{"id":31407,"date":"2020-02-07T17:11:45","date_gmt":"2020-02-07T19:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31407"},"modified":"2020-02-07T17:11:45","modified_gmt":"2020-02-07T19:11:45","slug":"o-pacto-psoe-erc-da-as-costas-a-autodeterminacao-e-a-anistia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/02\/07\/o-pacto-psoe-erc-da-as-costas-a-autodeterminacao-e-a-anistia\/","title":{"rendered":"O pacto PSOE-ERC d\u00e1 as costas \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e \u00e0 anistia"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Sem o direito de decidir, n\u00e3o h\u00e1 democracia!<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Finalmente, Pedro S\u00e1nchez foi empossado como presidente ap\u00f3s pactuar com Unidas Podemos, PNV (Partido Nacionalista Basco) e ERC (Esquerda Republicana da Catalunha). A posse ocorreu menos de tr\u00eas meses ap\u00f3s a esmagadora resposta popular catal\u00e3 \u00e0 decis\u00e3o do Supremo Tribunal espanhol, em meio ao esc\u00e2ndalo judicial com a recusa desse mesmo \u00f3rg\u00e3o de acatar a decis\u00e3o do TJUE (Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia) e permitir que Oriol Junqueras assumisse o cargo de Eurodeputado e com a destitui\u00e7\u00e3o do Presidente da Generalitat, Quim Torra do cargo de deputado do Parlamento Catal\u00e3o, pela JEC (Junta Eleitoral Central).<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor Corriente Roja<br \/>\nS\u00e1nchez, ap\u00f3s uma campanha eleitoral em que competiu com o PP (conservador) e o Vox (extrema direita) com agress\u00f5es e amea\u00e7as a soberania catal\u00e3, no final, ele s\u00f3 conseguiu ser empossado gra\u00e7as ao pacto com a ERC.<br \/>\nO pacto PSOE-ERC reconhece que existe \u201cum conflito de natureza jur\u00eddica em rela\u00e7\u00e3o ao futuro pol\u00edtico da Catalunha\u201d e cria uma \u201cMesa de di\u00e1logo, negocia\u00e7\u00e3o e acordo entre governos\u201d para \u201cdesbloquear e canalizar o conflito pol\u00edtico sobre o futuro da Catalunha por vias democr\u00e1ticas\u201d. Est\u00e1 em conformidade com o \u201csistema jur\u00eddico democr\u00e1tico\u201d e estabelece que os acordos da Mesa estejam sujeitos a \u201cuma consulta aos cidad\u00e3os da Catalunha\u201d.<br \/>\nA ERC vende o pacto como uma grande vit\u00f3ria, porque conseguiu \u201cque tudo possa ser discutido\u201d e porque abriu o caminho para resolver o conflito pol\u00edtico e a situa\u00e7\u00e3o dos presos. A mesma ideia \u00e9 aventada pelos Comuns de Ada Colau, obcecados pela \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d e disciplinados a Pedro S\u00e1nchez.<br \/>\nExistem setores na Catalunha que, diante do impasse que domina a vida pol\u00edtica catal\u00e3, veem o pacto com alguma esperan\u00e7a, enquanto um importante setor independentista o v\u00ea, com raz\u00f5es bem fundamentadas, como uma grande opera\u00e7\u00e3o de desmonte do movimento independentista.<br \/>\n<strong>Um pacto para redirecionar o movimento de independ\u00eancia para os canais do regime<\/strong><br \/>\nApesar da gritaria da direita contra os \u201cgolpistas\u201d catal\u00e3es, a realidade \u00e9 que a ERC se comprometeu a acatar \u201cos princ\u00edpios de lealdade institucional e bilateralidade\u201d, concordando assim em renunciar expressamente \u00e0 unilateralidade. Ou seja, que um Governo da Generalitat convoque unilateralmente um referendo de autodetermina\u00e7\u00e3o ou aprove leis contr\u00e1rias \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o espanhola.<br \/>\nDizer que todas as propostas que sejam apresentadas \u00e0 Mesa ser\u00e3o \u201cleg\u00edtimas\u201d n\u00e3o esconde que a proposta do referendo de autodetermina\u00e7\u00e3o ser\u00e1 apenas uma \u201csauda\u00e7\u00e3o \u00e0 bandeira\u201d. A consulta da que fala o pacto se enquadra nos limites do \u201csistema jur\u00eddico democr\u00e1tico\u201d. Ou seja, no \u00e2mbito de uma Constitui\u00e7\u00e3o que nega o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, estabelece a uni\u00e3o for\u00e7ada e s\u00f3 \u00e9 modific\u00e1vel atrav\u00e9s de uma reforma imposs\u00edvel, porque requereria o apoio da direita neofranquista do Congresso.<br \/>\nNa verdade, o pacto fala em procurar um novo encaixe na Monarquia espanhola. A autodetermina\u00e7\u00e3o e a Rep\u00fablica Catal\u00e3 desaparecem de cena, adiadas \u00e0s \u201ccalendas gregas\u201d. Em troca, a ERC exigiria uma sa\u00edda para o problema dos presos e um novo amparo aut\u00f4nomo, que respeitasse a l\u00edngua, a cultura e a educa\u00e7\u00e3o, melhorasse o financiamento aut\u00f4nomo, ampliasse a sufici\u00eancia em infraestruturas e recuperasse pontos do Estatuto de Pasqual Maragall<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> derrubado pelo TC (Tribunal Constitucional) espanhol.<br \/>\nMas todo este plano enfrenta dois problemas graves: o primeiro \u00e9 que, para avan\u00e7ar nele, a ERC precisa vencer as elei\u00e7\u00f5es catal\u00e3s e formar o Governo (tripartido com os Comuns e o PSC). Mas nesse caminho, enfrenta \u00e0 rivalidade de Carles Puigdemont e JxCat (Junts per Catalunya), que n\u00e3o querem ser destronados e v\u00e3o sabot\u00e1-lo. Embora, na realidade, n\u00e3o tenham objetivos diferentes, apenas gostariam de serem eles a liderar as negocia\u00e7\u00f5es e n\u00e3o a ERC.<br \/>\nO segundo problema \u00e9 maior. Trata-se da rea\u00e7\u00e3o furiosa da direita combinada com o aparato judicial, que apenas admitem a rendi\u00e7\u00e3o incondicional e a humilha\u00e7\u00e3o dos independentistas e n\u00e3o est\u00e3o dispostos a abrir m\u00e3o da repress\u00e3o ou qualquer concess\u00e3o aut\u00f4noma digna de tal nome.<br \/>\n<strong>A hipocrisia de Unidas Podemos e os Comuns<\/strong><br \/>\nOs Comuns variaram de posi\u00e7\u00e3o diante do conflito nacional ao ritmo do que fazia Pablo Iglesias. Passaram de defender o direito a decidir ao referendo pactuado e a partir da\u00ed negociaram um acordo para um novo Estatuto de Autonomia. Sua posi\u00e7\u00e3o diante da repress\u00e3o foi a mesma de Iglesias: reconhecer a legitimidade dos Tribunais do regime e de suas senten\u00e7as. Isso pode parecer ruim, mas \u00e9 legitimo e ser\u00e1 assumido. Tudo o que resta \u00e9 reclamar, sem levantar muito a voz, e propor subterf\u00fagios legais para reduzir seu impacto.<br \/>\nSe o objetivo principal era entrar no Governo de S\u00e1nchez, deveria retirar tudo o que dificulta. Agora, \u00e9 se preparar para um governo tripartido na Catalunha com a ERC e o PSC em prol da \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d. Da\u00ed o seu apoio aos or\u00e7amentos de Pere Aragon\u00e8s (vice-presidente catal\u00e3o).<br \/>\nEm entrevista na TV3 depois da posse, Jaume Asens<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> assumiu que quem decidia, no problema catal\u00e3o, era S\u00e1nchez e que eles, Podemos-Comuns se subordinaram. Excluiu todas as expectativas de um referendo sobre autodetermina\u00e7\u00e3o e anistia dos presos (\u201calgo muito dif\u00edcil, para n\u00e3o dizer imposs\u00edvel\u201d) porque defender estas reivindica\u00e7\u00f5es \u201cgera frustra\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n<strong>A CUP deve ser manter firme<\/strong><br \/>\nA CUP (Candidatura d\u2019Unitat Popular) se apresentou pela primeira vez nas elei\u00e7\u00f5es gerais e obteve 244.754 votos e 2 cadeiras. Esses votos representaram aos setores mais radicais e antirregime do independentismo, especialmente da juventude.<br \/>\nEm sua interven\u00e7\u00e3o na sess\u00e3o plen\u00e1ria de posse, Mireia Veh\u00ed, deputada pela CUP, destacou que o pacto PSOE-ERC percorreu pouco tempo e, est\u00e1 longe, pois \u201co di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel sem questionar o regime de 1978\u201d. Apesar disso, desejou sucesso ao novo governo contra os \u201cos maus press\u00e1gios\u201d da direita e a extrema-direita.<br \/>\nMas o novo governo n\u00e3o vai satisfazer o povo catal\u00e3o, porque nem pode, devido aos obst\u00e1culos do aparelho judicial, nem quer, porque nunca vai ultrapassar o marco constitucional consagrado na unidade for\u00e7ada espanhola. \u00c9 por isso que, embora tenha apar\u00eancias, n\u00e3o podemos baixar \u00e0 guarda. \u00c9 hora de permanecer firme na defesa da autodetermina\u00e7\u00e3o, da anistia e da luta contra a repress\u00e3o, \u201cgoverne quem governe\u201d em Madri e Barcelona.<br \/>\n<strong>N\u00e3o dar o bra\u00e7o a torcer: continuar a luta pela anistia, o direito de decidir e contra a repress\u00e3o<\/strong><br \/>\nO que acontecer\u00e1 nos pr\u00f3ximos meses \u00e9 uma inc\u00f3gnita. Vivemos uma situa\u00e7\u00e3o profundamente inst\u00e1vel, com um governo de coaliz\u00e3o com uma maioria extremamente prec\u00e1ria e dependente de pactos, a extrema direita desenfreada e o aparato judicial em p\u00e9 de guerra. Tamb\u00e9m n\u00e3o sabemos com certeza quanto tempo durar\u00e1 o governo da Generalitat e quando ser\u00e3o convocadas as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, embora elas n\u00e3o possam demorar muito devido ao seu estado terminal.<br \/>\nO que sabemos \u00e9 que a autodetermina\u00e7\u00e3o da Catalunha \u00e9 parte da batalha comum contra o regime mon\u00e1rquico e que ser\u00e1 necess\u00e1rio derrub\u00e1-lo para alcan\u00e7\u00e1-la. E isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel em uma luta comum com a classe trabalhadora e o resto dos povos do Estado. E que, sobre esta base construir uma uni\u00e3o livre de rep\u00fablicas.<br \/>\nN\u00e3o podemos nos deixar cegar por falsas ilus\u00f5es em um di\u00e1logo que nos leva a um beco sem sa\u00edda, porque ocorre dentro da estrutura do regime e porque n\u00e3o \u00e9 feito em nome de em luta e organizado, mas desmobilizado. Hoje a tarefa continua sendo a luta pela anistia, a volta dos exilados, o fim da repress\u00e3o e a defesa de um referendo de autodetermina\u00e7\u00e3o. Essa batalha exigir\u00e1 a entrada em cena, outra vez, do povo e da juventude, apoiada na auto-organiza\u00e7\u00e3o e iniciativa coletiva.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Estatuto da Catalunha, aprovado no referendo de junho de 2006, sob o governo da Generalit de Pasqual Maragall, que eleva a Catalunha a na\u00e7\u00e3o e refor\u00e7a os poderes do Governo Regional em mat\u00e9ria pol\u00edtica, fiscal e administrativa e em 2010 \u00e9 derrubado pelo TC, NdT;<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> L\u00edder do grupo parlamentar do Unidas Podemos no Congresso espanhol, NdT;<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Rosangela Botelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem o direito de decidir, n\u00e3o h\u00e1 democracia! Finalmente, Pedro S\u00e1nchez foi empossado como presidente ap\u00f3s pactuar com Unidas Podemos, PNV (Partido Nacionalista Basco) e ERC (Esquerda Republicana da Catalunha). 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