empres\u00e1rios e aut\u00f4nomos que se baseiam na fatura\u00e7\u00e3o que eles declaram) e as rendas do trabalho (que se baseia em crit\u00e9rios objetivos, as folhas de pagamento que s\u00e3o cobradas); hoje no Estado Espanhol 70% da press\u00e3o \u00a0dos impostos recai sobre estes \u00faltimos.<br \/>\nAt\u00e9 aqui a contrarrevolu\u00e7\u00e3o neoliberal dos anos 80 conduziu; e agora os capitalistas, nas palavras do representante da Ebro Foods, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o admitem nenhuma modifica\u00e7\u00e3o mesmo tempor\u00e1ria do mecanismo fiscal do Estado, mas querem tamb\u00e9m aprofundar na linha de que sejam os trabalhadores e trabalhadoras os que continuem suportando todo o peso do financiamento do Estado. Para depois pedir \u201cajudas e subven\u00e7\u00f5es\u201d pelas perdas!<br \/>\nO sonho dos \u201cprogressistas\u201d de voltar \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o progressiva dos anos do estado de bem estar \u00e9 isso, um \u201csonho\u201d, uma \u201cilus\u00e3o\u201d que morreu com o estado de bem estar, e que esta pandemia s\u00f3 pregou o \u00faltimo prego.<br \/>\nA queda abrupta da economia, que provocar\u00e1 uma queda de mais de 10% do PIB, uma taxa de lucro em decad\u00eancia h\u00e1 anos que fazia com que os capitalistas buscassem outras vias para manter os lucros como a especula\u00e7\u00e3o sobre bens e servi\u00e7os, com a d\u00edvida dos estados, com uma pol\u00edtica fiscal que os eximia do pagamento de impostos, etc., traz para a\u00a0 realidade essas \u201cilus\u00f5es\u201d de uma volta aos \u201cbons velhos tempos\u201d do estado de bem estar .<br \/>\nIsso acabou; a agressividade xen\u00f3foba do \u201cclube dos frugais\u201d, aliados ao PP, as declara\u00e7\u00f5es na c\u00fapula da CEOE, a pol\u00edtica da UE de \u201cdar dinheiro com condi\u00e7\u00f5es\u201d, aponta no sentido contrario a essas \u201cilus\u00f5es\u201d reformistas. Aponta para um aprofundamento dur\u00edssimo das pol\u00edticas da burguesia: t\u00eam muito a perder.<br \/>\nO caminho a construir \u00e9 o oposto de fomentar essas \u201cilus\u00f5es\u201d. Certamente que n\u00e3o pagar a d\u00edvida ou estabelecer uma pol\u00edtica fiscal progressiva seriam passos importantes nesse caminho, mas n\u00e3o podemos esquecer que nas condi\u00e7\u00f5es atuais de decad\u00eancia do capitalismo, essas medidas s\u00e3o imposs\u00edveis de serem adotadas se n\u00e3o for atrav\u00e9s da luta da classe oper\u00e1ria pela transforma\u00e7\u00e3o socialista da sociedade.<br \/>\nO capital e sua personifica\u00e7\u00e3o, os burgueses, falam claramente: nenhum governo deixar\u00e1 de pagar a d\u00edvida e, menos que menos, far\u00e1 uma pol\u00edtica fiscal que toque em\u00a0 nenhum euro de seus lucros; pelo contrario, tentar\u00e3o socializar as perdas aumentando os impostos indiretos, em especial o IVA, e eximir\u00e3o os capitalistas do pagamento de cotas do Seguro Social, etc.<br \/>\nFrente a isso, criar a menor ilus\u00e3o de que a partir do governo podem ser criados \u201cescudos sociais\u201d sem dizer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que a minoria exploradora exige justo o contrario, e que s\u00f3 lutando para expropri\u00e1-la ser\u00e1 poss\u00edvel conquistar, \u00e9 enganar a popula\u00e7\u00e3o e desarm\u00e1-la contra as pol\u00edticas que com toda a clareza est\u00e3o colocando sobre a mesa.<br \/>\n<strong>Uma nota final<\/strong><br \/>\nNo socialismo os impostos n\u00e3o existem, porque n\u00e3o existir\u00e1 propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e financiamento; a sustentabilidade da sociedade ser\u00e1 feita diretamente a partir do trabalho humano verdadeiramente livre da explora\u00e7\u00e3o assalariada, direto e associado em sua administra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o haver\u00e1 Estado para ser financiado, porque ao desaparecer a propriedade privada e as classes sociais n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio nenhuma ferramenta de opress\u00e3o de uma parte da sociedade sobre outra.<br \/>\nAo n\u00e3o haver interc\u00e2mbio de mercadorias que precise de dinheiro como quantifica\u00e7\u00e3o do valor do trabalho, o mercado, ter\u00e1 desaparecido \u201co governo sobre as pessoas\u201d atrav\u00e9s do Estado, sendo substitu\u00eddo pela \u201cadministra\u00e7\u00e3o das coisas\u201d sobre o trabalho associado. Os impostos s\u00f3 existem nas sociedades que se baseiam no dinheiro como forma de quantificar esse trabalho humano; sem o dinheiro, os impostos desaparecem. A transforma\u00e7\u00e3o socialista da sociedade \u00e9 seu \u00faltimo ato.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u201cC\u00fapula\u201d que a CEOE (Confedera\u00e7\u00e3o Espanhola de Organiza\u00e7\u00f5es Empresariais) est\u00e1 fazendo entre os grandes empres\u00e1rios espanh\u00f3is foram tratados tr\u00eas eixos: um, na boca do representante da Inditex, \u201cn\u00e3o se toca na reforma trabalhista\u201d; dois, na boca de Bot\u00edn e outros, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, s\u00e3o cotados para baixo, tem que controlar os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":60795,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3512,3677,30],"tags":[5116,229,5561,515,5103,4000],"class_list":["post-60794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estado-espanhol","category-europa-mundo","category-coronavirus","tag-coronavirus-espanha","tag-corriente-roja","tag-crise-economica-europeia","tag-especial-coronavirus","tag-roberto-laxe","tag-uniao-europeia"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pedro-sanchez-angela-merkel-tras-encuentro-berlin-pasado-junio-1533824678923.jpg","categories_names":["Estado Espanhol","Europa","Pandemia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60794\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}