{"id":32971,"date":"2020-04-27T17:34:46","date_gmt":"2020-04-27T19:34:46","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32971"},"modified":"2020-04-27T17:34:46","modified_gmt":"2020-04-27T19:34:46","slug":"o-capitalismo-nao-da-mais-socialismo-ou-barbarie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/04\/27\/o-capitalismo-nao-da-mais-socialismo-ou-barbarie\/","title":{"rendered":"O capitalismo n\u00e3o d\u00e1 mais: Socialismo ou barb\u00e1rie!"},"content":{"rendered":"<p><em>Nestes<\/em><em> momentos de <\/em><em>quarentena obrigat\u00f3ria e<\/em><em> de <\/em><em>contato<\/em><em> virtual, <\/em><em>muitas coisas circulam pelas<\/em><em> redes: <\/em><em>algumas interessantes, outras<\/em><em> mentiras flagrantes <\/em><em>e muita<\/em><em> cr\u00edtica aguda a<\/em><em>os governantes<\/em><em> por <\/em><em>sua inaptid\u00e3o<\/em><em>, demagogia <\/em><em>e corrup\u00e7\u00e3o<\/em><em> como <\/em><em>continuidade do processo<\/em><em> que <\/em><em>explodiu em 21 N<\/em><em>.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Rosa C.<br \/>\nAs cadeias de TV e r\u00e1dio por sua vez, entre uma ou outra cr\u00edtica e den\u00fancia, promovem verdadeiras campanhas para restabelecer a imagem de personagens, institui\u00e7\u00f5es e do sistema. Generalizou-se a ideia de que as coisas n\u00e3o ser\u00e3o iguais depois desta pandemia. Isso \u00e9 verdade. Mas as perspectivas evidentemente n\u00e3o s\u00e3o as mesmas para as diferentes classes sociais.<br \/>\nEste artigo tem por objetivo suscitar uma reflex\u00e3o sobre as mudan\u00e7as de fundo que a humanidade precisa, as disjuntivas que enfrentar\u00e1 e quem e de que maneira devem ser os protagonistas.<br \/>\n<strong>O<\/strong><strong> capitalismo <\/strong><strong>a nu<\/strong><br \/>\nQuando a pandemia iniciou, a grande preocupa\u00e7\u00e3o dos governantes e funcion\u00e1rios era impedir a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus para que os sistemas de sa\u00fade n\u00e3o entrassem em colapso. Passados alguns dias, o sistema entrou em colapso em muitos pa\u00edses e o resto do planeta vai pelo mesmo caminho. Nem sequer os pa\u00edses mais poderosos como o do imperialismo norte-americano puderam evit\u00e1-lo. Trump exibe seu poderio militar contra um pa\u00eds devastado, poderio inversamente proporcional \u00e0 sua mis\u00e9ria cient\u00edfica e moral.<br \/>\nFicou evidente que, apesar das medidas sanit\u00e1rias, um sistema baseado no direito privado e n\u00e3o na sa\u00fade p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 capaz de resistir a um resfriado massivo, muito menos a uma pandemia com as caracter\u00edsticas da atual. O sistema de sa\u00fade entrou em colapso n\u00e3o porque nenhum sistema seja capaz de suportar uma pandemia, e sim porque desde a d\u00e9cada de 90 privatizaram a sa\u00fade e os servi\u00e7os em todo o mundo. Ficou evidente que os mercadores da sa\u00fade n\u00e3o se preocupam nem com os insumos, nem com a constru\u00e7\u00e3o de hospitais, nem com a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, nem com as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e os riscos do pessoal da sa\u00fade, muito menos est\u00e3o preocupados com a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA \u00fanica coisa que preocupa todo empres\u00e1rio \u00e9 que seu investimento produza lucro e a sa\u00fade de qualidade para o povo n\u00e3o o produz. Acabaram com a rede p\u00fablica de hospitais, cortaram ao m\u00e1ximo os sal\u00e1rios e benef\u00edcios de m\u00e9dicos, enfermeiras e do pessoal da sa\u00fade em geral, como fizeram com o conjunto dos trabalhadores. Os receitu\u00e1rios m\u00e9dicos \u00a0foram transformadas em uma pequena lista de medicamentos baratos, os exames de diagn\u00f3stico foram entregues a empres\u00e1rios privados que contam com uma ou outra m\u00e1quina de \u00faltima tecnologia e cobram somas fabulosas pelos\u00a0 servi\u00e7os de sa\u00fade aos trabalhadores, as consultas com especialistas se converteram em um luxo. \u00c9 evidente que os donos do sistema n\u00e3o se preocupam em salvar pacientes, e sim em faturar por cliente.<br \/>\nApoiamos o pessoal da sa\u00fade que respondeu \u00e0 campanha demag\u00f3gica que os coloca como os her\u00f3is do momento, dizendo que n\u00e3o precisam de adjetivos grandiosos e sim de biosseguran\u00e7a, recursos, insumos, sal\u00e1rios dignos, jornadas humanas e mais pessoal.<br \/>\nMas tamb\u00e9m ficou evidente a vulnerabilidade do sistema carcer\u00e1rio. Frente \u00e0 rebeli\u00e3o dos presos pelas condi\u00e7\u00f5es sub humanas nas quais est\u00e3o, \u00e0s quais se soma o temor de que, por essa raz\u00e3o, um cont\u00e1gio produzir\u00e1 uma cadeia infernal na qual milhares morrer\u00e3o, o governo respondeu com uma dura repress\u00e3o na qual 23 deles foram assassinados. O argumento para justificar este massacre foi de que se tratava de frustrar um plano de fuga. Solu\u00e7\u00f5es at\u00e9 o momento, nenhuma, discursos e debates, muitos.<br \/>\nNo Equador o \u201csistema funer\u00e1rio\u201d entrou em colapso. Os empres\u00e1rios do ramo n\u00e3o estavam preparados para tantos mortos e diante do risco de cont\u00e1gio se negaram a responder ao chamado das pessoas para retirarem seus familiares, que o colapso do sistema de sa\u00fade deixou para morrerem em suas casas. Hoje caixas de papel\u00e3o s\u00e3o usadas para enterrar os mortos.<br \/>\nA viol\u00eancia de todo tipo contra as mulheres e as crian\u00e7as tamb\u00e9m disparou no mundo. Na Col\u00f4mbia chegou a um ponto em que os feminic\u00eddios se igualaram ao n\u00famero de mortos pelo coronav\u00edrus. As chamadas de socorro triplicaram enquanto as casas de abrigo foram fechadas devido \u00e0 quarentena.<br \/>\n<strong>A verdadeira preocupa\u00e7\u00e3o dos<\/strong><strong> empres\u00e1rios: que <\/strong><strong>sua economia n\u00e3o entre em colapso<\/strong><br \/>\nMuitos presidentes come\u00e7ando por Trump, Bolsonaro e L\u00f3pez Obrador disseram abertamente: a economia n\u00e3o pode parar. Realmente o que os preocupa \u00e9 que os lucros caiam e a cadeia de explora\u00e7\u00e3o seja detida. Agora reconhecem a din\u00e2mica recessiva da economia mundial, mas n\u00e3o como um componente org\u00e2nico do sistema capitalista, atribuem \u00e0 contingencia da pandemia, A solu\u00e7\u00e3o? Demitir trabalhadores, suspender contratos de trabalho, baixar sal\u00e1rios e distribuir esmolas miser\u00e1veis aos mais pobres. \u00a0S\u00e3o t\u00e3o c\u00ednicos que os meios de difus\u00e3o apresentaram como exemplo a seguir os 5.000 trabalhadores da Avianca que \u201caceitaram\u201d suspender seus contratos para evitar a quebra de seus \u201cpobres\u201d donos. Evidentemente muitos trabalhadores acreditam que se os ricos n\u00e3o lhes derem trabalho, n\u00e3o poder\u00e3o sobreviver. Mais adiante explicaremos a verdade que se esconde detr\u00e1s desta ilus\u00e3o.<br \/>\nArturo Calle, foi apresentado pela TV como exemplo de caridade crist\u00e3 porque ofereceu manter o sal\u00e1rio de seus trabalhadores durante a quarentena apesar do fechamento de sua f\u00e1brica e lojas de roupas. Diante do an\u00fancio de sua prorroga\u00e7\u00e3o at\u00e9 finais de abril, inclusive mais al\u00e9m, optou por converter-se em porta-voz de um setor de empres\u00e1rios para pedir ao governo isen\u00e7\u00e3o de impostos, ou posterga\u00e7\u00e3o de seu pagamento e um plano de \u201cal\u00edvios\u201d, enquanto faz de conta que n\u00e3o v\u00ea a medida do governo de dar um \u201cal\u00edvio\u201d de 40 d\u00f3lares ( $160.000 pesos) para tr\u00eas milh\u00f5es de fam\u00edlias pobres. Que cinismo! Isso \u00e9 uma esmola! Apresentam-no como grande ajuda porque pensam que para \u201cos mortos de fome\u201d isso \u00e9 o suficiente.<br \/>\nH\u00e1 indigna\u00e7\u00e3o nacional diante da den\u00fancia de s\u00e9rios ind\u00edcios de que a partir do pr\u00f3prio governo uma cadeia de roubo destes recursos \u00e9 amparada, enquanto que para os ricos as isen\u00e7\u00f5es de impostos do Plano Nacional de Desenvolvimento que este governo lhes concedeu n\u00e3o s\u00e3o suficientes pois eles est\u00e3o acostumados a viver muito bem. Pagar o sal\u00e1rio dos trabalhadores n\u00e3o \u00e9 nenhum favor, \u00e9 simplesmente um direito e uma obriga\u00e7\u00e3o para compensar as d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3o de obra. Sem falar do voraz setor financeiro para o qual toda crise \u00e9 uma oportunidade para encher seus cofres. O governo de Duque j\u00e1 lhes ofereceu uma grande quantidade para blind\u00e1-los e de fato est\u00e3o entre os servi\u00e7os b\u00e1sicos, e assim continuam funcionando como se nada tivesse acontecido. Est\u00e1 n\u00edtido que o que mais importa aos capitalistas \u00e9 o capital e n\u00e3o a sa\u00fade das pessoas.<br \/>\n<strong>Um<\/strong><strong> tumor cancer\u00edgeno <\/strong><strong>no cora\u00e7\u00e3o do<\/strong><strong> capitalismo<\/strong><br \/>\nDizem que nas crises surgem o melhor e o pior da condi\u00e7\u00e3o humana. Certo. Os capitalistas est\u00e3o mostrando sua verdadeira ess\u00eancia e os horrores de seu sistema apodrecido. O pior do que saiu \u00e0 luz como um fantasma, \u00e9 a enorme e tr\u00e1gica desigualdade social. As estat\u00edsticas frias do DANE, da ONU, da OIT, encheram-se de nomes e sobrenomes de homens, mulheres e crian\u00e7as que desafiando as medidas sanit\u00e1rias da quarentena voltaram \u00e0s ruas porque n\u00e3o tem onde pernoitar ou porque se n\u00e3o trabalharem, no que for, n\u00e3o tem o que dar de comer aos seus filhos a cada dia. Ou porque, apesar de terem um trabalho por horas por dia ou por semanas, se n\u00e3o trabalharem n\u00e3o comem. Ou porque os empres\u00e1rios os obrigam a irem trabalhar, mesmo que n\u00e3o sejam de servi\u00e7os ou ramos produtivos essenciais, porque do contr\u00e1rio est\u00e3o demitidos.<br \/>\nSegundo dados da OIT, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial vivia de um sal\u00e1rio, em 2015. Em 2018 a popula\u00e7\u00e3o ativa no setor informal subiu 60%. Na Col\u00f4mbia para o \u00faltimo trimestre de 2019 a informalidade chegou a 46,7% equivalente a 5,62 milh\u00f5es contra 6,41 milh\u00f5es de trabalhadores formais. Nestes \u00faltimos incluem-se trabalhadores com contratos tempor\u00e1rios, por semanas, por horas e por dias, por presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, isto \u00e9 os trabalhadores precarizados e terceirizados que s\u00e3o hoje a maioria desses mais de 6 milh\u00f5es. Se os dados estiverem corretos, significa que suas fam\u00edlias dependem destes 12 milh\u00f5es de trabalhadores, e se calcularmos tr\u00eas pessoas por fam\u00edlia teremos a cifra de 36 milh\u00f5es dos 49 milh\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o total. A imensa maioria depende de um sal\u00e1rio di\u00e1rio ou mensal que se n\u00e3o chega n\u00e3o come, somemos os 13% de desempregados com que 2020 come\u00e7ou e os aposentados que ainda sustentam suas fam\u00edlias. A Col\u00f4mbia \u00e9 o segundo pa\u00eds mais desigual da Am\u00e9rica Latina e o s\u00e9timo no mundo.<br \/>\nSegundo a OXFAM,<strong> 82% <\/strong><strong>do dinheiro gerado no <\/strong><strong>mundo <\/strong><strong>em<\/strong><strong> 2017 <\/strong><strong>foi para o<\/strong><strong> 1% <\/strong><strong>mais<\/strong><strong> rico <\/strong><strong>da popula\u00e7\u00e3o<\/strong><strong> global <\/strong><strong>e<\/strong><strong> apenas <\/strong><strong>em<\/strong><strong> 2018<\/strong><strong>,<\/strong><strong> 42 <\/strong><strong>pessoas tinham<\/strong><strong> tanto <\/strong><strong>dinheiro quanto a metade mais<\/strong><strong> pobre. <\/strong><strong>Simplesmente inaceit\u00e1vel. Isto \u00e9 uma injusti\u00e7a colossal<\/strong><strong>.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 preciso ser adivinho para saber quem vai pagar o desastre da combina\u00e7\u00e3o da pandemia com a recess\u00e3o da economia mundial. E \u00e9 muito simples porque a concentra\u00e7\u00e3o da riqueza est\u00e1 na propor\u00e7\u00e3o de 1 para 99. N\u00e3o \u00e9 verdade que a pandemia ataca igualmente a todos. Evidentemente no terreno biol\u00f3gico qualquer um pode contrair o v\u00edrus, mas n\u00e3o qualquer um pode se salvar. No Notici\u00e1rio da noite de Caracol (TV) entrevistaram o ex ministro de defesa do Governo de Samper, Fernando Botero, que vive nos Estados Unidos e se recuperou do v\u00edrus.<br \/>\nEle expressou seu agradecimento porque teve um atendimento oportuno e eficiente. N\u00e3o podemos dizer o mesmo dos trabalhadores e aposentados que morreram, sabemos por canais diretos, que seus atendimentos n\u00e3o foram adequados e, por isso, quando os levam \u00e0 UTI, se \u00e9 que os levam, o v\u00edrus j\u00e1 provocou um mal irrevers\u00edvel. A burguesia al\u00e9m do atendimento imediato, tem centros especiais, gozam de boa sa\u00fade e resist\u00eancia porque est\u00e3o bem alimentados e vivem em ambientes excelentes do ponto de vista sanit\u00e1rio, por isso tem mais chance de sobreviver que os trabalhadores e os pobres.<br \/>\n<strong>Extirpar <\/strong><strong>o<\/strong><strong> tumor <\/strong><strong>ou <\/strong><strong>o <\/strong><strong>c\u00e2ncer<\/strong><strong> que nos <\/strong><strong>mata<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito dif\u00edcil prognosticar com exatid\u00e3o a din\u00e2mica dos acontecimentos, mas podemos ver algumas das variantes mais prov\u00e1veis. \u00a0Este exerc\u00edcio n\u00e3o deve ser assunto de especialistas, e sim parte do dia a dia dos trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm v\u00e1rios pa\u00edses a pandemia saiu do controle e se contam os mortos aos milhares, o mais saud\u00e1vel do ponto de vista da sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 refor\u00e7ar as medidas de isolamento social pois a realidade sobre o cont\u00e1gio parece ser muito pior do que os governantes disseram. No momento de escrever este artigo s\u00e3o 94.457 mortos no mundo. A taxa de mortalidade estimada h\u00e1 menos de um m\u00eas 3,4 subiu para 6,08 no total. O mais seguro \u00e9 que, por todas as condi\u00e7\u00f5es objetivas que descrevemos, o colapso do sistema de sa\u00fade continuar\u00e1 sendo pago pelos trabalhadores e pelos pobres. Esta n\u00e3o \u00e9 a terceira guerra mundial, mas esta combina\u00e7\u00e3o de recess\u00e3o da economia com a pandemia pode levar essa desigualdade social a aumentar a n\u00edveis incr\u00edveis e os mortos a centenas de milhares, porque os capitalistas defender\u00e3o seus privil\u00e9gios acima de tudo.<br \/>\nDe fato, a quarentena obrigat\u00f3ria est\u00e1 sendo usada para dar poderes extraordin\u00e1rios ao poder executivo e aumentar medidas bastante repressivas, como toques de recolher, e militariza\u00e7\u00e3o de cidades e rodovias. Muitos governos como o de Duque, Bolsonaro, Pi\u00f1era, etc, vinham recorrendo \u00e0 resposta repressiva violenta contra as mobiliza\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 pandemia, recorrendo inclusive, como na Col\u00f4mbia e no Chile \u00e0 organiza\u00e7\u00f5es paramilitares para amea\u00e7ar e assassinar dirigentes sociais. No nosso pa\u00eds isto acontece h\u00e1 mais de 20 anos.<br \/>\nDe maneira recorrente os governos criminalizam o protesto social e golpeiam de maneira silenciosa e sorrateira a resist\u00eancia oper\u00e1ria nas f\u00e1bricas e locais de trabalho. Isto \u00e9, j\u00e1 vinha por parte da burguesia um endurecimento cada vez maior dos regimes pol\u00edticos como uma resposta cada vez mais dura ao crescente protesto social. O isolamento social necess\u00e1rio serve como uma luva, para tentar desmontar os processos de ascenso das lutas. Como Donald Trump que aproveitou a pandemia e a dor de seu povo, que hoje \u00e9 o mais altamente contaminado, para deslocar o aparato militar amea\u00e7ando a Venezuela e a toda a Am\u00e9rica Latina, coisa que n\u00e3o podia fazer antes.<br \/>\nMas o aumento das penalidades que j\u00e1 estamos vivendo por parte dos trabalhadores e os pobres, ati\u00e7a a necessidade de organizar-se e lutar, pois est\u00e1 em jogo nossa sobreviv\u00eancia e a do planeta. Viemos de um processo de lutas praticamente em todos os continentes contra esta profunda desigualdade social e contra a privatiza\u00e7\u00e3o dos sistemas de sa\u00fade. \u00c9 muito prov\u00e1vel que devido \u00e0 pandemia, o isolamento se converta s\u00f3 em uma parada no caminho e uma vez que voltemos \u00e0s ruas tenhamos que retomar a luta com mais for\u00e7a e mais decis\u00e3o porque al\u00e9m do mais seus efeitos ser\u00e3o devastadores.<br \/>\nO certo \u00e9 que as contradi\u00e7\u00f5es de classe v\u00e3o se tensionar ao m\u00e1ximo, a isso denominamos polariza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 outra coisa que as classes sociais antag\u00f4nicas enfrentadas em uma luta cada vez mais profunda na qual se coloca na ordem do dia quem ganha: se os trabalhadores e seus aliados ou a burguesia e os seus. Ou como afirma Marx no Manifesto Comunista: \u201c\u2026luta que sempre terminou com a transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de toda a sociedade ou o colapso das classes em disputa\u201d.<br \/>\nEstas palavras de Trotsky, o revolucion\u00e1rio russo que juntamente com Lenin e o partido bolchevique levaram ao poder a classe oper\u00e1ria em 1917, est\u00e3o cheias de atualidade e pertin\u00eancia:<br \/>\n\u201cA sociedade humana \u00e9 o resultado hist\u00f3rico da luta pela exist\u00eancia e da seguran\u00e7a da manuten\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es. O car\u00e1ter da sociedade est\u00e1 determinado pelo car\u00e1ter de sua economia; o car\u00e1ter de sua economia est\u00e1 determinado pelos seus meios de produ\u00e7\u00e3o. A cada grande \u00e9poca de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas corresponde um regime social definido. At\u00e9 agora cada regime social assegurou enormes vantagens \u00e0 classe dominante\u201d.<br \/>\nDo que foi dito fica evidente que os regimes sociais n\u00e3o s\u00e3o eternos. Nascem historicamente e se convertem em obst\u00e1culos ao progresso subsequente. \u201cTudo o que nasce \u00e9 digno de perecer\u201d (Palestra pronunciada por Le\u00f3n Trotsky em 27 de novembro de 1932 em Copenhague).<br \/>\nEsta \u00e9 a reflex\u00e3o que a humanidade tem que fazer hoje. O sistema, o regime capitalista converteu-se em um obst\u00e1culo absoluto para o progresso da humanidade, s\u00f3 uma \u00ednfima minoria se beneficia da riqueza social produzida pela sociedade. Estamos diante da disjuntiva de acabar com a cadeia hist\u00f3rica de regimes que s\u00f3 beneficiam as classes dominantes e construir uma sociedade justa e equitativa na qual, como dizia Rosa Luxemburgo, sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. Ou, do contr\u00e1rio, esta minoria que det\u00e9m o poder e a for\u00e7a das armas nos conduzir\u00e1 \u00e0 barb\u00e1rie, porque estas fabulosas fortunas foram \u00a0acumuladas e continuar\u00e3o sendo \u00e0 custa de acabar com as florestas, com os recursos naturais, de continuar contaminando o ar e as \u00e1guas. Cada dia que passa mais milh\u00f5es de trabalhadores explorados e oprimidos s\u00e3o levados \u00e0 mis\u00e9ria. Esta classe burguesa e imperialista n\u00e3o est\u00e1 capacitada moralmente para reger os destinos do planeta.<br \/>\n<strong>\u00c9 preciso ter medo do<\/strong><strong> capitalismo<\/strong><strong>, n\u00e3o do<\/strong><strong> socialismo<\/strong><br \/>\nO conceito de socialismo foi estigmatizado pelos defensores do capitalismo. Foi deformado pelo estalinismo e pelos partidos comunistas, que acabaram restaurando o capitalismo nos pa\u00edses onde os trabalhadores expropriaram os meios de produ\u00e7\u00e3o e come\u00e7aram a construir o socialismo. E agora, mais recentemente, desacreditado pelos setores do nacionalismo burgu\u00eas ou setores reformistas da classe m\u00e9dia, cuja proposta de socialismo do s\u00e9culo XXI \u00e9 na realidade capitalismo enfeitado de reforminhas insignificantes e subs\u00eddios miser\u00e1veis, fazendo-se chamar de socialistas.. A verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 hoje no mundo nenhum pa\u00eds socialista ainda que alguns finjam que s\u00e3o.<br \/>\nO sistema dominante no mundo \u00e9 o capitalismo, dentro do qual, com certeza, h\u00e1 contradi\u00e7\u00f5es entre as diferentes alas burguesas, porque h\u00e1 alguns que produzem a mais valia (o valor excedente), que s\u00e3o os setores produtivos, e h\u00e1 outros como o comercial que ficam com uma fatia do valor obtido no processo de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias ou, pior ainda, o capital especulativo.<br \/>\nH\u00e1 diferen\u00e7as tamb\u00e9m entre pa\u00edses. Os que mais desenvolveram as for\u00e7as produtivas s\u00e3o os pa\u00edses imperialistas que conseguiram em fins do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do XX fundir nas mesmas m\u00e3os o capital industrial e o banc\u00e1rio dando origem ao que conhecemos como capital financeiro. As contradi\u00e7\u00f5es se d\u00e3o essencialmente pela forma como a riqueza mundial \u00e9 distribu\u00edda. Nessa disputa os capitalistas levaram a humanidade a duas guerras mundiais.<br \/>\nNa segunda morreram entre 70 e 83 milh\u00f5es e na primeira de 10 a 31 milh\u00f5es entre civis e militares (Wikipedia). A destrui\u00e7\u00e3o e a morte provocaram epidemias que causaram a morte de outros tantos milhares. De maneira que esta \u00e9 a verdadeira ess\u00eancia do capitalismo. O fascismo, o regime pol\u00edtico mais extremo da era imperialista, cobrou em seu ascenso ao poder, a vida de milhares de trabalhadores na It\u00e1lia, Alemanha, Espanha e outros pa\u00edses da Europa. Os capitalistas n\u00e3o temem em matar, seu aparato repressivo \u00e9 treinado para isso com o argumento de \u201cdefesa da p\u00e1tria\u201d.<br \/>\nPara n\u00e3o ir t\u00e3o longe vejamos a hist\u00f3ria recente da Col\u00f4mbia e as guerras e invas\u00f5es impulsionadas pelos \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d Estados Unidos e seus aliados. Isto \u00e9 o que tem que ter medo e o que os trabalhadores t\u00eam que derrotar .<br \/>\nNa revolu\u00e7\u00e3o socialista russa de 1917 pelo contr\u00e1rio, durante a insurrei\u00e7\u00e3o de outubro do proletariado, camponeses e soldados, o derramamento de sangue foi m\u00ednimo, porque eram a imensa maioria do povo organizado e em armas. Os mortos vieram depois quando 14 ex\u00e9rcitos aliados atacaram o nascente estado sovi\u00e9tico para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o e veio a guerra civil, o enfrentamento entre a revolu\u00e7\u00e3o triunfante e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa minha modesta opini\u00e3o a R\u00fassia capitalista de hoje, a China e Cuba, tamb\u00e9m capitalistas, lidaram melhor com a pandemia porque herdaram do per\u00edodo socialista e da revolu\u00e7\u00e3o, sistemas de sa\u00fade constru\u00eddos sobre princ\u00edpios diferentes e ainda n\u00e3o os destru\u00edram totalmente.<br \/>\nMuitos trabalhadores n\u00e3o acreditam que a classe oper\u00e1ria seja capaz de construir uma sociedade totalmente oposta \u00e0 atual. N\u00e3o concebem que n\u00e3o haja um patr\u00e3o que lhes d\u00ea trabalho ou creem que eles, os empres\u00e1rios, s\u00e3o os que geram a riqueza. Isto n\u00e3o \u00e9 assim. Os que geram a riqueza s\u00e3o os oper\u00e1rios industriais, o proletariado agr\u00edcola que produz alimentos. Os trabalhadores que fizeram greves provaram quem \u00e9 que realmente produz. Sua for\u00e7a de trabalho \u00e9 a que transforma as mat\u00e9rias primas em mercadorias e nesse processo de transforma\u00e7\u00e3o agregam valor.<br \/>\nO capitalista lhes paga um sal\u00e1rio que n\u00e3o equivale nunca ao valor de venda das mercadorias que produziu. Sua f\u00e1brica e suas mat\u00e9rias primas sem o trabalho dos oper\u00e1rios n\u00e3o servem para nada. De tal maneira que rouba do trabalhador parte de seu trabalho. Isso \u00e9 o que produz o lucro e aumenta o capital. Por isso a classe oper\u00e1ria \u00e9 chamada para dirigir a mudan\u00e7a, para organizar as classes oprimidas e exploradas para fazer a revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o precisamos de parasitas que vivam \u00e0 custa de nosso trabalho. Coloquemos sob nosso controle os meios de produ\u00e7\u00e3o e planifiquemos a economia de acordo com as necessidades da popula\u00e7\u00e3o, sobre esta base construamos a alimenta\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, a moradia, os cuidados dos filhos, o cuidado do planeta e a racionaliza\u00e7\u00e3o do uso dos recursos naturais. Usemos a ci\u00eancia e a tecnologia para enfrentar e eliminar doen\u00e7as e pandemias, restauremos o equil\u00edbrio natural do planeta. Estas s\u00e3o as bases de uma sociedade socialista, isto n\u00e3o pode produzir temor e sim esperan\u00e7a.<br \/>\n<strong>Precisamos de um<\/strong><strong> partido <\/strong><strong>pr\u00f3prio, um<\/strong><strong> partido <\/strong><strong>independente<\/strong><strong>.<\/strong><br \/>\nNa juventude trabalhadora h\u00e1 muita desconfian\u00e7a com os partidos, e tem sentido, porque os que conhecem ou s\u00e3o defensores da burguesia e seu sistema e, se n\u00e3o o s\u00e3o, o que prop\u00f5em s\u00e3o medidas p\u00edfias que rapidamente ficam sem base. Tem desconfian\u00e7a tamb\u00e9m porque os que se dizem de esquerda, imp\u00f5em uma disciplina cega aos dirigentes.<br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio entender, que nenhuma mudan\u00e7a social profunda foi conquistada na hist\u00f3ria sem uma clara dire\u00e7\u00e3o e esse tem sido o papel dos partidos revolucion\u00e1rios como o bolchevique. Embora a luta possa explodir de maneira espont\u00e2nea, sua continuidade precisa de uma dire\u00e7\u00e3o e um plano com objetivos. Esta necessidade \u00e9 a que exige a constru\u00e7\u00e3o de um partido, mas um partido pr\u00f3prio de trabalhadores, independente de capitalistas e dos setores da pequena burguesia que s\u00f3 prop\u00f5em reformas. Um partido que consiga organizar os setores mais explorados e oprimidos sob suas bandeiras, que consiga ademais arrastar atr\u00e1s de si os setores mais baixos da pequena burguesia e das classes m\u00e9dias.<br \/>\nNos momentos decisivos da luta esta \u00e9 a luta central. A classe m\u00e9dia e a pequena burguesia \u00e9 muito vol\u00favel, hoje pode estar com a classe oper\u00e1ria, se esta lhe d\u00e1 seguran\u00e7a, mas amanh\u00e3 pode ir com a burguesia. Temos que saber que estas classes s\u00e3o decisivas, porque se n\u00e3o s\u00e3o ganhas pela revolu\u00e7\u00e3o ser\u00e3o a base fundamental dos movimentos fascistas, que se chegarem ao poder destruir\u00e3o todo vislumbre de democracia ao mesmo tempo em que atacar\u00e3o a classe oper\u00e1ria e suas organiza\u00e7\u00f5es sejam estas revolucion\u00e1rias ou reformistas. Nenhuma classe privilegiada renuncia aos seus privil\u00e9gios por bem. Preparemo-nos para a luta e a revolu\u00e7\u00e3o. O socialismo \u00e9 uma necessidade!<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nestes momentos de quarentena obrigat\u00f3ria e de contato virtual, muitas coisas circulam pelas redes: algumas interessantes, outras mentiras flagrantes e muita cr\u00edtica aguda aos governantes por sua inaptid\u00e3o, demagogia e corrup\u00e7\u00e3o como continuidade do processo que explodiu em 21 N.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":32973,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[12,30],"tags":[29,3534,515,5356,192],"class_list":["post-32971","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colombia","category-coronavirus","tag-capitalismo","tag-coronavirus-colombia","tag-especial-coronavirus","tag-rosa-c","tag-socialismo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Colombia.png","categories_names":["Col\u00f4mbia","Pandemia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32971\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}