{"id":32852,"date":"2020-04-20T20:53:18","date_gmt":"2020-04-20T22:53:18","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32852"},"modified":"2020-04-20T20:53:18","modified_gmt":"2020-04-20T22:53:18","slug":"a-barbarie-machista-no-meio-de-uma-pandemia-que-caminho-seguir-um-balanco-pendente-depois-do-8m","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/04\/20\/a-barbarie-machista-no-meio-de-uma-pandemia-que-caminho-seguir-um-balanco-pendente-depois-do-8m\/","title":{"rendered":"A barb\u00e1rie machista no meio de uma Pandemia. Que caminho seguir? Um balan\u00e7o pendente depois do 8M"},"content":{"rendered":"<p><em>Como se n\u00e3o fosse suficiente a crise sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica que golpeia a classe trabalhadora, a decad\u00eancia do capitalismo atinge &#8211; como sempre \u2013 com mais for\u00e7a as mulheres e setores oprimidos [1]. A raiva e a impot\u00eancia aumentam diante de casos como o da garota estuprada em Valpara\u00edso e recentemente a garota estuprada em Chill\u00e1n quando saiu para passear com seu cachorro durante a quarentena.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\n<strong>Por: MIT-Chile<\/strong><br \/>\nComo os governos n\u00e3o se importam nem um pouco com a vida e a seguran\u00e7a das mulheres &#8211; e da classe trabalhadora como um todo &#8211; no Chile e no mundo, vemos um grande ascenso da luta contra a viol\u00eancia machista e os governos que a reproduzem. S\u00f3 a pandemia e a prote\u00e7\u00e3o de nossas vidas deram uma pausa na luta nas ruas, mas isso n\u00e3o impede a organiza\u00e7\u00e3o porque, devido ao aumento da viol\u00eancia machista, precisamos de redes de apoio para enfrentar seu agravamento no contexto da quarentena. A resposta insuficiente da Ministra Carolina Cuevas e de Pi\u00f1era nos obriga a exigir o refor\u00e7o dos n\u00fameros de telefone de emerg\u00eancia e mais casas de acolhimento e, de nossa parte, devemos consolidar redes de apoio e sistemas de alerta a partir de nossos bairros, assembleias territoriais e locais de trabalho.<br \/>\nA luta e organiza\u00e7\u00e3o das mulheres foram massivamente demonstradas na imponente mobiliza\u00e7\u00e3o do 8M e do 9M, com mais de 2 milh\u00f5es de mulheres em todo o Chile. Muitas sa\u00edram a protestar pela primeira vez, muitas que antes naturalizavam a viol\u00eancia machista protestaram e disseram basta. As que haviam sido relegadas e rebaixadas para segunda ou terceira categoria passaram \u00e0 vanguarda. Foi uma mobiliza\u00e7\u00e3o gigantesca, no marco de uma revolu\u00e7\u00e3o que acumulou um profundo \u00f3dio contra Pi\u00f1era, o violador dos direitos humanos, que nos mutilou, nos assassinou e nos estuprou atrav\u00e9s de suas for\u00e7as repressivas. Foi um protesto que injetou moral em nossa luta e situou para todo o pa\u00eds que n\u00e3o vamos mais nos calar.<br \/>\nNo entanto, todo o progressivo de nosso protesto <strong>est\u00e1<\/strong> <strong>amea\u00e7ado<\/strong> pelos desvios que querem impor correntes reformistas e, nesse marco, pela estrat\u00e9gia das correntes feministas, isto \u00e9, pelo seu projeto de sociedade e o caminho para transform\u00e1-la. Muito mais hoje, quando vemos na esteira dessa pandemia que o capitalismo leva \u00e0 morte massiva da classe trabalhadora e com ela milh\u00f5es de mulheres, \u00e9 mais urgente do que nunca falar sobre um projeto estrat\u00e9gico oposto, uma sociedade socialista e como constru\u00ed-la.<br \/>\n<strong>Nosso objetivo n\u00e3o \u00e9 abrir espa\u00e7os democr\u00e1ticos ou influenciar nesse sistema. Precisamos destru\u00ed-lo e \u00e9 por isso que o separatismo n\u00e3o serve<\/strong><br \/>\nPrimeiro, os pontos em comum. A Assembleia Plurinacional de Mulheres refletiu o ascenso revolucion\u00e1rio vivido no Chile. Al\u00e9m de nos posicionarmos contra a viol\u00eancia machista, conseguimos, como parte das principais exig\u00eancias do Encontro, a sa\u00edda de Pi\u00f1era, a liberdade dos presos por lutar, a greve geral dos setores produtivos e uma s\u00e9rie de propostas.<br \/>\nNo entanto, ap\u00f3s o encontro, o primeiro problema surge quando as correntes separatistas traem o chamado para a Greve Geral Produtiva, instalando um chamado para a greve feminista [2]. Isso se combinou com uma campanha massiva chamando os homens a ficarem em casa e n\u00e3o protestarem no 8M ou 9M, justificando que essa luta era &#8220;s\u00f3 das mulheres&#8221;. Assim, durante a marcha do 8M ganhou forte eco a consigna &#8220;<em>que se vaiam los pololos<\/em>&#8221; (fora todos os namorados, em tradu\u00e7\u00e3o livre) ou os &#8220;<em>machitos<\/em>&#8221; (machistinhas) em refer\u00eancia a todos os homens, n\u00e3o apenas aos acusados de viol\u00eancia. Sabemos e defendemos que os abusadores, estupradores e assassinos de mulheres devem se retirar imediatamente dos protestos e da revolu\u00e7\u00e3o. <strong>Nossa luta \u00e9 contra eles<\/strong>. Mas tamb\u00e9m dizemos que os homens que ao longo de suas vidas reproduziram o <strong>machismo devem aprender, reconhecer seus erros e abandonar seus privil\u00e9gios de g\u00eanero. Esta n\u00e3o \u00e9 uma luta formal contra a viol\u00eancia machista, porque eles devem lutar contra si mesmos<\/strong>, inclusive contra o mal chamado &#8220;machismo sutil ou micromachismo&#8221;.<br \/>\nEste combate contra o machismo deve ser para unir a classe trabalhadora, tirar do pacifismo c\u00f4modo os homens da nossa classe em rela\u00e7\u00e3o a esta luta, sacudi-los, e isso n\u00e3o vai acontecer apenas com discuss\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o, em alguns casos tamb\u00e9m levar\u00e1 a san\u00e7\u00f5es do movimento revolucion\u00e1rio ou organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. No entanto, isso \u00e9 com o objetivo de ganhar os homens para nossa luta e \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de &#8220;fora os machistinhas\u201d que as separatistas transformaram em um fim em si mesmo, em sua \u00fanica estrat\u00e9gia. Se toda nossa luta se resumir a isso, o movimento de mulheres est\u00e1 fadado a n\u00e3o conquistar nossa emancipa\u00e7\u00e3o real, ou seja, est\u00e1 a caminho do <strong>fracasso<\/strong>.<br \/>\nPor qu\u00ea? Porque para acabar com o machismo e com esse sistema baseado em privil\u00e9gios precisamos atacar as bases materiais que <em>o reproduzem<\/em>, ou seja, acabar com o sistema de propriedade privada, com a anarquia na produ\u00e7\u00e3o que s\u00f3 se preocupa em obter lucros para os empres\u00e1rios, isso \u00e9 hoje o capitalismo. A burguesia \u00e9 a grande benefici\u00e1ria da opress\u00e3o das mulheres, com isso justifica melhores lucros pagando-nos sal\u00e1rios menores, etc.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 apenas uma luta individual contra os homens em abstrato, mas contra uma <em>estrutura pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social<\/em> que os coloca em uma posi\u00e7\u00e3o privilegiada sobre as mulheres. Devemos combater o machismo quotidianamente, mas se n\u00e3o destruirmos o capitalismo que \u00e9 a estrutura que o sustenta, o machismo e a viol\u00eancia institucional frente a classe trabalhadora e as mulheres trabalhadoras, continuar\u00e1. Se s\u00f3 lutamos contra o machismo em abstrato, o sistema continuar\u00e1 de p\u00e9, seguir\u00e1 sendo a burguesia como classe (homens e mulheres) que governam, e para eles\/elas funciona manter a classe trabalhadora <strong>dividida<\/strong> e com um setor dela (mulheres, negros, LGBTIs) mais desprotegido para garantir &#8211; como dissemos acima &#8211; seu lucro pagando sal\u00e1rios mais baixos e n\u00e3o se responsabilizando pelo trabalho dom\u00e9stico.<br \/>\n<strong>A burguesia nos quer divididos como classe trabalhadora <\/strong>para manter seu projeto de sociedade, para que n\u00e3o tenhamos for\u00e7a para tir\u00e1-la do poder, para que n\u00e3o possamos derrubar essa estrutura social e assim nos impedir de conquistar um governo da nossa classe. Para este <strong>projeto, e para nos dividir, a burguesia precisa reproduzir o machismo no interior da classe trabalhadora e a pol\u00edtica do separatismo como estrat\u00e9gia nesse sentido tamb\u00e9m serve ao projeto burgu\u00eas<\/strong>. Precisamos urgentemente <strong>combater o machismo para unir a classe trabalhadora <\/strong>contra os de cima.<br \/>\nNitidamente h\u00e1 dire\u00e7\u00f5es feministas que, por mais que se autodenominem de antineoliberais ou anticapitalistas, realmente n\u00e3o lutam contra esse sistema. Embora v\u00e1rias sejam parte da revolu\u00e7\u00e3o chilena, a partir da dire\u00e7\u00e3o do Encontro Plurinacional de Mulheres chamam a acreditar que atrav\u00e9s de uma Assembleia Constituinte feminista baseada na luta se resolver\u00e1 todos os problemas, o que \u00e9 uma armadilha perigosa.<br \/>\nN\u00f3s do MIT reivindicamos a necessidade de uma Assembleia Constituinte, mas sabemos que a \u00fanica forma de garanti-la junto com as mudan\u00e7as que queremos impor atrav\u00e9s dela (estatiza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, fim dos AFPs, fim da diferen\u00e7a salarial entre homens e mulheres) \u00e9 se a classe trabalhadora tirar a burguesia do poder, os Pi\u00f1era, Cuevas, etc. para impor um governo da nossa classe que acabe com a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o. Precisamos de um governo oper\u00e1rio e popular para garantir uma Assembleia Constituinte livre e soberana. E essa luta, n\u00e3o pode ser travada apenas pelas mulheres da nossa classe e tamb\u00e9m n\u00e3o a travaremos em conjunto com as mulheres burguesas porque \u00e9 uma luta contra elas, contra a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o que imp\u00f5em para manter seus privil\u00e9gios de burguesas.<br \/>\n<strong>Sobre o idealismo e a confus\u00e3o que semeiam as correntes feministas<\/strong><br \/>\nPor todo o anterior, n\u00e3o pode ser mais confuso e reacion\u00e1rio o que publica a brasileira Kalinda Mar\u00edn (e que \u00e9 reivindicado pela Coordena\u00e7\u00e3o de Nem uma a Menos do Chile). Em uma pol\u00eamica com setores feministas, ela diz: &#8220;<em>O objetivo \u00e9 abolir todas as classes, toda a opress\u00e3o, toda explora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da distribui\u00e7\u00e3o equitativa do poder pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social. Queremos construir um movimento de libera\u00e7\u00e3o massiva de mulheres, porque est\u00e1 evidente a partir da hist\u00f3ria e de nossas pr\u00f3prias experi\u00eancias que <strong>somente<\/strong> as mulheres organizadas como uma for\u00e7a pol\u00edtica independente podem garantir que, na sociedade que imaginamos, a opress\u00e3o das mulheres n\u00e3o mais existir\u00e1.<\/em>&#8221; &#8230; em seguida, continua &#8220;<em>os problemas que atormentavam as mulheres na esfera privada (como o estupro, o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado, etc.) n\u00e3o forma falhas das mulheres individualmente, mas sim uma quest\u00e3o do <strong>poder<\/strong> dos homens <strong>como classe<\/strong> sobre as mulheres como classe<\/em>&#8221; [3].<br \/>\nO que \u00e9 explora\u00e7\u00e3o para essas correntes feministas? A extra\u00e7\u00e3o da mais-valia que a patronal faz ao trabalhador como disse Marx? Evidentemente n\u00e3o&#8230; Ent\u00e3o, segundo elas nesta sociedade, todos os homens s\u00e3o uma &#8220;classe&#8221; que dominam as mulheres? Os homens haitianos dominam \u00c2ngela Merkel? Portanto, podemos acabar com a explora\u00e7\u00e3o por meio de uma luta s\u00f3 de mulheres organizadas? De m\u00e3os dadas com Merkel, com Bachelet, ou com quem?<br \/>\nSe bem h\u00e1 muitas coisas para serem atualizadas no marxismo, uma de suas contribui\u00e7\u00f5es mais importantes \u00e9 sua explica\u00e7\u00e3o sobre o funcionamento da sociedade, as engrenagens centrais do sistema capitalista [4], e como se combinam diferentes opress\u00f5es com a explora\u00e7\u00e3o, vendo um sistema como um <em>todo<\/em>. Em seu texto, Kalinda Marin faz o oposto: ela afirma que os homens de conjunto s\u00e3o uma classe que domina as mulheres; introduz elementos de luta anticolonialista, por\u00e9m de forma confusa.<br \/>\nSe queremos acabar com a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o, como diz Kalinda, o l\u00f3gico seria tirar o poder da classe que nos explora e reproduz a opress\u00e3o: a burguesia, homens e <strong>mulheres<\/strong> donos\/as dos meios de produ\u00e7\u00e3o (minas, portos, f\u00e1bricas, empresas, etc.). Isso ser\u00e1 imposs\u00edvel de fazer com uma luta s\u00f3 das mulheres como Kalinda prop\u00f5e, menos ainda em alian\u00e7a com as pr\u00f3prias exploradoras. Se ficamos s\u00f3 n\u00f3s, mulheres exploradas, ou seja, a metade da classe trabalhadora, lutando contra toda a burguesia, evidentemente n\u00e3o ser\u00e1 suficiente. O problema \u00e9 que Kalinda nem sequer especifica a que se refere com explora\u00e7\u00e3o e com isso as consequentes tarefas pol\u00edticas.<br \/>\nN\u00f3s fomos, podemos e devemos ser o estopim na luta contra a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o capitalista, mas a luta deve ser de toda nossa classe contra os de cima, contra aqueles que hoje n\u00e3o t\u00eam pudor em dizer que as mortes por coronav\u00edrus s\u00e3o um dano colateral e a economia \u2013 deles \u2013 deve seguir girando.<br \/>\nFinalmente, com essas frases de Kalinda se demonstra que h\u00e1 algo que caracteriza o conjunto das correntes feministas: sua abstra\u00e7\u00e3o, idealismo e, finalmente, sua car\u00eancia de uma metodologia cient\u00edfica para compreender a realidade e, em seguida, oferecer um projeto estrat\u00e9gico de sociedade alternativa. Assim, s\u00f3 chegam at\u00e9 a humaniza\u00e7\u00e3o do capitalismo ou mesmo num discurso anticapitalista com m\u00e9todos radicais, nem sequer questionam o sistema de conjunto nem mesmo estabelecem as bases para uma nova sociedade.<br \/>\n<strong>Coordena\u00e7\u00e3o Nem Uma a Menos pr\u00f3 Merkel? Uma Vergonha<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar devemos advertir que, evidentemente, nem todas as correntes feministas defendem a mesma coisa. No Chile, a Coordena\u00e7\u00e3o Feminista 8M (que \u00e9 uma frente onde participam mulheres de diferentes correntes pol\u00edticas) defendeu a Greve Geral feminista chamando a paralisa\u00e7\u00e3o dos setores produtivos, enquanto a Coordena\u00e7\u00e3o de Nem Uma a Menos traiu esse acordo chamando apenas a Greve Feminista. No interior do feminismo encontramos correntes mais &#8220;radicais&#8221; e correntes mais pr\u00f3-governos.<br \/>\nO feminismo pr\u00f3-governo ou o feminismo burgu\u00eas \u00e9 o que semeia a ideologia do Empoderamento, ou seja, que as mulheres atrav\u00e9s de sua for\u00e7a e desenvolvimento individual, podem superar e combater o machismo, podem alcan\u00e7ar posi\u00e7\u00f5es de governo, parlamento, etc. A revista Forbes refor\u00e7a essa ideologia que s\u00f3 favorece \u00e0s ricas, atrav\u00e9s de um artigo intitulado &#8221; <em>What Do Countries With The Best Coronavirus Responses Have In Common? Women Leaders<\/em>\u201d (O que os pa\u00edses com as melhores respostas ao coronav\u00edrus t\u00eam em comum? L\u00edderes Femininas). O artigo diz que o fato de um pa\u00eds ser governado por uma mulher deu melhores respostas, destacando a Isl\u00e2ndia, Taiwan, Angela Merkel na Alemanha, a primeira-ministra da Nova Zel\u00e2ndia Jacinda Ardern, etc. Em seguida, a Forbes sentencia: &#8220;\u00c9 hora de reconhecer e eleger mais mulheres.&#8221;<br \/>\nPerante a isso, a Coordena\u00e7\u00e3o de Nem Uma a Menos do Chile publicou um post em seu Facebook reivindicando essas mulheres e afirmando que: &#8220;<em>Uma das caracter\u00edsticas principais dessas mulheres, v\u00e1rias delas chefes de Estado, \u00e9 que N\u00c3O MENTEM. Seu discurso apela \u00e0 confian\u00e7a, gerando credibilidade e proximidade<\/em>&#8220;.<br \/>\nParece uma brincadeira de mau gosto que as supostas defensoras das mulheres elogiem dessa forma Angela Merkel, a mesma que teve uma pol\u00edtica criminosa ante a crise migrat\u00f3ria, deixando mulheres, crian\u00e7as e homens em total desprote\u00e7\u00e3o, a mesma que defende a exist\u00eancia de dois Estados: Israel e Palestina, quando hoje a luta do povo palestino e das mulheres \u00e9 pela destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, um enclave militar dos EUA na regi\u00e3o, que atrav\u00e9s de suas for\u00e7as repressivas, estuprou, assassinou e torturou mulheres, for\u00e7ou-as a dar \u00e0 luz em postos de controle, etc.<br \/>\nFinalmente, a pr\u00f3pria Merkel \u00e9 a face feminina do imperialismo da Uni\u00e3o Europeia, que s\u00f3 explora as trabalhadoras e trabalhadores europeus e super explora os trabalhadores e trabalhadoras latino-americanos. Seguramente com este coment\u00e1rio a Coordena\u00e7\u00e3o de Nem Uma a Menos se localiza na outra trincheira, n\u00e3o a de mulheres trabalhadoras, migrantes ou palestinas.<br \/>\n<strong>Uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o e sem opress\u00e3o (machista ou outras) s\u00f3 poder\u00e1 ser alcan\u00e7ada se descartarmos esses projetos reformistas-feministas<\/strong><br \/>\nA pandemia e a crise econ\u00f4mica desnudam o capitalismo. Suas contradi\u00e7\u00f5es e incapacidade de sustentar a vida da humanidade s\u00e3o mais evidentes do que nunca, por isso a disjuntiva socialismo ou a barb\u00e1rie voltam a ecoar ao redor do mundo. Precisamos botar abaixo esse sistema e para isso devemos nos livrar das ilus\u00f5es que tentam nos vender correntes reformistas como a Frente Ampla ou o Partido Comunista, que chamam a acreditar que atrav\u00e9s dessas institui\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aremos mudan\u00e7as reais.<br \/>\nPor\u00e9m, essas ilus\u00f5es, embora mais sutis, tamb\u00e9m v\u00eam das dire\u00e7\u00f5es feministas, que em casos mais grotescos reivindicam Merkel, mas em outros fazem parte do processo revolucion\u00e1rio, e se bem compartilhamos tarefas pol\u00edticas com elas, em sua estrat\u00e9gia defendem um projeto sem considerar a necessidade da tomada do poder por nossa classe, chamando a confiar que as grandes mudan\u00e7as vir\u00e3o atrav\u00e9s de uma Assembleia Constituinte e um Processo Constituinte de baixo, apelando \u00e0 &#8220;influenciar&#8221; e apenas exercer press\u00e3o sobre a burguesia, mas n\u00e3o para arranc\u00e1-la como classe do poder.<br \/>\n\u00c9 urgente acabar com o machismo e para isso devemos levar uma luta resoluta contra ele, <strong>antes, durante e depois<\/strong> da tomada do poder. <strong>\u00c9 necess\u00e1rio tomar o poder<\/strong> para arrancar a burguesia parasitaria que hoje, com suas medidas de privilegiar os neg\u00f3cios sobre a vida, est\u00e3o levando milhares de mulheres e homens \u00e0 morte. Somente uma sociedade onde a classe trabalhadora governe, baseada na planifica\u00e7\u00e3o central da economia e n\u00e3o no lucro da patronal, que acabe com a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o e garanta pleno emprego para todos, pode estabelecer as bases para garantir n\u00e3o s\u00f3 a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres, mas de toda a humanidade.<br \/>\nNotas:<br \/>\n[1] &#8220;A Quarentena que discrimina trabalhadores e atormenta mulheres&#8221; Paz Ibarra<br \/>\n[2] &#8220;Fixam cartazes que traem a resolu\u00e7\u00e3o do II Encontro Multinacional de Mulheres&#8221; MIT<br \/>\n[3] &#8220;Feminismo radical \u00e9 revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o identidade&#8221;. Kalinda Mar\u00edn<br \/>\n[4] &#8220;Pandemia e Crise Econ\u00f4mica. O que est\u00e1 acontecendo?&#8221; David Espinoza<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: \u00c9rika Andreassy<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como se n\u00e3o fosse suficiente a crise sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica que golpeia a classe trabalhadora, a decad\u00eancia do capitalismo atinge &#8211; como sempre \u2013 com mais for\u00e7a as mulheres e setores oprimidos [1]. 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