{"id":3454,"date":"2015-08-28T12:05:49","date_gmt":"2015-08-28T12:05:49","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2015\/08\/28\/mobilizacoes-massivas-em-beirute-exigem-a-queda-do-governo\/"},"modified":"2015-08-28T12:05:49","modified_gmt":"2015-08-28T12:05:49","slug":"mobilizacoes-massivas-em-beirute-exigem-a-queda-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/08\/28\/mobilizacoes-massivas-em-beirute-exigem-a-queda-do-governo\/","title":{"rendered":"Mobiliza\u00e7\u00f5es massivas em Beirute exigem a queda do governo"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><img alt=\"\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"165\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Libano-Beirut.jpg\" vspace=\"4\" width=\"260\" \/>As pilhas de lixo multiplicam-se e acumulam-se nas ruas de Beirute h&aacute; semanas (numa das &eacute;pocasmais quentes do ano), ap&oacute;s o fechamento do lotado dep&oacute;sito de lixo Naameh, destino dos res&iacute;duos da capital, no dia 17 de julho. A empresa coletora Sukleen parou os caminh&otilde;es de lixo at&eacute; que o parlamento decidisse por um novo dep&oacute;sito.<\/span><\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Diante da acumula&ccedil;&atilde;o de sacos pl&aacute;sticos, da onda de calor que tomava a cidade e da falta de a&ccedil;&atilde;o do governo, os moradores tentaram diminuir a insalubridade jogando p&oacute; de cal com veneno para ratos sobre as pilhas de lixo ou diretamente queimando os sacos, enquanto aumentava a insatisfa&ccedil;&atilde;o social nas ruas e nas redes sociais.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">A crise do lixo: a gota d&rsquo;&aacute;gua<\/b><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A m&aacute; gest&atilde;o do lixo &eacute; somente a ponta do iceberg da crise que assola o pequeno pa&iacute;s &aacute;rabe, localizado entre a S&iacute;ria, Israel e o Mar Mediterr&acirc;neo. O desacordo no governo sobre qual empresa coletora de lixo deve firmar o novo contrato voltou a expor os interesses econ&ocirc;micos dos grupos dirigentes. A coletora foi privatizada recentemente, como parte de um plano muito ambicioso de privatiza&ccedil;&otilde;es ocorridas nos &uacute;ltimos anos, que inclui o fornecimento de &aacute;gua e eletricidade e as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A recorrente inefici&ecirc;ncia e corrup&ccedil;&atilde;o do governo, composto pelos l&iacute;deres pol&iacute;ticos das principais fac&ccedil;&otilde;es religiosas do pa&iacute;s e presidido por Tammam Salam, levou milhares de libaneses a protestar no s&aacute;bado 22 de agosto, convocados pelo movimento #YouStink (<i>#Voc&ecirc;Fede<\/i>, em refer&ecirc;ncia &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica sobre o governo).<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A podrid&atilde;o nas ruas uniu milhares de libaneses de distintas seitas religiosas e localidades na opini&atilde;o de que a origem dos problemas de infraestrutura, da falta d&rsquo;&aacute;gua, os cortes de eletricidade e o desemprego est&aacute; na podrid&atilde;o do governo. As consignas cantadas giravam em torno da queda do governo de conjunto e alguns setores de ativistas cantavam a conhecida consigna da primavera &aacute;rabe &ldquo;o povo quer a derrubada do regime&rdquo;. A pol&iacute;cia logo reprimiu ao movimento, disparando g&aacute;s lacrimog&ecirc;neo, agredindo aos manifestantes e usando canh&otilde;es de &aacute;gua.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Elia El Khazen, ativista do movimento F&oacute;rum Socialista, afirmou que mais de 75 pessoas foram hospitalizadas no s&aacute;bado devido &agrave; repress&atilde;o da pol&iacute;cia e do ex&eacute;rcito. No domingo, foi convocada uma segunda manifesta&ccedil;&atilde;o, na qual a exig&ecirc;ncia de derrubar o governo se fortaleceu ap&oacute;s a repress&atilde;o da passeata anterior. Voltaram a ocorrer enfrentamentos entre a pol&iacute;cia e os manifestantes, levando a uma morte e mais de 200 pessoas feridas segundo a Cruz Vermelha. Novas jornadas de mobiliza&ccedil;&atilde;o est&atilde;o previstas para a pr&oacute;xima semana.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Os manifestantes eram majoritariamente jovens de diferentes origens sociais. Uma parte vinha dos bairros de classe m&eacute;dia de Beirute, por&eacute;m havia uma importante presen&ccedil;a de jovens da periferia da capital libanesa, dos bairros de Chiah, Ghbeiri e Khanda al-Ghami, que se tornaram os alvos priorit&aacute;rios da pol&iacute;cia, explica El Khazen.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A solu&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria encontrada pelo governo e a empresa de lixo n&atilde;o &eacute; do agrado de ningu&eacute;m: os caminh&otilde;es agora descarregam as toneladas de res&iacute;duos nas encostas das montanhas pr&oacute;ximas &agrave; capital e nos bairros pobres da cidade, somente para acalmar os &acirc;nimos nos bairros de classe m&eacute;dia.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Uma economia em crise, dependente do com&eacute;rcio e do capital estrangeiro<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A economia do L&iacute;bano est&aacute; quase totalmente centrada nos servi&ccedil;os (75%), sobrando para a agricultura e a ind&uacute;stria somente um quarto do PIB. As remessas dos emigrados comp&otilde;em 20% do total de ingressos e 35% da for&ccedil;a de trabalho est&aacute; empregada no setor de servi&ccedil;os. O turismo, o setor banc&aacute;rio e o com&eacute;rcio em geral s&atilde;o os principais motores econ&ocirc;micos do pa&iacute;s. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Antes do in&iacute;cio da revolu&ccedil;&atilde;o e guerra civil na S&iacute;ria, o L&iacute;bano crescia ao ritmo alucinante de 9-10% ao ano, gra&ccedil;as ao crescimento dos bancos, j&aacute; que o pa&iacute;s &eacute; um dos principais centros financeiros do Oriente M&eacute;dio. O in&iacute;cio das convuls&otilde;es no pa&iacute;s vizinho causou uma dr&aacute;stica desacelera&ccedil;&atilde;o da economia, que, entre 2011 e 2014, cresceu em m&eacute;dia apenas 1,5%.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O n&iacute;vel de endividamento do pa&iacute;s &eacute; alt&iacute;ssimo. A d&iacute;vida externa chega a quase 140% do PIB e o d&eacute;ficit prim&aacute;rio a 10%. Por outro lado, o d&eacute;ficit comercial supera os 4 bilh&otilde;es de d&oacute;lares, fazendo com que a economia seja profundamente dependente de capitais externos para funcionar. O <span style=\"color:red\">segredo banc&aacute;rio <\/span>&eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o muito poderosa no L&iacute;bano.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O desemprego cresceu de forma importante nos &uacute;ltimos anos e o governo p&ocirc;s em marcha um plano de privatiza&ccedil;&otilde;es das empresas p&uacute;blicas, como foi mencionado anteriormente. O n&uacute;mero de pessoas que vive abaixo da linha da pobreza estabelecida pela ONU est&aacute; ao redor de 30% da popula&ccedil;&atilde;o. Algumas dessas cifras s&atilde;o anteriores a 2011, e desde ent&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o s&oacute; piorou. Os protestos dos &uacute;ltimos dias n&atilde;o s&atilde;o nada mais que o in&iacute;cio da rea&ccedil;&atilde;o popular ao caos econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico instalado no pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>A crise dos refugiados s&iacute;rios<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A guerra civil na vizinha S&iacute;ria provocou um grande influxo de refugiados ao L&iacute;bano. Segundo as estimativas mais reduzidas, h&aacute; cerca de 1,1 milh&atilde;o de s&iacute;rios no pa&iacute;s, o que corresponde a um quarto da popula&ccedil;&atilde;o total. Ou seja, uma em cada quatro pessoas residentes no L&iacute;bano &eacute; s&iacute;ria.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">As autoridades impediram a constru&ccedil;&atilde;o de campos &ldquo;oficiais&rdquo; para os refugiados, que est&atilde;o dispersos em mais de 1.700 comunidades, e esta semana ordenou &agrave; UNCHR (a ag&ecirc;ncia da ONU para os refugiados) que paralise o registro de novas pessoas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O estado liban&ecirc;s e suas in&uacute;meras mil&iacute;cias utilizaram a mesma repress&atilde;o contra os protestantes libaneses e os s&iacute;rios. Foi negado o reconhecimento legal aos refugiados e lhes foi impedido o acesso aos servi&ccedil;os b&aacute;sicos essenciais, for&ccedil;ando-os a viver nas piores condi&ccedil;&otilde;es. A classe dominante justifica suas pr&aacute;ticas com discursos racistas nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, buscando direcionar o descontentamento da popula&ccedil;&atilde;o contra os mais desfavorecidos.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O discurso xen&oacute;fobo do governo e de setores da extrema direita baseia-se no argumento de que os s&iacute;rios estariam tomando os postos de trabalho dos libaneses e enchendo as escolas e hospitais. A ajuda aos refugiados vem principalmente das organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias vinculadas a ONGs e &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas e s&atilde;o totalmente insuficientes. De fato, a maior parte dos recursos se perde no caminho, antes de chegar &agrave;s pessoas, devido &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o existente e aos infinitos tr&acirc;mites burocr&aacute;ticos.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Muitos refugiados alimentam-se dia sim, dia n&atilde;o, vivem em barracos feitos de papel&atilde;o e placas publicit&aacute;rias, e n&atilde;o podem se proteger do frio e da chuva. Al&eacute;m disso, t&ecirc;m que pagar cerca de 500 d&oacute;lares anualmente aos propriet&aacute;rios das terras onde vivem.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Um sistema pol&iacute;tico sect&aacute;rio e pouco democr&aacute;tico<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O sistema pol&iacute;tico do L&iacute;bano foi criado para acomodar aos l&iacute;deres das distintas fac&ccedil;&otilde;es religiosas existentes no pa&iacute;s, e n&atilde;o ao conjunto da popula&ccedil;&atilde;o. Isso potencializa as disputas sect&aacute;rias para manter um falso equil&iacute;brio entre os distintos grupos do poder. As mobiliza&ccedil;&otilde;es dos &uacute;ltimos dias fraturaram a l&oacute;gica imposta pelo imperialismo e a burguesia libanesa, j&aacute; que suas ra&iacute;zes mais profundas est&atilde;o nas desigualdades sociais e n&atilde;o com o pertencimento a uma ou outra seita.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O parlamento do L&iacute;bano est&aacute; dividido por lei entre mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os, sendo que cada uma das comunidades tem direito a 50% das cadeiras. Dentro de cada comunidade, h&aacute; uma segunda subdivis&atilde;o entre as distintas seitas. Conforme dito anteriormente, trata-se de um sistema que d&aacute; por &oacute;bvia a divis&atilde;o da sociedade em grupos religiosos, e que obriga a cada cidad&atilde;o a associar-se a um dos grupos oficialmente reconhecidos (18 no total) para poder votar e concorrer &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es. Os acordos constitucionais que criaram este sistema foram firmados em 1990 na cidade saudita de Taifa, ap&oacute;s o final da guerra civil. Trata-se da velha l&oacute;gica do imperialismo de dividir para dominar.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>As feridas da guerra civil seguem abertas<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O L&iacute;bano viveu uma terr&iacute;vel guerra civil que durou cerca de 15 anos, entre 1975 e 1990. Foi um dos conflitos mais complexos do Oriente M&eacute;dio, situado no contexto da guerra fria, da decad&ecirc;ncia do nacionalismo &aacute;rabe e da atua&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as sionistas com seu projeto colonialista e racista de expuls&atilde;o e repress&atilde;o aos palestinos e seu movimento de libera&ccedil;&atilde;o nacional. Tamb&eacute;m est&aacute; relacionada &agrave; divis&atilde;o colonial da S&iacute;ria, promovida pelos franceses (com a cria&ccedil;&atilde;o do L&iacute;bano em 1943) e a interven&ccedil;&atilde;o do imperialismo norte-americano por meio de seu apoio &agrave; burguesia crist&atilde; maronita, que se converteu em s&oacute;cia da burguesia &aacute;rabe do golfo e do grande capital ligado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e venda do petr&oacute;leo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Mais de 150.000 pessoas perderam a vida, 100.000 feridos t&ecirc;m sequelas permanentes e mais de 900.000 pessoas foram deslocadas permanentemente devido &agrave; guerra. Os conflitos envolveram distintos grupos, partidos pol&iacute;ticos e mil&iacute;cias. Estiveram as mil&iacute;cias fascistas crist&atilde;s da falange (Frente Libanesa), armadas pelos EUA e Israel; os grupos palestinos, que tinham sido expulsos da Jord&acirc;nia em 1970 e atuavam a partir do L&iacute;bano; as brigadas laicas vinculadas &agrave; esquerda pr&oacute; URSS; as mil&iacute;cias xiitas (como o Hezbollah), ligadas ao Ir&atilde;; o Movimento Liban&ecirc;s de Libera&ccedil;&atilde;o Nacional, de ideologia pan-ar&aacute;bica, que apoiava aos grupos palestinos; entre outros.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">S&iacute;ria e Israel intervieram diretamente no conflito. S&iacute;ria em 1976, em apoio aos grupos maronistas (que tamb&eacute;m eram apoiados pelo sionismo), e Israel em 1982, contra a Autoridade Nacional Palestina, ap&oacute;s um atentado contra o embaixador de Israel em Londres. Durante a guerra civil, ocorreram os conhecidos massacres de Sabra e Shatila, nos quais mais de 3.000 civis, palestinos e libaneses, foram assassinados pelas mil&iacute;cias falangistas a mando das For&ccedil;as de Defesa de Israel, comandadas por Ariel Sharon. S&iacute;ria seguiu ocupando militarmente o pa&iacute;s depois da guerra at&eacute; 2005, quando foi obrigada a retirar-se ap&oacute;s grandes mobiliza&ccedil;&otilde;es populares, conhecidas como a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cedros, desencadeadas diante do assassinato do primeiro ministro Hariri, e que pediam, acima de tudo, o fim da ocupa&ccedil;&atilde;o. Tudo leva a crer que o governo s&iacute;rio esteve envolvido na morte de Hariri.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Em 1990, foram assinados os acordos de paz e criado o sistema parlamentar vigente at&eacute; hoje. Como se tratou de um acordo pol&iacute;tico realizado nas alturas, sem participa&ccedil;&atilde;o popular e com o &uacute;nico objetivo de dividir o poder entre os distintos grupos burgueses, as feridas da guerra civil seguem abertas, sobretudo a extrema desigualdade social que vigora no pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>As mobiliza&ccedil;&otilde;es no L&iacute;bano s&atilde;o parte das lutas de todo o Oriente M&eacute;dio<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O que estamos acompanhando nestes dias no L&iacute;bano deve ser analisado dentro da realidade pol&iacute;tica de todo o mundo &aacute;rabe. Nas &uacute;ltimas semanas, vimos massivas mobiliza&ccedil;&otilde;es no Iraque contra o governo, com demandas muito parecidas &agrave;s dos protestos em Beirute: melhores servi&ccedil;os b&aacute;sicos, fim da corrup&ccedil;&atilde;o e demiss&atilde;o dos pol&iacute;ticos corruptos.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Na S&iacute;ria, a popula&ccedil;&atilde;o civil segue resistindo aos ataques com barris explosivos e armas qu&iacute;micas realizados pelo ditador assassino Bashar al-Assad. Apesar do sil&ecirc;ncio e da total falta de apoio, os s&iacute;rios n&atilde;o se rendem e continuam mobilizando-se contra o regime e os grupos extremistas isl&acirc;micos. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No I&ecirc;men, h&aacute; um processo de lutas muito importantes, que derrubou ao presidente Hadi, sucessor do ditador Saleh. Na Palestina, a resist&ecirc;ncia do povo contra a ocupa&ccedil;&atilde;o e os crimes di&aacute;rios do ex&eacute;rcito sionista permanece viva. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Viva as lutas em todo o mundo &aacute;rabe contra as ditaduras, o sionismo e o imperialismo!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Todo apoio &agrave;s justas mobiliza&ccedil;&otilde;es no L&iacute;bano!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Pelo restabelecimento da coleta de res&iacute;duos e a nacionaliza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Pela imediata libera&ccedil;&atilde;o de todos os presos durante os protestos!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Fora Nuhad Al-Mashnouk, Ministro do Interior, pela atua&ccedil;&atilde;o covarde das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, e Mohammed Al-Mashnouk, Ministro do Meio Ambiente, pela desastrosa gest&atilde;o do lixo!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Abaixo o governo repressor e corrupto!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pilhas de lixo multiplicam-se e acumulam-se nas ruas de Beirute h&aacute; semanas (numa das &eacute;pocasmais quentes do ano), ap&oacute;s o fechamento do lotado dep&oacute;sito de lixo Naameh, destino dos res&iacute;duos da capital, no dia 17 de julho. A empresa coletora Sukleen parou os caminh&otilde;es de lixo at&eacute; que o parlamento decidisse por um novo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":9080,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3541,6325],"tags":[],"class_list":["post-3454","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-movimento-operario","category-oriente-medio-mundo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Libano-Beirut.jpg","categories_names":["Movimento Oper\u00e1rio","Oriente M\u00e9dio"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3454"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3454\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}