{"id":32024,"date":"2020-03-15T14:47:00","date_gmt":"2020-03-15T16:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=32024"},"modified":"2020-03-15T14:47:00","modified_gmt":"2020-03-15T16:47:00","slug":"italia-operarios-em-greve-em-todo-o-pais-alternativa-comunista-esta-com-eles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/03\/15\/italia-operarios-em-greve-em-todo-o-pais-alternativa-comunista-esta-com-eles\/","title":{"rendered":"It\u00e1lia &#124; Oper\u00e1rios em greve em todo o pa\u00eds. Alternativa Comunista est\u00e1 com eles!"},"content":{"rendered":"<p><em>O novo Decreto do Presidente do Conselho, que tem a data de 11 de mar\u00e7o, ainda mais do que o anterior, \u00e9 expl\u00edcito no seu car\u00e1cter de classe. Enquanto s\u00e3o anunciadas medidas dr\u00e1sticas para lidar com a emerg\u00eancia do Coronav\u00edrus e \u00e9 imposto o encerramento de todas as pequenas atividades comerciais e de restaura\u00e7\u00e3o, as f\u00e1bricas s\u00e3o deixadas abertas, mesmo numa regi\u00e3o, a Lombardia, onde a porcentagem de infectados e mortos \u00e9 muito elevada. Escrit\u00f3rios, supermercados, bancos, call centers, etc. tamb\u00e9m s\u00e3o deixados abertos. Tudo isto acontece enquanto o governo anuncia dezenas de milhares de dimisi\u00f5es no setor da avia\u00e7\u00e3o (ver Alitalia e Air Italy).<\/em><!--more--><br \/>\nPor: Fabiana Stefanoni<br \/>\n<strong>O capitalismo tira a m\u00e1scara<\/strong><br \/>\n\u00c9 em momentos cr\u00edticos como este que caem tantas m\u00e1scaras. O capitalismo mostra a sua verdadeira face: uma face b\u00e1rbara e desumana. O governo no poder, como todos os governos burgueses, em acordo un\u00e2nime entre os autodenominados &#8220;novos&#8221; partidos como o M5S (Movimento 5 estrelas) e os partidos &#8220;tradicionais&#8221;, executa servilmente as ordens da Confindustria: as f\u00e1bricas e cadeias de grandes neg\u00f3cios n\u00e3o devem ser fechadas, os lucros bilion\u00e1rios dos capitalistas devem ser defendidos!<br \/>\n\u00c9 por isso que, enquanto a necessidade de ficar em casa para evitar o cont\u00e1gio, trabalhadores, repartidores, trabalhadores de transporte, funcion\u00e1rios, entregadores s\u00e3o obrigados a ir&#8230; para se infectarem no local de trabalho!<br \/>\nCriminosas, assim como hip\u00f3critas, s\u00e3o as declara\u00e7\u00f5es do presidente da Confindustria, Boccia, que garante que no trabalho os trabalhadores podem ser &#8220;protegidos&#8221;. Qualquer pessoa que tenha colocado os p\u00e9s numa f\u00e1brica, ou que tenha falado com aqueles que trabalham na linha de montagem, sabe muito bem que, nas condi\u00e7\u00f5es atuais da ind\u00fastria, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel qualquer prote\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores encontram-se inevitavelmente \u00e0 curta dist\u00e2ncia, trabalhando em locais fechados onde o v\u00edrus pode facilmente se propagar, carregando e descarregando mercadorias que podem ser fontes de cont\u00e1gio.<br \/>\nA verdade \u00e9 outra, e \u00e9 uma verdade de classe: capitalistas bilion\u00e1rios, industriais e banqueiros, n\u00e3o querem desistir nem mesmo de uma migalha dos seus lucros bilion\u00e1rios: \u00e9 por isso que n\u00e3o querem fechar as suas f\u00e1bricas. \u00c9 uma mentira daqueles que dizem que a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser parada: a maioria das grandes f\u00e1bricas do nosso pa\u00eds &#8211; das sider\u00fargicas \u00e0 metal\u00fargica, da ind\u00fastria qu\u00edmica \u00e0 ind\u00fastria automotiva &#8211; produz bens que nada t\u00eam a ver com supostas &#8220;necessidades de sa\u00fade p\u00fablica&#8221;. As \u00fanicas necessidades que eles querem defender s\u00e3o as do lucro: a vida de milh\u00f5es de trabalhadores n\u00e3o conta para nada!<br \/>\nTamb\u00e9m emerge, claramente, o car\u00e1cter an\u00e1rquico e irracional de um sistema econ\u00f3mico baseado no lucro individual: os capitalistas n\u00e3o olham para al\u00e9m dos seus narizes, n\u00e3o consideram que o Coronav\u00edrus tamb\u00e9m os possa infectar &#8211; mesmo que pare\u00e7a que alguns Tio Patinhas j\u00e1 se est\u00e3o equipando para se deslocarem com jatinhos privados para ilhas remotas ou em bunkers luxuosos&#8230; &#8211; e n\u00e3o calculam que, se os trabalhadores forem infectados em massa, ser\u00e1 ent\u00e3o necess\u00e1rio, por for\u00e7a maior, parar a produ\u00e7\u00e3o e encerrar as f\u00e1bricas.<br \/>\nDeve-se ressaltar que, como sempre, a burguesia expressa posi\u00e7\u00f5es diferentes dentro dela. A maioria das ind\u00fastrias que necessitam de trabalhadores\u00a0 trabalhando fisicamente\u00a0 (siderurgia, metal\u00fargicas, automotivas, etc.) n\u00e3o pretendem fechar mesmo nas \u00e1reas de maior risco (emblem\u00e1tico \u00e9 o caso da\u00a0 gigante Arvedi (a\u00e7o) em Cremona que n\u00e3o fechou nem sequer um dia em um dos principais surtos do v\u00edrus) ou fechar dois ou tr\u00eas dias apenas para &#8220;tornar mais segura&#8221; (!) a f\u00e1brica (como a FCA). Depois, h\u00e1 empresas em setores que precisam de menos m\u00e3o-de-obra &#8220;f\u00edsica&#8221; e que podem sobreviver com o trabalho \u00e0 dist\u00e2ncia, por isso prop\u00f5em uma pausa &#8220;generosa&#8221; de 15 dias para parar as atividades de produ\u00e7\u00e3o: esta \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o expressa, por exemplo, pela gigante editorial RCS, que tamb\u00e9m controla esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o, como a La7 (contraditoriamente, os jornalistas das mesmas esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o anunciam que levar\u00e1 &#8220;meses&#8221; para sair da emerg\u00eancia).<br \/>\nUma coisa \u00e9 certa: toda a grande burguesia, depois do estrondo da bolsa de Mil\u00e3o, est\u00e1 em p\u00e2nico. Isto significa que eles v\u00e3o implementar ou exigir medidas ainda mais duras&#8230; para defender os seus lucros. J\u00e1 existem casos de trabalhadores pressionados pelas empresas a mentir sobre o seu estado de sa\u00fade (ou seja, a esconder o fato de terem sido infectados) para evitar o encerramento dos locais. Em muitos locais de trabalho os empregados foram for\u00e7ados a tirar f\u00e9rias, muitos foram despedidos. E isto \u00e9 apenas o come\u00e7o.<br \/>\n<strong>Hipocrisias e bombeiros<\/strong><br \/>\nAs posi\u00e7\u00f5es assumidas por Salvini, Meloni e Fontana s\u00e3o vergonhosas e hip\u00f3critas, e s\u00f3 agora est\u00e3o pedindo o fechamento de um maior n\u00famero de ind\u00fastrias (provavelmente em fun\u00e7\u00e3o do consenso eleitoral). \u00c9 preciso lembrar a estes chacais que tamb\u00e9m eles, como todos os outros principais l\u00edderes pol\u00edticos burgueses (de Zingaretti a Berlusconi, de Bersani a Monti, de Renzi a Vendola) apoiaram ativamente &#8211; votando-os no Parlamento e implementando-os nas Regi\u00f5es que governam &#8211; todos os cortes bilion\u00e1rios nos cuidados de sa\u00fade, com a consequente redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica e dram\u00e1tica de leitos de UTI e de reanima\u00e7\u00e3o. Todos eles, Salvini e Meloni na cabe\u00e7a, quando estavam no governo com Berlusconi aprovaram a privatiza\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade, o fechamento de hospitais, o desmantelamento de leitos. Todos os representantes da centro-esquerda fizeram o mesmo, sem excep\u00e7\u00e3o: s\u00f3 n\u00f3s, na altura, t\u00ednhamos denunciado os cortes nos leitos implementados pelo Vendola na Ap\u00falia. Vale tamb\u00e9m a pena lembrar a Salvini que o seu bra\u00e7o direito, Zaia, na regi\u00e3o de forte base da Lega, o Veneto, se barricou inicialmente para impedir o encerramento de f\u00e1bricas no surto comum do v\u00edrus: demasiado f\u00e1cil mudar de posi\u00e7\u00e3o no \u00faltimo minuto por medo de perder algum consenso eleitoral!<br \/>\nMas a hipocrisia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de direita. As burocracias dos principais sindicatos, Cgil, Cisl e Uil, Landini na cabe\u00e7a, tomaram uma posi\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca em defesa do lucro, pondo em risco a vida de milh\u00f5es de trabalhadores. Desde o in\u00edcio, exigiram &#8220;aumentar os par\u00e2metros de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade&#8221;, endossando assim a ideologia mestre que quer fazer as pessoas acreditarem que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel parar a produ\u00e7\u00e3o. A verdade \u00e9 outra: h\u00e1 muito poucos setores produtivos hoje em dia que precisam permanecer ativos, e s\u00e3o aqueles relacionados \u00e0 emerg\u00eancia, depois os que produzem ferramentas, m\u00e1quinas e medicamentos necess\u00e1rios para lidar com o Coronav\u00edrus e algumas empresas da cadeia alimentar (aquelas que produzem produtos aliment\u00edcios b\u00e1sicos). Todas as outras ind\u00fastrias poderiam muito bem ser fechadas: bastaria requisitar os bens j\u00e1 produzidos e destinados ao mercado (bens que muitas ind\u00fastrias reservaram e mant\u00eam \u00e0 espera de melhores tempos para a venda) e utiliz\u00e1-los para as exig\u00eancias das massas populares neste per\u00edodo cr\u00edtico.<br \/>\nSem vergonha, Landini, Furlan e Barbagallo invocam &#8220;conc\u00f3rdia e responsabilidade&#8221;, fingem que \u00e9 poss\u00edvel trabalhar em seguran\u00e7a nos repartos e alegam imposs\u00edvel &#8220;saneamento&#8221; das f\u00e1bricas. Assim assumem uma enorme responsabilidade: a de enviar trabalhadores, trabalhadoras e suas fam\u00edlias para a morte, de acordo com a Confindustria e o governo! (1)<br \/>\n<strong>A classe se faz ouvir!<\/strong><br \/>\nImediatamente depois que Conte anunciou na televis\u00e3o, em 11 de mar\u00e7o, que toda a It\u00e1lia se tornaria uma &#8220;zona vermelha&#8221; mas que milh\u00f5es de trabalhadores deveriam continuar trabalhando, o protesto dos trabalhadores explodiu, obviamente nas formas poss\u00edveis, em um momento em que at\u00e9 as manifesta\u00e7\u00f5es na pra\u00e7a podem, na verdade, serem muito perigosas. A Frente de Luta N\u00e3o Austeridade (Fronte di Lotta No Austerity) em cuja constru\u00e7\u00e3o participam tamb\u00e9m os nossos militantes, depois de ter publicado numerosos estudos aprofundados sobre o car\u00e1cter de classe das medidas tomadas pelo governo e seus \u00f3rg\u00e3os (pensemos no ataque ao direito \u00e0 greve no setor dos transportes), lan\u00e7ou um apelo a todos os sindicatos para que proclamassem imediatamente uma greve prolongada no setor privado (ou seja, em todos os setores onde \u00e9 poss\u00edvel a greve e sem risco de san\u00e7\u00f5es para os trabalhadores).<br \/>\nNo mesmo dia, os an\u00fancios de bloqueios e greves come\u00e7aram em todo o pa\u00eds (alguns sindicatos de base tamb\u00e9m proclamaram o estado de agita\u00e7\u00e3o e de greve prolongada a n\u00edvel nacional). Aqui est\u00e1 uma lista, constantemente atualizada, dos principais trabalhadores e trabalhadoras em greve (ou que proclamaram a greve): na prov\u00edncia de Brescia, Pasotti e v\u00e1rias outras grandes f\u00e1bricas; em Asti, Vercelli e Cuneo, o Mtm, a Ikk, a Dierre, a Trivium; na prov\u00edncia de M\u00e2ntua a Corneliani, a Iveco, a Relevi; na prov\u00edncia de Varese, a Whirlpool, em Terni a grande siderurgia Ast, em Cormano em Mil\u00e3o o Briton, na prov\u00edncia de Treviso o Electrolux, em Marghera e na Liguria a Fincantieri. Na Lig\u00faria, os camalli, os estivadores, os trabalhadores da repara\u00e7\u00e3o naval, os trabalhadores das telecomunica\u00e7\u00f5es (System House Srl, System Data Center e Out Spa), assim como os Riders que correm o risco de cont\u00e1gio com as entregas ao domic\u00edlio, entraram em greve; na Toscana, est\u00e3o em curso greves na Piaggio em Pontevedra; Gkn em Floren\u00e7a, Hitachi em Pistoia, em Esselunga (onde foi proclamada uma greve nacional), os trabalhadores na Almaviva est\u00e3o em greve h\u00e1 muito tempo e uma greve de dez dias come\u00e7ou em Ilva, em Taranto; os trabalhadores da Alitalia em v\u00e1rios setores de assist\u00eancia no aeroporto de Fiumicino, embora n\u00e3o possam fazer greve por causa das leis contra greves, ordenaram um longo bloqueio de atividades; outras greves j\u00e1 est\u00e3o programadas na abertura das f\u00e1bricas, que fecharam apenas por alguns dias: da Ferrari em Maranello a muitas empresas do setor borracha-pl\u00e1stico e qu\u00edmico, do com\u00e9rcio \u00e0s telecomunica\u00e7\u00f5es. Nos \u00faltimos dias os trabalhadores da FCA \u00a0di Pomigliano e Termoli estavam em greve.<br \/>\nS\u00e3o greves muito importantes, sobretudo porque, para al\u00e9m das reivindica\u00e7\u00f5es, foram organizadas em contra das grandes burocracias nacionais que queriam amortecer qualquer protesto, a fim de se garantir o papel de porta-vozes \u00fanicos dos trabalhadores (e assim proteger os interesses do seu aparelho burocr\u00e1tico de acordo com a Confindustria). Mas os trabalhadores n\u00e3o querem tornar-se &#8220;carne para o abate&#8221; (&#8220;n\u00e3o somos carne para abate&#8221; \u00e9 um dos slogans do protesto dos trabalhadores). Eles pressionaram seus representantes sindicais nas empresas para proclamar a greve: \u00e9 por isso que nas f\u00e1bricas estamos presenciando bloqueios de produ\u00e7\u00e3o chamados pelas siglas sindicais mais d\u00edspares, desde os b\u00e1sicos da Fiom at\u00e9 os da Cisl e Uil. Mesmo numa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, em que todos n\u00f3s n\u00e3o sabemos agora se vamos sobreviver, a classe trabalhadora est\u00e1 dando uma grande li\u00e7\u00e3o de determina\u00e7\u00e3o e luta, est\u00e1 mostrando que tem a capacidade de tomar o seu destino em suas pr\u00f3prias m\u00e3os.<br \/>\n<strong>Com os trabalhadores em greve, por um novo sistema!<\/strong><br \/>\nO Partido de Alternativa Comunista apoia os trabalhadores que entraram em greve. Enquanto escrevemos, gra\u00e7as em parte \u00e0 press\u00e3o exercida por estes grevistas, o governo acaba de convocar aos l\u00edderes &#8220;de confian\u00e7a&#8221; dos sindicatos para avaliar o que fazer. As burocracias de Cgil, Cisl e Uil pediram uma paralisa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria das ind\u00fastrias funcionais para &#8220;higieniza\u00e7ao&#8221; (sic!) com o uso de amortiza\u00e7\u00f5es sociais (ou seja, novos financiamentos p\u00fablicos indiretos \u00e0s empresas: o Estado paga sal\u00e1rios em vez dos patr\u00f5es). A dire\u00e7\u00e3o da Fiom e dos outros sindicatos de metal\u00fargicos (Fim e Uilm), apesar de si mesmos, s\u00e3o obrigados a cobrir as greves em andamento e as que vir\u00e3o, proclamando &#8220;uma greve por todas as horas necess\u00e1rias&#8221;.<br \/>\nOs resultados obtidos (o fechamento tempor\u00e1rio de algumas plataformas produtivas) s\u00e3o o resultado da luta, mas n\u00e3o devem baixar a guarda: \u00e9 necess\u00e1rio manter o estado de agita\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fechamento de todas as f\u00e1bricas (com excep\u00e7\u00e3o das muito poucas f\u00e1bricas necess\u00e1rias para a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria). Para que o protesto seja eficaz, os bloqueios dos trabalhadores devem ser generalizados e ampliados.<br \/>\nAssumimos a plataforma j\u00e1 avan\u00e7ada por algumas realidades de luta (por exemplo, a chamada renda de quarentena), mas tamb\u00e9m pensamos que temos que nos preparar, desde o in\u00edcio, para uma longa temporada de confrontos de classe (veremos em que formas ser\u00e1 poss\u00edvel realiz\u00e1-las em uma situa\u00e7\u00e3o de risco de cont\u00e1gio). O tempo das m\u00e1scaras, das trai\u00e7\u00f5es, e de manter os p\u00e9s em dois sapatos acabou, chegou a hora de decidir que lado tomar: ou o lado dos capitalistas sem escr\u00fapulos ou o lado dos trabalhadores.<br \/>\n<strong>O Partido Alternativo Comunista afirma:<\/strong><br \/>\n&#8211; Encerramento imediato de todos os locais produtivos, de todas as f\u00e1bricas e de todas as empresas at\u00e9 o fim da emerg\u00eancia do Coronav\u00edrus, com exce\u00e7\u00e3o das poucas f\u00e1bricas que s\u00e3o essenciais para a produ\u00e7\u00e3o de maquinaria hospitalar, m\u00e1scaras, produtos farmac\u00eauticos, e de empresas que produzem alimentos b\u00e1sicos (nestes casos ser\u00e1 necess\u00e1rio redefinir radicalmente os m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o interna do trabalho, com a contrata\u00e7\u00e3o de pessoal permanente e a redu\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de trabalho dos trabalhadores pelo mesmo sal\u00e1rio).<br \/>\n&#8211; Reabertura de todos os hospitais fechados devido a cortes feitos pelo Estado e requisi\u00e7\u00e3o de todas as cl\u00ednicas privadas para fortalecer o sistema nacional de sa\u00fade p\u00fablica; duplica\u00e7\u00e3o imediata dos leitos em reanima\u00e7\u00e3o e cuidados intensivos.<br \/>\n&#8211; Recrutamento por tempo indeterminado de um grande contingente de m\u00e9dicos e enfermeiros em hospitais e instala\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de todos os que est\u00e3o no ranking; prote\u00e7\u00e3o real e aumento dos sal\u00e1rios dos trabalhadores da sa\u00fade.<br \/>\n&#8211; Nas grandes empresas, 100% de remunera\u00e7\u00e3o pela empresa, sem recurso a f\u00e9rias ou Rol pela empresa; nas pequenas empresas, 100% de remunera\u00e7\u00e3o, com integra\u00e7\u00e3o pelo Estado do que a empresa n\u00e3o pode pagar.<br \/>\n&#8211; Encerramento imediato de todos os escrit\u00f3rios e call-centres, com a transforma\u00e7\u00e3o do trabalho em trabalho online (dom\u00e9stico) apenas quando for estritamente necess\u00e1rio para evitar danos \u00e0 comunidade.<br \/>\n&#8211; Interrup\u00e7\u00e3o imediata de todo o transporte (ferrovi\u00e1rio, a\u00e9reo, automobilistico) com uma quota m\u00ednima (e protegida) apenas para emerg\u00eancias; 100% de remunera\u00e7\u00e3o do pessoal sem recurso a f\u00e9rias ou Rol.<br \/>\n&#8211; Interrup\u00e7\u00e3o imediata de todos os procedimentos de dimis\u00f5es dos trabalhadores no setor da avia\u00e7\u00e3o. Nacionaliza\u00e7\u00e3o sem compensa\u00e7\u00e3o e sob o controle dos trabalhadores da Alitalia, Air Italy e Ernst.<br \/>\n&#8211; Fechamento imediato de todos os grandes supermercados, com distribui\u00e7\u00e3o direta e gratuita de alimentos pelo Estado at\u00e9 a emerg\u00eancia cessar.<br \/>\n&#8211; 100% de remunera\u00e7\u00e3o (tamb\u00e9m atrav\u00e9s da renda de cidadania (redito di cittadinanza) igual ao sal\u00e1rio, a chamada &#8220;renda de quarentena&#8221;) de todo o pessoal educacional, servi\u00e7os, cooperativas que tiveram que parar de trabalhar por causa da emerg\u00eancia.<br \/>\n&#8211; Emprego permanente de todo o pessoal escolar prec\u00e1rio (professores e do ATA) com 36 meses de servi\u00e7o para refor\u00e7ar o ensino \u00e0 dist\u00e2ncia; encerramento total das escolas sem obriga\u00e7\u00f5es de trabalho para o pessoal administrativo e de limpeza.<br \/>\n&#8211; Renda de cidadania imediata (&#8220;renda de quarentena&#8221;) igual ao sal\u00e1rio m\u00e9dio de um trabalhador para todos aqueles que n\u00e3o t\u00eam trabalho ou n\u00e3o podem mais trabalhar, incluindo os aut\u00f4nomos, do com\u00e9rcio ao artesanato e \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o. Apoio p\u00fablico \u00e0s pequenas empresas familiares que n\u00e3o t\u00eam rendimentos durante este per\u00edodo devido ao encerramento for\u00e7ado.<br \/>\n&#8211; Aboli\u00e7\u00e3o dos decretos Salvini; abertura de centros de assist\u00eancia p\u00fablica para imigrantes, tamb\u00e9m para garantir-lhes uma verdadeira prote\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria; cidadania imediata para todos os imigrantes, para que possam se beneficiar mais facilmente dos servi\u00e7os de sa\u00fade necess\u00e1rios.<br \/>\n&#8211; Cancelamento do pagamento da d\u00edvida externa, a fim de ter mais recursos para enfrentar a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria.<br \/>\n&#8211; Expropria\u00e7\u00e3o pelo Estado de todas as grandes f\u00e1bricas, come\u00e7ando por aquelas que se recusam a interromper imediatamente a produ\u00e7\u00e3o, a fim de utilizar os bens destinados ao mercado ou acumulados em armaz\u00e9ns para satisfazer as necessidades da comunidade.<br \/>\n&#8211; Nacionaliza\u00e7\u00e3o de todos os grandes bancos, com a cria\u00e7\u00e3o de um \u00fanico grande banco estatal sem capital privado, que possa garantir aos trabalhadores e aos desempregados empr\u00e9stimos em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis sem condi\u00e7\u00f5es nesta situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia.<br \/>\nSe estas medidas fossem implementadas, a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria poderia ser enfrentada sem qualquer risco para os trabalhadores, que hoje vivem sob a amea\u00e7a de dimis\u00f5es em massa: a crise do coronav\u00edrus deve ser paga pelos capitalistas e banqueiros bilion\u00e1rios, n\u00e3o pelos trabalhadores!<br \/>\nNunca antes as palavras de Trotsky, que escreveu no &#8220;Programa de Transi\u00e7\u00e3o&#8221; que no capitalismo &#8220;uma cat\u00e1strofe amea\u00e7a toda a civiliza\u00e7\u00e3o humana&#8221;, foram t\u00e3o atuais. Em 1938, quando Trotsky escreveu estas palavras, era esperado que uma nova guerra mundial viria em breve. Hoje, outra cat\u00e1strofe est\u00e1 pr\u00f3xima. Ontem como hoje, a salva\u00e7\u00e3o &#8220;est\u00e1 nas m\u00e3os do proletariado, isto \u00e9, antes de tudo, da sua vanguarda revolucion\u00e1ria&#8221;. E nestes dias de medos generalizados, mas tamb\u00e9m de duros confrontos de classe, temos a prova disso com a onda de greves em curso. Se \u00e9 verdade, como disse Trotsky, que &#8220;a crise hist\u00f3rica da humanidade \u00e9 a crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria&#8221; hoje mais do que nunca \u00e9 urgente e necess\u00e1rio construir o partido revolucion\u00e1rio internacional.<br \/>\nNotas<br \/>\n(1) \u00c9 preciso especificar, infelizmente, que mesmo setores do sindicalismo combativo e autodenominados representantes da esquerda &#8220;revolucion\u00e1ria&#8221; est\u00e3o endossando essas posi\u00e7\u00f5es, capitulando, de fato, \u00e0s posi\u00e7\u00f5es da Confindustria, que acredita ser poss\u00edvel fazer os trabalhadores irem para o trabalho &#8220;em condi\u00e7\u00f5es seguras&#8221;. No final desta experi\u00eancia, chegar\u00e1 o momento de balan\u00e7os impiedosos tamb\u00e9m nas organiza\u00e7\u00f5es do movimento dos trabalhadores e da classe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo Decreto do Presidente do Conselho, que tem a data de 11 de mar\u00e7o, ainda mais do que o anterior, \u00e9 expl\u00edcito no seu car\u00e1cter de classe. 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