{"id":32495,"date":"2020-04-05T11:17:48","date_gmt":"2020-04-05T13:17:48","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32495"},"modified":"2020-04-05T11:17:48","modified_gmt":"2020-04-05T13:17:48","slug":"governos-africanos-e-prevencao-do-covid-19-hipocrisia-e-irresponsabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/04\/05\/governos-africanos-e-prevencao-do-covid-19-hipocrisia-e-irresponsabilidade\/","title":{"rendered":"Governos africanos e preven\u00e7\u00e3o do Covid-19: hipocrisia e irresponsabilidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Pra come\u00e7ar a falar de preven\u00e7\u00e3o no continente africano, somos obrigados a dar um dado que se sobrep\u00f5e a tudo e qualquer coisa que se discuta. A mais b\u00e1sica das medidas preventivas e aquilo que se tornou uma verdadeira palavra-de-ordem diante da pandemia, lavar as m\u00e3os, j\u00e1 \u00e9 uma exig\u00eancia que pode soar absurda para os ouvidos da maioria dos africanos, j\u00e1 que dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e da Uni\u00e3o Africana constatam que na \u00c1frica Subsaariana (ou seja, pra baixo da fronteira estabelecida pelo Deserto do Saara e que corresponde a 85% do territ\u00f3rio do continente), 63% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua limpa.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Wilson Hon\u00f3rio da Silva, da Secretaria Nacional de Forma\u00e7\u00e3o do PSTU<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDito isto, lendo comunicados oficiais e notas da imprensa, principalmente entre fevereiro e meados de mar\u00e7o, \u00e9 poss\u00edvel achar in\u00fameras diversificadas refer\u00eancias a medidas de preven\u00e7\u00e3o propostas pelos diferentes governos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor volta do dia 17 de mar\u00e7o, por exemplo, a Maurit\u00e2nia imp\u00f4s um toque de recolher obrigat\u00f3rio e fechou caf\u00e9s e restaurantes; a Nig\u00e9ria fechou as escolas e imp\u00f4s um limite a eventos religiosos; o Egito proibiu a circula\u00e7\u00e3o em espa\u00e7os p\u00fablicos com grandes concentra\u00e7\u00f5es de pessoas e fechou todos os centros educacionais e a \u00c1frica do Sul come\u00e7ou a criar restri\u00e7\u00f5es semelhantes, proibindo, principalmente, a aglomera\u00e7\u00e3o em bares e locais de lazer.<br \/>\nNo fim-de-semana iniciado no dia 19, muitos pa\u00edses que come\u00e7aram, a suspender eventos culturais, esportivos ou que reunissem mais que 100 pessoas (inclusive cultos religiosos) e, alguns poucos, come\u00e7aram a adotar pol\u00edticas de isolamento da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas, mesmo antes dos n\u00fameros come\u00e7arem a dar saltos di\u00e1rios, principalmente a partir do dia 20, tamb\u00e9m foram muitos os especialistas que alertaram para a inefic\u00e1cia ou pura formalidade de muito do que estava sendo feito. Principalmente porque, naquele momento, a maioria dos pa\u00edses priorizou o fechamento de suas fronteiras (principalmente os voos internacionais), apoiando-se no fato de que cerca de 80% dos casos comprovados eram de estrangeiros ou pessoas que tinham retornado ao pa\u00eds.<br \/>\nA t\u00edtulo de exemplo, em 16 de mar\u00e7o, o governo da \u00c1frica do Sul decretou \u201cEstado de Desastre\u201d (algo similar \u00e0 nossa \u201ccalamidade p\u00fablica\u201d), determinando que cidad\u00e3os da Cor\u00e9ia do Sul, pa\u00edses da Europa e dos EUA precisariam tirar vistos para entrar no pa\u00eds e cancelou vistos j\u00e1 concedidos a oito mil viajantes da China e do Ir\u00e3. Na mesma semana, a Alg\u00e9ria suspendeu as rotas mar\u00edtimas e \u00e1reas com a Europa; Marrocos fez o mesmo com todos os voos internacionais; enquanto a Lib\u00e9ria proibiu visitantes vindos de pa\u00edses onde houvesse mais de 200 casos de coronav\u00edrus, o mesmo feito pelo Qu\u00eania em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses onde houvesse mesmo que um caso.<br \/>\nO pior erro e o que explica a din\u00e2mica que a pandemia est\u00e1 tendo foi n\u00e3o adotar (em praticamente em nenhum dos pa\u00edses) medidas de distanciamento, isolamento social ou confinamento. Neste sentido, o mais grave e lament\u00e1vel exemplo \u00e9 a \u00c1frica do Sul, que s\u00f3 tomou estas medidas em 27 de mar\u00e7o, quando os casos notificados j\u00e1 giravam em torno de 1 mil.<br \/>\n<strong>A pandemia e o v\u00edrus do capitalismo chin\u00eas na \u00c1frica<\/strong><br \/>\nComo pode ser constatado hoje, o fechamento das fronteiras, apesar de necess\u00e1rio, n\u00e3o impediu a entrada do v\u00edrus. E, diga-se de passagem, ao ser uma medida quase que exclusiva, passou uma mensagem completamente equivocada para as popula\u00e7\u00f5es africanas: a de que o coronav\u00edrus era uma coisa \u201cdeles\u201d, n\u00e3o tendo nada a ver com a \u00c1frica.<br \/>\nUma ideia reproduzida \u00e1 exaust\u00e3o nas redes sociais e apoiada em \u201cfake news\u201d e \u201cteorias\u201d descabidas como a de que o v\u00edrus n\u00e3o resistiria \u00e0s temperaturas e clima africanos. E, se isto n\u00e3o bastasse, ainda inflamou a xenofobia, que j\u00e1 \u00e9 um s\u00e9rio problema no continente.<br \/>\nComo se sabe, mundo afora governos conservadores (Trump e Bolsonaro \u00e0 frente) tamb\u00e9m trabalharam com a ideia do \u201cv\u00edrus estrangeiro\u201d ou da \u201cepidemia chinesa\u201d (leia o artigo \u201cCoronav\u00edrus: aumentam os ataques racistas contra asi\u00e1ticos\u201d \u2013\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/coronavirus-aumentam-os-ataques-racistas-contra-asiaticos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.pstu.org.br\/coronavirus-aumentam-os-ataques-racistas-contra-asiaticos\/<\/a>), uma bobagem racista que s\u00f3 pode ser denunciada.<br \/>\nContudo, no caso do continente africano, h\u00e1, sim, uma especificidade que nos obriga a falar especificamente do papel dos chineses na propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus: o fato do pa\u00eds asi\u00e1tico ser, hoje, um dos principais, sen\u00e3o o mais importante, parceiro econ\u00f4mico dos pa\u00edses africanos, com destaque para Angola, \u00c1frica do Sul, Sud\u00e3o do Sul, Nam\u00edbia, Qu\u00eania e Ruanda.<br \/>\nEste foi um dos fatores que Bruce Basquet, pesquisador da Universidade da Cidade do Cabo, destacou quando se referiu (na revista \u201cScience\u201d, em 15 de mar\u00e7o) ao Covid-19 como uma \u201cbomba-rel\u00f3gio\u201d que j\u00e1 estava h\u00e1 muito armada em solo africano.<br \/>\nUma tese que j\u00e1 havia sido discutida, por exemplo, um m\u00eas antes pelo epidemiologista Marc Lipsitch, da Universidade Harvard (EUA), em um artigo na revista \u201cNature\u201d, em 13 de fevereiro, quando o m\u00e9dico e pesquisador chamou a aten\u00e7\u00e3o para a j\u00e1 existente \u201cposs\u00edvel rota de transmiss\u00e3o\u201d constru\u00edda \u201cpelo enorme n\u00famero de trabalhadores chineses trabalhando na \u00c1frica e suas viagens entre a China e a \u00c1frica\u201d, lembrando que a maioria das empresas, tradicionalmente, emprega m\u00e3o-de-obra origin\u00e1ria do pr\u00f3prio pa\u00eds asi\u00e1tico.<br \/>\nPara se ter uma ideia do que estamos falando, segundo um portal dedicado a neg\u00f3cios na \u00c1frica com o significativo nome \u201cHow we made in Africa\u201d (literalmente \u201cComo eu me dei bem na \u00c1frica\u201d), em 2017 existiam 10 mil empresas chinesas no continente (90% delas de capital privado, para o desconsolo de quem ainda acredita na ladainha de uma \u201cChina comunista\u201d), com neg\u00f3cios em \u00e1reas como energia, constru\u00e7\u00e3o civil, infraestrutura, agroneg\u00f3cio, ind\u00fastria, com\u00e9rcio, constru\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os e mercado imobili\u00e1rio.<br \/>\nE cabe citar alguns exemplos para se entender n\u00e3o s\u00f3 a dimens\u00e3o do problema, mas tamb\u00e9m porque os governos-capachos do imperialismo, na \u00c1frica, nem sequer pensaram em tomar provid\u00eancias mais s\u00e9rias em rela\u00e7\u00e3o a isto. A empresa de celulares Tecno (que pertence \u00e0 chinesa Transsion Holdings) controla 40% do mercado de telefonia na \u00c1frica Oriental.<br \/>\nO Sunshine Group, com sede na Tanz\u00e2nia, tem neg\u00f3cios em todo continente, em \u00e1reas como a ind\u00fastria pesada, o agroneg\u00f3cio e os transportes. A Star Times, que atua na \u00e1rea das telecomunica\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma das principais servidoras de TV-a-cabo, com subsidi\u00e1rias em trinta pa\u00edses. J\u00e1 a Bobu Africa \u00e9 uma gigante do turismo se especializou em \u201cintroduzir a cultura africana para turistas chineses\u201d que, anualmente, s\u00e3o contados em centenas de milhares.<br \/>\n<strong>Medidas tardias e ultra limitadas<\/strong><br \/>\nMesmo quando j\u00e1 estava evidente que o fechamento das fronteiras e limita\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito eram insuficientes e os casos de notifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 se multiplicavam pelo continente, n\u00e3o faltaram exemplos de posturas irrespons\u00e1veis por parte dos governos africanos. E um dos que melhor expressa o qu\u00e3o pouco africanos e africanas podem esperar de seus governos \u00e9 o famigerado Yoweri Museveno, que preside Uganda h\u00e1 33 anos, mantendo o pa\u00eds (que tem quase 44 milh\u00f5es de habitantes) mergulhado num mar de corrup\u00e7\u00e3o, pobreza e desemprego.<br \/>\nE, neste caso, diga-se de passagem, as semelhan\u00e7as com Bolsonaro chegam a ser assustadoras. Museveno \u00e9 membro de uma organiza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 fundamentalista (do mesmo ramo da Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo e, tamb\u00e9m, colateral do sionismo israelense); defendeu, em 2019, a pena de morte para as\/os LGBTs e mant\u00e9m as pris\u00f5es do pa\u00eds lotadas com ativistas sociais e pol\u00edticos.<br \/>\nEnt\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um acaso que Uganda seja, dentre os pa\u00edses africanos, o que teve (e continua tendo) um dos discursos mais irrespons\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia. Em entrevista ao jornal \u201cThe Guardian\u201d, em 20 de mar\u00e7o, quando ainda n\u00e3o havia notifica\u00e7\u00f5es de cont\u00e1gio (agora, j\u00e1 s\u00e3o 33 casos), Atel Kagirita, indicado pelo presidente para o combate do Covid-19, declarou que o v\u00edrus \u201cn\u00e3o ser\u00e1 um grande problema, se n\u00f3s pudermos, efetivamente, impedir a transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria ou local\u201d, insinuando que os casos continuariam restritos \u00e0queles trazidos do exterior.<br \/>\n<strong>Diante da inefic\u00e1cia dos governos, as fake news proliferaram<\/strong><br \/>\nE vale lembrar que, no mundo de hoje, posturas levianas por parte das \u201cautoridades\u201d t\u00eam sempre um subproduto que tamb\u00e9m se transforma em problemas objetivos no enfrentamento da situa\u00e7\u00e3o: as \u201cfake news\u201d. Apenas para dar um exemplo, que partiu da \u00c1frica do Sul, mas se espalhou continente afora, a falta de iniciativas por parte do governo fez com que a popula\u00e7\u00e3o come\u00e7asse a adotar medidas completamente ineficazes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor exemplo, as listas de WhatsApp foram inundadas por not\u00edcias das mais bizarras, como a que defendia que o v\u00edrus \u00e9 transmitido pela carne bovina, o que fez com que muitos pensassem que estariam protegidos simplesmente com a mudan\u00e7a da dieta alimentar (o que, em termos concretos, fez explodir o consumo de peixe em muitas regi\u00f5es). Outra \u201cnot\u00edcia\u201d falava que n\u00e3o era preciso se preocupar porque \u201cum cientista palestino j\u00e1 havia descoberto a vacina contra o corona\u201d. E uma das piores, mas que foi compartilhada aos milh\u00f5es, era a que apresentava uma inusitada receita de cura: \u201cO corona pode ser curado fervendo-se oito colheres, de sopa, de alho em seis x\u00edcaras de \u00e1gua\u201d.<br \/>\nFruto do medo e do desespero diante do que se via mundo afora, as \u201cfake news\u201d n\u00e3o podem ser vistas como exemplos de \u201cignor\u00e2ncia popular\u201d ou qualquer coisa parecida. S\u00e3o reflexos lament\u00e1veis da in\u00e9rcia, quando n\u00e3o completada leviandade, dos governos como o de Uganda, que est\u00e1 longe de ser um caso isolado. E o pior \u00e9 que a leviandade e descaso com o povo provavelmente ir\u00e3o continuar, agora que o tratamento se faz necess\u00e1rio.<br \/>\n<strong>O pior est\u00e1 por vir<\/strong><br \/>\nNa entrevista concedida em 20 de mar\u00e7o, o membro do governo ugandense respons\u00e1vel por lidar com a crise, foi ainda mais \u201cotimista\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de um surto, afirmando que o governo \u201cn\u00e3o considera que ter\u00e1 muitos casos [que necessitem de cuidados intensivos] porque estamos colocando todos nossos esfor\u00e7os na preven\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nUma afirma\u00e7\u00e3o que segundo os especialistas do pr\u00f3prio pa\u00eds \u00e9 completamente incompat\u00edvel com a realidade, apesar de Uganda, de fato, como alegou Kagirita, ter experi\u00eancia com outras epidemias, principalmente o eb\u00f3la que, em seu \u00faltimo surto, entre 2014 e 2016, deixou 11 mortos e 28 mil infectados.<br \/>\nExperi\u00eancia \u00e0 parte, na mesma reportagem, a professora Pauline Byakika, especialista em doen\u00e7as infecciosas na Universidade de Ci\u00eancias da Sa\u00fade de Makerere, foi enf\u00e1tica: \u201cuma vez que o [coronav\u00edrus] chegue aqui, ele ir\u00e1 se espalhar muito rapidamente\u201d, em fun\u00e7\u00e3o do que ela chama do \u201cambiente social\u201d na maioria das resid\u00eancias, muito favor\u00e1vel \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o devido \u00e0s prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de higiene e ventila\u00e7\u00e3o: \u201cH\u00e1 entre cinco e seis pessoas em cada resid\u00eancia, com uma ou duas janelas. Antes que a gente saiba, todos moradores j\u00e1 estar\u00e3o doentes\u201d.<br \/>\nTamb\u00e9m ignorando esta realidade, a Ministra da Sa\u00fade de Uganda, Janet Ruth Aceng, declarou-se confiante com a possibilidade de atender eventuais problemas, afirmando que o pa\u00eds tem \u201ccapacidade hospitalar, alguns leitos de UTI e ventiladores pulmonares suficientes para lidar com um poss\u00edvel surto\u201d. Outra mentira. E deslavada, pois se sabe que o governo de Uganda est\u00e1 contando, prioritariamente, com os servi\u00e7os do Hospital Nacional de Refer\u00eancia de Mulago, que tem 1,5 mil leitos, com a capacidade de acomodar apenas 60 pessoas em UTIs.<br \/>\nO exemplo de Uganda, lamentavelmente, n\u00e3o \u00e9 um caso isolado no continente. Nem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imprud\u00eancia quando ainda havia poucas notifica\u00e7\u00f5es (lembrando que estamos falando de apenas uma semana) nem a como os governantes africanos est\u00e3o se preparando para enfrentar a pandemia, agora que sua propaga\u00e7\u00e3o \u00e9 inquestion\u00e1vel.<br \/>\nE o pior \u00e9 que a (ir)responsabilidade dos governos locais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia est\u00e1 longe de se limitar ao que foi (ou n\u00e3o) feito nas \u00faltimas semanas. O maior de todos os problemas \u00e9 que africanas e africanos, como foi ressaltado no j\u00e1 citado artigo da \u201cNature\u201d, ir\u00e3o enfrentar a pandemia em condi\u00e7\u00f5es muit\u00edssimo mais desfavor\u00e1veis do que o resto do mundo, inclusive o Brasil.<br \/>\nN\u00e3o porque, como insinuam os racistas, \u201cna \u00c1frica \u00e9 assim\u201d. Mas simplesmente porque, como temos discutido, l\u00e1 as garras do capitalismo sempre foram particularmente mais afiadas e perversas, deixando profundas marcas e feridas abertas no continente. Algo particularmente vis\u00edvel em tudo o que tenha a ver com a sa\u00fade.<br \/>\nE s\u00e3o exatamente estas feridas abertas que fazem com que da \u00c1frica seja um \u201cambiente\u201d no qual o coronav\u00edrus n\u00e3o s\u00f3 encontra condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para se espalhar, como tamb\u00e9m para provocar efeitos mais letais e catastr\u00f3ficos. Esse \u00e9 o tema do nosso pr\u00f3ximo artigo.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pra come\u00e7ar a falar de preven\u00e7\u00e3o no continente africano, somos obrigados a dar um dado que se sobrep\u00f5e a tudo e qualquer coisa que se discuta. 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