{"id":31656,"date":"2020-02-27T11:41:54","date_gmt":"2020-02-27T13:41:54","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31656"},"modified":"2020-02-27T11:41:54","modified_gmt":"2020-02-27T13:41:54","slug":"portugal-autogestao-na-cervejaria-galiza-trabalhadores-tomam-controle-de-empresa-evitam-desemprego-e-garantem-pagamento-a-horas-dos-proprios-salarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/02\/27\/portugal-autogestao-na-cervejaria-galiza-trabalhadores-tomam-controle-de-empresa-evitam-desemprego-e-garantem-pagamento-a-horas-dos-proprios-salarios\/","title":{"rendered":"Portugal &#124; Autogest\u00e3o na cervejaria Galiza: Trabalhadores tomam controle de empresa, evitam desemprego e garantem pagamento a horas dos pr\u00f3prios\u00a0sal\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><em>Em novembro, depois de uma greve de 24h pelo pagamento do subs\u00eddio de Natal ainda de 2018, os empregados desta cervejaria no Porto ocuparam o local de trabalho e, sem a inger\u00eancia de patr\u00f5es, conseguiram regularizar a situa\u00e7\u00e3o de atraso salarial (pago em duas etapas) que j\u00e1 perdurava oito anos, e garantir o pagamento em dia de outros direitos, como o subs\u00eddio de natal. A reportagem do Em Luta conheceu pessoalmente a experi\u00eancia de autogest\u00e3o na Cervejaria Galiza, que dura h\u00e1 cerca de tr\u00eas meses, no Porto.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Em Luta &#8211; Portugal<br \/>\nDesde 2011, a situa\u00e7\u00e3o estava cada vez pior naquela tradicional casa do setor da restaura\u00e7\u00e3o, no Porto. Primeiro, os propriet\u00e1rios atrasaram o pagamento dos sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios, depois estavam a amea\u00e7ar direitos b\u00e1sicos. O subs\u00eddio de natal de 2018 ainda estava por ser pago, quando o fim de 2019 j\u00e1 se aproximava. Alegando crise, os donos tentaram fechar a empresa sem qualquer satisfa\u00e7\u00e3o aos trabalhadores e trabalhadoras sobre os empregos, os vencimentos por receber, os direitos surripiados, sobre como sobreviver no dia seguinte.<br \/>\n\u00c0s escuras, a mando dos patr\u00f5es, alguns desconhecidos embalavam fog\u00f5es, fornos, m\u00e1quinas e materiais diversos e planeavam lev\u00e1-los numa carrinha. O que n\u00e3o imaginavam era que, na noite do dia 11 de novembro, uma segunda-feira de folga, os trabalhadores e trabalhadoras estavam \u00e0 espreita, a vigiar. Estes, ao notarem aquela movimenta\u00e7\u00e3o incomum, n\u00e3o tiveram d\u00favidas de que sofreriam um duro golpe, e que ficariam desempregados, da forma mais desrespeitosa poss\u00edvel. Foi assim que, sem qualquer planeamento, os funcion\u00e1rios e funcion\u00e1rias rapidamente se reuniram e decidiram ocupar o local. Eles n\u00e3o s\u00f3 impediram a desmontagem dos equipamentos, como tomaram conta de tudo, sem a inger\u00eancia dos patr\u00f5es.<br \/>\nRevezando-se, no primeiro m\u00eas, os trabalhadores dormiam no local, para evitar qualquer a\u00e7\u00e3o da patronal. Depois de assumirem o controle da empresa, levaram tr\u00eas semanas para regularizarem sal\u00e1rios e pagarem direitos em atraso, entre eles o subs\u00eddio de Natal de\u00a02018.<br \/>\nMais que isso, tamb\u00e9m garantiram o subs\u00eddio de natal de 2019 ainda em dezembro, inclusive. Tamb\u00e9m diminu\u00edram d\u00edvidas com fornecedores, livraram-se do corte do g\u00e1s, da eletricidade e da \u00e1gua, para que pudessem continuar a manter a casa em funcionamento e, assim, manterem os empregos.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-31659 alignright\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-1.jpg\" alt=\"\" width=\"313\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-1.jpg 313w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-1-225x300.jpg 225w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-1-150x200.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-1-300x400.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 313px) 100vw, 313px\" \/><\/a><br \/>\nEsta hist\u00f3ria passa-se no Porto, especificamente na Cervejaria Galiza. N\u00e3o se sabe ainda como ela acabar\u00e1. Ela come\u00e7ou, no entanto, com a decis\u00e3o coletiva de 31 empregados \u2013 pessoal da cozinha, empregado(a)s de mesa, pessoal da limpeza \u2013 de tentarem sair da grave situa\u00e7\u00e3o em que viviam, com a imin\u00eancia de perda dos empregos e de sofrerem calote em direitos.<br \/>\n\u201cAprendemos que, com uni\u00e3o e muita for\u00e7a de vontade, somos capazes de superar dificuldades e assumir tarefas que antes nunca t\u00ednhamos imaginado que poder\u00edamos fazer\u201d, disse Ant\u00f3nio Ferreira, assistente de mesa \u00e0 noite e encarregado de fazer compras e negocia\u00e7\u00f5es com fornecedores, durante o dia. Ele, outro empregado de mesa, e o encarregado do\u00a0grill\u00a0formam uma esp\u00e9cie de comit\u00e9 gestor do restaurante, em comum acordo com seus pares.<br \/>\nSOLIDARIEDADE\u00a0\u2013 A not\u00edcia da ocupa\u00e7\u00e3o do restaurante, para que ele continuasse a funcionar, espalhou-se rapidamente. \u201cRecebemos muitos clientes novos em solidariedade \u00e0 nossa luta. Muitos trabalhadores, membros de sindicatos vieram almo\u00e7ar e jantar, melhorando o nosso caixa\u201d, disse Ferreira. Outros clientes mais antigos \u2013 que tinham deixado de frequentar o local, que j\u00e1 estava em decad\u00eancia, com a diminui\u00e7\u00e3o do tamanho dos pratos, perda de qualidade, e aumento de pre\u00e7os do menu \u2013 voltaram \u00e0 casa, tamb\u00e9m como a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria.<br \/>\nNingu\u00e9m, exceto os donos, concordava com o encerramento da cervejaria, que tem import\u00e2ncia simb\u00f3lica para a regi\u00e3o. Afinal, quem pode ser a favor de tirar o sustento de tantas fam\u00edlias e aumentar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o de crise social que afeta Portugal?<br \/>\nOs trabalhadores e trabalhadoras da Galiza comoveram os moradores do Porto e a situa\u00e7\u00e3o ganhou contornos nacionais. Isso levou as autoridades p\u00fablicas a manifestarem-se, embora sem qualquer resolu\u00e7\u00e3o. Deputados e at\u00e9 o Presidente da Rep\u00fablica apareceram por l\u00e1, onde tiraram fotos e deram entrevistas \u00e0 imprensa. \u201c(O presidente) Visita todas as \u2018Mecas\u2019, a\u00ed s\u00f3 bebeu um \u2018fino\u2019. Eu bebia tr\u00eas canecas\u201d, ironiza o poema de Fernanda Silva afixado na entrada da Galiza, entre desenhos e outras cartas em manifesta\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 luta na Galiza.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-31660 alignleft\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-2.jpg\" alt=\"\" width=\"414\" height=\"311\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-2.jpg 414w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-2-150x113.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 414px) 100vw, 414px\" \/><\/a><br \/>\n\u00c9 bastante prov\u00e1vel que a Galiza, cervejaria inaugurada em 1972, deixe de existir em breve, j\u00e1 que as d\u00edvidas junto ao Estado (impostos e seguran\u00e7a social), somam cerca de dois milh\u00f5es de euros. Os propriet\u00e1rios do im\u00f3vel aproveitam-se da situa\u00e7\u00e3o de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria vivida nas maiores cidades de Portugal e que afetam sobretudo aos trabalhadores, querem aumentar em quatro vezes o valor do arrendamento. O que n\u00e3o deixa de levantar a desconfian\u00e7a de que tal amea\u00e7a abusiva de aumento seria para tentar enfraquecer a resist\u00eancia dos trabalhadores e trabalhadoras.<br \/>\nDEMOCRACIA DE GEST\u00c3O\u00a0\u2013 As tarefas, as escalas de folga, a prioridade do que deve ser pago, o pagamento de extras (incentivos ao trabalho, al\u00e9m do hor\u00e1rio) s\u00e3o determinados em plen\u00e1rio entre os que trabalham na Galiza, o que mostra uma capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e s\u00e3o a base do que se poderia chamar de democracia oper\u00e1ria.<br \/>\nDe alguma forma, a greve realizada no dia 9 de novembro de 2019, contra o atraso no subs\u00eddio de Natal do ano anterior, impulsionou a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da Galiza e preparou-os para reagirem com esp\u00edrito coletivo, o que resultou em ocupar o restaurante e assumir o controle do mesmo quando se percebeu que os empres\u00e1rios fechariam o local.<br \/>\n\u201cN\u00e3o foi algo f\u00e1cil. Tivemos muitas dificuldades iniciais. A primeira delas foi a falta de dinheiro em caixa. Tivemos que tirar dinheiro das nossas economias pessoais para negociar d\u00edvidas mais urgentes, entre elas, a conta de luz, que estava com aviso de corte\u201d, lembra Ant\u00f3nio Ferreira, que foi eleito porta-voz do grupo.<br \/>\nA falta de experi\u00eancia em algumas fun\u00e7\u00f5es foi superada durante o processo de ocupa\u00e7\u00e3o. \u2018Quando as pessoas s\u00e3o confrontadas com situa\u00e7\u00f5es destas, elas conseguem adquirir capacidades que elas pr\u00f3prias desconhecem. Eu nunca tinha trabalhado com contabilidade, nunca tinha lidado com faturas, usar folhas de Excel, ir \u00e0s compras. A for\u00e7a de vontade \u00e9 t\u00e3o grande que fiz coisas que nem imaginava como seria fazer. At\u00e9 negociar com fornecedores eu fa\u00e7o, coisa que aprendi com a ajuda de outros colegas com alguma experi\u00eancia nisso\u201d, continua Ferreira.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-31661 alignleft\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-3.jpg\" alt=\"\" width=\"345\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-3.jpg 345w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-3-225x300.jpg 225w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-3-150x200.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem-3-300x400.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 345px) 100vw, 345px\" \/><\/a><br \/>\n\u201cO que foi determinante no nosso caso foi que nos unimos e sentimos que a nossa uni\u00e3o poderia fazer a diferen\u00e7a. No processo de luta, alguns que tinham certa tend\u00eancia pr\u00f3-patronato viram que era preciso pensar diferente e fazer a luta coletiva, em defesa de direitos. N\u00e3o sabemos como ser\u00e1 o futuro. Mas uma das vit\u00f3rias que tivemos, al\u00e9m de conseguir manter os nossos sal\u00e1rios e pagar os nossos subs\u00eddios de Natal, foi mostrar que as coisas n\u00e3o podem ser feitas da forma como tentaram fazer. As pessoas n\u00e3o podem ser colocadas na rua como se fossem caixotes de lixo. As pessoas t\u00eam que ser respeitadas nos seus direitos\u201d, completou Ferreira.<br \/>\nQual a li\u00e7\u00e3o que os atuais gestores da Galiza podem deixar aos demais trabalhadores? \u201cQue os trabalhadores precisam de se unir e de superar a press\u00e3o individualista e tend\u00eancias pr\u00f3-patronais e perceberem que o lado deles \u00e9 o lado de quem trabalha. Que os trabalhadores devem lutar pelos seus direitos. Que se for preciso fazer greve, fa\u00e7am greve. Se for preciso tomar outras atitudes coletivas, que fa\u00e7am o que for preciso, de forma unida\u201d, conclui Ferreira.<br \/>\n<strong>Como s\u00e3o as gest\u00f5es empresariais dentro do capitalismo<\/strong><br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o da Galiza arrasta-se desde 2011. A empresa \u00e9 exemplo de como os capitalistas, em geral, conseguem lucrar ao pagar sal\u00e1rios rebaixados aos trabalhadores, atrasar direitos e ainda burlar a lei, ao sonegarem impostos e obriga\u00e7\u00f5es legais, como o da Seguran\u00e7a Social. Se calhar, os empregados da Galiza podem ter chegado \u00e0 conclus\u00e3o de que a situa\u00e7\u00e3o deles hoje, de incertezas quanto ao direito ao trabalho e sobreviv\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 simplesmente fruto de uma \u201cgest\u00e3o desastrosa\u201d feita pelos patr\u00f5es.<br \/>\nDentro do capitalismo, mesmo o gerenciamento mais \u201cincompetente\u201d, em regra, s\u00f3 \u00e9 desastroso para os trabalhadores, uma vez que os patr\u00f5es saem sempre a lucrar com administra\u00e7\u00f5es propositadamente fraudulentas, que resultam em pedidos de fal\u00eancia e insolv\u00eancia. E, com isso, d\u00edvidas aos empregados e \u00e0s finan\u00e7as p\u00fablicas dificilmente s\u00e3o pagas. O Estado, por sinal, sabia da situa\u00e7\u00e3o da Galiza h\u00e1 muito tempo e n\u00e3o fez nada, demitindo-se de intervir na empresa e exigir que esta respeitasse o contrato com os trabalhadores.<br \/>\n<strong>At\u00e9 onde vai a autogest\u00e3o da Galiza?<\/strong><br \/>\nOs trabalhadores da Galiza t\u00eam plena consci\u00eancia dos limites da experi\u00eancia de autogest\u00e3o que agora vivem. As d\u00edvidas ao Estado e aos fornecedores e dificuldades de manterem o arrendamento do local \u2013 que carece de reformas em alguns setores \u2013 fizeram com que fosse descartada a ideia de cria\u00e7\u00e3o de uma cooperativa para tentar assumir o controle em definitivo da empresa.<br \/>\nManter a Galiza sob o controle dos trabalhadores e trabalhadoras \u00e9 praticamente imposs\u00edvel, no momento atual. Apesar dos seus limites, a autogest\u00e3o na Galiza n\u00e3o deixa de despertar a necessidade de a classe trabalhadora se unir como um todo pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista, sem patr\u00f5es, com solidariedade real de diversas categorias, com empresas controladas democraticamente pelos trabalhadores.<br \/>\nHoje, por exemplo, uma das maiores d\u00edvidas da Galiza a fornecedores \u00e9 com uma empresa produtora de cerveja. Se a Super Bock tamb\u00e9m estivesse sob controle oper\u00e1rio, certamente a solidariedade entre os trabalhadores seria fundamental para garantir o sucesso duradouro da autogest\u00e3o da Galiza.<br \/>\n<em>\u201cS\u00f3 h\u00e1 liberdade a s\u00e9rio<\/em><br \/>\n<em>quando houver liberdade<\/em><br \/>\n<em>de mudar e decidir<\/em><br \/>\n<em>Quando pertencer ao povo<\/em><br \/>\n<em>O que o povo produzir\u201d<\/em><br \/>\n<em>(Trecho de \u201cLiberdade\u201d, m\u00fasica de S\u00e9rgio Godinho)<\/em><br \/>\n<strong>Controle oper\u00e1rio no 25 de abril<\/strong><br \/>\nPortugal j\u00e1 viveu momentos expressivos de empresas sob controle oper\u00e1rio. Isso aconteceu na revolu\u00e7\u00e3o de 25 de abril de 1974. Tais experi\u00eancias, no entanto, assim como o processo revolucion\u00e1rio portugu\u00eas, sofreram um rev\u00e9s a partir da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes imposta pelo PCP, partido com grande influ\u00eancia \u00e0 \u00e9poca no movimento oper\u00e1rio, que\u00a0\u00a0\u2013 sob influ\u00eancia dos dirigentes estalinistas da URSS \u2013 atuou de forma a travar a luta e medidas que avan\u00e7assem ao socialismo.<br \/>\nAli\u00e1s, as lembran\u00e7as do 25 de Abril ainda est\u00e3o vivas para muitos trabalhadores da Galiza, alguns com 30 a 44 anos de servi\u00e7o naquela casa. Coincidentemente, Ant\u00f3nio Ferreira, \u00e0 \u00e9poca uma crian\u00e7a com 12 anos, estava exatamente em frente ao restaurante Galiza quando eclodiu a revolu\u00e7\u00e3o. \u201cEu estava na escola Gomes Teixeira, quando fomos avisados de que as aulas seriam suspensas naquele dia por causa da revolu\u00e7\u00e3o\u201d, recorda.<br \/>\nAqueles anos seriam marcantes para Ferreira. Ainda em decorr\u00eancia do processo revolucion\u00e1rio e da forte atua\u00e7\u00e3o do PCP no movimento de bairros naquela altura, a fam\u00edlia de Ant\u00f3nio Ferreira e tantas outras conquistaram o direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, a partir da expropria\u00e7\u00e3o de um terreno antes utilizado por especuladores imobili\u00e1rios.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-31662 alignright\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem4.jpg\" alt=\"\" width=\"335\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem4.jpg 335w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem4-225x300.jpg 225w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem4-150x200.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/imagem4-300x400.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>O papel da Geringon\u00e7a<\/strong><br \/>\n\u00c9 certo que os empregados da cervejaria Galiza agradecem o apoio inicial manifestado por partidos como o PCP e o Bloco de Esquerda. Estas organiza\u00e7\u00f5es, no entanto, pelo peso que t\u00eam junto aos setores mais organizados do movimento dos trabalhadores, demitem-se da tarefa que poderiam cumprir, inclusive na defesa da expropria\u00e7\u00e3o da empresa e do sequestro dos bens dos donos da Galiza, em favor dos trabalhadores.<br \/>\nQualquer apoio dado aos trabalhadores da cervejaria Galiza \u00e9 importante. Mas por terem sido parte da Geringon\u00e7a (junto com o PS), tipo de governo que mant\u00e9m Portugal em gest\u00e3o para os mais ricos, retirando direitos da classe trabalhadora, PCP e Bloco de Esquerda tamb\u00e9m s\u00e3o culpados por todo o tipo de precariza\u00e7\u00e3o vivida por milh\u00f5es de trabalhadores, n\u00e3o s\u00f3 do ramo da hotelaria e restaura\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de outros setores, nas f\u00e1bricas, portos, servi\u00e7os p\u00fablicos\u2026<br \/>\n<strong>Restaura\u00e7\u00e3o: um setor lucrativo, sob forte explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores<\/strong><br \/>\nOs trabalhadores e trabalhadoras no setor da restaura\u00e7\u00e3o e hotelaria, mesmo em cidades de grande movimenta\u00e7\u00e3o tur\u00edstica em Portugal, como Porto e Lisboa, sentem na pele, diariamente, a superexplora\u00e7\u00e3o. As empresas lucram enormemente pagando o sal\u00e1rio m\u00ednimo, na grande maioria dos casos.<br \/>\nEm alguns outros locais, o que se ganha al\u00e9m do m\u00ednimo \u00e9 pago \u201cpor debaixo da mesa\u201d, como afirma Ant\u00f3nio Ferreira, que \u00e9 membro de dire\u00e7\u00e3o do sindicato dos trabalhadores do setor.<br \/>\nA ind\u00fastria do turismo, que fatura milh\u00f5es de euros em Portugal, sobrevive n\u00e3o s\u00f3 de pagamento de sal\u00e1rios baix\u00edssimos. Tamb\u00e9m \u00e9 bastante lucrativo o que empresas de hotelaria e restaura\u00e7\u00e3o sonegam atrav\u00e9s da manuten\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho, muitas vezes sem contrato, principalmente com imigrantes.<br \/>\nTexto : Daniel Gajoni |Enviado ao Porto<br \/>\nFotos: Joana Salay<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em novembro, depois de uma greve de 24h pelo pagamento do subs\u00eddio de Natal ainda de 2018, os empregados desta cervejaria no Porto ocuparam o local de trabalho e, sem a inger\u00eancia de patr\u00f5es, conseguiram regularizar a situa\u00e7\u00e3o de atraso salarial (pago em duas etapas) que j\u00e1 perdurava oito anos, e garantir o pagamento em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":31657,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[140],"tags":[5014,5015,1949],"class_list":["post-31656","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugal","tag-autogestao","tag-cervejaria-galiza","tag-em-luta-portugal"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Galiza-scaled-1.jpg","categories_names":["Portugal"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31656\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}