{"id":32446,"date":"2020-04-11T12:00:00","date_gmt":"2020-04-11T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32446"},"modified":"2020-04-11T12:00:00","modified_gmt":"2020-04-11T14:00:00","slug":"as-duas-pestes-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/04\/11\/as-duas-pestes-do-capitalismo\/","title":{"rendered":"As duas pestes do capitalismo"},"content":{"rendered":"<p><em>A pandemia de Coronav\u00edrus pode ter consequ\u00eancias desastrosas, reeditando os milh\u00f5es de mortos da gripe espanhola de 1918.<\/em><br \/>\n<em>Mas a amea\u00e7a n\u00e3o para a\u00ed. Est\u00e1 come\u00e7ando uma nova recess\u00e3o mundial que pode ser igual ou ainda pior que a de 2007-09. Pode evoluir para uma depress\u00e3o como a ocorrida em 1929.<\/em><br \/>\n<em>Uma pandemia poucas vezes vista na hist\u00f3ria, uma brutal recess\u00e3o mundial. Duas pestes causadas pelo capital.<\/em><br \/>\n<em>Esse \u00e9 o capitalismo \u201cmoderno\u201d, que traz morte e mis\u00e9ria em dimens\u00f5es gigantescas.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Eduardo de Almeida Neto e Jos\u00e9 Welmowicki<br \/>\n<strong>A Pandemia vai mostrar sua verdadeira cara: o genoc\u00eddio dos pobres<\/strong><br \/>\nDa China, a pandemia se espalhou pelo mundo atingindo primeiro os principais pa\u00edses imperialistas. A Europa e os Estados Unidos, os centros imperialistas mais poderosos, s\u00e3o hoje dois focos centrais da doen\u00e7a. Est\u00e3o semi paralisados.<br \/>\nNesses pa\u00edses, a pandemia j\u00e1 mostra o car\u00e1ter de classe dos governos. Mesmo onde existe um isolamento social, se obrigam os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas a trabalhar, como os escravos dessa \u00e9poca.<br \/>\nNos Estados Unidos, com 30 milh\u00f5es de pessoas sem nenhum plano de sa\u00fade, um adolescente de 17 anos morreu porque n\u00e3o foi atendido por n\u00e3o ter plano de sa\u00fade e ser recusado em um hospital.<br \/>\nAgora, o coronav\u00edrus est\u00e1 chegando com toda for\u00e7a nos pa\u00edses semicoloniais. Em algumas semanas, estar\u00e1 arrasando os bairros pobres de toda Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica.<br \/>\nA pandemia est\u00e1 assumindo sua verdadeira cara, de genoc\u00eddio dos trabalhadores e do povo pobre de todo mundo, desde os pa\u00edses imperialistas aos povos das semicol\u00f4nias.<br \/>\nJunto com isso, a recess\u00e3o mundial vai levar a um enorme desemprego nesses bols\u00f5es de mis\u00e9ria.<br \/>\nOs sinais de barb\u00e1rie para os trabalhadores v\u00e3o se estender. Nunca a disjuntiva socialismo ou barb\u00e1rie esteve t\u00e3o explicita.<br \/>\n<strong>O mundo est\u00e1 parando&#8230;<\/strong><br \/>\nEm dezembro de 2019 foi detectado o primeiro caso do corona v\u00edrus Covid 19, em Wuhan na China. O alto grau de internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia levou a que isso se transformasse em uma pandemia atingindo todos os pa\u00edses do mundo em tr\u00eas meses.<br \/>\nA epidemia determinou a paralisa\u00e7\u00e3o de uma parte importante da China, com pesadas consequ\u00eancias sobre sua economia.<br \/>\nO governo chin\u00eas sempre foi acusado de maquiar os dados da economia. Agora teve de divulgar dados pesad\u00edssimos, com queda na produ\u00e7\u00e3o industrial de 13,5% em janeiro-fevereiro, queda do investimento em capital fixo de 24,5% , nas exporta\u00e7\u00f5es (-17%) e importa\u00e7\u00f5es (-4%).<br \/>\nEm seguida, ocorreu uma ruptura da cadeia de produ\u00e7\u00e3o mundial da qual a China \u00e9 parte importante. F\u00e1bricas do mundo todo sentiram a falta de pe\u00e7as. A Jaguar Land Rover chegou a divulgar que teve de transportar pe\u00e7as em malas para tentar manter a produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAgora, acompanhando a evolu\u00e7\u00e3o da pandemia, est\u00e1 ocorrendo uma paralisa\u00e7\u00e3o parcial da economia em muitos pa\u00edses chaves a n\u00edvel mundial.<br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel que, nesse momento, entre 30 e \u00a040% \u00a0da popula\u00e7\u00e3o mundial esteja confinada, algo in\u00e9dito na hist\u00f3ria.<br \/>\n<strong>O rei est\u00e1 nu<\/strong><br \/>\nO capitalismo mundial foi sacudido por um v\u00edrus. Isso tem uma explica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDurante d\u00e9cadas os planos neoliberais e de austeridade rebaixaram duramente as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores de todo o mundo. Foram precarizadas as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, levando a uma grande parte dos trabalhadores a ter de trabalhar todos os dias para poder comer no outro.<br \/>\nForam geradas megal\u00f3poles com gigantescas periferias de bairros pobres, com casas em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene, muitas sem \u00e1gua e esgoto. A sa\u00fade p\u00fablica foi destru\u00edda com os cortes de or\u00e7amento e privatiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u00c9 sobre essa realidade social que est\u00e1 se abatendo agora a maior pandemia de d\u00e9cadas e d\u00e9cadas, uma das maiores da hist\u00f3ria.<br \/>\nPara piorar, os governos reagiram tardia e erradamente contra a pandemia.<br \/>\nA ditadura chinesa, primeiro desconheceu o coronav\u00edrus. Li Wenliang, o m\u00e9dico de 32 anos que primeiro denunciou a epidemia, foi obrigado a assinar uma carta em que \u201creconhecia\u201d fazer \u201ccoment\u00e1rios falsos que perturbaram severamente a ordem social\u201d. Um m\u00eas depois, morreu pelo pr\u00f3prio coronav\u00edrus.<br \/>\nQuando as mortes j\u00e1 passavam de centenas, a ditadura chinesa viu que n\u00e3o tinha como esconder a epidemia. Reagiu ent\u00e3o duramente com o isolamento total da prov\u00edncia de Hubei, onde fica Wuhan, para que o resultado n\u00e3o fosse ainda mais catastr\u00f3fico. Conseguiu conter a pandemia, ao menos temporariamente. Existem grandes d\u00favidas se a ditadura chinesa n\u00e3o est\u00e1, mais uma vez, escondendo dados de amplia\u00e7\u00e3o da pandemia para outras regi\u00f5es para \u201cvoltar \u00e0 normalidade\u201d<br \/>\nEm outros pa\u00edses, o isolamento social foi aplicado s\u00f3 parcialmente, pelo simples motivo de que a paralisa\u00e7\u00e3o das empresas afeta os lucros da burguesia. Na maioria absoluta dos pa\u00edses a produ\u00e7\u00e3o industrial foi mantida, e em boa parte deles tamb\u00e9m os servi\u00e7os.<br \/>\nA l\u00f3gica do capital entende que a paralisa\u00e7\u00e3o das atividades, necess\u00e1ria para conter a pandemia, afeta a \u201ceconomia\u201d, ou seja, os lucros da burguesia.<br \/>\nNenhum governo, da China \u00e0 It\u00e1lia, EEUU, etc., teve a postura de defender a vida dos trabalhadores. No m\u00e1ximo, algumas migalhas parciais e tempor\u00e1rias.<br \/>\nComo no naufr\u00e1gio do Titanic, s\u00f3 existem balsas para os ricos.<br \/>\nO capitalismo mata, atrav\u00e9s do coronav\u00edrus. A pandemia mostra, com a dureza das mortes, a origem social da doen\u00e7a. Como na f\u00e1bula infantil, o rei est\u00e1 nu.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><strong>A sa\u00fade como mercadoria <\/strong><br \/>\nEm pleno s\u00e9culo XXI, a humanidade n\u00e3o tem defesa contra um v\u00edrus. Isso tem uma explica\u00e7\u00e3o. No capitalismo a sa\u00fade \u00e9 considerada como uma mercadoria. Se investe no que d\u00e1 lucros.<br \/>\nPorque n\u00e3o se tem vacina para a doen\u00e7a mais comum, a gripe? Porque os rem\u00e9dios contra a tosse, coriza e febre rendem bilh\u00f5es e bilh\u00f5es de d\u00f3lares todos os anos para as grandes multinacionais farmac\u00eauticas. N\u00e3o interessa investir na produ\u00e7\u00e3o de uma vacina que sirva para os distintos v\u00edrus da gripe, que mudam todos os anos. N\u00e3o porque seja imposs\u00edvel, mas porque d\u00e1 mais lucros tratar os sintomas.<br \/>\nN\u00e3o interessou produzir uma vacina contra o coronav\u00edrus, mesmo depois das epidemias do SARS e MERS de 2002 e 2012 (com outros tipos de corona v\u00edrus), porque os pa\u00edses imperialistas foram pouco afetados.<br \/>\nAgora, com o caos instalado, est\u00e1 se pesquisando as vacinas, que devem ficar prontas daqui a um ano, provavelmente depois do fim da pandemia.<br \/>\n<strong>A economia mundial em queda livre<\/strong><br \/>\nQuais os reflexos dessa cat\u00e1strofe sobre a economia?\u00a0 Uma queda dur\u00edssima. A previs\u00e3o do Instituto Internacional de Finan\u00e7as \u00e9 que haja uma queda da economia dos EUA de 10% no primeiro semestre e da Europa de 18%. O banco Goldman Sachs, prev\u00ea uma queda de 24% do PIB dos EUA no pr\u00f3ximo trimestre. J\u00e1 o banco Morgan Stanley prev\u00ea uma queda de 30,1% no mesmo per\u00edodo nos EUA. A China deve ter uma pesada queda na economia no primeiro trimestre pela primeira vez desde 1976.<br \/>\nA previs\u00e3o de Michael Roberts \u00e9 de uma queda na produ\u00e7\u00e3o dos principais pa\u00edses imperialistas e emergentes em 2020 de 15% ou mais. Isso \u00e9 bem superior \u00e0 queda de 6% em 2008. Segundo o Deutsche Bank, a queda da economia mundial nesse primeiro semestre ser\u00e1 a pior desde a depress\u00e3o de 1929.<br \/>\nPara piorar tudo, al\u00e9m da pandemia, houve uma associa\u00e7\u00e3o com a forte queda nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, pela disputa entre a OPEP e R\u00fassia, abrindo uma crise nos pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo.<br \/>\nAs quedas nas bolsas foram dur\u00edssimas. Em Wall Street o \u00edndice Dow Jones baixou 23% desde o in\u00edcio do ano. Em outros pa\u00edses europeus, a queda chegou a 30%.<br \/>\nExiste uma retirada de capitais de muitos pa\u00edses emergentes, levando a uma forte queda de suas moedas. No Brasil, existiu a maior fuga de capitais de toda a hist\u00f3ria desde o in\u00edcio do ano.<br \/>\nO FMI acaba de divulgar a previs\u00e3o de que a pandemia \u201cir\u00e1 provocar uma recess\u00e3o global nesse ano, que pode ser t\u00e3o ruim quanto a crise financeira global ou pior\u201d. Ou seja, o FMI tamb\u00e9m est\u00e1 prevendo uma recess\u00e3o mundial igual ou pior que 2007-09.<br \/>\nMas os distintos institutos da burguesia preveem uma recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da economia. Alguns falam de recupera\u00e7\u00e3o j\u00e1 no segundo semestre. Outros para 2021. Ser\u00e1 isso verdade?<br \/>\n<strong>A curva descendente da economia mundial<\/strong><br \/>\nO solavanco na economia provocado pela pandemia n\u00e3o se abateu sobre uma economia em ascens\u00e3o. Tudo ao contr\u00e1rio.<br \/>\nA economia capitalista evolui atrav\u00e9s de ciclos, com ascensos, decl\u00ednios e crises. Esses ciclos curtos, entre 5 a 7 anos, t\u00eam seus per\u00edodos determinados pela evolu\u00e7\u00e3o da taxa de lucros.\u00a0 Podemos dizer, de forma simplificada, que quando existe uma queda importante da taxa de lucros, a burguesia para de investir e o resultado \u00e9 uma crise.\u00a0 Quando a recess\u00e3o j\u00e1 destruiu uma parte importante das for\u00e7as produtivas, se reestabelecem as condi\u00e7\u00f5es para eleva\u00e7\u00e3o da taxa de lucros. A burguesia ent\u00e3o volta a investir e a economia entra de novo em ascenso.<br \/>\nEsse sistema, na sua estrutura, n\u00e3o tem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o pelas necessidades da popula\u00e7\u00e3o. Se produz o que d\u00e1 lucros para os capitalistas. As crises s\u00e3o partes necess\u00e1rias e \u201cnormais\u201d no capitalismo.<br \/>\nAl\u00e9m desses ciclos curtos, existem tamb\u00e9m os per\u00edodos mais longos da economia que incorporam v\u00e1rios ciclos curtos. Trotsky chamava de \u201ccurvas do desenvolvimento capitalista\u201d. Nesses per\u00edodos longos de ascenso, os momentos de crescimento s\u00e3o maiores e de crise menores. Nos per\u00edodos longos de descenso, as crises s\u00e3o maiores e os crescimento s\u00e3o an\u00eamicos. Essas curvas longas n\u00e3o t\u00eam dura\u00e7\u00e3o pr\u00e9-determinada, em geral durando 30 a 50 anos. S\u00e3o determinados por fatores extra econ\u00f4micos relacionados \u00e0 luta de classes (revolu\u00e7\u00f5es, guerras), expans\u00e3o (obten\u00e7\u00e3o de novos territ\u00f3rios), ou evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<br \/>\nA grande curva que estamos vivendo teve um per\u00edodo ascendente que foi conhecido como a \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o da economia\u201d, nas d\u00e9cadas de 80 e 90 do s\u00e9culo XX. Esse momento foi marcado pela restaura\u00e7\u00e3o capitalista na China e leste europeu e as derrotas do ascenso revolucion\u00e1rio dos anos 60-70.<br \/>\nA grande recess\u00e3o mundial de 2007-09 marca o in\u00edcio da fase descendente dessa onda longa, que foi a mais grave crise desde a depress\u00e3o de 1929. De l\u00e1 para c\u00e1, nada foi igual na economia capitalista.<br \/>\nEssa \u00e9 a base da realidade mundial antes da pandemia, que j\u00e1 vinha levando regi\u00f5es inteiras e crescentes do mundo \u00e0 decad\u00eancia econ\u00f4mica e o crescimento da mis\u00e9ria das massas. As crises inter-burguesas se agravaram como o Brexit, a guerra comercial EUA x China, etc.<br \/>\nA pandemia do coronav\u00edrus se abate, portanto, sobre uma onda descendente da economia mundial, o que j\u00e1 seria grave.<br \/>\nMas, e dentro dessa curva longa descendente, em que parte do ciclo curto da economia mundial est\u00e1vamos, antes da pandemia?<br \/>\nJ\u00e1 est\u00e1vamos a beira de uma nova recess\u00e3o mundial. A Europa j\u00e1 tinha sua economia em clara decad\u00eancia. Com a estagna\u00e7\u00e3o da Alemanha -seu carro chefe, com crescimento de 0% no \u00faltimo trimestre de 2019- toda a Europa vinha para baixo. O Jap\u00e3o estava iniciando um processo recessivo. Os chamados pa\u00edses emergentes, como R\u00fassia, Brasil, Turquia, M\u00e9xico, Argentina e \u00c1frica do Sul j\u00e1 tinham um crescimento an\u00eamico ou j\u00e1 estavam em recess\u00e3o. A China j\u00e1 tinha a menor taxa de crescimento (6%) dos \u00faltimos anos. E os EUA, que ainda estava crescendo, j\u00e1 vivia uma queda na produ\u00e7\u00e3o industrial no in\u00edcio desse ano.<br \/>\n<strong>Come\u00e7ou uma nova recess\u00e3o mundial, talvez pior que 2007-09<\/strong><br \/>\nEssa era a realidade no in\u00edcio do ano, sinalizando a proximidade de uma nova recess\u00e3o mundial.\u00a0 O impacto da pandemia foi brutal. Tanto pela gravidade da pandemia, como pela fragilidade da economia.<br \/>\nCome\u00e7ou uma nova recess\u00e3o mundial. Nesse momento n\u00e3o se pode prever com clareza as dimens\u00f5es da cat\u00e1strofe que se inicia. Nem da pandemia, nem da crise econ\u00f4mica. Pode- se unicamente abrir v\u00e1rias hip\u00f3teses pra sua evolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA pandemia vai causar pesadas perdas em vidas humanas, que podem variar de centenas de milhares aos milh\u00f5es da epidemia da gripe espanhola de 1918.<br \/>\nA recess\u00e3o mundial pode ser semelhante ou pior que a de 2007-09, e mesmo evoluir para uma depress\u00e3o como 1929.<br \/>\n<strong>Os governos querem salvar as empresas&#8230;e evitar novos processos revolucion\u00e1rios.<\/strong><br \/>\nO G-20, em sua \u00faltima reuni\u00e3o, definiu uma inje\u00e7\u00e3o de 5 trilh\u00f5es de d\u00f3lares para enfrentar as consequ\u00eancias da pandemia e da crise econ\u00f4mica. Trata-se de um plano gigantesco, o maior da hist\u00f3ria.<br \/>\nSubitamente, os governos imperialistas abandonaram os planos neoliberais e adotaram fortes planos keynesianos para salvar as grandes empresas e evitar novos processos revolucion\u00e1rios.<br \/>\nMuitos governos assumiram uma postura de \u201cdefesa da popula\u00e7\u00e3o\u201d com esses planos. Muitos ganharam popularidade, incluindo Trump, Macron, Fernandez (Argentina), e muitos outros. Poucos assumiram a postura provocativa de Bolsonaro. Todos est\u00e3o mentindo.<br \/>\nOs planos dedicam somas bilion\u00e1rias, in\u00e9ditas na hist\u00f3ria para evitar a fal\u00eancia das grandes empresas. E incorpora tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de pequenas concess\u00f5es para os trabalhadores, para mascarar a ess\u00eancia patronal desses planos. Querem evitar as convuls\u00f5es sociais que podem ocorrer em fun\u00e7\u00e3o da crise.<br \/>\nOS EUA anunciaram um plano de dois trilh\u00f5es de d\u00f3lares, com grande parte desse dinheiro destinado as grandes empresas. S\u00f3 uma parte menor, de 500 bilh\u00f5es ser\u00e3o destinados a pagar 1200 d\u00f3lares mensais a cada fam\u00edlia de baixa renda desempregada por 3 meses.<br \/>\nA Alemanha definiu um plano de 1,1 trilh\u00e3o de euros (um ter\u00e7o do PIB), com 600 bilh\u00f5es para salvar as empresas e s\u00f3 50 bilh\u00f5es para ajudar os desempregados.<br \/>\nO FMI est\u00e1 prometendo novos empr\u00e9stimos para os pa\u00edses semicoloniais, que elevar\u00e3o novamente sua d\u00edvida externa.<br \/>\nAs \u201cconcess\u00f5es\u201d para os trabalhadores n\u00e3o reverter\u00e3o a mis\u00e9ria que se aproxima. S\u00e3o muito abaixo do necess\u00e1rio para manter as fam\u00edlias. Al\u00e9m disso, s\u00e3o apenas tempor\u00e1rias, de um a tr\u00eas meses. O desemprego em massa dos trabalhadores n\u00e3o vai ser revertido. As mortes aos milh\u00f5es ser\u00e3o choradas principalmente pelas fam\u00edlias pobres.<br \/>\nEsses planos servem para enganar o povo com um clima de \u201cunidade nacional\u201d completamente falso. Em pouco tempo, essas novas farsas v\u00e3o estar em crise.<br \/>\nDa mesma forma, o \u201cisolamento social\u2019 \u00e9 uma farsa, porque mant\u00e9m os oper\u00e1rios trabalhando. Condena os trabalhadores informais a mis\u00e9ria. Os pobres que n\u00e3o t\u00eam casas apropriadas seguir\u00e3o condenados ao cont\u00e1gio sem defesas.<br \/>\nMuitos desses governos, por algum tempo, conseguem enganar. Mas, na verdade, est\u00e3o cometendo genoc\u00eddios contra os trabalhadores.<br \/>\n<strong>Uma mesma resposta para uma crise muito maior.<\/strong><br \/>\nOs governos est\u00e3o repetindo, em certa medida, o que fizeram para frear a crise de 2007-09. O que foi mudado foi o tamanho dos planos, n\u00e3o sua qualidade. Tiram ainda mais dinheiro do estado para entregar aos bancos, grandes ind\u00fastrias, etc.<br \/>\nOs pacotes atingem ao redor de 9-10% dos PIBs dos pa\u00edses imperialistas, enquanto em 2008 atingiram 2%. Trata-se de uma soma brutal, in\u00e9dita na hist\u00f3ria. Se fosse aplicada a servi\u00e7o da defesa dos trabalhadores teria consequ\u00eancias diferentes, com a salva\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas.<br \/>\nCom isso, conseguiram evitar uma quebradeira maior das empresas e evitar o caminho para uma depress\u00e3o em 2008. Pode ser que consigam o mesmo agora. Mas n\u00e3o nos parece que possam evitar a recess\u00e3o j\u00e1 iniciada.<br \/>\nAs grandes empresas se apropriaram desse capital em 2008 e n\u00e3o o reinvestiram na produ\u00e7\u00e3o. Afinal, s\u00e3o guiadas pela taxa de lucros e n\u00e3o lhes parecia atraente o investimento produtivo. Por isso, deslocaram grande parte desse capital para alavancar em n\u00edveis ainda maiores a especula\u00e7\u00e3o financeira.<br \/>\nO resultado \u00e9 que assim se ampliou o capital velho na economia, mantendo artificialmente empresas em crise. As bolhas financeiras, que j\u00e1 eram enormes em 2007-09 se ampliaram ainda mais. A d\u00edvida global passou de 177 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2008 para 247 trilh\u00f5es de d\u00f3lares. Agora vai ficar ainda maior.<br \/>\nEssas bolhas financeiras s\u00e3o partes do capital fict\u00edcio. N\u00e3o produzem valor, que s\u00f3 \u00e9 gerado pela produ\u00e7\u00e3o fabril. Servem para a disputa da mais valia gerada de um setor da burguesia para outro. Em um momento de ascenso da economia, alavancam um ou outro setor artificialmente. Em um momento de descenso, acontece como agora. As bolhas come\u00e7am a derreter, com uma fuga gigantesca de capitais no mundo, que devem agravar a crise econ\u00f4mica.<br \/>\nReeditar os pacotes de est\u00edmulo \u00e0s empresas pode novamente salvar os bancos e um ou outro setor da economia. Pode tamb\u00e9m evitar o caminho para uma depress\u00e3o. Mas n\u00e3o evitar\u00e1 a recess\u00e3o que est\u00e1 se iniciando.<br \/>\nO que determina uma reanima\u00e7\u00e3o da economia \u00e9 um aumento dos investimentos privados da burguesia, o que n\u00e3o existe hoje, nem parece estar em um horizonte pr\u00f3ximo. Segundo Michael Roberts: \u201cna maioria das economias capitalistas, o investimento do setor p\u00fablico \u00e9 de cerca de 3% do PIB, enquanto o investimento do setor capitalista \u00e9 de 15% .\u201d<br \/>\nSe a burguesia n\u00e3o se decide a investir, n\u00e3o existir\u00e1 retomada da economia. E as grandes empresas, provavelmente n\u00e3o v\u00e3o investir com peso, enquanto a taxa de lucros n\u00e3o for atraente. Menos ainda em um mundo parado pela pandemia e sacudido por convuls\u00f5es sociais e pol\u00edticas. Nada a ver com a estabilidade que a burguesia necessita para seus investimentos.<br \/>\nToda essa soma de capitais que vai ser transferida para as grandes empresas n\u00e3o vai gerar nenhum New Deal agora. Nenhuma onda de invers\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o. Vai ser usada, mais uma vez, para apagar o inc\u00eandio, salvar as grandes empresas da fal\u00eancia.<br \/>\nAl\u00e9m disso, ao contr\u00e1rio de 2007-09, quando a China foi um fator de reestabiliza\u00e7\u00e3o da economia, agora ela \u00e9 parte da crise.<br \/>\nA recess\u00e3o mundial j\u00e1 come\u00e7ou. Ser\u00e1 necess\u00e1rio ver se a burguesia mundial consegue evitar que ela seja t\u00e3o ou mais grave como a de 2007-09. Pode ser que estejamos indo rumo a uma depress\u00e3o como de 1929.<br \/>\n<strong>Como em uma guerra<\/strong><br \/>\nOs reflexos sociais da pandemia associados ao desemprego e baixa dos sal\u00e1rios determinados pela crise econ\u00f4mica ser\u00e3o brutais.<br \/>\nAs consequ\u00eancias podem ser semelhantes \u00e0s de uma guerra. Alguns podem pensar que se trate de um exagero. N\u00e3o nos parece. Provavelmente n\u00e3o ter\u00e1 o efeito de desapari\u00e7\u00e3o f\u00edsica das f\u00e1bricas e outras empresas como em uma guerra. Mas as consequ\u00eancias podem ser at\u00e9 piores que uma guerra.<br \/>\nNas guerras mundiais a destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica nos pa\u00edses envolvidos diretamente \u00a0foi terr\u00edvel. As perdas humanas foram gigantescas, em particular na 2\u00aa Guerra. Mas agora, embora n\u00e3o seja prov\u00e1vel a destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica de meios de produ\u00e7\u00e3o, a perda de vidas humanas e de recursos poder\u00e1 ser de uma dimens\u00e3o similar.<br \/>\nPode ocorrer destrui\u00e7\u00e3o for\u00e7as produtivas em escala gigantesca, a come\u00e7ar pela maior delas: a for\u00e7a de trabalho humana, com a morte de milh\u00f5es de trabalhadores, e a condena\u00e7\u00e3o de centenas de milh\u00f5es a uma mis\u00e9ria ainda maior que a atual.<br \/>\n<strong>Vamos a novos processos revolucion\u00e1rios?<\/strong><br \/>\nQuais v\u00e3o ser os reflexos pol\u00edticos da combina\u00e7\u00e3o da pandemia e da recess\u00e3o econ\u00f4mica mundial?<br \/>\nEm primeiro lugar, est\u00e3o se aprofundando as divis\u00f5es da burguesia a n\u00edvel mundial e dentro de cada pa\u00eds.<br \/>\nAntes da pandemia e da abertura da crise econ\u00f4mica, j\u00e1 existia uma situa\u00e7\u00e3o de polariza\u00e7\u00e3o e instabilidade pol\u00edtica no mundo crescente. Isso causou diversos processos revolucion\u00e1rios no Chile, Equador, Iraque, Hong Kong e outros pa\u00edses.<br \/>\nAgora, a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores vai piorar qualitativamente. Em algumas semanas e meses, a pandemia e o desemprego alcan\u00e7ar\u00e3o as periferias das grandes cidades do mundo todo.<br \/>\nN\u00e3o existe uma rela\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica entre crise e aumento das lutas. Por vezes, o medo do desemprego trava as mobiliza\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o parece que isso v\u00e1 se dar.<br \/>\nA radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores e da juventude vai aumentar e muito. V\u00e3o crescer as crises dos governos e regimes. Isso vai se transformar em novos grandes ascensos das massas trabalhadoras?<br \/>\nTamb\u00e9m nesse sentido os cen\u00e1rios t\u00eam de ser mantidos em aberto, pela multiplicidade de vari\u00e1veis em jogo. Mas, pela evolu\u00e7\u00e3o inicial, com as greves operarias na It\u00e1lia, os panela\u00e7os no Brasil, Col\u00f4mbia e Espanha, nos parece que a hip\u00f3tese de novos processos revolucion\u00e1rios se abrindo \u00e9 a mais prov\u00e1vel.<br \/>\nNo caso do processo revolucion\u00e1rio do Chile, a chegada da pandemia do corona v\u00edrus fez com que as mobiliza\u00e7\u00f5es massivas com enfrentamentos nas ruas com a pol\u00edcia tivessem que dar um intervalo devido ao perigo de contamina\u00e7\u00e3o. O processo segue, agora centrado na auto-organiza\u00e7\u00e3o nos bairros e com uma radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento que se aprofunda pela politica criminosa do governo Pi\u00f1era em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que quando os efeitos mais duros da pandemia passem a revolu\u00e7\u00e3o retome o processo com for\u00e7a.<br \/>\nA polariza\u00e7\u00e3o entre revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o vai aumentar muito em todo o mundo.<br \/>\n<strong>Socialismo ou barb\u00e1rie<\/strong><br \/>\nO capitalismo \u00e9 um sistema que privilegia uma minoria absoluta da humanidade: a burguesia e a classe m\u00e9dia alta. Condena \u00e0 mis\u00e9ria a maioria absoluta da popula\u00e7\u00e3o, os trabalhadores.<br \/>\nMas, para se manter no poder, os governos da burguesia se apresentam como \u201crepresentando todos\u201d. A ideologia da \u201cunidade nacional\u201d para enfrentar a pandemia \u00e9 s\u00f3 uma nova vers\u00e3o dessa farsa.<br \/>\nMas, em alguns momentos da hist\u00f3ria, em alguns poucos pa\u00edses, a face verdadeira desse sistema brutal aparece. Estamos entrando em um desses momentos raros da humanidade. Agora com uma cat\u00e1strofe e um genoc\u00eddio a n\u00edvel mundial.<br \/>\nEm algumas semanas ou meses, em grande parte do mundo, com a pandemia no pico e a recess\u00e3o mundial iniciada, vamos ter elementos de barb\u00e1rie nos bairros pobres de todo o planeta.<br \/>\nV\u00e3o se dar momentos de mudan\u00e7as r\u00e1pidas e convulsivas tamb\u00e9m na consci\u00eancia dos trabalhadores de todo o mundo. \u00c9 importante enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o grav\u00edssima com um programa anticapitalista, que aponte uma perspectiva socialista.<br \/>\nN\u00e3o existe alternativa real de mudan\u00e7as por dentro do capitalismo. Os governos atuais, com seus mesmos planos de sempre n\u00e3o v\u00e3o evitar a crise. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 prov\u00e1vel que fiquem expl\u00edcitos, em muitos pa\u00edses, os genoc\u00eddios que est\u00e3o cometendo.<br \/>\nAs oposi\u00e7\u00f5es burguesas, mesmo as mais \u201cde esquerda\u201d como Sanders, prop\u00f5em medidas parciais, com a extens\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica para todos. Mas defendem que os oper\u00e1rios sigam trabalhando. N\u00e3o apontam nenhuma mudan\u00e7a real na economia.<br \/>\nOs setores reformistas da social democracia, PT, PSOL, Podemos, etc. de todo o mundo, apontam tamb\u00e9m medidas parciais dentro do capitalismo. N\u00e3o escapam dos planos keynesianos, com investimentos p\u00fablicos para salvar a economia.<br \/>\nOutros se iludem com a utopia de que essa crise pode derrubar o capitalismo, sem que exista uma interven\u00e7\u00e3o revolucionaria das massas para derrub\u00e1-lo.<br \/>\nO capitalismo pode sim sair dessa crise, depois de algum tempo. Mas sair\u00e1 com uma forma ainda mais brutal. Vai incorporar a forma de ditaduras mais duras para manter uma explora\u00e7\u00e3o mais selvagem. Vai se aproveitar do desemprego massivo para impor sal\u00e1rios ainda mais baixos. Vai utilizar os avan\u00e7os na repress\u00e3o e controle durante a pandemia para impor governos e regimes mais autorit\u00e1rios.<br \/>\n<strong>N\u00e3o existem outras alternativas: socialismo ou barb\u00e1rie. <\/strong><br \/>\n\u00c9 preciso bater de frente com o capitalismo, n\u00e3o tentar mais uma vez salv\u00e1-lo.<br \/>\nDefendemos que todos os trabalhadores tenham direito a quarentena enquanto durar a pandemia. E que os trabalhadores informais tenham um sal\u00e1rio m\u00e9dio garantido por todo o per\u00edodo da pandemia e a crise econ\u00f4mica.<br \/>\n\u00c9 preciso que todos tenham direito a quarentena em condi\u00e7\u00f5es dignas. Para isso devem ser ocupados os hot\u00e9is e as habita\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<br \/>\nDefendemos sa\u00fade p\u00fablica, gratuita e de qualidade para todos os trabalhadores. Isso significa a expropria\u00e7\u00e3o dos hospitais e clinicas privadas para coloca-los a servi\u00e7o do conjunto dos trabalhadores.<br \/>\nDefendemos a estatiza\u00e7\u00e3o das grandes empresas fundamentais, a come\u00e7ar pelas que produzem alimentos e rem\u00e9dios, sob controle dos trabalhadores.<br \/>\nPara sair da recess\u00e3o mundial, defendemos que a economia seja planificada, com a estatiza\u00e7\u00e3o de seus setores fundamentais. N\u00e3o pode ser que a humanidade siga submetida aos interesses de uma \u00ednfima minoria.<br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel, com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos de hoje, que n\u00e3o exista mais fome nem mis\u00e9ria no mundo. \u00c9 poss\u00edvel uma produ\u00e7\u00e3o planificada que n\u00e3o destrua a natureza. \u00c9 poss\u00edvel evitar novas pandemias, se a ind\u00fastria farmac\u00eautica se dedicar as pesquisas para criar vacinas e rem\u00e9dios para evita-las. \u00c9 poss\u00edvel que n\u00e3o existam mais as crises econ\u00f4micas.<br \/>\nMas nada disso \u00e9 poss\u00edvel por dentro do capitalismo.<br \/>\n\u00c9 hora de levantar novamente as bandeiras vermelhas do socialismo. E de se integrar na constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios que defendam essas bandeiras.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia de Coronav\u00edrus pode ter consequ\u00eancias desastrosas, reeditando os milh\u00f5es de mortos da gripe espanhola de 1918. Mas a amea\u00e7a n\u00e3o para a\u00ed. Est\u00e1 come\u00e7ando uma nova recess\u00e3o mundial que pode ser igual ou ainda pior que a de 2007-09. Pode evoluir para uma depress\u00e3o como a ocorrida em 1929. 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