{"id":33540,"date":"2020-06-05T16:35:40","date_gmt":"2020-06-05T18:35:40","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=33540"},"modified":"2020-06-05T16:35:40","modified_gmt":"2020-06-05T18:35:40","slug":"as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/06\/05\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/","title":{"rendered":"As revoltas negras no Brasil e a constru\u00e7\u00e3o do \u201cHomem cordial\u201d: o caso Jo\u00e3o Pedro e a rea\u00e7\u00e3o negra norte-americana"},"content":{"rendered":"<p><em>Em poucas semanas mais dois acontecimentos terr\u00edveis se abateram sobre a popula\u00e7\u00e3o preta no Atl\u00e2ntico Negro. O Jovem Jo\u00e3o Pedro foi assassinado pela pol\u00edcia na comunidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo no Rio de Janeiro e George Floyde teve o mesmo destino v\u00edtima do terror policial norte-americano na cidade de Minneapolis\u00a0, EUA.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Rosenverck Santos<br \/>\nMesmo em meio \u00e0 pandemia do Coronav\u00edrus, onde Brasil e EUA s\u00e3o epicentros mundiais e centenas de milhares de pessoas \u2013 a maioria negros e pobres \u2013 est\u00e3o morrendo, as pol\u00edcias n\u00e3o deixam de exercer o seu papel de impor terrorismo e assassinato a comunidades pobres e pessoas negras. A popula\u00e7\u00e3o negra e pobre s\u00e3o alvos, nessa conjuntura, tanto do v\u00edrus, quanto da viol\u00eancia policial. N\u00e3o \u00e9 novidade a brutalidade policial (tanto aqui, quanto l\u00e1), pois s\u00e3o mais de 500 anos que as popula\u00e7\u00f5es negras t\u00eam sido atingidas por toda a esp\u00e9cie de pr\u00e1tica violenta. Em outro texto<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote1sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1<\/a>\u00a0j\u00e1 explanamos sobre esse fen\u00f4meno no Brasil, em especial, por meio do encarceramento e genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra nos centros urbanos e de como o capitalismo tem em sua ess\u00eancia a viol\u00eancia como norma.<br \/>\nNos Estados Unidos ap\u00f3s o assassinato de George Floyde\u00a0os negros e negras dos Estados Unidos, com a solidariedade de diversos setores, iniciaram uma s\u00e9rie de protestos e revoltas que atingiram os Estados Unidos da Costa do Pac\u00edfico ao Atl\u00e2ntico<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote2sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2<\/a>. Revoltas e protestos que resultaram, inclusive, na queima de viaturas policiais, saques a supermercados e destrui\u00e7\u00e3o das delegacias de policias como s\u00edmbolos da tortura do povo negro norte-americano. \u00c9 evidente que o crime cometido pelo policial branco racista\u00a0Derek Chauvin\u00a0foi s\u00f3 o estopim de anos e anos; d\u00e9cadas e d\u00e9cadas; s\u00e9culos e s\u00e9culos de viol\u00eancia sofrida em todos os campos: trabalho, educa\u00e7\u00e3o, lazer, cultura, habita\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA explora\u00e7\u00e3o, a opress\u00e3o e a marginaliza\u00e7\u00e3o atingem a popula\u00e7\u00e3o negra de forma total e sem atenuantes, n\u00e3o importando se s\u00e3o governos dos Republicanos, Democratas, se s\u00e3o governadores e prefeitos brancos ou negros. A viol\u00eancia do Estado e das empresas \u00e9 exercida cotidianamente com a anu\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es estatais e seus governantes. Mesmo um presidente negro n\u00e3o foi capaz de impedir as agress\u00f5es constantes, at\u00e9 porque exerceu a mesma pol\u00edtica imperialista e capitalista sobre a popula\u00e7\u00e3o negra. As revoltas negras que ocorreram sob o governo de Barack Obama demonstram isso<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote3sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">3<\/a>. Sob os governos brancos de Bill Clinton, George Bush evidentemente s\u00f3 se esperava atrocidade e crueldade.<br \/>\nMas porque no Brasil n\u00e3o acontecem os mesmos protestos e revoltas que ocorrem nos EUA? Ainda mais porque passamos pelos mesmos problemas raciais e sociais dos Estados Unidos, com o agravante de sermos um pa\u00eds mais pobre e com a desigualdade mais gritante. O povo brasileiro \u00e9 cordial e, por isso, nunca se revoltou no Brasil como acontece nos Estados Unidos?<br \/>\n<strong>As revoltas negras e a constru\u00e7\u00e3o do \u201chomem cordial: a naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no Brasil<\/strong><br \/>\nEssas perguntas n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de responder e nem existe apenas um \u00fanico fator a explicar essas diferen\u00e7as. O que faremos neste texto, entretanto, \u00e9 apenas apontar alguns elementos que influenciam na rea\u00e7\u00e3o aos epis\u00f3dios de racismo e viol\u00eancia sobre a popula\u00e7\u00e3o negra em nosso pa\u00eds. N\u00e3o s\u00e3o elementos absolutos, \u00fanicos e nem tampouco determinam sempre as formas de resist\u00eancia e rea\u00e7\u00e3o, como veremos em muitos epis\u00f3dios de nossa hist\u00f3ria.<br \/>\nDe outro modo, acreditamos que s\u00e3o elementos fundamentais para se refletir, afim de que possamos combat\u00ea-los para potencializar nossa organiza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia a esses fen\u00f4menos de viol\u00eancia que nos atingem. Que elementos s\u00e3o esses? S\u00e3o dois que destacamos: a constru\u00e7\u00e3o da\u00a0ideia de \u201chomem cordial\u201d\u00a0<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote4sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4<\/a>, ou seja, que no Brasil o seu povo \u00e9 ordeiro, pac\u00edfico e n\u00e3o resolve suas tens\u00f5es por meio de conflitos sociais e\/ou raciais. Essa ideia se alicer\u00e7a no\u00a0mito da democracia racial\u00a0e seus efeitos para a luta do povo negro. E, o outro elemento, \u00e9 a naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, que a meu ver, decorre \u2013 entre outros fatores \u2013 daquela constru\u00e7\u00e3o de \u201chomem cordial\u201d e do mito da democracia racial.<br \/>\nExiste no Brasil, a ideia de que somos um pa\u00eds \u201cgigante pela pr\u00f3pria natureza\u201d, pac\u00edfico, ordeiro, sem conflitos sociais ou raciais de grande porte, que n\u00e3o houve e n\u00e3o h\u00e1 segrega\u00e7\u00e3o racial, por isso, prevaleceria \u00e0 democracia racial e a paz como norma. Isto \u00e9, um pa\u00eds de mesti\u00e7os onde ser negro ou branco n\u00e3o determinariam o lugar da viol\u00eancia. N\u00e3o obstante, muito dessa constru\u00e7\u00e3o ter perdido for\u00e7a em virtude da atua\u00e7\u00e3o do movimento negro, que demonstrou que o Estado e a na\u00e7\u00e3o brasileira eram racistas e que isso se materializava por meio de muita viol\u00eancia, ainda hoje prevalece no senso comum e, principalmente, nos discursos de intelectuais e pol\u00edticos a ideia de um \u201cpovo ordeiro\u201d. O atual (des)governo Bolsonaro de ultra-direita e racista comumente prolifera essa ideia.<br \/>\nEsse discurso, em verdade, esconde e busca ocultar um pa\u00eds extremamente violento que \u00e9 marcado desde a conquista pela escraviza\u00e7\u00e3o e genoc\u00eddio ind\u00edgena, a escraviza\u00e7\u00e3o africana e chega \u00e0 contemporaneidade com o encarceramento e genoc\u00eddio negro. Para al\u00e9m de esconder e\/ou ocultar a viol\u00eancia, em ess\u00eancia, causa uma\u00a0naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia.\u00a0A mem\u00f3ria dessa viol\u00eancia \u00e9 em grande parte \u201cesquecida\u201d e internalizada, n\u00e3o sendo, portanto, objeto de reflex\u00e3o e indigna\u00e7\u00e3o por uma parcela significativa do povo brasileiro.<br \/>\nIsso foi uma constru\u00e7\u00e3o e um projeto desenvolvido pela classe dominante que quis justamente construir a ideia de um pa\u00eds sem conflitos sociais e raciais onde pudessem governar [e explorar] com tranquilidade. Como disse Carlos Hasenbalg construiu-se uma \u201cpol\u00edtica de cegueira\u201d\u00a0<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote5sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">5<\/a>. Como dissemos, v\u00e1rios epis\u00f3dios da Hist\u00f3ria do Brasil comprovam o contr\u00e1rio desse projeto, portanto, n\u00e3o podemos subestim\u00e1-lo, pois ele ainda tem for\u00e7a e opera em nossas consci\u00eancias.<br \/>\nMas quando essa ideia ganhou for\u00e7a? Tem v\u00e1rios momentos da hist\u00f3ria que poder\u00edamos elencar, mas vamos come\u00e7ar no per\u00edodo que cerca a \u201cIndepend\u00eancia\u201d do Brasil, ocorrida em 1822. Antes dessa data, os defensores da Independ\u00eancia diziam que era preciso tomar as r\u00e9deas da pol\u00edtica brasileira em virtude dos fortes conflitos raciais e das tens\u00f5es sociais que existiam<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote6sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">6<\/a>. Veja bem, os intelectuais e pol\u00edticos desse per\u00edodo \u2013 que vai pelo menos at\u00e9 a metade do s\u00e9culo XIX \u2013 verbalizavam e temiam as tens\u00f5es e revoltas sociais e raciais. Exigiam medidas do governo federal para impedir que os escravizados se juntasse a trabalhadores pobres, al\u00e9m de negros(as) livres e libertos em torno de uma grande revolta e\/ou revolu\u00e7\u00e3o que tomassem o poder, destruindo a classe dominante branca e latifundi\u00e1ria. Temiam o inferno negro! Esse medo s\u00f3 se ampliava com as in\u00fameras revoltas negras que ocorriam pelo Brasil e, em especial, depois do in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o no Haiti em 1791<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote7sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">7<\/a>\u00a0que aumentava mais ainda o medo da classe dominante.<br \/>\nAntes e ap\u00f3s a \u201cindepend\u00eancia\u201d n\u00e3o cessaram esses conflitos, pelo contr\u00e1rio, tiveram uma s\u00e9rie de revoltas pelo pa\u00eds inteiro como a Revolta dos B\u00fazios (1798), Conjura\u00e7\u00e3o Baiana (1798-1799), Balaiada (1838 e 1841), Sabinada (1837 \u2013 1838), Cabanagem (1835 a 1840), Revolta dos Mal\u00eas (1835)\u00a0<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote8sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">8<\/a>\u00a0e tantas outras que ocorreram nesse per\u00edodo \u2013 que demonstra que o povo brasileiro n\u00e3o \u00e9 e nem nuca foi \u201cordeiro\u201d como queriam ou querem alguns intelectuais e pol\u00edticos. Essas revoltas e muitas outras que estouraram pelo Brasil, como as que fizeram o \u201cNordeste Insurgente\u201d<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote9sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">9<\/a>, entre 1850 e 1890, demonstram que a popula\u00e7\u00e3o negra e pobre do Brasil sempre reagiu da forma como podia \u00e0 viol\u00eancia do Estado e das elites nacionais, composta por comerciantes, empres\u00e1rios, banqueiros e latifundi\u00e1rios, em diversos contextos de nossa hist\u00f3ria.<br \/>\nDiante desse cen\u00e1rio da\u00a0\u201conda negra, medo branco\u201d\u00a0<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote10sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10<\/a>\u00a0parte dessa intelectualidade e dos governantes constru\u00edram a ideia \u2013 para sustentar uma aboli\u00e7\u00e3o negociada, reformista e sob dire\u00e7\u00e3o branca, materializada no dia 13 de maio \u2013 de que no Brasil n\u00e3o havia conflitos raciais e que por isso era poss\u00edvel fazer uma aboli\u00e7\u00e3o, desde que gradual, onde brancos e negros passariam a conviver em harmonia.<br \/>\nA marca do Brasil \u2013 mesmo contra todos os exemplos na realidade \u2013 seria a conviv\u00eancia pac\u00edfica e ordeira dos grupos raciais e que por isso a aboli\u00e7\u00e3o n\u00e3o traria viol\u00eancia para o pa\u00eds. Por conta da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, mais branda e bondosa, diziam eles, a popula\u00e7\u00e3o negra escravizada e mesmo livre ou liberta, n\u00e3o nutria \u00f3dio por \u201cseus senhores\u201d. Iniciou-se a constru\u00e7\u00e3o \u2013 no interior do inferno escravista \u2013 de um para\u00edso racial. Mais do que nunca, era preciso fazer a aboli\u00e7\u00e3o gradual e segura para evitar que essa rela\u00e7\u00e3o harmoniosa se tornasse um conflito aberto como ocorrera no Haiti e como ocorria nos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Ressaltamos que essa ideia n\u00e3o tinha sustenta\u00e7\u00e3o na realidade, tendo em vista as in\u00fameras revoltas, resist\u00eancias e forma\u00e7\u00e3o de quilombolas realizados pela popula\u00e7\u00e3o negra.<br \/>\n<strong>A democracia racial e o \u201cracismo cordial\u201d<br \/>\n<\/strong>De qualquer forma, esse discurso tomou as ruas e passou a fazer parte da constru\u00e7\u00e3o da identidade nacional brasileira. J\u00e1 anunciava a ideia de que somos formados por uma mistura de ra\u00e7as que n\u00e3o se agridem, que prevalece a ordem, a rela\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, que o racismo e a viol\u00eancia racista \u00e9 epis\u00f3dica e n\u00e3o estrutural, apenas uma forma de intoler\u00e2ncia. Ou seja, j\u00e1 anunciava a ideia \u2013 que seria constru\u00edda mais adiante \u2013 de uma \u201cdemocracia racial\u201d no Brasil. Essa \u201cdemocracia racial\u201d demarcaria um pa\u00eds sem viol\u00eancia racial e isso fez justamente com que a viol\u00eancia sobre negros e negras passassem a ser naturalizadas e muitas vezes justificadas.<br \/>\nNa ideologia do \u201ccar\u00e1ter nacional brasileiro\u201d, a na\u00e7\u00e3o \u00e9 formada pela mistura de tr\u00eas ra\u00e7as \u2013 \u00edndios, negros e brancos \u2013 e a sociedade mesti\u00e7a desconhece o preconceito racial. Nessa perspectiva,\u00a0o negro \u00e9 visto pelo olhar do paternalismo branco, que v\u00ea a afei\u00e7\u00e3o natural e o carinho com que os brancos e negros se relacionam,\u00a0completando-se uns aos outros, num tr\u00e2nsito cont\u00ednuo entre a casa grande e a senzala.\u00a0<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote11sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">11<\/a><br \/>\nNessa dire\u00e7\u00e3o Kabengele Munanga\u00a0<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote12sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">12<\/a>\u00a0afirma que diferente do praticado em outros pa\u00edses com EUA e \u00c1frica do Sul, com a institucionaliza\u00e7\u00e3o da supremacia branca, por meio da segrega\u00e7\u00e3o r\u00edgida, a classe dominante brasileira, em sua maioria, pensava a solu\u00e7\u00e3o para o problema negro do ponto de vista da eugenia. Interessada na constru\u00e7\u00e3o da unidade e da identidade nacional, amea\u00e7ada pelos grupos \u00e9tnico-raciais diferentes e hierarquizados, a miscigena\u00e7\u00e3o apareceu como uma plataforma para o branqueamento do povo brasileiro. Diferente do\u00a0racismo diferencialista\u00a0de outras na\u00e7\u00f5es que buscavam a absolutiza\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a por meio de pr\u00e1ticas segregacionistas. No caso do Brasil, o racismo seria do tipo\u00a0assimilacionista, ou seja, marcado pela incorpora\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as \u00e9tnico-raciais e culturais em torno de uma identidade nacional \u00fanica.<br \/>\nA d\u00e9cada de 1930 foi um marco importante desse tipo de pensamento e pol\u00edtica. Mesmo que as teorias raciais tenham perdido f\u00f4lego nas Universidades e centros de pesquisa, ganharam as ruas e o cotidiano das pessoas. Neste per\u00edodo, fortaleceu-se uma positiva\u00e7\u00e3o da mesti\u00e7agem, por meio do mito das tr\u00eas ra\u00e7as. Gilberto Freire com\u00a0Casa Grande e Senzala,\u00a0publicado na d\u00e9cada de 1930, n\u00e3o teve d\u00favidas em afirmar a mesti\u00e7agem como o grande car\u00e1ter nacional que influenciaria decisivamente na forma\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica da popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m influenciaria a produ\u00e7\u00e3o cultural. Ele deu as bases para o que viria a ser denominado o\u00a0mito da democracia racial.<br \/>\nA ideologia do Brasil-cadinho relata a epop\u00e9ia das tr\u00eas ra\u00e7as que se fundem nos laborat\u00f3rios das selvas tropicais. [\u2026], e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil constatar que essa f\u00e1bula \u00e9 engendrada no momento em que a sociedade brasileira sofre transforma\u00e7\u00f5es profundas, passando de uma economia escravista para outra de tipo capitalista, de uma organiza\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica para republicana, e que se busca, por exemplo, resolver o problema da m\u00e3o-de-obra incentivando-se a imigra\u00e7\u00e3o europeia.\u00a0<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote13sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">13<\/a><br \/>\nPor essa raz\u00e3o, o mito da democracia racial ganha for\u00e7a, pois sendo misturados desde a origem, n\u00e3o ser\u00edamos racistas. Repousaria a\u00ed, a originalidade do racismo brasileiro, que foi competente em refor\u00e7ar uma sociedade desigual e racista, sem grandes conflitos aparentes, como existiria em outras sociedades. Mas o que se edificou na pr\u00e1tica foi\u00a0um\u00a0racismo mesti\u00e7o e cordial<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote14sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">14<\/a>, dando a ideia de que a segrega\u00e7\u00e3o racial no Brasil \u00e9 mais branda e por isso n\u00e3o leva a manifesta\u00e7\u00f5es de protesto. O objetivo \u00e9 justamente esse.<br \/>\nN\u00e3o por acaso, S\u00e9rgio Buarque de Holanda deixa escapar em sua obra prima,\u00a0Ra\u00edzes do Brasil<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote15sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">15<\/a>, publicado pela primeira vez em 1936, que a coloniza\u00e7\u00e3o europeia, atribu\u00edda aos europeus foi uma miss\u00e3o civilizat\u00f3ria, desconsiderando\u00a0a priori\u00a0as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Essa caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 seguida de outra bem mais problem\u00e1tica segundo o qual, a conquista europeia, na figura dos portugueses, teria sido mais flex\u00edvel e menos dura, sendo assim, mais acolhedora e sem desarmonia racial. Isso resultaria numa completa aus\u00eancia de orgulho racial e, portanto, de clivagens marcadas pela discrimina\u00e7\u00e3o e preconceito. O portugu\u00eas por ser j\u00e1 um mesti\u00e7o, segundo S\u00e9rgio Buarque de Holanda n\u00e3o se assegurou no principio da hierarquia e da disc\u00f3rdia racial: \u201cCom frequ\u00eancia as suas rela\u00e7\u00f5es [dos escravizados] com os donos oscilavam da situa\u00e7\u00e3o de dependente para a de protegido, e at\u00e9 de solid\u00e1rio e afim.\u201d<br \/>\nA ideia \u00e9 essa: se n\u00e3o h\u00e1 racismo e nem viol\u00eancia racial, esses fen\u00f4menos n\u00e3o t\u00eam influ\u00eancia sobre a desigualdade e, portanto, toda a viol\u00eancia sobre pessoas negras \u00e9 justificada por tratar-se de pessoas criminosas, bandidas que n\u00e3o se ajustam as rela\u00e7\u00f5es pac\u00edficas do povo brasileiro. A viol\u00eancia sobre os negros e negras aos poucos vai sendo naturalizada como algo normal para punir os desviados da passividade nacional ou como consequ\u00eancia de pessoas que n\u00e3o tiveram m\u00e9rito para \u201csubir na vida\u201d, \u201cconseguir ser algu\u00e9m\u201d. Viver em viol\u00eancia passou a ser culpa da v\u00edtima e n\u00e3o de quem agride. O Estado, seus governantes e institui\u00e7\u00f5es como a pol\u00edcia passaram a exercer viol\u00eancia ao mesmo tempo em que tal viol\u00eancia era justificada e vista como normal.<br \/>\nEsse tipo de ideia al\u00e9m de distorcer a Hist\u00f3ria de resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra, visa confundir e eliminar o esp\u00edrito cr\u00edtico, ao mesmo tempo em que busca impedir a organiza\u00e7\u00e3o consciente e solidariedade entre os grupos explorados e oprimidos. No Brasil, como n\u00e3o haveria racismo estrutural, apenas uma forma de intoler\u00e2ncia, muitas vezes as demandas e reivindica\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o negra pareceram aos olhos dos outros setores subalternizados como de menor import\u00e2ncia. No conjunto, faltava e ainda falta solidariedade dos demais explorados e oprimidos para com a causa da popula\u00e7\u00e3o negra. Solidariedade n\u00e3o apenas no discurso, mas na a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o aos casos de racismo. Muitas vezes a popula\u00e7\u00e3o negra se viu sozinha na luta contra o racismo e o seu exterm\u00ednio, principalmente no s\u00e9culo XX quando a ideia de democracia racial e homem cordial tomou conta da mentalidade do brasileiro, contrariando completamente a realidade hist\u00f3rica de solidariedade dos oprimidos que ocorreram entre os s\u00e9culos XVI e XIX, como demonstram os exemplos supracitados.<br \/>\n<strong>O que parece imposs\u00edvel, se tornar\u00e1 inevit\u00e1vel.<br \/>\n<\/strong>Toda essa constru\u00e7\u00e3o faz com que a indigna\u00e7\u00e3o dos casos de viol\u00eancia racista seja atenuada pelo discurso do pa\u00eds pac\u00edfico e ordeiro. A mem\u00f3ria da viol\u00eancia racial \u00e9 esquecida e abrandada. No Brasil, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil ver turistas tirando\u00a0selfies\u00a0alegres em frente a s\u00edmbolos de tortura como o Pelourinho na Bahia ou em Alc\u00e2ntara no Maranh\u00e3o. \u00c9 imposs\u00edvel pensarmos um judeu tirando fotos sorrindo em frente ao campo de concentra\u00e7\u00e3o de\u00a0Auschwitz.\u00a0Mas aqui, faz-se das senzalas lugares de constru\u00e7\u00e3o cultural da identidade brasileira e os pelourinhos como s\u00edmbolos de lazer. Ou seja, os lugares de \u00f3dio e viol\u00eancia no Brasil s\u00e3o naturalizados como espa\u00e7os do passado e que n\u00e3o existem mais. Por essa raz\u00e3o, praticamente n\u00e3o temos museus sobre a escravid\u00e3o e a viol\u00eancia da escravid\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o brasileira, de conjunto, acaba n\u00e3o reagindo de pronto a esses fen\u00f4menos de viol\u00eancia levados a cabo pela pol\u00edcia e outras institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMas \u00e9 preciso se indignar e muito mais que isso, \u00e9 necess\u00e1rio saber que nossa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 de resigna\u00e7\u00e3o. Temos que compreender os mecanismos de ocultamento da viol\u00eancia e as pr\u00e1ticas de amortecimento da resist\u00eancia para podermos reagir de forma organizada e contundente ao nosso genoc\u00eddio.<br \/>\n\u00c9 preciso solidariedade e a\u00e7\u00e3o de todos os setores oprimidos e explorados. Estes setores t\u00eam que ter a mesma indigna\u00e7\u00e3o e resposta que tiveram com o caso George Floyde, para os crimes cometidos contra os(as) negros(as) brasileiros(as) como foram os casos de Amarildo, Cl\u00e1udia, Jo\u00e3o Pedro e tantos outros em nossa recente hist\u00f3ria.\u00a0Precisamos de mais antirracismo,\u00a0tanto quanto se alardeia contra o antifascismo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser antifascista em teoria e na pr\u00e1tica fechar os olhos conta a viol\u00eancia racista que opera cotidianamente em nosso pa\u00eds. Que a campanha antirracista, fora Bolsonaro e Mour\u00e3o seja t\u00e3o grande quanto a antifascita. Temos plena convic\u00e7\u00e3o de que isso n\u00e3o vai delongar.<br \/>\nN\u00e3o vai demorar para as Revoltas Negras explodirem novamente no Brasil. Nesse dia o que parecia imposs\u00edvel se tornar\u00e1 inevit\u00e1vel!<br \/>\nNotas:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote1anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1<\/a>\u00a0Ver:\u00a0O projeto de exterm\u00ednio da juventude negra: O caso do Maranh\u00e3o\u00a0em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/o-projeto-de-exterminio-da-juventude-negra-o-caso-do-maranhao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.pstu.org.br\/o-projeto-de-exterminio-da-juventude-negra-o-caso-do-maranhao\/<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote2anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2<\/a>\u00a0Ver os artigos:\u00a0A Rebeli\u00e3o Negra e o medo na Casa Branca\u00a0em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/a-rebeliao-negra-e-o-medo-na-casa-branca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.pstu.org.br\/a-rebeliao-negra-e-o-medo-na-casa-branca\/<\/a>\u00a0e\u00a0EUA | Sobre a epidemia de viol\u00eancia policial e o assassinato de George Floyd\u00a0em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/eua-sobre-a-epidemia-de-violencia-policial-e-o-assassinato-de-george-floyd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.pstu.org.br\/eua-sobre-a-epidemia-de-violencia-policial-e-o-assassinato-de-george-floyd\/<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote3anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">3<\/a>\u00a0Lembrando que o movimento \u201cvidas negras importam!\u201d surgiu justamente quando Barack Obama governava os EUA depois de uma s\u00e9rie de assassinatos de negros por for\u00e7as policiais.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote4anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4<\/a>\u00a0Apesar das in\u00fameras interpreta\u00e7\u00f5es do que realmente quis dizer S\u00e9rgio Buarque de Holanda em seu livro \u201cRa\u00edzes do Brasil\u201d, essa ideia de \u201chomem cordial\u201d, ordeiro que marcaria a na\u00e7\u00e3o foi e \u00e9 algo, ainda hoje, muito difundido na mentalidade do brasileiro, por intelectuais e pol\u00edticos.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote5anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">5<\/a>\u00a0HASENBALG, Carlos. Notas sobre a desigualdade racial e pol\u00edtica no Brasil. In.\u00a0Estudos Afro-Asi\u00e1ticos.\u00a0Rio de Janeiro: CEAA, N. 25, dez. de 1993.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote6anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">6<\/a>\u00a0AZEVEDO, Celia Marinho de. Abolicionismo e mem\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es raciais. In.\u00a0Estudos Afro-Asi\u00e1ticos.\u00a0Rio de Janeiro: CEAA, N. 26, set. de 1994.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote7anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">7<\/a>\u00a0Sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana ver o texto:\u00a0HAITI: significado hist\u00f3rico, realidade e perspectivas\u00a0de Rosenverck Santos e Claudia Durans em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.periodicoseletronicos.ufma.br\/index.php\/rppublica\/article\/view\/5961\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.periodicoseletronicos.ufma.br\/index.php\/rppublica\/article\/view\/5961<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote8anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">8<\/a>\u00a0Ver o especial\u00a0As Revolu\u00e7\u00f5es e Revoltas do povo brasileiro\u00a0em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/especial-revoltas-e-revolucoes-do-povo-brasileiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.pstu.org.br\/especial-revoltas-e-revolucoes-do-povo-brasileiro\/<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote9anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">9<\/a>\u00a0Ver MONTEIRO, Hamilton de Matos.\u00a0Nordeste insurgente (1850-189).\u00a0S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1981.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote10anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10<\/a>Essa ideia foi desenvolvida no livro\u00a0Onda negra, medo branco: o negro no imagin\u00e1rio das elites \u2013 s\u00e9culo XIX\u00a0de\u00a0C\u00e9lia Maria Marinho de Azevedo.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote11anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">11<\/a>CHAU\u00cd, Marilena.\u00a0Brasil:\u00a0mito fundador e sociedade autorit\u00e1ria. 9\u00aa Ed. S\u00e3o Paulo: Editora Perseu Abramo, 2013. p.23<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote12anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">12<\/a>\u00a0MUNANGA, Kabengele.\u00a0Rediscutindo a mesti\u00e7agem no Brasil.\u00a0Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1999.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote13anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">13<\/a>ORTIZ, Renato.\u00a0Cultura brasileira e identidade nacional. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1994. p.38<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote14anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">14<\/a>\u00a0SCHWARCZ, Lilia K. Moritz.\u00a0Ra\u00e7a como negocia\u00e7\u00e3o: sobre teorias raciais em finais do s\u00e9culo XIX no Brasil. FONSECA, Maria Nazareth Soares (org.).\u00a0Brasil afro-brasileiro.\u00a0Belo Horizonte: Autentica, 2006.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/as-revoltas-negras-no-brasil-e-a-construcao-do-homem-cordial-o-caso-joao-pedro-e-a-reacao-negra-norte-americana\/?fbclid=IwAR0ZJyIVYeKSIlGmIzkXwaItOeZ9pVh19MDO-anpFi_Fl2qIpg3wBIv4zgE#sdfootnote15anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">15<\/a>\u00a0HOLANDA, S\u00e9rgio Buarque de.\u00a0Ra\u00edzes do Brasil.\u00a026\u00aa ed.\u00a0S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1995.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em poucas semanas mais dois acontecimentos terr\u00edveis se abateram sobre a popula\u00e7\u00e3o preta no Atl\u00e2ntico Negro. O Jovem Jo\u00e3o Pedro foi assassinado pela pol\u00edcia na comunidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo no Rio de Janeiro e George Floyde teve o mesmo destino v\u00edtima do terror policial norte-americano na cidade de Minneapolis\u00a0, EUA.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":33541,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[121,3501,3923,30,1018],"tags":[5483,1010,5479,5484,5485,3573],"class_list":["post-33540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-negras-os","category-opressao","category-coronavirus","category-racismo","tag-democracia-racial","tag-george-floyd","tag-joao-pedro","tag-racismo-brasil","tag-rosenverck-santos","tag-teoria-e-revolucao"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/texto-Verk-2.png","categories_names":["Brasil","Negras\/os","Opress\u00e3o","Pandemia","Racismo"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33540"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33540\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33541"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}