{"id":33059,"date":"2020-05-05T12:16:56","date_gmt":"2020-05-05T14:16:56","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=33059"},"modified":"2020-05-05T12:16:56","modified_gmt":"2020-05-05T14:16:56","slug":"portugal-retomar-as-reivindicacoes-da-classe-trabalhadora-os-trabalhadores-nao-devem-pagar-por-esta-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/05\/05\/portugal-retomar-as-reivindicacoes-da-classe-trabalhadora-os-trabalhadores-nao-devem-pagar-por-esta-crise\/","title":{"rendered":"Portugal&#124; Retomar as reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora! Os trabalhadores n\u00e3o devem pagar por esta\u00a0crise!"},"content":{"rendered":"<p><em>Este ano, encaramos o 1\u00ba de Maio, data hist\u00f3rica de luta dos trabalhadores, numa situa\u00e7\u00e3o excepcional. Excepcional, pela crise na sa\u00fade p\u00fablica que significa a situa\u00e7\u00e3o de pandemia que atualmente vivemos. Excepcional, porque os patr\u00f5es transformaram a pandemia numa crise social: s\u00e3o milhares em\u00a0layoff\u00a0com rendimentos que n\u00e3o d\u00e3o para sobreviver, s\u00e3o milhares despedidos, s\u00e3o perdas de rendimentos brutais, com impacto na vida quotidiana de quem trabalha.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Em Luta &#8211; Portugal<br \/>\nExcepcional, porque neste 1\u00ba Maio o direito \u00e0 greve e \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e3o suspensos pelo Estado de Emerg\u00eancia (o primeiro ap\u00f3s o 25 de novembro de 1975), que lan\u00e7ou repress\u00e3o sobre quem trabalha, enquanto os patr\u00f5es tiveram m\u00e3o livre para colocarem a crise sobre os trabalhadores, apesar dos milh\u00f5es de lucros \u00e0s nossas custas nos \u00faltimos anos.<br \/>\nPor tudo isto, neste 1\u00ba Maio, os desafios que temos pela frente s\u00e3o enormes.<br \/>\nTerminou o Estado de Emerg\u00eancia, mas os estragos est\u00e3o feitos. A pandemia n\u00e3o escolhe classe, mas o Governo, sim: milh\u00f5es para salvar empresas e milhares de trabalhadores sem saberem como sobreviver.<br \/>\nAo mesmo tempo, fala-se de volta \u00e0 normalidade. Mas qual normalidade? A normalidade de voltar a trabalhar sem condi\u00e7\u00f5es e sem prote\u00e7\u00e3o, num contexto em que a pandemia n\u00e3o terminou e n\u00e3o temos cura nem vacina. O Governo diz que se deve usar m\u00e1scara, mas n\u00e3o garante m\u00e1scaras para todos. O Governo fala de garantir condi\u00e7\u00f5es nos locais de trabalho, mas a maior parte dos locais de trabalho n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es antes da pandemia, como ter\u00e1 agora? O Governo fala de manter o teletrabalho onde for poss\u00edvel, mas v\u00e1rias empresas, mesmo podendo, recusaram-se a aplic\u00e1-lo desde o in\u00edcio da pandemia! O Governo permitiu as demiss\u00f5es. Como vai agora controlar e fiscalizar se os locais de trabalho abrem com condi\u00e7\u00f5es? O que move o Governo \u00e9 a pressa dos patr\u00f5es em voltarem aos lucros, e n\u00e3o as necessidades da sa\u00fade p\u00fablica.<br \/>\nAl\u00e9m disso, o Governo \u2013 com o estado de calamidade \u2013 mant\u00e9m restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o para lazer ou visitar a fam\u00edlia, mas permite que milhares voltem ao trabalho, que \u00e9 o verdadeiro foco de contamina\u00e7\u00e3o. S\u00e3o, mais uma vez, dois pesos e duas medidas, onde a economia (dos capitalistas) est\u00e1 \u00e0 frente da sa\u00fade da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAo mesmo tempo, os milh\u00f5es de trabalhadores que perderam rendimentos ou o trabalho est\u00e3o ainda mais fragilizados para lutar e pressionados a trabalhar, tendo de arriscar a sua sa\u00fade para sobreviverem.<br \/>\nFinalmente, al\u00e9m dos problemas concretos de hoje, as perspectivas que temos pela frente s\u00e3o de uma crise econ\u00f4mica profunda. Fala-se de uma crise igual ou superior \u00e0 de 2008\/2009, em que sabemos que a consequ\u00eancia para o nosso pa\u00eds foi a interven\u00e7\u00e3o da\u00a0troika\u00a0e o crescimento brutal da pobreza e do desemprego, a perda sem precedentes nos rendimentos de quem trabalha, com a imposi\u00e7\u00e3o de um novo n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTamb\u00e9m agora o que se preparam s\u00e3o novas medidas de austeridade. O Governo salvou as empresas com o dinheiro da Seguran\u00e7a Social. Teve de investir de urg\u00eancia na sa\u00fade, porque passou anos a pagar a d\u00edvida e a diminuir o d\u00e9ficit, enquanto reduzia o or\u00e7amento do Sistema Nacional de Sa\u00fade (SNS). A Uni\u00e3o Europeia permite hoje a flexibiliza\u00e7\u00e3o das regras do d\u00e9ficit, mas como na crise de 2008, vai cobrar os atuais empr\u00e9stimos em novas medidas de austeridade.<br \/>\nA unidade nacional de que tanto se fala quer esconder a realidade: a pandemia acirra ainda mais a luta de classes. E \u00e9 para esses ataques que os trabalhadores se devem preparar.<br \/>\nPor isso, mais do que comemora\u00e7\u00f5es neste 1\u00ba de Maio, \u00e9 preciso organizar a luta e retomar as reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora para que n\u00e3o sejamos n\u00f3s a pagar esta crise.<br \/>\nA esquerda foi c\u00famplice com o Estado de Emerg\u00eancia. Entrou no discurso do esfor\u00e7o patri\u00f3tico e coletivo, que s\u00f3 serve para salvar as empresas. N\u00e3o organizou os trabalhadores nos seus locais de trabalho para lutarem, nem pela quarentena para todos os servi\u00e7os n\u00e3o essenciais, nem por condi\u00e7\u00f5es dignas nos setores essenciais, nem por impedir os\u00a0layoffs\u00a0e as demiss\u00f5es. Desarmou os trabalhadores e n\u00e3o os prepara para os combates que teremos de fazer para n\u00e3o sermos n\u00f3s a pagar tamb\u00e9m esta crise.<br \/>\nPor isso, no 1\u00ba de Maio em que nos dizem que voltemos a uma \u201cnormalidade\u201d anormal, \u00e9 fundamental que os trabalhadores se organizem e se unam. Frente aos discursos \u201cpatri\u00f3ticos\u201d e de \u201cunidade nacional\u201d que s\u00f3 servem para salvar as empresas, \u00e9 preciso, pelo contr\u00e1rio, impor um plano de choque social e sair da crise com um plano de resgate dos trabalhadores e do povo:<br \/>\nProibir as demiss\u00f5es e a n\u00e3o renova\u00e7\u00e3o de contratos, com retroativos desde o in\u00edcio da pandemia e at\u00e9 que esta termine!<br \/>\nPagamento de todas as licen\u00e7as a 100%, seja para quem fique em casa com filhos, por doen\u00e7a ou por quarentena preventiva!<br \/>\nSuspens\u00e3o dos\u00a0layoffs\u00a0e do pagamento dos rendimentos dos trabalhadores a 100%!<br \/>\nManter o teletrabalho em todos os setores onde seja poss\u00edvel!<br \/>\nReduzir o hor\u00e1rio de trabalho, sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, para diminuir a concentra\u00e7\u00e3o de trabalhadores, e que sejam as empresas a garantirem o material de prote\u00e7\u00e3o individual nos locais de trabalho!\u00a0Que os trabalhadores de grupos de risco n\u00e3o sejam obrigados a voltarem ao trabalho e tenham os seus sal\u00e1rios garantidos a 100%.<br \/>\nRefor\u00e7ar o SNS e dar condi\u00e7\u00f5es salariais e de trabalho aos seus funcion\u00e1rios!<br \/>\nGeneralizar os testes, em particular nos locais de trabalho, para impedir cont\u00e1gio!<br \/>\nCongelar os pre\u00e7os dos bens essenciais! Suspender os cr\u00e9ditos, congelar as rendas e os pre\u00e7os da luz, do g\u00e1s, da \u00e1gua e dos servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es!<br \/>\nContra a injusti\u00e7a e as desigualdades no acesso ao ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, \u00e9 preciso passar todos os alunos e permitir o acesso livre ao Ensino Superior, acabando, de uma vez por todas, com a injusti\u00e7a dos Exames Nacionais.<br \/>\nRefor\u00e7ar o apoio \u00e0s associa\u00e7\u00f5es de bairro e \u00e0s juntas de freguesia, sob controle das popula\u00e7\u00f5es, para ajudar a garantirem alimentos e sobreviv\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es mais pobres.<br \/>\nCobrar impostos sobre as grandes fortunas, suspender o pagamento da d\u00edvida e das Parcerias P\u00fablico Privadas e acabar com as subven\u00e7\u00f5es aos bancos privados para gerar dinheiro para o combate \u00e0 pandemia e \u00e0 crise social.<br \/>\nBasta de dinheiro para salvar as empresas privadas! Nacionalizar, sem indemniza\u00e7\u00e3o, os setores estrat\u00e9gicos da economia e fazer um plano de obras p\u00fablicas, sociais e ecologicamente sustent\u00e1veis, para criar emprego e alavancar a economia ao servi\u00e7o dos trabalhadores!<br \/>\nPor uma frente de luta dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o mais pobre que construa um plano de lutas e de reivindica\u00e7\u00f5es, para que n\u00e3o sejam os trabalhadores a pagar a crise. Que a CGTP e os sindicatos rompam a concilia\u00e7\u00e3o com o Governo e os patr\u00f5es e se posicionem, sem restri\u00e7\u00f5es, contra os\u00a0layoff, demiss\u00f5es e qualquer perda de rendimentos dos trabalhadores!<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ano, encaramos o 1\u00ba de Maio, data hist\u00f3rica de luta dos trabalhadores, numa situa\u00e7\u00e3o excepcional. Excepcional, pela crise na sa\u00fade p\u00fablica que significa a situa\u00e7\u00e3o de pandemia que atualmente vivemos. 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