{"id":31664,"date":"2020-02-27T10:55:26","date_gmt":"2020-02-27T12:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31664"},"modified":"2020-02-27T10:55:26","modified_gmt":"2020-02-27T12:55:26","slug":"a-tragedia-imperialista-da-migracao-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/02\/27\/a-tragedia-imperialista-da-migracao-africana\/","title":{"rendered":"A trag\u00e9dia imperialista da migra\u00e7\u00e3o africana"},"content":{"rendered":"<p><em>Os setores de direita e de extrema-direita europeus denunciam que a migra\u00e7\u00e3o para o continente Europeu \u00e9 a raz\u00e3o de todos os males. O artigo &#8220;Desmantelar os mitos sobre a imigra\u00e7\u00e3o&#8221; mostra como a burguesia imperialista usa as desinforma\u00e7\u00f5es existentes sobre os migrantes para lan\u00e7ar sobre eles a responsabilidade de &#8220;roubar trabalho&#8221;, &#8220;retirar a assist\u00eancia social&#8221; ou &#8220;colapsar a sa\u00fade p\u00fablica&#8221;.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\n<em>Por: Asdr\u00fabal Barboza <\/em>(publicado em Correio Internacional \u2013 Novembro de 2019)<br \/>\nPor outro lado, representantes da UE, da Uni\u00e3o Africana ou da ONU enchem a boca de pronunciamentos ultrajados contra a exist\u00eancia de mercados de escravos na \u00c1frica. Mas a exist\u00eancia desses mercados est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0s suas pol\u00edticas contra a migra\u00e7\u00e3o. Pol\u00edticas que, como no caso da UE, incluem a subcontrata\u00e7\u00e3o de trabalho para governos e m\u00e1fias, como na L\u00edbia. O pa\u00eds onde essas queixas est\u00e3o concentradas e onde o n\u00famero alarmante de migrantes africanos \u00e9 enorme.<br \/>\nO presidente franc\u00eas Macron solicitou uma reuni\u00e3o de emerg\u00eancia do Conselho de Seguran\u00e7a, pedindo o com\u00e9rcio de escravos como um &#8220;<em>crime contra a humanidade<\/em>&#8220;. A Alta Representante da UE, Federica Mogherini, disse que a escravid\u00e3o e o tr\u00e1fico de pessoas s\u00e3o inaceit\u00e1veis.<br \/>\nMas a responsabilidade direta e indireta da escravid\u00e3o e do tr\u00e1fico de seres humanos \u00e9 da UE e de seus governos.<br \/>\nOs migrantes fogem de seus pa\u00edses por causa das terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de vida, fome e mis\u00e9ria causadas por governos corruptos que seguem os planos econ\u00f4micos impostos pelo FMI e pelos governos imperialistas. \u00c0 mis\u00e9ria se acrescenta, em muitos casos, a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e religiosa. Grandes capitalistas da Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Portugal, It\u00e1lia, Espanha ou Inglaterra, juntamente com seus governos, continuam a saquear o continente africano, ap\u00f3s massacr\u00e1-lo e demiti-lo por s\u00e9culos.<br \/>\nNo caminho para a Europa, quando os migrantes s\u00e3o presos, s\u00e3o escravizados e obrigados a trabalhar em megaprojetos e agroneg\u00f3cios. \u00c9 para esses migrantes que os governos europeus impedem o acesso, em opera\u00e7\u00f5es conjuntas com governos e m\u00e1fias africanas. S\u00e3o os mesmos governos &#8220;democr\u00e1ticos&#8221; que votam em seus parlamentos leis xen\u00f3fobas que condenam a ajuda a migrantes e at\u00e9 seu pr\u00f3prio resgate, como na It\u00e1lia.<br \/>\nEles transformaram o Mediterr\u00e2neo em uma enorme vala comum. O n\u00famero de v\u00edtimas afogadas nesses cinco anos ultrapassa 19.000. Uma cat\u00e1strofe humana que \u00e9 um reflexo fiel da extrema decomposi\u00e7\u00e3o do sistema capitalista mundial.<br \/>\n<strong>OPERA\u00c7\u00d5ES CONJUNTAS<\/strong><br \/>\nA UE terceirizou o governo turco de Erdogan para bloquear a entrada de refugiados s\u00edrios. Ao mesmo tempo, em 2015, no boom da migra\u00e7\u00e3o para a Europa, os governos da UE se reuniram em Valletta (Malta) e criaram o \u201cFundo \u00c1frica\u201d com um or\u00e7amento de um milh\u00e3o de d\u00f3lares.<br \/>\nCom esse fundo, eles desenvolveram a &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Sofia&#8221;, para a qual financiaram o corrupto governo l\u00edbio de Tr\u00edpoli, de modo que sua Guarda Costeira, associada \u00e0s m\u00e1fias, treinada e supervisionada pela marinha Italiana, com apoio a\u00e9reo e informa\u00e7\u00f5es da OTAN sobre a localiza\u00e7\u00e3o dos migrantes para intercept\u00e1-los e retornar \u00e0 L\u00edbia. Desde 2017, retornaram pelo menos 38.230 migrantes.<br \/>\nA L\u00edbia \u00e9 considerada pela ONU como um &#8220;porto inseguro&#8221;, com centros de deten\u00e7\u00e3o onde a pr\u00e1tica de tortura e viola\u00e7\u00f5es foi comprovada. O acordo inicial com o governo l\u00edbio foi assinado por Gentiloni, do Partido Democrata (PD), depois ratificado por Salvini e agora foi confirmado pelo governo de coaliz\u00e3o M5S-PD com a b\u00ean\u00e7\u00e3o da UE.<br \/>\nEm 2016, os pa\u00edses da UE tamb\u00e9m desenvolveram a &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Hera&#8221;, promovida pela Ag\u00eancia Europeia de Fronteiras (Frontex). Por meio dessa opera\u00e7\u00e3o, o Estado espanhol e a UE financiaram, treinaram e forneceram equipamento aos guardas costeiros do Senegal e Maurit\u00e2nia para deter os migrantes em seus territ\u00f3rios. O governo espanhol tamb\u00e9m financia o Marrocos para reprimir a sa\u00edda de migrantes e, quando eles n\u00e3o conseguem, interceptam-nos e os devolvem ao Marrocos.<br \/>\n<strong>CRIMINALIZA\u00c7\u00c3O DA MIGRA\u00c7\u00c3O. EXEMPLO DO N\u00cdGER<\/strong><br \/>\nDo &#8220;Fundo da \u00c1frica&#8221;, 30 milh\u00f5es est\u00e3o destinados a &#8220;combater a pobreza no N\u00edger&#8221;. Este pa\u00eds \u00e9 uma prioridade da UE para coibir rotas de migra\u00e7\u00e3o para o norte da \u00c1frica e a Europa. Em 2016, mais de 400.000 migrantes passaram pela L\u00edbia e Arg\u00e9lia, a maioria deles pela regi\u00e3o de Agadez. O governo militarizou e cortou as rotas tradicionais do pa\u00eds, n\u00e3o apenas as de migra\u00e7\u00e3o irregular, mas todas, apesar de a migra\u00e7\u00e3o fazer parte, n\u00e3o pequena, da economia escassa de v\u00e1rios pa\u00edses africanos.<br \/>\nA UE criou a EUCAP Sahel, com um or\u00e7amento de 63,4 milh\u00f5es, para &#8220;<em>aconselhar e treinar as autoridades do N\u00edger (&#8230;) no desenvolvimento de t\u00e9cnicas e procedimentos para melhor controlar e combater a migra\u00e7\u00e3o irregular<\/em>&#8220;.<br \/>\nO governo nigeriano alterar\u00e1 a legisla\u00e7\u00e3o, criminalizando os migrantes e tamb\u00e9m os transeuntes e transportadores, que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente m\u00e1fias do tr\u00e1fico de pessoas, mas pessoas comuns que vivem para levar as pessoas para as fronteiras do norte da \u00c1frica e retornar com mercadorias para N\u00edger A Lei 36\/2015 resultou no confisco de ve\u00edculos e na pris\u00e3o de transportadoras, deixando cerca de 7.000 fam\u00edlias, que n\u00e3o s\u00e3o criminosas, mas pequenos comerciantes tradicionais, sem meios de subsist\u00eancia.<br \/>\nO restante do fundo, camuflado por justificativas como o combate ao terrorismo e seguran\u00e7a, \u00e9 destinado a pol\u00edticas de vigil\u00e2ncia e controle de fronteiras. Tudo \u00e9 condicionado e depende da salvaguarda da &#8220;<em>Fortaleza Europa<\/em>&#8220;.<br \/>\nNa \u00c1frica, a popula\u00e7\u00e3o migrante est\u00e1 se tornando clandestina, perseguida pelas autoridades. A pol\u00edcia e os militares controlam as rotas, tomaram os po\u00e7os de \u00e1gua pot\u00e1vel ao longo da rota, sendo cada vez mais arriscado atravessar o deserto do Sahel. As for\u00e7as armadas da UE aconselham autoridades e for\u00e7as de seguran\u00e7a, financiam a compra de equipamentos e ve\u00edculos e facilitam registros biom\u00e9tricos para o controle de fronteiras.<br \/>\nA &#8220;<em>Fortaleza Europa<\/em>&#8220;, constr\u00f3i um grande fosso no Mediterr\u00e2neo, e cria outro no Saara, para que n\u00e3o haja testemunhas e os governos &#8220;democr\u00e1ticos&#8221; da UE garantam que ningu\u00e9m veja os mortos no deserto. Com uma fachada &#8220;humanit\u00e1ria&#8221;, a UE comete crimes contra a humanidade no continente africano.<br \/>\n<strong>FOME, MIS\u00c9RIA E ESCRAVID\u00c3O NA L\u00cdBIA<\/strong><br \/>\nNa L\u00edbia, eles n\u00e3o apenas favoreceram o governo corrupto de Tr\u00edpoli, que constr\u00f3i seu aparato de repress\u00e3o com a \u201cajuda humanit\u00e1ria\u201d da UE, mas tamb\u00e9m as m\u00e1fias e os traficantes, em um com\u00e9rcio lucrativo de migrantes operado em grande parte por os centros de deten\u00e7\u00e3o, administrados oficialmente pelo governo, mas, na verdade, nas m\u00e3os de mil\u00edcias paramilitares ligadas a ele.<br \/>\nEm abril de 2019, em uma revolta em um desses centros de deten\u00e7\u00e3o, Qasr bin Ghashir, em Tr\u00edpoli, essas mil\u00edcias dispararam indiscriminadamente contra os refugiados. Os refugiados foram transferidos para um centro de deten\u00e7\u00e3o administrado pela mil\u00edcia Az-Z\u0101wiyah, onde foram torturados e extorquidos. Este protesto foi a continua\u00e7\u00e3o da greve de fome de dezembro de 2018, na qual migrantes e refugiados de Khoms Suq al-Khamis tentaram impedir sua venda como escravos. Em junho de 2019, eles dispararam contra outro grupo de refugiados enquanto protestavam contra a priva\u00e7\u00e3o de comida em um centro administrado pela Brigada Al-Nasr, cujo l\u00edder, Mohammed Kachlaf, acusado de tr\u00e1fico de pessoas em tribunais internacionais. Muitos pagam para entrar nos centros considerados melhores, administrados pelo ACNUR e LibAid, em Tr\u00edpoli. O pre\u00e7o passa a ser \u20ac 430 por migrante.<br \/>\nO ACNUR e a UE consideram aceit\u00e1vel trabalhar com a brigada Az-Z\u0101wiyah Al-Nasr, que atua em conjunto com a guarda costeira da L\u00edbia. No entanto, funcion\u00e1rios do ACNUR afirmam que os centros n\u00e3o s\u00e3o seguros para refugiados e n\u00e3o podem impedir a tortura e a estupidez contra refugiados.<br \/>\n<strong>NATIVO OU ESTRANGEIRO, A MESMA CLASSE TRABALHADORA<\/strong><br \/>\nGovernos, empregadores e partidos espalham preconceitos contra trabalhadores migrantes para dividir a classe trabalhadora. Eles usam racismo, xenofobia (\u00f3dio a estrangeiros) e islamofobia. Mas s\u00e3o eles que causam desemprego, mis\u00e9ria e falta de recursos que pioram as condi\u00e7\u00f5es de vida das massas trabalhadoras europeias. O discurso racista visa incentivar e aumentar a explora\u00e7\u00e3o capitalista.<br \/>\nOs sindicalistas traidores, por sua vez, dificultam a organiza\u00e7\u00e3o dos imigrantes nos sindicatos e dizem que os empregos devem ser reservados para os trabalhadores nativos. Isso enfraquece a classe trabalhadora como um todo. Pois somente com a uni\u00e3o de todos podemos parar o ataque \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida. \u00c9 por isso que organizar trabalhadores nativos e migrantes para combater a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o juntos \u00e9 uma tarefa fundamental.<br \/>\nTemos de lutar para que os povos africanos se libertem da pilhagem a que s\u00e3o submetidos pelas multinacionais europeias e oferecer apoio maci\u00e7o ao seu desenvolvimento, para compensar a pilhagem hist\u00f3rica que sofreram. Defendemos tamb\u00e9m uma pol\u00edtica que permita uma maneira segura de migrar, atendendo \u00e0s necessidades humanas.<br \/>\nLutamos pelo reconhecimento de autoriza\u00e7\u00f5es de trabalho e resid\u00eancia para migrantes, sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o ao acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos. Com sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho decentes, o direito de organiza\u00e7\u00e3o, incluindo os n\u00e3o documentados. Exigimos o fim dos centros de deten\u00e7\u00e3o, deporta\u00e7\u00f5es e trabalho escravo.<br \/>\nSomente uma Europa Socialista dos Trabalhadores pode ser solid\u00e1ria e fraterna com os povos africanos e seus migrantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os setores de direita e de extrema-direita europeus denunciam que a migra\u00e7\u00e3o para o continente Europeu \u00e9 a raz\u00e3o de todos os males. 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