{"id":3155,"date":"2014-10-19T15:01:39","date_gmt":"2014-10-19T15:01:39","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2014\/10\/19\/conselhos-comunais-democracia-participativa-ou-instrumentos-do-poder-executivo\/"},"modified":"2014-10-19T15:01:39","modified_gmt":"2014-10-19T15:01:39","slug":"conselhos-comunais-democracia-participativa-ou-instrumentos-do-poder-executivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2014\/10\/19\/conselhos-comunais-democracia-participativa-ou-instrumentos-do-poder-executivo\/","title":{"rendered":"Conselhos Comunais: Democracia participativa ou instrumentos do Poder Executivo?"},"content":{"rendered":"\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"170\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/venezuela-concejoscomunales.jpg\" vspace=\"4\" width=\"255\" \/>A Constitui&ccedil;&atilde;o chavista de 1999 incorporou formal e legalmente as organiza&ccedil;&otilde;es dos movimentos sindical e popular, no marco dos Conselhos Comunais, como parte das institui&ccedil;&otilde;es estatais e governamentais.&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Neste artigo debateremos o verdadeiro significado de uma suposta democracia <em>participativa<\/em><\/span><span style=\"font-family: georgia, serif;\">&nbsp;sob o Estado capitalista venezuelano e o car&aacute;ter dos Conselhos Comunais e Comunas chavistas.<\/span><\/span><\/div>\n<p>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">A irrealiz&aacute;vel democracia <i>participativa<\/i> sob o Estado Capitalista<\/b><\/p>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ao assumir a presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica em 02 de fevereiro de 1999 e, particularmente, ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Bolivariana da Venezuela em 15 de dezembro do mesmo ano, Hugo Ch&aacute;vez redesenhou o regime pol&iacute;tico, as institui&ccedil;&otilde;es e as leis do Estado venezuelano estabelecendo um novo paradigma que pode ser resumido na proposta da democracia <i>participativa<\/i> como princ&iacute;pio fundamental da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999 (PARKER, 2001). A democracia <i>participativa<\/i>, alicerce da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999, foi, portanto, a resposta dada pelos <i>bolivarianos<\/i>, que atualmente exercem o poder, a uma aspira&ccedil;&atilde;o muito sentida por amplos setores da sociedade desde os anos de 1980 (MAYA, 2006).<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Com base no anterior, o pretenso diferencial do Estado venezuelano proposto pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999, n&atilde;o seria a mudan&ccedil;a do car&aacute;ter de classe do Estado, ou seja, a substitui&ccedil;&atilde;o de um Estado capitalista por um suposto Estado &ldquo;socialista&rdquo;, mas estaria localizado no terreno do regime pol&iacute;tico, ou seja, da articula&ccedil;&atilde;o entre as diferentes institui&ccedil;&otilde;es estatais para o exerc&iacute;cio do poder pol&iacute;tico, atrav&eacute;s da introdu&ccedil;&atilde;o de mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o popular na democracia representativa, sem que isso implicasse na expropria&ccedil;&atilde;o da propriedade privada dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, no n&atilde;o pagamento da d&iacute;vida p&uacute;blica e estatiza&ccedil;&atilde;o do sistema financeiro.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O &ldquo;princ&iacute;pio&rdquo; da democracia<i> participativa <\/i>nos marcos do Estado capitalista faz-se presente desde os primeiros artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999 e transpassa todo o texto constitucional no que diz respeito ao regime pol&iacute;tico. No entanto, este princ&iacute;pio n&atilde;o se constr&oacute;i de maneira antag&ocirc;nica ou antin&ocirc;mica &agrave; democracia representativa, mas como um complemento subordinado desta, da mesma forma que a parte est&aacute; subordinada ao todo. <\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Segundo o Artigo 6 da Constitui&ccedil;&atilde;o:<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O Governo da Rep&uacute;blica Bolivariana da Venezuela e das entidades pol&iacute;ticas que a comp&otilde;em &eacute; e ser&aacute; sempre democr&aacute;tico, participativo, eletivo, descentralizado, alternativo, respons&aacute;vel, pluralista e de mandatos revog&aacute;veis. (CRBV, 1999).<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O Artigo 6 &eacute; corroborado e aprofundado pelo Artigo 62, que institui como uma obriga&ccedil;&atilde;o do Estado e dever da sociedade facilitar a gera&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis para a participa&ccedil;&atilde;o popular nas decis&otilde;es governamentais:<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Todos os cidad&atilde;os t&ecirc;m o direito de participar livremente nos assuntos p&uacute;blicos, diretamente ou por meio de seus representantes eleitos.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A participa&ccedil;&atilde;o do povo na forma&ccedil;&atilde;o, execu&ccedil;&atilde;o e controle da gest&atilde;o p&uacute;blica &eacute; o meio necess&aacute;rio para conseguir o protagonismo que garanta seu completo desenvolvimento, tanto individual como coletivo. &Eacute; obriga&ccedil;&atilde;o do Estado e dever da sociedade facilitar a gera&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis para sua pr&aacute;tica. (CRVB, 1999).<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ao proclamar a democracia <i>participativa<\/i>, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999 demarcou claramente a obriga&ccedil;&atilde;o do Estado &ldquo;facilitar&rdquo; a participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; na tomada de decis&otilde;es (ELLNER, 2006). Quando a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999 prop&otilde;e ao Estado &ldquo;facilitar&rdquo; a participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; na tomada de decis&otilde;es governamentais indica que a primazia da a&ccedil;&atilde;o para a tomada de decis&otilde;es governamentais segue cabendo ao Estado capitalista venezuelano e aos seus poderes constituintes fundamentais: Executivo, Legislativo, Judici&aacute;rio, Cidad&atilde;o, e Eleitoral.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999, portanto, &eacute; o Estado que deve possibilitar a &ldquo;participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; na tomada de decis&otilde;es&rdquo; e n&atilde;o a participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, a democracia <i>participativa<\/i>, que deve fundamentar o marco decis&oacute;rio do poder governamental. Isto foi particularmente v&aacute;lido nos momentos de crise pol&iacute;tica e institucional, como o golpe de Estado de 2002 e o <i>Paro Petrolero<\/i> de 2002-2003. Durante os agudos enfrentamentos com a oposi&ccedil;&atilde;o de direita, os chavistas se abstiveram de chamar a participa&ccedil;&atilde;o direta na forma de assembleias populares, <i>cabildos abiertos <\/i>ou assembleias constituintes<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Litci01\/Desktop\/Alejandro\/Conselhos Comunais e Comunas chavistas - Final - 2707143.doc#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\"><span style=\"line-height: 115%;\">[1]<\/span><\/a> como uma maneira de sair da crise. Nos anos seguintes, os dirigentes chavistas considerariam o &ldquo;poder popular&rdquo; como um complemento do governo representativo, n&atilde;o como a fonte suprema da tomada de decis&otilde;es, tal como propunha o conceito de democracia radical (ELLNER, 2008).<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ainda que o Artigo 70 da Constitui&ccedil;&atilde;o contemple uma s&eacute;rie de mecanismos da chamada democracia <i>participativa<\/i> &ndash; assembleias populares, <i>cabildos abiertos<\/i> ou assembleias constituintes &ndash;, este mesmo artigo subordina os mecanismos anteriores a leis ordin&aacute;rias que estabeleceriam as regras para o efetivo funcionamento dos meios de participa&ccedil;&atilde;o e protagonismo popular, limitando-os, desta maneira, a um estrito marco legal a ser regulamentado. Segundo a Constitui&ccedil;&atilde;o em seu Artigo 70:<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Son medios de participaci&oacute;n y protagonismo del pueblo en ejercicio de su soberan&iacute;a, en lo pol&iacute;tico: la elecci&oacute;n de cargos p&uacute;blicos, el referendo, la consulta popular, la revocaci&oacute;n del mandato, las iniciativas legislativa, constitucional y constituyente, el cabildo abierto y la asamblea de ciudadanos y ciudadanas cuyas decisiones ser&aacute;n de car&aacute;cter vinculante (&hellip;).<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">La ley establecer&aacute; las condiciones para el efectivo funcionamiento de los medios de participaci&oacute;n previstos en este art&iacute;culo. (CRBV, 1999).<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No pr&oacute;prio texto constitucional, que toma por base o princ&iacute;pio da democracia<i> participativa<\/i>, j&aacute; encontramos n&iacute;tidos limites para o exerc&iacute;cio deste mesmo princ&iacute;pio. Ou seja, n&atilde;o seriam as pr&oacute;prias assembleias de cidad&atilde;os a estabelecer sua forma de funcionamento e participa&ccedil;&atilde;o nas decis&otilde;es governamentais, mas esta forma de funcionamento e participa&ccedil;&atilde;o seria determinada pelo Poder Executivo e pela Assembleia Nacional. Desta forma, o Estado capitalista venezuelano formataria segundo suas determina&ccedil;&otilde;es legais e institucionais os limites para a pr&oacute;pria participa&ccedil;&atilde;o popular na tomada de decis&otilde;es governamentais.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Devido ao anterior, no transcurso da presid&ecirc;ncia de Hugo Ch&aacute;vez, o exerc&iacute;cio da vers&atilde;o radical da democracia <i>participativa<\/i> resultou completamente sem efeito. A s&iacute;ntese da democracia radical foi a realiza&ccedil;&atilde;o de assembleias de cidad&atilde;os cujas decis&otilde;es estavam submetidas ao Artigo 70&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o e nunca se deram de maneira exitosa (ELLNER, 2006). Entre os princ&iacute;pios e o marco legal incorporados &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o e a pr&aacute;tica cotidiana passa a existir uma brecha bastante significativa. Durante os primeiros quatro anos do governo Ch&aacute;vez, esta brecha j&aacute; era enorme no que se referia a sua nova concep&ccedil;&atilde;o de democracia (PARKER, 2006).<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\" style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Para investigar as contradi&ccedil;&otilde;es apontadas acima sobre a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da democracia <i>participativa<\/i> no pr&oacute;prio texto constitucional e deste com as pr&aacute;ticas governamentais do Presidente Hugo Ch&aacute;vez versaremos a seguir sobre os Conselhos Comunais e Comunas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Afinal, o que s&atilde;o os Conselhos Comunais chavistas?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Os Conselhos Comunais e Comunas n&atilde;o s&atilde;o parte do Poder Cidad&atilde;o, como quinto poder da Rep&uacute;blica, ou comp&otilde;em um pretenso Poder Popular, que sequer existe como sexto poder. Tratam-se de simples mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o possuem nenhum poder decis&oacute;rio sobre as pol&iacute;ticas governamentais nos &acirc;mbitos nacional, estadual e municipal. Quando muito, podem definir sobre quest&otilde;es locais em n&iacute;vel de pequenas comunidades. Analisemos a seguir as leis que regulamentaram, segundo o Artigo 70 da Constitui&ccedil;&atilde;o, os Conselhos Comunais e Comunas. A Lei dos Conselhos Comunais (LCC), de abril de 2006, reza em seu Artigo 2 que:<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Los consejos comunales en el marco constitucional de la democracia participativa y protag&oacute;nica, son instancias de participaci&oacute;n, articulaci&oacute;n e interpretaci&oacute;n entre las diversas organizaciones comunitarias, grupos sociales y los ciudadanos y ciudadanas, que permiten al pueblo organizado ejercer directamente la gesti&oacute;n de las pol&iacute;ticas p&uacute;blicas y proyectos orientados a responder a las necesidades y aspiraciones de las comunidades en la construcci&oacute;n de una sociedad de equidad y de justicia social (LCC, 2006).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Como podemos verificar no Artigo 2 da LCC de 2006, todas as diversas organiza&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias, grupos sociais, como os sindicatos, e cidad&atilde;os e cidad&atilde;s, entendidos como indiv&iacute;duos, formam parte dos Conselhos Comunais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No entanto, apesar das nobres motiva&ccedil;&otilde;es baseadas no princ&iacute;pio constitucional da democracia <i>participativa<\/i>, esta mesma lei interrompe os canais de comunica&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o entre os governos locais nos munic&iacute;pios e suas comunidades com o poder central, para substitui-lo por um mecanismo que salta o n&iacute;vel municipal para estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o direta, sem intermedi&aacute;rios, entre os n&iacute;veis microssociais (os conselhos comunais) com o Poder Executivo nacional, mais exatamente com a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. (LOVERA, 2008).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A Lei de 2006, ao inv&eacute;s de criar mecanismos de democracia <i>participativa<\/i> que fossem institu&iacute;dos como poderes locais, entendidos como organiza&ccedil;&otilde;es que estariam na base do poder popular, acabou subordinando estes mesmos Conselhos Comunais ao Poder Executivo e &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. O Artigo 32 da referida lei discorre que:<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">La Comisi&oacute;n Nacional Presidencial del Poder Popular designar&aacute; una Comisi&oacute;n Local Presidencial del Poder Popular por cada municipio, previa aprobaci&oacute;n del Presidente de la Rep&uacute;blica. (LCC, 2006).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Assim, os Conselhos Comunais renderiam contas de suas atividades diretamente &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Isto para nada significaria que estes organismos substituiriam os respectivos governos municipais e c&acirc;maras de vereadores como institui&ccedil;&otilde;es governamentais de tipo sovi&eacute;tico, ao contr&aacute;rio, simplesmente conviveriam com eles como organismos de consulta popular, vinculados e subordinados ao Poder Executivo nacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ainda segundo a lei dos Conselhos Comunais de 2006 foi criada a figura de uma Comiss&atilde;o Nacional Presidencial do Poder Popular, designada pelo Presidente da Rep&uacute;blica. Caberia a esta Comiss&atilde;o orientar, coordenar e avaliar o desenvolvimento dos Conselhos Comunais em n&iacute;vel nacional, regional e local, com comiss&otilde;es presidenciais nesses mesmos n&iacute;veis, todas elas aprovadas previamente pelo Presidente da Rep&uacute;blica, que possui o poder de legitimar, regularizar e adequar os Conselhos Comunais &agrave;s disposi&ccedil;&otilde;es da lei. (LOVERA, 2008).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Mas isso n&atilde;o &eacute; tudo. A mesma lei criou um Fundo Nacional dos Conselhos Comunais, subordinado ao Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as, cuja dire&ccedil;&atilde;o &eacute; designada pelo Presidente da Rep&uacute;blica no Conselho de Ministros e respons&aacute;vel pela transfer&ecirc;ncia de recursos &agrave;s unidades financeiras locais dos Conselhos Comunais para fomentar projetos comunit&aacute;rios, sociais e produtivos apresentados &agrave; Comiss&atilde;o Nacional Presidencial do Poder Popular.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Todo o anterior demonstra que h&aacute; uma depend&ecirc;ncia e subordina&ccedil;&atilde;o direta dos Conselhos Comunais &agrave; c&uacute;pula do Poder Executivo. A Comiss&atilde;o Nacional Presidencial do Poder Popular tem poderes para reconhec&ecirc;-los ou n&atilde;o. Esta mesma comiss&atilde;o tamb&eacute;m transfere diretamente recursos financeiros aos Conselhos Comunais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A aprova&ccedil;&atilde;o pela Assembleia Nacional da nova Lei Org&acirc;nica dos Conselhos Comunais (LOCC), em 28 de Dezembro de 2009, n&atilde;o somente n&atilde;o modificou o car&aacute;ter burocr&aacute;tico da lei anterior, mas o aprofundou. Segundo a nova Lei:<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Art&iacute;culo 56. El Ministerio del Poder Popular con competencia en materia de participaci&oacute;n ciudadana dictar&aacute; las pol&iacute;ticas estrat&eacute;gicas, planes generales, programas y proyectos para la participaci&oacute;n comunitaria en los asuntos p&uacute;blicos y acompa&ntilde;ar&aacute; a los consejos comunales en el cumplimiento de sus fines y prop&oacute;sitos, y facilitar&aacute; la articulaci&oacute;n en las relaciones entre &eacute;stos y los &oacute;rganos y entes del Poder P&uacute;blico. (LOCC, 2009).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Desta forma, a nova LOCC atrelou mais ainda estes organismos ao Poder Executivo, atrav&eacute;s do Minist&eacute;rio do Poder Popular para Participa&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;, cujo ministro n&atilde;o &eacute; eleito nem pelo sufr&aacute;gio universal nem por uma assembleia nacional dos Conselhos Comunais, mas indicado pessoalmente pelo Presidente da Rep&uacute;blica. Como fica expl&iacute;cito no Artigo 56, o Minist&eacute;rio do Poder Popular passou a ditar atribui&ccedil;&otilde;es, acompanhar a atua&ccedil;&atilde;o e mediar a rela&ccedil;&atilde;o dos Conselhos Comunais com os demais &oacute;rg&atilde;os estatais. A nova lei consolidou efetivamente estes organismos como simples bra&ccedil;os institucionais do Poder Executivo, em particular do Presidente da Rep&uacute;blica e de suas pol&iacute;ticas governamentais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O anterior tem como consequ&ecirc;ncia outra problem&aacute;tica t&atilde;o ou mais grave em torno da organiza&ccedil;&atilde;o dos Conselhos Comunais. Na medida em que eles est&atilde;o subordinados ao Poder Executivo e &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, acabam tamb&eacute;m se transformando em inst&acirc;ncias prop&iacute;cias ao clientelismo pol&iacute;tico.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O registro dos Conselhos Comunais junto ao governo central, do qual dependem para libera&ccedil;&atilde;o de recursos, pode facilitar uma rela&ccedil;&atilde;o com o Poder Executivo de tipo clientelista, onde os partid&aacute;rios do Presidente e de seu projeto pol&iacute;tico recebem os recursos prometidos com maior frequ&ecirc;ncia do que quem o questiona. De fato, os Conselhos Comunais formados por n&atilde;o partid&aacute;rios do Presidente t&ecirc;m maiores dificuldades para que sejam aprovadas suas solicita&ccedil;&otilde;es e enfrentam inumer&aacute;veis procedimentos burocr&aacute;ticos que disfar&ccedil;am a raz&atilde;o da negativa final de seus pedidos. Desta forma, o fator que mant&eacute;m os Conselhos Comunais ativos &eacute; a obten&ccedil;&atilde;o dos recursos econ&ocirc;micos. Uma vez que os mesmos se executam ou deixam de chegar, os Conselhos Comunais tendem a se desativar. Por tudo isso, o projeto sociopol&iacute;tico que deu origem aos Conselhos Comunais alimenta uma rela&ccedil;&atilde;o eminentemente clientelista que sobrep&otilde;e os interesses coletivos &agrave; lealdade pol&iacute;tica. (GARC&Iacute;A-GUADILLA, 2008).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Devido a esta depend&ecirc;ncia pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica do Poder Executivo, os Conselhos Comunais tendem ainda a se vincularem &agrave;s chamadas <i>Missiones<\/i> e a outros programas governamentais cujo prop&oacute;sito tem sido proporcionar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas compensat&oacute;rias de curto alcance, a exemplo do Bolsa Fam&iacute;lia no Brasil. Como se n&atilde;o bastasse, h&aacute; a press&atilde;o governamental para militariz&aacute;-los atrav&eacute;s da incorpora&ccedil;&atilde;o de seus membros como reservistas do Ex&eacute;rcito e parte da Mil&iacute;cia Bolivariana.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Afinal, o que s&atilde;o as Comunas chavistas?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Quase um ano depois da aprova&ccedil;&atilde;o da nova Lei Org&acirc;nica dos Conselhos Comunais, em 13 de dezembro de 2010, foi aprovada a Lei Org&acirc;nica das Comunas (LOC). A an&aacute;lise desta lei possibilita entender as bases do aprofundamento da subordina&ccedil;&atilde;o dos Conselhos Comunais ao Poder Executivo, na medida em que os Conselhos Comunais passariam a integrar as Comunas como parte de seus organismos constituintes.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Nas defini&ccedil;&otilde;es da referida Lei, em seu Artigo 4, &sect; 05, a Comunidade Organizada seria:<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Constituida por las expresiones organizativas populares, consejos de trabajadores y trabajadoras, de campesinos y campesinas, de pescadores y pescadoras y cualquier otra organizaci&oacute;n de base, articuladas en una instancia del Poder Popular. (LOC, 2010).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Como ficou n&iacute;tido no exposto acima, os Conselhos Comunais fariam parte das Comunas. Por outro lado, as Comunas tamb&eacute;m possibilitariam a cria&ccedil;&atilde;o de Distritos Motores do Desenvolvimento pelo Poder Executivo. No mesmo Art. 4, &sect; 08, reza que:<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">&nbsp;(&hellip;) unidades territoriales decretadas por el Ejecutivo Nacional que integran las ventajas comparativas de los diferentes espacios geogr&aacute;ficos del territorio nacional, y que responde al modelo de desarrollo sustentable, end&oacute;geno y socialista. (LOC, 2010).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ao dar poderes ao Executivo Nacional de criar unidades territoriais, a LOC tanto tira da Assembleia Nacional o poder de discutir e aprovar a cria&ccedil;&atilde;o destas unidades territoriais, como questiona a atual defini&ccedil;&atilde;o territorial dos munic&iacute;pios, sem que isso implique em plenos poderes para os trabalhadores e o povo decidirem sobre a cria&ccedil;&atilde;o de tais Distritos Motores do Desenvolvimento ou de quaisquer outras unidades territoriais. Para sermos mais precisos, se, por um lado, a referida lei d&aacute; poderes &agrave; iniciativa popular para a constitui&ccedil;&atilde;o de Comunas, no entanto caberia &agrave;s comunidades organizadas notificarem este ato ao &ldquo;&oacute;rg&atilde;o facilitador&rdquo;:<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 35.45pt 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Art&iacute;culo 10. La iniciativa para la constituci&oacute;n de la Comuna corresponde a los consejos comunales y a las organizaciones sociales que hagan vida activa en las comunidades organizadas, quienes deber&aacute;n previamente conformarse en comisi&oacute;n promotora, notificando de este acto al &oacute;rgano facilitador. (LOC, 2010).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Quem seria este &oacute;rg&atilde;o facilitador? Segundo o Artigo 63 da LOC, nada mais nada menos que o Minist&eacute;rio do Poder Popular para Participa&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;. N&atilde;o bastasse a inger&ecirc;ncia direta do Poder Executivo como &oacute;rg&atilde;o facilitador para a cria&ccedil;&atilde;o e funcionamento das Comunas; quanto &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es do Conselho Executivo das Comunas, o Artigo 29 atrela diretamente o Plano de Desenvolvimento Comunal ao Plano de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social da Na&ccedil;&atilde;o, ao Plano Regional de Desenvolvimento e aos demais planos providos pelo Conselho Federal de Governo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A mesma LOC prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de um Banco da Comuna. Enganam-se aqueles que pensam que isto poderia significar, a partir de um sistema de bancos comunais, um passo para a estatiza&ccedil;&atilde;o do sistema financeiro e sua centraliza&ccedil;&atilde;o num banco &uacute;nico controlado pelos trabalhadores e povo. At&eacute; porque isto nunca fez e n&atilde;o faz parte da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e financeira do chavismo. Muito pelo contr&aacute;rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O Artigo 43 da LOC prop&otilde;e fundamentalmente que o Banco da Comuna gerencie quest&otilde;es como o fortalecimento do sistema microfinanceiro, d&ecirc; apoio ao interc&acirc;mbio solid&aacute;rio e &agrave; moeda comunal e &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o capta&ccedil;&atilde;o de recursos com a finalidade de outorgar cr&eacute;ditos, financiamentos e investimentos. Aqui se demonstra cabalmente que o Banco da Comuna n&atilde;o passa de um banco de microcr&eacute;dito cujo objetivo &eacute; financiar microempreendedores individuais e pequenos neg&oacute;cios no marco da economia capitalista.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Conselhos Comunais e Comunas chavistas: Sovietes do S&eacute;culo XXI?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Por tudo isso, os Conselhos Comunais e as Comunas chavistas n&atilde;o guardam nenhuma semelhan&ccedil;a com a Comuna de Paris de 1871 ou com os Sovietes de Oper&aacute;rios, Soldados e Camponeses da R&uacute;ssia de 1917. Primeiro fa&ccedil;amos uma compara&ccedil;&atilde;o com o car&aacute;ter pol&iacute;tico e organizativo da Comuna de Paris de 1871. Depois os cotejaremos com os Sovietes da R&uacute;ssia de 1917.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Segundo Marx, a Comuna de Paris era composta de conselheiros municipais eleitos por sufr&aacute;gio universal nos diversos distritos da cidade. Estes conselheiros municipais eram respons&aacute;veis e substitu&iacute;veis a qualquer momento. A Comuna era n&atilde;o um &oacute;rg&atilde;o parlamentar, mas uma corpora&ccedil;&atilde;o de trabalho, executiva e legislativa ao mesmo tempo. Na Comuna, todos que desempenhavam cargos p&uacute;blicos deviam receber sal&aacute;rios de oper&aacute;rios.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Al&eacute;m do mais, a Comuna de Paris imp&ocirc;s a elei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o somente de todos os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos que exerciam fun&ccedil;&otilde;es de administra&ccedil;&atilde;o, fiscaliza&ccedil;&atilde;o e controle, mas retirou dos magistrados e ju&iacute;zes sua &aacute;urea de inamovibilidade e os fez tamb&eacute;m respons&aacute;veis e demiss&iacute;veis. Assim, como os demais funcion&aacute;rios p&uacute;blicos com postos de mando, os magistrados e ju&iacute;zes deveriam ser eletivos, respons&aacute;veis e demiss&iacute;veis.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ao ser uma corpora&ccedil;&atilde;o de trabalho com fun&ccedil;&otilde;es ao mesmo tempo executivas e legislativas, a Comuna de Paris tratava-se do principal organismo de um novo tipo de Estado e n&atilde;o um mero ap&ecirc;ndice do Poder Executivo do Estado capitalista. Esta forma organizativa, que era controlada por seus eleitores desde os distritos de Paris, tendia e estender-se por toda a Fran&ccedil;a, substituindo desta forma o antigo governo centralizado. Uma vez estabelecido em Paris e nos centros secund&aacute;rios o regime comunal, o antigo governo centralizado deveria ceder lugar tamb&eacute;m nas prov&iacute;ncias ao governo dos produtores.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">As assembl&eacute;ias comunais das cidades, bem como das comunas rurais de cada distrito da Fran&ccedil;a durante a Comuna de Paris, por sua vez enviariam deputados &agrave; delega&ccedil;&atilde;o nacional em Paris, entendendo-se que todos os delegados seriam substitu&iacute;dos a qualquer momento e comprometidos com um mandato imperativo (instru&ccedil;&otilde;es formais) de seus eleitores. As poucas, mas importantes fun&ccedil;&otilde;es que restavam a um governo central n&atilde;o seriam suprimidas, mas seriam desempenhadas por agentes comunais e, portanto, estritamente respons&aacute;veis. N&atilde;o se tratava de destruir a unidade da na&ccedil;&atilde;o, mas, ao contr&aacute;rio, de organiz&aacute;-la mediante um regime comunal, convertendo-a numa realidade ao destruir o poder estatal que pretendia ser a encarna&ccedil;&atilde;o daquela unidade independente e situado acima da pr&oacute;pria na&ccedil;&atilde;o, em cujo corpo n&atilde;o era mais que uma excrec&ecirc;ncia parasit&aacute;ria. (MARX, 1986).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Desta maneira, a Comuna de Paris viria a ser a prefigura&ccedil;&atilde;o de uma nova forma estatal erguida de baixo para cima, com delegados eleitos e comprometidos com um mandato imperativo que, caso n&atilde;o cumprissem com suas responsabilidades perante seus eleitores, poderiam ser revog&aacute;veis a qualquer momento. Ao contr&aacute;rio, os Conselhos Comunais e as Comunas chavistas n&atilde;o passam de bra&ccedil;os do Poder Executivo, colocado &ldquo;acima da pr&oacute;pria na&ccedil;&atilde;o em cujo corpo n&atilde;o &eacute; mais que uma excresc&ecirc;ncia parasit&aacute;ria&rdquo;, e se reduzem a simples engrenagens secund&aacute;rias do aparelho do Estado capitalista venezuelano.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">N&atilde;o s&oacute; em suas formas institucionais realmente democr&aacute;ticas, a Comuna de Paris diverge dos Conselhos Comunais e as Comunas chavistas, mas, sobretudo, em sua &ldquo;meta final&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A Comuna era, essencialmente, um governo da classe oper&aacute;ria, fruto da luta da classe produtora contra a classe apropriadora, a forma pol&iacute;tica afinal descoberta para levar a cabo a emancipa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do trabalho. A Comuna pretendia abolir essa propriedade de classe que converte o trabalho de muitos na riqueza de uns poucos. A Comuna aspirava &agrave; expropria&ccedil;&atilde;o dos expropriadores. (MARX, 1986).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Os Sovietes russos tamb&eacute;m destoam completamente em sua forma e conte&uacute;do dos Conselhos Comunais e das Comunas chavistas. Da mesma forma que a Comuna de Paris, os Sovietes se tratavam de uma corpora&ccedil;&atilde;o de trabalho baseada na elei&ccedil;&atilde;o e na revogabilidade de mandatos dos seus representantes, bem como possu&iacute;am ao mesmo tempo car&aacute;ter executivo e legislativo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A fun&ccedil;&atilde;o principal dos Sovietes era a defesa e consolida&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o russa. Eles exprimiam a vontade pol&iacute;tica das massas n&atilde;o s&oacute; em todo o pa&iacute;s, no Congresso Pan-Russo, mas tamb&eacute;m em cada uma das suas se&ccedil;&otilde;es onde a sua autoridade era, praticamente, suprema.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Esta descentraliza&ccedil;&atilde;o era efetiva, pois eram os sovietes locais que criavam o governo central e n&atilde;o o governo central que criava os &oacute;rg&atilde;os locais. Mas, apesar da autonomia local, os decretos do Comit&ecirc; Executivo Central e as ordens dos comiss&aacute;rios tinham for&ccedil;a de lei para todo o pa&iacute;s. Efetivamente, na Rep&uacute;blica dos Sovietes, n&atilde;o eram os interesses regionais ou de grupos que deviam ser salvaguardados, mas a causa da Revolu&ccedil;&atilde;o, que era a mesma em todo o lado. (REED, 1987).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No R&uacute;ssia de 1917, o Comit&ecirc; Executivo Central ou parlamento da Rep&uacute;blica Sovi&eacute;tica, que acumulava ao mesmo tempo fun&ccedil;&otilde;es executivas e legislativas, era eleito no Congresso Pan-Russo que reunia os delegados dos sovietes locais de todo o pa&iacute;s. Por sua vez, O Comit&ecirc; Executivo Central elegia no seu seio onze comiss&aacute;rios que seriam os chefes das comiss&otilde;es &agrave;s quais estavam subordinados. Desta forma &ldquo;os sovietes locais criavam o governo central e n&atilde;o governo central criava os &oacute;rg&atilde;os locais&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Por outro lado, este governo erguido de baixo para cima n&atilde;o privilegiava nenhum particularismo ou interesse regional, mas possibilitava aos eleitores e delegados, tanto das grandes cidades industrializadas quanto das localidades mais remotas da R&uacute;ssia, debaterem, proporem e decidirem desde as pequenas quest&otilde;es locais at&eacute; as grandes diretrizes da pol&iacute;tica, da administra&ccedil;&atilde;o e da economia nacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Com base no anterior, podemos verificar o qu&atilde;o democr&aacute;ticos eram os Sovietes russos, ainda que essa rica experi&ecirc;ncia tenha sido debilitada pela guerra civil patrocinada pelo imperialismo e abortada pela contrarrevolu&ccedil;&atilde;o estalinista. Mesmo hoje, &agrave;s v&eacute;speras do centen&aacute;rio da revolu&ccedil;&atilde;o russa, seu exemplo &eacute; a maior referencia para todos aqueles que defendem a revolu&ccedil;&atilde;o socialista, a ditadura do proletariado e a democracia oper&aacute;ria. Ele &eacute; infinitamente distinto em forma e conte&uacute;do dos Conselhos Comunais e das Comunas chavistas, que longe de garantirem a plena participa&ccedil;&atilde;o popular nas decis&otilde;es governamentais, possibilitam exatamente o contr&aacute;rio: o controle estrito dos movimentos sindical e popular pelo Poder Executivo do Estado capitalista venezuelano.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Refer&ecirc;ncias<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">CONSTITUCI&Oacute;N DE LA REP&Uacute;BLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 1999.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">ELLNER, Steve.<i> Las tenciones entre la base y la diligencia en las filas del chavismo<\/i>. Revista Venezolana de Econom&iacute;a y Ciencias Sociales. Caracas: UCV, Vol. 14, n&ordm; 1, enero-abril, 2008.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">_____________. <i>Las estrategias &ldquo;desde arriba&rdquo; y &ldquo;desde abajo&rdquo; del movimiento de Hugo Ch&aacute;vez<\/i>. Cuadernos del Cendes, a&ntilde;o 23, N&deg; 62, Tercera &Eacute;poca, mayo-agosto, 2006.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">GARC&Iacute;A-GUADILLA, Mar&iacute;a Pilar. <i>La Praxis de los consejos comunales en Venezuela: &iquest;Poder popular o instancia clientelar?<\/i> Revista Venezolana de Econom&iacute;a y Ciencias Sociales. Caracas, enero-abril, Vol. 14, N&ordm; 1, 2008.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">LEY DE LOS CONSEJOS COMUNALES, 2006.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">LEY ORG&Aacute;NICA DE LOS CONSEJOS COMUNALES, 2009.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">LEY ORG&Aacute;NICA DE LAS COMUNAS, 2010.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">L&Oacute;PEZ MAYA, Margarita. Del viernes negro al referendo revocatorio. Caracas, Alfadil Ediciones, 2006.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">LOVERA, Alberto. <i>Los consejos comunales en Venezuela: &iquest;Democracia participativa o delegativa? <\/i>Revista Venezolana de Econom&iacute;a y Ciencias Sociales. Caracas, enero-abril, Vol. 14, N&ordm; 1, 2008.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">MARX, Karl. A Guerra Civil na Fran&ccedil;a. Editora Global, S&atilde;o Paulo, 1986.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">PARKER, Dick. <i>&iquest;De qu&eacute; democracia estamos hablando?<\/i> Revista Venezolana de Econom&iacute;a y Ciencias Sociales. Caracas, enero-abril, Vol. 12, N&ordm; 1, 2006.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">_____________. <i>El chavismo: populismo radical y potencial revolucionario<\/i>. Revista Venezolana de Econom&iacute;a y Ciencias Sociales. Caracas: UCV, Vol. 07, N&ordm; 01, 2001.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">REED, John. Como Funcionam os Sovietes. Converg&ecirc;ncia Socialista, S&atilde;o Paulo, 1987.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br clear=\"all\" \/><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div id=\"ftn1\">\n<div style=\"text-align:justify\">\n\t\t\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Litci01\/Desktop\/Alejandro\/Conselhos Comunais e Comunas chavistas - Final - 2707143.doc#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\"><span style=\"line-height: 115%;\">[1]<\/span><\/a> A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999, al&eacute;m de possibilitar a convoca&ccedil;&atilde;o de assembleias populares, propunha ainda a realiza&ccedil;&atilde;o de <i>cabildos abiertos<\/i> (reuni&atilde;o p&uacute;blica dos conselhos distritais, municipais o das juntas administrativas locais), e de assembleias constituintes espec&iacute;ficas sobre temas de interesse nacional.<\/span><\/span><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o chavista de 1999 incorporou formal e legalmente as organiza&ccedil;&otilde;es dos movimentos sindical e popular, no marco dos Conselhos Comunais, como parte das institui&ccedil;&otilde;es estatais e governamentais.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":8460,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[167],"tags":[],"class_list":["post-3155","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-venezuela"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/venezuela-concejoscomunales.jpg","categories_names":["Venezuela"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3155"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3155\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}