{"id":33213,"date":"2020-05-15T08:52:05","date_gmt":"2020-05-15T10:52:05","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=33213"},"modified":"2020-05-15T08:52:05","modified_gmt":"2020-05-15T10:52:05","slug":"portugal-covid-19-uma-pandemia-que-acelera-a-exclusao-social-de-negros-imigrantes-e-ciganos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/05\/15\/portugal-covid-19-uma-pandemia-que-acelera-a-exclusao-social-de-negros-imigrantes-e-ciganos\/","title":{"rendered":"Portugal&#124; COVID-19: Uma pandemia que acelera a exclus\u00e3o social de negros, imigrantes e\u00a0ciganos"},"content":{"rendered":"<p><em>Est\u00e3o \u00e0 vista de todos alguns dos impactos e consequ\u00eancias da COVID-19 e das respostas esbo\u00e7adas pelos poderes pol\u00edticos e econ\u00f4micos. Se a pandemia se tem espalhado um pouco por todo o mundo semeando v\u00edtimas mortais, a resposta das grandes empresas e as medidas tomadas pelos poderes p\u00fablicos aumentam desigualdades sociais e acentuam os efeitos da discrimina\u00e7\u00e3o racial.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Em Luta &#8211; Portugal<br \/>\nDe resto, essas desigualdades sociais fustigam, de forma mais acentuada, negros e negras, migrantes e comunidade cigana, sendo que as situa\u00e7\u00f5es que daqui decorrem n\u00e3o t\u00eam estado t\u00e3o vis\u00edveis aos olhos da sociedade.<br \/>\nMuitos governos t\u00eam aconselhado, ou mesmo imposto, o confinamento de vastos setores da sociedade em casa. Esta norma tem sido difundida como sendo de aplica\u00e7\u00e3o geral a toda a sociedade. Por\u00e9m, ao mesmo tempo, \u00e9-nos dito que muitos homens e mulheres trabalhadoras t\u00eam que continuar a trabalhar para que setores da economia, entendidos como vitais para a satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades b\u00e1sicas da sociedade, n\u00e3o fiquem paralisados. Fazem-no, muitas vezes, sem condi\u00e7\u00f5es de higiene e prote\u00e7\u00e3o que as salvaguardem da propaga\u00e7\u00e3o da pandemia e sob a amea\u00e7a velada ou expl\u00edcita do demiss\u00e3o. Muitos trabalhadores negros, negras e imigrantes est\u00e3o particularmente presentes nesses setores laborais.<br \/>\n<strong>Entre o risco de cont\u00e1gio e o desemprego<\/strong><br \/>\nTomemos como exemplo o setor das limpezas, onde 90% dos trabalhadores s\u00e3o mulheres e muitas delas (\u00e9 not\u00f3rio, apesar da aus\u00eancia de dados estat\u00edsticos), s\u00e3o mulheres negras. Sublinhe-se que se trata de um setor que presta servi\u00e7os em reparti\u00e7\u00f5es do Estado, hospitais, transportes, empresas e resid\u00eancias. Desempenham uma fun\u00e7\u00e3o primordial, ainda mais nos tempos que correm, onde todos n\u00f3s somos convocados a redobrar o cuidado com a nossa\u00a0higiene. Apesar disso, recebem sal\u00e1rios de mis\u00e9ria e est\u00e3o sujeitas a uma enorme precariedade quando se fala em contratos.<br \/>\nEm declara\u00e7\u00f5es prestadas ao\u00a0P\u00fablico\u00a0de 16 de mar\u00e7o, uma dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Servi\u00e7os de Portaria, Vigil\u00e2ncia, Limpeza, Dom\u00e9sticas e Atividades Diversas chamava a aten\u00e7\u00e3o para a aus\u00eancia de m\u00e1scaras e de l\u00edquido desinfetante nos v\u00e1rios locais onde as trabalhadoras da limpeza s\u00e3o obrigadas a prestar servi\u00e7o.<br \/>\nJ\u00e1 as empregadas dom\u00e9sticas, relativamente a quem, por vezes, n\u00e3o s\u00e3o feitos os descontos devidos \u00e0 Seguran\u00e7a Social, enfrentam agora a amea\u00e7a do n\u00e3o pagamento de sal\u00e1rios perante \u00e0 obrigatoriedade de permanecerem em suas casas.<br \/>\nUm dos setores econ\u00f4micos mais fustigados pela crise recente \u00e9 o da restaura\u00e7\u00e3o. O\u00a0P\u00fablico\u00a0de 3 de abril, socorrendo-se de um inqu\u00e9rito realizado pela Associa\u00e7\u00e3o da Hotelaria, Restaura\u00e7\u00e3o e Similares de Portugal, informa-nos que cerca de metade das empresas do setor da hotelaria e restaura\u00e7\u00e3o ter\u00e1 feito\u00a0layoff, um ter\u00e7o admite n\u00e3o ter pagado sal\u00e1rios referentes ao m\u00eas de mar\u00e7o e cerca de 80% assume que n\u00e3o gerar\u00e1 receitas nos meses de abril e maio.<br \/>\nEsta \u00e1rea de atividade \u00e9 muito diversa, por exemplo, quanto \u00e0 dimens\u00e3o das empresas, que vai desde o pequeno restaurante at\u00e9 \u00e0s cadeias de\u00a0fast food, do apartamento de alojamento local aos grandes hot\u00e9is. Mais uma vez lembramos que n\u00e3o existem dados oficiais estat\u00edsticos de natureza \u00e9tnico-racial, mas sabemos que homens e mulheres negras, bem como imigrantes de diversas nacionalidades, ocupam as pequenas e grandes cozinhas e os corredores dos hot\u00e9is. S\u00e3o, mais uma vez, assolados pelos baixos sal\u00e1rios e pela precariedade, e agora tamb\u00e9m pelo desemprego.<br \/>\n<strong>Aumentam as desigualdades na educa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nMas as dificuldades por que passam as pessoas racializadas em Portugal, agravadas por esta crise, n\u00e3o se restringem ao mundo do trabalho. Elas estendem-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o com o encerramento das escolas, territ\u00f3rios onde o racismo de Estado dita a sua lei e acentua as barreiras sociais no acesso ao ensino. Muitas crian\u00e7as negras, filhas de imigrantes e ciganas ficam confinadas em casa e s\u00e3o for\u00e7adas a seguirem os estudos sem computadores, com internet fraca ou inexistente e, para al\u00e9m disso, em casas com escassas ou inexistentes condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade.<br \/>\nA propaga\u00e7\u00e3o da COVID-19 n\u00e3o distingue a cor da pele, mas a atua\u00e7\u00e3o dos grandes poderes econ\u00f4micos e pol\u00edticos v\u00eam acentuando as desigualdades econ\u00f4micas e sociais sublinhadas pela ideologia e atitudes racistas. O Governo PS e o presidente da Rep\u00fablica \u2013 com a cumplicidade de BE e PC \u2013 v\u00e3o cantando vit\u00f3ria contra a pandemia, mas as medidas que t\u00eam promovido estimulam, ainda mais, a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora precarizada e, atrav\u00e9s do Estado de Emerg\u00eancia, obrigam alguns a trabalhar abdicando da prote\u00e7\u00e3o da sua sa\u00fade e vendo limitado o seu direito ao protesto.<br \/>\n<strong>O capitalismo em quest\u00e3o, 46 anos depois de abril<\/strong><br \/>\nEsta crise ocorre quando se assinala mais um anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, desta vez sem festejos e comemora\u00e7\u00f5es nas ruas. O levante que trouxe o derrube do Estado Novo come\u00e7ou na \u00c1frica no in\u00edcio dos anos 60, quando as popula\u00e7\u00f5es africanas se revoltaram contra o poder colonial portugu\u00eas, lideradas por movimentos de liberta\u00e7\u00e3o que prometeram a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade nova sem exploradores e explorados.<br \/>\nEm Portugal, a classe trabalhadoras organizava-se e tomava conta de f\u00e1bricas e bairros, criava creches, cuidavam da sua sa\u00fade. Ousaram esbo\u00e7ar um caminho rumo ao socialismo, que foi interrompido a 25 de novembro de 1975.<br \/>\nNos novos pa\u00edses africanos, as promessas de uma sociedade nova foram tra\u00eddas pelos regimes sa\u00eddos das independ\u00eancias. Africanos e africanas foram abandonados \u00e0 fome, \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 guerra ou procuraram fugir da pobreza migando para a Europa, onde, quase sempre, se submeteram ao racismo e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm Portugal, a luta popular arrancou uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, uma Seguran\u00e7a Social e um Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade suportados pelo Estado, isto \u00e9, pelos impostos pagos pelos trabalhadores e que t\u00eam sido alvo de ataques constantes ao longo de 46 anos de democracia.<br \/>\nA crise por que passamos revela-nos que a defesa da sa\u00fade e da vida das pessoas, da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e o bem-estar da Humanidade n\u00e3o s\u00e3o incompat\u00edveis com a l\u00f3gica do lucro. A sa\u00edda s\u00f3 poder\u00e1 estar na derrota do capitalismo e na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista, sem explora\u00e7\u00e3o nem opress\u00e3o, que d\u00ea prioridade absoluta \u00e0 defesa da nossa sa\u00fade e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade de bem-estar em harmonia com a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais do Planeta.<br \/>\nJos\u00e9 Pereira<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e3o \u00e0 vista de todos alguns dos impactos e consequ\u00eancias da COVID-19 e das respostas esbo\u00e7adas pelos poderes pol\u00edticos e econ\u00f4micos. Se a pandemia se tem espalhado um pouco por todo o mundo semeando v\u00edtimas mortais, a resposta das grandes empresas e as medidas tomadas pelos poderes p\u00fablicos aumentam desigualdades sociais e acentuam os efeitos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":33214,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3970,3493,3501,30,140],"tags":[3531,1949],"class_list":["post-33213","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-imigrantes","category-mulheres","category-negras-os","category-coronavirus","category-portugal","tag-coronavirus-portugal","tag-em-luta-portugal"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/quinta-do-mocho-o-bairro-i-o-mundo-11-e1456627611685.jpg","categories_names":["Imigrantes","Mulheres","Negras\/os","Pandemia","Portugal"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33213\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33214"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}