{"id":3459,"date":"2015-09-01T12:05:47","date_gmt":"2015-09-01T12:05:47","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2015\/09\/01\/evo-morales-nacionalismo-indigena-no-poder\/"},"modified":"2015-09-01T12:05:47","modified_gmt":"2015-09-01T12:05:47","slug":"evo-morales-nacionalismo-indigena-no-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/09\/01\/evo-morales-nacionalismo-indigena-no-poder\/","title":{"rendered":"Evo Morales: Nacionalismo Ind\u00edgena no poder?"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"165\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/bolivia-evo-saluda.jpg\" vspace=\"4\" width=\"260\" \/>N&oacute;s, atuais dirigentes, estamos convencidos que n&atilde;o aceitaremos qualquer reducionismo classista convertendo-nos apenas em &ldquo;camponeses&rdquo;. Tampouco aceitamos nem aceitaremos qualquer reducionismo &eacute;tnico que converta nossa luta a um confronto de &ldquo;&iacute;ndios&rdquo; contra &ldquo;brancos&rdquo;. Somos herdeiros de grandes civiliza&ccedil;&otilde;es. Tamb&eacute;m somos herdeiros de uma permanente luta contra qualquer forma de explora&ccedil;&atilde;o e opress&atilde;o. Queremos ser livres em uma sociedade sem explora&ccedil;&atilde;o nem opress&atilde;o, organizada em um Estado plurinacional (de v&aacute;rias na&ccedil;&otilde;es) que desenvolva nossas culturas e aut&ecirc;nticas formas de governo pr&oacute;prio (O COMIT&Ecirc; EXECUTIVO DA CSUTCB<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Litci01\/Desktop\/Alejandro\/Cierre 20-08-2015\/Evo Morales.doc#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\"><b><span style=\"line-height: 115%;\">[1]<\/span><\/b><\/a>. Ch&acute;upiyap marka (La Paz), outubro de 1983). [1] Central Sindical &Uacute;nica de Trabahadores Camponeses de Bol&iacute;via.&nbsp;<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"color: black; font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">No final de 2015 completam-se 10 anos da elei&ccedil;&atilde;o de Evo Morales, o primeiro presidente de origem ind&iacute;gena na hist&oacute;ria da Bol&iacute;via, eleito com 52% dos votos em dezembro de 2005. A elei&ccedil;&atilde;o de Evo Morales ocorreu ap&oacute;s um ciclo de rebeli&otilde;es populares entre os anos 2000 e 2005 que marcaram profundamente a hist&oacute;ria recente do pa&iacute;s. &nbsp;A primeira, foi a &ldquo;Guerra da &Aacute;gua&rdquo;, como ficou conhecida a revolta popular na cidade de Cochabamba no ano 2000 que derrotou o processo de privatiza&ccedil;&atilde;o da agua e expulsou uma empresa transnacional francesa.<\/span><\/div>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Em outubro de 2003, os bolivianos protagonizaram uma revolta popular em defesa dos recursos naturais brutalmente reprimida pelo ex&eacute;rcito, causando a morte de aproximadamente 65 pessoas. As Jornadas de Outubro de 2003 ou a &ldquo;Guerra do G&aacute;s&rdquo; provocou a derrubada do presidente Gonzalo Sanches de Lozada, &ldquo;Goni&rdquo;. Em maio e junho de 2005 os bolivianos voltaram &agrave;s ruas, agora, contra o presidente Carlos Mesa, vice-presidente de Goni. Entre as reivindica&ccedil;&otilde;es que unificaram ind&iacute;genas, camponeses, oper&aacute;rios e setores da classe m&eacute;dia urbana estavam a luta contra a privatiza&ccedil;&atilde;o da agua, a nacionaliza&ccedil;&atilde;o e industrializa&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais (g&aacute;s, petr&oacute;leo e minas) e a convoca&ccedil;&atilde;o de uma Assembleia Constituinte.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Em dezembro de 2005, Evo Morales, do Movimento Ao Socialismo (MAS), &eacute; eleito com 53,74%. A vit&oacute;ria eleitoral de Morales significou uma dura derrota dos partidos tradicionais, que governaram a Bol&iacute;via desde o fim da ditadura em 1982. Ap&oacute;s a vit&oacute;ria de Evo Morales a direita boliviana se reorganizou no Oriente do pa&iacute;s, em particular nos estados mais ricos como Santa Cruz e Tarija onde se concentram as maiores reservas de g&aacute;s&nbsp;<s><span style=\"border:none windowtext 1.0pt;\nmso-border-alt:none windowtext 0cm;padding:0cm\">e<\/span><\/s>&nbsp;petr&oacute;leo, e os grandes agroindustriais da soja. Entre 2006 e 2008 o pa&iacute;s presenciou uma profunda polariza&ccedil;&atilde;o social e instabilidade pol&iacute;tica. As medidas do governo n&atilde;o foram suficientes para resolver a crise pol&iacute;tica.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A crise pol&iacute;tica foi resolvida depois de um pacto politico entre o governo e setores da direita em torno &agrave; nova Constitui&ccedil;&atilde;o em outubro de 2008. O pacto significou a manuten&ccedil;&atilde;o dos privil&eacute;gios (o controle sobre a terra) dos grandes latifundi&aacute;rios do Oriente. Este acordo contrariou alguns setores ind&iacute;genas e camponeses do Oriente que reivindicavam a reforma agraria e a expropria&ccedil;&atilde;o dos latif&uacute;ndios.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A nova constitui&ccedil;&atilde;o pactuada foi aprovada em plebiscito nacional com 61,43% de apoio e gerou enormes expectativas na maioria da popula&ccedil;&atilde;o, em particular entre os ind&iacute;genas e camponeses. Segundo o texto constitucional se fundava o novo &ldquo;Estado Plurinacional da Bol&iacute;via&rdquo;. Em dezembro de 2009 se realizaram novas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais e Evo Morales foi reeleito com 64,2%. Em outubro de 2014, Morales &eacute; eleito pela terceira vez com 61,36% e governar&aacute; o pa&iacute;s at&eacute; 2020.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Esta breve s&iacute;ntese hist&oacute;rica coloca a necessidade de uma discuss&atilde;o mais profunda sobre o car&aacute;ter e a natureza de classe do governo Evo Morales, um tema bastante pol&ecirc;mico no interior da esquerda e da intelectualidade boliviana. Este artigo retoma parte do debate realizado por alguns dos intelectuais mais importantes da Bol&iacute;via na atualidade, entre eles, destaco o atual vice-presidente &Aacute;lvaro Garcia Linera<a name=\"_ftnref1\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:none;text-underline:\nnone\">[1]<\/span><\/b><\/a>&nbsp;e o fil&oacute;sofo e cientista pol&iacute;tico Luiz Tapia<a name=\"_ftnref2\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:none;text-underline:\nnone\">[2]<\/span><\/b><\/a>&nbsp;(ambos pertenciam &agrave; um grupo de intelectuais conhecido como COMUNA).<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A experi&ecirc;ncia boliviana nos &uacute;ltimos dez anos coloca para a esquerda e os marxistas, o desafio de entender a complexa sociedade boliviana e a natureza de classe do governo Evo Morales. Este artigo &eacute; uma pequena contribui&ccedil;&atilde;o a esse debate. Para isso focaremos a an&aacute;lise na discuss&atilde;o sobre a origem, ideologia, composi&ccedil;&atilde;o, programa e pol&iacute;ticas implementas pelo governo ao longo dos 10 anos.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b><span style=\"color: black;\">Movimento ao Socialismo (MAS): Da luta camponesa &agrave; elei&ccedil;&atilde;o de Evo Morales.<\/span><\/b><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;\nmso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;\ncolor:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">O MAS-IPSP (Movimento ao Socialismo-Instrumento Pol&iacute;tico pela Soberania dos Povos) foi fundado em 27 de mar&ccedil;o de 1995 na cidade de Santa Cruz. Nesse encontro participaram centenas de ind&iacute;genas, camponeses e intelectuais de esquerda. Esses setores buscavam construir uma alternativa pol&iacute;tica contra a ofensiva do neoliberalismo.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">O MAS se construiu em uma conjuntura de profundo retrocesso do movimento sindical A COB se encontrava extremadamente debilitada nos anos 90. Frente &agrave; crise do movimento oper&aacute;rio, o MAS cumpriu um papel progressivo na resist&ecirc;ncia ao neoliberalismo ao organizar as lutas contra a criminaliza&ccedil;&atilde;o do cultivo da folha de coca, em defesa dos povos ind&iacute;genas e o direito &agrave; Terra e Territ&oacute;rio, al&eacute;m das mobiliza&ccedil;&otilde;es contra o racismo e a discrimina&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica.&nbsp;<a href=\"http:\/\/bibliotecavirtual.clacso.org.ar\/ar\/libros\/bolivia\/coyun11.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:none;text-underline:none\">Segundo Lorgio Orellana<\/span><\/b><\/a>, o MAS,<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">[&hellip;] surgiu como um &oacute;rg&atilde;o pol&iacute;tico de um movimento campon&ecirc;s de classe no Tr&oacute;pico de Cochabamba, com uma vis&atilde;o, uma ideologia e uma simbologia anti-imperialista e indigenista, de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas de erradica&ccedil;&atilde;o e criminaliza&ccedil;&atilde;o dos cultivos de coca, promovidas pelo governo norte americano, mas tamb&eacute;m com uma vis&atilde;o de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas neoliberais implementadas na Bol&iacute;via desde 1985 (ORELLANA AILL&Oacute;N, 2006, p.30-31)<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">O MAS foi a express&atilde;o pol&iacute;tica da emerg&ecirc;ncia dos movimentos sociais ind&iacute;genas-camponeses nos anos 90, em particular dos camponeses que cultivavam a folha de Coca, cuja maior lideran&ccedil;a &eacute; o atual presidente Evo Morales. Nos anos 90 os movimentos sociais vinculados ao MAS, como a CSUTCB<a name=\"_ftnref3\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:none;text-underline:\nnone\">[3]<\/span><\/b><\/a>, CIDOB<a name=\"_ftnref4\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftn4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:none;text-underline:\nnone\">[4]<\/span><\/b><\/a>&nbsp;e o CONAMAQ<a name=\"_ftnref5\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftn5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:none;text-underline:\nnone\">[5]<\/span><\/b><\/a>&nbsp;estiveram na linha de frente da luta contra o neoliberalismo.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">[&hellip;] A partir de um n&uacute;cleo do sindicalismo campon&ecirc;s que, ao final, se organiza a Assembleia pela Soberania dos Povos (ASP), que logo, por quest&otilde;es de reconhecimento eleitoral, adotou o nome de Movimento ao Socialismo (MAS). Este partido, basicamente, &eacute; composto por representantes&nbsp;cocaleiros&nbsp;e est&aacute; presente no sistema de partidos atrav&eacute;s da Esquerda Unida, a frente de esquerda pol&iacute;tica que articulava o que restava da esquerda durante os anos 80 e 90 (TAPIA, 2010, p.142-143).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A partir de 2002, o partido ampliou sua base social em dire&ccedil;&atilde;o aos setores populares e &agrave; classe m&eacute;dia urbana. A partir desse momento o partido foi mudando paulatinamente sua composi&ccedil;&atilde;o social. Os dirigentes das organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas e camponeses foram pouco a pouco substitu&iacute;dos por intelectuais de esquerda oriundos das classes m&eacute;dias urbanas, que passaram a ter maior preponder&acirc;ncia. O principal intelectual que adere ao MAS &eacute; o soci&oacute;logo e ex-militante do grupo guerrilheiro, EGTK (Ex&eacute;rcito Guerrilheiro Tupak katari), &Aacute;lvaro Garcia Linera, que esteve preso durante 5 anos (entre 1992 e 1997) sob a acusa&ccedil;&atilde;o de promover o &ldquo;terrorismo e a insurrei&ccedil;&atilde;o&rdquo;<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A dire&ccedil;&atilde;o do partido passou a adotar um discurso mais moderado e conciliador, adaptado &agrave;s &ldquo;institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas&rdquo; e &agrave; estrat&eacute;gia eleitoral. As elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2002, marcaram uma mudan&ccedil;a significativa no perfil pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico do MAS em rela&ccedil;&atilde;o aos anos 90. Nestas elei&ccedil;&otilde;es Evo Morales obt&eacute;m o segundo lugar com 20,9%, enquanto o presidente eleito, Gonzalo Sanches de Lozada obteve 22,5%.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de dezembro de 2005, a maioria da popula&ccedil;&atilde;o encontrou no MAS e na chapa Evo Morales-&Aacute;lvaro Garcia Linera uma alternativa real para derrotar os partidos da direita tradicional que governaram a Bol&iacute;via desde o fim da ditadura, em 1982. Para a maioria da popula&ccedil;&atilde;o, a elei&ccedil;&atilde;o de Evo Morales significava o fim do saque dos recursos naturais por um lado, e o fim da secular opress&atilde;o &eacute;tnico-cultural a que foram submetidos os povos e nacionalidades ind&iacute;genas.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Nesse sentido a elei&ccedil;&atilde;o de Evo Morales, em dezembro de 2005, foi a express&atilde;o de um processo crescente de polariza&ccedil;&atilde;o social e acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as dos setores populares, ind&iacute;genas, camponeses, oper&aacute;rios desde o ano 2000. O Movimento Ao Socialismo foi identificado por amplos setores da sociedade boliviana como uma alternativa para resolver a crise pol&iacute;tica, social e econ&ocirc;mica que atravessava o pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">O presidente Evo Morales chegou ao poder com um grande apoio popular e uma expressiva vota&ccedil;&atilde;o. No entanto a crise pol&iacute;tica e a polariza&ccedil;&atilde;o social provocada pelas rebeli&otilde;es de 2003 e 2005 se manteve. Al&eacute;m da press&atilde;o popular pelo cumprimento das reivindica&ccedil;&otilde;es dos diferentes grupos sociais, o governo sofreu a oposi&ccedil;&atilde;o das elites econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas regionais que governavam as principais prov&iacute;ncias do Oriente boliviano, em especial o departamento de Santa Cruz, onde se encontram as principais reservas de G&aacute;s e Petr&oacute;leo, e uma forte presen&ccedil;a do agroneg&oacute;cio.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b><span style=\"color: black;\">O &ldquo;Nacionalismo Ind&iacute;gena no Poder&rdquo;?<\/span><\/b><\/span><\/span><span style=\"font-size:\n10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;\nmso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Quando Evo Morales foi eleito presidente, o pa&iacute;s se encontrava geogr&aacute;fica e politicamente dividido. De um lado, estavam os setores conservadores e as classes dominantes do Oriente do pa&iacute;s, preocupados e temerosos com as mudan&ccedil;as e medidas que pudessem afetar o seu poder econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico, sobretudo o controle exercido sobre a propriedade da terra; por outro, as distintas organiza&ccedil;&otilde;es sociais e sindicais do campo e da cidade depositavam grandes expectativas no governo, mas n&atilde;o estavam dispostas a esperar pacientemente o cumprimento de suas principais reivindica&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Frente a este cen&aacute;rio, o governo buscou sempre uma sa&iacute;da pactuada e acordada para resolver a crise pol&iacute;tica e conter a press&atilde;o dos movimentos sociais.&nbsp; Para isso, utilizou-se do respaldo e apoio que tinha entre os movimentos sociais e setores da classe m&eacute;dia e, em menor medida, do apoio entre os trabalhadores assalariados. As principais organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais se integraram ao aparato estatal e reconheciam Evo Morales como &ldquo;seu governo&rdquo;.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">O discurso pol&iacute;tico do governo Evo Morales combina e articula duas matrizes ideol&oacute;gicas: o &ldquo;nacionalismo&rdquo; e o &ldquo;indigenismo&rdquo;. Mas, at&eacute; que ponto estas representa&ccedil;&otilde;es correspondem &agrave; realidade? O Governo Evo Morales e o MAS t&ecirc;m implementado um projeto nacionalista e anti-imperialista? O Estado Plurinacional e o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o mudaram realmente as estruturas de domina&ccedil;&atilde;o? A Bol&iacute;via est&aacute; avan&ccedil;ando rumo ao socialismo comunit&aacute;rio? O indigenismo do governo tem preservado e respeitado as formas de formas de autogoverno das comunidades ind&iacute;genas-camponesas (Ayllus)?<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A resposta &agrave; algumas dessas quest&otilde;es tem gerado um profundo debate na Bol&iacute;via.<a href=\"http:\/\/biblioteca.clacso.edu.ar\/ar\/libros\/osal\/osal19\/stefanoni.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:none;text-underline:none\">&nbsp;Para o cientista pol&iacute;tico Pablo Stefanoni (2006)<\/span><\/b><\/a>, a elei&ccedil;&atilde;o de Evo Morales significou a abertura de um novo ciclo nacionalista e indigenista na Bol&iacute;via:<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">[&hellip;] Diferentemente das experi&ecirc;ncias anteriores, este novo nacionalismo plebeu n&atilde;o &eacute; articulado pelas For&ccedil;as Armadas nem pelas classes m&eacute;dias urbanas, mas pelas massas ind&iacute;genas-mesti&ccedil;as que recuperaram parcialmente as clivagens pr&oacute;prias do velho nacionalismo boliviano (luta entre a na&ccedil;&atilde;o e a anti-na&ccedil;&atilde;o, anti-imperialismo e demanda de nacionaliza&ccedil;&atilde;o da economia e do Estado), mas incorporando um novo componente &eacute;tnico-cultural e de auto representa&ccedil;&atilde;o social na constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade coletiva popular atravessada por m&uacute;ltiplas identifica&ccedil;&otilde;es sindical-corporativas (STEFANONI, 2006, p.38).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">O atual vice-presidente e mentor intelectual do governo Morales, &Aacute;lvaro Garc&iacute;a Linera (2006), tamb&eacute;m corrobora a tese de que o MAS representa um projeto &ldquo;nacionalista&rdquo;, ainda que busque diferenci&aacute;-lo dos projetos nacionalistas anteriores. Na sua opini&atilde;o &ldquo; [&hellip;]&nbsp;<i>o,&nbsp;MAS representa o despertar dos sujeitos subalternos para um novo nacionalismo revolucion&aacute;rio, mas isso n&atilde;o quer dizer que o movimento de Evo Morales pretenda ressuscitar a velha ideologia do nacionalismo revolucion&aacute;rio<\/i>&rdquo; (LINERA, 2006).<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">O triunfo do MAS abre a possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o radical da sociedade e do estado, mas n&atilde;o em uma perspectiva socialista (ao menos a corto prazo) como defende uma parte da esquerda [&hellip;] O capitalismo andino-amaz&ocirc;nico &eacute; a maneira que, acredito, se adapta mais a nossa realidade para melhorar as possibilidades das for&ccedil;as de emancipa&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria e comunit&aacute;ria a m&eacute;dio prazo. Por isso o concebemos como um mecanismo tempor&aacute;rio e transit&oacute;rio (LINERA, 2006).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Diferente da an&aacute;lise de Stefanoni e Garcia Linera, consideramos que o MAS e o governo Evo Morales n&atilde;o representam um projeto Nacionalista e Indigenista. O m&aacute;ximo que se poderia dizer &eacute; que nos primeiros tr&ecirc;s anos de governo, o MAS representou um &ldquo;nacionalismo moderado e pragm&aacute;tico&rdquo; como resposta &agrave; press&atilde;o popular. Em certa medida o discurso &ldquo;nacionalista&rdquo; do MAS, compartilha alguns elementos do nacionalismo revolucion&aacute;rio do MNR<a name=\"_ftnref6\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftn6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:\nnone;text-underline:none\">[6]<\/span><\/b><\/a>&nbsp;(Movimento Nacionalista Revolucion&aacute;rio) dos anos 40 e 50, em particular a tese de que &eacute; necess&aacute;rio &ldquo;desenvolver o capitalismo&rdquo;, criar uma &ldquo;burguesia nacional&rdquo; e &ldquo;industrializar o pa&iacute;s&rdquo;.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Nesse sentido, o &ldquo;Processo de transforma&ccedil;&otilde;es&rdquo;, a &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tico-cultural&rdquo; ou o &ldquo;socialismo comunit&aacute;rio&rdquo; que impulsiona o governo Evo Morales s&atilde;o tentativas de reformar o estado boliviano e construir uma sociedade capitalista &ldquo;moderna&rdquo;, sem romper com as rela&ccedil;&otilde;es de depend&ecirc;ncia e subordina&ccedil;&atilde;o ao imperialismo, como est&aacute; expresso na teoria do &ldquo;capitalismo andino-amaz&ocirc;nico&rdquo; do intelectual e vice-presidente &Aacute;lvaro Garc&iacute;a Linera. &nbsp;No que concerne a rela&ccedil;&atilde;o com o grande capital nacional e internacional, o nacionalismo ind&iacute;gena apresenta grande limita&ccedil;&otilde;es. Do ponto de vista da rela&ccedil;&atilde;o com os recursos naturais, o MAS prop&otilde;e conviver como s&oacute;cios das empresas transnacionais. Concordamos com a perspectiva do intelectual boliviano apontada pelo Lu&iacute;s Tapia,<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">[&hellip;] o MAS de maneira nenhuma representa, encarna, defende ou desenvolve propostas de um modo comunit&aacute;rio de rela&ccedil;&atilde;o com a natureza e de transforma&ccedil;&atilde;o da estrutura econ&ocirc;mica boliviana em que cada vez tenham mais import&acirc;ncia ou relev&acirc;ncia formas n&atilde;o capitalistas de dire&ccedil;&atilde;o, propriedade e gest&atilde;o mais coletiva. O MAS encarna a continuidade e exacerba&ccedil;&atilde;o do modelo de explora&ccedil;&atilde;o extrativista capitalista, que se volta mais agressivo, j&aacute; que, com se concebem como representantes e controladores do &ldquo;popular&rdquo;, querem impor um novo ciclo ou onda de expans&atilde;o e depreda&ccedil;&atilde;o capitalista em territ&oacute;rios ind&iacute;genas (TAPIA, p. 128, 2011).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A ret&oacute;rica &ldquo;anti-imperialista e anticapitalista&rdquo; do MAS e de Evo Morales, diferente do<i>Nacionalismo Revolucion&aacute;rio<\/i>&nbsp;do in&iacute;cio do in&iacute;cio dos anos 50, parece representar, mais do um projeto, um discurso &ldquo;nacionalista moderado e pragm&aacute;tico&rdquo;. Para Tapia,<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">A nacionaliza&ccedil;&atilde;o atual, que implica retomar parte da experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica do passado, basicamente significa estatiza&ccedil;&atilde;o e uma reorganiza&ccedil;&atilde;o sob o padr&atilde;o de capitalismo de estado, que compartilha com o capital transnacional a explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais hidrocarbonetos. Os processos de produ&ccedil;&atilde;o seguem basicamente a cargo de empresas transnacionais. Nesse sentido, a principal reforma tem a ver com a margem de controle fiscal e a reten&ccedil;&atilde;o do excedente por parte do Estado [&hellip;]. N&atilde;o h&aacute; nenhum signo de que isto levaria a autogest&atilde;o, cogest&atilde;o ou outras formas de socializa&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o do regime de propriedade e na dire&ccedil;&atilde;o dos processos de produ&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, n&atilde;o h&aacute; nenhum componente de socialismo nessa perspectiva. (TAPIA, p.97, 2011).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:#666666;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b><span style=\"color: black;\">Um novo Estado Plurinacional?<\/span><\/b><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;\nfont-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;\nmso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A grande novidade no processo pol&iacute;tico boliviano &eacute; a emerg&ecirc;ncia do elemento &eacute;tnico, ou seja, a incorpora&ccedil;&atilde;o no discurso pol&iacute;tico da &ldquo;luta ind&iacute;gena pela inclus&atilde;o e reconhecimento&rdquo; das na&ccedil;&otilde;es e povos ind&iacute;genas historicamente exclu&iacute;dos e marginalizados pelo Estado boliviano.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">A ideia do Estado Plurinacional &eacute; um dos momentos mais fortes da&nbsp;catarse pol&iacute;tica,&nbsp;j&aacute; que implica defender o horizonte no qual h&aacute; que pensar e organizar as formas pol&iacute;ticas que contenham a todos os povos e culturas, n&atilde;o s&oacute; como cidad&atilde;o reconhecidos e governados por um mesmo conjunto de leis e institui&ccedil;&otilde;es, mas que tamb&eacute;m os inclua nos processos de tomada de decis&otilde;es e de governo a traves de suas pr&oacute;prias formas de vida pol&iacute;tica e autogoverno. A ideia do Plurinacional &eacute; um dos componentes mais importantes da reforma moral e intelectual que se operou na vida pol&iacute;tica boliviana nos &uacute;ltimos anos, j&aacute; que implica um desvio do anglo e eurocentrismo liberal modernos, ainda que estes n&atilde;o s&atilde;o processos completados ou realizados, s&atilde;o uma tend&ecirc;ncia. (TAPIA, p.94, 2011).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">O discurso indigenista do governo se articula com a &ldquo;defesa da p&aacute;tria&rdquo; sobre os interesses &ldquo;setoriais&rdquo;, &ldquo;corporativistas&rdquo; e de &ldquo;classe&rdquo;; O &ldquo;nacionalismo ind&iacute;gena&rdquo;, representado pelo MAS e por Evo Morales, busca uma reforma do Estado e do regime pol&iacute;tico boliviano atrav&eacute;s da funda&ccedil;&atilde;o do Novo Estado Plurinacional fundado a partir da aprova&ccedil;&atilde;o da Nova Constitui&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica do Estado em janeiro de 2009. A Nova Constitui&ccedil;&atilde;o estabelece que,<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">Artigo 1.<\/span><\/i><\/b><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">&nbsp;A Bol&iacute;via se constitui em um Estado Unit&aacute;rio Social de Direito, Plurinacional, comunit&aacute;rio, livre, independente, soberano, democr&aacute;tico, intercultural, descentralizado e com autonomias. Bol&iacute;via se funda na pluralidade e o pluralismo pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico, jur&iacute;dico, cultural e lingu&iacute;stico, dentro do processo integrador do pa&iacute;s<b>. Artigo 2.&nbsp;<\/b>Dada a exist&ecirc;ncia pr&eacute;-colonial das na&ccedil;&otilde;es e povos ind&iacute;genas origin&aacute;rios camponeses e seu predom&iacute;nio ancestral sobre seus territ&oacute;rios, se garante sua livre determina&ccedil;&atilde;o no marco da unidade do Estado, que consiste no seu direito &agrave; autonomia, ao autogoverno, a sua cultura, ao reconhecimento de suas institui&ccedil;&otilde;es e &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o de suas entidades territoriais, como a esta Constitui&ccedil;&atilde;o e a lei.&nbsp;<b>Artigo 3.&nbsp;<\/b>A na&ccedil;&atilde;o boliviana est&aacute; conformada pela totalidade das bolivianas e dos bolivianos, as na&ccedil;&otilde;es e povos ind&iacute;genas origin&aacute;rio-camponeses, e as comunidades interculturais e afro bolivianas que em seu conjunto constituem o povo boliviano. (Nova Constitui&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica do Estado, aprovada em janeiro de 2009).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:#666666;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">O projeto do MAS e de Evo Morales, expresso na nova CPE, visa a incorpora&ccedil;&atilde;o, discursiva e m&iacute;stica, de certas reivindica&ccedil;&otilde;es &eacute;tnicas e culturais dos povos ind&iacute;genas, atrav&eacute;s da &ldquo;Refunda&ccedil;&atilde;o do Estado&rdquo;, incorporando a Plurinacionalidade como princ&iacute;pio fundante da sociedade boliviana. Para o vice-presidente, &Aacute;lvaro Garc&iacute;a Linera, esta defini&ccedil;&atilde;o estabelece, &ldquo;<i>o reconhecimento de que a Bol&iacute;via &eacute; uma na&ccedil;&atilde;o de na&ccedil;&otilde;es, onde estamos Aymaras, Qu&eacute;chuas, Guaranis, mesti&ccedil;os, afros bolivianos etc., a nova constitui&ccedil;&atilde;o reconhece que somos um estado plurinacional (&hellip;) O Estado, o poder pol&iacute;tico, as institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o agora plurinacionais<\/i>&rdquo; (LINERA, p.13, 2008)<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Nessa perspectiva, o &ldquo;nacionalismo ind&iacute;gena&rdquo; ou &ldquo;indigenismo&rdquo; &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o discursiva e ideol&oacute;gica e, ainda que nos ajude na caracteriza&ccedil;&atilde;o do governo Evo Morales, apresenta grandes limita&ccedil;&otilde;es, na medida em que as pol&iacute;ticas implementadas pelo governo foram na contram&atilde;o do discurso da Plurinacionalidade. Para Tapia (2011) &ldquo;s&oacute; de maneira complementaria e como discurso de legitima&ccedil;&atilde;o e conex&atilde;o com parte de suas bases sociais aparece o componente do Plurinacional&rdquo; (TAPIA, p.99, 2011).<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">As propostas do governo t&ecirc;m explicitado que o n&uacute;cleo do seu programa implica uma amplia&ccedil;&atilde;o do mesmo n&uacute;cleo extrativista predominante previamente<\/span><\/i><\/b><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">, quer dizer, represas na Amaz&ocirc;nia que v&atilde;o inundar territ&oacute;rios de povos e culturas que a nova constitui&ccedil;&atilde;o reconhece, mas a pol&iacute;tica do governo apaga; por outro lado a constru&ccedil;&atilde;o de uma estrada que vai dividir ao meio uma das principais &aacute;reas protegidas do pa&iacute;s afetando negativamente territ&oacute;rios comunit&aacute;rios. Novamente a ideia de desenvolvimento do governo nega o reconhecimento plurinacional. Tem for&ccedil;ado a aprova&ccedil;&atilde;o para estender as &aacute;reas de prospec&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o em territ&oacute;rios de comunidades ind&iacute;genas.&nbsp;<b>Os n&uacute;cleos centrais do programa econ&ocirc;mico do governo implicam a destrui&ccedil;&atilde;o da diversidade cultural e nega&ccedil;&atilde;o do reconhecimento da territorialidade ind&iacute;gena<\/b>; j&aacute; que sobrep&otilde;e as decis&otilde;es do poder executivo sobre as decis&otilde;es pol&iacute;ticas e a delibera&ccedil;&atilde;o dos povos que v&atilde;o ser afetados [&hellip;]. Durante o ano 2010 o MAS j&aacute; explicitou, inclusive de maneira c&iacute;nica, a linha anti-indigena que o caracteriza. Est&aacute; disposto a impor seus planos de explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais, de explora&ccedil;&atilde;o das pessoas e de destrui&ccedil;&atilde;o de suas formas culturais sem nenhum respeito pela opini&atilde;o e a soberania dos povos ind&iacute;genas. De fato, cabe ver a&iacute; um dos componentes centrais da linha pol&iacute;tica estrat&eacute;gica que se est&aacute; apontando. As obras que o governo pretende realizar s&atilde;o parte do plano IRSA, quer dizer, da geopol&iacute;tica imperialista no continente que t&ecirc;m desenhado a infraestrutura que necessitam os circuitos de acumula&ccedil;&atilde;o transnacional para explorar de maneira mais intensiva os recursos naturais e a popula&ccedil;&atilde;o de nossos pa&iacute;ses. As obras s&atilde;o parte do n&uacute;cleo central do programa de governo do MAS, e s&atilde;o aquelas que respondem sobretudo aos interesses geopol&iacute;ticos do estado brasileiro. (TAPIA, p.97-98, 2011).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:\n10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;\nmso-bidi-font-family:Helvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A partir destes elementos &eacute; preciso avan&ccedil;ar em uma caracteriza&ccedil;&atilde;o da natureza de classe do governo Evo Morales, tomando como refer&ecirc;ncia a perspectiva te&oacute;rica e critica apontada pelo intelectual boliviano Lu&iacute;s Tapia. Nesse sentido n&atilde;o podemos considerar apenas os discursos, a origem social do MAS e do atual presidente para caracterizar o governo e o car&aacute;ter do &ldquo;novo&rdquo; Estado boliviano. &Eacute; necess&aacute;rio um crit&eacute;rio mais objetivo, de classe, que leve em considera&ccedil;&atilde;o &ldquo;a rela&ccedil;&atilde;o do governo com as institui&ccedil;&otilde;es do Estado e as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais e pol&iacute;ticas que o governo protege, defende e impulsiona&rdquo;. No caso boliviano, o governo Evo Morales, t&ecirc;m impulsionado o capitalismo dependente e pr&oacute;-imperialista com uma roupagem indigenista. A partir desse crit&eacute;rio consideramos a an&aacute;lise realizada por Lorgio Orellana Aill&oacute;n, a que melhor se aproxima de uma perspectiva cr&iacute;tica e marxista (2006):<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">Os novos governantes do MAS compartilham com seus oponentes neoliberais o mesmo respeito pela propriedade privada e pelas institui&ccedil;&otilde;es do Estado capitalista; como os governos anteriores, pretendem incentivar a invers&atilde;o estrangeira, promover a seguridade jur&iacute;dica e trabalhar em sociedade com as empresas transnacionais [&hellip;]. O MAS compartilha com os anteriores funcion&aacute;rios do estado o mesmo respeito pelas estruturas fundamentais do capitalismo [&hellip;]. O ascenso do novo governo, ent&atilde;o, n&atilde;o indica uma mudan&ccedil;a de regime de acumula&ccedil;&atilde;o, sen&atilde;o a renova&ccedil;&atilde;o de gerentes estatais que agora procuram revisar as fun&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias e redistributivas do Estado no processo de reprodu&ccedil;&atilde;o do capital monopolista, sitiado no setor prim&aacute;rio exportador; sem transformar estas fun&ccedil;&otilde;es nem as bases econ&ocirc;mico-sociais em que se fundamentam: o controle privado e transnacional sobre as principais condi&ccedil;&otilde;es objetivas da produ&ccedil;&atilde;o (ORELLANA AILL&Oacute;N, 2006, p.33)<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:#666666;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b><span style=\"color: black;\">Entre a coopta&ccedil;&atilde;o e o transformismo<\/span><\/b><\/span><\/span><span style=\"font-size:\n10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;\nmso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Para cumprir o papel de &ldquo;&aacute;rbitro&rdquo; entre as classes, o governo do MAS necessitou cooptar e integrar as organiza&ccedil;&otilde;es camponesas, oper&aacute;rias e populares ao aparato estatal. &nbsp;Esse foi o destino da grande maioria das organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas e camponesas no in&iacute;cio do governo, que passaram a ocupar minist&eacute;rios e vice minist&eacute;rios. O mesmo destino teve as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais urbanas, como a COB e a FSTMB<a name=\"_ftnref7\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftn7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:none;text-underline:\nnone\">[7]<\/span><\/b><\/a>, ambas organiza&ccedil;&otilde;es realizaram um pacto pol&iacute;tico com o MAS nas elei&ccedil;&otilde;es de 2014 e abortaram a constru&ccedil;&atilde;o de um partido dos trabalhadores com o objetivo de se elegeram como deputados e senadores (o ex-secret&aacute;rio executivo da COB foi eleito senador e mineiros de Huanuni foram eleitos deputados pelo MAS).<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">No entanto a partir de 2010 o governo passou a utilizar de maneira deliberada a repress&atilde;o e criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais, foi assim no conflito do &ldquo;gasolinazo&rdquo;, na luta em defesa do parque nacional ind&iacute;gena TIPNIS e na luta dos trabalhadores pela redu&ccedil;&atilde;o da idade de aposentadoria. Os setores sociais e dirigentes sindicais que passaram a questionar o governo foram perseguidos, processados e acusados de fazer o jogo da direita e do imperialismo, como ocorreu com os trabalhadores mineiros que impulsionaram a constru&ccedil;&atilde;o do Partido dos Trabalhadores.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">O governo Evo Morales estabeleceu um novo pacto entre o Estado e as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais ind&iacute;genas, camponesas, oper&aacute;rias e populares. Este processo marcou a coopta&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o de dirigentes sindicais em postos chaves do governo.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">A coopta&ccedil;&atilde;o de dirigentes populares em cargos ministeriais, como &eacute; o caso dos dirigentes das associa&ccedil;&otilde;es de bairro de El Alto, da Federa&ccedil;&atilde;o de Cooperativas Mineiras, do sindicato industrial al&eacute;m do decisivo controle do MAS sobre as organiza&ccedil;&otilde;es camponesas e ind&iacute;genas do pa&iacute;s, indicam a probabilidade da forma&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es populares e sindicatos paraestatais, que se constituiriam na base fundamental&nbsp;&nbsp;do novo governo e a base de sua legitimidade (ORELLANA AILL&Oacute;N, 2006, p.51-52, tradu&ccedil;&atilde;o do autor).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Este processo se assemelha ao que ocorreu durante os governos do MNR (Movimento Nacionalista Revolucion&aacute;rio) na d&eacute;cada de 50 e 60, que buscou integrar ao governo e ao Estado, as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais em especial a COB e a FSTMB. Em uma nova chave explicativa, de matriz gramsciana, Lu&iacute;s Tapia analisa as transforma&ccedil;&otilde;es e mudan&ccedil;as no partido de Governo, atrav&eacute;s da &ldquo;no&ccedil;&atilde;o de catarse e transformismo para fazer uma caracteriza&ccedil;&atilde;o de uma das tend&ecirc;ncias dominantes na a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do MAS e seus l&iacute;deres&rdquo; (TAPIA, p.118, 2011).<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">[&hellip;]&nbsp;<b>minha hip&oacute;tese &eacute; que o n&uacute;cleo dirigente do MAS e do atual governo t&ecirc;m entrado em uma fase de transformismo cada vez mais acentuada.&nbsp;<\/b>De ser intelectuais org&acirc;nicos de setores camponeses, ind&iacute;genas e populares t&ecirc;m se convertido em intelectuais org&acirc;nicos de um projeto de reconstitui&ccedil;&atilde;o do estado-na&ccedil;&atilde;o na Bol&iacute;via em torno &agrave; um n&uacute;cleo capitalista, que est&aacute; reacoplando as estruturas de poder e domina&ccedil;&atilde;o patrimonialistas com uma nova dirig&ecirc;ncia de origem popular [&hellip;]. H&aacute; algo peculiar nesse processo de transformismo. Hoje n&atilde;o se trata de que os principais dirigentes do MAS est&atilde;o sendo cooptados pelo velho bloco dominante patrimonialista e burgu&ecirc;s na Bol&iacute;via, sen&atilde;o que eles mesmos est&atilde;o se transformando no n&uacute;cleo dirigente de um novo projeto capitalista no pa&iacute;s, que articula de maneira complementar e em certo sentido subordinada ao velho bloco dominante. Nesse sentido houve um rec&acirc;mbio na dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e na modalidade do projeto pol&iacute;tico. N&atilde;o se trata de uma incorpora&ccedil;&atilde;o totalmente transnacionalizada ao sistema mundial, mas atrav&eacute;s da reconstitui&ccedil;&atilde;o de um estado-na&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<b>As pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas e os planos de desenvolvimento do governo t&ecirc;m como eixo central o desenvolvimento do capitalismo: capitalismo de estado que alimenta e apoia o capitalismo privado transnacional, submetido &agrave; uma margem de contribui&ccedil;&atilde;o fiscal muito mais alto, capitalismo monop&oacute;lico nacional, capitalismo mediado e pequeno, mas capitalismo ao fim&nbsp;<\/b>(TAPIA, p.125-126, 2011).<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">A luta por um &ldquo;Estado Plurinacional&rdquo; &eacute; fruto de uma reivindica&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica dos movimentos ind&iacute;genas, em um pa&iacute;s multinacional e multi&eacute;tnico, onde existem aproximadamente 36 na&ccedil;&otilde;es e povos ind&iacute;genas. Segundo dados do Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas aproximadamente 70% da popula&ccedil;&atilde;o pertence a algum povo ind&iacute;gena (aymara, qu&eacute;chua, guarani etc). Esses setores, majorit&aacute;rios na sociedade boliviana, foram ao longo da hist&oacute;ria do pa&iacute;s, marginalizados, oprimidos e discriminados pela elite local, nacional e internacional. A opress&atilde;o e o racismo sempre foram uma pol&iacute;tica de Estado na Bol&iacute;via.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">No entanto as pol&iacute;ticas do estado burgu&ecirc;s\/colonial de homogeneiza&ccedil;&atilde;o da sociedade boliviana fracassaram rotundamente, em grande medida pela resist&ecirc;ncia dos povos ind&iacute;genas em preservar sua cultura, seus costumes, seu territ&oacute;rio e suas pr&aacute;ticas de autogoverno. A emerg&ecirc;ncia das lutas ind&iacute;genas nos anos 90 colocou no centro do debate pol&iacute;tico boliviano a luta por um Estado plurinacional.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Esta reivindica&ccedil;&atilde;o foi formalmente incorporada pelo governo Evo Morales na Nova constitui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, aprovada em janeiro de 2009. Apesar da quantidade de vezes em que fala de &ldquo;estado plurinacional&rdquo; ou de &ldquo;economia comunit&aacute;ria&rdquo;, a nova constitui&ccedil;&atilde;o legitima e mant&ecirc;m intactos os grandes latif&uacute;ndios e o sistema pol&iacute;tico dominante, base material da opress&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o dos povos ind&iacute;genas. As institui&ccedil;&otilde;es da democracia liberal burguesa, como o parlamento (agora Assembleia Plurinacional), a justi&ccedil;a e as for&ccedil;as armadas bolivianas, apesar das mudan&ccedil;as formais, foram mantidas intactas, e hierarquicamente dominantes em rela&ccedil;&atilde;o as formas de autonomia e autogoverno ind&iacute;gena que seguem limitadas e subordinadas.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 5pt; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">[&hellip;] o projeto pol&iacute;tico e hist&oacute;rico do MAS vai em um sentido contr&aacute;rio &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um governo Plurinacional no pa&iacute;s. O n&uacute;cleo do projeto pol&iacute;tico &eacute; capitalismo e o do estado plurinacional opera como um discurso de legitima&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos setores populares com os quais est&atilde;o reorganizando as rela&ccedil;&otilde;es de subordina&ccedil;&atilde;o e domina&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, considero que os liberais lutam contra fantasmas quando acreditam que o central do novo estado &eacute; o plurinacional e que esse &eacute; o grande perigo que levaria &agrave; dissolu&ccedil;&atilde;o do pais.&nbsp; (TAPIA, p. 126, 2011)<\/span><\/i><\/span><\/span><i><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:#666666;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">Os setores mais importantes da economia boliviana, como os hidrocarbonetos (petr&oacute;leo e g&aacute;s) e a minera&ccedil;&atilde;o continuam controlados por empresas multinacionais. O caso da minera&ccedil;&atilde;o &eacute; emblem&aacute;tico e a melhor express&atilde;o do controle que as multinacionais seguem exercendo sobre a economia Boliviana. Segundo dados do pr&oacute;prio Minist&eacute;rio de Minera&ccedil;&atilde;o da Bol&iacute;via, a atividade mineira representou em 2010 6,7% do PIB da Bol&iacute;via e contribui com aproximadamente 30% das exporta&ccedil;&otilde;es bolivianas. Em 2011, apenas 4 empresas estrangeiras controlavam 56% da minera&ccedil;&atilde;o boliviana. Em 2012 as empresas privadas nacionais e estrangeiras controlavam 75% da produ&ccedil;&atilde;o mineira, enquanto as cooperativas controlavam 22% e a empresa estatal COMIBOL, 3%. O que vemos &eacute; a reprodu&ccedil;&atilde;o das formas mais perversas do capitalismo dependente e semicolonial.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">&nbsp;<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b><span style=\"color: black;\">Refer&ecirc;ncias<\/span><\/b><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;\nmso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;\ncolor:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">LINERA, A.G. El evismo: lo nacional-popular en acci&oacute;n. Revista OSAL Online, Observat&oacute;rio Social de Am&eacute;rica Latina, Buenos Aires, v. 7, n. 19, 2006. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/bibliotecavirtual.clacso.org.ar\/ar\/libros\/osal\/osal19\/linera.pdf&gt;. Acesso em: 22 de setembro de 2014.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">______.&nbsp;<b>La potencia plebeya<\/b>: acci&oacute;n colectiva e identidades ind&iacute;genas, obreras y populares en Bolivia. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2008.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">_______.&nbsp;<b>Los tres pilares de la nueva Constituci&oacute;n Pol&iacute;tica del Estado Plurinacional, Econom&iacute;a Estatal y Estado Auton&oacute;mico<\/b>. Discursos y ponencias del ciudadano vicepresidente &Aacute;lvaro Garc&iacute;a Linera. Vice Presidencia de la Republica, 04 de noviembre de 2008.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">ORELLANA Aill&oacute;n, Lorgio.&nbsp;<b>Nacionalismo, populismo y r&eacute;gimen de acumulaci&oacute;n en Bolivia<\/b>. Hacia una caracterizaci&oacute;n del gobierno de Evo Morales. CEDLA, Centro de Estudios para el Desarrollo Laboral y Agrario, La Paz, Bolivia. Marzo de 2006. Disponible en la web:<a href=\"http:\/\/bibliotecavirtual.clacso.org.ar\/ar\/libros\/bolivia\/coyun11.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color:#E64946;text-decoration:none;text-underline:none\">http:\/\/bibliotecavirtual.clacso.org.ar\/ar\/libros\/bolivia\/coyun11.pdf<\/span><\/b><\/a><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">STEFANONI, Pablo.&nbsp;<b>El nacionalismo ind&iacute;gena en el poder<\/b>.&nbsp;<b>Revista OSAL<\/b>, Observat&oacute;rio Social de Am&eacute;rica Latina, Buenos Aires, v. 7, n. 19, 2006. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/biblioteca.clacso.edu.ar\/ar\/libros\/osal\/osal19\/stefanoni.pdf&gt;. Acesso em: 11 jun. 2015.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">______.&nbsp;<b>Consideraciones sobre el Estado Plurinacional<\/b>. In: BOLIVIA.&nbsp;<b>Descolonizaci&oacute;n en Bolivia<\/b>: cuatro ejes para comprender el cambio. La Paz: Vicepresidencia del Estado Plurinacional de Bolivia, FBDM, 2010. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.iiicab.org.bo\/Docs\/MAESTRIA1\/M1\/unidad-1\/4ejesparaelcambio.pdf&gt;. Acesso em: 12 de agosto de 2015.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">TAPIA, Luis.&nbsp;<b>El estado de derecho como tiran&iacute;a.<\/b>&nbsp;La Paz-Bolivia: CIDES-UMSA, 2011.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"color: black;\">&nbsp;<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-fareast-language:\nPT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a name=\"_ftn1\"> <\/a><\/span><\/span><a name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<hr align=\"left\" noshade=\"noshade\" size=\"2\" style=\"color:black\" width=\"100%\" \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a name=\"_ftn1\"> <\/a><\/span><\/span><\/div>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color: rgb(230, 73, 70); text-decoration: none;\">[1]<\/span><\/b><\/a><span style=\"color: black;\">&nbsp;&Aacute;lvaro Garcia Linera &eacute; o atual vice-presidente do estado Plurinacional da Bol&iacute;via. &Eacute; matem&aacute;tico e soci&oacute;logo. Autor de importantes obras como: A pot&ecirc;ncia Plebeia, Forma valor y forma Comunidad, La condici&oacute;n obrera en el siglo XX etc.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a name=\"_ftn2\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color: rgb(230, 73, 70); text-decoration: none;\">[2]<\/span><\/b><\/a><span style=\"color: black;\">&nbsp;Luis Tapia Mealla &eacute; filosofo e cientista pol&iacute;tico. Docente e pesquisador do programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o CIDES- UMSA. Autor de diversas obras sobre a sociedade boliviana como: La velocidad del Pluralismo, la Condici&oacute;n Multisocietal, Pol&iacute;tica Salvaje, El Estado de Derecho como Tiran&iacute;a, La Invenci&oacute;n del N&uacute;cleo Com&uacute;n, La coyuntura de la autonom&iacute;a relativa del estado, La Dial&eacute;ctica del Colonialismo Interno, Pluralismo Epistemol&oacute;gico, Imp&eacute;rio, Multitud y Sociedad abigarrada, Pensando la Democracia Geopol&iacute;ticamente.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a name=\"_ftn3\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color: rgb(230, 73, 70); text-decoration: none;\">[3]<\/span><\/b><\/a><span style=\"color: black;\">&nbsp;A Confedera&ccedil;&atilde;o &Uacute;nica dos Trabalhadores Camponeses da Bol&iacute;via foi fundada em 1979 e est&aacute; filiada &agrave; COB. A CSUTCB re&uacute;ne as principais organiza&ccedil;&otilde;es e sindicatos camponeses do pais. Esta entidade nacional &eacute; a principal base de apoio e sustenta&ccedil;&atilde;o do governo nos movimentos sociais.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a name=\"_ftn4\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftnref4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color: rgb(230, 73, 70); text-decoration: none;\">[4]<\/span><\/b><\/a><span style=\"color: black;\">&nbsp;A Confedera&ccedil;&atilde;o de Povos Ind&iacute;genas da Bol&iacute;via foi fundada em 1982. A sua principal base social se encontra entre os povos ind&iacute;genas do oriente boliviano. A CIDOB representa os setores ind&iacute;genas mais cr&iacute;ticos ao governo e esteve a frente das manifesta&ccedil;&otilde;es em 2011 contra a constru&ccedil;&atilde;o de uma estrada que dividia ao meio o maior parque nacional ind&iacute;gena do pais, o TIPNIS.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a name=\"_ftn5\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftnref5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color: rgb(230, 73, 70); text-decoration: none;\">[5]<\/span><\/b><\/a><span style=\"color: black;\">&nbsp;O Conselho Nacional de Ayllus e Markas do Quillasuyo representa as nacionalidades e povos ind&iacute;genas das terras altas da Bol&iacute;via ( ocidente) onde se concentram as comunidades ind&iacute;genas de&nbsp; Aymaras, Qu&eacute;chuas e Urus conhecidas como Ayllus.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a name=\"_ftn6\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftnref6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color: rgb(230, 73, 70); text-decoration: none;\">[6]<\/span><\/b><\/a><span style=\"color: black;\">&nbsp;O MNR (Movimento Nacionalista Revolucion&aacute;rio), foi fundado em 1941, se concentrava, sobretudo, entre os setores urbanos pertencentes &agrave; pequena burguesia, pequenos comerciantes e profissionais liberais. Era um partido formado basicamente em torno &agrave; cr&iacute;tica &agrave; oligarquia mineira e aos propriet&aacute;rios de terras. Ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o Nacional de 1952 o MNR assumiu a presid&ecirc;ncia com Vitor Paz Estensoro.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"vertical-align: baseline; background-image: initial; background-attachment: initial; background-size: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-position: initial; background-repeat: initial;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a name=\"_ftn7\"><\/a><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/?p=5255#_ftnref7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"color: rgb(230, 73, 70); text-decoration: none;\">[7]<\/span><\/b><\/a><span style=\"color: black;\">&nbsp;A Federa&ccedil;&atilde;o Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bol&iacute;via foi fundada em 11 de junho de 1944 e durante 40 anos foi a organiza&ccedil;&atilde;o sindical mais importante da Bol&iacute;via, reunindo aproximadamente 50 mil trabalhadores mineiros em suas fileiras.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size:10.0pt;font-family:\n&quot;Georgia&quot;,&quot;serif&quot;;mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:black;mso-fareast-language:PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/p>\n<div>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<!--[endif]-->\t<\/p>\n<div id=\"ftn1\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\">\n\t\t\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t\t\t<\/span><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&oacute;s, atuais dirigentes, estamos convencidos que n&atilde;o aceitaremos qualquer reducionismo classista convertendo-nos apenas em &ldquo;camponeses&rdquo;. 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