{"id":32548,"date":"2020-04-06T16:37:55","date_gmt":"2020-04-06T18:37:55","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32548"},"modified":"2020-04-06T16:37:55","modified_gmt":"2020-04-06T18:37:55","slug":"o-poco-uma-metafora-da-nossa-sociedade-dividida-em-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/04\/06\/o-poco-uma-metafora-da-nossa-sociedade-dividida-em-classes\/","title":{"rendered":"O Po\u00e7o: Uma met\u00e1fora da nossa sociedade dividida em classes"},"content":{"rendered":"<p><em>O Po\u00e7o \u00e9 um filme espanhol dirigido por Galder Gaztelu e escrito por David Desola e Pedro Rivero. O longa estreou na Netflix no \u00faltimo 20 de mar\u00e7o e vem causando burburinho nas redes sociais desde ent\u00e3o, seja por seu final em aberto ou pela retrata\u00e7\u00e3o da sociedade. Mas, afinal, o que podemos tirar de O Po\u00e7o?<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Will BG de Crici\u00fama (SC)<br \/>\nO filme se passa em um futuro onde uma pris\u00e3o vertical mant\u00e9m duas pessoas em cada andar e a comida \u00e9 distribu\u00edda da mesma forma. Os de cima comem primeiro e os de baixo ficam com os restos. A hist\u00f3ria poderia muito bem se desenvolver apenas como um reflexo da pir\u00e2mide social em que vivemos, onde os mais privilegiados ocupam o topo e ficam com toda a riqueza produzida pelos trabalhadores, que acabam sendo relegados, fazendo a base acabar apenas com o que os de cima acham que devemos ficar. Por\u00e9m, os roteiristas David e Pedro e o diretor Galder aprofundam um tema bastante necess\u00e1rio sobre o sistema capitalista em que vivemos. Afinal, por que algumas pessoas passam fome?<br \/>\nHoje n\u00f3s j\u00e1 conseguimos produzir comida suficiente para alimentar praticamente o dobro da popula\u00e7\u00e3o mundial, por\u00e9m sem uma distribui\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria e com a busca pelo lucro dos burgueses, v\u00e1rias pessoas em diferentes lugares morrem de fome ou n\u00e3o tem o m\u00ednimo necess\u00e1rio para manter uma alimenta\u00e7\u00e3o nutritiva, o que acaba causando v\u00e1rios problemas de sa\u00fade. Em O Po\u00e7o essa realidade cruel do Capitalismo \u00e9 mostrada para o p\u00fablico na forma desta pris\u00e3o vertical, onde os de cima acabam comendo primeiro e com o passar dos andares a escassez aparece e no fim v\u00e1rias pessoas ficam sem se alimentar. Chegando no \u00e1pice de praticarem canibalismo para a sobreviv\u00eancia.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/youtu.be\/IKoURpr85pI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/youtu.be\/IKoURpr85pI<\/a><br \/>\nPor\u00e9m, se este po\u00e7o \u00e9 t\u00e3o ruim assim, por que as pessoas n\u00e3o se rebelam contra a administra\u00e7\u00e3o e saem dessa pris\u00e3o? Esse ponto \u00e9 crucial para O Po\u00e7o representar melhor nosso sistema do que alguns outros filmes mais aclamados de futuros dist\u00f3picos, mas que apenas ficam na superf\u00edcie do problema. Neste longa de Gaztelu, as pessoas s\u00e3o realocadas aleatoriamente de posi\u00e7\u00f5es a cada m\u00eas. Um dia voc\u00ea pode estar na posi\u00e7\u00e3o 3 e, ao passar o m\u00eas, pode estar na 235 e morrer de fome. Esta din\u00e2mica do medo \u00e9 eficaz para que as pessoas se mantenham fi\u00e9is \u00e0 administra\u00e7\u00e3o e inclusive agrade\u00e7am a ela (ou Deus) por acordarem em uma posi\u00e7\u00e3o que d\u00ea para se alimentar, sem questionar muito que esse medo e agradecimento s\u00f3 existe, justamente, devido \u00e0 pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o distribuir a comida de forma igualit\u00e1ria, e assim relegar algumas pessoas a morrerem de fome.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/O-po\u00e7o-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-32550\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/O-po\u00e7o-2.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><br \/>\nEsta din\u00e2mica do medo t\u00e3o bem executada em O Po\u00e7o \u00e9 uma das principais armas do sistema capitalista para se perpetuar no poder por tanto tempo sem que haja uma rebeli\u00e3o nacional, ou at\u00e9 mesmo internacional, mesmo que de tempos em tempos o sistema colapse ou pessoas morram de fome. Enquanto os ricos, os donos de f\u00e1brica e os bancos nunca sequer sejam afetados. Este medo de perder o emprego num dia e no pr\u00f3ximo m\u00eas n\u00e3o ter dinheiro para pagar o almo\u00e7o da fam\u00edlia e a escola dos filhos, \u00e9 o que faz algumas pessoas at\u00e9 agradecerem a seus patr\u00f5es pelos empregos que t\u00eam e pelo quanto ganham. Mesmo que esse medo s\u00f3 seja real por conta do pr\u00f3prio sistema e dos patr\u00f5es que enchem o bolso com a riqueza produzida pelo trabalhador, e d\u00ea a ele apenas uma pequena parte para que sobreviva por apenas um m\u00eas. Porque, obrigatoriamente, o sistema quer que o trabalhador se sinta obrigado a fazer a mesma coisa no pr\u00f3ximo m\u00eas.<br \/>\nPor fim, em O Po\u00e7o, duas pessoas saem em busca de levar um pouco de justi\u00e7a para a pris\u00e3o e levar um pouco de comida para cada andar e fazer com que as pessoas sejam solid\u00e1rias umas com as outras. Esses levam bastante porrada e xingamentos, mas o trabalho tem que ser feito por algu\u00e9m e de pouco em pouco, pois assim como em O Po\u00e7o n\u00f3s vivemos numa sociedade que lida com o medo de tentar se desencaixar do sistema para lutar contra ele. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, nem imediato, mas \u00e9 muito importante um trabalho de base que v\u00e1 unificar os debaixo para lutar contra a administra\u00e7\u00e3o. Mostrar que n\u00f3s podemos viver sem ela, mas ela n\u00e3o consegue viver sem n\u00f3s. N\u00f3s produzimos, n\u00f3s geramos a riqueza e queremos ela distribu\u00edda para todos e n\u00e3o na m\u00e3o de poucos.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Po\u00e7o \u00e9 um filme espanhol dirigido por Galder Gaztelu e escrito por David Desola e Pedro Rivero. 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