{"id":32313,"date":"2020-03-28T17:13:43","date_gmt":"2020-03-28T19:13:43","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32313"},"modified":"2020-03-28T17:13:43","modified_gmt":"2020-03-28T19:13:43","slug":"palestina-livre-mais-do-que-nunca-e-questao-de-vida-ou-morte-com-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/03\/28\/palestina-livre-mais-do-que-nunca-e-questao-de-vida-ou-morte-com-covid-19\/","title":{"rendered":"Palestina livre, mais do que nunca, \u00e9 quest\u00e3o de vida ou morte com Covid-19"},"content":{"rendered":"<p><em>Oitenta e dois na Cisjord\u00e2nia \u2013 com uma morte \u2013 e nove em Gaza, al\u00e9m de quatro presos pol\u00edticos por Israel. Esses s\u00e3o os dados oficiais recentes sobre palestinos sob ocupa\u00e7\u00e3o infectados pelo novo coronav\u00edrus, divulgados por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es e m\u00eddias.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Soraya Misleh<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o acendeu o alerta para calamidade iminente em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade, decorrente da coloniza\u00e7\u00e3o e apartheid a que est\u00e3o submetidos os palestinos h\u00e1 72 anos (desde a Nakba, a cat\u00e1strofe com a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel mediante limpeza \u00e9tnica planejada em 15 de maio de 1948). N\u00e3o \u00e9 diferente em rela\u00e7\u00e3o aos 5 milh\u00f5es de refugiados em campos no Oriente M\u00e9dio, impedidos de retornar para suas casas e vivendo amontoados, em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias.<br \/>\nEnquanto o Estado sionista segue em sua desumaniza\u00e7\u00e3o cotidiana, circulava na semana passada a <em>fake news<\/em> de que teria j\u00e1 desenvolvido a vacina para a Covid-19, a qual estaria dispon\u00edvel at\u00e9 maio pr\u00f3ximo. A imagem de salvador de vidas diante da pandemia global apresenta-se como propaganda ideal para encobrir seus crimes. Mais uma em sua t\u00e1tica de <em>aid washing<\/em> (lavar de ajuda).<br \/>\nNa verdade, o novo coronav\u00edrus explicita ao mundo sua face cruel. Em meio ao \u201cdesastre de terr\u00edveis propor\u00e7\u00f5es\u201d \u2013 como afirma a ONG israelense Bet\u00b4Selem \u2013, s\u00edmbolo do desprezo pela vida dos palestinos foi \u00a0a a\u00e7\u00e3o contra um trabalhador palestino que apresentava poss\u00edveis sintomas de Covid-19. \u00c0 suspeita do seu empregador israelense, a resposta de seus colegas militares foi jog\u00e1-lo na beira da estrada, \u201ccomo lixo\u201d \u2013 como noticiou o <em>Monitor do Oriente M\u00e9dio<\/em>. Profissionais da sa\u00fade palestinos o recolheram e levaram a hospital em Nablus, na Cisjord\u00e2nia. Seu teste deu negativo.<br \/>\nOutra mostra da desumanidade que permeia o regime de apartheid \u00e9 a ordem de evacua\u00e7\u00e3o a palestinos do Negev [em \u00e1rabe, Naqab] dada tamb\u00e9m em 24 de mar\u00e7o para demoli\u00e7\u00e3o de duas casas. Apesar do estado de emerg\u00eancia, segundo Suleiman Freehat, membro do Comit\u00ea Local do bairro afetado, Rakhma, a pol\u00edcia israelense, juntamente com funcion\u00e1rios do Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as e do Fundo Nacional Judaico, invadiu a vila e amea\u00e7ou seus moradores. Segundo ele, as autoridades israelenses \u201cn\u00e3o ofereceram assist\u00eancia aos residentes para lidar com o surto de coronav\u00edrus\u201d. \u00c9 o que aponta o <em>Monitor do Oriente M\u00e9dio<\/em>, que reportou o caso. \u201cEnquanto isso\u201d, afirma Freehat, \u201celes t\u00eam feito o poss\u00edvel para nos perseguir e amea\u00e7ar nossas vidas e lares diariamente\u201d \u2013 noticia este portal.<br \/>\nA aldeia palestina no Negev \u00e9 uma das centenas n\u00e3o reconhecidas por Israel em que n\u00e3o \u00e9 permitida constru\u00e7\u00e3o permanente ou sequer servi\u00e7os b\u00e1sicos \u2013 as demoli\u00e7\u00f5es e invas\u00f5es s\u00e3o frequentes. Rotina que se mant\u00e9m, como mostra esse caso, a despeito da pandemia.<br \/>\nEssa \u00e9 uma das regi\u00f5es em que se deu a limpeza \u00e9tnica planejada em 1948 \u2013 quando, em localidades como Acre [Akka, em \u00e1rabe], den\u00fancias revelam que os sionistas contaminaram o aqueduto com bact\u00e9ria causadora de tifo, provocando uma epidemia. Muito ao contr\u00e1rio da propaganda de salvador.<br \/>\nO desprezo \u00e0 vida dos palestinos n\u00e3o \u00e9 novo e \u00e9 ainda demonstrado com outra medida em meio \u00e0 pandemia atual: milhares de trabalhadores palestinos que enfrentam o controle em <em>check point<\/em> para servir de m\u00e3o de obra barata no Estado sionista tiveram \u201cpermiss\u00e3o\u201d para se alojar em Israel por pelo menos dois meses \u2013 na verdade, uma medida compuls\u00f3ria, j\u00e1 que n\u00e3o poder\u00e3o retornar a sua casa no per\u00edodo, se quiserem manter o emprego.<br \/>\nA determina\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de um acordo com a Autoridade Palestina (AP), criticada como gerente da ocupa\u00e7\u00e3o sionista, sob o pretexto de impedir a transmiss\u00e3o de um local para outro. A tal da coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua tem sido elogiada pela m\u00eddia tradicional, mas n\u00e3o passa de mais uma a\u00e7\u00e3o entre tantas que demonstram o servilismo da AP \u2013 a qual foi criada a partir dos desastrosos acordos de Oslo entre a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) e Israel em 1993, com depend\u00eancia econ\u00f4mica integral e coopera\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a com a ocupa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEmbora a promessa israelense tenha sido de que os trabalhadores palestinos receberiam moradia adequada e que seus empregadores garantiriam condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias adequadas, os que se deparam com essa situa\u00e7\u00e3o duvidam. Reportagem do <em>Al Monitor<\/em>, publicada em 20 de mar\u00e7o, traz declara\u00e7\u00e3o de um deles, Taiser Abd el-Rahim, dada ao <em>website Ynet<\/em>: &#8220;Minha fam\u00edlia est\u00e1 esperando que eu lhe forne\u00e7a comida&#8221;, observando que ele \u201cteria que cobrir o custo de suas acomoda\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio bolso\u201d. \u201cTalvez meu empregador possa encontrar um lugar para eu [dormir] por uma noite ou duas ou tr\u00eas, ou at\u00e9 uma semana, mas mais do que isso, come\u00e7ar\u00e1 a custar caro a ele. No final, eu mesmo pagarei para garantir que tenha um lugar adequado para dormir. Nenhum dos trabalhadores que cruzam a fronteira se sente bem com isso. Todos eles t\u00eam pavor do v\u00edrus. \u00c9 muito poss\u00edvel que daqui a tr\u00eas dias algu\u00e9m seja infectado. Ent\u00e3o, se voltar [para a Cisjord\u00e2nia], toda a sua fam\u00edlia poder\u00e1 morrer\u201d, conclui esse trabalhador palestino, que mora em Nablus.<br \/>\nEnquanto coloca em risco a vida dos trabalhadores palestinos, Israel \u2013 que conta mais de 3 mil casos de Covid-19 e 12 mortes \u2013 recomendou a quarentena a seus cidad\u00e3os e restringiu a circula\u00e7\u00e3o nas fronteiras.<br \/>\n<strong>A situa\u00e7\u00e3o nas pris\u00f5es<\/strong><br \/>\nNos c\u00e1rceres israelenses, tamb\u00e9m, nada de novo sob o signo da ocupa\u00e7\u00e3o. Amplia-se a neglig\u00eancia m\u00e9dica, que se estende \u00e0s medidas anunciadas ante os quatro casos, transmitidos durante interrogat\u00f3rios. Em risco, a vida dos 5 mil presos pol\u00edticos palestinos, entre os quais 43 mulheres e 180 adolescentes e crian\u00e7as \u2013 26 menores de 16 anos. Conforme a Associa\u00e7\u00e3o Palestina de Apoio e Direitos Humanos aos Prisioneiros (Addameer), &#8220;as pris\u00f5es est\u00e3o superlotadas, as salas, as c\u00e9lulas e as se\u00e7\u00f5es s\u00e3o pequenas e n\u00e3o possuem ventila\u00e7\u00e3o adequada &#8230; faltam esterilizadores, materiais de limpeza, medicamentos como antibi\u00f3ticos e nutri\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria&#8221;.<br \/>\nSegundo a Rede de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos (Samidoun), a administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria israelense \u201cproibiu os presos pol\u00edticos palestinos de comprarem 170 itens diferentes na \u2018cantina\u2019 ou loja da pris\u00e3o, incluindo produtos de higiene e limpeza\u201d. Conforme a Sociedade dos Prisioneiros Palestinos, vegetais frescos e congelados, carne, peixe, \u00f3leo e ervas tamb\u00e9m foram retirados da cantina. Esta \u00faltima entidade se mostrou apreensiva de que isso represente um novo ataque aos prisioneiros palestinos enquanto est\u00e3o mais isolados devido \u00e0 pandemia de coronav\u00edrus.<br \/>\nAs organiza\u00e7\u00f5es denunciam que, desta vez sob o pretexto da quarentena, Israel tem negado aos prisioneiros pol\u00edticos palestinos visitas de familiares e advogados \u2013 mas n\u00e3o permite telefonemas, por exemplo. Ou seja, est\u00e1 usando a epidemia para ampliar a puni\u00e7\u00e3o coletiva. A mesma medida n\u00e3o foi adotada em rela\u00e7\u00e3o aos presos comuns israelenses. Quinhentos foram libertados e os demais agora t\u00eam recebido visitas separados por uma barreira de vidro \u2013 como sempre foi para os palestinos. As entidades explicitam ainda que a nega\u00e7\u00e3o de acesso aos representantes legais n\u00e3o veio acompanhada do fim dos interrogat\u00f3rios, que podem incluir tortura psicol\u00f3gica e f\u00edsica, como de praxe. Mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de que nenhuma dessas medidas tem raz\u00e3o minimamente humanit\u00e1ria. Tamb\u00e9m n\u00e3o foram suspensas transfer\u00eancias prisionais, que se d\u00e3o sem qualquer precau\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs medidas restritivas, ainda conforme as organiza\u00e7\u00f5es, somam-se a outras que devem agravar a vulnerabilidade dos prisioneiros em suas celas superlotadas e sujas. Consultas m\u00e9dicas e exames foram suspensos, inclusive para os portadores de doen\u00e7as graves e feridos. \u201cMesmo fora do contexto da pandemia da Covid-19, os prisioneiros palestinos enfrentam regularmente longos atrasos em busca de aprova\u00e7\u00e3o para o tratamento\u201d, enfatiza a Samidoun, que completa: \u201cEsse desrespeito israelense pela vida e pela sa\u00fade dos prisioneiros palestinos representa uma amea\u00e7a ainda maior na era da Covid-19, e a resposta israelense n\u00e3o fez nada al\u00e9m de refor\u00e7ar essa realidade.\u201d<br \/>\nEm seu chamado por respostas coletivas \u00e0 pandemia, a organiza\u00e7\u00e3o Cientistas do Movimento da Juventude Palestina (SPYM) destaca que \u201co rigor cient\u00edfico deve incorporar uma compreens\u00e3o das for\u00e7as sist\u00eamicas da opress\u00e3o e da despossess\u00e3o\u201d. E enfatiza: \u201cDevemos permanecer atentos a todos os indiv\u00edduos e popula\u00e7\u00f5es que s\u00e3o estruturalmente privados dos meios necess\u00e1rios para diminuir sua exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus e, em geral, de atendimento m\u00e9dico de qualidade.<br \/>\nOs palestinos que continuam lutando contra a coloniza\u00e7\u00e3o sionista e a limpeza \u00e9tnica, por exemplo, enfrentam acesso restrito a hospitais e n\u00e3o recebem o tratamento necess\u00e1rio devido ao maquin\u00e1rio brutal da ocupa\u00e7\u00e3o militar, cerco e <em>apartheid<\/em>. A priva\u00e7\u00e3o m\u00e9dica n\u00e3o \u00e9 uma consequ\u00eancia incidental de um projeto colonial, mas uma medida inerente a esse sistema voltado para tornar a terra e a sociedade fatalmente inabit\u00e1veis \u200b\u200bpara a popula\u00e7\u00e3o nativa. (&#8230;)\u201d Acrescenta, assim, que \u201cal\u00e9m de restringir o acesso dos palestinos aos cuidados de sa\u00fade, o Estado sionista \u00e9 o principal ator para conter as respostas emergenciais na Palestina\u201d. Guardadas as diferen\u00e7as peculiares a Israel e seu regime institucionalizado de apartheid, assim atuam tamb\u00e9m seus aliados Bolsonaro e Trump, respectivamente no Brasil e nos Estados Unidos.<br \/>\nNa mesma linha, o SPYM ressalta: \u201cSabemos muito bem que a Palestina ocupada e os campos de refugiados ao redor compartilham condi\u00e7\u00f5es semelhantes causadas pela coloniza\u00e7\u00e3o e cerco. (&#8230;) Enquanto lutamos para impedir a dissemina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus entre nossos espa\u00e7os, n\u00e3o podemos esquecer a situa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es mais necessitadas e vulner\u00e1veis, desde palestinos e refugiados presos e colonizados at\u00e9 fam\u00edlias sem documentos, brutalmente for\u00e7adas a campos de concentra\u00e7\u00e3o na fronteira EUA-M\u00e9xico, onde as crian\u00e7as s\u00e3o separadas \u00e0 for\u00e7a dos pais e enjauladas em salas geladas e mal-iluminadas, em meio a neglig\u00eancias m\u00e9dicas e falta de recursos. Al\u00e9m da atmosfera de pris\u00e3o dos centros de deten\u00e7\u00e3o, voltados para incutir medo desenfreado, terror e sofrimento entre os indocumentados e promover efetivamente a limpeza \u00e9tnica por meio de um processo estruturalmente imposto e obrigat\u00f3rio de separa\u00e7\u00e3o familiar, cujos impactos sobre as v\u00edtimas s\u00e3o muitas vezes irrevers\u00edveis, n\u00e3o podemos esquecer as condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis \u200b\u200bdas pris\u00f5es norte-americanas, que abrigam algumas das popula\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias e carentes e s\u00e3o igualmente predispostas estruturalmente ao aumento do risco de infec\u00e7\u00e3o. Ironicamente, o trabalho nas pris\u00f5es \u00e9 usado para fazer os mesmos desinfetantes e m\u00e1scaras faciais que muitos indiv\u00edduos est\u00e3o acumulando na tentativa de compensar a amea\u00e7a de infec\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, como observa o SPYM, frente ao encarceramento em massa \u201cde comunidades marginalizadas sujeitas a padr\u00f5es racializados e coloniais\u201d.<br \/>\n\u201cPrisioneiros e detidos &#8211; incluindo aqueles mantidos em campos e centros de deten\u00e7\u00e3o por procurar migrar ou encontrar seguran\u00e7a &#8211; s\u00e3o pessoas extremamente empobrecidas e da classe trabalhadora sujeitas aos estragos do capitalismo, bem como \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o das pris\u00f5es\u201d. A organiza\u00e7\u00e3o conclui: \u201cEm lugar do interesse pr\u00f3prio, devemos insistir (&#8230;) em uma consci\u00eancia \u00e9tica e estrutural de como o capitalismo, o colonialismo e o imperialismo se cruzam e se tornam ainda mais brutais em tempos de crise global.\u201d<br \/>\nAs organiza\u00e7\u00f5es reivindicam a\u00e7\u00e3o das distintas organiza\u00e7\u00f5es, como Cruz Vermelha, al\u00e9m de fortalecimento da solidariedade internacional neste momento, pela liberta\u00e7\u00e3o de todos os presos pol\u00edticos palestinos, os quais amea\u00e7am entrar em greve de fome. Desde a semana passada, alguns j\u00e1 come\u00e7aram a recusar refei\u00e7\u00f5es e no dia 25 um deles ateou fogo a sua cela em protesto. S\u00e3o, como corroboram as entidades, a express\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de seu povo, mas tamb\u00e9m da resist\u00eancia.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><strong>Coronav\u00edrus em Gaza<\/strong><br \/>\nEm outra pris\u00e3o \u2013 a c\u00e9u aberto \u2013, a faixa de Gaza, o pren\u00fancio de calamidade. A \u00faltima informa\u00e7\u00e3o, divulgada pelo jornal <em>Haaretz<\/em>, em 27 de mar\u00e7o, \u00e9 de nove infectados por Covid-19. Os dois primeiros casos confirmados foram de palestinos que retornaram do Paquist\u00e3o. O cen\u00e1rio devastado por quase 13 anos de bloqueio israelense desumano e bombardeios frequentes aponta para a vulnerabilidade extrema dos 2 milh\u00f5es de palestinos que vivem na \u00e1rea mais densamente povoada do mundo.<br \/>\nNum quadro de extrema pobreza, depend\u00eancia de ajuda humanit\u00e1ria, infraestrutura destru\u00edda, apenas quatro horas de eletricidade por dia, 96% da \u00e1gua pot\u00e1vel contaminada, em que a pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) reconhece que o sistema de sa\u00fade local \u00e9 incapaz de lidar com a pandemia, diante de seu colapso, manter o cerco israelense \u00e9 criminoso. A estreita faixa vem tomando medidas para conter a propaga\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus, mas as consequ\u00eancias do bloqueio e sua perman\u00eancia precisam ser revertidas imediatamente para impedir que os palestinos enfrentem mais uma trag\u00e9dia.<br \/>\nSegundo mat\u00e9ria do <em>G1<\/em>, publicada em 23 de mar\u00e7o, \u201cpelos c\u00e1lculos do diretor do escrit\u00f3rio da OMS em Gaza, Abdelnasser Soboh, o territ\u00f3rio seria capaz de absorver apenas os primeiros cem casos da doen\u00e7a e, assim mesmo, de forma gradual: do total de 62 respiradores, apenas 15 est\u00e3o dispon\u00edveis\u201d. Faltam medicamentos, equipamentos e hospitais. Enquanto isso, Israel tem feito com que trabalhadores de Gaza produzam m\u00e1scaras para suprir o Estado sionista.<br \/>\nSe o cerco desumano e a ocupa\u00e7\u00e3o destru\u00edram a infraestrutura e a assist\u00eancia adequada, Gaza apela, nas palavras do colunista Ramzy Baroud, para a \u201cess\u00eancia de ser palestino\u201d, que inclui n\u00e3o s\u00f3 a resist\u00eancia heroica, mas a compreens\u00e3o da import\u00e2ncia da solidariedade internacional. Mais do que isso: urg\u00eancia. O fim do bloqueio israelense \u00e0 estreita faixa e, nesse marco, a liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, do rio ao mar, s\u00e3o quest\u00e3o de vida ou morte.<br \/>\nEm Bethlehem, na Cisjord\u00e2nia, em que h\u00e1 17 casos confirmados de Covid-19, palestinos ergueram bandeiras italianas. Agora \u00e9 a hora de todos erguerem, do alto de suas janelas, tamb\u00e9m a bandeira da Palestina, s\u00edmbolo de todas as lutas justas contra a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Pelo fim da ocupa\u00e7\u00e3o, do apartheid, do racismo e da coloniza\u00e7\u00e3o. Vidas palestinas tamb\u00e9m importam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oitenta e dois na Cisjord\u00e2nia \u2013 com uma morte \u2013 e nove em Gaza, al\u00e9m de quatro presos pol\u00edticos por Israel. 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