{"id":31958,"date":"2020-03-10T10:52:59","date_gmt":"2020-03-10T12:52:59","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31958"},"modified":"2020-03-10T10:52:59","modified_gmt":"2020-03-10T12:52:59","slug":"8m-no-mexico-sobram-motivos-para-marchar-e-nao-trabalhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/03\/10\/8m-no-mexico-sobram-motivos-para-marchar-e-nao-trabalhar\/","title":{"rendered":"8M no M\u00e9xico &#124; Sobram motivos para marchar e n\u00e3o trabalhar"},"content":{"rendered":"<p><em>Aproxima-se outro 8 de Mar\u00e7o, e tal como presenciamos nos \u00faltimos anos, acontece no contexto de um auge extraordin\u00e1rio das lutas das mulheres em todo o mundo contra a opress\u00e3o. O movimento de mulheres tem demandas t\u00e3o diversas quanto sentidas por milhares de milh\u00f5es. E em cada pa\u00eds assume diferentes formas e coloca o eixo em diferentes express\u00f5es da opress\u00e3o. Opress\u00e3o e agress\u00f5es alimentadas pela imperante ideologia machista e pelas institui\u00e7\u00f5es que a sustentam sob o dom\u00ednio do capitalismo imperialista.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: CST-M\u00e9xico<br \/>\nEsta nova onda de lutas das mulheres em todo o mundo faz parte da luta mundial dos oprimidos e explorados. N\u00f3s mulheres somos a metade oprimida da humanidade e tamb\u00e9m sa\u00edmos para lutar. A luta das mulheres no M\u00e9xico \u00e9 parte deste ascenso.\u00a0 Os protestos acontecem h\u00e1 meses ante feminic\u00eddios, estupros, ass\u00e9dio sexual e viol\u00eancia contra as mulheres. Muitos destes fatos foram cometidos por for\u00e7as policiais, com cumplicidade de autoridades ou do pr\u00f3prio poder judicial, de modo que na maioria dos casos, os agressores acabam impunes.<br \/>\nAnte tanta aberra\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7a, um clamor foi surgindo de abaixo, e n\u00e3o apenas entre as mulheres.<br \/>\nOs feminic\u00eddios de Ingrid e F\u00e1tima fizeram explodir a indigna\u00e7\u00e3o e aproximando-se a data de 8 de Mar\u00e7o, al\u00e9m das marchas e atos nesse dia, surgiu a iniciativa de parar na segunda dia 9. A ideia tem o antecedente da Paralisa\u00e7\u00e3o Internacional de Mulheres que se realizou em 8 de Mar\u00e7o de 2017, e que se repetiu em 2018. Estas paralisa\u00e7\u00f5es replicaram outras realizadas em 2016 pelas mulheres polonesas contra um projeto de lei que pretendia criminalizar o aborto, ou\u00a0 as mulheres argentinas que tomaram as ruas por \u201cNem uma a menos\u201d contra os feminic\u00eddios e pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto seguro e gratuito.<br \/>\nA <strong>viol\u00eancia<\/strong>\u00a0 continua sendo o mal principal que afeta as mulheres. A ilegalidade do aborto \u00e9 parte dessa mesma viol\u00eancia feminicida, que n\u00e3o permite decidir o momento da maternidade e deixa a mulher que decide interromper uma gravidez entregue \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte. Nesse caso, sobrevive aquela que paga milhares de pesos em uma cl\u00ednica privada e morre aquela que sem dinheiro, recorre a qualquer m\u00e9todo desesperado ante a falta de acesso.<br \/>\n35 % das mulheres do mundo foram v\u00edtimas da viol\u00eancia f\u00edsica ou sexual ao longo de sua vida, ao que devemos acrescentar que a maioria das v\u00edtimas n\u00e3o denuncia os abusos. Abusos verbais e f\u00edsicos, estupros, escravid\u00e3o sexual \u2013 72% das v\u00edtimas de tr\u00e1fico no mundo s\u00e3o meninas, adolescentes e mulheres -. Ass\u00e9dio sexual, nas ruas, intrafamiliar ou no trabalho \u2013 s\u00f3 1 em cada 144 mulheres que o sofrem se animam a denunciar -, todas s\u00e3o formas de viol\u00eancia machista que tem que ser erradicadas. E machismos exercidos de forma sutil para fazer acreditar a cada instante que as mulheres s\u00e3o inferiores.<br \/>\nNo Chile, as mulheres est\u00e3o na primeira linha das mobiliza\u00e7\u00f5es enfrentando o governo de Pi\u00f1era, saqueador e repressor herdeiro do pinochetismo. Sua performance\u00a0<em>\u201cUm estuprador no seu\u00a0 caminho\u201d<\/em>\u00a0cantada em diferentes idiomas percorreu o mundo, denunciando os assassinatos, as torturas e estupros por parte dos carabineiros e outras for\u00e7as repressivas. Na Bol\u00edvia, as mulheres trabalhadoras e os povos origin\u00e1rios resistem ao governo golpista de Jeanine A\u00f1ez, uma mulher empoderada presidenta pelos militares. Na Col\u00f4mbia, as trabalhadoras participaram das gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es e da greve geral, assim como na Fran\u00e7a e Hong Kong.<br \/>\nNo M\u00e9xico, as mulheres est\u00e3o encabe\u00e7ando lutas emblem\u00e1ticas como a greve contra as demiss\u00f5es na SutNotimex (Ag\u00eancia de Noticias do Estado Mexicano), que enfrenta\u00a0 Sanjuana Mart\u00ednez, a diretora designada pelo presidente L\u00f3pez Obrador. Ou as greves protagonizadas pelas oper\u00e1rias e oper\u00e1rios das montadoras de Matamoros e da fronteira Norte e dirigidas por l\u00edderes mulheres.<br \/>\nDestaca-se o exemplo que hoje nos d\u00e3o as <strong>bilheteiras do STC \u2013 Metr\u00f4 da Cidade do M\u00e9xico<\/strong>, que superando a opress\u00e3o, o temor e a submiss\u00e3o de longas d\u00e9cadas, sentem a urgente necessidade de parar seu trabalho este 9 de Mar\u00e7o, para expressar suas reivindica\u00e7\u00f5es: desigualdade salarial, as insuport\u00e1veis condi\u00e7\u00f5es de trabalho que custaram vidas e sequelas em sua sa\u00fade e a atual amea\u00e7a aos seus postos de trabalho pelos planos de privatiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Dia Internacional de luta das mulheres trabalhadoras<\/strong><br \/>\nEste 8 e 9 de Mar\u00e7o temos a oportunidade de <strong>retomar o car\u00e1ter de classe, socialista e internacional<\/strong> que a luta das mulheres trabalhadoras tem. Assim surgiu na hist\u00f3ria, como o 1\u00b0 de Maio, com greves e mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias. Unir for\u00e7as sem fronteiras para lutar por nossas reivindica\u00e7\u00f5es junto aos nossos companheiros trabalhadores e avan\u00e7ar para a <strong>supera\u00e7\u00e3o do sistema capitalista.<\/strong><br \/>\nPorque <strong>esta n\u00e3o \u00e9 uma luta de mulheres contra homens.<\/strong> \u00c9 uma luta contra a opress\u00e3o das mulheres. Opress\u00e3o que \u00e9 usada para dividir a classe trabalhadora e favorecer maior explora\u00e7\u00e3o de suas mulheres e homens. \u00c9 preciso combater o machismo para UNIR a nossa classe. O \u201cseparatismo\u201d n\u00e3o serve \u00e0 luta contra a opress\u00e3o das mulheres. Porque o combate ao machismo \u00e9 para unir trabalhadoras e trabalhadores em uma luta comum contra essa e todas as opress\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o nos engana que Margarita Zavala ou Hillary Clinton ostentem o \u201cfeminismo\u201d, e nem que o chanceler Marcelo Ebrard diga que a SRE \u00e9 \u201cfeminista\u201d. Na hora de impor a explora\u00e7\u00e3o com demiss\u00f5es, baixos sal\u00e1rios e viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos e trabalhistas, n\u00e3o s\u00f3 os homens s\u00e3o portadores do \u201cvirus\u201d do machismo, mas tamb\u00e9m h\u00e1 \u201cportadoras empoderadas\u201d como Sanjuana Mart\u00ednez e Olga S\u00e1nchez Cordero que perseguem e castigam as mulheres a servi\u00e7o do capital.<br \/>\nNo M\u00e9xico hoje, que ningu\u00e9m se engane nem pretenda nos enganar, o movimento de 8 e 9 de Mar\u00e7o surge de muito abaixo, das profundas entranhas das mulheres exploradas. N\u00e3o tem donas nem donos. N\u00e3o h\u00e1 m\u00e3os negras, nem \u201cfif\u00eds\u201d (gr\u00e3 finos), nem direitas conservadoras nem golpistas que possam se apropriar deste clamor pela vida, pela integridade f\u00edsica ou psicol\u00f3gica, e tamb\u00e9m, pela igualdade de direitos das mulheres. Os que tentam desacreditar esta luta e isol\u00e1-la guiam-se pela sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia ou pelo interesse de perpetuar a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o nos enganam os oportunistas que ao ver o tsunami da luta das mulheres, se reacomodam e querem aparecer concedendo a d\u00e1diva de n\u00e3o sancionar as grevistas. A paralisa\u00e7\u00e3o do dia 9 \u00e9 um direito que foi conquistado com a luta, e n\u00e3o uma permiss\u00e3o de bons patr\u00f5es e governos.<br \/>\nPara que nossas reivindica\u00e7\u00f5es sejam ouvidas, \u00e9 preciso exigir que todos os sindicatos e centrais sindicais que se dizem\u00a0 defensoras das trabalhadoras e trabalhadores convoquem uma <strong>paralisa\u00e7\u00e3o ativa do conjunto dos trabalhadores para 9 de Mar\u00e7o<\/strong>, e que esses dirigentes sindicais n\u00e3o fiquem esperando a indulg\u00eancia e as licen\u00e7as das patronais, dos governos locais ou do governo federal.<br \/>\nA partir de agora, precisamos nos organizar para participar e exigir das dire\u00e7\u00f5es a partir das bases, nos locais de trabalho, <strong>o impulso \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o do dia 9, que todas e todos necessitamos. <\/strong>E em cada lugar de estudo decidir em assembleia a participa\u00e7\u00e3o e o pronunciamento dos centros e federa\u00e7\u00f5es estudantis.<br \/>\nCORRENTE SOCIALISTA DOS TRABALHADORES \u2013 CST<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aproxima-se outro 8 de Mar\u00e7o, e tal como presenciamos nos \u00faltimos anos, acontece no contexto de um auge extraordin\u00e1rio das lutas das mulheres em todo o mundo contra a opress\u00e3o. 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