{"id":32468,"date":"2020-04-03T10:18:30","date_gmt":"2020-04-03T12:18:30","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32468"},"modified":"2020-04-03T10:18:30","modified_gmt":"2020-04-03T12:18:30","slug":"8m2020-um-balanco-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/04\/03\/8m2020-um-balanco-necessario\/","title":{"rendered":"8M2020 &#124; Um balan\u00e7o necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><em>Assistimos a um novo anivers\u00e1rio do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora com uma Greve das Mulheres a n\u00edvel internacional. Uma medida de for\u00e7a que conquistamos alguns anos atr\u00e1s e que hoje n\u00e3o \u00e9 levada adiante pelo conjunto das organiza\u00e7\u00f5es.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Secretaria da mulher do PSTU-Argentina<br \/>\nA passeata at\u00e9 o Congresso foi multitudin\u00e1ria, mas com uma pequena queda de participantes em compara\u00e7\u00e3o com 2018-2019. O que explica este fen\u00f4meno? Acreditamos que uma s\u00e9rie de fatores.<br \/>\n<strong>O papel da dire\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPor um lado, o coletivo <em>Ni Una Menos<\/em> e antes a <em>Campanha pelo Direito ao Aborto<\/em>, jogaram um papel desmobilizador desde o come\u00e7o. Houve uma tentativa de conter o protesto, evitando que ele se expandisse e fosse at\u00e9 o Congresso, para que os legisladores \u201cvotassem bem\u201d na hora de legalizar uma das demandas que o movimento vem apresentando no que diz respeito a decidir o momento da maternidade.<br \/>\nChegaram ao c\u00famulo de manobrar a \u00faltima assembleia preparat\u00f3ria, da qual se retiraram quando ficaram em minoria diante das centenas que defend\u00edamos ir \u00e0 Pra\u00e7a de Maio exigir ao Executivo, porque \u00e9 Alberto Fernandez quem apresenta um projeto alternativo ao da Campanha, para legalizar e despenalizar o aborto.<br \/>\nComo as dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas tem expectativas, mas tamb\u00e9m apoiam diretamente o novo Governo, se negaram a marchar at\u00e9 a Casa Rosada, rompendo com a assembleia e ignorando a maioria.<br \/>\nPor sua vez, se negaram sistematicamente a exigir das Centrais Sindicais a Greve pelas Mulheres. Ao n\u00e3o gerar press\u00e3o, a greve foi muito fraca. Somente se manifestaram alguns sindicatos de docentes, onde alguns professoras\/es, diante da raiva pelo in\u00edcio \u201cpac\u00edfico\u201d, encontraram nesta greve uma via para reivindicar sua cl\u00e1usula de gatilho e a suspens\u00e3o das aulas perante a pandemia. Outros sindicatos como o do metr\u00f4, fizeram greve de duas horas, apenas para as mulheres.<br \/>\nPor tr\u00e1s da pol\u00edtica de greve de mulheres se esconde uma l\u00f3gica submissa e funcional a patronal. Isso gera uma carga de trabalho maior para os homens, e n\u00e3o afeta os lucros. Ela nos divide por g\u00eanero e enfraquece a luta pelas nossas reivindica\u00e7\u00f5es. Os sindicatos devem assumir \u00e0s nossas demandas como parte das pautas de reivindica\u00e7\u00f5es gerais. E as centrais sindicais e federa\u00e7\u00f5es estudantis colocarem-se na vanguarda dessa luta.<br \/>\nA \u00fanica maneira de acabar com a opress\u00e3o \u00e9 a unidade dos trabalhadores contra o machismo e o capitalismo, que se aproveita da opress\u00e3o para nos explorar melhor.<br \/>\n<strong>Expectativa no projeto de Fern\u00e1ndez<\/strong><br \/>\nEm 1\u00ba de mar\u00e7o, na abertura das sess\u00f5es ordin\u00e1rias do Congresso, Alberto declarou que apresentaria um projeto de lei para legalizar o aborto. Esse an\u00fancio causou alvoro\u00e7o, mas acima de tudo simpatia em quem votou nele. \u00c9 que essa consigna foi levantada por centenas de milhares por anos e particularmente, em 2018, onde alcan\u00e7ou grande relev\u00e2ncia, quando o debate chegou ao Congresso.<br \/>\nO an\u00fancio n\u00e3o \u00e9 uma causalidade. Fernandez desde que assumiu teve uma tarefa central: tirar os trabalhadores de onde estiveram na maior parte dos anos do <em>macrismo<\/em>: das ruas. Para levar adiante a renegocia\u00e7\u00e3o com o FMI \u00e9 melhor um povo calmo do que um mobilizado. E o movimento das mulheres \u00e9 fundamental nisso. O discurso foi proferido uma semana antes do dia 8 de Mar\u00e7o, justamente para causar expectativa em seu novo projeto e diminuir a mobiliza\u00e7\u00e3o do Dia da Mulher. Com essa promessa, muitas\/os viram que n\u00e3o era necess\u00e1rio se mobilizar.<br \/>\nNo caso de conseguirmos a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, ser\u00e1 uma enorme conquista, mas obtida absolutamente nas ruas e n\u00e3o por uma \u201cboa predisposi\u00e7\u00e3o\u201d da <em>Frente de Todos<\/em> que hoje a utiliza para desmobilizar. Se existe uma \u201cdecis\u00e3o pol\u00edtica\u201d de Fernandez, que ele a aprove por Decreto de Necessidade e Urg\u00eancia (DNU) j\u00e1! N\u00e3o podemos esperar os ritmos do Congresso. Devemos continuar mobilizados at\u00e9 conquistar o projeto que necessitamos. Em princ\u00edpio, para lutar contra a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, se isso for proposto.<br \/>\n<strong>A viol\u00eancia contra a mulher continua sem solu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAs cifras da viol\u00eancia de g\u00eanero continuam alarmando na Argentina. Nos primeiros dias do m\u00eas de mar\u00e7o, computamos um feminic\u00eddio a cada 12 horas. A maioria das mulheres pelas m\u00e3os de seus companheiros ou ex-companheiros.<br \/>\nDiante dos n\u00fameros b\u00e1rbaros, h\u00e1 um Estado ausente e uma dire\u00e7\u00e3o do movimento im\u00f3vel e calada. Porque essa problem\u00e1tica n\u00e3o esteve colocada nas principais consignas da mobiliza\u00e7\u00e3o, nem foi levantada por muitas das organiza\u00e7\u00f5es presentes. Setores muito importantes de trabalhadores, geralmente n\u00e3o se sentem abarcados pelas marchas do 8 de mar\u00e7o por n\u00e3o ser colocado essa demanda.<br \/>\nAs mulheres que morrem por causa de feminic\u00eddios s\u00e3o em sua maioria da classe trabalhadora. A viol\u00eancia tira mais vidas por ano do que outras causas, como o aborto clandestino. Mas isso requer muito mais investimento do Estado para resolv\u00ea-la.<br \/>\nPara acabar com a viol\u00eancia precisamos criar planos de conscientiza\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia nas escolas, sindicatos e bairros, aulas de autodefesa em todos os locais de trabalho e estudo. Abrigos para v\u00edtimas. Subs\u00eddios para elas e suas filhas\/os. Gerar postos de trabalho efetivos para que possam obter independ\u00eancia econ\u00f4mica e sair das casas onde sofrem viol\u00eancia.<br \/>\nFernandes fala de solidariedade, devido \u00e0 crise econ\u00f4mica em que se encontra o pa\u00eds e diante do coronav\u00edrus. Quem precisa urgentemente de solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o pode sobreviver com solidariedade, mas com planos concretos. Deve deixar de pagar a d\u00edvida, e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, declarar a emerg\u00eancia e destinar or\u00e7amento para combater a viol\u00eancia machista. Podemos acabar com esse flagelo, mas precisamos de vontade pol\u00edtica para faz\u00ea-lo.<br \/>\n<strong>As organiza\u00e7\u00f5es de esquerda<\/strong><br \/>\nPor sua vez, as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda n\u00e3o jogaram um papel diferenciado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica das dire\u00e7\u00f5es. Diante da recusa da FDT<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> de exigir do presidente, consideramos que, igualmente, foi correto marchar da Pra\u00e7a de Maio ao Congresso. No entanto, n\u00e3o se diferenciaram no ato final, no qual subiram no palco (PO-PTS-MST) e assinaram um documento quase que pr\u00f3-governamental. Sobre este documento falaremos em outro artigo.<br \/>\nApesar de tudo, conseguimos encher as ruas com nossas reivindica\u00e7\u00f5es. A coluna do PSTU destacou-se por colocar a refer\u00eancia na Revolu\u00e7\u00e3o Chilena em curso, onde as mulheres desempenharam um papel de destaque em todas as frentes. Devemos continuar nas ruas, organizadas nos locais de estudo e trabalho para conquistar todas as demandas das mulheres e do conjunto da classe trabalhadora.<br \/>\n<strong>A igreja fez seu 8M<\/strong><br \/>\nA Igreja Cat\u00f3lica e o conjunto das igrejas jogaram um papel desmobilizador desde o in\u00edcio do debate sobre o aborto legal. Com suas campanhas, polarizaram o povo inteiro contra os direitos das pessoas gr\u00e1vidas. Mas desta vez n\u00e3o quiseram ficar atr\u00e1s e convocaram uma \u201cMissa pela Vida\u201d das Mulheres em Luj\u00e1n<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, para ganhar novamente as ruas.\u00a0 As organiza\u00e7\u00f5es de esquerda lhe respondemos na Catedral com um \u201cpa\u00f1uelazo\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Porque decidir o momento da nossa maternidade \u00e9 um direito e deve ser legal. Separa\u00e7\u00e3o da Igreja do Estado J\u00c1.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> FdT \u2013 Frente de Todos, coaliz\u00e3o eleitoral que deu vit\u00f3ria a Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, ndt;<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Bas\u00edlica de Lujan, localizada a 75 quil\u00f4metros de Buenos Aires, epicentro das celebra\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas no pa\u00eds do papa Francisco, ndt;<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Protesto agitando len\u00e7os verdes, surgido em fevereiro de 2018, que se tornou s\u00edmbolo da Campanha Nacional pelo Aborto Legal, Seguro e Gratuito, ndt;<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Am\u00e9rica Riveros<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assistimos a um novo anivers\u00e1rio do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora com uma Greve das Mulheres a n\u00edvel internacional. 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