{"id":3431,"date":"2015-08-03T22:27:05","date_gmt":"2015-08-03T22:27:05","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/friedrich-engels-o-general-da-revolucao\/"},"modified":"2015-08-03T22:27:05","modified_gmt":"2015-08-03T22:27:05","slug":"friedrich-engels-o-general-da-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/08\/03\/friedrich-engels-o-general-da-revolucao\/","title":{"rendered":"Friedrich Engels: O general da revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-family: georgia,serif; font-size: 14px;\">Quando Friedrich Engels morre em 5 de agosto de 1895, <\/span>Die Neue Zeit<span style=\"font-family: georgia,serif; font-size: 14px;\">, a revista te\u00f3rica da social-democracia alem\u00e3 (1) escreve que com sua morte <\/span>\u201ctamb\u00e9m Marx terminava de morrer\u201d<span style=\"font-family: georgia,serif; font-size: 14px;\">. N\u00e3o era um exagero da revista: de fato \u00e9 muito dif\u00edcil separar Marx de Engels, distinguir as respectivas obras ou as partes que qualquer um dos dois escreveu das obras assinada por ambos; h\u00e1 textos que tem somente a assinatura de Marx, mas que foram completados por Engels; outros assinados por Marx (exemplo: v\u00e1rios artigos escritos para incrementar sua escassa renda), mas de fato escritos diretamente por Engels. O que vale para suas obras pode ser dito tamb\u00e9m sobre a longa milit\u00e2ncia comum. Suas pr\u00f3prias vidas se desenvolviam em uma simbiose permanente, em uma troca cont\u00ednua. Marx-Engels: \u00e9 como se fosse um nome composto para uma \u00fanica pessoa.<\/span><\/em><!--more--><\/p>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Por:\u00a0 Francesco Ricci (publicado em 2015)<br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">N\u00e3o existe na hist\u00f3ria semelhante cumplicidade. Certamente tamb\u00e9m L\u00eanin e Trotsky foram considerados por vezes uma \u00fanica pessoa pelos habitantes de algumas das remotas aldeias da imensa R\u00fassia revolucion\u00e1ria. Mas a colabora\u00e7\u00e3o entre esses dois outros grand\u00edssimos revolucion\u00e1rios durou somente seis anos, enquanto Marx e Engels militaram juntos por quarenta anos.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>Quarenta anos de elabora\u00e7\u00e3o, quarenta anos de disputa entre fra\u00e7\u00f5es<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Nos quarenta anos de amizade, colabora\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia fraterna, Marx e Engels n\u00e3o se limitaram, se assim podemos dizer, a fundar uma \u201cteoria\u201d, aquilo que hoje chamamos de \u201cmarxismo\u201d, isto \u00e9, o maior desenvolvimento na ci\u00eancia do homem que a hist\u00f3ria j\u00e1 conheceu. N\u00e3o, nestes mesmos quarenta anos combateram e venceram infinitas batalhas de demarca\u00e7\u00e3o program\u00e1tica, com o objetivo de destruir politicamente todas as correntes reformistas, pequeno-burguesas, centristas que encontravam pelo caminho, para assim facilitar a constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio e internacionalista o qual se dedicavam a construir.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A batalha pol\u00edtica se iniciou na metade dos anos quarenta [do s\u00e9culo XIX], contra as posi\u00e7\u00f5es ut\u00f3picas de Weitling que inspiravam a Liga dos Justos, primeira organiza\u00e7\u00e3o de trabalhadores revolucion\u00e1rios com a qual Marx e Engels se encontraram diretamente. Os dois amigos n\u00e3o entraram na Liga dos Justos devido a dist\u00e2ncia pol\u00edtica que guardavam das posi\u00e7\u00f5es que a dominavam: por isso fundaram (em fevereiro de 1846), em Bruxelas, o Comit\u00ea de Correspond\u00eancia Comunista, o primeiro \u201cpartido\u201d marxista da hist\u00f3ria: uma organiza\u00e7\u00e3o de cerca de vinte membros que foi utilizada para a luta fracional e seu \u00eaxito foi o nascimento da primeira organiza\u00e7\u00e3o internacional (a Liga dos Comunistas), produto da destrui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da reformista Liga dos Justos por obra de Marx e Engels. O programa do novo partido (escrito somente por Marx em janeiro de 1848 mas utilizando-se de materiais preparados por Engels) \u00e9 o texto pol\u00edtico mais importante da hist\u00f3ria, o mais difundido, aquele que tem produzido mudan\u00e7as envolvendo a vida de milhares de mulheres e homens: O <i>Manifesto do partido comunista<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Nesta passagem crucial, o trabalho pol\u00edtico mais importante quem desenvolve foi Engels: foi ele que fez a luta pol\u00edtica na se\u00e7\u00e3o parisiense da Liga contra o setor reformista ligado as posi\u00e7\u00f5es de Weitling; foi ele a organizar a &#8220;fra\u00e7\u00e3o marxista&#8221; no congresso de junho de 1847 de conflu\u00eancia entre a parte mais avan\u00e7ada da Liga dos Justos e o Comit\u00ea de Correspond\u00eancia; e foi tamb\u00e9m Engels a preparar os detalhes organizativos do sucessivo II congresso que aconteceu no in\u00edcio de dezembro de 1847, em Londres, e que ira sancionar a hegemonia da fra\u00e7\u00e3o liderada por Marx, a quem, portanto, ser\u00e1 confiada a tarefa de escrever o programa do partido.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Os objetivos deste novo partido internacional s\u00e3o resumidos no primeiro artigo do Estatuto, elaborado por Engels: <i>\u201cA destrui\u00e7\u00e3o da burguesia, o dom\u00ednio do proletariado, a aboli\u00e7\u00e3o da velha sociedade burguesa, que repousa no antagonismo entre as classes, e a funda\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade sem classes e sem propriedade privada.\u201d<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Em seguida, tiveram outras batalhas na Liga dos Comunistas (uma organiza\u00e7\u00e3o que nunca ultrapassou 250 membros), at\u00e9 sua dissolu\u00e7\u00e3o completa poucos anos depois. N\u00e3o temos aqui nenhuma possibilidade de resumir a historia toda, por isso, com um salto a frente, chegamos a um momento crucial na historia do marxismo, quando em 1864, da luta unit\u00e1ria entre oper\u00e1rios ingleses e franceses, nasce a Associa\u00e7\u00e3o Internacional Operaria (tamb\u00e9m conhecida como Primeira Internacional).<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Ao contr\u00e1rio do que v\u00e1rios textos divulgaram, desta organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foram eles os fundadores: foi promovida pelos trabalhadores ingleses (o sapateiro George Odger, o carpinteiro William Cremer) e franceses (o modelador de metal Luiz Tolain e o gravador em metal Ernest Fribourg), mas Marx e Engels rapidamente ganharam sua dire\u00e7\u00e3o. A maior parte do trabalho pol\u00edtico nos primeiros anos recai sobre Marx; mas quando Engels pode transferir-se para Londres (em 1870) se torna de fato o secret\u00e1rio organizativo da Primeira Internacional (e respons\u00e1vel por Espanha, It\u00e1lia e Dinamarca). Para consolidar a hegemonia do programa socialista na Associa\u00e7\u00e3o Internacional, foram outros anos de luta: contra os mazzinianos, os lassalianos, os proudhonianos, os blanquistas, os tradeunionistas, os bakunianistas.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Em fim foram somente gra\u00e7as \u00e0s li\u00e7\u00f5es (positivas e, especialmente negativas) que vieram com a experi\u00eancia pr\u00e1tica da Comuna de Paris que, em 1871, Marx e Engels venceram a guerra contra o reformismo e o centrismo an\u00e1rquico e blanquista, para por fim a Primeira Internacional (que era, como Engels escreveu anos depois, <i>&#8220;um acordo ing\u00eanuo de todas as fra\u00e7\u00f5es&#8221;<\/i>) e assim abrir o caminho para uma nova internacional que, na sua opini\u00e3o, deveria ser <i>&#8220;puramente comunista&#8221;<\/i> e fundada <i>&#8220;diretamente sobre nossos princ\u00edpios&#8221;<\/i>(2).<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Foi Engels (claramente em acordo com Marx) a avan\u00e7ar no Congresso de Haia (1872) a mover o \u201ccentro\u201d para os Estados Unidos: na verdade iniciando a liquida\u00e7\u00e3o da Internacional (que tinha naquela \u00e9poca n\u00e3o mais do que 5.000 militantes individuais efetivos, mesmo dirigido estruturas sindicais com dezenas de milhares de afiliados).<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Dividir o movimento dos trabalhadores de acordo com as diretrizes program\u00e1ticas, fraciona-lo, derrotar pol\u00edticamente o reformismo e o centrismo (que levam no movimento oper\u00e1rio ideologia burguesa), para depois poder unir os trabalhadores contra a burguesia na base do programa revolucion\u00e1rio, construindo um partido revolucion\u00e1rio de vanguarda, oper\u00e1rio, capaz de hegemonizar vastas massas prolet\u00e1rias e conduzi-las para a conquista do poder pela ruptura revolucion\u00e1ria da m\u00e1quina do Estado burgu\u00eas e substitui-la com a ditadura do proletariado, ou seja, com o governo dos trabalhadores. Nenhuma ilus\u00e3o sobre uma &#8220;unidade da esquerda&#8221;, nenhuma id\u00e9ia de unir reformistas e revolucion\u00e1rios em programas &#8220;intermedi\u00e1rios&#8221;, que na verdade s\u00e3o inevitavelmente programas reformistas, nenhuma frente permanente com reformistas: frente apenas como uma t\u00e1tica epis\u00f3dica (e reservada para momento da a\u00e7\u00e3o e exclusivamente para as principais organiza\u00e7\u00f5es da classe), para ao mesmo tempo unir as lutas de classes e desmascarar os l\u00edderes oportunistas. Este foi durante quarenta anos o m\u00e9todo geral de Marx e Engels: a escola cujos ensinamentos foram desenvolvidos d\u00e9cadas ap\u00f3s com o bolchevismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>Hist\u00f3ria de uma amizade \u00fanica<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Pierre Brou\u00e9, em sua biografia monumental de Trotsky (3), escreve: <i>&#8220;Entre o final de 1932 e o in\u00edcio de 1933 [Trotsky] tinha v\u00e1rios projetos: um trabalho sobre a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial, um trabalho que ele gostaria de chamar de romance de amizade, sobre as rela\u00e7\u00f5es entre Marx e Engels (&#8230;)<\/i>&#8220;.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Infelizmente Trotsky n\u00e3o teve tempo para escrever sobre essa amizade. Mas sabemos que h\u00e1 anos ele era fascinado por essa id\u00e9ia, quando jovem havia sido conquistado pelos ideais de vida que eram transmitidas atrav\u00e9s das magn\u00edficas correspond\u00eancias entre Marx e Engels. Na sua autobiografia (4) escreve que a cole\u00e7\u00e3o de cartas dos dois fundadores do socialismo cient\u00edfico era para ele <i>&#8220;o livro mais indispens\u00e1vel, o que eu sentia mais perto de mim, na medida em que se verificava aproxima\u00e7\u00e3o maior e mais segura n\u00e3o s\u00f3 com minhas id\u00e9ias, mas tamb\u00e9m de toda minha concep\u00e7\u00e3o do mundo (&#8230;) foi uma revela\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica. Nas devidas propor\u00e7\u00f5es, em cada p\u00e1gina eu me convencia de que havia uma afinidade espiritual direta. Sua maneira de considerar os homens e suas id\u00e9ias, era-me muito familiar.&#8221;<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Sabe-se que Engels sacrificou todos os anos de sua juventude trabalhando em um escrit\u00f3rio em Manchester que ele odiava, na industria da fam\u00edlia, s\u00f3 para ganhar dinheiro suficiente para manter o partido que estavam construindo e manter Marx como funcion\u00e1rio permanente. Na sua velhice, depois da morte de Marx (1883), Engels deixou de escrever algumas de suas obras para completar o segundo e terceiro livros de <i>O Capital<\/i>: o segundo foi impresso em 1885 e o terceiro levou quase dez anos de trabalho de Engels e Kautsky \u00a0e s\u00f3 foi publicado em 1894 (5). N\u00e3o foi s\u00f3 para cuidar de sua edi\u00e7\u00e3o: em muitos casos, Engels teve de retomar o trabalho onde seu amigo o havia interrompido, fazer novas pesquisas, modificar, editar, cortar e decifrar rascunhos escritos com a caligrafia incompreens\u00edvel de Marx: em particular os materiais para o terceiro livro em v\u00e1rias partes eram pouco mais do que notas. Ao longo deste trabalho enorme, tinha de cuidar, em seguida, da tradu\u00e7\u00e3o deste e de dezenas de outras obras, assinados por ambos, ou apenas por Marx, pouco importava, for\u00e7ando a vista at\u00e9 a noite para verificar as provas, n\u00e3o omitindo nem mesmo um detalhe, escrevendo p\u00e1ginas de cartas para pedir aos tradutores para corrigir pequenas imperfei\u00e7\u00f5es, mesmo apenas um sinal de pontua\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">No entanto, este trabalho n\u00e3o lhe trazia dificuldades. Sabemos que Engels conhecia e usava uma d\u00fazia de idiomas. Ele podia escrever corretamente, al\u00e9m da sua l\u00edngua nativa (alem\u00e3o), tamb\u00e9m em ingl\u00eas, franc\u00eas, espanhol, portugu\u00eas, italiano, sueco, russo e v\u00e1rias outras l\u00ednguas. Ele dominava l\u00ednguas com grande facilidade de aprendizagem: mergulhava no estudo por um m\u00eas, armado com gram\u00e1ticas e dicion\u00e1rios, at\u00e9 que ele saia vencedor. N\u00e3o era, evidentemente, um passatempo: aprender l\u00ednguas era essencial para dirigir a internacional e dar conselhos para as se\u00e7\u00f5es de metade do mundo. Para o que falamos at\u00e9 aqui \u00e9 muito dif\u00edcil aceitar sua autoimagem de &#8220;segundo violino&#8221; da orquestra conduzida por Marx (6).<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Devemos acrescentar de fato que, al\u00e9m de ser o autor com Marx tamb\u00e9m de muitos textos que n\u00e3o levam o seu nome; al\u00e9m de garantir materialmente Marx para trabalhar &#8220;para a humanidade&#8221;, em vez de empregado em uma esta\u00e7\u00e3o de trem (uma vez tentou conseguir um emprego, mas n\u00e3o passou no teste, aparentemente por causa de sua escrita ileg\u00edvel); al\u00e9m de tudo, Engels foi quem convenceu o jovem Marx sobre a import\u00e2ncia do estudo da economia pol\u00edtica, foi o primeiro entre os dois a mergulhar nos estudos a partir de uma idade precoce. Foi em grande parte Engels, que tamb\u00e9m era um par de anos mais jovens (Marx 1818, Engels em 1820), a orientar ao estudo aquele vai se tornar o autor de <i>O Capital<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>Uma simbiose intelectual<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Quando Engels foi finalmente capaz de parar o trabalho na ind\u00fastria da fam\u00edlia, ele se mudou para Londres, para trabalhar cotidiana e diretamente com Marx. Esta mudan\u00e7a, infelizmente, causou a interrup\u00e7\u00e3o da correspond\u00eancia entre os dois, mas certamente favoreceu a fase de produ\u00e7\u00e3o maior de ambos. Engels vivia em Regents Park Road, enquanto Marx e sua fam\u00edlia estavam em Maitland Park. Em aproximadamente quinze minutos Engels chegava a Marx e iniciavam os estranhos trabalhos combinado entre estes dois c\u00e9rebros excepcionais. Assim conta Eleanor (uma das filhas de Marx): <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><i>&#8220;Durante os \u00faltimos dez anos Engels vinha todos os dia para encontrar meu pai; frequentemente faziam breves caminhadas juntos, outras tantas vezes ficavam em casa, na sala caminhavam para frente e para tr\u00e1s. Cada um tinha seu espa\u00e7o e tra\u00e7ava seu caminho, e nos cantos, com um estranho movimento giravam nos calcanhares. Ali discutiam muito, filosofavam sobre coisas que a maioria dos homens nem imaginam, mas n\u00e3o raro, tamb\u00e9m caminhavam por muito tempo em sil\u00eancio, lado a lado. Ou algum deles falava daquilo que inquietava seu cora\u00e7\u00e3o naquele momento at\u00e9 que um se encontra em frente ao outro e, percebendo que a \u00faltima meia hora tinham falado por sua pr\u00f3pria conta, ent\u00e3o riam copiosamente. (&#8230;) &#8220;<\/i>(7). <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><i>&#8220;Um vergonhoso equ\u00edvoco&#8221;<\/i><\/b><b>: a \u00faltima batalha contra os reformistas<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Em 1891, provocando a ira da dire\u00e7\u00e3o do SPD [Partido Socialdemocrata Alem\u00e3o], Engels p\u00fablica no <i>Die Neue Zeit<\/i> um texto de Marx in\u00e9dito at\u00e9 ent\u00e3o, que hoje conhecemos com o t\u00edtulo de <i>Cr\u00edtica ao Programa de Gotha<\/i>. Se trata da cr\u00edtica ao programa sobre o qual, em maio 1875, se unificaram as duas frac\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio alem\u00e3o: o grupo de Eisenach (proximo a Marx, dirigido por Bebel e Wilhelm Liebknecht (pai de Karl, o fundador com Rosa Luxemburg do KPD [Partido Comunista alem\u00e3o] em 1918), nascido em 1869 em Eisenach, e os disc\u00edpulos de Lassalle (8). O texto permaneceu in\u00e9dito porque, devido \u00e0s leis especiais de Bismarck contra a social-democracia, Marx temia prejudicar o partido e preferiu simplesmente envi\u00e1-lo apenas aos dirigentes da fra\u00e7\u00e3o que se referenciavam em suas posi\u00e7\u00f5es. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00c9 um texto de particular import\u00e2ncia porque enquanto critica impiedosamente o programa de unifica\u00e7\u00e3o por ser imbu\u00eddo das id\u00e9ias reformistas de Lassalle, o texto defende os elementos essenciais de um programa marxista, inconcili\u00e1vel com qualquer programa reformista ou centrista. N\u00e3o por acaso Engels decide publicar este texto para iniciar uma batalha contra as oscila\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas da dire\u00e7\u00e3o do SPD, exatamente quando se inicia a discuss\u00e3o em torno a um novo programa, em seguida, que ser\u00e1 aprovado no Congresso de Erfurt, incorporando a maioria das sugest\u00f5es que Engels enviara para a lideran\u00e7a do partido e os dois principais autores do texto (Kautsky para a parte te\u00f3rica, Bernstein pela parte relativa as reivindica\u00e7\u00f5es) (9). <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Portanto Engels nunca parou a luta para demarcar o marxismo e diferencia-lo do reformismo e o centrismo, para combater todas as teorias n\u00e3o marxistas que se apresentavam tamb\u00e9m no novo partido da rec\u00e9m constitu\u00edda Segunda Internacional. (cuja funda\u00e7\u00e3o real foi em 1889, no centen\u00e1rio da Grande Revolu\u00e7\u00e3o francesa). Apesar da sua absoluta inflexibilidade program\u00e1tica, pouco antes de sua morte, foi envolvido da dire\u00e7\u00e3o do partido alem\u00e3o no que vai definir de &#8220;um equivoco vergonhoso&#8221;. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O crescimento eleitoral do partido (em 1890 tinha meio milh\u00e3o de votos, o que representava 20% do eleitorado, com 35 assentos no Reichstag), o crescimento do aparato e de funcion\u00e1rios come\u00e7ou a alimentar as primeiras teorias reformista no SPD (e Bernstein dar\u00e1 voz a essas teorias pouco depois da morte de Engels).<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00c9 neste contexto que, em 1895, Engels \u00e9 envolvido em um fato de mau gosto. Primeiramente o partido alem\u00e3o (atrav\u00e9s de uma carta de Richard Fischer, diretor de publica\u00e7\u00e3o do partido) pede a Engels para atenuar o tom \u201cmuito revolucion\u00e1rio\u201d (e refer\u00eancias t\u00e9cnicas para a &#8220;arte da insurrei\u00e7\u00e3o&#8221;) da Introdu\u00e7\u00e3o que preparou para uma cole\u00e7\u00e3o de textos de Marx de 1850 que publicaria com o t\u00edtulo de <i>A luta de classes na Fran\u00e7a de 1848 a 1850<\/i>; Engels (ao expressar a irrita\u00e7\u00e3o com a atitude do partido, que julga demasiado \u201clegalista\u201d e subordinado ao parlamentarismo burgu\u00eas) aceita, sob a condi\u00e7\u00e3o de que se trata apenas da vers\u00e3o impressa (enquanto a lideran\u00e7a do partido e quadros devem dar a vers\u00e3o completa), para n\u00e3o criar problemas, uma vez que est\u00e3o em discuss\u00e3o no Reichstag novas leis repressivas contra os socialistas. No entanto, sem que ele soubesse, antes de ser publicado o folheto, o <i>Vorw\u00e4rts<\/i>, o \u00f3rg\u00e3o central do partido, por decis\u00e3o de W. Liebknecht publicou um artigo intitulado &#8220;Como fazer hoje revolu\u00e7\u00f5es&#8221; onde s\u00e3o publicadas manipula\u00e7\u00f5es de partes individuais de seu texto j\u00e1 mutilado, produzindo assim uma falsifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Engels com toda sua f\u00faria escreve a Kautsky (carta de 01 de abril de 1895) e Lafargue (carta de 3 de abril) que o texto foi reduzido <i>&#8220;para que eu apare\u00e7a como um defensor pac\u00edfico da legalidade a todo o custo&#8221;<\/i> ou seja, um oportunista que v\u00ea nas elei\u00e7\u00f5es burguesas um momento decisivo da luta pol\u00edtica e at\u00e9 mesmo a maneira de chegar ao poder.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">N\u00f3s n\u00e3o temos espa\u00e7o aqui para explicar em detalhes essa hist\u00f3ria importante e complexa, mas vai estar de volta em um artigo futuro, porque este epis\u00f3dio demonstra uma falsifica\u00e7\u00e3o de Engels que continuou por d\u00e9cadas: Bernstein come\u00e7ou (em seus <i>Os pressupostos do socialismo<\/i>, 1899 ), transformando este texto falsificado no &#8220;testamento de Engels&#8221; e ainda hoje encontramos pseudo-historiadores e supostos especialistas, todos defensores do reformismo, que ignorando a vers\u00e3o original do texto que foi mais tarde encontrado e publicado em 1924 por Rjazanov, continuam a sustentar que Engels defendia a possibilidade de chegar ao socialismo atrav\u00e9s da via pac\u00edfica e parlamentar, ou seja, sem uma revolu\u00e7\u00e3o. Uma falsifica\u00e7\u00e3o completa.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Mas a quest\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m interessante porque mostra que, ao contr\u00e1rio do que muitos repetem, o primeiro revolucion\u00e1rio a come\u00e7ar uma batalha contra o desvio crescente da social-democracia alem\u00e3 (que, \u00e9 claro, pode ser visto em seu tempo, apenas os primeiros sinais) n\u00e3o foi Rosa Luxemburgo no final do s\u00e9culo, quando explodiu o &#8220;Bernstein-debate&#8221;, mas Engels. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>O general a cavalo<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Nos \u00faltimos anos, j\u00e1 velho, Engels <i>&#8220;ainda est\u00e1 ansioso para juntar-se a cavalaria&#8221;<\/i>, como diz um de seus bi\u00f3grafos mais recentes (10). Na verdade, ele tinha passado a vida inteira no front, sempre preferiu quando podia agir. Entre os amigos ele ganhou o apelido de &#8220;general&#8221;, porque, apesar das tentativas desajeitadas dos l\u00edderes social-democratas e o &#8220;equ\u00edvoco vergonhoso&#8221;, era um especialista em t\u00e1ticas militares, luta de rua, com tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para, em algum momento, completar com a insurrei\u00e7\u00e3o qualquer revolu\u00e7\u00e3o. A mesma <i>Introdu\u00e7\u00e3o<\/i> de 1895, antes das mutila\u00e7\u00f5es e falsifica\u00e7\u00f5es, foi em grande parte dedicada \u00e0 &#8220;arte da insurrei\u00e7\u00e3o&#8221; a como em toda revolu\u00e7\u00e3o se necessita dividir o ex\u00e9rcito burgu\u00eas para ganhar uma parte para a causa da revolu\u00e7\u00e3o. Seus artigos sobre a guerra Franco-Prussiana (que precede a Comuna), publicado no <i>Pall Mall Gazette<\/i>, foram cuidadosamente estudados por Trotsky quando lhe foi dada a tarefa de construir o Ex\u00e9rcito Vermelho. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Mas nos \u00faltimos anos, o apelido de &#8220;general&#8221; tinha tomado um significado mais amplo: n\u00e3o designando somente o especialista em assuntos militares, mas o principal dirigente do movimento oper\u00e1rio mundial. Papel que Engels cumpria escrevendo todos os dias dezenas de cartas em v\u00e1rias l\u00ednguas a todos os principais l\u00edderes das diferentes sec\u00e7\u00f5es da rec\u00e9m nascida Internacional, corrigindo posi\u00e7\u00f5es erradas, dando conselhos, desenvolver t\u00e1ticas e estrat\u00e9gias.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Mas o enorme conhecimento de Engels em v\u00e1rios campos do conhecimento humano, a sua intensa milit\u00e2ncia pol\u00edtica, n\u00e3o significam que Engels vivia a vida de um monge trapista. Pelo contr\u00e1rio. Como disse Trotsky divertido (11), &#8220;<i>n\u00e3o se parecia em nada com um asceta.&#8221;<\/i> Ele amava a vida em todas as suas formas, a companhia de pessoas inteligentes, sexo, arte, <i>&#8220;os bons jantares, bom vinho, bom tabaco&#8221;<\/i>. E Trotsky continua: <i>&#8220;N\u00e3o \u00e9 raro encontrar em suas correspond\u00eancias refer\u00eancias que indicam que v\u00e1rias garrafas de bom vinho eram abertas para celebrar o Ano Novo, ou o resultado das elei\u00e7\u00f5es alem\u00e3s, seu anivers\u00e1rio, ou outros eventos de menor import\u00e2ncia.&#8221;<\/i> <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>Na luta contra o reformismo<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Engels foi morto por um c\u00e2ncer de es\u00f4fago, diagnosticado no in\u00edcio de 1895, enquanto ele estava prestes a come\u00e7ar a trabalhar no quarto livro de <i>O Capital<\/i> (<i>Teorias da Mais-Valia<\/i>), que seria publicado por Kautsky. Ele n\u00e3o queria est\u00e1tuas em sua mem\u00f3ria: ele pediu que suas cinzas fossem espalhadas no mar. Foi o stalinismo, assim como traiu o programa comunista, a erguer est\u00e1tuas de Marx, Engels e L\u00eanin, para culto dos mortos com o \u00fanico prop\u00f3sito de transformar estes grandes l\u00edderes revolucion\u00e1rios em imagens vazias para um culto inofensivo. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Com outro objetivo \u00e9 que nos dias de hoje recordamos o 120\u00ba anivers\u00e1rio da morte de Engels. Fazemos isso por recomendar aos militantes revolucion\u00e1rios, a todos os trabalhadores que lutam cotidianamente, aos jovens que querem derrubar o capitalismo, o estudo das obras deste gigante. Fazemos isso porque nestes meses em que vemos reformistas como Tsipras,\u00a0 Varoufakis ou Tsakalotos (12) e muitos adeptos mais ou menos cr\u00edticos do governo da Syriza terem a coragem de chamar-se &#8220;marxistas&#8221; e de se apresentar como uma &#8220;novidade&#8221; a pretens\u00e3o de conciliar os interesses irreconcili\u00e1veis da burguesia e do proletariado. Embora j\u00e1 a mais de um s\u00e9culo atr\u00e1s, falando sobre o primeiro &#8220;governo da frente popular&#8221; da hist\u00f3ria (a da Fran\u00e7a, em fevereiro &#8217;48) Engels explicou que esses governos, com a participa\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de esquerda, tem como objetivo tornar mais f\u00e1cil a aprova\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas burguesas <i>&#8220;enquanto a classe trabalhadora ficava paralisada pela presen\u00e7a no governo dos cavalheiros que pretendiam representa-la.&#8221;<\/i> <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Ent\u00e3o, voltemos a estudar Engels porque estamos convencidos de que este general da revolu\u00e7\u00e3o conduzira ainda a nossa classe para novas vit\u00f3rias revolucion\u00e1rias contra a burguesia e contra o reformismo, este cavalo de Troia da burguesia no movimento oper\u00e1rio. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>Notas <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(1) Estabelecida por Kautsky em 1883, com o apoio de Bebel e Liebknecht. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(2) Assim, Engels se expressou em uma carta a Sorge de 12 de setembro de 1874. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(3) Pierre Brou\u00e9, <i>La Revolution perdida. <\/i><i>Vida de Trotsky 1879-1940<\/i> (p. 734 edi\u00e7\u00e3o italiana, Boringhieri, 1991). <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(4) Leon Trotsky, <i>Minha Vida<\/i> (1929; Mondadori, 1976, p 215). <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(5) No entanto, Engels publicou em poucos anos alguns de seus textos importantes: em 1884, <i>A Origem da Fam\u00edlia, da Propriedade Privada e do Estado<\/i>; Em 1886, <i>Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia cl\u00e1ssica alem\u00e3<\/i> (no ap\u00eandice ao qual publica as <i>Teses sobre Feuerbach<\/i>, in\u00e9dito fundamental escrito por Marx em 1845); ele trabalhou na <i>Dial\u00e9tica da natureza<\/i> e, finalmente, escreveu muitos pref\u00e1cios \u00e0s edi\u00e7\u00f5es em diferentes idiomas de textos seu e de Marx.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(6) Engels se autodenomina de <i>&#8220;segundo violino&#8221;<\/i> em uma carta a Becker de 15 outubro de 1884. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(7) Em <i>Conversas com Marx e Engels<\/i>, por HM Enzensberger (1973 edi\u00e7\u00e3o italiana Einaudi, 1977, p. 284). <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(8) Ferdinand Lassalle (1825-1864) foi o pai do reformismo alem\u00e3o. Em 1863 fundou a Associa\u00e7\u00e3o Geral dos Trabalhadores Alem\u00e3es. No centro do seu programa tinha a luta pelo sufr\u00e1gio universal e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias de produ\u00e7\u00e3o subsidiados pelo Estado. Lassalle morreu em um duelo (por um assunto do cora\u00e7\u00e3o) algumas semanas antes que se fundasse a Primeira Internacional. Sua Associa\u00e7\u00e3o (subordinada fortemente al regime de Bismarck) vem dirigida ap\u00f3s sua morte por Schweitzer e finalmente se fundiu com a Uni\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Trabalhadores, liderado por Liebknecht e Bebel que Marx ganhou para as suas posi\u00e7\u00f5es. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(9) As observa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas de Engels nos primeiros rascunhos do texto s\u00e3o conhecidas como <i>Cr\u00edtica do Programa de Erfurt,<\/i> enviado a Kautsky el 29 de junho de 1891, e, em seguida, para toda a equipe de dire\u00e7\u00e3o. O texto foi publicado no <i>Die Neue Zeit<\/i> at\u00e9 1901. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(10) Ver Tristram Hunt, <i>A vida revolucion\u00e1ria de F. Engels<\/i>. Esta \u00e9 a biografia escrita por um professor universit\u00e1rio\u00a0 que Engels teria chamado de <i>&#8220;um verdadeiro filisteu&#8221;<\/i>: cheio de equ\u00edvocos do marxismo, mas, no entanto, leitura agrad\u00e1vel com muitas anedotas sobre o protagonista. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(11) Leon Trotsky, &#8220;Cartas de Engels a Kautsky,&#8221; outubro 1935 (artigo publicado no <i>The New International<\/i>, janeiro de 1936). <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(12) <i>Um marxista irregular<\/i> \u00e9 o t\u00edtulo de um livro de Varoufakis, sem nenhuma originalidade particular, o ex-ministro de Tsipras quer combinar o marxismo com o keynesianismo. Enquanto seu substituto no Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as, Euclides Tsakalotos, foi descrito pela imprensa como &#8220;um marxista tranquilo&#8221;. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(13) Ver carta de Engels a Turati, 26 de janeiro de 1894.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(tradu\u00e7\u00e3o de Eraldo Strumiello)<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Friedrich Engels morre em 5 de agosto de 1895, Die Neue Zeit, a revista te\u00f3rica da social-democracia alem\u00e3 (1) escreve que com sua morte \u201ctamb\u00e9m Marx terminava de morrer\u201d. 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