{"id":33276,"date":"2020-05-20T17:45:23","date_gmt":"2020-05-20T19:45:23","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=33276"},"modified":"2020-05-20T17:45:23","modified_gmt":"2020-05-20T19:45:23","slug":"portugal-ha-850-milhoes-para-o-novo-banco-para-os-trabalhadores-lay-off-e-perda-de-rendimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/05\/20\/portugal-ha-850-milhoes-para-o-novo-banco-para-os-trabalhadores-lay-off-e-perda-de-rendimentos\/","title":{"rendered":"Portugal&#124; H\u00e1 850 milh\u00f5es para o Novo Banco, para os trabalhadores lay-off e perda de\u00a0rendimentos"},"content":{"rendered":"<p><em>Acompanhamos nos \u00faltimos dias os desdobramentos de uma pequena crise pol\u00edtica derivada do pagamento de Centeno no valor de 850 milh\u00f5es de euros para o Novo Banco. Em tempos normais, o desvio de dinheiro p\u00fablico para cobrir as perdas dos privados j\u00e1 \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o da disposi\u00e7\u00e3o dos governos a garantir o lucro das empresas. No entanto, estamos hoje em meio ao combate \u00e0 uma pandemia e \u00e0 beira de uma forte crise econ\u00f4mica, ent\u00e3o o pagamento ao Novo Banco deixa ainda mais n\u00edtida a subservi\u00eancia de Costa e Centeno aos bancos e grandes empresas, \u00e0 custas da mis\u00e9ria de quem trabalha.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Em Luta &#8211; Portugal<br \/>\n<strong>Novo Banco: A negociata troicana que a Geringon\u00e7a n\u00e3o desfez<\/strong><br \/>\nEm 2014 o BES foi \u201cresgatado\u201d, devido \u00e0 crise em que se encontrava, com uma inje\u00e7\u00e3o inicial de 4 mil milh\u00f5es de euros. Desde l\u00e1 at\u00e9 agora o Estado injetou atrav\u00e9s do fundo de resolu\u00e7\u00e3o cerca de 6 mil milh\u00f5es de euros neste banco. A negociata engendrada pelo governo de Pedro Passos Coelho compreendia a cria\u00e7\u00e3o de um banco bom para ser reprivatizado depois de reerguido por dinheiros p\u00fablicos e de um mau para ficar nas contas do Estado.<br \/>\nA Geringon\u00e7a chegou em 2015 para supostamente virar a p\u00e1gina da austeridade, mas tamb\u00e9m no Novo Banco tudo continuou igual. Em 2017 o Novo Banco foi reprivatizado sem qualquer ganho para o Estado. Com uma participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de 25% e com um acordo que garante \u00e0 Lone Star (que apenas injetou mil milh\u00f5es no banco) que o Estado assume as perdas deste banco at\u00e9 que este fique est\u00e1vel, mas n\u00e3o participa dos lucros. A esquerda parlamentar critica hoje o tema \u201cNovo Banco\u201d, mas apoiou sempre a Geringon\u00e7a apesar das sistem\u00e1ticas inje\u00e7\u00f5es neste banco e o que isso diz das prioridades do governo que apoiavam e continuam a defender.<br \/>\n<strong>As prioridades do governo Costa<\/strong><br \/>\nToda esta hist\u00f3ria ganha novos contornos no contexto que se vive atualmente. Os \u00faltimos dados do Eurostat indicam uma recess\u00e3o t\u00e9cnica nas tr\u00eas principais economias da zona euro, Alemanha, Fran\u00e7a e It\u00e1lia. Em Portugal tamb\u00e9m houve uma queda da economia no primeiro trimestre deste ano. Por baixo destes dados encontra-se uma subida muito significativa do desemprego e a redu\u00e7\u00e3o de rendimentos de grande parte da classe trabalhadora.<br \/>\nAtualmente estima-se que cerca de metade dos trabalhadores em Portugal, ou perdeu o emprego nos \u00faltimos meses ou est\u00e1 com redu\u00e7\u00e3o de rendimentos devido aos famigerados layoffs simplificados. Uma forma que o governo herdeiro da Geringon\u00e7a encontrou para entregar 500 milh\u00f5es de euros por m\u00eas para pagar sal\u00e1rios em empresas privadas, que se somam \u00e0s perdas em impostos e contribui\u00e7\u00f5es para a Seguran\u00e7a Scoail (Taxa Social \u00fanica) que estas deixam de pagar. Por outro lado, ao passo que as contas se aliviam para os patr\u00f5es, os trabalhadores t\u00eam uma redu\u00e7\u00e3o de um ter\u00e7o do seu rendimento e continuam a pagar impostos sobre essa redu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSignifica, portanto, que em meio a uma crise social na qual dezenas de milhares de pessoas recorrem todos os dias a apoio alimentar, o governo assume como prioridade a recupera\u00e7\u00e3o de um banco privado com um impacto que de momento se estima em cerca de 1% do PIB deste ano.<br \/>\n<strong>Autoeuropa e a farsa continua<\/strong><br \/>\nSe a crise social atual n\u00e3o fosse suficiente para demonstrar as prioridades erradas da inje\u00e7\u00e3o de capital, esta ter sido feita antes da auditoria em curso no Novo Banco agravou a situa\u00e7\u00e3o para o governo, que teve de recorrer ao teatro para justificar o injustific\u00e1vel.<br \/>\nO primeiro ato teve lugar no in\u00edcio desta semana em que Ant\u00f3nio Costa afirmou n\u00e3o saber dessa transfer\u00eancia para o Fundo de Resolu\u00e7\u00e3o. O segundo ato decorreu esta quarta-feira na Volkswagen Autoeuropa, onde o Presidente da Rep\u00fablica e o Primeiro-ministro Ant\u00f3nio Costa desfilaram por entre as linhas de montagem da f\u00e1brica de Palmela aplaudindo o exemplo de sucesso do reinicio de produ\u00e7\u00e3o que em apenas duas semanas j\u00e1 conta com pelo menos um caso de cont\u00e1gio. Distribu\u00edram sorrisos a trabalhadores atualmente sob regime de layoff, numa das mais lucrativas empresas do pa\u00eds que com este esquema est\u00e1 a absorver milh\u00f5es da Seguran\u00e7a Social.<br \/>\nNum parque industrial que apesar de bater recordes de produtividade no sector, tem diminu\u00eddo os postos de trabalho e colocado milhares de fam\u00edlias sob um futuro incerto. No fim, reafirmaram uma firme unidade no combate \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual que na pr\u00e1tica tem significado milh\u00f5es para os patr\u00f5es e crise para os trabalhadores.<br \/>\n<strong>Andr\u00e9 Ventura: ator secund\u00e1rio do teatro dos patr\u00f5es<\/strong><br \/>\nRemetido para um segundo plano por n\u00e3o ter programa pol\u00edtico para responder \u00e0 crise atual, Andr\u00e9 Ventura voltou ao conforto de apontar o dedo aos alvos f\u00e1ceis de uma sociedade opressora e ao aproveitamento da mis\u00e9ria alheia. Prop\u00f5e o absurdo confinamento espec\u00edfico para os ciganos, para tentar voltar \u00e0s not\u00edcias, mas continua a esconder os verdadeiros respons\u00e1veis da crise social que vivemos.<br \/>\nSobre o caso Novo Banco, Ventura diz que era preciso esperar a auditoria ao banco, n\u00e3o se opondo assim ao desvio do dinheiro do estado para o privado. Tamb\u00e9m neste caso, de conte\u00fado, est\u00e1 ao lado de Marcelo e at\u00e9 mesmo de Costa e Centeno.<br \/>\nPor outro lado, continuamos sem saber pela boca deste deputado qual a solu\u00e7\u00e3o para as demiss\u00f5es que alastram como praga; para o sector produtivo que demonstrou a sua incapacidade diante da crise; para a sa\u00fade que apesar de ter demonstrado a sua import\u00e2ncia na esfera p\u00fablica, deve continuar a ser alvo do investimento estatal em contradi\u00e7\u00e3o com um sector de sa\u00fade privado (defendido como estrat\u00e9gia no programa de Ventura) que provou n\u00e3o atender \u00e0s necessidades sociais ao mesmo tempo que \u00e9 um peso para as contas do Estado.<br \/>\nContudo, pelo programa que o Chega tenta esconder, sabemos que de conte\u00fado nada tem de diferente do sistema que afirma querer combater. Desde a privatiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da seguran\u00e7a social, \u00e0 total desprote\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, o Chega \u00e9 uma vers\u00e3o piorada de uma proposta que defende os interesses dos patr\u00f5es.<br \/>\n<strong>Chega de salvar os privados e dar mis\u00e9ria aos trabalhadores, \u00e9 preciso nacionalizar as empresas sem indemniza\u00e7\u00f5es e construir uma sa\u00edda dos trabalhadores para a crise social<\/strong><br \/>\nEm paralelo \u00e0 crise Novo Banco, reabriu-se a discuss\u00e3o sobre as nacionaliza\u00e7\u00f5es, concretizada no caso da TAP. A proposta do governo do PS ainda n\u00e3o \u00e9 clara, mas o ministro Centeno j\u00e1 anunciou que n\u00e3o haver\u00e1 nenhum plano de nacionaliza\u00e7\u00f5es. Pelo caso Novo Banco, sabemos que est\u00e3o dispostos sim em garantir os lucros dos privados (enquanto os preju\u00edzos s\u00e3o p\u00fablicos). Temos de ser n\u00f3s, os trabalhadores, a lutar pela nacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas estrat\u00e9gicas para o pa\u00eds. Recuperar o sector da energia, dos transportes, mas sem indemniza\u00e7\u00e3o e sob o controle democr\u00e1tico dos trabalhadores.<br \/>\nPerante a pol\u00edtica do governo \u00e9 necess\u00e1rio levantar um programa que responda \u00e0s necessidades dos trabalhadores. O sector produtivo nacional demonstrou n\u00e3o estar \u00e0 altura de uma crise sanit\u00e1ria como a que se vive. O pa\u00eds depende da importa\u00e7\u00e3o de bens essenciais, n\u00e3o \u00e9 autossuficiente. Os trabalhadores devem, portanto, debater que pa\u00eds querem construir, o que devemos produzir e para atender a que necessidades. \u00c9 necess\u00e1rio um plano de reconvers\u00e3o produtiva que atenda \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o desde a sa\u00fade, aos transportes p\u00fablicos.<br \/>\nEstes objetivos n\u00e3o se conquistam sem um processo social que derrube os \u201cdonos disto tudo\u201d. \u00c0s portas de uma nova crise em que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o do capitalismo para os trabalhadores ser\u00e1 mais mis\u00e9ria, \u00e9 necess\u00e1rio discutir a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o que rompa com o sistema atual e erga um outro que atenda \u00e0s necessidades da maioria da popula\u00e7\u00e3o, o socialismo.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acompanhamos nos \u00faltimos dias os desdobramentos de uma pequena crise pol\u00edtica derivada do pagamento de Centeno no valor de 850 milh\u00f5es de euros para o Novo Banco. 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