{"id":31645,"date":"2020-02-26T12:38:32","date_gmt":"2020-02-26T14:38:32","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31645"},"modified":"2020-02-26T12:38:32","modified_gmt":"2020-02-26T14:38:32","slug":"russia-uma-vez-mais-bastiao-da-reacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/02\/26\/russia-uma-vez-mais-bastiao-da-reacao\/","title":{"rendered":"R\u00fassia &#124; Uma vez mais, basti\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><em>Marx algumas vezes se referiu \u00e0 R\u00fassia tzarista do s\u00e9culo XIX como o basti\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o na Europa. Guardando as devidas propor\u00e7\u00f5es, a R\u00fassia sob Putin volta a jogar este papel lament\u00e1vel.<\/em><em>\u00a0<\/em><!--more--><br \/>\nPor: POI da R\u00fassia\u00a0(publicado em Correio Internacional \u2013 Novembro de 2019)<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o na R\u00fassia merece a aten\u00e7\u00e3o de qualquer ativista no mundo, j\u00e1 que seu significado ultrapassa muito as fronteiras nacionais do pa\u00eds. A R\u00fassia est\u00e1 diretamente envolvida em alguns dos pontos mais agudos da luta de classes hoje, com as m\u00e3os de Putin manchadas com o sangue de pelo menos quatro revolu\u00e7\u00f5es (ucraniana, s\u00edria, caucasiana e eg\u00edpcia), al\u00e9m dos mercen\u00e1rios russos na L\u00edbia e o apoio, inclusive com \u201cespecialistas\u201d militares, \u00e0s medidas repressivas de Maduro na Venezuela. Al\u00e9m disso, \u00e9 um dos poucos pa\u00edses do mundo onde h\u00e1 um governo est\u00e1vel j\u00e1 h\u00e1 muitos anos. Num marco de crises pol\u00edticas por todo o mundo, inclusive na Europa, esta situa\u00e7\u00e3o exige explica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA R\u00fassia vive h\u00e1 quase 20 anos uma situa\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria, ou seja, onde o governo e a burguesia n\u00e3o somente mant\u00eam o controle, como toda a iniciativa pol\u00edtica. A correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no pa\u00eds \u00e9 claramente desfavor\u00e1vel aos trabalhadores e povos oprimidos. Praticamente n\u00e3o h\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es sindicais reais, h\u00e1 uma grande atomiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e aus\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es quase que de qualquer tipo. Putin tem pleno controle pol\u00edtico do pa\u00eds e de suas institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 que a R\u00fassia siga com atraso a din\u00e2mica dos demais pa\u00edses em dire\u00e7\u00e3o a crises pol\u00edticas e situa\u00e7\u00f5es pr\u00e9-revolucion\u00e1rias ou revolucion\u00e1rias, mas que, ao contr\u00e1rio, se mantem e se reafirma como um dos basti\u00f5es da rea\u00e7\u00e3o no mundo, assim como a Ar\u00e1bia Saudita ou Israel.<br \/>\n<strong>Putin: Um governo produto de uma guerra contrarrevolucion\u00e1ria&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9 um governo que chegou ao poder ap\u00f3s haver massacrado a resist\u00eancia na Segunda Guerra Chechena (1999-2000) e, consequentemente, em toda a regi\u00e3o do C\u00e1ucaso, que lutava por seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. Ou seja, Putin chegou ao poder como resultado de uma guerra contrarrevolucion\u00e1ria, impondo um regime de caracter\u00edsticas diretamente fascistas na Chech\u00eania. Por se tratar de uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o restrita ao C\u00e1ucaso, n\u00e3o bastou para impor tal regime em toda a R\u00fassia, mas sim um forte regime bonapartista, com importantes caracter\u00edsticas autocr\u00e1ticas e com a FSB (ex-KGB) no centro do regime. A vit\u00f3ria de Putin na guerra combinou-se com 15 anos de altos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e g\u00e1s, o que deu ao governo base material para garantir a estabilidade social em todo o pa\u00eds. Tornando-se cada vez mais, gra\u00e7as a esses elementos, o grande Bonaparte de toda a R\u00fassia, Putin disciplinou e centralizou a burguesia russa e das diferentes regi\u00f5es.<br \/>\nAinda devemos acrescentar o cansa\u00e7o das massas russas, que vinham de grandes greves e lutas havia mais de uma d\u00e9cada contra as pol\u00edticas de Gorbachev e Yeltsin, sofrendo na pele os terr\u00edveis efeitos da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo, toda a decad\u00eancia desses anos, o brutal decl\u00ednio da classe trabalhadora com o fechamento de f\u00e1bricas, desemprego, escassez etc. Comparada \u00e0 cat\u00e1strofe daqueles anos, a chegada de Putin, com as migalhas derivadas do boom do petr\u00f3leo e do g\u00e1s, significou uma relativa melhoria no padr\u00e3o de vida (sem recuperar os \u00edndices pr\u00e9-restaura\u00e7\u00e3o), ao mesmo tempo em que completava o regresso ao capitalismo e, consequentemente, aprofundava a depend\u00eancia da economia em rela\u00e7\u00e3o ao Ocidente. Tudo isso acompanhado pelas &#8220;justificativas&#8221; de Putin de que o massacre da Chech\u00eania fazia parte da &#8220;guerra ao terrorismo internacional&#8221;, no estilo das piores mentiras de Bush.<br \/>\n<strong>&#8230; que chega ao poder para aprofundar a coloniza\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e de outras ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas<\/strong><br \/>\nA pol\u00edtica mais estrat\u00e9gica de Putin, apesar das lendas neostalinistas que o pintam como um patriota antiamericano, \u00e9 atrair investimentos imperialistas, especialmente para os setores de petr\u00f3leo e g\u00e1s, para continuar a transformar o pa\u00eds, outrora uma grande pot\u00eancia industrial, cada vez mais em um fornecedor de combust\u00edveis e mat\u00e9rias-primas para as f\u00e1bricas imperialistas e chinesas. De fato, pelas m\u00e3os de Putin, a economia da R\u00fassia se primitiviza, a convertendo cada vez mais numa semi-col\u00f4nia, que depende cada vez mais de capitais e tecnologia das pot\u00eancias imperialistas, inclusive e principalmente no setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Hoje, todos os setores da economia russa s\u00e3o profundamente dependentes dos capitais imperialistas. At\u00e9 as principais empresas sob controle estatal (Gazprom, Rosneft, Sberbank) est\u00e3o totalmente endividadas com os bancos dos pa\u00edses imperialistas.<br \/>\nAo mesmo tempo em que Putin aplica essa pol\u00edtica, de conte\u00fado pr\u00f3-imperialista, a R\u00fassia mant\u00e9m contradi\u00e7\u00f5es com o imperialismo. Afinal, n\u00e3o \u00e9 normal que um pa\u00eds dependente tenha tanto poder militar e tanta influ\u00eancia nos pa\u00edses vizinhos. O imperialismo n\u00e3o gosta disso, preferiria realizar a coloniza\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, Ucr\u00e2nia e outros pa\u00edses sem precisar passar pelo &#8220;atravessador&#8221; Putin, que cobra caro por seus servi\u00e7os. Tamb\u00e9m n\u00e3o gosta que um pa\u00eds semicolonial concorra no mercado de armamentos, vendendo armas at\u00e9 para pa\u00edses da OTAN, como a Turquia. Da\u00ed o atrito recorrente e as chantagens m\u00fatuas. Ou seja, eles t\u00eam entre si um acordo geral na implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de coloniza\u00e7\u00e3o de tudo que j\u00e1 foi a antiga URSS, mas h\u00e1 diferen\u00e7as em como faz\u00ea-lo &#8220;concretamente&#8221;, isto \u00e9, em rela\u00e7\u00e3o ao peso de Putin e da burguesia russa neste grande neg\u00f3cio, como &#8220;administradores da coloniza\u00e7\u00e3o&#8221; em toda a regi\u00e3o.<br \/>\n<strong>Um modelo em crise<\/strong><br \/>\nA crise mundial colocou em xeque esse modelo baseado nos altos pre\u00e7os do g\u00e1s e do petr\u00f3leo e na atra\u00e7\u00e3o de investimentos imperialistas. Especialmente desde 2011, a R\u00fassia entrou em crise econ\u00f4mica. Menos ingressos devidos \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo e, consequentemente menos migalhas, obrigaram o governo a avan\u00e7ar em uma pol\u00edtica de ataques \u00e0s conquistas da classe trabalhadora e da popula\u00e7\u00e3o em geral, que at\u00e9 ent\u00e3o haviam sido atacadas, mas n\u00e3o com tal crueza. Especialmente nos setores de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, aposentadoria, sal\u00e1rios.<br \/>\nNesse contexto, um movimento democr\u00e1tico, principalmente de jovens e classes m\u00e9dias de Moscou, eclodiu em 2011\/12 contra os aspectos mais sufocantes do bonapartismo de Putin, atingindo um pico de cerca de 100.000 pessoas nas ruas de Moscou. Em sua dire\u00e7\u00e3o afirmou-se uma frente entre a esquerda reformista e os liberais, sob a hegemonia total destes \u00faltimos. Toda a sua pol\u00edtica foi no sentido de n\u00e3o incorporar demandas sociais ao movimento para n\u00e3o amplia-lo \u00e0 classe trabalhadora e aos setores mais explorados. Foi um movimento progressista, mas de fato limitado centralmente a Moscou e aos setores m\u00e9dios. A classe trabalhadora ficou distante do movimento.<br \/>\n<strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Ucraniana e a Primavera \u00c1rabe amea\u00e7aram o regime bonapartista de Putin, que contra-atacou<\/strong><br \/>\nNesse momento, eclodiu a Revolu\u00e7\u00e3o Ucraniana (2013\/2014), marcando o ponto mais alto da luta de classes europeia. Paralelamente, a chamada Primavera \u00c1rabe seguia se desenvolvendo. Os dois processos representavam um grande perigo para o regime de Putin, j\u00e1 atingido pela crise econ\u00f4mica e pelas manifesta\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. A queda do ex-presidente Yanukovych na Ucr\u00e2nia pela a\u00e7\u00e3o direta das massas, contra todas as dire\u00e7\u00f5es, foi a primeira derrota pol\u00edtica real da carreira de Putin. Todos os elementos estavam dados para colocar o governo de Putin em crise, raz\u00e3o pela qual ele decidiu contra-atacar. Enviou mercen\u00e1rios para o leste da Ucr\u00e2nia, arrancando territ\u00f3rios (Donetsk e Lugansk) do controle de Kiev, ocupando e anexando a Pen\u00ednsula da Crimeia, entrando na guerra na S\u00edria em apoio ao ditador Assad encurralado pelas massas. A virul\u00eancia contrarrevolucion\u00e1ria da resposta de Putin decorre do risco, mortal para ele, de que a Revolu\u00e7\u00e3o Ucraniana chegasse a Moscou e a Primavera \u00c1rabe ao C\u00e1ucaso, assim como do medo de ver questionado seu papel de &#8220;administrador da coloniza\u00e7\u00e3o&#8221; da Ucr\u00e2nia, pelo menos do leste do pa\u00eds.<br \/>\nA nova ofensiva contrarrevolucion\u00e1ria de Putin na Ucr\u00e2nia e na S\u00edria, juntamente com uma imensa campanha chauvinista da m\u00eddia oficial e uma recupera\u00e7\u00e3o relativa dos pre\u00e7os do g\u00e1s e do petr\u00f3leo, permitiu que Putin fechasse a conjuntura desfavor\u00e1vel de 2012 e fortalecesse seu governo. As diferentes for\u00e7as de &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221; desempenharam seu papel no campo pol\u00edtico, desde o totalmente putinista PCFR (Partido Comunista da Federa\u00e7\u00e3o Russa<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>) at\u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o &#8220;antissistema&#8221; liberal<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, onde todos, sem exce\u00e7\u00f5es, ativamente ou por omiss\u00e3o, apoiaram a pol\u00edtica chauvinista e contrarrevolucion\u00e1ria contra a Ucr\u00e2nia e a S\u00edria.<br \/>\nEssa pol\u00edtica agressivamente contrarrevolucion\u00e1ria de Putin permitiu a ele, como dissemos, fechar a situa\u00e7\u00e3o anterior, mas ao mesmo tempo gerou contradi\u00e7\u00f5es e novos atritos com o imperialismo, o que levou a san\u00e7\u00f5es contra seu regime, agravando ainda mais a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da R\u00fassia. Isso se explica por uma diferen\u00e7a importante entre a pol\u00edtica do imperialismo e de Putin para lidar com processos revolucion\u00e1rios. Desde a derrota da ofensiva de Bush no Iraque e no Afeganist\u00e3o que o imperialismo se v\u00ea for\u00e7ado a manobrar em processos revolucion\u00e1rios, tendo dificuldade em reprimi-los diretamente, manu militari, por uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que lhe \u00e9 desfavor\u00e1vel, tanto dentro dos EUA e Uni\u00e3o Europeia como no plano mundial. Por isso prefere apostar por negocia\u00e7\u00f5es, elei\u00e7\u00f5es e discursos democr\u00e1ticos demag\u00f3gicos para desviar as lutas. \u00c9 uma pol\u00edtica que chamamos de &#8220;rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica&#8221;<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o usem tamb\u00e9m a repress\u00e3o pura e simples, mas que nem sempre podem faz\u00ea-lo.<br \/>\nPutin, por outro lado, age mais de acordo \u00e0 correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as internas da R\u00fassia, que lhe \u00e9 favor\u00e1vel. Isso lhe d\u00e1 algumas vantagens no terreno, como fica claro na S\u00edria, por exemplo, onde ele vem ocupando posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo. Mas sua pol\u00edtica est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a correla\u00e7\u00e3o das for\u00e7as mundial e com a pol\u00edtica do imperialismo em algumas regi\u00f5es. E a natureza de seu regime, profundamente bonapartista, nascido de uma guerra contrarrevolucion\u00e1ria, o impede de jogar com a carta democr\u00e1tica, sendo for\u00e7ado a reprimir duramente qualquer processo de luta que o ameace. \u00c9, por assim dizer, menos &#8220;flex\u00edvel&#8221;. Da\u00ed o atrito entre as pol\u00edticas dos EUA e da Uni\u00e3o Europeia, por um lado, e da R\u00fassia, por outro, na Ucr\u00e2nia e na S\u00edria. Mesmo com as elei\u00e7\u00f5es subsequentes de Trump e as declara\u00e7\u00f5es de simpatia m\u00fatua entre ele e Putin (cada vez menos frequentes), na arena internacional eles t\u00eam fortes contradi\u00e7\u00f5es. Embora esse enfrentamento n\u00e3o seja absoluto, nem se exclui que eles cheguem a acordos; h\u00e1 movimentos por parte do imperialismo para aproximar-se de Putin.<br \/>\n<strong>Putin se apoia no chauvinismo russo<\/strong><br \/>\nA passividade da classe trabalhadora, que n\u00e3o participou do movimento de 2012, tamb\u00e9m cobrou seu pre\u00e7o. Com a anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia, o incipiente movimento social de 2012 ficou completamente \u00f3rf\u00e3o e isolado. A aus\u00eancia de anticorpos do povo russo contra o chauvinismo demonstrou mais uma vez a corre\u00e7\u00e3o da m\u00e1xima de Marx de que n\u00e3o pode ser livre o povo que oprime a outro povo. Muitos dos ativistas de 2012 apoiaram a pol\u00edtica chauvinista de Putin contra a Ucr\u00e2nia. Se fechou assim a conjuntura de 2012, o regime de Putin se fortaleceu e inclusive seu car\u00e1ter bonapartista se aprofundou. Putin se apoia nesse chauvinismo russo para levar adiante sua pol\u00edtica anti-oper\u00e1ria e anti-nacionalidades oprimidas. Todos os ataques de Putin contra a popula\u00e7\u00e3o da R\u00fassia se aprofundaram ap\u00f3s a anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia, especialmente a reforma do sistema de aposentadoria, apoiando-se na euforia da campanha \u201cA Crimeia \u00e9 nossa!\u201d. \u00c9 a justificativa em nome da qual se pode suportar tudo&#8230;<br \/>\n\u00c9 por isso que n\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel uma vit\u00f3ria contra Putin na arena interna que n\u00e3o seja acompanhada por uma grande crise de sua pol\u00edtica na Ucr\u00e2nia e no C\u00e1ucaso, assim como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel expulsar as tropas russas dessas regi\u00f5es sem que isso se combine com uma grande crise pol\u00edtica dentro da R\u00fassia. Ou seja, com sua pol\u00edtica, Putin dificultou a luta dos ucranianos, mas ao mesmo tempo soldou o processo ucraniano com os destinos da R\u00fassia e de todos os povos que o comp\u00f5em, incluindo os do C\u00e1ucaso. Al\u00e9m disso, a Ucr\u00e2nia \u00e9 a ponte para os trabalhadores da Europa, assim como o C\u00e1ucaso para o mundo mu\u00e7ulmano. \u00c9 por isso que \u00e9 essencial o apoio e a solidariedade dos trabalhadores e povos da Europa com a revolu\u00e7\u00e3o ucraniana, bem como dos povos mu\u00e7ulmanos com seus irm\u00e3os no C\u00e1ucaso. O esmagamento da rebeli\u00e3o na Chech\u00eania e no C\u00e1ucaso, como vimos, foi a pedra fundacional do regime de Putin. E a agress\u00e3o contra a Ucr\u00e2nia permitiu-lhe fortalecer seu regime. Mas a Ucr\u00e2nia e o C\u00e1ucaso tamb\u00e9m s\u00e3o o calcanhar de Aquiles do regime de Putin. Uma derrota de Putin na Ucr\u00e2nia seria o come\u00e7o do fim de seu governo. O mesmo no C\u00e1ucaso.<br \/>\n<strong>Unir os trabalhadores e povos da R\u00fassia e Ucr\u00e2nia contra Putin<\/strong><br \/>\nUma nova vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o ucraniana poderia impulsionar, por essas raz\u00f5es, a luta dos trabalhadores russos e outros povos oprimidos contra Putin. Juntos, trabalhadores ucranianos e russos s\u00e3o capazes de derrotar o carrasco da revolu\u00e7\u00e3o ucraniana, o principal respons\u00e1vel pela coloniza\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, defensor dos regimes mais odiosos do planeta, agressor de povos e na\u00e7\u00f5es e aliado do imperialismo, que ainda tem sob seu controle o segundo ex\u00e9rcito (e arsenal nuclear) do mundo. Derrotar Putin teria repercuss\u00f5es n\u00e3o apenas na R\u00fassia e na Ucr\u00e2nia, mas em todo o mundo, devido ao seu papel contrarrevolucion\u00e1rio internacional. Significaria tamb\u00e9m o fim do governo de Assad na S\u00edria e o enfraquecimento da ditadura no Egito, o que poderia impulsionar uma nova onda da primavera \u00e1rabe. Teria um impacto profundo entre os povos do C\u00e1ucaso em sua luta pela independ\u00eancia. Derrotar Putin \u00e9 uma tarefa INTERNACIONAL da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, sua derrota seria tamb\u00e9m a derrota dos \u00faltimos restos apodrecidos do stalinismo mundial e de seus sat\u00e9lites, que encobrem os crimes de Putin.<br \/>\n<strong>As contradi\u00e7\u00f5es se acumulam<\/strong><br \/>\nAs ilus\u00f5es em Putin diminuem na R\u00fassia e hoje h\u00e1 um grande descontentamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia, infla\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os sociais e, especialmente, \u00e0 reforma do sistema de aposentadoria, profundamente impopular. Os trabalhadores russos e os povos oprimidos por Putin est\u00e3o ficando mais pobres a cada dia. O apoio a Putin na pol\u00edtica internacional ainda segue, mas j\u00e1 sem entusiasmo. As pessoas est\u00e3o cada vez menos dispostas a aceitar sacrif\u00edcios em nome de &#8220;Crimeia \u00e9 nossa!&#8221; Ocasionalmente ocorrem lutas isoladas, mas importantes, como na Inguch\u00e9tia (rep\u00fablica do C\u00e1ucaso vizinha \u00e0 Chech\u00eania), ou contra a constru\u00e7\u00e3o de mais uma igreja em Ekaterimburgo, ou contra as acusa\u00e7\u00f5es fraudulentas e a pris\u00e3o de um jornalista, ou as recentes marchas em Moscou contra a repress\u00e3o com cerca de 20 mil pessoas, \u00e0s vezes com vit\u00f3rias parciais. Hoje, grande parte da classe trabalhadora na R\u00fassia \u00e9 formada por trabalhadores imigrantes das ex-rep\u00fablicas da antiga URSS, muitos deles mu\u00e7ulmanos. Esses j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o dominados pela ideologia chauvinista, pois s\u00e3o suas v\u00edtimas diretas. Existem elementos de insatisfa\u00e7\u00e3o na juventude, com express\u00f5es t\u00edpicas do setor, contra a a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, da burocracia ou da igreja. O peso do chauvinismo tamb\u00e9m se mostra menor a\u00ed. Talvez as lutas mais decisivas surjam desses setores.<br \/>\nNo entanto, apesar desses elementos importantes, a situa\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria se mant\u00e9m, o que segue garantindo a Putin a possibilidade de aplicar sua pol\u00edtica contrarrevolucion\u00e1ria nas arenas regional e internacional. O recente aumento dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo tamb\u00e9m joga a seu favor. E apesar dos s\u00e9rios sinais de crise econ\u00f4mica, de fato, at\u00e9 agora, n\u00e3o h\u00e1 uma &#8220;fal\u00eancia&#8221; do pa\u00eds. A crise avan\u00e7a a passos, at\u00e9 agora, lentos.<br \/>\nUma pol\u00edtica correta para a R\u00fassia hoje deve ter como objetivo unificar os trabalhadores com os outros explorados no pa\u00eds, incluindo a classe m\u00e9dia e, especialmente, os jovens, unificando as reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e as democr\u00e1ticas, contra as reformas antipopulares e contra qualquer repress\u00e3o, contra o agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida e pelos direitos e em defesa das minorias nacionais e dos povos oprimidos, dentro e fora das fronteiras da Federa\u00e7\u00e3o Russa. \u00c9 essencial denunciar e desmascarar o regime de Putin como administrador da coloniza\u00e7\u00e3o da R\u00fassia a servi\u00e7o das grandes pot\u00eancias imperialistas, ao mesmo tempo que denunciar o seu papel opressor contra as na\u00e7\u00f5es menores e os povos oprimidos da R\u00fassia, o seu papel contrarrevolucion\u00e1rio na Ucr\u00e2nia, no C\u00e1ucaso ou na S\u00edria, e tamb\u00e9m denuncia-lo como o principal respons\u00e1vel pelo agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o na R\u00fassia.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u00c9 importante lembrar que o PCFR n\u00e3o \u00e9 um partido oper\u00e1rio de oposi\u00e7\u00e3o traidor, segundo o modelo stalinista cl\u00e1ssico. \u00c9 um partido burgu\u00eas, pr\u00f3-oligarcas, chauvinista russo, clerical, parte integrante do regime de Putin, com importantes v\u00ednculos com as institui\u00e7\u00f5es mais reacion\u00e1rias do putinismo, como os servi\u00e7os de seguran\u00e7a, for\u00e7as armadas e Igreja Ortodoxa. Apoia desavergonhadamente as agress\u00f5es contra a Ucr\u00e2nia e a S\u00edria e boicotaram o movimento de 2012<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Os liberais s\u00e3o profundamente pr\u00f3-imperialistas, totalmente favor\u00e1veis ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e de submiss\u00e3o ao capital internacional, assim como totalmente favor\u00e1veis \u00e0s reformas antipopulares, como a do sistema de previd\u00eancia<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Na verdade, uma pol\u00edtica que j\u00e1 vinha desde a derrota americana no Vietn\u00e3, mas que Bush tentou alterar, sem sucesso, por uma pol\u00edtica mais agressiva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Marx algumas vezes se referiu \u00e0 R\u00fassia tzarista do s\u00e9culo XIX como o basti\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o na Europa. 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