{"id":3475,"date":"2015-09-15T11:22:02","date_gmt":"2015-09-15T11:22:02","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2015\/09\/15\/invasao-terrestre-no-iemen\/"},"modified":"2015-09-15T11:22:02","modified_gmt":"2015-09-15T11:22:02","slug":"invasao-terrestre-no-iemen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/09\/15\/invasao-terrestre-no-iemen\/","title":{"rendered":"Invas\u00e3o terrestre no I\u00eamen"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<i style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"165\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/iemen-Soldados-catar\u00edes.jpg\" vspace=\"4\" width=\"260\" \/>A agress&atilde;o militar da coaliz&atilde;o liderada pela Ar&aacute;bia Saudita &ndash; que conta com o apoio dos EUA e Israel &ndash; contra o I&ecirc;men continua e aumenta sua escala de devasta&ccedil;&atilde;o. Depois de cinco meses de criminosos bombardeios contra os iemenitas, as monarquias do petr&oacute;leo passaram &agrave; invas&atilde;o terrestre.<\/i><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">O conflito come&ccedil;ou em setembro de 2014, quando uma onda de mobiliza&ccedil;&otilde;es populares, encabe&ccedil;ada principalmente pelas mil&iacute;cias xiitas denominadas <\/span><i style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">houthis<\/i><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">, tomou Sanaa, capital do pa&iacute;s. Em mar&ccedil;o de 2015, o aumento dos protestos e o avan&ccedil;o dos <\/span><i style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">houthis<\/i><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\"> derrubaram o ent&atilde;o presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, que, vendo-se perdido, fugiu rumo &agrave; Ar&aacute;bia Saudita. Em meio a este processo, o ex&eacute;rcito se dividiu: uma parte passou a apoiar os <\/span><i style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">houthis<\/i><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">; a outra passou a reivindicar o retorno de Hadi como &ldquo;presidente leg&iacute;timo&rdquo;.<\/span><\/p>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Os <i>houthis <\/i>s&atilde;o uma express&atilde;o pol&iacute;tico-militar burguesa da minoria xiita no I&ecirc;men<sup>1<\/sup>. Constituem um &ldquo;partido-ex&eacute;rcito&rdquo; que promove um programa teocr&aacute;tico derivado de uma vertente do xiismo &ndash; a dissid&ecirc;ncia zaidi &ndash; que, ainda que &ldquo;minorit&aacute;ria&rdquo;, representa um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o no I&ecirc;men, principalmente no norte.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Hadi foi durante muitos anos o vice-presidente do ex-ditador Ali Abdullah Saleh. De tal forma que, entre 2011 e 2012, quando as mobiliza&ccedil;&otilde;es estouraram no I&ecirc;men, refletindo com particularidades o processo revolucion&aacute;rio mais geral em toda a regi&atilde;o, e for&ccedil;aram a ren&uacute;ncia de Saleh &ndash; ainda que de forma &ldquo;negociada&rdquo; &ndash;, quem assumiu o poder foi Hadi. Esta medida, que pretendia &ldquo;mudar alguma coisa para que tudo continuasse igual&rdquo;, contou com o apoio do imperialismo e principalmente dos sauditas. No entanto, n&atilde;o demorou muito tempo at&eacute; que as contradi&ccedil;&otilde;es sociais insol&uacute;veis, provocadas pelas p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de vida e pelos anseios democr&aacute;ticos, voltassem a explodir. Uma nova onda de mobiliza&ccedil;&otilde;es era previs&iacute;vel e aconteceu.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A derrubada de Hadi, herdeiro de Saleh e agente dos sauditas, constituiu, portanto, uma nova vit&oacute;ria e abriu um novo momento da revolu&ccedil;&atilde;o iemenita, no contexto do curso desigual das revolu&ccedil;&otilde;es no Oriente M&eacute;dio.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A atual agress&atilde;o saudita, denominada cinicamente <i>Opera&ccedil;&atilde;o Restaurar a Esperan&ccedil;a<\/i>, tem como objetivo declarado colocar Hadi novamente no poder. Vale ressaltar que n&atilde;o passa de uma resposta contrarrevolucion&aacute;ria diante de uma vit&oacute;ria do povo iemenita que expulsou do pa&iacute;s seu homem de confian&ccedil;a. N&atilde;o devemos esquecer o papel que a Ar&aacute;bia Saudita cumpre na regi&atilde;o: um &ldquo;reino&rdquo; governado por uma monarquia teocr&aacute;tica profundamente reacion&aacute;ria, que se constitui, depois do Estado sionista de Israel, como o principal agente dos interesses do imperialismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Segundo a ONU, os incessantes bombardeios sobre Sanaa e outras cidades controladas pelos <i>houthis<\/i> causaram ao menos quatro mil v&iacute;timas, a metade delas civis. Pelo menos 23.000 pessoas ficaram feridas. Quase um milh&atilde;o e meio ficaram desalojadas. O embargo a que o pa&iacute;s est&aacute; submetido leva a uma escassez alarmante de alimentos, combust&iacute;veis e rem&eacute;dios. A prec&aacute;ria infraestrutura (centrais el&eacute;tricas, hospitais, escolas etc.) do I&ecirc;men, que &eacute; o pa&iacute;s mais pobre do Oriente M&eacute;dio, est&aacute; quase destru&iacute;da.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Invas&atilde;o terrestre<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Em julho, a agress&atilde;o militar deu um salto e, al&eacute;m dos ataques a&eacute;reos, passou a envolver tropas terrestres. Tropas da Ar&aacute;bia Saudita e dos Emirados &Aacute;rabes desembarcaram em &Aacute;den, a segunda cidade mais povoada e considerada a capital do sul. Com aux&iacute;lio de uma artilharia pesada e blindados, no dia 17 de julho retomaram a cidade, que al&eacute;m de tudo possui o principal porto iemenita.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A partir da&iacute;, nas primeiras semanas de agosto, as for&ccedil;as invasoras e os leais a Hadi dentro do pa&iacute;s foram avan&ccedil;ando e conquistaram tr&ecirc;s capitais de prov&iacute;ncias do sul. A ofensiva se mant&eacute;m e, no come&ccedil;o de setembro, o Catar enviou 1.500 soldados ao I&ecirc;men, apoiados por 200 tanques e 30 helic&oacute;pteros de combate Apache, segundo informou a rede de not&iacute;cias <i>Al Jazeera<\/i>. A avia&ccedil;&atilde;o do Catar j&aacute; participava da agress&atilde;o ao I&ecirc;men.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Isso foi, sem d&uacute;vida, um golpe &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m tudo indica que, &agrave; medida que as tropas contrarrevolucion&aacute;rias avan&ccedil;arem em dire&ccedil;&atilde;o ao norte, a resist&ecirc;ncia ser&aacute; muito mais sangrenta.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Uma mostra disso &eacute; a recente morte, pelas m&atilde;os dos <i>houthis<\/i>, de mais de 60 soldados da coaliz&atilde;o das monarquias do petr&oacute;leo, 45 deles procedentes dos Emirados &Aacute;rabes Unidos (EAU), segundo reconhecimento oficial.&nbsp; Outras fontes falam em 210 mortos, entre eles 97 soldados sauditas e 83 emiradenses.<sup>2<\/sup> Isso aconteceu no dia 4 de setembro em um quartel em Safer, na prov&iacute;ncia de Marib, a uns 250 quil&ocirc;metros de Sanaa. Um foguete do tipo Toshka<i>&nbsp; <\/i>fez o lugar voar pelos ares destruindo tamb&eacute;m v&aacute;rios helic&oacute;pteros Apache e ve&iacute;culos blindados.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O ataque impactou a coaliz&atilde;o de agress&atilde;o ao I&ecirc;men, especialmente os Emirados &Aacute;rabes que, segundo analistas, lideram as a&ccedil;&otilde;es sobre o territ&oacute;rio. Os soldados deste pa&iacute;s representam aproximadamente 30% dos 10.000 invasores (o restante &eacute; da Ar&aacute;bia Saudita e do Catar) que est&atilde;o em solo iemenita. S&atilde;o eles que se encarregam, al&eacute;m do mais, da seguran&ccedil;a do porto e do aeroporto em &Aacute;den.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A coaliz&atilde;o diz agora que prepara&nbsp; a &ldquo;batalha decisiva&rdquo; para retomar Sanaa. De fato, desde o dia 5 de setembro os bombardeios sobre a capital se intensificaram. Nesse dia morreram 24 civis, segundo informe dos <i>houthis<\/i>, que seguem controlando a cidade e continuam fortes no norte.&nbsp;<\/span><\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Apesar dos an&uacute;ncios ressonantes de Riad e seus aliados, o mais prov&aacute;vel &eacute; que estejamos diante de uma guerra prolongada, que ainda est&aacute; em seu in&iacute;cio e que trar&aacute; resultados imprevis&iacute;veis.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Nosso lado nesse enfrentamento &eacute; categ&oacute;rico: estamos na mesma trincheira que o povo iemenita e pela derrota dos invasores ao seu territ&oacute;rio. Diante da agress&atilde;o militar de um pa&iacute;s mais forte e opressor contra outro mais pobre e oprimido, os revolucion&aacute;rios t&ecirc;m uma primeira obriga&ccedil;&atilde;o: posicionar-nos militarmente do lado do pa&iacute;s oprimido (I&ecirc;men) e pela derrota do pa&iacute;s opressor (Ar&aacute;bia Saudita e seus amos imperialistas). Isso n&atilde;o significa, evidentemente, manifestar apoio pol&iacute;tico ao partido <i>houthi<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A luta feroz no I&ecirc;men mostra que estamos diante de um novo epis&oacute;dio da revolu&ccedil;&atilde;o, que engloba n&atilde;o s&oacute; este pa&iacute;s mas tamb&eacute;m o processo revolucion&aacute;rio mais geral no Magreb e no Oriente M&eacute;dio. A isso se une a resist&ecirc;ncia s&iacute;ria contra o ditador Al Assad e o Estado Isl&acirc;mico; a luta dos curdos por sua independ&ecirc;ncia; as mobiliza&ccedil;&otilde;es do povo liban&ecirc;s; o combate do povo iraquiano contra o EI e contra o governo repressor de Bagd&aacute;.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Expressamos, uma vez mais, nossa solidariedade incondicional ao povo do I&ecirc;men e, ao mesmo tempo, chamamos todas as for&ccedil;as revolucion&aacute;rias e democr&aacute;ticas a cerrar fileiras em torno da resist&ecirc;ncia armada iemenita. Esta &eacute; uma tarefa anti-imperialista de suma import&acirc;ncia e inevit&aacute;vel.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Notas:<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">1. http:\/\/litci.org\/es\/archive\/rechacemos-los-bombardeos-sauditas-a-yemen-viva-la-revolucion-del-pueblo-yemeni\/<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">2. http:\/\/hispantv.com\/newsdetail\/Yemen\/55827\/yemen-marib-soldados-extranjeros-ejercito-misiles-211<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Tradu&ccedil;&atilde;o: Julio Soares<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agress&atilde;o militar da coaliz&atilde;o liderada pela Ar&aacute;bia Saudita &ndash; que conta com o apoio dos EUA e Israel &ndash; contra o I&ecirc;men continua e aumenta sua escala de devasta&ccedil;&atilde;o. 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