{"id":60741,"date":"2020-06-25T11:26:17","date_gmt":"2020-06-25T13:26:17","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=60741"},"modified":"2020-06-25T11:26:17","modified_gmt":"2020-06-25T13:26:17","slug":"brasil-revolta-da-chibata-1910-a-rebeliao-dos-marinheiros-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/06\/25\/brasil-revolta-da-chibata-1910-a-rebeliao-dos-marinheiros-negros\/","title":{"rendered":"Brasil &#124; Revolta da Chibata (1910): A rebeli\u00e3o dos marinheiros negros"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><em>\u00a0\u201cSeriam talvez quatro horas da manh\u00e3. E vi<\/em><br \/>\n<em>imediatamente na ba\u00eda, frente a mim, navios de<\/em><br \/>\n<em>guerra, todos de a\u00e7o, que se dirigiam em fila para<\/em><br \/>\n<em>a sa\u00edda do porto. Reconheci o encoura\u00e7ado Minas Gerais que<\/em><br \/>\n<em>abria a marcha. Seguiam-no o S\u00e3o Paulo e mais outro. E todos<\/em><br \/>\n<em>ostentavam, numa verga do mastro dianteiro, uma pequenina<\/em><br \/>\n<em>bandeira triangular vermelha. Eu estava diante da revolu\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>(\u2026) de repente vi acender-se um ponto no costado do Minas e um<\/em><br \/>\n<em>estrondo ecoou perto de mim, acordando a cidade. Novo ponto<\/em><br \/>\n<em>de fogo, novo estrondo. Um estilha\u00e7o de granada bateu perto,<\/em><br \/>\n<em>num poste da Light. (\u2026) Naquele minuto-s\u00e9culo, esperava me<\/em><br \/>\n<em>ver soterrado, pois parecia ser eu a pr\u00f3pria mira do bombardeio.<\/em><br \/>\n<em>(\u2026) Era contra a chibata e a carne podre que se levantavam os<\/em><br \/>\n<em>soldados do mar. (\u2026) Quando mais tarde assisti \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o do<\/em><br \/>\n<em>filme sovi\u00e9tico Encoura\u00e7ado Potemkin, vi como se ligavam \u00e0s<\/em><br \/>\n<em>mesmas reivindica\u00e7\u00f5es os marujos russos e brasileiros\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Oswald de Andrade, poeta e escritor<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nPor: Elisa Guimar\u00e3es &#8211; PSTU Rio de Janeiro\/Brasil<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em 1910, os avi\u00f5es come\u00e7avam a al\u00e7ar os primeiros voos. Um ano depois, foram usados pela primeira vez como arma de guerra pela It\u00e1lia contra a Turquia. Por\u00e9m, os navios de guerra com seus canh\u00f5es eram ainda as armas mais poderosas existentes na \u00e9poca. Esses navios, grandes encoura\u00e7ados, tinham capacidade para destruir cidades inteiras e foram tomados pelos marinheiros, que dirigiram seu ultimato ao rec\u00e9m-empossado presidente da Rep\u00fablica, Hermes da Fonseca, num comunicado:<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, marinheiros (\u2026), n\u00e3o podendo mais suportar a escravid\u00e3o na Marinha Brasileira (\u2026)\u00a0rompemos o negro v\u00e9u que nos cobria aos olhos do patri\u00f3tico e enganado povo. Achando se todos os navios em nosso poder, tendo a seu bordo prisioneiros todos os oficiais (\u2026) mandamos esta honrada mensagem para que V. Exa. fa\u00e7a aos Marinheiros Brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da Rep\u00fablica nos facilita, acabando com a\u00a0desordem e nos dando outros gozos que venham engrandecer a Marinha Brasileira; bem assim como: retirar os oficiais incompetentes e indignos de servir a Na\u00e7\u00e3o Brasileira. Reformar o C\u00f3digo Imoral e Vergonhoso que nos rege, a fim de que desapare\u00e7a a\u00a0chibata, o bolo, e outros castigos semelhantes; aumentar o nosso soldo (\u2026). Tem V. Exa. o prazo de doze (12) horas para mandar-nos a resposta satisfat\u00f3ria, sob pena de ver a p\u00e1tria aniquilada. Bordo do Encoura\u00e7ado \u2018S\u00e3o Paulo\u2019 em 22 de novembro de 1910. (\u2026) Marinheiros.\u201d<br \/>\n<strong>Apoio e castigo<\/strong><br \/>\nO Rio de Janeiro era a maior cidade brasileira em 1910. Contava com cerca de 812 mil habitantes. Perante a a\u00e7\u00e3o dos marinheiros que colocaram len\u00e7os vermelhos no pesco\u00e7o e amea\u00e7aram bombardear a capital, parte da popula\u00e7\u00e3o, a que tinha recursos para isso, fugiu do centro da cidade para os sub\u00farbios ou Petr\u00f3polis, enquanto outros correram para o cais para acompanhar o movimento, demonstrando simpatia e solidariedade aos marinheiros rebelados.<br \/>\nEram, na sua maioria, negros e pobres, como os marujos, decepcionados com o governo republicano que n\u00e3o melhorou suas vidas. Ao contr\u00e1rio, os excluiu e criminalizou. O governo republicano, que ia supostamente civilizar a capital, prendeu os pobres por \u201cvadiagem\u201d e derrubou suas casas.<br \/>\nO governo que ia civilizar a Marinha modernizando sua frota, criou, em 12 de abril de 1890, com o Decreto 328 de Deodoro da Fonseca, a Companhia Correcional na Marinha, reintroduzindo o castigo f\u00edsico que havia sido abolido em 16 de novembro de 1889. Cedeu \u00e0s exig\u00eancias da oficialidade branca que considerava a chibata indispens\u00e1vel para a manuten\u00e7\u00e3o da disciplina a bordo.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/chibata-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-60742\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/chibata-1.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"463\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/chibata-1.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/chibata-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/chibata-1-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>Um abismo de ra\u00e7a e classe<\/strong><br \/>\nNa hierarquia da Marinha, existia um abismo de ra\u00e7a e classe: de um lado, uma massa de marinheiros e pra\u00e7as negros filhos de escravos libertos, como Jo\u00e3o C\u00e2ndido; do outro, uma pequena por\u00e7\u00e3o de oficiais brancos filhos de propriet\u00e1rios de terras.<br \/>\nOs marinheiros dos encoura\u00e7ados constitu\u00edam um proletariado embarcado que contava com trabalhadores especializados: artilheiros, eletricistas, foguistas, mec\u00e2nicos, Timoneiros, telegrafistas etc. Submetidos a um regime de trabalho desumano, se insubordinavam, e as puni\u00e7\u00f5es se tornavam cada vez mais duras.<br \/>\nA dura\u00e7\u00e3o dos castigos ficava a crit\u00e9rio dos oficiais e, n\u00e3o raro, ultrapassavam muito o limite de 25 chibatadas. O marujo castigado tinha os vencimentos reduzidos \u00e0 metade, era rebaixado de posto e poderia ficar detido por meses. A situa\u00e7\u00e3o se tornou insuport\u00e1vel. \u201cTinha-se tornado imposs\u00edvel a vida a bordo. S\u00f3 em um dia, por esse tempo, a bordo do \u2018Minas Gerais\u2019, foram chibatados nada menos que 42 marinheiros. Foi s\u00f3 ent\u00e3o que se resolveu tomar provid\u00eancia para fazer cessar esse estado de coisas, ficou assente tomar-se por meios violentos as provid\u00eancias\u201d, escreveu Jo\u00e3o C\u00e2ndido, l\u00edder da revolta.<br \/>\n<strong>\u201cO verdadeiro navio negreiro\u201d<\/strong><br \/>\nEmbora as reivindica\u00e7\u00f5es dos marinheiros inclu\u00edssem aumento de sal\u00e1rios, redu\u00e7\u00e3o da jornada com uma nova tabela de servi\u00e7os e educa\u00e7\u00e3o dos marinheiros, o fim dos castigos f\u00edsicos ganhou centralidade durante o movimento. O deputado escolhido como interlocutor junto aos amotinados, tendo testemunhado os efeitos do a\u00e7oite, anunciou na C\u00e2mara que as costas do marujo Marcelino pareciam \u201cas de uma tainha pronta para ser salgada\u201d.<br \/>\nA imagem de marinheiros negros sendo amarrados e a\u00e7oitados na presen\u00e7a de seus pares repercutiu na imprensa: \u201c(\u2026) \u00e9 doloroso sim, ver-se a nossa marinha de hoje passar fome e todas as priva\u00e7\u00f5es (\u2026). Os nossos pobres marinheiros e foguistas vieram como verdadeiros escravos, passando fome e sendo constantemente castigados com\u00a0os ferros, a chibata e o bolo (\u2026) estes coitados, faziam 6 horas de quarto e n\u00e3o tinham o direito ao descanso que, pela lei, lhes toca, porque eram logo chamados para outros servi\u00e7os. O verdadeiro navio negreiro\u201d, de nunciou \u201cum marinheiro\u201d em carta publicada no Correio da Manh\u00e3 (25\/11\/1910).<br \/>\nNos cinco dias em que os navios de guerra estiveram sob o total controle dos marinheiros, a den\u00fancia da situa\u00e7\u00e3o dos marujos ganhou todo o mundo, revelando que o racismo no conv\u00e9s os tornava verdadeiros escravos dos oficiais brancos. N\u00e3o por acaso, o fim dos castigos f\u00edsicos ocuparia papel de destaque nas reivindica\u00e7\u00f5es dos marinheiros rebelados.<br \/>\n<strong>Prepara\u00e7\u00e3o da revolta<\/strong><br \/>\nA revolta n\u00e3o foi espont\u00e2nea. H\u00e1 registros de v\u00e1rias reuni\u00f5es ocorridas em segredo para preparar a tomada dos navios pelos marinheiros. Foi uma a\u00e7\u00e3o organizada por um setor explorado e oprimido, como relata Jo\u00e3o C\u00e2ndido: \u201cPensamos no dia 15 de novembro. Acontece que caiu forte temporal sobre a parada militar e o desfile naval. A marujada ficou cansada e muitos rapazes tiveram permiss\u00e3o para ir \u00e0\u00a0terra. Ficou combinado, ent\u00e3o, que a revolta seria entre 24 e 25. Mas o castigo de 250 chibatadas no Marcelino Rodrigues precipitou tudo. O Comit\u00ea Geral resolveu, por unanimidade, deflagrar o movimento no dia 22. O sinal seria a chamada da\u00a0corneta das 22 horas. (\u2026) N\u00e3o houve afoba\u00e7\u00e3o. Cada canh\u00e3o ficou guarnecido por cinco marujos, com ordem de atirar para matar contra todo aquele que tentasse impedir o levante. \u00c0s 22h50, quando cessou a luta no conv\u00e9s, mandei disparar um tiro de canh\u00e3o, sinal combinado para chamar \u00e0 fala os navios comprometidos. Quem primeiro respondeu foi o \u2018S\u00e3o Paulo\u2019, seguido do \u2018Bahia\u2019. (\u2026) Expedi um r\u00e1dio para o Catete informando que a Esquadra estava levantada para acabar com os castigos corporais.\u201d<br \/>\n<strong>Pris\u00f5es<\/strong><br \/>\nSem ter como enfrentar os marinheiros e seus canh\u00f5es, o governo republicano foi obrigado a negociar e anunciou o fim dos castigos f\u00edsicos e a anistia para os rebeldes. Entretanto, com a retomada do controle sobre os navios de guerra, a anistia foi desrespeitada. Dois dias ap\u00f3s o t\u00e9rmino da revolta, foi assinado um decreto que permitiu a exclus\u00e3o dos marinheiros da marinha. Iniciaram-se as pris\u00f5es.<br \/>\n<strong>Um dos cap\u00edtulos mais importantes da hist\u00f3ria do Brasil<\/strong><br \/>\nEm dezembro, o in\u00edcio de uma revolta no Batalh\u00e3o Naval da Ilha das Cobras foi duramente reprimido. Foi decretado estado de s\u00edtio. Mais de cem marinheiros foram enviados para o Acre num navio junto a outros detentos. Dezenas foram fuzilados. N\u00e3o foi esse o destino de Jo\u00e3o C\u00e2ndido, l\u00edder da revolta.<br \/>\nC\u00e2ndido foi preso com outros 17 marinheiros numa cela na Ilha das Cobras, onde jogaram cal para envenen\u00e1-los. Morreram sufocados 16 marinheiros. \u201cDepois da retirada dos cad\u00e1veres, comecei a ouvir gemidos dos meus companheiros mortos, quando n\u00e3o via os infelizes, em agonia, gritando desesperadamente, rolando pelo ch\u00e3o de barro \u00famido e envoltos em verdadeiras nuvens da cal. A cena dantesca jamais saiu dos meus olhos\u201d, disse C\u00e2ndido ao jornalista Edgar Morel.<br \/>\n<strong>S\u00edmbolo<\/strong><br \/>\nO l\u00edder da rebeli\u00e3o sobreviveu e sofreu intensa persegui\u00e7\u00e3o por toda vida, sendo internado num hospital psiqui\u00e1trico e demitido de todos os empregos pelos quais passou, sem jamais ter qualquer repara\u00e7\u00e3o do Estado.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaocandidonand.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-60743\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaocandidonand.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaocandidonand.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaocandidonand-300x169.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaocandidonand-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><br \/>\nApesar da violenta repress\u00e3o ocorrida ap\u00f3s a anistia, com centenas de presos, dezenas de mortos e 1.200 expulsos da corpora\u00e7\u00e3o, os castigos f\u00edsicos foram extirpados da Marinha como resultado da rebeli\u00e3o dos marinheiros negros.<br \/>\nJo\u00e3o C\u00e2ndido se tornou um s\u00edmbolo da resist\u00eancia negra, e a Revolta da Chibata, a revolta dos marinheiros negros, um dos cap\u00edtulos mais importantes da hist\u00f3ria do Brasil. Os revoltosos s\u00e3o her\u00f3is que nos ensinaram que, para conquistar justi\u00e7a e liberdade, \u00e9 preciso voltar nossos canh\u00f5es contra os membros da elite e os poderes constitu\u00eddos.<br \/>\n<strong>Anistia sem indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nEm 2008, depois de muita press\u00e3o dos movimentos negros, Jo\u00e3o C\u00e2ndido e seus companheiros receberam uma anistia post mortem. Ainda assim, sua reintegra\u00e7\u00e3o \u00e0 Marinha e a repara\u00e7\u00e3o financeira \u00e0 qual seus herdeiros tinham direito foram vetadas de forma vergonhosa pelo governo Lula, que se curvou diante das press\u00f5es feitas pelos minist\u00e9rios da Defesa, da Fazenda e do Planejamento.<br \/>\nApesar da recusa do governo e do fato de que eles tenham sido praticamente apagados dos livros das salas de aula, a Revolta da Chibata n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 gravada \u201cnas pedras pisadas dos cais\u201d,\u00a0como diz a bela m\u00fasica de Aldir Blanc e Jo\u00e3o Bosco, como revive nas lutas de todos os explorados e oprimidos, em especial dos negros e negras.<br \/>\n<strong>PARA LER<\/strong><br \/>\nModerniza\u00e7\u00e3o do material e do pessoal da Marinha\u00a0nas v\u00e9speras da revolta dos marujos de 1910: modelos\u00a0e contradi\u00e7\u00f5es<br \/>\nSilvia Capanema P. Almeida<br \/>\n1910: a revolta dos Marinheiros. Uma saga negra<br \/>\nM\u00e1rio Maestri<br \/>\nA revolta da chibata<br \/>\nEdmar Morel<br \/>\n<strong>PARA ASSISTIR<\/strong><br \/>\nO Encoura\u00e7ado Potemkin<br \/>\nSergei Einsenstein. R\u00fassia, 1925<br \/>\nEm 1909, um ano antes da Revolta da Chibata, tomou-se conhecimento do movimento realizado pelos marinheiros russos em 1905, no encoura\u00e7ado Potemkin. Eles reivindicavam melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u201cSeriam talvez quatro horas da manh\u00e3. E vi imediatamente na ba\u00eda, frente a mim, navios de guerra, todos de a\u00e7o, que se dirigiam em fila para a sa\u00edda do porto. Reconheci o encoura\u00e7ado Minas Gerais que abria a marcha. Seguiam-no o S\u00e3o Paulo e mais outro. 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