{"id":33221,"date":"2020-05-15T15:09:58","date_gmt":"2020-05-15T17:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=33221"},"modified":"2020-05-15T15:09:58","modified_gmt":"2020-05-15T17:09:58","slug":"contra-a-nakba-continua-resistencia-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/05\/15\/contra-a-nakba-continua-resistencia-permanente\/","title":{"rendered":"Contra a Nakba cont\u00ednua, resist\u00eancia permanente"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cOs que lavam as m\u00e3os o fazem numa bacia de sangue.\u201d A frase de Bertold Brecht, um dos grandes artistas revolucion\u00e1rios do s\u00e9culo XX &#8211; que tem sido utilizada em manifesta\u00e7\u00f5es no Brasil contra a a\u00e7\u00e3o genocida do sionista Bolsonaro ante a pandemia de Covid-19 \u2013, n\u00e3o poderia representar melhor a cont\u00ednua Nakba (cat\u00e1strofe) a que est\u00e3o submetidos os palestinos h\u00e1 72 anos. Ou seja, desde a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel mediante limpeza \u00e9tnica planejada em 15 de maio de 1948, que culminou na expuls\u00e3o violenta de 800 mil palestinos de suas terras e destrui\u00e7\u00e3o de cerca de 500 aldeias.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Soraya Misleh<br \/>\nForam ainda cometidos genoc\u00eddios em dezenas de aldeias nesse processo que foi a pedra fundamental do projeto pol\u00edtico colonial sionista, inaugurado em fins do s\u00e9culo XIX \u2013 e que, em 2 de novembro de 1917, recebeu as b\u00ean\u00e7\u00e3os da Gr\u00e3-Bretanha, com a emiss\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o Balfour.<br \/>\nNesta, a Inglaterra declarava-se favor\u00e1vel \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de um lar nacional judeu na Palestina, sobre a qual recebeu o mandato como esp\u00f3lio de guerra ao fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a derrota do Imp\u00e9rio Otomano, que colonizava a regi\u00e3o. Inaugurava-se ali a alian\u00e7a sionismo-imperialismo e uma longa hist\u00f3ria de cumplicidade internacional com os crimes contra a humanidade que s\u00e3o basilares ao Estado de Israel. A Declara\u00e7\u00e3o Balfour foi determinante para a execu\u00e7\u00e3o do projeto colonial que tentaria \u2013 e segue a tentar \u2013 apagar do mapa os palestinos. E \u00e0 \u00e9poca havia n\u00e3o mais do que 6% de judeus na Palestina.<br \/>\nEste primeiro crime revela dois inimigos poderosos da causa palestina, que seguem atuais: o imperialismo e o sionismo. Duas d\u00e9cadas depois, um terceiro inimigo era evidenciado: os regimes \u00e1rabes. A derrota da revolu\u00e7\u00e3o de 1936-1939 na Palestina contra o mandato brit\u00e2nico e a coloniza\u00e7\u00e3o sionista, o momento mais pr\u00f3ximo em que se chegou da liberta\u00e7\u00e3o, desnudou esse trio perverso. A a\u00e7\u00e3o de regimes \u00e1rabes, assim como da burguesia palestina, foi decisiva para sepultar esse processo. Estava armado o cen\u00e1rio ideal para a execu\u00e7\u00e3o da limpeza \u00e9tnica. Os palestinos, absolutamente vulner\u00e1veis ap\u00f3s a derrota, com as lideran\u00e7as da revolu\u00e7\u00e3o assassinadas ou presas, foram desarmados; n\u00e3o podiam sequer portar uma faca de cozinha. Enquanto isso, os anos subsequentes marcam o envio de armas por Stalin, via Thecoslov\u00e1quia, para as gangues sionistas.<br \/>\nAo final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o cen\u00e1rio mundial favorecia os intentos sionistas. Embora tenha havido comprovadamente acordos com Hitler, como o de Haavara, os horrores nazistas foram bem utilizados como propaganda ao projeto colonial sionista. Slogans como \u201cuma terra sem povo para um povo sem terra\u201d e \u201cfaremos florescer o deserto\u201d completavam o quadro. Detalhe: os sionistas sempre souberam que havia uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente \u00e1rabe na Palestina, que n\u00e3o era um vazio demogr\u00e1fico. Mas os consideravam um n\u00e3o povo, que deveria ser eliminado, portanto. Transfer\u00eancia populacional est\u00e1 amplamente registrada nos di\u00e1rios de lideran\u00e7as sionistas \u2013 e, posteriormente, sem meias palavras, compuls\u00f3ria. Um eufemismo para limpeza \u00e9tnica planejada.<br \/>\nO destino da Palestina era selado na promessa ao imperialismo de o sionismo ser o que chamava de o posto avan\u00e7ado da civiliza\u00e7\u00e3o contra a barb\u00e1rie. Ou seja, seu enclave militar na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, para seguir usurpando suas riquezas, numa regi\u00e3o rica em petr\u00f3leo e \u00e1gua subterr\u00e2nea.<br \/>\nA hist\u00f3ria da Palestina \u00e9 repleta dessas negociatas, \u00e0 margem de uma vida palestina que seguia e se dava sobretudo nas \u00e1reas rurais, onde habitava a maioria de seus habitantes. E \u00e9 sobre esta realidade que se imp\u00f5e o terceiro crime determinante: a recomenda\u00e7\u00e3o de partilha da Palestina em um Estado judeu e um \u00e1rabe, praticamente meio a meio, com Jerusal\u00e9m sob administra\u00e7\u00e3o internacional, pela Assembleia Geral da rec\u00e9m-criada Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 29 de novembro de 1947, presidida pelo diplomata brasileiro Osvaldo Aranha. O sinal verde para a limpeza \u00e9tnica planejada, que se iniciaria 12 dias depois e culminaria na cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 78% do territ\u00f3rio hist\u00f3rico da Palestina. De l\u00e1 para c\u00e1, a expans\u00e3o colonial segue impunemente, sob a cumplicidade criminosa da mesma \u201ccomunidade internacional\u201d que a ratificou. Em 1967, Israel ocupou o restante da Palestina (Cisjord\u00e2nia, Gaza e Jerusal\u00e9m Oriental). Mais 350 mil novos refugiados.<br \/>\nO ano de 1993 marca um tr\u00e1gico e definitivo ponto de inflex\u00e3o na hist\u00f3ria de luta da Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP), quando esta assina com Israel, sob media\u00e7\u00e3o do imperialismo estadunidense, os desastrosos acordos de Oslo \u2013 na esteira de poderosa Intifada (levante popular). O resultado \u00e9 a cont\u00ednua expans\u00e3o colonial, facilitada pela cria\u00e7\u00e3o de uma gerente da ocupa\u00e7\u00e3o, a Autoridade Palestina (AP), cuja subservi\u00eancia \u00e9 explicitada com a coopera\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a com Israel para reprimir a resist\u00eancia.<br \/>\nAp\u00f3s v\u00e1rias negocia\u00e7\u00f5es que jamais poderiam garantir justi\u00e7a, pois sempre se deram normalizando a <em>Nakba<\/em> de 1948 e insistindo na fal\u00e1cia da \u201csolu\u00e7\u00e3o de dois estados\u201d, em janeiro deste ano Trump anunciou unilateralmente o chamado \u201cAcordo do S\u00e9culo\u201d diante de um sorridente Netanyahu \u2013 legitimando a anexa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia pelo sionismo e a expans\u00e3o colonial em curso, que j\u00e1 alcan\u00e7a 85% da Palestina hist\u00f3rica e segue a todo vapor, mascarada por um mundo assombrado pela pandemia.<br \/>\nO secret\u00e1rio de Estado americano, Mike Pompeo, em meio \u00e0 trag\u00e9dia que assola os Estados Unidos, com mais de um milh\u00e3o de casos confirmados de Covid-19 e 80 mil mortes, foi para Jerusal\u00e9m nesta semana levar a cabo sua agenda. Um dia antes da posse do governo sionista de coaliz\u00e3o Gantz-Netanyahu, reiterou o plano imperialista-sionista de anexa\u00e7\u00e3o previsto no dito \u201cAcordo do S\u00e9culo\u201d a partir de julho pr\u00f3ximo. Disse ser uma decis\u00e3o que as lideran\u00e7as israelenses t\u00eam o direito de tomar, mas em coordena\u00e7\u00e3o com Washington.<br \/>\n<strong>\u201cAcordo do S\u00e9culo\u201d<\/strong><br \/>\nPor ser demasiado descarado em seus prop\u00f3sitos coloniais, o \u201cAcordo do S\u00e9culo\u201d tem recebido condena\u00e7\u00e3o internacional. N\u00e3o obstante, os mesmos que o condenam s\u00e3o c\u00famplices. N\u00e3o tivessem historicamente normalizado as viola\u00e7\u00f5es cometidas pelo sionismo \u2013 o que continuam a fazer \u2013, n\u00e3o haveria tal plano.<br \/>\nA <em>Nakba <\/em>de 1948, que saudaram ao reconhecer o Estado de Israel, n\u00e3o pode ser descolada desse processo. Como destaca a jornalista Ramona Wadi em artigo de sua autoria no portal <em>Alaraby<\/em>, \u201cTrump e Netanyahu est\u00e3o agindo sobre um legado de impunidade pela viol\u00eancia colonial que foi tacitamente aprovado (&#8230;).\u201d Ela continua: \u201cSem nenhuma censura pol\u00edtica, os invasores coloniais conquistaram o status de vizinhos. Essa foi a afirma\u00e7\u00e3o clara da comunidade internacional de que o povo palestino era agora um ap\u00eandice \u00e0 sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, em vez de ser protagonista.\u201d<br \/>\nAinda conforme a autora, \u201ca expans\u00e3o dos assentamentos coloniais de Israel forneceu uma agenda perp\u00e9tua para a ONU. A viola\u00e7\u00e3o em andamento &#8211; classificada como crime de guerra pelo Tribunal Penal Internacional em suas investiga\u00e7\u00f5es preliminares de den\u00fancias apresentadas pela Autoridade Palestina \u2013 tem sido rotineiramente deplorada pela comunidade internacional, mas nunca como parte da Nakba do povo palestino em curso\u201d.<br \/>\nComo corretamente identifica Wadi, ao condenar apenas a anexa\u00e7\u00e3o e suas consequ\u00eancias, ignorando que \u00e9 continuidade da cat\u00e1strofe de 1948, a comunidade internacional segue nessa \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d. O que \u00e9 ainda corroborado pela Autoridade Palestina, observa Wadi: \u201cSua depend\u00eancia da ajuda internacional para sustentar sua hierarquia garante que cada abertura \u00e0 ONU se baseie em ajudar esta a salvar a diplomacia de dois estados. Assim, a anexa\u00e7\u00e3o israelense tamb\u00e9m \u00e9 normalizada pela lideran\u00e7a palestina, apesar de o l\u00edder da AP, Mahmoud Abbas, amea\u00e7ar interromper todos os acordos com Israel.\u201d<br \/>\nWadi \u00e9 categ\u00f3rica: \u201cSe a comunidade internacional se opusesse \u00e0 Nakba de 1948 ou tentasse responsabilizar Israel, a desconex\u00e3o entre as viola\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e as atuais n\u00e3o teria ocorrido. Em vez disso, a ONU implementou uma narrativa falsa que dissocia a hist\u00f3ria da atual viol\u00eancia pol\u00edtica, como se a primeira n\u00e3o fosse um produto da tomada de decis\u00f5es colonial e, portanto, pol\u00edtica.\u201d<br \/>\n<strong>A situa\u00e7\u00e3o em tempos de pandemia<\/strong><br \/>\nDesde a Nakba, a sociedade palestina segue fragmentada. Estima-se que seja formada por aproximadamente 13 milh\u00f5es de pessoas, segundo o Centro de Estudos Badil, 66,7% na di\u00e1spora ou em campos de refugiados nos pa\u00edses \u00e1rabes \u2013 nos quais as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o prec\u00e1rias e j\u00e1 h\u00e1, em alguns, casos confirmados de Covid-19 (e os Estados Unidos cortaram verbas para a UNRWA \u2013 a Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Assist\u00eancia aos Refugiados Palestinos, o que torna ainda mais preocupante essa situa\u00e7\u00e3o).<br \/>\nDois milh\u00f5es vivem em Gaza sob cerco desumano h\u00e1 13 anos e bombardeios israelenses frequentes que destru\u00edram a infraestrutura \u2013 inclusive hospitais. Mesmo assim, o resultado no enfrentamento \u00e0 pandemia \u00e9 surpreendente. Na segunda quinzena de mar\u00e7o foram registrados os primeiros casos confirmados de Covid-19 e hoje h\u00e1 apenas 20.<br \/>\nCerca de 3 milh\u00f5es de palestinos vivem na Cisjord\u00e2nia e em Jerusal\u00e9m Oriental, sob ocupa\u00e7\u00e3o criminosa e regime institucionalizado de apartheid. Somando-se aos de Gaza, nesses territ\u00f3rios palestinos ocupados em 1967, j\u00e1 s\u00e3o mais de 14 mil casos suspeitos de Covid-19, 548 confirmados e quatro mortes. Uma das maiores amea\u00e7as \u2013 que vem sendo enfrentada exclusivamente gra\u00e7as \u00e0 auto-organiza\u00e7\u00e3o palestina \u2013 segue sendo Israel, que propagandeia ao mundo sua falsa imagem de salvador de vidas, ao informar o desenvolvimento em curso de medicamentos e vacinas.<br \/>\nAl\u00e9m desses, h\u00e1 cerca de 1,8 milh\u00e3o de palestinos nos territ\u00f3rios ocupados em 1948 (\u201cIsrael\u201d), submetidos a 60 leis racistas, entre os quais residentes de dezenas de aldeias n\u00e3o reconhecidas pelo Estado sionista, em que n\u00e3o chegam sequer servi\u00e7os b\u00e1sicos (ao in\u00edcio da pandemia, at\u00e9 ambul\u00e2ncias estavam vedadas aos palestinos de tais vilarejos &#8211; e aos demais n\u00e3o estavam sendo destinados testes e havia discrimina\u00e7\u00e3o no acesso a tratamento). Sessenta mil trabalhadores palestinos que vivem na Cisjord\u00e2nia, mas s\u00e3o obrigados a passar por um <em>checkpoint<\/em> como gado para servir de m\u00e3o de obra barata a seus patr\u00f5es sionistas, receberam \u201cpermiss\u00e3o\u201d para ficar em Israel por dois meses, durante a pandemia \u2013 enquanto israelenses eram colocados em quarentena.<br \/>\nApesar da tr\u00e1gica situa\u00e7\u00e3o imposta pela coloniza\u00e7\u00e3o e racismo, os palestinos seguem dando exemplo ao mundo. Enfrentam a pandemia mesmo com todas as restri\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos, ao mesmo tempo em que fortalecem a resist\u00eancia \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o de mais terras, \u00e0 Nakba cont\u00ednua. Israel intensifica a repress\u00e3o e viol\u00eancia: as pris\u00f5es pol\u00edticas, sobretudo de crian\u00e7as, j\u00e1 se expandiram em 6% no \u00faltimo per\u00edodo, totalizando 194 menores, submetidos a tortura institucionalizada e maus tratos. Isso ocorre enquanto Israel liberta 500 de seus presos comuns em fun\u00e7\u00e3o da pandemia. Mant\u00e9m, por outro lado, encarcerados 5 mil palestinos, em situa\u00e7\u00e3o de ampliada neglig\u00eancia, vulnerabilidade, em celas mal ventiladas e superlotadas. J\u00e1 h\u00e1 casos confirmados de Covid-19 entre os presos pol\u00edticos, cujo \u00fanico crime \u00e9 resistir heroicamente.<br \/>\nOs palestinos se negam a desaparecer do mapa, h\u00e1 72 anos. Nas mem\u00f3rias da Nakba, que mant\u00eam viva, na sua poesia e literatura, nas pedras contra tanques e nos chamados a campanhas de solidariedade internacional \u2013 como a de BDS (boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es) a Israel \u2013, a resist\u00eancia \u00e9 permanente. Segue a inspirar oprimidos e explorados em todo o mundo. Que neste 15 de maio eleve-se a solidariedade internacional. Tremulem em todo o mundo bandeiras palestinas, s\u00edmbolos da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da humanidade do jugo do capital. At\u00e9 a Palestina livre, do rio ao mar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs que lavam as m\u00e3os o fazem numa bacia de sangue.\u201d A frase de Bertold Brecht, um dos grandes artistas revolucion\u00e1rios do s\u00e9culo XX &#8211; que tem sido utilizada em manifesta\u00e7\u00f5es no Brasil contra a a\u00e7\u00e3o genocida do sionista Bolsonaro ante a pandemia de Covid-19 \u2013, n\u00e3o poderia representar melhor a cont\u00ednua Nakba (cat\u00e1strofe) a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":33225,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[203,228,30],"tags":[4904,3727,929,260],"class_list":["post-33221","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-israel","category-palestina","category-coronavirus","tag-acordo-do-seculo","tag-coronavirus-palestina","tag-nakba","tag-soraya-misleh"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/palestina_libre__reuters-1.jpg","categories_names":["Israel","Palestina","Pandemia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33221"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33221\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}