{"id":32511,"date":"2020-04-05T13:17:33","date_gmt":"2020-04-05T15:17:33","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32511"},"modified":"2020-04-05T13:17:33","modified_gmt":"2020-04-05T15:17:33","slug":"michel-roberts-engels-sobre-natureza-e-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/04\/05\/michel-roberts-engels-sobre-natureza-e-humanidade\/","title":{"rendered":"Michael Roberts &#124; Engels sobre natureza e humanidade"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00c0 luz da atual pandemia, aqui est\u00e1 um trecho do meu livro sobre a contribui\u00e7\u00e3o de Engels para a economia pol\u00edtica marxista no 200\u00ba anivers\u00e1rio de seu nascimento.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Michael Roberts<br \/>\nMarx e Engels s\u00e3o frequentemente acusados \u200b\u200bdo que foi chamado de vis\u00e3o promet\u00e9ica<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> da organiza\u00e7\u00e3o social humana, ou seja, que os seres humanos, usando seus c\u00e9rebros superiores, conhecimento e capacidade t\u00e9cnica, podem e devem impor sua vontade ao resto do planeta ou ao que \u00e9 chamado de &#8216;natureza&#8217; &#8211; para o bem ou para o mal.<br \/>\nA acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 que outras esp\u00e9cies vivas s\u00e3o apenas brinquedos para o uso de seres humanos. Existem seres os humanos e h\u00e1 a natureza, em contradi\u00e7\u00e3o. Essa acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente dirigida a Friedrich Engels, que \u00e9 acusado de ter adotado uma vis\u00e3o &#8220;positivista&#8221; burguesa da ci\u00eancia, ou seja, que o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 sempre progressista e ideologicamente neutro; e a rela\u00e7\u00e3o entre homem e natureza tamb\u00e9m.<br \/>\nEssa acusa\u00e7\u00e3o contra Marx e Engels foi promovida no per\u00edodo p\u00f3s-guerra pela chamada\u00a0 <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Frankfurt_School\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Escola de Marxismo de Frankfurt,<\/a> que acreditava que tudo deu errado com o marxismo depois de 1844, quando Marx e Engels supostamente abandonaram o &#8220;humanismo&#8221;. Mais tarde, os seguidores do marxista franc\u00eas <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Louis_Althusser\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Althusser<\/a> culparam o pr\u00f3prio Engels. Para eles, tudo foi para o inferno um pouco depois, quando Engels instituiu o &#8220;materialismo dial\u00e9tico&#8221; no lugar do &#8220;materialismo hist\u00f3rico&#8221; a fim de promover sua &#8220;cren\u00e7a tola&#8221; de que o marxismo e as ci\u00eancias da natureza tinham algum relacionamento.<br \/>\nDe fato, a cr\u00edtica &#8220;verde&#8221; de Marx e Engels \u00e9 que eles n\u00e3o sabiam que o homo sapiens estava destruindo o planeta e, portanto, eles pr\u00f3prios. Em vez disso, Marx e Engels tinham uma f\u00e9 promet\u00e9ica na capacidade do capitalismo de desenvolver as for\u00e7as produtivas e a tecnologia para superar quaisquer riscos ao planeta e \u00e0 natureza.<br \/>\nQue Marx e Engels n\u00e3o prestaram aten\u00e7\u00e3o ao impacto da atividade social humana sobre a natureza foi desmentido recentemente, em particular pelo trabalho inovador de autores marxistas como\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.haymarketbooks.org\/search?q=Marx-and-Nature\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">John Bellamy Foster<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.amazon.co.uk\/Marx-S-Ecology-Materialism-Nature\/dp\/1583670122\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paul Burkett<\/a>. Eles mostraram que, em todo o Capital, Marx estava muito consciente do impacto degradante do capitalismo sobre a natureza e os recursos do planeta. Marx escreveu que \u201cO modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista re\u00fane a popula\u00e7\u00e3o em grandes centros e faz com que a popula\u00e7\u00e3o urbana alcance uma preponder\u00e2ncia sempre crescente\u2026. Ele perturba a intera\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica entre o homem e a terra, ou seja, impede o retorno ao solo de seus elementos constituintes consumidos pelo homem na forma de alimentos e roupas; portanto, dificulta a eterna opera\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o natural da fertilidade duradoura do solo. Assim, destr\u00f3i ao mesmo tempo a sa\u00fade f\u00edsica do trabalhador urbano e a vida intelectual do trabalhador rural\u201d. Como Paul Burkett diz: &#8220;\u00c9 dif\u00edcil argumentar que h\u00e1 algo fundamentalmente antiecol\u00f3gico na an\u00e1lise do capitalismo de Marx e em suas proje\u00e7\u00f5es do comunismo&#8221;.<br \/>\nPara apoiar isso, <a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/karl_marxs_ecosocialism\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o livro premiado de Kohei Saito recorreu<\/a> aos cadernos in\u00e9ditos de cita\u00e7\u00f5es de Marx do projeto de pesquisa MEGA em andamento para revelar o extenso estudo de Marx de trabalhos cient\u00edficos da \u00e9poca sobre agricultura, solo, silvicultura, para expandir seu conceito da conex\u00e3o entre o capitalismo e sua destrui\u00e7\u00e3o de recursos naturais.<br \/>\nMas Engels tamb\u00e9m deve ser salvo da mesma acusa\u00e7\u00e3o. Na verdade, Engels estava bem \u00e0 frente de Marx (mais uma vez) ao conectar a destrui\u00e7\u00e3o e os danos ao meio ambiente causados pela industrializa\u00e7\u00e3o. Enquanto ainda morava em sua cidade natal, Barmen (hoje Wuppertal), ele escreveu <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/1839\/03\/telegraph.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00e1rias anota\u00e7\u00f5es<\/a> sobre a desigualdade entre ricos e pobres, a piedosa hipocrisia dos pregadores da igreja e tamb\u00e9m sobre a polui\u00e7\u00e3o dos rios.<br \/>\nCom apenas 18 anos, ele escreve: \u201c&#8230; as cidades de Elberfeld e Barmen, que se estendem ao longo do vale por uma dist\u00e2ncia de quase tr\u00eas horas de viagem. As ondas roxas do rio estreito fluem \u00e0s vezes rapidamente, \u00e0s vezes lentamente entre edif\u00edcios de f\u00e1bricas enfuma\u00e7adas e p\u00e1tios de branqueamento de fios. Sua cor vermelha brilhante, no entanto, n\u00e3o se deve a alguma batalha sangrenta, pois a luta aqui \u00e9 travada apenas por canetas teol\u00f3gicas e velhotas tagarelas, geralmente por assuntos insignificantes, n\u00e3o pela vergonha das a\u00e7\u00f5es dos homens, embora haja realmente motivo suficiente para isso, mas de maneira simples e exclusiva pelos numerosos trabalhos de tingimento com vermelho turco. Vindo de D\u00fcsseldorf, entra-se na regi\u00e3o sagrada de Sonnborn; o enlameado Wupper flui lentamente e, comparado com o Reno deixado para tr\u00e1s, sua apar\u00eancia miser\u00e1vel \u00e9 muito decepcionante\u201d.<br \/>\n<div id=\"attachment_32512\" style=\"width: 910px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-32512\" class=\"size-full wp-image-32512\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-1.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"616\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-1.jpg 900w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-1-300x205.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-1-768x526.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-1-150x103.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-1-218x150.jpg 218w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-1-696x476.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-32512\" class=\"wp-caption-text\">Barmen em 1913<\/p><\/div><br \/>\nEle continua: \u201cEm primeiro lugar, o trabalho na f\u00e1brica \u00e9 amplamente respons\u00e1vel. O trabalho em salas baixas, onde as pessoas respiram mais fuma\u00e7a e poeira de carv\u00e3o do que oxig\u00eanio &#8211; e na maioria dos casos, a partir dos seis anos de idade \u2013 acaba por priv\u00e1-las de toda a for\u00e7a e alegria da vida&#8221;.<br \/>\nEle conectou a degrada\u00e7\u00e3o social das fam\u00edlias trabalhadoras com a degrada\u00e7\u00e3o da natureza ao lado da piedade hip\u00f3crita dos fabricantes. &#8220;A pobreza terr\u00edvel prevalece entre as classes mais baixas, particularmente os oper\u00e1rios de Wuppertal; s\u00edfilis e doen\u00e7as pulmonares s\u00e3o t\u00e3o difundidas que dificilmente se pode acreditar; somente em Elberfeld, das 2.500 crian\u00e7as em idade escolar, 1.200 s\u00e3o privadas de educa\u00e7\u00e3o e crescem nas f\u00e1bricas &#8211; apenas para que o fabricante n\u00e3o precise pagar aos adultos, cujo lugar elas ocupam, o dobro do sal\u00e1rio que paga a uma crian\u00e7a. Mas os fabricantes ricos t\u00eam uma consci\u00eancia flex\u00edvel e causar a morte de uma crian\u00e7a n\u00e3o condena a alma de um devoto ao inferno, especialmente se ele vai \u00e0 igreja duas vezes todos os domingos. Pois \u00e9 fato que os devotos tratam seus trabalhadores de maneira pior que outros propriet\u00e1rios das f\u00e1bricas; eles usam todos os meios poss\u00edveis para reduzir o sal\u00e1rio dos trabalhadores sob o pretexto de priv\u00e1-los da oportunidade de embebedar-se\u201d.<br \/>\nCertamente, essas observa\u00e7\u00f5es de Engels s\u00e3o exatamente isso, observa\u00e7\u00f5es, sem qualquer desenvolvimento te\u00f3rico, mas mostram a sensibilidade de Engels da rela\u00e7\u00e3o entre industrializa\u00e7\u00e3o, propriet\u00e1rios e trabalhadores, sua pobreza e o impacto ambiental da produ\u00e7\u00e3o industrial.<br \/>\nEm seu primeiro trabalho importante, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/1844\/df-jahrbucher\/outlines.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Esbo\u00e7os de uma cr\u00edtica da economia pol\u00edtica,<\/a> novamente bem antes de Marx estudar a economia pol\u00edtica, Engels observa como a propriedade privada da terra, a busca pelo lucro e a degrada\u00e7\u00e3o da natureza andam de m\u00e3os dadas. \u201cFazer da terra um objeto de venda &#8211; a terra que \u00e9 nossa, a primeira condi\u00e7\u00e3o de nossa exist\u00eancia &#8211; foi o \u00faltimo passo para tornar ele pr\u00f3prio um objeto de venda. Foi e \u00e9 at\u00e9 hoje uma imoralidade superada apenas pela imoralidade da autoaliena\u00e7\u00e3o. E a apropria\u00e7\u00e3o original &#8211; a monopoliza\u00e7\u00e3o da terra por alguns, a exclus\u00e3o do resto daquilo que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de sua vida &#8211; n\u00e3o resulta em nenhuma imoralidade para a subsequente venda da terra\u201d. Uma vez que a terra se torna mercantilizada pelo capital, est\u00e1 sujeita a tanta explora\u00e7\u00e3o quanto o trabalho.<br \/>\nA principal obra de Engels (escrita com a ajuda de Marx), A Dial\u00e9tica da Natureza, escrita nos anos anteriores a 1883 e publicada logo ap\u00f3s a morte de Marx, \u00e9 frequentemente sujeita a ataques como sendo uma extens\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria de Marx aplicada \u00e0 natureza de uma maneira n\u00e3o marxista. E, no entanto, em seu livro, Engels n\u00e3o podia ser mais claro sobre a rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre o homem e a natureza.<br \/>\nEm um famoso cap\u00edtulo, O Papel do Trabalho na Transforma\u00e7\u00e3o do Macaco em Homem<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, ele escreve: \u201cMas n\u00e3o nos regozijemos demasiadamente em face dessas vit\u00f3rias humanas sobre a natureza&#8230; A cada uma dessas vit\u00f3rias, ela exerce sua vingan\u00e7a. Cada uma delas produz, em primeiro lugar, certas consequ\u00eancias com que podemos contar, mas, em segundo e terceiro lugares, produz outras muito diferentes, n\u00e3o previstas, que quase sempre anulam essas primeiras consequ\u00eancias. Os homens que, na Mesopot\u00e2mia, Gr\u00e9cia, \u00c1sia Menor e em outras partes destru\u00edram os bosques para obter terras cultiv\u00e1veis, n\u00e3o podiam imaginar que, dessa forma, estavam dando origem \u00e0 atual desola\u00e7\u00e3o dessas terras ao despoj\u00e1-las de seus bosques, isto \u00e9, dos centros de capta\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o de umidade. Os italianos dos Alpes, quando devastaram, na sua vertente sul, os bosques de pinheiros, t\u00e3o cuidadosamente conservados na sua vertente norte, nem suspeitavam que, dessa maneira, &#8230; estavam eliminando as fontes de \u00e1gua das vertentes da montanha durante a maior parte do ano, e que, na \u00e9poca das chuvas, seriam derramadas furiosas torrentes sobre as plan\u00edcies. Os propagadores da batata na Europa n\u00e3o sabiam que, por meio desse tub\u00e9rculo, estavam difundindo a escr\u00f3fula. E assim, somos a cada passo advertidos de que n\u00e3o podemos dominar a natureza como um conquistador domina um povo estrangeiro, como algu\u00e9m situado fora da natureza; mas sim que lhe pertencemos, com a nossa carne, nosso sangue e nosso c\u00e9rebro; que estamos no meio dela; e que todo o dom\u00ednio sobre ela consiste na vantagem que levamos sobre os demais seres de poder chegar a conhecer suas leis e aplic\u00e1-las corretamente\u201d. \u00a0(minha \u00eanfase)<br \/>\nEngels continua: \u201cNa realidade, a cada dia que passa aprendemos a entender mais corretamente as suas leis e a conhecer os efeitos imediatas e remotos resultantes de nossa interven\u00e7\u00e3o no processo que a mesma leva a cabo. &#8230; Mas, quanto mais se verifica isso,\u00a0 tanto mais os homens se sentir\u00e3o unificados com a natureza e tanto mais ter\u00e3o a consci\u00eancia disso,\u00a0 tornando-se cada vez mais imposs\u00edvel sustentar essa no\u00e7\u00e3o absurda e antinatural que estabelece a oposi\u00e7\u00e3o entre esp\u00edrito e mat\u00e9ria, entre o homem e a natureza, entre alma e corpo&#8230;\u201d<br \/>\nEngels explica as consequ\u00eancias sociais da expans\u00e3o das for\u00e7as produtivas. \u201cMas, se foi necess\u00e1rio o trabalho de mil\u00eanios para que cheg\u00e1ssemos a aprender, dentro de certos limites, a calcular os efeitos remotos de nossos atos orientados no sentido da produ\u00e7\u00e3o, isso era muito mais dif\u00edcil no que diz respeito aos efeitos sociais remotos desses atos. (\u2026) E, quando Colombo descobriu a mesma Am\u00e9rica, n\u00e3o podia supor que, dessa forma, daria vida nova \u00e0 escravid\u00e3o, j\u00e1 superada, desde muito, em toda a Europa<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, estabelecendo os fundamentos para o tr\u00e1fico negreiro\u201d.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-32513\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-2.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-2.jpg 430w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-2-300x242.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Mic-R-2-150x121.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/a><br \/>\nO povo das Am\u00e9ricas foi levado \u00e0 escravid\u00e3o, mas tamb\u00e9m a natureza foi escravizada. Como Engels disse: \u201cAos agricultores espanh\u00f3is estabelecidos em Cuba, que queimaram as matas nas encostas das montanhas (tendo conseguido, com as cinzas da\u00ed resultantes, o adubo suficiente para uma s\u00f3 gera\u00e7\u00e3o de cafeeiros muito lucrativos), que lhes importava o fato de que, mais tarde, os aguaceiros tropicais provocassem a eros\u00e3o das terras que, \u00a0sem defesas vegetais, transformaram-se em rocha nua?\u201d<br \/>\n<strong><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/MIC-R-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-32514 alignright\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/MIC-R-3.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"153\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/MIC-R-3.jpg 220w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/MIC-R-3-150x104.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><\/a><\/strong>Agora sabemos que <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Genocide_of_indigenous_peoples\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00e3o foi apenas a escravid\u00e3o que os europeus trouxeram para as Am\u00e9ricas, mas tamb\u00e9m a doen\u00e7a,<\/a>\u00a0 que em suas diversas formas exterminou 90% dos nativos americanos e foi a principal raz\u00e3o de sua subjuga\u00e7\u00e3o pelo colonialismo.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/MIC-R-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-32515 alignleft\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/MIC-R-4.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/MIC-R-4.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/MIC-R-4-150x110.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n\u00c0 medida que experimentamos mais uma pandemia, sabemos que foi o impulso do capitalismo em industrializar a agricultura e usurpar o deserto remanescente <a href=\"https:\/\/thenextrecession.wordpress.com\/2020\/01\/31\/corinavirus-nature-fights-back\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que levou a natureza a &#8220;revidar&#8221;<\/a>, \u00e0 medida que os humanos entram em contato com mais pat\u00f3genos aos quais n\u00e3o t\u00eam imunidade, assim como os americanos nativos no s\u00e9culo XVI.<br \/>\nEngels atacou a vis\u00e3o de que a &#8220;natureza humana&#8221; seja inerentemente ego\u00edsta e apenas destruidora da natureza. Em seu Esbo\u00e7o&#8230;, Engels descreveu esse argumento como uma \u201cblasf\u00eamia repulsiva contra o homem e a natureza&#8221;.\u00a0 Os seres humanos podem trabalhar em harmonia com e como parte da natureza. Requer maior conhecimento das consequ\u00eancias da a\u00e7\u00e3o humana. Engels disse em sua Dial\u00e9tica&#8230;: \u201cNa verdade, por\u00e9m, aprendemos nesse campo (do trabalho), gradualmente, por meio de uma longa e quase sempre dura experi\u00eancia (e mediante a coordena\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o do material hist\u00f3rico), a compreender claramente as consequ\u00eancias sociais, indiretas e remotas, de nossa atividade produtiva, o que nos proporciona a possibilidade de\u00a0 e regular tamb\u00e9m essas consequ\u00eancias\u201d.<br \/>\nMas um melhor conhecimento e progresso cient\u00edfico n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Para Marx e Engels, a possibilidade de acabar com a contradi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre homem e natureza e gerar algum n\u00edvel de harmonia e equil\u00edbrio ecol\u00f3gico s\u00f3 seria poss\u00edvel com a aboli\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Como Engels disse: &#8220;Mas, a fim de conseguir esta regula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o basta o simples conhecimento&#8221;. \u00a0A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 suficiente. &#8220;Para isso, ser\u00e1 necess\u00e1ria uma completa revolu\u00e7\u00e3o em nossa maneira de produzir e, ao mesmo tempo, de toda a ordem social atualmente dominante&#8221;. \u00a0O Engels &#8216;positivista&#8217;, portanto, apoiou a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria de Marx, afinal.<br \/>\nFonte: Michael Roberts, <a href=\"https:\/\/thenextrecession.wordpress.com\/2020\/04\/02\/engels-on-nature-and-humanity\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Engels on Nature and Humanity<\/a><br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Caracterizada\u00a0por\u00a0um\u00a0ideal\u00a0de\u00a0a\u00e7\u00e3o\u00a0e\u00a0de\u00a0f\u00e9\u00a0no\u00a0homem\u00a0tal\u00a0como\u00a0\u00e9\u00a0simbolizado\u00a0pelo\u00a0mito\u00a0de\u00a0Prometeu.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Engels, A Dial\u00e9tica da Natureza, ap\u00eandice: A humaniza\u00e7\u00e3o do macaco pelo trabalho. Ed Paz e Terra, 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2000, pag. 223-224.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Engels n\u00e3o sabia que, pouco antes do descobrimento da Am\u00e9rica, a escravid\u00e3o era muito mais comum na Europa, por exemplo em Portugal, do que divulgado em sua \u00e9poca. (ndt)<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Marcos Margarido<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 luz da atual pandemia, aqui est\u00e1 um trecho do meu livro sobre a contribui\u00e7\u00e3o de Engels para a economia pol\u00edtica marxista no 200\u00ba anivers\u00e1rio de seu nascimento.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":62567,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[6,3498,31,3766,30,10],"tags":[3698,5242,1727],"class_list":["post-32511","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-200-anos-de-engels","category-crise-climatica-e-ambiental","category-ecologia","category-meio-ambiente","category-coronavirus","category-teoria","tag-coronavirus-tag","tag-marx-e-natureza","tag-michel-roberts"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rivoluzione-industriale2.jpg","categories_names":["200 anos de Engels","Crise clim\u00e1tica e ambiental","Ecolog\u00eda","Meio Ambiente","Pandemia","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32511\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62567"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}