{"id":3442,"date":"2015-08-19T17:42:09","date_gmt":"2015-08-19T17:42:09","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2015\/08\/19\/entrevista-com-o-nar-antarsya\/"},"modified":"2015-08-19T17:42:09","modified_gmt":"2015-08-19T17:42:09","slug":"entrevista-com-o-nar-antarsya","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/08\/19\/entrevista-com-o-nar-antarsya\/","title":{"rendered":"Entrevista com o NAR (Antarsya)"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"175\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Antarsya.jpg\" vspace=\"4\" width=\"255\" \/>A exce&ccedil;&atilde;o da Argentina, a Gr&eacute;cia &eacute; provavelmente o pa&iacute;s com a maior esquerda anti-capitalista do mundo. S&atilde;o dezenas de organiza&ccedil;&otilde;es, grupos, partidos e c&iacute;rculos pol&iacute;ticos que reivindicam em seu programa a revolu&ccedil;&atilde;o socialista. Para uma melhor compreens&atilde;o deste universo, trazemos abaixo as perspectivas do principal grupo da extrema-esquerda grega que existe do lado de fora do Syriza, o NAR. Ruptura da juventude do partido comunista no inicio dos anos 90, o NAR &eacute; a maior corrente da frente anti-capitalista Antarsya, tendo algo em torno de 600 a 700 militantes.<\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more--><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Nosso entrevistado foi Thanos Andritsos, dirigente da juventude da corrente e membro da coordena&ccedil;&atilde;o nacional do Antarsya. R&aacute;pido e inteligente, Thanos me recebeu no escrit&oacute;rio de arquitetura no qual trabalha, onde debatemos a conjuntura grega e europeia horas a fio. Na entrevista abaixo est&aacute; exposta um pouco desta conversa.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Aldo Sauda: Na esquerda brasileira, se ouve muito falar do Syriza e o KKE, por&eacute;m, sempre &eacute; deixado de lado o Antarsya. Quem &eacute;, afinal, o Antarsya? <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Thanos Andritsos<\/b>: Antarsya, cuja sigla significa Esquerda Anti-capitalista pela Insurg&ecirc;ncia &ndash; &eacute; uma coaliz&atilde;o que re&uacute;ne grupos revolucion&aacute;rios, radicais e organiza&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas anti-capitalistas da extrema esquerda. Surgimos logo ap&oacute;s a revolta de 2008 [contra a viol&ecirc;ncia policial] como uma frente unificada, por&eacute;m a maior parte de n&oacute;s j&aacute; atuava juntos, de diferentes formas, em frentes de interven&ccedil;&atilde;o no movimento oper&aacute;rio, estudantil e popular. O surgimento do Antarsya foi provavelmente o maior passo para a organiza&ccedil;&atilde;o de uma coaliz&atilde;o unit&aacute;ria de revolucion&aacute;rios da esquerda anti-capitalista, ao menos desde os anos 90.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Reunimos for&ccedil;as pol&iacute;ticas e ativistas independentes, funcionando segundo a l&oacute;gica de que o poder de voto para deliberar os rumos do Antarsya se d&aacute; por voto de seus membros, e n&atilde;o segundo o posicionamento tomado pelos grupos que o integram. Ao mesmo tempo, a identidade de membro de uma organiza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria n&atilde;o entra em conflito com a identidade de membro da Antarsya.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A coaliz&atilde;o se baseia principalmente em comit&ecirc;s locais em bairros ou cidades, e em alguns casos por localidade de trabalho, mas a estrutura organizacional central &eacute; territorial. Em termos de instancias deliberativas, temos um comit&ecirc; pan- hel&ecirc;nico de coordena&ccedil;&atilde;o nacional e um Comit&ecirc; Central.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Da perspectiva do Antarsya, qual sua opini&atilde;o sobre a Esquerda do Syriza, qual politica voc&ecirc;s prop&otilde;em hoje para a esquerda que esta rompendo com o governo?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T:<\/b> Nos, do NAR e do Antarsya, defendemos que &eacute; preciso iniciar um debate para formar uma frente pol&iacute;tica e social de esquerda. Esta &eacute; uma iniciativa que j&aacute; iniciamos, chama-se &ldquo;OXI at&eacute; o final&rdquo;. Isto &eacute; uma iniciativa pol&iacute;tica, mas que n&atilde;o se iniciou por cima, ela vem da base. Queremos construir esta frente com as for&ccedil;as de esquerda dispostas a lutar contra o Euro e as politicas de austeridade. Nossa proposta &eacute; que esta frente social e politica venha propor uma transforma&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica anti-capitalista.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Queremos construir este novo bloco n&atilde;o apenas com a esquerda do Syriza, mas com todos que querem construir novas coisas, que compreenderam que n&atilde;o h&aacute; outra sa&iacute;da a n&atilde;o ser a ruptura, a sa&iacute;da da zona do euro, e de adotar uma estrada anticapitalista. Temos agora que sentarmos juntos e trabalhar.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">E digo isto pensando tamb&eacute;m nas outras for&ccedil;as da esquerda extra-parlamentares, dos movimentos, as outras correntes revolucion&aacute;rias, for&ccedil;as da esquerda e inclusive o KKE, que precisa superar esta politica falida de sua dire&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Chamamos a todos para construir esta nova frente pol&iacute;tica e social de luta contra est e governo, que de esquerda n&atilde;o tem nada. Hoje, esta &eacute; a &uacute;nica proposta vi&aacute;vel. Sei que n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica alternativa, mas esta me parece ser a mais vi&aacute;vel. A de um programa pol&iacute;tico de ruptura com a Uni&atilde;o Europeia como um sentido social, oper&aacute;rio e anti-capitalista.Eu n&atilde;o posso dizer oque ocorrer&aacute; nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es. Acho, pessoalmente que h&aacute; uma oportunidade. &Eacute; preciso ter um bom programa politico, e n&atilde;o mais um programa m&iacute;nimo, como fez o Syriza.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A ideia seria uma frente apenas com um primeiro acordo geral, para tomar o governo. E se ganharmos o governo e n&atilde;o conseguirmos implementar uma politica de esquerda, depois veremos para onde evoluir, porque voc&ecirc; n&atilde;o pode criar uma nova esquerda, uma grande frente pol&iacute;tica e social s&oacute; com t&aacute;ticas, s&oacute; com o primeiro passo, com pequenos acordos e coisas assim. &Eacute; preciso criar espa&ccedil;os de debate para as pessoas da esquerda e dos movimentos sociais. As pessoas querem debater porque o Syriza fracassou. Precisamos debater isto.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&Eacute; central que a esquerda do Syriza n&atilde;o feche esta discuss&atilde;o para dentro do partido. E que eles n&atilde;o apenas rachem com o Syriza, mas juntem-se a n&oacute;s para construir uma esquerda verdadeiramente anti-capitalista e marxista. N&atilde;o repitam o erro de fazer um novo Syriza apenas com a demanda de ruptura com o Euro.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: O que voc&ecirc; acha que ocorrer&aacute; com a esquerda do Syriza?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T:<\/b> Ningu&eacute;m sabe oque ocorrer&aacute; com o Syriza. H&aacute; muitas pessoas discordando das pol&iacute;ticas de Tsipras, muitos dirigentes importante, e esperamos que algo aconte&ccedil;a nos pr&oacute;ximos meses, se n&atilde;o nas pr&oacute;ximas semanas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Acredito que as rupturas no Syriza, algo que ser&aacute; muito bom para esquerda, ocorrer&atilde;o. Seria um tremendo erro eles ficarem l&aacute; para sempre, numa tentativa de retomar o partido, at&eacute; mesmo porque isto nunca d&aacute; certo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O Syriza, &eacute; claro, n&atilde;o &eacute; o partido bolchevique. Ele n&atilde;o tem rela&ccedil;&otilde;es s&oacute;lidas com os setores mais importantes da classe trabalhadora, ele n&atilde;o fez uma revolu&ccedil;&atilde;o e acho que esta popularidade do Tsipras &eacute; apenas tempor&aacute;ria. E &eacute; importante a esquerda do Syriza compreender isto. Precisamos ver o que vai ocorrer nos pr&oacute;ximos meses quando as medidas forem aplicadas. Quanto as pessoas n&atilde;o tiverem dinheiro para moradia ou uma vida digna. Todo este apoio, quando confrontado com esta realidade acho muito poss&iacute;vel que v&aacute; sumir.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">E se isto ocorrer, ningu&eacute;m se preocupar&aacute; com uma oposi&ccedil;&atilde;o de esquerda que ficou dois anos em um partido que aplicou a politica de austeridade. Ningu&eacute;m se lixar&aacute; por eles. E ainda pior &eacute; que toda esta vontade por mudan&ccedil;a gire para a extrema direita. Isto n&atilde;o ocorrer&aacute; da noite para o dia, e n&atilde;o acho que o Aurora Dourada vai crescer muito r&aacute;pido no curto prazo. Mais o crescimento deles n&atilde;o esta t&atilde;o improv&aacute;vel.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Temos hoje 62% dizendo que n&atilde;o querem austeridade e um governo de &ldquo;esquerda&rdquo; aplicando esta politica rejeitada pela massa. Ent&atilde;o, tem este enorme buraco social. O per&iacute;odo pr&oacute;ximo certamente n&atilde;o ser&aacute; um per&iacute;odo normal ou est&aacute;vel. Quando a sociedade grega reagir, queremos que reaja de forma progressiva, e se poss&iacute;vel, revolucion&aacute;ria. Se ela for reagir pela extrema direita contra um governo &ldquo;da esquerda&rdquo; ser&aacute; o pior dos mundos, uma derrota para todos n&oacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Queria voltar um pouco ao ponto inicial da nossa entrevista, em que voc&ecirc; me contava do Antarsya. Conte um pouco sobre a sua corrente dentro do Antarsya, o NAR. De onde vem esta corrente?<\/b><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T:<\/b> A Nova Corrente de Esquerda, (NAR, em grego) &eacute; um dos principais grupos do Antarsya. Nossa origem vem de uma ruptura &agrave; esquerda com o Partido Comunista (KKE) e principalmente com a juventude do partido comunista. Ela ocorreu na virada entre o final dos anos 80 inicio dos 90, durante um per&iacute;odo muito particular.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">De um lado tivemos a derrota do &ldquo;socialismo realmente existente&rdquo; e todo o debate do futuro do comunismo. Se o comunismo havia morrido ou n&atilde;o, ou, quando feito de forma mais refinada, se isto era ou n&atilde;o o comunismo. A ruptura tamb&eacute;m ocorreu em um momento importante para a esquerda grega. Sua gota d&rsquo;&aacute;gua foi o ingresso do KKE a um governo de unidade nacional, descrito como um governo &ldquo;ecum&ecirc;nico&rdquo;, dirigido pela direita. Foi a vers&atilde;o grega do &ldquo;compromisso hist&oacute;rico&rdquo; [assumido pelo PC italiano, quando o mesmo se aliou &agrave; centro-direita em 1977, abandonando qualquer perspectiva de transforma&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria na It&aacute;lia].<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Pode-se dizer que nossa cren&ccedil;a, desde o inicio, &eacute; a refunda&ccedil;&atilde;o do comunismo. A ideia &eacute; que o novo programa revolucion&aacute;rio, as novas ideias do comunismo, devam estar envolvidas com as correntes do movimento comunista, mais que tamb&eacute;m sejam repensadas e reconstru&iacute;das. Defendemos a ideia, sem sermos inocentes, de que n&atilde;o devemos ser parte de uma corrente hist&oacute;rica especifica da tradi&ccedil;&atilde;o do movimento comunista &ndash; seja ela estalinista, trotskista ou maoista.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">H&aacute; uma enorme discuss&atilde;o entre n&oacute;s se isto &eacute; algo positivo ou n&atilde;o. Porem, n&atilde;o afirmamos que estas correntes n&atilde;o s&atilde;o importantes, ou que o passado n&atilde;o &eacute; importante. Mas acreditamos na necessidade de algo novo, por isso nosso nome de &ldquo;nova corrente da esquerda&rdquo; &ndash; que tem que ser novo &ndash; como queriam Marx ou Lenin, como eles recriaram o marxismo e o pensamento revolucion&aacute;rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Como o NAR interpreta o fim da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica?<\/b><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T:<\/b> Dizemos que os regimes do leste eram, se tivesse que traduzir a terminologia que usamos em grego, &ldquo;regimes peculiares de explora&ccedil;&atilde;o&rdquo;. O problema de express&otilde;es como estas &eacute; que n&atilde;o debatemos muito com a literatura internacional que versa sobre o tema. Mas &eacute; claro, n&atilde;o dizemos que aqueles regimes eram socialistas. Dizemos que depois dos primeiros anos de poder sovi&eacute;ticos, foram tomadas medidas para a constitui&ccedil;&atilde;o de uma nova burguesia e de uma classe burguesa que tinha rela&ccedil;&otilde;es com o partido e come&ccedil;ou a explorar os trabalhadores. N&atilde;o acreditamos, &eacute; claro, que eram socialistas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Temos debates com as tradi&ccedil;&otilde;es que afirmam que estes pa&iacute;ses eram &ldquo;capitalistas de estado&rdquo; [como afirma a corrente do trotskismo hegem&ocirc;nico na Gr&eacute;cia]. Mas, enquanto NAR, n&atilde;o temos esta ou aquela interpreta&ccedil;&atilde;o especifica sobre o papel da burocracia na antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Temos, por&eacute;m, uma resolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, publicada na forma de um livro, infelizmente nunca traduzido do grego, no qual apresentamos nossas ideias gerais sobre a URSS.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Acreditamos, por&eacute;m, que o retorno do capitalismo n&atilde;o foi apenas produto de diferentes per&iacute;odos, ou diferentes dire&ccedil;&otilde;es, do per&iacute;odo stalinista ou p&oacute;s-stalinistas. Foi um problema ligado ao abandono do objetivo de transformar a economia da R&uacute;ssia em uma economia socialista, que abriu o caminho para a emerg&ecirc;ncia de formas de explora&ccedil;&atilde;o e o retorno a formas capitalistas de domina&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Nos anos 90, houve um grande giro &agrave; direita da esquerda europeia. Como foi este processo na Gr&eacute;cia? Por que a impress&atilde;o que tenho &eacute; que a Gr&eacute;cia conseguiu manter uma esquerda muito mais din&acirc;mica que o resto do continente.<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T:<\/b> Tivemos uma enorme derrota da esquerda nos anos 90 na Gr&eacute;cia. N&atilde;o podemos dizer que foram bons anos. E esta capitula&ccedil;&atilde;o que ocorreu quando o KKE integrou o governo &lsquo;ecum&ecirc;nico&rsquo;, foi uma enorme derrota da esquerda. De l&aacute; para c&aacute; o KKE deu um giro dram&aacute;tico. O que &eacute; importante &eacute; que o PC grego j&aacute; em meados dos anos 90, n&atilde;o seguiu o caminho trilhado pelas principais organiza&ccedil;&otilde;es comunistas da Europa, e da esquerda reformista, em geral de adapta&ccedil;&atilde;o ao regime.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&Eacute; dif&iacute;cil explicar o porqu&ecirc; disso, mas gosto de pensar que o pr&oacute;prio NAR teve um papel neste processo. N&atilde;o enquanto um holofote que guiou a esquerda para outra dire&ccedil;&atilde;o, mas porque o movimento social n&atilde;o permitiu &agrave; esquerda ceder tanto a direita como ocorreu em outros lugares. A principal raz&atilde;o para isto &eacute; que no movimento de juventude tivemos enormes lutas de grande import&acirc;ncia, das quais sa&iacute;mos vitoriosos, inclusive no inicio dos anos 90.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A cria&ccedil;&atilde;o do NAR &eacute;, de certa forma, simult&acirc;nea a um dos principais movimentos da juventude da d&eacute;cada, que foi um combate a uma lei na educa&ccedil;&atilde;o em 1990\/91. Isto foi um momento crucial e acredito que as novas tradi&ccedil;&otilde;es da esquerda na Gr&eacute;cia de certa forma relacionam-se a isto.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mesmo que aqueles movimentos entre os estudantes fossem menos fortes que os dos anos 70 ou 80, eles foram muito poderosos e nunca foram derrotados. Portanto, em algumas &aacute;reas da vida social, nas universidades, no setor p&uacute;blico, parte dos setores privados e em alguns bairros, as for&ccedil;as da esquerda, inclusive a esquerda radical, consegue manter basti&otilde;es importantes.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Acredito, &eacute; claro, que na Gr&eacute;cia, a estrada dos anos 70 e 80 n&atilde;o foi a mesma que o resto da Europa. Talvez os processos chegaram aqui mais tarde. Em meados de 70 o movimento revolucion&aacute;rio europeu j&aacute; havia sido derrotado, ou caminhava para uma derrota no in&iacute;cio dos anos 80. J&aacute; n&oacute;s tivemos uma enorme vit&oacute;ria hist&oacute;rica sobre a ditadura militar naquela mesma &eacute;poca.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Claro que em Portugal [durante a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos] algo semelhante ocorreu, mas para a historia grega estas vit&oacute;rias da esquerda foram muito importantes. E tamb&eacute;m temos legado da 2&ordf; guerra, que ainda est&aacute; presente na mem&oacute;ria popular at&eacute; hoje.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Qual foi o significado da queda da ditadura dos coron&eacute;is [de 1967 a 1976] para a atual conjuntura pol&iacute;tica?&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T:<\/b> A vit&oacute;ria sobre a junta militar, de certa forma, deu um sentido geral &agrave; sociedade no per&iacute;odo posterior, definindo os par&acirc;metros do debate politico. O PASOK [Movimento Socialista Pan-Helenico, uma esp&eacute;cie de PT grego] apenas nos anos 80 foi capaz de canalizar e institucionalizar as mobiliza&ccedil;&otilde;es populares para dentro do estado. Apenas ele, seguindo o modelo cl&aacute;ssico social democr&aacute;tico, conseguiu impor uma derrota parlamentar ao movimento.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">As for&ccedil;as da direita neo-liberal sempre afirmaram que este per&iacute;odo, o per&iacute;odo que se abre com o fim da ditadura militar, conhecido na Gr&eacute;cia como Metapolitapsi, era de hegemonia da esquerda. Isto n&atilde;o &eacute; verdade, &eacute; claro, mas foi um per&iacute;odo em que voc&ecirc; poderia ter greves, sindicatos, coisas que n&atilde;o foram destru&iacute;das na Gr&eacute;cia nos anos 80 e 90, mas foram no Reino Unido ou na Alemanha. Nos primeiros anos dos acordos dos memorandos com a Troika, falava-se que o Metapolitapsi chegaria ao fim.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A luta dos &uacute;ltimos anos, portanto, n&atilde;o &eacute; apenas contra medidas econ&ocirc;micas ou pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas, ele &eacute; tamb&eacute;m uma luta que busca colocar uma derrota total, uma derrota final sobre qualquer esquerda que use resistir.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: &eacute; poss&iacute;vel falar em revolu&ccedil;&atilde;o socialista na Gr&eacute;cia? N&atilde;o como algo distante no horizonte, mas como algo palp&aacute;vel?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T:<\/b> Sim, &eacute; poss&iacute;vel se falar de revolu&ccedil;&atilde;o na Gr&eacute;cia. Principalmente, &eacute; mais poss&iacute;vel falar em revolu&ccedil;&atilde;o aqui do que em qualquer outro pa&iacute;s do mundo, ou ao menos, qualquer pa&iacute;s europeu. Inclusive n&oacute;s vimos revolu&ccedil;&otilde;es, ou rebeli&otilde;es que se aproximaram de revolu&ccedil;&otilde;es, muito recentemente em outras partes do mundo. Ent&atilde;o, sim, &eacute; poss&iacute;vel falar dela na Gr&eacute;cia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Para isto, &eacute; preciso ter claro a posi&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora e de suas organiza&ccedil;&otilde;es na Gr&eacute;cia. Estamos, simultaneamente, em uma posi&ccedil;&atilde;o boa e ruim. H&aacute; coisas muito positivas ocorrendo, que nos d&atilde;o esperan&ccedil;a para os pr&oacute;ximos anos, mas tamb&eacute;m h&aacute; coisas que n&atilde;o foram feitas ainda, que n&atilde;o permitem com que o tema da revolu&ccedil;&atilde;o esteja presente no nosso dia a dia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Por que isto? Vejamos o que aconteceu nos &uacute;ltimos cinco anos. Esque&ccedil;amos os &uacute;ltimos meses. Mas olhemos &agrave; imagem maior, o que aconteceu &eacute; que o caminho escolhido pela burguesia, pela elite politica e econ&ocirc;mica do pa&iacute;s, fracassou. A estrada escolhida pelos &uacute;ltimos 40 anos, n&atilde;o os &uacute;ltimos 10 anos, os &uacute;ltimos 40, e se quiseres, os &uacute;ltimos 200 anos, fracassaram por inteiro. Fracassou mais que em qualquer outro pa&iacute;s da Uni&atilde;o Europeia. E o povo entendeu este fracasso.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Qual a proposta da burguesia grega? Temos que ter a &ldquo;estrada europeia&rdquo;, que a estrada europeia &eacute; a estrada da zona do Euro, que temos que nos adaptar a todas as suas exig&ecirc;ncias, e que, de alguma forma, isto se dar&aacute; para o nosso bem. E isto deu em uma cat&aacute;strofe total.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O que ocorreu nos &uacute;ltimos cinco anos na Gr&eacute;cia, esta queda brutal no n&iacute;vel de vida da popula&ccedil;&atilde;o, foi algo extremamente grave. Uma realidade muito dura para o povo. N&atilde;o estou dizendo que nos rebaixamos &agrave; pobreza africana. Mas o que eu digo &eacute; que o buraco que separa a forma com a qual viv&iacute;amos h&aacute; cinco anos, e como vivemos hoje, &eacute; extremamente grande. Por isso h&aacute; esta enorme dist&acirc;ncia entre o sistema pol&iacute;tico, os partidos pol&iacute;ticos tradicionais que representavam a maioria do povo grego &ndash; Nova Democracia e PASOK &ndash;e sua base social, e n&atilde;o s&oacute; ela, como toda a sociedade.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Esta situa&ccedil;&atilde;o, combinada com a tradi&ccedil;&atilde;o das lutas sociais, como uma esquerda ainda importante, que ningu&eacute;m poderia subestimar, nem h&aacute; cinco anos atr&aacute;s, criou uma situa&ccedil;&atilde;o de lutas sociais extremamente importantes. Isto gerou tamb&eacute;m uma total transforma&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; do sistema politico, mais uma mudan&ccedil;a total na conjuntura. O que ocorreu foram dois anos em que tudo mudou na Gr&eacute;cia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">As for&ccedil;as politicas que antigamente dominavam este pa&iacute;s desde sempre, e representavam algo entre 80 e 90% da popula&ccedil;&atilde;o, foram se tornando menores e menores. At&eacute; a burocracia operaria, que expressava parte das vontades dos trabalhadores, come&ccedil;aram a perder mais e mais espa&ccedil;o na consci&ecirc;ncia oper&aacute;ria. As pessoas come&ccedil;aram a construir suas pr&oacute;prias organiza&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o ir apenas uma vez a uma manifesta&ccedil;&atilde;o, mas ir mais e mais &agrave; rua, em busca de mudan&ccedil;as concretas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Foi isto o que aconteceu com o movimento das pra&ccedil;as, e n&atilde;o foi apenas o movimento das pra&ccedil;as. Quando falamos das mobiliza&ccedil;&otilde;es de 2011-2012, tipicamente falamos s&oacute; das pra&ccedil;as. Mais houve greves, mobiliza&ccedil;&otilde;es estudantis, ocupa&ccedil;&otilde;es de f&aacute;bricas, enfrentamentos com a policia. Foi um enorme levante.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Quais foram, neste sentido, as limita&ccedil;&otilde;es da esquerda revolucion&aacute;ria?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T: <\/b>O problema, ou um dos problemas, foi que a esquerda revolucion&aacute;ria grega, assim como a situa&ccedil;&atilde;o no interior do movimento oper&aacute;rio e popular, produto da situa&ccedil;&atilde;o daquele momento de dois ou tr&ecirc;s anos atr&aacute;s, n&atilde;o permitiu uma posi&ccedil;&atilde;o para mover a vontade popular e transform&aacute;-la em uma consci&ecirc;ncia radical e um projeto revolucion&aacute;rio. Digo isto n&atilde;o imaginando que isto ocorreria na lacuna de um ou dois dias, mas na abertura de um processo que desembocasse em uma derrubada anti-capitalista e uma situa&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Tamb&eacute;m tivemos um v&aacute;cuo (em alguns casos e per&iacute;odos especiais, pois n&atilde;o era algo que acontecia uniformemente o tempo todo) em que havia vontade popular por fazer algo a mais e ao mesmo tempo incapacidade ou medo da esquerda de elevar isto a um n&iacute;vel superior. Isto culminou contraditoriamente na proposta do Syriza, que se saiu vitorioso. De alguma forma, o Antarsya tamb&eacute;m tem de fazer sua autocr&iacute;tica. T&iacute;nhamos que ter sido mais capazes de nos transformar e de alguma forma dirigir este caminho. Este &eacute; o papel das organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias. Mais n&atilde;o t&iacute;nhamos esta for&ccedil;a, e portanto somos parte, mesmo que limitada, deste problema.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Como, exatamente, voc&ecirc; enxerga o papel desempenhando pelo Syriza?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T: <\/b>O problema do Syriza e de sua proposta se liga &agrave; quest&atilde;o da esperan&ccedil;a. Basta pegarmos seu slogan nas elei&ccedil;&otilde;es &ndash; a esperan&ccedil;a est&aacute; chegando &ndash; o Syriza centrou a quest&atilde;o da esperan&ccedil;a na campanha eleitoral. A esperan&ccedil;a, para os marxistas, para os revolucion&aacute;rios, n&atilde;o se d&aacute; pela chegada de um partido ao parlamento, ela se d&aacute; pelas lutas sociais, as a&ccedil;&otilde;es diretas do operariado, da juventude, que criam estas situa&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A proposta do Syriza era construir um governo de esquerda dentro do arcabou&ccedil;o da Uni&atilde;o Europeia, do Euro, sem grandes conflitos, sem viol&ecirc;ncia, sem choques com as for&ccedil;as armadas, apenas pela via parlamentar. De fato, n&atilde;o anunciavam que pretendiam trazer o socialismo, mas sim construir uma sociedade mais justa, mais igualit&aacute;ria, ou ao menos parar o desastre social da austeridade.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Isto era, sejamos honestos, uma decis&atilde;o f&aacute;cil de se fazer. At&eacute; mesmo porque ela carregava um radicalismo, pois n&atilde;o &eacute; t&iacute;pico se propor ser um governo da esquerda. Hoje quando os partidos da esquerda se prop&otilde;em a serem governo, eles apenas fazem isto de forma agitativa, sem estar de fato dispostos a governar.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">De certa forma foi uma enorme proposta. Foi dizer aos gregos, vejam, para mudar, n&atilde;o ser&aacute; apenas protestando, &eacute; preciso tomar o governo, que obviamente &eacute; algo muito diferente de tomar o poder, mas que &eacute; algo que o PC nunca se prop&ocirc;s a fazer.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Basicamente, o que o KKE dizia &eacute; que &eacute; preciso fazer algo para parar com os ataques, sem propor, ao mesmo tempo, ser governo. Afirmavam que as medidas e os ataques v&atilde;o continuar vindo e portanto &eacute; preciso seguir firme na luta, resistido ao m&aacute;ximo, porem se encerrava por ai seu discurso.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Portanto a proposta do Syriza tinha este elemento radical, este elemento dr&aacute;stico, de mudar os termos do debate ao colocar a proposta de se construir um governo de esquerda. Mas desde o inicio, n&atilde;o posso dizer exatamente que isto foi uma mentira, mas posso afirmar que a proposta do Syriza tinha problemas &oacute;bvios, e n&atilde;o apenas em termos abstratos.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Quais eram, exatamente, estas diverg&ecirc;ncias?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T: <\/b>O principal argumento pol&iacute;tico do Syriza, defendido veementemente pela dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria, &eacute; que era poss&iacute;vel fazer reformas dentro dos marcos da Uni&atilde;o Europeia. Que o Antarsya era sect&aacute;rio, existia fora do mundo real e concreto, imerso em abstra&ccedil;&otilde;es. Entendo que o Syriza tem problemas como qualquer partido tipicamente reformista, mas n&atilde;o quero discutir isto em abstrato. Como NAR, como Antarsya, temos estes debates te&oacute;ricos com o Syriza, sobre a quest&atilde;o do poder, da via do parlamentarismo em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; via revolucionaria. &Eacute; claro, este &eacute; um debate de fundo, mas no contexto atual, as argumenta&ccedil;&otilde;es do Syriza se provaram erradas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Afirm&aacute;vamos que mesmo que uma v&iacute;rgula seja mudada nestas medidas de austeridade, voc&ecirc;s ter&atilde;o de se chocar, de alguma forma, com a zona do euro. Se quiserem mudan&ccedil;as ter&atilde;o de responder &agrave; Uni&atilde;o Europeia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o monet&aacute;ria, n&atilde;o &eacute; tema t&eacute;cnico. Como se fosse um debate formal em que alguns defendem uma moeda nacional, outras o euro. Este tema n&atilde;o &eacute; t&eacute;cnico. &Eacute; um tema das classes. Da luta de classes. Hoje na Gr&eacute;cia, a classe trabalhadora n&atilde;o &eacute; apenas explorada pelos capitalistas e pela burguesia grega. Ela &eacute; explorada de forma dupla, tamb&eacute;m pelas classes dominantes europeias. N&atilde;o podemos fechar os nossos olhos para isto.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O importante &eacute; que a economia grega, as rela&ccedil;&otilde;es de classe na Gr&eacute;cia e sua estrutura, assim como o capitalismo grego, explora os trabalhadores de forma combinada ao Euro e &agrave; zona do Euro. Voc&ecirc; n&atilde;o pode ter politicas nacionais em defesa dos trabalhadores sem se enfrentar com o Euro e a EU. E isto se provou o principal problema da estrat&eacute;gia do Syriza.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Veja o que esta ocorrendo agora com o Syriza. O Syriza est&aacute; sendo for&ccedil;ado a tomar n&atilde;o apenas medidas ruins. Est&atilde;o for&ccedil;ando o Syriza a cancelar as medidas iniciais tomadas pelo governo, que votaram no parlamento, que n&atilde;o foram, diga-se de passagem, nada radicais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Nossa tarefa, mesmo dentro dos limites de nossos pr&oacute;prios problemas e limita&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; apenas ganhar as pessoas para votar em nossas ideias.&nbsp; <\/span><\/span><span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Precisamos prepar&aacute;-las, ajuda-las a se organizar nos sindicatos, bairros, seja l&aacute; aonde for, para implementar um programa pol&iacute;tico que tem como primeiro ponto a ruptura com o Euro. Isto n&atilde;o &eacute; o programa m&aacute;ximo do socialismo, &eacute; apenas para dar um pequeno passo, por pacotes de medidas para melhorar a vida do povo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Qual que &eacute;, de forma mais precisa, a posi&ccedil;&atilde;o do Antarsya frente &agrave; quest&atilde;o do Euro?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T: <\/b>H&aacute; um ano, quando a dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria do Syriza vinha debater conosco o tema do euro, tratavam-nos como se estiv&eacute;ssemos estacionado no tema da moeda nacional. Era como se tiv&eacute;ssemos uma obsess&atilde;o, ou fetiche. N&oacute;s nunca tivemos isto.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Temos consci&ecirc;ncia de que tivemos o Dracma como nossa moeda nacional h&aacute; 10 anos e n&atilde;o t&iacute;nhamos o socialismo. Sabemos disto, este n&atilde;o &eacute; nosso argumento. Mas &eacute; poss&iacute;vel ter um programa radical ou revolucion&aacute;rio sem controlar sua pr&oacute;pria moeda? Como um governo, o Syriza n&atilde;o pode fazer nada, absolutamente nada. Novamente, na pratica, nosso argumento, descrito como dogm&aacute;tico, provou-se correto.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A crise do capitalismo grego e do nosso sistema pol&iacute;tico &eacute; muito profundo e n&atilde;o vai se resolver sendo jogada mais para frente. Portanto, &eacute; partindo desta realidade que lan&ccedil;amos nossa proposta pol&iacute;tica. Ela se inicia com a ruptura com o Euro e vem com uma serie de medidas program&aacute;ticas que precisam ser implementadas por dentro do movimento oper&aacute;rio como parte de seu programa geral.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Nestes marcos, de uma pol&iacute;tica anti-Euro, qual &eacute;, exatamente, o programa defendido pelo NAR:<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T: <\/b>Primeiro, &eacute; preciso dar o calote na divida, cancel&aacute;-la, rejeit&aacute;-la. N&atilde;o h&aacute; sobreviv&ecirc;ncia da sociedade grega com este tamanha de divida. Os povos da Am&eacute;rica Latina chegaram a esta conclus&atilde;o antes de n&oacute;s, e os povos da &Aacute;frica e da &Aacute;sia tamb&eacute;m. Est&aacute; claro para n&oacute;s que n&atilde;o h&aacute; outro caminho que n&atilde;o seja parar de pagar a d&iacute;vida.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O segundo ponto se remete &agrave; quest&atilde;o do mercado financeiro. N&atilde;o d&aacute; para acreditar que a dire&ccedil;&atilde;o do Syriza n&atilde;o viu isto. Voc&ecirc; n&atilde;o precisa ser um g&ecirc;nio para saber que a principal arma da burguesia europeia para estrangular o governo grego seria o sistema banc&aacute;rio. Isto sempre esteve muito &oacute;bvio. Que eles te sufocariam controlando a circula&ccedil;&atilde;o de dinheiro.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">N&atilde;o &eacute; por acaso que uma das mais t&iacute;picas propostas da esquerda ao longo dos &uacute;ltimos 200 anos &eacute; nacionalizar e controlar os bancos. Hoje, o Estado &eacute; quem financia diretamente os bancos. Pagou a eles mais e mais dinheiro, algo como 200 bilh&otilde;es de euros para recapitalizar os bancos. O Estado &eacute; o dono dos bancos, pois eles est&atilde;o totalmente falidos.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&Eacute; preciso, portanto, ter apenas um banco que garantiria o dinheiro e os dep&oacute;sitos dos trabalhadores. Hoje, nas m&atilde;os da burguesia, &eacute; que os dep&oacute;sitos est&atilde;o inseguros, sob controle do setor privado e est&aacute; se discutindo tirar mais dinheiro do povo para dar aos bancos.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Ent&atilde;o, voc&ecirc; precisa nacionalizar os bancos; nacionaliz&aacute;-los sob controle oper&aacute;rio. N&atilde;o apenas controlados pelo Estado mas tamb&eacute;m pelos trabalhadores. Isto junto a uma moeda pr&oacute;pria. N&atilde;o sou um especialista para dizer o que ocorreria com a desvaloriza&ccedil;&atilde;o, mas h&aacute; diversos estudos que apontam que tal processo n&atilde;o ser&aacute; algo t&atilde;o dif&iacute;cil, t&atilde;o dram&aacute;tico, como vem sendo apresentado.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Agora, se voc&ecirc; nacionaliza os bancos, na pr&aacute;tica est&aacute; nacionalizando muitos outros setores da economia grega &ndash; os principais. A raz&atilde;o para isto &eacute; que a grande maioria dos grandes capitalistas est&atilde;o hoje endividados com os bancos gregos. E os bancos apenas apoiam estes empres&aacute;rios porque eles integram a classe dominante grega.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Temos que n&atilde;o apenas parar a venda e privatiza&ccedil;&atilde;o das riquezas nacionais, que est&atilde;o sendo atualmente feitas pelo pr&oacute;prio governo Syriza, mas nos primeiros dias da aplica&ccedil;&atilde;o deste programa anti-capitalista precisamos assumir o poder de controle sobre os principais fatores da economia grega.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&Eacute; preciso haver uma total transforma&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre lucros e sal&aacute;rios. Um governo de esquerda, logo de inicio precisaria reduzir o desemprego, dar um grande aumento real nos sal&aacute;rios e uma reorienta&ccedil;&atilde;o geral da economia em dire&ccedil;&atilde;o aos interesses dos trabalhadores. A agricultura grega, por exemplo, ainda &eacute; capaz de alimentar seus pr&oacute;prio povo, mas &eacute; preciso reorganiz&aacute;-la.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">H&aacute; um debate feito por muitos, sobre a quest&atilde;o da defesa da &ldquo;economia nacional&rdquo;, H&aacute; bons argumentos nesta discuss&atilde;o, e adotamos alguns deles. &Eacute; obvio que com uma pol&iacute;tica destas &eacute; poss&iacute;vel melhorar as exporta&ccedil;&otilde;es. Ter novas rela&ccedil;&otilde;es internacionais como outros estados do mundo e n&atilde;o apenas a Uni&atilde;o Europeia ou atrav&eacute;s da Uni&atilde;o Europeia, que &eacute; tamb&eacute;m desigual e dirigida para fortalecer a burguesia da Europa. Mas o foco principal de nosso programa &eacute; mudar a rela&ccedil;&atilde;o social das classes e mudar a localiza&ccedil;&atilde;o das classes sociais na Gr&eacute;cia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Temos visto que todas as diferentes fra&ccedil;&otilde;es da burguesia grega se alinharam na campanha pelo &ldquo;SIM&rdquo; no referendo, reivindicam fortemente a Uni&atilde;o Europeia, e fizeram de tudo para derrotar a campanha do OXI. N&atilde;o que n&atilde;o possa haver um setor das oligarquias que se beneficiaria de uma moeda nacional, mas, pelo jeito, nenhum destes setores apareceu. Portanto, a afirma&ccedil;&atilde;o de que o retorno ao Dracma expressa as ideias de uma fra&ccedil;&atilde;o burguesa me parece inteiramente incorreto.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A: Para fechar, h&aacute; hoje uma enorme crise dos refugiados chegando &agrave;s ilhas gregas, qual a proposta da esquerda revolucion&aacute;ria para estes imigrantes, que na verdade s&atilde;o refugiados? Qual a pol&iacute;tica do Antarsya para eles?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>T:<\/b> Nossa politica neste sentido &eacute; muito clara. Queremos que os refugiados recebam todos os direitos sociais existentes, queremos que eles sejam legais, que a sociedade d&ecirc; a eles comida, empregos, casas, sa&uacute;de.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Lutamos contra que sejam presos ilegalmente, explorados das piores formas poss&iacute;veis. Esta &eacute; a &uacute;nica resposta minimamente humanit&aacute;ria. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel assistir as pessoas morrerem nas fronteiras de seu pais, passando fome e sede debaixo do calor de 40 graus na Gr&eacute;cia. &Eacute; preciso denunciar que esta politica minimamente humanit&aacute;ria nunca foi aplicada, e isto continua agora sob o governo Syriza.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Al&eacute;m do mais, precisamos lutar contra as guerras imperialistas. As interven&ccedil;&otilde;es militares do ocidente e da Europa, incluindo do estado grego, que ainda apoia a OTAN, apoia o ex&eacute;rcito europeu, e apoia toda a pol&iacute;tica do imperialismo para &Aacute;frica e &Aacute;sia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&Eacute; hip&oacute;crita esquecer as raz&otilde;es por tr&aacute;s dos milhares de s&iacute;rios e l&iacute;bios que est&atilde;o na nossa fronteira. O ocidente bombardeou o Iraque, depois da guerra e total destrui&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. &Eacute; obvio que milhares e milhares de iraquianos tentaram entrar aqui. Se voc&ecirc; faz a Europa e os EUA fortalezas globais, e do lado de fora &eacute; caos total, guerra, fome e trag&eacute;dias, ai &eacute; claro que as pessoas v&atilde;o querer fugir.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Outro ponto a lembrar &eacute; que os acordos europeus sobre imigra&ccedil;&atilde;o, como o W2, pro&iacute;be as pessoas que entram na Gr&eacute;cia de ir a outros pa&iacute;ses europeus em busca de emprego. Ent&atilde;o, al&eacute;m de bombardear, o norte da Europa tamb&eacute;m faz com que estas pessoas estejam presas na Gr&eacute;cia sem querer estar aqui, empurrando a crise humanit&aacute;ria nas costas da sociedade grega.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Obviamente que &eacute; dif&iacute;cil para um pais lidar com esta situa&ccedil;&atilde;o enfrentando ao mesmo tempo uma enorme crise social. H&aacute; muito desemprego na sociedade grega. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil para os imigrantes acharem emprego. Mas o que se pode fazer? De uma perspectiva minimamente humana? Assisti-los morrer nas suas fronteiras ou de fome no seu pr&oacute;prio pais?<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Problemas como o do da crise humanit&aacute;ria que abala a Gr&eacute;cia e a Europa, em ultima inst&acirc;ncia, apenas ser&atilde;o resolvidos em uma sociedade e economia voltada aos interesses sociais dos trabalhadores, da maioria das pessoas, seja l&aacute; de qual cor ou nacionalidade, pois s&atilde;o os trabalhadores que produzem a riqueza do mundo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"\nline-height:normal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">(Fonte: Blog Converg&ecirc;ncia Socialista)<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exce&ccedil;&atilde;o da Argentina, a Gr&eacute;cia &eacute; provavelmente o pa&iacute;s com a maior esquerda anti-capitalista do mundo. S&atilde;o dezenas de organiza&ccedil;&otilde;es, grupos, partidos e c&iacute;rculos pol&iacute;ticos que reivindicam em seu programa a revolu&ccedil;&atilde;o socialista. Para uma melhor compreens&atilde;o deste universo, trazemos abaixo as perspectivas do principal grupo da extrema-esquerda grega que existe do lado de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":9058,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8084,3477],"tags":[],"class_list":["post-3442","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-grecia-syriza","category-grecia"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Antarsya.jpg","categories_names":["Especial Gr\u00e9cia-Syriza","Gr\u00e9cia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3442"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3442\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}