{"id":33557,"date":"2020-06-08T10:22:25","date_gmt":"2020-06-08T12:22:25","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=33557"},"modified":"2020-06-08T10:22:25","modified_gmt":"2020-06-08T12:22:25","slug":"argentina-abaixo-ao-pacto-social-contra-o-povo-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/06\/08\/argentina-abaixo-ao-pacto-social-contra-o-povo-trabalhador\/","title":{"rendered":"Argentina&#124; Abaixo ao pacto social contra o povo trabalhador!"},"content":{"rendered":"<p><em>Cada dia que passa aumenta a certeza que estamos vivendo uma cat\u00e1strofe mundial para os trabalhadores e trabalhadoras. O coronav\u00edrus chegou n\u00e3o somente para levar milhares de vida (ao fechar essa edi\u00e7\u00e3o tem mais de 259.000 mortos confirmados), mas tamb\u00e9m para acelerar exponencialmente uma crise econ\u00f4mica mundial que, ainda que j\u00e1 vinha, explodiu como uma realidade inevit\u00e1vel.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nEsta combina\u00e7\u00e3o de pandemia e crise econ\u00f4mica deixa exposto o sistema capitalista cuja l\u00f3gica \u00e9 o aumento do lucro empresarial acima da vida dos bilh\u00f5es que a geram com seu trabalho. Essa l\u00f3gica \u00e9 a que explica a terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o em que se encontra os setores mais pobres em todo o mundo, em um dilema de morrer infectado ou por fome. Segundo dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u201co impacto econ\u00f4mico da <strong>pandemia do coronav\u00edrus <\/strong>durante 2020 ir\u00e1 expor a <strong>vulnerabilidade alimentar severa <\/strong>a <strong>265 milh\u00f5es de pessoas, <\/strong>quase o dobro dos registros do ano passado, quando se contabilizaram 135 milh\u00f5es\u201d (1).<br \/>\n<strong>E em casa?<\/strong><br \/>\nNesse marco, o governo de nosso pa\u00eds tentou mostrar nossa situa\u00e7\u00e3o como n\u00e3o t\u00e3o grave j\u00e1 que ainda n\u00e3o se disparou a quantidade de cont\u00e1gios pelo v\u00edrus, por um lado, e porque est\u00e1 tomando medidas para amortecer o impacto da crise econ\u00f4mica. Em ambos os casos os argumentos s\u00e3o, como m\u00ednimo, de duvidosa veracidade.<br \/>\nQuanto \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus \u00e9 verdade que, ainda que o n\u00famero de casos segue aumentando, ainda n\u00e3o se disparou como em outros pa\u00edses. Mas nada garante que isso n\u00e3o possa chegar a acontecer, pois depois de decretar a quarentena, rapidamente se come\u00e7ou a ceder \u00e0 press\u00e3o dos empres\u00e1rios, excetuando cada vez mais setores produtivos e aumentando a circula\u00e7\u00e3o sem medidas sanit\u00e1rias preventivas.<br \/>\nComo se fosse pouco, o isolamento social \u00e9 imposs\u00edvel para os milh\u00f5es que moram nas periferias. Esta situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 existia desde o come\u00e7o, no entanto n\u00e3o se tomou nenhuma medida a respeito, enquanto tem hot\u00e9is e moradias vazias para a especula\u00e7\u00e3o (segundo dados do Instituto de Moradia da Cidade de Buenos Aires, por exemplo, 10% das moradias deste distrito est\u00e3o desocupadas) (2).<br \/>\nO coronav\u00edrus recentemente est\u00e1 chegando aos bairros mais pobres, mas \u00e9 evidente que sem as medidas de fundo que deveriam ter sido tomadas, estamos ante uma possibilidade explosiva. Enquanto os trabalhadores da sa\u00fade seguem denunciando a falta de insumos e ferramentas para fazer frente a cat\u00e1strofe.<br \/>\n<strong>Prioridades: produ\u00e7\u00e3o e d\u00edvida<\/strong><br \/>\nSe as medidas sanit\u00e1rias s\u00e3o insuficientes, nem falar das econ\u00f4micas. Os trabalhadores e trabalhadoras de nosso pa\u00eds vivem cada vez pior. A fome se sente, os pre\u00e7os aumentam, os sal\u00e1rios se reduzem. Utilizando como desculpa a pandemia os empres\u00e1rios atacam todos os direitos trabalhistas, salariais e sociais, com o apoio do governo e dos dirigentes sindicais, aos quais chamar de traidores \u00e9 pouco.<br \/>\nNo meio dessa situa\u00e7\u00e3o a Associa\u00e7\u00e3o Empresarial Argentina, pressiona para que se volte a produzir onde ainda n\u00e3o voltou e para que se pague a d\u00edvida externa. Uma vez mais mostra como seus lucros s\u00e3o mais importantes que as vidas do povo trabalhador.<br \/>\nE o governo, por mais que diga cuidar da vida, nos fatos \u00e9 fiel aos interesses da classe para qual governa. \u00c9 por isso que a abertura da quarentena \u00e9 cada vez maior.<br \/>\nA d\u00edvida externa hoje \u00e9 o tema central de preocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do governo. Ao fechar essa edi\u00e7\u00e3o, tudo indica que a possibilidade de fazer acordo de renegocia\u00e7\u00e3o com apoio do FMI, a UIA, a CGT e a Sociedade Rural, estaria mais pr\u00f3xima. \u00c9 evidente que renegociar \u00e9 para pagar. Ainda no meio da cat\u00e1strofe econ\u00f4mica na que estamos a d\u00edvida segue sendo prioridade.<br \/>\n<strong>Um pacto social para nos arrebentar<\/strong><br \/>\nO n\u00edvel de entrega da CGT parece n\u00e3o ter limites. Se durante o governo de Macri mostravam sua extrema limita\u00e7\u00e3o sendo oposi\u00e7\u00e3o, hoje sendo apoiadores do governo nem sequer tentam dissimular que s\u00e3o os maiores sustent\u00e1culos do pacto social contra os trabalhadores e trabalhadoras: at\u00e9 o pr\u00f3prio Moyano teve que criticar o acordo de redu\u00e7\u00e3o salarial de 75% para os afastados por ser inadmiss\u00edvel!<br \/>\nOs dirigentes sindicais demonstram dia a dia sua ess\u00eancia pr\u00f3 patronal: fizeram acordo da exce\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os n\u00e3o essenciais (enquanto em muitas f\u00e1bricas ou setores os trabalhadores e trabalhadoras lutavam pelo direito da quarentena); fizeram acordo das demiss\u00f5es mesmo depois do DNU de Alberto Fern\u00e1ndez como os de Techint e aceitaram uma redu\u00e7\u00e3o salarial quando deveriam estar exigindo aumento, porque os aumentos de pre\u00e7os seguem devorando nossos sal\u00e1rios.<br \/>\n<strong>Fazer crescer a resist\u00eancia<\/strong><br \/>\nPor\u00e9m, a revolta oper\u00e1ria e popular come\u00e7a a se sentir: os oper\u00e1rios do Penta continuam a luta pelos 250 postos de trabalho, os de Bed Time conseguiram mant\u00ea-los depois de mais de uma semana de ocupa\u00e7\u00e3o, os m\u00e9dicos pararam 24h porque necessitam recursos, mais do que aplausos. As \u201cpanelas populares\u201d se multiplicam disseminando a solidariedade popular frente \u00e0 avareza patronal e inefic\u00e1cia estatal, os presos se levantam contra a pena de morte por coronav\u00edrus em penitenci\u00e1rias em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es. A pesar do isolamento e frente a necessidade de parar os ataques, metal\u00fargicos se mobilizam em Ushuaia, estatais e organiza\u00e7\u00f5es sociais na grande Buenos Aires, o povo de Esquel contra a minera\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio seguir essas lutas, n\u00e3o porque a quarentena j\u00e1 n\u00e3o seja necess\u00e1ria, como disse a oposi\u00e7\u00e3o patronal (a que somente se preocupa com os lucros empresariais), mas porque para evitar a cat\u00e1strofe necessitamos a quarentena em condi\u00e7\u00f5es dignas para todos e todas. E para isso necessitamos romper o pacto social que nos ata os p\u00e9s e as m\u00e3os. Quarentena com fome, demiss\u00f5es e redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios n\u00e3o tem nada a ver com defender a vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nJ\u00e1 est\u00e1 evidente que para desencadear estas lutas n\u00e3o podemos esperar salvadores, os \u201crepresentantes\u201d dos trabalhadores jogam abertamente no time rival. Somente com nossa auto-organiza\u00e7\u00e3o, formando comit\u00eas para assumir em nossas m\u00e3os a luta por cada uma de nossas necessidades, poderemos avan\u00e7ar e obrigar aos vendidos a ir mais al\u00e9m de sus inten\u00e7\u00f5es ou passar por cima deles.<br \/>\nA 202 anos do nascimento de Marx sua frase de que \u201ca emancipa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora ser\u00e1 obra da pr\u00f3pria classe trabalhadora ou n\u00e3o ser\u00e1\u201d tem absoluta vig\u00eancia at\u00e9 para as menores lutas.<br \/>\n(1)<u><a href=\"https:\/\/www.elmundo.es\/internacional\/2020\/04\/21\/5e9dd582fdddff1f758b45fd.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.elmundo.es\/internacional\/2020\/04\/21\/5e9dd582fdddff1f758b45fd.html<\/a><\/u><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.perfil.com\/noticias\/sociedad\/casi-el-10-de-las-viviendas-portenas-no-tienen-ocupantes.phtml?rd=1&amp;rd=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(2) https:\/\/www.perfil.com\/noticias\/sociedad\/casi-el-10-de-las-viviendas-portenas-no-tienen-ocupantes.phtml?rd=1&amp;rd=1<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: T\u00falio Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada dia que passa aumenta a certeza que estamos vivendo uma cat\u00e1strofe mundial para os trabalhadores e trabalhadoras. 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