{"id":3451,"date":"2015-08-26T14:25:18","date_gmt":"2015-08-26T14:25:18","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2015\/08\/26\/dois-anos-do-massacre-de-rabaa\/"},"modified":"2015-08-26T14:25:18","modified_gmt":"2015-08-26T14:25:18","slug":"dois-anos-do-massacre-de-rabaa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/08\/26\/dois-anos-do-massacre-de-rabaa\/","title":{"rendered":"Dois anos do massacre de Rabaa"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"165\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Abdelfatt\u00e1-al-Sisi.jpg\" vspace=\"4\" width=\"260\" \/>A ditadura militar eg&iacute;pcia matou mais de duas mil pessoas em 14 de agosto de 2013.<\/i><\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more-->\n<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em 14 de agosto de 2015 &eacute; celebrado o segundo anivers&aacute;rio do massacre de Rabaa, ocorrido nas pra&ccedil;as de Rabaa Al-Adaweya e Al-Nahda, no Cairo, quando as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a atacaram, por diversas vezes, um acampamento de manifestantes convocado pela Irmandade Mu&ccedil;ulmana contra o golpe de Estado liderado por Abd al-Fattah al-Sisi cerca de um m&ecirc;s e meio antes (03\/07\/2013). O presidente do Egito naquele momento, Mohamad Morsi, da Irmandade Mu&ccedil;ulmana, foi destitu&iacute;do e levado &agrave; pris&atilde;o pelos militares. A pol&iacute;cia dispersou os manifestantes em Rabaa utilizando muni&ccedil;&atilde;o de verdade, com a desculpa de que uma parte deles portava armas de fogo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A ONG <i>Human Rights Watch<\/i>&nbsp;afirmou, em um informe de 2014, que pelo menos 1150 pessoas foram assassinadas, o que caracterizaria um crime contra a humanidade. Outras fontes afirmam que foram mais de 2500 mortos. Cerca de 43 policiais perderam a vida durante os confrontos. Depois do massacre, o governo p&ocirc;s em marcha um operativo de elimina&ccedil;&atilde;o de provas, bem como mandou que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicos n&atilde;o divulgassem ou fizessem qualquer coment&aacute;rio sobre o ocorrido, o que demonstra o grau de censura imposto pela ditadura militar no Egito.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">At&eacute; hoje ningu&eacute;m foi responsabilizado pelo que aconteceu h&aacute; dois anos.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O massacre de Rabaa foi, na verdade, o primeiro ato de um brutal processo de criminaliza&ccedil;&atilde;o dos protestos e de grandes ataques contra os direitos b&aacute;sicos dos trabalhadores, como a liberdade de express&atilde;o, de imprensa e de organiza&ccedil;&atilde;o. O argumento de al-Sisi sempre foi a luta contra o terrorismo, personificado, segundo o governo, na Irmandade Mu&ccedil;ulmana e, mais recentemente, no Estado Isl&acirc;mico. No entanto, o que o governo quer &eacute; intimidar qualquer tipo de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas pol&iacute;ticas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A repress&atilde;o, de fato, est&aacute; sendo direcionada a todos os movimentos sociais. N&atilde;o se sabe o n&uacute;mero de ativistas e jornalistas presos. H&aacute; milhares de pessoas condenadas &agrave; pena de morte, entre elas Morsi, assim como v&aacute;rios correspondentes de imprensa estrangeiros expulsos do pa&iacute;s e ativistas proibidos de exercer a atividades sindical e pol&iacute;tica. Sisi anunciou h&aacute; poucos dias que aprovaria novas leis para acelerar a execu&ccedil;&atilde;o das penas de morte e os processos contra pessoas acusadas de terrorismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Ativistas como Yara Salam, Sanaa Abdel Fatah, Mahienour al-Marsi, Mohamad Sultan, Ahmed Maher, Ahmed Douma, Alaa Abdel Fatah, entre outros, est&atilde;o presos. Alguns deles est&atilde;o h&aacute; meses em greve de fome, alguns j&aacute; foram condenados por desobedecer a lei antiprotesto, outros foram acusados de pertencer &agrave; Irmandade Mu&ccedil;ulmana e muitos outros simplesmente esperam na pris&atilde;o um veredito por acusa&ccedil;&otilde;es falsas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Desde o golpe de julho de 2013, n&atilde;o foram realizadas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares no pa&iacute;s, que em princ&iacute;pio estavam previstas para o primeiro semestre de 2015, mas foram canceladas sem grandes explica&ccedil;&otilde;es pelo Poder Executivo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Um informe intitulado &quot;O direito esquecido&quot; documentou mais de 650 viola&ccedil;&otilde;es ao livre exerc&iacute;cio do jornalismo. Um dos casos mais recentes foi a expuls&atilde;o do correspondente do jornal espanhol <i>El Pa&iacute;s <\/i>do Egito.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Os trabalhadores resistem<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A Corte Suprema administrativa do Egito criminalizou o direito de greve em abril, proibindo os trabalhadores privados de exerc&ecirc;-lo e penalizando os trabalhadores p&uacute;blicos com aposentadorias obrigat&oacute;rias caso fa&ccedil;am greve.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No entanto, os conflitos trabalhistas continuam, como na ind&uacute;stria do cimento, do petr&oacute;leo e t&ecirc;xtil. H&aacute; in&uacute;meros casos de empresas que est&atilde;o fechando em decorr&ecirc;ncia da crise e deixam seus trabalhadores desamparados. Em muitos casos, os donos atrasam o pagamento dos sal&aacute;rios e os trabalhadores n&atilde;o t&ecirc;m a quem recorrer porque os sindicatos que n&atilde;o apoiam o governo s&atilde;o impedidos de atuar e seus dirigentes s&atilde;o perseguidos. Apesar da brutal repress&atilde;o, as greves nos principais centros industriais do pa&iacute;s, como Cairo e Mahala, acontecem com muita frequ&ecirc;ncia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A amplia&ccedil;&atilde;o do Canal de Suez n&atilde;o vai melhorar a vida da popula&ccedil;&atilde;o<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Sisi inaugurou h&aacute; duas semanas o chamado &quot;novo Canal de Suez&quot;, um mega projeto arquitet&ocirc;nico que pode ter custado mais de oito milh&otilde;es de d&oacute;lares e envolvido cerca de 44 mil trabalhadores. O governo lan&ccedil;ou uma grande campanha publicit&aacute;ria das supostas vantagens que resultar&atilde;o desse investimento milion&aacute;rio. Segundo as autoridades eg&iacute;pcias, a expans&atilde;o do canal criar&aacute; um milh&atilde;o de empregos, US$100 milh&otilde;es ao ano para a economia, assim como duplicar&aacute;, at&eacute; 2023, para mais de US$13 bilh&otilde;es o total de benef&iacute;cios anuais provenientes do canal.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Muitos economistas opinam que essas cifras s&atilde;o simplesmente imposs&iacute;veis de alcan&ccedil;ar. Atualmente, o canal est&aacute; operando muito abaixo de sua capacidade total, por causa da redu&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio na China e da menor demanda de petr&oacute;leo do Golfo por parte da Europa e dos EUA.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>As p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho nas obras de amplia&ccedil;&atilde;o do canal<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mais de dez trabalhadores morreram durante a constru&ccedil;&atilde;o dos 45 quil&ocirc;metros de amplia&ccedil;&atilde;o do canal. Cerca de 145 sofreram les&otilde;es. Havia duas classes de trabalhadores: os contratados pela Autoridade do Canal de Suez (ACS) e os subcontratados, vinculados a empresas privadas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Os contratados pela ACS recebiam cerca de 120 d&oacute;lares por m&ecirc;s para trabalhar de 10 a 12 horas por dia, sem descanso semanal. Os contratados pelas empresas privadas tinham condi&ccedil;&otilde;es de trabalho ainda piores. O ritmo intenso e a necessidade de terminar a obra em um per&iacute;odo muito curto provocaram as mortes e as les&otilde;es. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Onda de protestos no Iraque contra as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de vida<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Nos &uacute;ltimos dias, uma onda de protestos se espalhou pelo Iraque contra os frequentes cortes de luz, as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de vida, a m&aacute; qualidade da &aacute;gua e a corrup&ccedil;&atilde;o governamental. As manifesta&ccedil;&otilde;es se expandiram como um rastro de p&oacute;lvora nas cidades de Bagd&aacute;, Basra (importante produtora de petr&oacute;leo), Karbala (uma das cidades sagradas dos xiitas), Hillah e Nasriyah. As principais cr&iacute;ticas eram direcionadas aos pol&iacute;ticas e em alguns casos, como em Basra, os manifestantes pediam a ren&uacute;ncia dos conselhos local e provincial. Milhares de pessoas participaram das manifesta&ccedil;&otilde;es em todo o pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O primeiro-ministro Haider al-Abadi reagiu aos protestos prometendo reformas. Apresentou um aplano anticorrup&ccedil;&atilde;o e de redu&ccedil;&atilde;o da estrutura governamental. Medidas totalmente insuficientes. Haider al-Abadi chegou ao governo em 2014, durante a crise pol&iacute;tica que atingiu o pa&iacute;s nas semanas seguintes ao surgimento do ISIS no Iraque e a posterior ocupa&ccedil;&atilde;o de Mosul pelos extremistas, a segunda cidade mais importante do pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Haider &eacute; apoiado pelos Estados Unidos e pelo Ir&atilde; e n&atilde;o passa de um mero fantoche das pot&ecirc;ncias mundiais e das empresas de petr&oacute;leo na regi&atilde;o. Estudou no Reino Unido e serviu aos governos do Iraque durante a ocupa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, em 2003, pelas for&ccedil;as da coaliz&atilde;o internacional dirigida pelos EUA e pelo Reino Unido.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Liberdade aos presos pol&iacute;ticos eg&iacute;pcios!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Todo apoio &agrave;s lutas no Egito e no Iraque!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height:normal\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Tradu&ccedil;&atilde;o: Raquel Polla<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ditadura militar eg&iacute;pcia matou mais de duas mil pessoas em 14 de agosto de 2013.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":9074,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3770],"tags":[],"class_list":["post-3451","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-egito"],"fimg_url":false,"categories_names":["Egito"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3451"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3451\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}