{"id":33618,"date":"2020-06-11T10:28:01","date_gmt":"2020-06-11T12:28:01","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=33618"},"modified":"2020-06-11T10:28:01","modified_gmt":"2020-06-11T12:28:01","slug":"torcidas-atletas-e-a-luta-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/06\/11\/torcidas-atletas-e-a-luta-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Torcidas, atletas e a luta dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p><em>Diante \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o da luta pol\u00edtica no pa\u00eds e no mundo, do levante antirracista que ocorre nos EUA e se alastra por diversos pa\u00edses, volta-se a discutir o papel militante dos atletas e das torcidas. Os \u00faltimos dois domingos (31\/05 e 07\/06), especialmente em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, setores das torcidas organizadas e movimentos de torcidas antifascistas assumiram papel de destaque nos protestos que ocorreram nas ruas contra Bolsonaro e Mour\u00e3o.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor:\u00a0Daniel Macedo e Pedro Assis, do Rio de Janeiro; e Urso, de S\u00e3o Paulo<br \/>\nPoucos dias depois, infelizmente, setores das diretorias das maiores torcidas organizadas dos grandes clubes, impactadas pelas manifesta\u00e7\u00f5es, publicaram notas desautorizando o uso de suas marcas no protesto. Da mesma forma, atletas de diversas modalidades esportivas v\u00eam se posicionando a respeito do combate ao racismo e em apoio a incr\u00edvel onda de protestos que tomou os Estados Unidos, o cora\u00e7\u00e3o do imperialismo.<br \/>\nEsta realidade est\u00e1 longe de ser uma novidade, a participa\u00e7\u00e3o de atletas e torcedores na luta pol\u00edtica e por direitos enquanto esportistas j\u00e1 ocorreu em outros momentos da hist\u00f3ria do esporte. Exemplos n\u00e3o faltam, como os velocistas norte-americanos Tommie Smith e John Carlos, no p\u00f3dio das Olimp\u00edadas do M\u00e9xico em 1968, erguendo os punhos em refer\u00eancia a luta dos Panteras Negras. No Brasil, o craque do clube de futebol Atl\u00e9tico Mineiro, o genial Reinaldo Lima, fazia um gesto semelhante ao marcar seus gols em plena ditadura, um dos motivos pelo qual ele foi perseguido por t\u00e9cnicos, dirigentes e pelo regime.<br \/>\n<div id=\"attachment_33620\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Reinaldo-Lima.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33620\" class=\"size-full wp-image-33620\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Reinaldo-Lima.jpg\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"601\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Reinaldo-Lima.jpg 370w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Reinaldo-Lima-185x300.jpg 185w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Reinaldo-Lima-150x244.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Reinaldo-Lima-300x487.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-33620\" class=\"wp-caption-text\">O jogador do Atl\u00e9tico Mineiro, Reinaldo Lima, comemora um gol com os punhos cerrados. (Foto: Arquivo EM)<\/p><\/div><br \/>\nNo embate ao racismo, moralismo e defendendo o passe livre dos jogadores, ganharam destaque atletas de futebol botafoguenses: Afonsinho, Paulo C\u00e9zar Caju e Nei Concei\u00e7\u00e3o, que marcaram suas posi\u00e7\u00f5es enfrentando dirigentes de clubes e o regime militar. Esses fatos foram contados no document\u00e1rio de L\u00facio Branco \u201cBarba, Cabelo e Bigode\u201d, de 2016.<br \/>\nOutro fato emblem\u00e1tico foi o enfrentamento entre o jornalista e t\u00e9cnico de futebol Jo\u00e3o Saldanha, comunista de carteirinha, e o sanguin\u00e1rio e ditador Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici. O ditador buscou interferir na convoca\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico que havia classificado a sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol para a Copa de 70, demitindo-o. O saudoso Jo\u00e3o \u201cSem Medo\u201d, como tamb\u00e9m era conhecido Saldanha, enfrentava os \u201cpitacos\u201d do general carniceiro. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria no M\u00e9xico, a associa\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o com o regime ditatorial passou a ser constante. A intromiss\u00e3o de M\u00e9dici n\u00e3o se resumia a sele\u00e7\u00e3o de futebol, em 1976, ele fez campanha contra a Chapa Frente Ampla pelo Flamengo, que disputou as elei\u00e7\u00f5es da diretoria do clube com o slogan: \u201cA democracia come\u00e7a pelo Flamengo\u201d.<br \/>\nFundamental tamb\u00e9m trazer \u00e0 tona a luta das mulheres contra a proibi\u00e7\u00e3o do futebol feminino, que foi imposto por meio do decreto-lei, de 1941, no per\u00edodo do Estado Novo de Vargas, vigente at\u00e9 1979. Tal medida foi desafiada por times como o Araguari Atl\u00e9tico Clube (MG) e o Esporte Clube Radar (RJ) que tiveram maior destaque nessa luta, mas n\u00e3o foram os \u00fanicos. Estes s\u00e3o exemplos de resist\u00eancia organizando as mulheres e praticando o futebol.<br \/>\nNas arquibancadas s\u00e3o tamb\u00e9m in\u00fameros casos de resist\u00eancia. O pr\u00f3prio surgimento das Torcidas Organizadas no explosivo cen\u00e1rio pol\u00edtico do final dos anos de 1960, expressava o anseio pela participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es dos clubes em meio ao aumento da repress\u00e3o por parte da ditadura, e a interven\u00e7\u00e3o desta no futebol, atrav\u00e9s de agentes do regime atuando dentro das federa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e0 toa que muitas torcidas adotaram alguns s\u00edmbolos da esquerda e da luta anti-imperialista.<br \/>\nTornou-se emblem\u00e1tica a cena em que Chico Malfitani, fundador da torcida organizada Gavi\u00f5es da Fiel, e Ant\u00f4nio Carlos Fon, em 1979, num cl\u00e1ssico de futebol Corinthians x Santos, abriram a uma faixa em que se lia: \u201cAnistia ampla, geral e irrestrita\u201d. Nos anos de 1980, esse movimento ganhou peso no vesti\u00e1rio dos atletas e entre os funcion\u00e1rios, movimento denominado Democracia Corinthiana, liderado pelos jogadores S\u00f3crates, Walter Casagrande, Z\u00e9 Maria, Wladimir, entre outros, os quais tiveram participa\u00e7\u00e3o efetiva no movimento pelas Diretas J\u00e1, enfrentando a ditadura e o autoritarismo de dirigentes.<br \/>\nEste mesmo movimento tamb\u00e9m ganharia espa\u00e7o nas arquibancadas, como a torcida Fla Diretas, que levava faixas e cartazes para a arquibancada da torcida rubro-negra e contou com apoio de Cl\u00e1udio Cruz, fundador da torcida organizada Ra\u00e7a Rubro Negra. Tamb\u00e9m importante ressaltar o papel que Osmar Santos, um dos principais locutores esportivos do Brasil, que foi o locutor oficial dos com\u00edcios das Diretas J\u00e1.<br \/>\nAinda que os anos de neoliberalismo, a coopta\u00e7\u00e3o de parte importante das grandes torcidas organizadas, a mercantiliza\u00e7\u00e3o e encarecimento do acesso aos est\u00e1dios, tenham criado um hiato na participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de torcedores e jogadores, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de recrudescimento das lutas e a elitiza\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios t\u00eam trazido de volta debates e enfrentamentos pol\u00edticos no mundo do futebol.<br \/>\n<div id=\"attachment_33621\" style=\"width: 706px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/n\u00e3o-vai-ter-copa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33621\" class=\"size-full wp-image-33621\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/n\u00e3o-vai-ter-copa.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"464\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-33621\" class=\"wp-caption-text\">Manifesta\u00e7\u00f5es contra a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo tomou conta das ruas do Brasil, no primeiro semestre de 2014<\/p><\/div><br \/>\n<strong>O \u201clegado\u201d dos grandes eventos, as jornadas de junho de 2013 e o projeto de moderniza\u00e7\u00e3o elitista do futebol<\/strong><br \/>\nH\u00e1 algumas d\u00e9cadas que a arquibancada do est\u00e1dio de futebol tem se tornado um ambiente hostil ao \u201cpov\u00e3o\u201d. Certamente n\u00e3o foi somente a viol\u00eancia (t\u00e3o alardeada pelos tecnocratas da imprensa esportiva), resultado do explosivo cen\u00e1rio de desigualdade social e falta de perspectiva da juventude trabalhadora. Houve tamb\u00e9m uma pol\u00edtica abertamente elitista que resultou no aumento do pre\u00e7o dos ingressos e na transforma\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios em verdadeiros shoppings centers. O estatuto do torcedor foi um marco nesse sentido, aprovado por Lula em 2003, que serviu para a criminaliza\u00e7\u00e3o e restri\u00e7\u00e3o ainda maior dos torcedores.<br \/>\nNesse contexto, em 2007, o \u201clegado\u201d deixado pelos os Jogos Pan-Americanos foi o fim da \u201cGeral do Maracan\u00e3\u201d. Aquilo foi um verdadeiro crime, que marcaria o in\u00edcio do fim do bom e velho Maracan\u00e3 das massas, um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, que receberia a p\u00e1 de cal na prepara\u00e7\u00e3o imposta pela Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol (FIFA) para a Copa do Mundo de 2014. Com o aval de dirigentes da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) e governos de PT, PMDB, PSDB, entre outros, \u201carenizaram-se\u201d os est\u00e1dios, ou seja, em formato de grandes arenas, transformando o futebol em um espet\u00e1culo cada vez mais televisivo e pausterizado. Isto tudo, \u00e9 fundamental dizer, com o apoio de clubes e federa\u00e7\u00f5es, os quais passaram a ter nas cotas de TV e na venda de jogadores cada vez mais jovens, sua principal fonte de renda, marcando de vez o futebol brasileiro como uma grande col\u00f4nia da economia futebol\u00edstica mundial.<br \/>\nO enfrentamento a esse processo vem levando a retomada da arquibancada enquanto lugar de resist\u00eancia, em busca da \u201crepopulariza\u00e7\u00e3o\u201d desse espa\u00e7o. Nesse sentido, os movimentos que ganharam f\u00f4lego com as jornadas de junho de 2013, tiveram express\u00f5es como a Frente Nacional de Torcedores, e v\u00eam ganhando for\u00e7a recentemente na forma das Torcidas Antifascistas. Organizadas nas redes sociais, e nos est\u00e1dios de forma aut\u00f4noma, ou mesmo por dentro do que sobra de democracia dentro das grandes torcidas organizadas, estas torcidas buscam incorporar, inclusive, o combate \u00e0s opress\u00f5es como machismo, racismo e homofobia. Enfrentam a persegui\u00e7\u00e3o policial, como ocorreu no epis\u00f3dio em que a Antifascista Botafoguense teve seus materiais recolhidos pela Pol\u00edcia Militar carioca no final de 2019, durante a \u00faltima rodada do campeonato brasileiro.<br \/>\n<strong>Unir os trabalhadores da bola e da arquibancada pra enfrentar a elitiza\u00e7\u00e3o do futebol, o racismo, a pandemia e o projeto ditatorial de Bolsonaro e Mour\u00e3o<\/strong><br \/>\nDiante da enorme crise sanit\u00e1ria, provocada pela Covid-19, e dos ataques aos direitos e as liberdades democr\u00e1ticas, se faz fundamental unir os trabalhadores em uma grande jornada de lutas. Ainda que mantendo as medidas sanit\u00e1rias de distanciamento, \u00e9 necess\u00e1rio que aos exemplos de atletas que cada vez mais se posicionam contra o racismo, e torcedores que v\u00e3o as ruas em defesa das liberdades democr\u00e1ticas, se somem os setores da classe trabalhadora organizada.<br \/>\nO projeto genocida de Bolsonaro e Mour\u00e3o de boicotar a quarentena conta com o apoio das diretorias de clubes de enorme popularidade, como Vasco e Flamengo, e j\u00e1 come\u00e7a a se tornar uma realidade nos Estados. A m\u00e1scara de v\u00e1rios governadores, ditos \u201cdefensores da ci\u00eancia\u201d, come\u00e7a a cair.<br \/>\nNo momento em que o n\u00famero de mortos no Brasil ultrapassa a escala de dezenas de milhares, a trag\u00e9dia sanit\u00e1ria se aprofunda especialmente nas periferias, entre a classe trabalhadora negra. O projeto do grande capital e dos governos \u00e9 que os trabalhadores se arrisquem, produzindo a riqueza para que seus patr\u00f5es a usufruam em casa, vivendo sua luxuosa quarentena.<br \/>\nNo futebol, os planos s\u00e3o de est\u00e1dios vazios, jogadores expostos \u00e0 pandemia, enquanto a pilha de cad\u00e1veres cresce cada vez mais. \u00c9 preciso que os profissionais da bola, cuja grande maioria vive a realidade dura dos setores mais explorados da classe trabalhadora (55% dos atletas profissionais recebem aproximadamente R$ 1 mil e outros 33% entre R$ 1.001 a R$ 5.000) se somem nessa luta, assim como que os atletas bem remunerados e de grande visibilidade da elite do futebol lembrem-se de suas origens, e se somem nessa batalha.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o da luta pol\u00edtica no pa\u00eds e no mundo, do levante antirracista que ocorre nos EUA e se alastra por diversos pa\u00edses, volta-se a discutir o papel militante dos atletas e das torcidas. 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