{"id":32789,"date":"2020-04-17T09:09:24","date_gmt":"2020-04-17T11:09:24","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32789"},"modified":"2020-04-17T09:09:24","modified_gmt":"2020-04-17T11:09:24","slug":"as-tarefas-de-casa-em-tempos-de-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/04\/17\/as-tarefas-de-casa-em-tempos-de-coronavirus\/","title":{"rendered":"As tarefas de &quot;casa&quot; em tempos de Coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00c9 inevit\u00e1vel pensar que uma pandemia como o Coronav\u00edrus, com a magnitude e a import\u00e2ncia que tomou, n\u00e3o atrapalhe a vida cotidiana de todo o mundo. Esse v\u00edrus s\u00f3 piora a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 terr\u00edvel das mulheres trabalhadoras no mundo.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Isabel Morales y Ruth D\u00edaz<br \/>\nPara as mulheres dos setores populares e mais pobres, isso s\u00f3 piora o fato de continuarmos cuidando das tarefas dom\u00e9sticas e dos cuidados da fam\u00edlia. Mas agora em condi\u00e7\u00f5es muito mais extremas e, em alguns casos, o dia inteiro, o que gera mais frustra\u00e7\u00e3o, ang\u00fastia e raiva, que aumentam com a falta de recursos para enfrentar a crise econ\u00f4mica que atinge a maioria da sociedade.<br \/>\n<strong>O sofrimento di\u00e1rio do trabalho dom\u00e9stico.<\/strong><br \/>\nUm fator determinante para o agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida do isolamento obrigat\u00f3rio \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o de garantir todas as tarefas dom\u00e9sticas e cuidados de uma s\u00f3 vez. Essa imposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 naturalizada e, portanto, silenciada e, no contexto de isolamento obrigat\u00f3rio devido \u00e0 pandemia, \u00e9 em muitos casos 100%.<br \/>\nAntes do Coronav\u00edrus, segundo dados mundiais da ONU <em>\u201cAs mulheres dedicam entre 1 e 3 horas a mais que os homens nas tarefas dom\u00e9sticas; entre 2 e 10 vezes mais tempo por dia para prestar assist\u00eancia (a filhos e filhas, pessoas idosas e doentes) e entre 1 e 4 horas por dia a menos a atividades de mercado<\/em> \u201d[1]. Obviamente, essa estat\u00edstica calcula as mulheres que trabalham fora de casa, em um relacionamento de depend\u00eancia ou n\u00e3o, e que no retorno devem cuidar das tarefas dom\u00e9sticas, cuidar de crian\u00e7as, idosos, familiares com defici\u00eancia etc.<br \/>\nEsses n\u00fameros pioram \u00e0 medida que as condi\u00e7\u00f5es e os recursos econ\u00f4micos se tornam mais escassos. No caso de mulheres de setores m\u00e9dios ou profissionais que trabalham fora de casa, outra mulher pobre \u00e9 contratada em condi\u00e7\u00f5es informais, muitas vezes imigrante, o que fortalece e reproduz a feminiza\u00e7\u00e3o dessas tarefas e gera sobre essas mulheres situa\u00e7\u00f5es de maior explora\u00e7\u00e3o e precariedade no trabalho.<br \/>\nSeja como for, ao entrar no mundo do trabalho, as mulheres tamb\u00e9m se encarregam de uma jornada de trabalho dupla, dupla carga de responsabilidades e, no caso das tarefas dom\u00e9sticas, sem limites de tempo ou remunera\u00e7\u00e3o, de que desfruta no caso de um trabalho externo, por menor que seja.<br \/>\nDe qualquer forma, a ideia arraigada de que as tarefas dom\u00e9sticas e de cuidado s\u00e3o pr\u00f3prias das mulheres continua a ser naturalizada e que essa seria sua fun\u00e7\u00e3o principal nessa sociedade. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a maioria dos empregos que se acessa no mundo do trabalho esteja relacionada a isso: professoras, enfermeiras, cuidadoras, trabalhadoras de limpeza, etc.<br \/>\nTendo em conta as m\u00faltiplas tarefas da organiza\u00e7\u00e3o do lar [2], como sua realiza\u00e7\u00e3o efetiva leva muito tempo que n\u00e3o se pode usar para outras atividades: trabalho sob rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia, estudo ou a forma\u00e7\u00e3o, cultura ou lazer. Mulheres que passam dias extenuantes em f\u00e1bricas, limpando casas de fam\u00edlia ou atendendo pequenas empresas n\u00e3o \u201cdescansam\u201d quando chegam a casa. E, embora em muitos casos seus parceiros tamb\u00e9m sofram o mesmo destino de viver para trabalhar, em geral, os homens ao n\u00e3o se preocuparem com essas tarefas podem &#8220;desconectar&#8221; com uma cerveja ou assistir futebol nos seus poucos tempos livres. Como se isso n\u00e3o fosse uma carga pesada, a sociedade exige que a mulher continue sorridente e amorosa e que seja a apoiadora efetiva em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis como, por exemplo, esta que o mundo est\u00e1 passando hoje.<br \/>\nMas, infelizmente, isso \u00e9 ainda mais s\u00e9rio para aquelas mulheres pobres que s\u00e3o chefes de fam\u00edlia, que sozinhas t\u00eam que sustentar suas casas, que t\u00eam que suportar a campanha global de isolamento social, enquanto continuam sendo condenadas a trabalhar em f\u00e1bricas, a viajar em transportes p\u00fablico lotados e a sofrer por n\u00e3o poder \u201cficar em casa\u201d e cuidar da fam\u00edlia. Elas continuam a se expor ao v\u00edrus, levando-o para casa e carregando as tarefas dom\u00e9sticas ao retornar.<br \/>\n<strong>O capitalismo nos oprime para ganhar mais e mais<\/strong><br \/>\nAs tarefas dom\u00e9sticas e de cuidados s\u00e3o embrutecedoras e opressivas, quando s\u00e3o realizadas na esfera privada, porque s\u00e3o reproduzidas dia a dia ao longo da vida e em cada papel assumido: como filhas, esposas, m\u00e3es, av\u00f3s, etc. A realiza\u00e7\u00e3o dessas tarefas t\u00e3o extenuantes \u00e9 funcional para o sistema capitalista que, sem investir um centavo para que sejam feitas, tamb\u00e9m garante a sobreviv\u00eancia m\u00ednima das fam\u00edlias, especialmente na classe trabalhadora e nos setores populares, garantindo que dia a dia aqueles que devem ir trabalhar, possam faz\u00ea-lo. E assim, continuar a ser explorados fora de casa, em uma c\u00edrculo intermin\u00e1vel que apenas enriquece os patr\u00f5es do mundo.<br \/>\nH\u00e1 muito debate sobre a natureza dessas tarefas, e a maioria das solu\u00e7\u00f5es propostas at\u00e9 pelos setores mais radicais do feminismo \u00e9 de mais confinamento e maior isolamento das mulheres com sal\u00e1rios ou reconhecimento econ\u00f4mico de forma individual para este trabalho. Essa pandemia mostrou que as solu\u00e7\u00f5es para os servi\u00e7os essenciais devem ser estatais, devem ter um conte\u00fado social e coletivo, mas o capitalismo n\u00e3o est\u00e1 disposto a faz\u00ea-lo. Os lucros capitalistas est\u00e3o acima das necessidades de sa\u00fade, moradia ou alimenta\u00e7\u00e3o da humanidade. Se as tarefas dom\u00e9sticas e de assist\u00eancia fossem socializadas, garantidas pelo Estado, al\u00e9m de funcionarem com muito mais efici\u00eancia, n\u00e3o se jogaria as mulheres na brutaliza\u00e7\u00e3o, o confinamento e a precariza\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho. [3]<br \/>\nAinda que o lema da visibiliza\u00e7\u00e3o dessas tarefas seja levantado por grandes massas femininas no mundo, as \u00fanicas que vivem em uma situa\u00e7\u00e3o sem sa\u00edda s\u00e3o as trabalhadoras e pobres (aquelas que t\u00eam acesso a uma melhor situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica podem contratar outras mulheres para encarreg\u00e1-las dessas tarefas humilhantes). Por isso que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 e deve ser uma tarefa de toda a classe trabalhadora na luta para mudar esse sistema de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMuitas mulheres pobres, principalmente imigrantes ou negras, carregam em suas costas as tarefas que as mulheres com dinheiro n\u00e3o querem fazer. S\u00e3o escravas modernas, em pleno s\u00e9culo 21, que levam o nome de trabalhadoras. Elas recebem sal\u00e1rios de fome e t\u00eam um n\u00edvel alt\u00edssimo de informalidade. Trabalham longas horas e muito longe de suas casas, mas as que est\u00e3o ainda piores s\u00e3o aquelas que moram com seus empregadores, para os quais est\u00e3o dispon\u00edveis as 24 horas do dia. Nesta situa\u00e7\u00e3o de pandemia, s\u00e3o as que mais sentem os efeitos e s\u00e3o tratadas como bens e n\u00e3o como pessoas. Foi escandaloso o caso de um casal na Argentina que \u201ccolocou\u201d sua empregada dom\u00e9stica no porta-malas do carro para que n\u00e3o fossem penalizados por quebrar a quarentena. Ou o resultado tr\u00e1gico que teve uma trabalhadora no Rio de Janeiro, que morreu de coronav\u00edrus, porque seu chefe que viajou para a It\u00e1lia a infectou.<br \/>\nA precariedade do emprego as deixou sem renda devido \u00e0 restri\u00e7\u00e3o e ningu\u00e9m cuida disso, embora muitas sejam obrigadas a trabalhar nessas circunst\u00e2ncias e sem medidas de prote\u00e7\u00e3o. As empregadas que vivem nas casas dos patr\u00f5es, em muitos casos, foram confinadas no trabalho longe de suas fam\u00edlias e sem espa\u00e7o para o descanso.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 uma pergunta sem resposta por que tudo isso acontece: \u00e9 o capitalismo sem m\u00e1scara, que usa todos os tipos de opress\u00e3o (racial, cultural, \u00e9tnica ou sexual) para espremer cada gota do suor e \u00e0 custa de nossas vidas, continuar enchendo os bolsos dos donos do mundo, que n\u00e3o precisam mais de nada, mas querem tudo, at\u00e9 nossas vidas. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para os setores populares e para a classe trabalhadora nesse sistema, pois nossos interesses s\u00e3o totalmente opostos aos dessa classe que parasita nossa exist\u00eancia.<br \/>\n<strong>Isolamento e agravamento da opress\u00e3o<\/strong><br \/>\nNesta situa\u00e7\u00e3o de risco global e isolamento obrigat\u00f3rio em muitos pa\u00edses do mundo devido \u00e0 pandemia de coronav\u00edrus, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 piorando: empobrece aos mais pobres e, principalmente nesses setores, as mulheres. A \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o da pobreza\u201d se aprofunda e, diante do desemprego que atinge muitos\/as trabalhadores\/as que n\u00e3o receber\u00e3o sal\u00e1rio se n\u00e3o trabalharem, a luta pela sobreviv\u00eancia se torna a ordem do dia.<br \/>\nA maioria dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo vive em condi\u00e7\u00f5es absolutamente prec\u00e1rias e amontoadas, as express\u00f5es mais brutais talvez se reflitam na \u00cdndia, nas gigantescas favelas do Brasil ou nos bairros da Venezuela. Mas em todo o mundo existem milh\u00f5es de pessoas nas condi\u00e7\u00f5es mais desumanas de vida, onde o acesso \u00e0 \u00e1gua, o principal elemento de higiene para impedir a transmiss\u00e3o do Covid-19, \u00e9 inexistente.<br \/>\nNesses locais, as mulheres devem se encarregar de &#8220;cuidar&#8221; das fam\u00edlias, diante de um discurso generalizado de responsabilidade individual da doen\u00e7a, em vez das obriga\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias dos estados. N\u00e3o h\u00e1 isolamento poss\u00edvel, h\u00e1 superlota\u00e7\u00e3o e pobreza, h\u00e1 fome e desespero. S\u00e3o as mulheres que devem escolher como os filhos e fam\u00edlia morrer\u00e3o, seja por Coronav\u00edrus, fome ou reprimidos por governos que militarizam os pobres em nome da sa\u00fade.<br \/>\nH\u00e1 uma parte consider\u00e1vel do planeta que est\u00e1 em isolamento, que se viu obrigada a ficar em casa e isso envolve muitos dist\u00farbios psicol\u00f3gicos e situa\u00e7\u00f5es emocionais dif\u00edceis. No entanto, s\u00e3o especialmente as mulheres que tamb\u00e9m s\u00e3o socialmente obrigadas a garantir o cuidado de todas as dimens\u00f5es do trabalho familiar: garantir comida, apesar dos poucos recursos dispon\u00edveis, educa\u00e7\u00e3o em casa (desde que as escolas foram fechadas na maioria dos pa\u00edses), cuidar dos idosos que n\u00e3o devem sair para a rua porque est\u00e3o em risco, mas que precisam de mais cuidados do que o habitual (sem qualquer aux\u00edlio estatal para essa tarefa), limpeza completa da casa para evitar maiores riscos de cont\u00e1gio, aten\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de familiares e um longo etc.<br \/>\nUm cap\u00edtulo separado deve ser a men\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de mulheres e menores que sofrem viol\u00eancia dom\u00e9stica. A declara\u00e7\u00e3o de quarentena obrigat\u00f3ria em muitos casos foi uma senten\u00e7a de pris\u00e3o para muitas mulheres. A coexist\u00eancia for\u00e7ada com agressores e abusadores \u00e9 tremendamente dolorosa. Os n\u00fameros relatados pelos servi\u00e7os de ajuda no Brasil, Argentina ou Espanha mostram um aumento nas queixas de viol\u00eancia desde a quarentena. Um registro recorde de div\u00f3rcio tamb\u00e9m foi registrado na China agora que as medidas de isolamento come\u00e7am a ser levantadas. As pol\u00edticas, programas e or\u00e7amentos de todos os pa\u00edses s\u00e3o totalmente insuficientes e as mulheres agora est\u00e3o confinadas e mais expostas \u00e0 suposta seguran\u00e7a de sua casa.<br \/>\n<strong>E se n\u00e3o for capitalismo, o que ser\u00e1?<\/strong><br \/>\nDiante desta situa\u00e7\u00e3o extrema, n\u00f3s, revolucion\u00e1rios, estamos convencidos de que ainda h\u00e1 muito que precisamos alcan\u00e7ar exigindo de nossos governos. Em nosso horizonte, o melhor exemplo a seguir continua sendo o do Estado Oper\u00e1rio que foi constru\u00eddo ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917, onde foram destru\u00eddas as velhas leis que colocavam as mulheres em uma situa\u00e7\u00e3o de desigualdade legal com rela\u00e7\u00e3o aos homens. E onde as tarefas dom\u00e9sticas e de cuidados foram socializadas, criando lavanderias, restaurantes, creches e todos os tipos de institui\u00e7\u00f5es para aliviar as mulheres de tarefas embrutecedoras. S\u00f3 assim elas puderam estar na vanguarda da constru\u00e7\u00e3o do Estado Oper\u00e1rio, uma tarefa gigantesca que o stalinismo mais tarde abortou, jogando fora as conquistas alcan\u00e7adas.<br \/>\nFicamos com apenas uma conclus\u00e3o poss\u00edvel: n\u00e3o h\u00e1 estado nem governo nesse sistema (por mais democr\u00e1tico que possa nos parecer) que assuma a tarefa de libertar as mulheres de sua desigualdade material e leve essa tarefa at\u00e9 o fim. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conseguir isso dentro do capitalismo, tal como querem nos convencer amplas e extensas variantes do feminismo. Embora valorizemos qualquer pequena conquista em nossos direitos que as mulheres sejam capazes de alcan\u00e7ar dentro desse sistema, elas sempre ser\u00e3o insuficientes e ser\u00e3o permanentemente amea\u00e7adas. Ainda mais agora que o capitalismo tenta se salvar de uma crise extrema como a destacada por esta pandemia. \u00c9 t\u00e3o simples quanto entender que, se privilegiarem seus ganhos, as mulheres nunca estar\u00e3o livres dessas tarefas, assim como todos os trabalhadores n\u00e3o estar\u00e3o livres do jugo da explora\u00e7\u00e3o que pesa sobre suas cabe\u00e7as ao longo de suas vidas.<br \/>\nA necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas, recursos financeiros e estatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais \u00e0 popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o mencionadas por n\u00f3s e por muitas correntes feministas; no entanto, nossas estrat\u00e9gias para alcan\u00e7\u00e1-lo s\u00e3o muito diferentes. H\u00e1 quem garanta que isso ser\u00e1 alcan\u00e7ado com o empoderamento individual de algumas mulheres que acessam cargos p\u00fablicos, que, se estivermos &#8220;conquistando&#8221; espa\u00e7os de poder, todas as mulheres estar\u00e3o em melhor situa\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o adianta Angela Merkel liderar o Estado alem\u00e3o, que Cristina Kirchner seja vice-presidente na Argentina ou que as empresas tenham mulheres nos conselhos, porque neste momento todas elas mandam as trabalhadoras para morrer ao defender a produ\u00e7\u00e3o antes que a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 aumento de or\u00e7amento nas \u00e1reas de viol\u00eancia de g\u00eanero em nenhum desses pa\u00edses. No caso do governo espanhol o &#8220;gabinete feminino e feminista&#8221; n\u00e3o garante sal\u00e1rios e subs\u00eddios para as trabalhadoras dom\u00e9sticas que est\u00e3o desempregadas, nem organiza espa\u00e7os de cuidados garantidos pelo estado para adultos mais velhos.<br \/>\nA luta levantada pelos setores separatistas do feminismo tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 eficaz, essa luta que implica &#8220;lutar contra os homens&#8221; e realizar a\u00e7\u00f5es independentemente n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o no momento. Para que as mulheres e toda a popula\u00e7\u00e3o pobre n\u00e3o morram nesta pandemia, devemos afrontar os homens e as mulheres capitalistas que n\u00e3o se importam com nossas vidas, porque, diante da situa\u00e7\u00e3o mundial, a resposta n\u00e3o pode ser apenas feminina.<br \/>\n<strong>Mais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1rio continuar lutando, apesar do Coronav\u00edrus<\/strong><br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio, ent\u00e3o, que mais do que nunca a classe trabalhadora como um todo e n\u00e3o apenas as mulheres, lutem, para que as tarefas de cuidados sejam de responsabilidade social e passem a ser garantidas pelos diferentes governos agora e quando essa crise passar. Em primeiro lugar, \u00e9 urgente garantir uma quarentena para toda a popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas para aqueles que podem pag\u00e1-la como um privil\u00e9gio. Que todos recebam seu sal\u00e1rio integral no caso de ter um emprego e garantam o recebimento de um sal\u00e1rio m\u00e9dio para todas as pessoas que n\u00e3o o possuem, a fim de sustentar a paralisa\u00e7\u00e3o das atividades. Esta exig\u00eancia \u00e9 parte fundamental das necessidades das fam\u00edlias trabalhadoras.<br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio um or\u00e7amento adequado para que nossos idosos pobres, os mais afetados pelo Coronav\u00edrus, n\u00e3o sejam enviados para casa para morrer porque n\u00e3o t\u00eam como pagar por cuidados privilegiados e o sistema de sa\u00fade p\u00fablica em muitas partes do mundo, ou praticamente n\u00e3o existe ou j\u00e1 entrou em colapso. Tamb\u00e9m s\u00e3o precisamente as mulheres enfermeiras ou prestadoras de cuidados informais que, em seus empregos ou em casa, mais se arriscam ao praticar esses cuidados com quase nenhum tipo de preven\u00e7\u00e3o. Fica absolutamente expl\u00edcito que cuidar de doentes e idosos \u00e9 uma tarefa quase exclusivamente feminina. Que os diferentes governos se encarreguem do cuidado e recupera\u00e7\u00e3o de todos os doentes, n\u00e3o apenas daqueles que podem pagar por isso!<br \/>\n\u00c9 por isso que exigimos que a urg\u00eancia mundial e o dinheiro sejam destinados \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica e n\u00e3o para salvar os benef\u00edcios das grandes empresas, garantindo as condi\u00e7\u00f5es de trabalho necess\u00e1rias para o pessoal de sa\u00fade e assist\u00eancia, al\u00e9m de mant\u00ea-las funcionando e se instalem maior quantidade de locais mais espec\u00edficos onde nossos doentes e idosos possam se recuperar. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio garantir alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o com medidas de higiene e seguran\u00e7a sanit\u00e1ria.<br \/>\nTodas essas medidas aliviar\u00e3o o fardo que as mulheres t\u00eam sobre suas costas, mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que os homens da classe trabalhadora reflitam e mudem os costumes e h\u00e1bitos que perpetuam a opress\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio dividir as tarefas de casa, que se disponham a dividir o fardo e que combatam as press\u00f5es machistas sobre eles mesmos. Somente assim, a partir da colabora\u00e7\u00e3o m\u00fatua e da luta contra o machismo que nos divide como explorados, poderemos come\u00e7ar a nos organizar com nossos companheiros da classe trabalhadora na grande tarefa pol\u00edtica que temos pela frente: mudar esse sistema ego\u00edsta e injusto em suas ra\u00edzes, para colocar de p\u00e9 o socialismo, \u00fanico caminho para a liberta\u00e7\u00e3o final de toda a humanidade.<br \/>\nNotas:<br \/>\n<a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"..\/..\/AppData\/Local\/Packages\/Microsoft.MicrosoftEdge_8wekyb3d8bbwe\/TempState\/Downloads\/%5b1%5d\">[1]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unwomen.org\/es\/what-we-do\/economic-empowerment\/facts-and-figures\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.unwomen.org\/es\/what-we-do\/economic-empowerment\/facts-and-figures<\/a><br \/>\n<a name=\"_ftn2\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/opresiones\/mujeres\/las-tareas-del-hogar-en-tiempos-de-coronavirus\/#_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.clarin.com\/entremujeres\/genero\/trabajo-domestico-invisible-deteriora-bienestar-salud-mental-mujeres_0_Gx_tyhz0z.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.clarin.com\/entremujeres\/genero\/trabajo-domestico-invisible-deteriora-bienestar-salud-mental-mujeres_0_Gx_tyhz0z.html<\/a><br \/>\n<a name=\"_ftn3\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/opresiones\/mujeres\/las-tareas-del-hogar-en-tiempos-de-coronavirus\/#_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/opresiones\/mujeres\/el-trabajo-domestico-en-la-revolucion-rusa\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/opresiones\/mujeres\/el-trabajo-domestico-en-la-revolucion-rusa\/<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Nea Vieira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 inevit\u00e1vel pensar que uma pandemia como o Coronav\u00edrus, com a magnitude e a import\u00e2ncia que tomou, n\u00e3o atrapalhe a vida cotidiana de todo o mundo. Esse v\u00edrus s\u00f3 piora a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 terr\u00edvel das mulheres trabalhadoras no mundo.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":32790,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[729,3512,3493,30],"tags":[2184,515,4240,5314,3591,5315,5054],"class_list":["post-32789","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2021","category-estado-espanhol","category-mulheres","category-coronavirus","tag-8m-2021","tag-especial-coronavirus","tag-isabel-morales","tag-mulheres-e-cuidados","tag-ruth-diaz","tag-tarefas-da-casa-ecoronavirus","tag-trabalho-domestico"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/arton33688.jpg","categories_names":["8M 2021","Estado Espanhol","Mulheres","Pandemia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32789\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32790"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}