{"id":32518,"date":"2020-04-06T10:01:17","date_gmt":"2020-04-06T12:01:17","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32518"},"modified":"2020-04-06T10:01:17","modified_gmt":"2020-04-06T12:01:17","slug":"coronavirus-e-socialismo-perguntas-frequentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/04\/06\/coronavirus-e-socialismo-perguntas-frequentes\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus e socialismo: perguntas frequentes"},"content":{"rendered":"<p><em>Muito foi dito e escrito sobre o Coronav\u00edrus nas \u00faltimas semanas. Tamb\u00e9m n\u00f3s queremos contribuir para o debate com estas Faq perguntas frequentes, ou seja, com perguntas e respostas. N\u00e3o nos debru\u00e7amos sobre os aspectos relativos ao campo m\u00e9dico e da sa\u00fade. Em vez disso, nos propomos a dois objetivos: 1. destacar as responsabilidades espec\u00edficas do sistema capitalista (e de seus governos) na g\u00eanese e m\u00e1 gest\u00e3o da emerg\u00eancia; 2. explicar aos trabalhadores, desempregados, estudantes, qual seria a abordagem, em casos semelhantes, de um sistema econ\u00f4mico e social diferente, pelo qual estamos lutando: o<\/em> <em>socialismo<\/em>.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Secretaria sindical do PdAC &#8211; It\u00e1lia<br \/>\n<strong>O fato de o Coronav\u00edrus ter se desenvolvido inicialmente em ambientes pobres tem algo a ver com o sistema capitalista?<\/strong><br \/>\nSim, o sistema capitalista sempre for\u00e7ou a maioria da popula\u00e7\u00e3o do mundo a uma condi\u00e7\u00e3o de pobreza absoluta. Lembremos que, hoje, pouco mais de 2000 capitalistas det\u00eam em suas m\u00e3os mais de que 4,6 bilh\u00f5es de pessoas tem em suas m\u00e3os. \u00a0O 50% da popula\u00e7\u00e3o mundial possui menos de 1% da riqueza mundial. Os pa\u00edses capitalistas mais ricos, os que chamamos de imperialistas, saquearam literalmente &#8211; e continuam a saquear &#8211; continentes inteiros: \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina, grande parte do continente asi\u00e1tico. Em grandes regi\u00f5es do mundo, as grandes multinacionais europeias e norte-americanas se apropriaram de mat\u00e9rias-primas e exploraram m\u00e3o-de-obra barata em pa\u00edses pobres. Mesmo a China, embora seja uma pot\u00eancia emergente que, por sua vez, busca subjugar as regi\u00f5es mais pobres, foi e ainda \u00e9 em parte um territ\u00f3rio explorado por multinacionais e por empresas capitalistas dos pa\u00edses imperialistas. N\u00e3o devemos ent\u00e3o nos surpreender se, entre essas popula\u00e7\u00f5es pobres, superexploradas e famintas, que vivem em condi\u00e7\u00f5es de higiene desumanas, se criam situa\u00e7\u00f5es que facilitem a propaga\u00e7\u00e3o de v\u00edrus como este. Tamb\u00e9m devemos acrescentar que, mesmo nos pa\u00edses ocidentais, os governos capitalistas, com as pol\u00edticas de austeridade, cortaram dezenas de milhares de leitos em hospitais, fecharam e privatizaram milhares de cl\u00ednicas, cortaram os fundos para a pesquisa, especialmente aquela que n\u00e3o era considerada \u00fatil para os interesses das empresas multinacionais de medicamentos (o que tamb\u00e9m explica por que, em 2020, temos tanta dificuldade de encontrar tratamentos e vacinas para o Coronav\u00edrus). Tudo isso aconteceu porque preferiram sacrificar a sa\u00fade p\u00fablica para doar bilh\u00f5es aos bancos e aos acionistas ricos.<br \/>\n<strong>Ent\u00e3o, no socialismo, a epidemia de Coronav\u00edrus n\u00e3o teria iniciado?<\/strong><br \/>\nTemos certeza de uma coisa: a extrema pobreza, na hist\u00f3ria, sempre favoreceu a propaga\u00e7\u00e3o de epidemias. O sistema social pelo qual lutamos, o socialismo, teria a possibilidade de erradicar a pobreza no mundo. \u00c9 um sistema no qual a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o (ou seja, a de f\u00e1bricas e dos bancos) ser\u00e1 substitu\u00edda por uma propriedade coletiva, em uma primeira fase do Estado, posteriormente &#8211; como disse Marx &#8211; ser\u00e1 poss\u00edvel alcan\u00e7ar uma condi\u00e7\u00e3o de &#8220;produtores associados livres&#8221;. Tudo isso, no entanto, apenas com a condi\u00e7\u00e3o de que isso seja instaurado em todo o mundo. Como a hist\u00f3ria tr\u00e1gica da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica estalinizada mostrou, se uma economia de transi\u00e7\u00e3o para o socialismo (como era a sovi\u00e9tica) permanece isolada e n\u00e3o se estende internacionalmente, geram deformidades hist\u00f3ricas como o stalinismo: por isso, como Trotsky dizia, \u00e9 necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o permanente, que se estenda internacionalmente. Hoje, a pobreza em massa deriva, essencialmente, do fato de que poucos riqu\u00edssimos bilion\u00e1rios concentram a grande maioria das riquezas em suas m\u00e3os. Se o proletariado conseguir, chefiado pelo partido revolucion\u00e1rio internacional, instaurar uma economia socialista em todo o mundo, a pobreza poder\u00e1 desaparecer. Isso tamb\u00e9m significaria maiores possibilidades de sufocar a propaga\u00e7\u00e3o de epidemias na origem.<br \/>\n<strong>O v\u00edrus se originou na China. Mas a China n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds &#8220;comunista&#8221;?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, a China n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds comunista, nem nunca foi. Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, houve uma revolu\u00e7\u00e3o que expropriou o capital privado, foi criado um Estado oper\u00e1rio e campon\u00eas deformado, com as caracter\u00edsticas t\u00edpicas dos Estados oper\u00e1rios degenerados da era stalinista. Todas os poderes foram centralizadas nas m\u00e3os de uma casta burocr\u00e1tica (mao\u00edsta, neste caso) que desmantelou progressivamente as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na d\u00e9cada de 1970, o capitalismo foi restaurado na China: a antiga burocracia mao\u00edsta foi convertida em uma nova classe burguesa, que det\u00e9m o controle do capital privado chin\u00eas (incluindo multinacionais). \u00c9 tamb\u00e9m um regime ditatorial: poder\u00edamos cham\u00e1-la de uma ditadura capitalista. O fato de a burocracia chinesa se reivindicar o comunismo \u00e9, em nossa opini\u00e3o, uma usurpa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um legado do stalinismo, que se reivindicava o comunismo quando estava construindo um regime que nada tinha a ver com o comunismo. N\u00e3o \u00e9 por acaso que na R\u00fassia e em outros Estados oper\u00e1rios degenerados, o capitalismo foi restaurado nas suas formas mais brutais.<br \/>\n<strong>\u00c9 verdade que a recess\u00e3o, na It\u00e1lia e em outros pa\u00edses capitalistas, ser\u00e1 causada justamente pelo coronav\u00edrus?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, na verdade o coronav\u00edrus s\u00f3 pode ser a causa deflagradora do gatilho, o estopim de uma recess\u00e3o que j\u00e1 estava latente e na economia mundial h\u00e1 algum tempo. At\u00e9 o jornal IlSole24Ore, jornal da Confindustria, em 6 de mar\u00e7o passado, assinalou, que, mesmo antes da explos\u00e3o da epidemia de Covid-19, havia sinais que levavam a acreditar que era muito prov\u00e1vel uma recess\u00e3o global nos pr\u00f3ximos 12 meses. As causas desencadeantes poderiam ter sido diferentes: um novo aumento da guerra tarif\u00e1ria entre a China e os EUA; a explos\u00e3o da bolha relacionada \u00e0s d\u00edvidas contra\u00eddas pelos estudantes para pagar a universidade nos EUA; a fal\u00eancia de uma grande institui\u00e7\u00e3o financeira (como aconteceu em 2009 com o Lehman Brotehr); as tens\u00f5es entre os pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo. Mas a principal causa estrutural de uma recess\u00e3o geral, como tem sido h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, \u00e9 a queda na taxa de lucro das empresas capitalistas. Quando, \u00e0 queda percentual dos lucros se acresce a redu\u00e7\u00e3o, em termos absolutos, do conjunto dos proventos, a hist\u00f3ria nos ensina que a recess\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel. A economia estava nessa situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 tempos, portanto, era apenas uma quest\u00e3o de tempo. Obviamente, o Coronav\u00edrus agora acelera todo esse processo.<br \/>\n<strong>As medidas econ\u00f4micas adotadas pelo governo italiano, em particular o aumento da d\u00edvida p\u00fablica, ter\u00e3o repercuss\u00f5es na vida dos trabalhadores e das massas populares? Quais?<\/strong><br \/>\nSem sombra de d\u00favida. Atualmente, o governo j\u00e1 est\u00e1 tomando decis\u00f5es que resultar\u00e3o em aumento da d\u00edvida. \u00c9 muito prov\u00e1vel que outras vir\u00e3o nas pr\u00f3ximas semanas, com os aumentos de gastos cada vez mais consistentes. Na maioria das vezes, beneficiar\u00e3o o grande capital, mas n\u00e3o podemos excluir que, enquanto durar a emerg\u00eancia de sa\u00fade, a fim de evitar surtos sociais dif\u00edceis de gerenciar, medidas tamb\u00e9m possam ser tomadas medidas em favor dos trabalhadores, ainda que parciais e insuficientes.<br \/>\nT\u00e3o logo que a fase mais aguda dessa situa\u00e7\u00e3o tiver passado, em um ou dois anos, um governo burgu\u00eas, de qualquer cor, apresentar\u00e1 a conta aos trabalhadores, pedindo a restitui\u00e7\u00e3o do que lhes foi concedido e cobrando, tamb\u00e9m, o que foi dado aos patr\u00f5es. As pol\u00edticas de austeridade voltar\u00e3o com prepot\u00eancia \u00e0 ordem do dia. Em uma \u00e9poca hist\u00f3rica como a que vivemos, onde n\u00e3o se v\u00ea o em que o fim da precariedade econ\u00f4mica, nem a menor melhoria pode ser mantida enquanto a l\u00f3gica do lucro dominar.<br \/>\n<strong>N\u00e3o haveria risco de recess\u00f5es ou crises da d\u00edvida no socialismo?<\/strong><br \/>\nCrise econ\u00f4mica e recess\u00f5es, crise da d\u00edvida soberana (isto \u00e9, do Estado) n\u00e3o s\u00e3o conceitos a-hist\u00f3ricos absolutos, mas situa\u00e7\u00f5es que ocorrem em uma sociedade dividida em classes e, em particular, na dominada pelo capitalismo. Por outro lado, a natureza e as formas das crises foram diferentes na hist\u00f3ria. Nos tempos pr\u00e9-capitalistas, eram caracterizadas pela subprodu\u00e7\u00e3o, causada por fatores externos ao ciclo econ\u00f4mico, como guerras e carestias. Diferentes s\u00e3o as crises no capitalismo, que assumem a forma de superprodu\u00e7\u00e3o, uma vez que o capital produz mais do que precisa. N\u00e3o \u00e9 um excesso absoluto, mas mais do que o necess\u00e1rio para aumentar o seu valor. No socialismo, isso n\u00e3o seria poss\u00edvel: o objetivo do sistema econ\u00f4mico e social n\u00e3o seria a produ\u00e7\u00e3o como um fim em si mesma, com o objetivo de aumentar o capital, mas a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades humanas. N\u00e3o haveria limites para a produ\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, n\u00e3o se deveria necessariamente, produzir sem limites. A sociedade como um todo decidiria o qu\u00ea, quanto e se produzir. Como Marx escreveu no Grundrisse: &#8220;ent\u00e3o a unidade de medida da riqueza n\u00e3o ser\u00e1 o tempo de trabalho (funcional para aumentar o capital, ndr), mas o tempo livre&#8221;. O mesmo se aplica \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica. O dinheiro em perspectiva desapareceria ou seria limitado apenas para desempenhar uma mera fun\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil. N\u00e3o seria a principal forma pela qual o capital se materializa, o qual seria suprimido, nem a maneira pela qual o valor \u00e9 transferido. A d\u00edvida p\u00fablica, indispens\u00e1vel ao funcionamento de uma sociedade capitalista e um instrumento adicional de enriquecimento da burguesia em preju\u00edzo do proletariado, desapareceria. Como consequ\u00eancia, as crises relacionadas a isso seriam imposs\u00edveis.<br \/>\n<strong>Na It\u00e1lia, como em outros pa\u00edses, o governo imp\u00f4s o fechamento de escolas, mas n\u00e3o de outros locais de trabalho, por exemplo, f\u00e1bricas. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nPorque em uma sociedade dividida em classes, o governo \u00e9 uma express\u00e3o da classe dominante, a saber, a burguesia; cujo interesse \u00e9 o de manter as f\u00e1bricas abertas para obter lucros, mesmo com o risco da vida dos trabalhadores. O sistema capitalista baseia-se na propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o e, portanto, no lucro dos capitalistas, que vem antes de tudo, mesmo antes das vidas humana. N\u00e3o \u00e9 por acaso que n\u00e3o tenha sido bloqueado o que n\u00e3o est\u00e1 diretamente vinculado ao lucro dos grandes capitalistas e dos industriais: escolas, as pequenas atividades artesanais, comerciais e de servi\u00e7os. Se, por um lado, o governo pode ter interesse material em erradicar a epidemia do Covid 19, por outro, n\u00e3o pode se opor \u00e0 grande burguesia porque, para nos expressarmos como Marx, atua como seu comit\u00ea de neg\u00f3cios. E \u00e9 por isso que, para n\u00e3o impedir os lucros dos capitalistas, \u00e9 que coloca em risco a vida de centenas de milhares oper\u00e1rios e oper\u00e1rias.<br \/>\n<strong>Os capitalistas aproveitam o Coronav\u00edrus para defender os seus interesses, com o apoio dos governos e das burocracias sindicais. Quais s\u00e3o os exemplos mais evidentes?<\/strong><br \/>\nEm geral, os capitalistas se aproveitam de qualquer situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia para obter lucros e benef\u00edcios; permaneceu na mem\u00f3ria coletiva o telefonema de dois empres\u00e1rios satisfeitos pelos futuros neg\u00f3cios relacionados \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o, no dia seguinte ao terremoto que atingiu Aquila em 2009. Especificamente, nestes dias de epidemia viral do Covid-19, houve diferentes formas de explora\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio pr\u00f3prio de uma situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica, entre as mais impressionantes, podemos citar: demiss\u00f5es, como no caso da Air Italy que se aproveitou dessa crise para deixar 1500 trabalhadores em casa; o abuso imoderado dos chamados amortecedores sociais*, com as quais os grandes capitalistas que querem impor a continuidade da produ\u00e7\u00e3o nos setores que s\u00e3o rent\u00e1veis \u200b\u200bpara eles, n\u00e3o hesitam em socializar as perdas colocando milhares de trabalhadores em \u2018cassa integrazzione\u2019** (atingindo fortemente seu poder de compra, entre outras coisas, nesta fase de emerg\u00eancia); o neg\u00f3cio do medo e da emerg\u00eancia, onde o custo das compras on-line de m\u00e1scaras e sab\u00e3o desinfetante subiu vertiginosamente e onde a ind\u00fastria farmac\u00eautica obter\u00e1 lucros bilion\u00e1rios com a libera\u00e7\u00e3o de curas e vacinas. Em cada uma destas situa\u00e7\u00f5es, o governo \u00e9 o protagonista e o executor, e as burocracias sindicais s\u00e3o c\u00famplices. N\u00e3o esque\u00e7amos que as dire\u00e7\u00f5es da CGIL, CISL e UIL assinaram um &#8220;Protocolo de Entendimento&#8221; com o governo e a Confindustria que, al\u00e9m de prever o uso de f\u00e9rias e de licen\u00e7as de trabalhadores em caso de fechamento tempor\u00e1rio das f\u00e1bricas, n\u00e3o exige dos patr\u00f5es o fechamento de f\u00e1bricas, nem no caso de cont\u00e1gio dentro da f\u00e1brica!<br \/>\n<strong>As f\u00e1bricas, no socialismo, poderiam ser fechadas em uma emerg\u00eancia como esta?<\/strong><br \/>\nNo socialismo, isto \u00e9, uma economia coletiva sob o controle dos trabalhadores, sem propriedade privada, os mecanismos de funcionamento da economia seriam totalmente diferentes, porque, como Marx explica em O Capital, o capitalismo precisa explorar a m\u00e3o de obra para obter lucro (extra\u00e7\u00e3o de mais-valia ou mais-trabalho). No socialismo, como o lucro privado n\u00e3o existe, a produ\u00e7\u00e3o seria funcional apenas para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades sociais, ou seja, as necessidades da comunidade. Portanto, al\u00e9m de uma fase inicial de transi\u00e7\u00e3o, se poderia chegar a n\u00edveis muito altos de automa\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, com o uso quase exclusivo de m\u00e1quinas e um uso muito limitado de m\u00e3o-de-obra. Em uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia como esta, a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias sofreria muito menos, sendo amplamente automatizada. Em condi\u00e7\u00f5es normais, no socialismo, cada trabalhador poderia trabalhar algumas horas por semana e produzir riqueza suficiente para satisfazer as necessidades de todos. Em condi\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia como esta, nenhum trabalhador seria obrigado a arriscar o cont\u00e1gio no local de trabalho. As f\u00e1bricas que produzem bens desnecess\u00e1rios fechariam sem hesita\u00e7\u00e3o. Nas poucas f\u00e1bricas que seria necess\u00e1rio deixar abertas (produ\u00e7\u00e3o de instrumentos sanit\u00e1rias e bens de necessidades b\u00e1sicas), haveria uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica no hor\u00e1rio de trabalho de cada oper\u00e1rio (sem penalidades financeiras), com o recrutamento de novos funcion\u00e1rios e, acima de tudo, com o fornecimento de prote\u00e7\u00f5es reais, as mesmas prote\u00e7\u00f5es que necessitam os m\u00e9dicos que trabalham nos setores infectados. Sistemas de prote\u00e7\u00e3o que os capitalistas hoje n\u00e3o pretendem disponibilizar aos trabalhadores, porque s\u00e3o muito caros, penalizando assim seus lucros.<br \/>\n<strong>O setor de transporte \u00e9 um dos mais afetados, como evidenciado no anuncio do \u00a0transporte a\u00e9reo. De quem s\u00e3o as responsabilidades?<\/strong><br \/>\nA partir do setor da sa\u00fade, surgem muitas contradi\u00e7\u00f5es e as consequ\u00eancias que est\u00e3o surgindo, h\u00e1 anos, de privatiza\u00e7\u00f5es desenfreadas e pol\u00edticas de austeridade: o setor de transportes est\u00e1 entre os mais afetados. O transporte p\u00fablico local est\u00e1 passando por anos de severos cortes e uma total falta de investimentos que levaram importantes empresas de transporte municipal (Roma, N\u00e1poles, G\u00eanova etc.) \u00e0 beira da fal\u00eancia com o \u00fanico objetivo de justificar sua poss\u00edvel privatiza\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior no setor de avia\u00e7\u00e3o, onde a liberaliza\u00e7\u00e3o do mercado permitiram a perda do controle do setor por parte do Estado, com as empresas nacionais massacradas pelas privatiza\u00e7\u00f5es e os aeroportos nas m\u00e3os de grandes grupos privados que embolsam os recursos. A condi\u00e7\u00e3o do setor ferrovi\u00e1rio \u00e9 um pouco melhor, onde, no entanto, existem muitas atividades terceirizadas, como a manuten\u00e7\u00e3o, e onde a propriedade p\u00fablica da FS est\u00e1 longe de ser uma nacionaliza\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o do pa\u00eds, mas expressa aquele capitalismo de Estado que enriquece somente os patr\u00f5es. Tudo isso \u00e9 resultado de d\u00e9cadas de desmantelamento perpetrado por governos de todas as cores, com total complac\u00eancia das grandes burocracias sindicais, atrav\u00e9s tamb\u00e9m do compartilhamento das leis (por exemplo, lei 146\/90) que reduziram bastante o direito de greve.<br \/>\n<strong>O governo, por meio da Comiss\u00e3o de Garantia das Greves e com a colabora\u00e7\u00e3o das grandes burocracias sindicais, est\u00e1 proibindo greves. \u00c9 realmente uma decis\u00e3o necess\u00e1ria para enfrentar a emerg\u00eancia de sa\u00fade?<\/strong><br \/>\nO &#8220;convite firme&#8221; da comiss\u00e3o de garantia \u00e9 datado de 24 de fevereiro, atrav\u00e9s do qual todas as organiza\u00e7\u00f5es sindicais foram intimadas a n\u00e3o convocar greves nos chamados servi\u00e7os essenciais. Est\u00e1vamos \u00e0s v\u00e9speras da greve geral do setor de avia\u00e7\u00e3o &#8211; aeroportu\u00e1rios que, entre as v\u00e1rias reivindica\u00e7\u00f5es, colocava na ordem do dia precisamente o problema da propaga\u00e7\u00e3o e cont\u00e1gio do Covid-19 e a falta das devidas prote\u00e7\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es para reduzir as opera\u00e7\u00f5es. Enquanto avi\u00f5es e trens continuam cortando suas opera\u00e7\u00f5es diariamente, aos trabalhadores ainda \u00e9 proibido fazer greve. \u00c9 claro que esse dispositivo governamental, imediatamente aceito pela maioria dos sindicatos, mesmo alguns &#8220;de base&#8221;, n\u00e3o tem nada a ver com conter a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, mas continua sendo apenas um ato repressivo contra aqueles trabalhadores que, numa tentativa para proteger sua sa\u00fade, teriam utilizado a greve em sua defesa. N\u00e3o ser\u00e1 a proibi\u00e7\u00e3o das greves que interromper\u00e1 o v\u00edrus, mas o protagonismo dos trabalhadores em impor, tamb\u00e9m nos servi\u00e7os essenciais, medidas m\u00ednimas emerg\u00eancias e suporte \u00e0 coletividade.<br \/>\n<strong>Como seriam os transportes no socialismo?<\/strong><br \/>\nComo muitos outros setores vitais de apoio e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da coletividade, os transportes no socialismo tamb\u00e9m seriam totalmente p\u00fablicos e controlados pelos \u00f3rg\u00e3os democr\u00e1ticos dos trabalhadores, sem nenhum lucro. Uma economia planejada permitiria, nos transportes, o equil\u00edbrio justo entre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, o direito \u00e0 mobilidade e o respeito ao meio ambiente, bem como \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a, tanto para os trabalhadores quanto para a popula\u00e7\u00e3o. Isso, entre outras coisas, reduziria significativamente a polui\u00e7\u00e3o e o impacto no meio ambiente. Nenhum habitante, mesmo nos lugarejos mais distantes, ficaria isolado do resto do pa\u00eds, assim como nenhum morador de ilha seria obrigado a recorrer a alguma empresa privada pronta apenas a obter lucro. Justamente, a emerg\u00eancia do Coronav\u00edrus est\u00e1 evidenciando mais ainda a necessidade de nacionalizar as principais empresas de transporte que, se colocadas sob o controle dos trabalhadores, nesta situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, poderiam exercer o servi\u00e7o de mobilidade necess\u00e1rio com o \u00fanico objetivo de limitar os deslocamentos apenas em casos de emerg\u00eancia e para reagrupamentos familiares, com total seguran\u00e7a e sem atuar como ve\u00edculo de transmiss\u00e3o do v\u00edrus.<br \/>\n<strong>O sistema de sa\u00fade italiano passou por cortes bilion\u00e1rios e privatiza\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos anos. Isso ajuda a transformar o risco de cont\u00e1gio em um perigo para a vida de muitas pessoas?<\/strong><br \/>\nNas epidemias, o risco de cont\u00e1gio est\u00e1 ligado a duas ordens de fatores: o biol\u00f3gico, representado pela complexa intera\u00e7\u00e3o hospedeiro\/parasita e pela capacidade de se espalhar nas popula\u00e7\u00f5es; e aquele social, que torna as classes sociais menos favorecidas, mais vulner\u00e1veis. Este aspecto determina uma primeira ruptura de classe entre a burguesia e o proletariado. Isso nos faz entender como o perigo de vida, associado \u00e0s complica\u00e7\u00f5es pulmonares da infec\u00e7\u00e3o por Covid-19, seja uma consequ\u00eancia n\u00e3o apenas de fatores biol\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m de fatores sociais, como a presen\u00e7a e a efic\u00e1cia de um sistema p\u00fablico de sa\u00fade adequado \u00e0s necessidades concretas das pessoas. O Sistema Nacional de Sa\u00fade universal, p\u00fablico e gratuito nasceu em 1978; n\u00e3o foi uma concess\u00e3o generosa dos capitalistas (que n\u00e3o tinham nenhum interesse nele), mas foi uma vit\u00f3ria das lutas oper\u00e1rias daqueles anos. No in\u00edcio dos anos 90, com a cumplicidade das burocracias sindicais e dos partidos da esquerda reformista da \u00e9poca, os capitalistas come\u00e7aram a realizar ataques contra as conquistas gerais do movimento oper\u00e1rio e obtiveram o enfraquecimento progressivo do Sistema Nacional de Sa\u00fade, em benef\u00edcio das institui\u00e7\u00f5es privadas. Isso deixou as pessoas \u00e0 merc\u00ea de uma oferta de assist\u00eancia m\u00e9dica n\u00e3o proporcional \u00e0s reais necessidades coletivas. Esta desapropria\u00e7\u00e3o foi mais feroz e c\u00ednica no sul da It\u00e1lia, praticamente desprovido de um sistema p\u00fablico confi\u00e1vel. Agora estamos testemunhando o caos, a desorganiza\u00e7\u00e3o e a escassez de leitos.<br \/>\n<strong>Os profissionais de sa\u00fade est\u00e3o protegidos?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Isso \u00e9 demonstrado pelo fato de que a maioria dos pacientes do Covid-19 \u00e9 composta por trabalhadores do SSN (Sistema Nacional de Sa\u00fade). Alguns deles faleceram. Regras de implementa\u00e7\u00e3o pomposas foram emitidas, mas permanecem no papel por serem pouco realistas. Em verdade, servem para proteger aqueles que as emitiram. Algumas exposi\u00e7\u00f5es acidentais s\u00e3o tratadas como descuidos individuais. Essas regras, meticulosamente detalhadas, servem para responsabilizar os funcion\u00e1rios por um poss\u00edvel cont\u00e1gio. At\u00e9 o momento, os dispositivos de prote\u00e7\u00e3o s\u00e3o escassos na maioria dos lugares; at\u00e9 mesmo as m\u00e1scaras cir\u00fargicas comuns, de baixa efic\u00e1cia, est\u00e3o em falta. Diante da onda epid\u00eamica, os principais dirigentes de sa\u00fade se encontraram despreparados. Os contratos coletivos e a dire\u00e7\u00f5es sindicais atuantes entre os trabalhadores do SSN oferecem o panorama mais sombrio de todos os funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Os trabalhadores do SSN s\u00e3o silenciados e amea\u00e7ados. Em toda a It\u00e1lia, foram emitidos regulamentos disciplinares contendo regras vexat\u00f3rias e intimidadoras contra os trabalhadores que ousassem expressar opini\u00f5es divergentes em p\u00fablico. Esses regulamentos foram emitidos como ato unilateral pelas dire\u00e7\u00f5es de todas as ASL (Unidades Locais de Sa\u00fade) presentes no territ\u00f3rio italiano, sem ouvir os trabalhadores ou, na melhor das hip\u00f3teses, submet\u00ea-los ao exame informal das entidades sindicais servis \u00abassina-tudo\u00bb. E os sal\u00e1rios para os trabalhadores s\u00e3o rid\u00edculos. Ent\u00e3o, agradecer aos her\u00f3is parece uma piada.<br \/>\n<strong>Como seria a sa\u00fade p\u00fablica em um sistema socialista? Como voc\u00ea lidaria com essa emerg\u00eancia?<\/strong><br \/>\nA assist\u00eancia de sa\u00fade em um sistema socialista seria, por defini\u00e7\u00e3o, p\u00fablica. Desaparecendo a distin\u00e7\u00e3o entre classes sociais, qualquer sa\u00fade privada n\u00e3o faria sentido. O sistema social de sa\u00fade seria internacional, com car\u00e1ter universal, gratuito e eficiente, porque n\u00e3o haveria limites de gastos, sen\u00e3o aqueles determinados pelas necessidades das massas. Seria financiado, dirigido e organizado por \u00f3rg\u00e3os centrais de controle popular, eleitos pelos conselhos de trabalhadores e das trabalhadoras e revog\u00e1veis \u200b\u200ba qualquer momento: aqueles que exercem fun\u00e7\u00f5es de dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam privil\u00e9gios sobre outros trabalhadores. Tais \u00f3rg\u00e3os usariam a colabora\u00e7\u00e3o de institutos p\u00fablicos de pesquisa cient\u00edfica: no socialismo, seriam verdadeiramente independentes porque, derrotando o capitalismo, n\u00e3o seriam submetidos a press\u00f5es, condicionamentos e chantagens. Todo o sistema de sa\u00fade se ocuparia com pesquisa, ensino, assist\u00eancia sanit\u00e1ria individual e coletiva, desenvolvida nos ramos de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico, tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio do que est\u00e1 acontecendo agora no capitalismo, a preven\u00e7\u00e3o representaria a maior parte do compromisso ativo da sa\u00fade. Epidemias repentinas n\u00e3o s\u00e3o eventos imprevis\u00edveis, independentemente de sua probabilidade. Um sistema planejado seria capaz de levar em considera\u00e7\u00e3o todos os cen\u00e1rios poss\u00edveis, mesmo o improv\u00e1vel, e implantar todos os meios necess\u00e1rios para n\u00e3o ser surpreendido frente a uma s\u00fabita e particular necessidade. Informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas corretas n\u00e3o induziriam p\u00e2nico ou histeria (hoje vistas com complac\u00eancia pelo capitalismo com a finalidade de amedrontar impedir e planejar especula\u00e7\u00f5es), mas uma colabora\u00e7\u00e3o cuidadosa com a finalidade do bem coletivo. A descren\u00e7a que alimenta a histeria \u00e9 ditada hoje pela falta de confian\u00e7a que o proletariado deposita nas classes dominantes. Quando uma epidemia como esta em andamento, o sistema social de sa\u00fade socialista j\u00e1 teria as estruturas necess\u00e1rias para enfrent\u00e1-las prontamente; onde n\u00e3o existissem, seria poss\u00edvel montar qualquer estrutura necess\u00e1ria, com o equipamento apropriado e com rapidez ordenada.<br \/>\n<strong>A sa\u00fade nos locais de trabalho \u00e9 protegida pelo capitalismo?<\/strong><br \/>\nOs n\u00fameros s\u00e3o suficientes para nos contar sobre o fracasso persistente e a total incapacidade do capitalismo em proteger a sa\u00fade e a seguran\u00e7a dos trabalhadores nos locais de trabalho: somente na It\u00e1lia, cerca de 1300 trabalhadores morrem por ano (uma m\u00e9dia de tr\u00eas por dia). Em um sistema econ\u00f4mico capitalista, qualquer gasto improdutivo, como aqueles relacionados \u00e0 seguran\u00e7a dos trabalhadores, qualquer desacelera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, s\u00e3o um obst\u00e1culo que se interp\u00f5e entre o patr\u00e3o e seu lucro. Por este motivo, os patr\u00f5es sempre tentar\u00e3o eximir-se de medidas necess\u00e1rias para garantir a sa\u00fade e a seguran\u00e7a dos trabalhadores ou canaliz\u00e1-los para a legisla\u00e7\u00e3o burguesa, a fim de torn\u00e1-las compat\u00edveis com seus interesses. A seguran\u00e7a no trabalho \u00e9 uma quest\u00e3o central e s\u00f3 pode ser resolvida a partir de uma perspectiva de classe. Nesse sentido, nos reportamos ao dossi\u00ea preparado pela Frente de Luta No Austerity (dispon\u00edvel no site www.frontedilottanoausterity.org).<br \/>\n<strong>Um governo oper\u00e1rio socialista estaria mais atento \u00e0 sa\u00fade e seguran\u00e7a nos locais de trabalho?<\/strong><br \/>\nSim, como a pr\u00f3pria classe oper\u00e1ria est\u00e1 no poder, um governo oper\u00e1rio socialista n\u00e3o deveria garantir lucros, nem deve lucrar com a for\u00e7a de trabalho dos trabalhadores. No socialismo, a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria necessariamente ser ininterrupta, mas seria adaptada \u00e0s necessidades dos trabalhadores e da coletividade; os ritmos de trabalho e a dura\u00e7\u00e3o dos turnos seriam compat\u00edveis com a seguran\u00e7a e a sa\u00fade dos trabalhadores e com todas as medidas necess\u00e1rias para proteger os trabalhadores dos perigos que encontram na atividade de trabalho poderiam ser realizadas livremente, sem estar subordinadas a raz\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias. Al\u00e9m disso, como dissemos acima, no socialismo a produ\u00e7\u00e3o seria amplamente automatizada, ou seja, confiada a m\u00e1quinas: as horas de trabalho necess\u00e1rias seriam muito poucas. Os trabalhadores teriam prioritariamente tarefas de administra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e das empresas, pois estas est\u00e3o sob seu controle. Em perspectiva, cada trabalhador poder\u00e1, como Marx dizia, dar de acordo com suas capacidades e receber de acordo com suas pr\u00f3prias necessidades.<br \/>\n<strong>O fechamento de escolas afeta a vida de mulheres trabalhadoras, funcion\u00e1rios e estudantes?<\/strong><br \/>\nObviamente sim. Vivemos em uma sociedade machista, onde muito pouco fizeram os governos para combater a subordina\u00e7\u00e3o das mulheres. Agora, muitas mulheres, com companheiros ou s\u00f3s, t\u00eam que cuidar sozinhas de seus filhos que n\u00e3o podem frequentar a escola ou o ber\u00e7\u00e1rio. \u00c9 uma condi\u00e7\u00e3o muito pesada, tanto para as m\u00e3es que continuam a trabalhar &#8211; que n\u00e3o sabem como cuidar de seus filhos &#8211; quanto para as muitas que perderam o emprego (prec\u00e1rias, trabalhadoras com contrato limitado, trabalhadoras n\u00e3o declaradas, etc.) e que n\u00e3o t\u00eam mais renda para alimentar seus filhos. Al\u00e9m disso, n\u00e3o devemos esquecer que os \u00edndices de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra as mulheres s\u00e3o muito altos. Para muitas mulheres, o slogan &#8220;ficar em casa&#8221; significa estar em uma situa\u00e7\u00e3o perigosa, com um agravamento da viol\u00eancia sofrida por c\u00f4njuges ou conviventes. Hoje, o Estado n\u00e3o oferece alternativas para as mulheres nesta condi\u00e7\u00e3o. Hoje, uma parte do pessoal das escolas \u00e9 penalizada, especialmente os trabalhadores prec\u00e1rios que vivem como substitutos ocasionais e os educadores contratados pelas cooperativas: muitos j\u00e1 est\u00e3o sem emprego, outros logo se encontrar\u00e3o desempregados (aqui tamb\u00e9m estamos falando de uma for\u00e7a de trabalho majoritariamente feminina). Finalmente, os estudantes s\u00e3o obviamente penalizados, por n\u00e3o poderem mais usufruir como antes, de um direito muito importante: o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. O ensino a dist\u00e2ncia n\u00e3o substitui o ensino presencial, especialmente considerando os cortes bilion\u00e1rios que as escolas sofreram ao longo dos anos: os pr\u00e9dios est\u00e3o em ru\u00ednas, os equipamentos tecnol\u00f3gicos tamb\u00e9m e imaginemos se existem meios para ativar um ensino \u00e0 dist\u00e2ncia de qualidade! Um grande n\u00famero de estudantes nem sequer tem um computador ou uma conex\u00e3o \u00e0 internet em casa: seus pais n\u00e3o podem pagar.<br \/>\n<strong>Como seria a educa\u00e7\u00e3o e a instru\u00e7\u00e3o no socialismo? Como eles seriam organizadas em uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia?<\/strong><br \/>\nNo socialismo, os grandes potenciais produtivos da ind\u00fastria contempor\u00e2nea, em vez de serem usados para enriquecer alguns tios Patinhas, seriam usados para fortalecer o sistema de servi\u00e7os p\u00fablicos, portanto tamb\u00e9m a escola e, em geral, o sistema de ensino e educa\u00e7\u00e3o. Isso significa que a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica teria enormes recursos, o que permitiria a implementa\u00e7\u00e3o de ensino \u00e0 dist\u00e2ncia de alta qualidade. Antes de tudo, a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica garantiria a cada aluno (e professor) a possibilidade de ter gratuitamente um computador, conex\u00e3o r\u00e1pida \u00e0 internet, tablet, al\u00e9m de todo o equipamento necess\u00e1rio para realizar aulas de qualidade \u00e0 dist\u00e2ncia. Haveria acomoda\u00e7\u00f5es gratuitas e espa\u00e7osas para todos e, assim, cada aluno poderia ter um espa\u00e7o somente seu onde pudesse estudar. Al\u00e9m disso, uma escola com tantos recursos dispon\u00edveis teria uma enorme quantidade de material multim\u00eddia de alta qualidade para poder utiliz\u00e1-lo no o ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, o que hoje, somente algumas escolas exclusivas podem disponibilizar. Digamos que, apesar de ter que enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, os alunos certamente seriam menos penalizados.<br \/>\n<strong>As mulheres do socialismo teriam a possibilidade de ser dispensadas do trabalho dom\u00e9stico e do cuidado dos filhos, mesmo em uma situa\u00e7\u00e3o de risco de cont\u00e1gio?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o queremos contar mentiras, como fazem os representantes da burguesia. Um problema como o Coronav\u00edrus, se tivesse se desenvolvido por algum motivo, teria levado a uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, mesmo em uma economia planejada sob controle dos trabalhadores. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, para libert\u00e1-las da condi\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o em que se encontram e alivi\u00e1-las do trabalho dom\u00e9stico, do cuidado dos filhos e dos idosos, restaurantes p\u00fablicos, lavanderias p\u00fablicas, empresas p\u00fablicas de limpeza e higiene das casas, jardins de inf\u00e2ncia e escolas p\u00fablicas de per\u00edodo integral seriam institu\u00eddas no socialismo. Um sistema baseado no uso de estruturas p\u00fablicas obviamente deveria enfrentar problemas quando se desenvolvesse uma doen\u00e7a que torna perigoso o uso de estruturas p\u00fablicas. Mas n\u00e3o esque\u00e7amos que, com o atual n\u00edvel de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, se a produ\u00e7\u00e3o fosse uma propriedade p\u00fablica, parte da ind\u00fastria poderia, em pouco tempo, ser reconvertida em uma ind\u00fastria que produza o que \u00e9 necess\u00e1rio no momento da emerg\u00eancia, do tamp\u00e3o*** a m\u00e1scaras realmente protetoras. Isso significa, por exemplo, que em caso de necessidade de usar uma estrutura p\u00fablica, haveria prote\u00e7\u00f5es gratuitas reais dispon\u00edveis para todos. Muitos outros tamp\u00f5es tamb\u00e9m estariam dispon\u00edveis. Se hoje n\u00e3o h\u00e1 tamp\u00f5es suficientes nem mesmo para determinar o estado de sa\u00fade dos pacientes sintom\u00e1ticos, \u00e9 porque os tamp\u00f5es s\u00e3o produzidos por ind\u00fastrias privadas, que provavelmente os vendam a um pre\u00e7o alto. No socialismo, poder\u00edamos produzir todos os tamp\u00f5es que precisamos. Acima de tudo, no socialismo, haveria possibilidades reais para as mulheres fugir da viol\u00eancia dom\u00e9stica: toda mulher teria total autonomia econ\u00f4mica e poderia dispor de um alojamento gratuito, onde morar sozinha ou com quem preferir.<br \/>\n<strong>Muitos dizem que o socialismo \u00e9 uma utopia e que seu fracasso seria historicamente demonstrado pelo fracasso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ou pelos atuais regimes liberticidas da China, R\u00fassia e Cuba. Como \u00e9 realmente a situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nComo escrevemos no in\u00edcio, 2000 capitalistas possuem a riqueza de 4 bilh\u00f5es e meio de pessoas: a \u00fanica utopia real \u00e9 pensar que deste sistema perverso e criminoso algo bom para os trabalhadores e para as massas populares poder\u00e1 um dia surgir. Se essa desigualdade gigantesca n\u00e3o existisse, essa enorme expropria\u00e7\u00e3o perpetrada por uma minoria dominante contra a humanidade, que \u00e9 privada de toda a riqueza produzida por bilh\u00f5es de trabalhadores em todo o mundo, poder\u00edamos criar uma sociedade inteiramente baseada nas necessidades vitais e sociais de todos, onde o trabalho teria hor\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com as necessidades de vida dos trabalhadores, respeitando o clima e o meio ambiente. Al\u00e9m disso, o trabalho seria uma oportunidade de realiza\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias habilidades e predisposi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o uma imposi\u00e7\u00e3o. O que s\u00e3o indevidamente chamados \u201cEstados socialistas&#8221; ou &#8220;comunistas&#8221; (Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, China, Cuba etc.) foram, por um per\u00edodo, Estados oper\u00e1rios degenerados e burocratizados, onde o capitalismo foi gradualmente restaurado: eles representam a pr\u00f3pria nega\u00e7\u00e3o do comunismo. O socialismo n\u00e3o \u00e9 uma utopia: \u00e9 a \u00fanica chance que temos de salvar a humanidade, antes do ponto sem retorno.<br \/>\nNotas do\/a tradutor\/a<br \/>\n* Conjunto de normas com o fim de manter a renda do trabalhador desempregado.<br \/>\n** Instituto previsto na legisla\u00e7\u00e3o italiana que consiste numa presta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica paga pelo Estado aos trabalhadores com contrato suspenso ou jornada reduzida.<br \/>\n*** Massa de gaze usada para absorver secre\u00e7\u00f5es.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Maria Teresa Albiero e Alberto Albiero Jr.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito foi dito e escrito sobre o Coronav\u00edrus nas \u00faltimas semanas. Tamb\u00e9m n\u00f3s queremos contribuir para o debate com estas Faq perguntas frequentes, ou seja, com perguntas e respostas. N\u00e3o nos debru\u00e7amos sobre os aspectos relativos ao campo m\u00e9dico e da sa\u00fade. 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